The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 13

Tempo estimado de leitura: 32 minutos

  2 de setembro de 2001 – Varanda da nova casa de Angelina.

  Ponto de vista: George.

  – George? – Foi Oliver que atendeu a porta e aquilo me pegou tão de surpresa que fiquei sem reação. Por sorte, ele sorriu, me cumprimentou e deu dois tapinhas em meu ombro.
  Trocamos algumas frases automáticas sobre como estava a vida um do outro e um certo silêncio constrangedor sobrevoou entre nós antes de eu perguntar o que realmente queria saber.
  – A Angelina está aí? Eu queria conversar com ela, se não for incomodar.
  – Ah, sim sim. Ela está tomando banho, vem, entra. Estou fazendo pipoca.
  O acompanhei até a cozinha. Eu não fazia ideia de que eles estavam morando juntos, Angelina sempre foi uma grande amiga, porém, eu nunca consegui ter com ela o nível de amizade que ela tinha com %Vee%. Então ficávamos nesse limbo, onde namoramos e somos próximos, mas não nos falamos o suficiente para termos aquela sintonia de amizade profunda. Tudo que eu sabia sobre ela vinha por intermédio de %Verônica% ou Lee.
  Então confesso que estar em sua casa, com seu atual namorado me olhando desconfiado enquanto fazia pipoca em uma cozinha impecavelmente branca não estava no meu top de coisas que eu imaginava desse dia.
  – Angie, temos visita. – Oliver falou em um tom ligeiramente mais alto, provavelmente para avisá-la enquanto eu ouvia seus passos distantes descendo a escada que dava para o segundo andar.
  – Visita? Quem...? – Notei sua voz morrendo quando ela foi se aproximando de mim. – Weasley!
  Ela estava igualmente surpresa e feliz. Dei um sorriso.
  – Oi.
  – O que você está fazendo aqui? – disse ela, abrindo os braços para me dar um abraço.
  – Eu... Eu preciso falar com alguém, estou ficando louco.
  Ela me olhou nos olhos, as sobrancelhas mostravam certa preocupação.
  – Tudo bem, erm, Oli, você pode...?
  Oliver me olhou de cima a baixo, depois olhou a panela de pipoca, depois olhou para Angelina.
  – Não, por favor, está tudo bem. Acho que prefiro que Oliver participe da conversa para não achar que estou aqui... Por algum motivo estranho que um ex-namorado apareceria sem avisar.
  – Está tudo bem, George. Vou terminar a pipoca, vocês podem ir lá para a sala. – Finalmente vi suas feições se suavizando, como se ele estivesse esperando algum momento em que eu mostraria o respeito que ele estava esperando.

  – Então? – Angelina sentou-se confortavelmente em seu sofá, de lado, virada para mim, as pernas dobradas e juntas ao seu corpo.
  – Então... – Apertei minhas mãos, estalando os dedos sem saber como conversar. Acho que fiquei tão nervoso de ir atrás de Angelina que não havia parado para pensar em como eu iniciaria aquela conversa, mas precisava ser direto. – Lembra de uma conversa que tivemos no último ano em Hogwarts?
  – Você vai ter que ser um pouco mais específico, meu bem.
  A sala era toda em tons brancos, alguns poucos detalhes eram dourado e vermelho, havia uma Shooting Star pendurada na parede acima da lareira e seus cachecóis da Grifinória estavam dispostos de maneira charmosa sobre as poltronas.
  – Uma vez você me disse que quando eu quisesse conversar sobre meus sentimentos sobre... um certo alguém, eu podia te procurar.
  Angelina levou alguns minutos pensando, provavelmente rebuscando em sua memória, até finalmente erguer as sobrancelhas com um sorriso surgindo em seu rosto de maneira ligeiramente assustadora.
  – George Weasley!
  – Por favor, não faça caso sobre isso.
  – Impossível.
  – Angel, por favor.
  Ela soltou uma gargalhada. Fiquei aliviado de ver que ela estava levando aquilo numa boa, eu estava sendo muito cara de pau de ir ali falar com ela sobre aquilo, mas lembrando do nosso histórico, talvez fosse a pessoa certa para me ajudar com a situação.
  – Não acredito que finalmente consegui ver essa cena! Desculpa, fiquei empolgada... – Pigarreou e endireitou a postura. – Como? Quando? Porque agora?
  – Eu... Não sei.
  – Aconteceu algo entre vocês? Não tem como ter surgido do nada, George.
  – Não aconteceu nada e aconteceu tudo ao mesmo tempo, eu sinto como se todas as minhas memórias depois... da batalha, estão misturadas com ela. Ela faz parte da minha vida de um jeito que eu não estou conseguindo mais separar as coisas e isso está me consumindo por dentro.
  – Consumindo de maneira ruim ou boa?
  – Eu quero passar todo tempo livre que tenho ao lado dela, quero saber como ela acordou e como ela foi dormir, quero ser o motivo dos seus sorrisos e quero saber se ela pensa assim também.
  – Consumindo de maneira boa. Anotado. – Ela sorriu de maneira leve. Eu me sentia confortável conversando com Angelina, como se ela já soubesse de um segredo que nunca contei a ninguém, algo só nosso. – E você tem certeza de que é um sentimento específico, e não só convivência?
  – Por Merlim, Angelina, eu convivo com a %Verônica% desde os onze anos. Acho que eu estaria ciente do que é convivência perto dela.
  Angelina deu um sorriso tão largo que me deixou inquieto, me remexi no sofá sentindo o cheiro de pipoca ficar mais forte.
  – Eu sei, eu só queria te ver falando o nome dela em voz alta. – Ela deu uma piscadinha para Oliver que se aproximava receoso.
  – Isso não está ajudando.
  Oliver depositou um pote de pipoca entre nós dois, e se sentou na poltrona com seu próprio balde.
  – Tudo bem, Weasley. Olha só, eu ainda não entendi muito bem porque exatamente você está aqui. Para mim, parece que seus sentimentos estão bem definidos, você quer um aval da melhor amiga? Quer um consentimento de ex-namorada?
  – Eu quero que você me ajude a tirar essa ideia da cabeça.
  – O quê?! Não!!
  – Angelina. – suspirei. – Isso não pode acontecer, não pode e não vai.
  – Por que não?
  – Porque... Tem muita coisa em jogo, nossa amizade, nossa boa convivência, ela era namorada de Fred, eu era... você é melhor amiga dela e...
  – Pode parar. – me interrompeu ela, pegando um punhado de pipoca. – Não, George, você não pode vir até aqui, atrapalhar meus planos sem avisar nada, pedir minha ajuda e ficar nesse estado de negação cego que você está. Esquece.
  – Eu não...
  – Você acabou de me dizer que tudo que você faz é pensar nela, que tudo que você quer é ficar com ela o tempo inteiro... E por que você está fazendo isso se tornar algo ruim?
  – Porque é errado, porque me dói por dentro saber que sinto essas coisas, quando na verdade eu tinha que me afastar dela.
  – Você não tem que se afastar de ninguém, está sendo estúpido e cabeça dura como sempre foi.
  – Posso dar minha opinião imparcial? – A voz de Oliver quebrou o nosso contato visual.
  – Claro.
  – Deixa eu ver se entendi, você está apaixonado pela %Vee%?
  – Eu não diria apaixonado...
  – Sim, ele está. – Angelina me cortou.
  – E está se martirizando por causa de toda essa situação enroscada? Ela ser ex do Fred, você ser ex da Angie e etc?
  Ela assentiu a cabeça por mim. Era uma batalha perdida que eu não gastaria energias.
  – Ok, George, você não sente como se tivesse passado muito mais tempo do que realmente passou? Desde nosso tempo no colégio, e tal? – sacudi a cabeça. – Pois é, o tempo é assim, e o amor... Cara, o amor é uma coisa doida. Eu conheço Angelina desde os meus doze anos, conversamos várias vezes, treinamos juntos, eu passei a liderança do time para ela, nos encontramos algumas vezes depois da escola por acaso e nenhuma dessas vezes uma fagulha aconteceu. A fagulha veio no casamento do Harry... Dá pra entender? Não dá, a vida é feita de fases e momentos, sabe? – Ele juntou um punhado de pipoca e enfiou na boca. – Todo mundo sabe que você não era apaixonado por ela desde que a conheceu, talvez tenha tido um crush em algum momento da adolescência, mas nada, absolutamente nada te prepara para esse amor que surge aos poucos, que surge de uma pessoa que você está cansado de ver, uma pessoa que passou o tempo inteiro lá e você não notou... Sei que você notou %Vee%, vocês eram super próximos e também sei que você nunca sequer sonhou em furar o olho de Fred e roubar a namorada dele, porém aqui estamos nós, tudo na sua vida diz que você tem que ficar com ela... Porque você vai ser a pessoa a negar isso? O que seria de mim se eu tivesse pensado “Urgh, Angelina, a menina teimosa e estrategista da época de escola, pra quê vou querer ficar com ela?”. Você precisa abraçar os sentimentos que eles vão te abraçar de volta....
  Fred provavelmente estava gargalhando de mim lá do céu, por eu estar ouvindo conselho motivacional de Oliver Wood de novo.
  Mesmo assim, as suas palavras, mesmo que cheias de pipoca na maior parte do tempo, foram desconfortavelmente verdadeiras. Engoli seco.
  – A não ser que... – Angelina iniciou a frase e deixou-a morrer.
  – A não ser que o quê? – perguntei preocupado.
  – A não ser quer você ache que ela não sinta o mesmo. George, você acha que %Vee% não gosta de você da mesma forma?
  Eu estava tão perdido em meu próprio mundo tão focado em não querer sentir aquilo, que nem passou pela minha cabeça o que ela sentia, já que nunca imaginei ter que assumir aqueles sentimentos à qualquer um, principalmente %Verônica% %Appleby%.
  – Eu... Não sei. Sempre fiquei tão focado em não poder gostar dela que nunca parei para pensar se ela gosta de mim.
  – Teve algum momento em que você sentiu a chave virar? – Oliver perguntou curioso, tinha um sorrisinho no canto dos seus lábios, como se ele achasse aquilo, em algum nível, divertido.
  – Como assim?
  – Ah, aconteceu algo entre vocês que você pensou “Merda, eu estou fodido”.
  Haviam dois momentos assim em minha vida: o dia da Amortencia e o dia do Selinho.
  Ambos os acontecimentos foram marcantes o suficiente para me fazer não dormir a noite.
  No dia que %Vee% me deu aquele selinho, o dia em que eu a vi caindo em um poço fundo de decepção e desespero, foi o dia em que eu precisei usar uma máscara de engraçadinho que eu não usava a bastante tempo para resgatar ela daquele lugar onde havia se enfiado.
  O que ela não sabia, era que minha boca ficou formigando durante horas, que o seu hidratante labial de cereja havia impregnado em meus lábios e cada vez que eu os lambia, era automaticamente transportado para o momento em que minhas mãos seguraram sua cintura e o calor da sua boca era transportado para a minha. Um segundo que mudou tudo.
  – %Vee% me beijou no ano passado. – Passei as mãos pelo rosto.
  Angelina puxou o ar de maneira dramática e tapou a boca.
  – Foi só um selinho. Mas... foi o suficiente para me fazer pirar.
  – É sério? Como isso aconteceu?
  Contei a eles sobre o incidente, a novidade, a empolgação e o beijo acidental.
  – Você não acha que isso seja um indício de que ela sinta o mesmo? – indagou ela.
  – Não. Foi um reflexo, Angelina, ela ficou animada e reagiu como ela reagiria com...
  – Não ouse falar Fred, George. %Vee% nunca confundiu vocês, ela reconhecia vocês pela voz, pelo jeito de voar, pelo movimento do corpo, é assustador!
  – Eu não disse que ela confundiu, ela só teve um momento de memória afetiva, sei lá.
  – Desculpe, George, mas isso está me parecendo como uma desculpa que você inventou para si mesmo. – Pelas barbas de Merlim, para quê fui deixar Oliver participar dessa conversa?
  – Concordo, meu bem. Acho que você já sabe todas as respostas e só veio aqui tentar se convencer do contrário, mas olha só George: Não existe nenhum empecilho, %Vee% está solteira, você está solteiro, eu não podia me importar menos... Mentira, na realidade eu adoraria que isso acontecesse, principalmente levando em consideração o nosso histórico.
  – Histórico? – Oliver levantou uma sobrancelha, desconfiado.
  Angelina sorriu e soltou um sorriso divertido.
  – Meu relacionamento com George aconteceu porque eu estava ajudando ele a superar “alguém”. Acabou virando um relacionamento de verdade em algum ponto, mas nunca foi cem por cento.
  Oliver nos encarava de boca aberta e a única coisa que eu conseguia pensar era que eu queria ter um relacionamento como aquele, em que eu podia contar sobre qualquer coisa sem ser julgado, sem ser pressionado ou mal compreendido.
  – Caramba! – Mais um punhado de pipoca foi enfiado na boca. – Deixem eu adivinhar... %Verônica%?
  Angelina soltou uma risada gostosa e alta, Oliver a acompanhou, ambos se divertindo às minhas custas. O bobo da corte está de volta.
  – Não tem graça.
  – Tem sim, tem graça quando você está dando todas as informações certas e só você não vê.
  – Não sei o que eu vim fazer aqui, sinceramente.
  – George, vocês se gostam. As pessoas estão tão acostumadas com vocês dois juntos, que absolutamente ninguém vai achar estranho ou errado. Se apaixonar pode acontecer com qualquer um, sabe? Se o seu medo era o que eu ia achar, ou o que a sua mãe vai achar, eu te respondo: Sua mãe vai ficar feliz em saber que o filho dela está sendo cuidado pela melhor pessoa que ela poderia imaginar. Ela já deve estar torcendo em segredo para que isso finalmente aconteça. – Angelina foi pontual e aquilo me desconcertou um pouco.
  – Talvez você esteja com medo da opinião alheia, mas... Porra, pelo pouco tempo que passamos juntos, eu sempre achei que você não se importava tanto assim com a opinião dos outros, e se eu estou enganado nessa, provavelmente era por causa de uma opinião específica sobre algum produto ou sobre uma nova piada. – Oliver adicionou. – Não sobre o que você fez ou deixava de fazer.
  – George, as pessoas não vão dar bola se você está apaixonado pela ex do seu falecido irmão, já faz mais de três anos que ele se foi, a vida, infelizmente, ou felizmente, tem que seguir.
  – Não precisava seguir esse caminho. – admiti ressentido, passando as mãos pelo cabelo.
  – Mas seguiu, você vai jogar tudo para o alto por causa de uma teimosia?
  Suspirei, largando minhas costas de volta no sofá, olhando o teto.
  – O que eu faço?
  Um silêncio se fez por alguns segundos, como se ambos estivessem em uma conversa telepática.
  – Beija ela. – Foi Oliver que sugeriu. – Assim você vai descobrir tudo, vai ter certeza de que os seus sentimentos querem dizer, vai saber se ela também sente o mesmo e de quebra pode haver algo a mais.
  – Como eu faço isso?
  – Caramba, George. – Ele riu. – Ta aí uma coisa que eu nunca achei que fosse acontecer: Eu dando conselhos de como beijar uma garota para George Weasley.
  Angelina riu, pelo jeito era uma nova maneira dos dois me perdoarem por estar estragando o domingo deles.
  – Acho que você pode decidir isso sozinho, George. Já nos intrometemos o suficiente na sua vida. Pensa bem, tome essa decisão sozinho. Só lembra que ela te ama, e que a amizade de vocês vai superar tudo isso.
  – Tá bem. Obrigado.

  Apartamento de George Weasley – 28 de dezembro de 2001 – Recesso de fim de ano.

  – E então? – perguntou %Vee% erguendo as sobrancelhas em curiosidade. – O que era tão importante?
  – Lembra daquele produto que eu comentei com você durante as férias de verão?
  Ela pareceu ponderar um pouco, fazia tempo que eu havia comentado sobre o produto, não tinha certeza se ela iria lembrar.
  – O gloss para ajudar a beijar bem?! – indagou animada, o brilho em seus olhos me fizeram sorrir.
  Retirei o pequeno embrulho do bolso e lhe entreguei.
  %Verônica% parecia ter bastante intimidade com o produto, pois desenroscou a tampa com facilidade e analisou-o cheirando.
  – Tem cheiro de bala de morango.
  – É, o protótipo é de morango.
  – Esse é o protótipo? – perguntou ela com certa desconfiança.
  Eu não a julgaria por desconfiar de qualquer protótipo meu, não depois de tantos testes feitos em Hogwarts sem nenhuma supervisão e com muitos efeitos colaterais.
  – Sim. – pigarreei. O misto de nervosismo e ansiedade faziam minhas mãos suarem.
  – E você quer que eu teste?
  – Exatamente. – respondi deixando-a se acostumar sozinha com o fato de que não tinha como testar um produto daqueles com uma pessoa só. Ela podia sentir o gosto, a textura e a cor sozinha, mas a sensação do beijo não.
  Eu me sentia culpado por usar aquilo como desculpa, mas não queria dar a chance de beijá-la sem qualquer tipo de motivo, ou aviso prévio e acabar cagando o que eu diria ser uma situação muito complexa. Mas, por Merlim, eu queria beijá-la, minha sanidade já estava por um fio. Foi um martírio esperar até o recesso de fim de ano para isso, mas não queria tirá-la de Hogwarts sem um motivo realmente plausível, e “testar” o gloss definitivamente não era uma boa desculpa. Era péssima, na verdade. Mas ela aceitar aquela loucura já me deixava ligeiramente mais feliz de saber que talvez ela quisesse realmente aquilo, tanto quanto eu.
  Percebi %Vee% pensar um pouco sobre o assunto e seus olhos se arregalaram.
  – Você quer que eu teste em você!
  Não consegui conter uma risada nervosa.
  – Desculpa, %Vee%. Mas eu preciso de um relatório completo, preciso de alguém de confiança para me dar um resumo verdadeiro do que o gloss faz. E, convenhamos, foi você que deu a ideia!
  – Eu dei a ideia, mas não quero ser sua cobaia G, não tenho mais idade para isso. – Ela disse rindo pelo nariz, provavelmente lembrando-se da vez que a convencemos de testar um produto e ficou cheia de furúnculos.
  – Eu já testei, %Vee%. O produto é confiável. Só preciso da sua opinião.
  – Já testou?
  – É claro! Eu sou dono da loja mais famosa de Beco Diagonal, é claro que não faço mais testes de produtos como eu fazia em Hogwarts, o negócio é sério. Tenho dummies encantados e um laboratório.
  – Isso é incrível! – Ela estava realmente admirada.
  – Sua surpresa me ofende um pouco, mas eu entendo o trauma. – falei fazendo-a soltar uma risada. – %Vee%, é sério. Eu realmente preciso de uma opinião feminina. Posso chamar o Lee se você não se sentir tão confortável comigo. Mas eu preciso da opinião sincera de pessoas que eu confio, pessoas que entendem o ramo.
  Sugerir Lee quase me fez ter uma taquicardia, mas eu a conhecia o suficiente para saber que ela negaria um pedido daqueles. Sei também que ela se comoveria com o fato de eu usá-la como uma entendedora do ramo de produtos encantados.
  – Não... O Lee não, ele nunca me deixaria esquecer isso. – %Vee% suspirou alto. – Ok. Como vamos fazer isso?
  – Um beijo sem gloss. Um beijo com gloss. Depois você me diz o que mudou, o que sentiu, se fez cócegas, se tem gosto bom, se seus lábios esquentaram ou ficaram gelados... Coisas assim.
  Ela pensou durante tempo demais e meu coração parecia querer sair pela garganta. Ela estava mesmo engolindo aquela historinha barata?
  – Ok. Precisamos de algumas regras. – disse ficando ereta, unindo suas sobrancelhas de modo mandão, como ela costumava fazer na escola.
  %Vee% usava um suéter verde escuro pelo menos dois números maior do que ela, calça jeans clara e nos pés meias coloridas de dedinhos.
  – É você quem manda.
  Tentei me forçar a ser descontraído, porém não sei dizer se estava fazendo um trabalho naquilo, o nervosismo me consumia. %Verônica% ia mesmo fazer aquilo?
  – Ok, hmm, sem língua. – Ela enumerou com o dedo. – Sem mãos, e duração de trinta segundos. Simples, sem muita enrolação. De acordo?
  – Perfeito. Com gloss primeiro. – falei sentindo meu coração aumentar as batidas consideravelmente.
  – Por que?
  – Porque eu não quero que estejamos “acostumados” com isso. Um beijo sem gloss primeiro pode nos deixar sucessíveis a possíveis aceitações. Quero que o primeiro beijo seja uma incerteza, assim como é o primeiro beijo de uma menininha de treze anos, entende?
  – Entendi, tudo bem. – %Vee% estava ligeiramente nervosa, era perceptível. Ela mordia seu lábio inferior com frequência e segurava as mãos como se quisesse estalar os dedos, mas eles não faziam barulho por já estarem estalados.
  – George.
  – Sim?
  – Você não está fazendo isso só para... me beijar, certo?
  Soltei uma risada alta e nervosa, passei as mãos em meus cabelos.
  – %Vee%, eu sei que sou um idiota, mas não chega nesse nível. – Chega sim, e como chega.
  Dava para considerar isso uma mentira? O gloss estava ali, era real, foi testado e eu realmente precisava de um feedback. Porém, pensar que ela pudesse escolher Lee ao invés de mim fazia meu estômago nausear. É, era uma mentira mascarada sabor morango.
  – Tá bom. – Ela concordou com a cabeça, ligeiramente avoada.
  – Accio. – Apontei minha varinha para a cadeira da cozinha e ela veio até mim, posicionei-a em frente à poltrona da sala. %Verônica% sentou-se na poltrona, pegou algo em sua bolsa abriu e parecia um pequeno espelho redondo, passou o gloss nos lábios devagar, tomando cuidado com cada passada. A admirei em pé, cada detalhe, os cachos largos moldando seu rosto, os olhos concentrados no reflexo, a boca carnuda entreaberta. Ela esfregou os lábios um no outro, sentindo o sabor do produto. Engoli seco.
  – É bom, tem gosto de morangos frescos, é azedinho. – disse tomando notas, eu sabia que ela gostaria da acidez. Esfregou os lábios mais uma vez, analisando o reflexo. – A textura é boa, não é grudento e a cor é bonita. – O produto deixavam seus lábios bonitos, brilhantes e levemente rosados, um rosado saudável que não parecia vir de um batom.
  Puxei a cadeira e sentei de frente para ela.
  – Você tem certeza disso, George?
  – Não. Mas é só um beijo, certo? Somos melhores amigos, é até estranho que isso nunca tenha acontecido antes.
  – Você está louco para riscar isso da sua listinha particular, não é? – Ela riu, empurrando meu ombro. Eu preciso de ajuda.
  – Beijar a garota mais bonita da minha turma, alguns bons anos depois da formatura, check. – Fingi que estava riscando um item de uma listinha imaginária e ela riu novamente.
  – Tá bom, tá bom. Vamos acabar logo com isso, essa tensão está me matando. – Ela parou de rir e se concentrou em estalar o pescoço.
  – Por Merlin, quanto tempo faz que você não beija? Está até alongando o pescoço!
  Ela caiu na gargalhada de novo.
  – Não é como se eu tivesse muitas opções em Hogwarts. – disse virando os olhos para cima.
  – Então eu estou te fazendo um favor, retirando as teias de aranha da sua boca! – Dei uma risada alta fazendo ela unir as sobrancelhas irritada.
  – Está querendo fazer isso ou não?
  – Ok, ok. Desculpa. Vamos.
  – Recapitulando: Sem língua, sem mãos bobas, trinta segundos. – Ela apontou o dedo para mim, como se eu fosse um monstro. Meu coração voltou a palpitar estranho quando eu percebi que aquilo realmente iria acontecer.
  Engoli seco, esfreguei as mãos e peguei meu relógio de bolso que ela havia me dado, preparei o cronômetro em trinta segundos.
  – Pronta?
  Ela concordou com a cabeça. Eu não estava pronto.
  Apertei o botão do relógio e umedeci os lábios, inclinando o rosto na sua direção, vendo-a incerta por um momento. %Verônica% pareceu pensar por um segundo e uniu nossos lábios, fechando os olhos logo em seguida.
  Precisei reaprender a respirar quando nossas bocas se encaixaram, e precisei de muita força de vontade para não segurar seu rosto com as duas mãos e guiar aquele beijo para onde eu queria que ele fosse. Meu coração batia com força em meu peito, enquanto nossos lábios ainda estavam meio receosos com a proximidade. O gosto de morango adentrou minha boca de maneira suave. Pousei minhas mãos em meus joelhos com medo de fazer alguma besteira e abri um pouco a boca tentando aprofundar o beijo, mesmo que a minha língua fosse extremamente proibida ali, as vezes eu sentia a sua língua em meus lábios e, merda, aquilo havia sido uma péssima ideia. Me vi caindo em minha própria armadilha, talvez eu estivesse com alguma esperança de que aquele selinho teria sido uma loucura da minha cabeça, mas agora, sentindo novamente a sua boca na minha, eu tinha certeza de que era exatamente aquilo que eu perdi noites pensando:
  O que eu sentia por %Verônica% Lucille %Appleby% não era apenas amizade.
  Quando meu relógio parou de tiquetaquear, ambos sabíamos que o beijo deveria acabar, mas por algum motivo ele durou alguns segundos a mais.
  O silêncio prevaleceu pôr o que me pareceu uma eternidade, até eu perceber que podia quebra-lo.
  – E então?
  – Gostei, ele não deixa a boca pegajosa. – Ela disse, me desapontando pelo fato de estar realmente listando a sua opinião sobre o gloss. – Mas a cor transfere um pouco. – disse e levou o dedão até o meu rosto, limpando a parte embaixo de meu lábio inferior. – E você, o que achou?
  Eu estava atordoado. Desnorteado.
  – Eu?
  – É, G, você. Oitenta por cento da insegurança do primeiro beijo é saber se o seu parceiro vai gostar. – Seus olhos castanhos me encaravam de sobrancelhas erguidas, esperando minha resposta.
  – Eu gostei. – pigarreei. – Acho que o gosto de morango está um pouco marcante demais. – Era mentira, estava na dose certa, mas não consegui pensar em mais nada, só que dali a alguns minutos estaríamos voltando a nos beijar.
  – Entendi. Faça suas anotações, vou no banheiro retirar o gloss. – Ela disse apontando para meu bloco de notas com a pena ao lado.
  Quando ela entrou no banheiro, consegui soltar o ar que estava preso em meus pulmões.
  Merda, George, se recomponha!
  – Minha boca está formigando um pouco. É normal?
  Esfreguei os olhos, respirei fundo e peguei o bloco de notas fazendo uma listinha das coisas que ela havia dito.
  – Creio que sim. Eu coloquei um pouco de cannabis. Lembra? – Passei a língua sobre os lábios sentindo o sabor que foi transferido. – Só uma pitadinha, para dar aquela relaxada.
  %Verônica% voltou sem o gloss nos lábios, tomou um pouco de água na cozinha antes de se sentar de frente para mim novamente.
  – Pronto? – perguntou de maneira divertida e eu concordei com a cabeça, ainda meio disperso com o beijo anterior. – Está tudo bem?
  – Sim, é claro. Só estou tentando lembrar de tudo que você me disse para anotar.
  Ela aguardou eu terminar de anotar, coloquei a lista de lado. Minha cabeça estava leve como se aquilo não estivesse acontecendo de verdade.
  – Ok. Versão sem testes. Sem língua, sem mãos e trinta segundos. – falei sério, imitando um locutor de rádio, tentando quebrar um gelo imaginário que havia entre nós. Ela caiu na risada.
  Arrumei o relógio para trinta segundos novamente.
  – Pronta?
  – Sim. – Ela disse arrumando a postura.
  Apertei o botão do relógio e não perdi tempo em juntar nossas bocas, queria aproveitar cada milésimo desse beijo.
  E, por Merlin, esse beijo foi mil vezes melhor. %Vee% parecia estar mais leve, mais solta, nossos lábios se misturavam com mais desenvoltura e menos medo, minhas mãos estavam novamente agarradas aos meus joelhos e eu posso jurar que senti sua língua passear por meus lábios por mais vezes e por mais tempo. Meu peito parecia em queda livre, dava voltas de alegria, algo muito parecido com as borboletas no estômago que ela já havia me dito algumas vezes. Nossos lábios estavam sincronizados, e só Merlin sabia o quanto eu queria poder mergulhar minhas mãos em seus cabelos. Talvez, só talvez...
  Ouvi o relógio parar de tiquetaquear e não aceitei que aqueles trinta segundos haviam acabado tão rápido. Não era verdade, não podia ser. Por esse motivo, quando %Vee% afastou o rosto separando nossas bocas, levei minha mão até a sua nuca e uni nossos lábios novamente, eu não podia aceitar que seria só aquilo. Com minha mão livre, puxei seu tronco para mais perto de mim, e não vi ela fazendo objeções, pelo contrário, %Vee% cedeu e abriu a boca, pedindo passagem da sua língua pela minha boca. Desta vez o beijo foi espetacular, nossas bocas se encaixavam, nossas línguas se misturavam em sincronia e suas mãos estavam agarradas em minha camisa, puxando-me mais para perto, parecia surreal, parecia mentira, eu queria o máximo de proximidade possível, ela passou as mãos por meu ombros e afundou os dedos em meus cabelos enquanto eu a puxava para meu colo, ela pôs cada perna em um lado da cadeira e soltou o peso sobre minhas pernas, nossos lábios não se separaram uma única vez, a sintonia, a química, eram de outro mundo, tudo ali estava correto, nada parecia estranho e sem qualquer aviso prévio, %Verônica% separou nossa bocas.
  Seus olhos estavam arregalados, a respiração era pesada e as sobrancelhas denunciavam que sua cabeça pensava em mil e uma coisas.
  Minha respiração não estava diferente.
  Ela saiu do meu colo em um pulo, pôs a mão na testa ainda pensativa e visivelmente nervosa.
  – %Vee%...
  – George isso não podia ter acontecido. – Sua voz tremia.
  – Me desculpa. – falei levantando-me da cadeira e indo na sua direção. Seus olhos estavam tristes, seu cabelo estava mais bagunçado e sua boca... Merda, sua boca estava linda.
  – Não podemos fazer isso, nunca mais, meu Deus, isso foi tão errado e irrespon...
  Eu queria ser forte, queria ser superior e evoluído, queria poder não fazer isso, mas agarrei-a novamente, pondo uma mão em sua nuca e unindo nossas bocas sem pensar nas consequências, com minha mão livre, puxei-a para perto novamente enquanto sentia suas mãos mergulhando em meus cabelos arrancando arrepios em minha pele.
  Aquele beijo transcendia qualquer experiência que já tive beijando em toda a minha vida, nada no mundo poderia ter me preparado para o impacto que o gosto daquela boca causou em mim.
  O cheiro de %Verônica% era sensacional, a textura da sua pele, que eu já havia sentido em tantas ocasiões, me faziam enlouquecer e sentir sua língua acompanhando a minha em uma batalha interna silenciosa me fazia ver estrelas. Levei minhas duas mãos em sua cintura, apertando-a contra mim, em um impulso de querer sentir cada parte do seu corpo colado ao meu ao mesmo tempo em que %Vee% jogava seus braços em meu pescoço aprofundando o beijo de maneira espetacular. Ela estava na ponta dos pés e eu tinha que me arquear um pouco para que aquilo funcionasse, e nada, absolutamente nada podia me separar daquela mulher naquele momento...
A não ser ela mesma.
  Meu corpo reclamou quando suas mãos empurraram meus ombros para trás, e nossos lábios não estavam mais se misturando, o gosto da sua boca me deixava aéreo, entorpecido.
  – George. Não... Isso não... – Sua respiração pesada fazia seu peito subir e descer com força. – Isso não está certo.
  Eu havia pensado na ideia de beijá-la, mas não tinha pensado no depois. Acho que o fato de beijar %Verônica% era tão surreal que nem passou pela minha cabeça que aquilo realmente fosse acontecer e agora que havia acontecido, eu não sabia exatamente o que fazer ou o que falar.
  – Eu sei, me desculpa.
  Ela se afastou de mim, como se estar perto pudesse ser um problema.
  – Eu sei que foi errado, %Vee%, foi... – Mágico, perfeito, inigualável. – Imperdoável.
  Ela passou as mãos pelo rosto, esfregou os olhos e me encarou.
  Eu via decepção, via angústia, via culpa e desespero.
  O que eu havia feito? Todos aqueles sentimentos misturados me atingiram como um soco no estômago, o olhar dela me machucava. Porém, ao invés de me esculachar com suas palavras, me colocar no chão e chutar a minha virilha, como eu esperava que ela fizesse (e eu aceitaria tudo aquilo de bom grado), %Verônica% foi contra tudo que eu estava pensando, esticou as duas mãos segurando meu rosto e me puxou para baixo, me beijando com a mesma intensidade que havia me olhado.
  Fui pego de surpresa. Meus braços abraçaram sua cintura e eu a ergui enquanto suas mãos agarravam minha cabeça guiando nossas bocas de um lado para o outro com facilidade e intensidade, era inebriante sentir seus lábios macios nos meus, a sua língua doce misturando-se com a minha, o seu cheiro me abraçando de forma natural.
  Merda, eu estava fodido.
  Carreguei-a até a cozinha e a sentei na mesa, %Vee% abriu ligeiramente as pernas apenas para eu me posicionar ali, o beijo continuava denso, eu tinha medo de separar e ela acordar de novo em algum momento de arrependimento e fugir de mim.
  Eu estava viciado, tudo que já havia vivenciado ao lado de %Vee% era pouco, aquele beijo era a confirmação que eu precisava para saber que minha vida estava fodida. Mesmo que meu negócio estivesse bem, minha família estivesse nos eixos, e todas as pessoas que importam em minha vida estivessem de acordo com curso natural das coisas, minha vida não estaria completa sem %Verônica% me beijando. Nossas bocas encaixavam como se fossem feitas sob medida, a lentidão e o cuidado com que eu conduzia aquele ato era tão milimetricamente contabilizado que o medo de uma fuga me fazia arquejar.
  E então, aconteceu de novo, ela pareceu acordar de um devaneio longo e separou nossas bocas.
  – Mas que merda! – exclamou irritada e pulou da mesa, me empurrando no caminho. – George, isso foi errado. Isso nunca vai se repetir. Por favor, não venha atrás de mim.
  O estalo seco da sua aparatação me assustou e percebi que estava sozinho.


  Nota da autora:
  Aconteceu.
  Esse capítulo está escrito desde o capítulo do natal, eu estava passando mal de ansiedade para inserir ele na história. Finalmente aconteceu.
  Não teve flashback nesse capítulo pois acho que a gente meio que precisava de um segundo pra absorver o que aconteceu nesse capítulo hahahahahahah
  Espero que tenham gostado e deixem aquele comentário lindo <3

Capítulo 13
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Natashia Kitamura

Eu estou, tipo, AAAAAAAAAAAAAAAAAA 😍🔥🔥🔥🔥
E ao mesmo tempo, eita.
E também, vixe.
Mas hiperventilando demais!
Que capítulo foi esse? Fiquei, que %#@$ é essa que o George ta fazendo, e aí, caramba, não é que ela caiu? Kkkkkkkkk
O resultado de tudo é: ELA QUIS TAMBÉM. Ninguém beija um amigo na boca só para “ajudar”. Hehehehehe
Nossa Naya, se tem um capítulo que eu PRECISO, é o próximo! Meu deussssssss! Esse rolo tem que desenrolar! Quero saber como que vai ficar, ele PRECISA sufocar ela até ela entender que os dois podem ficar juntos SIM!
Mas é isso, aguardamos (quase sem ar, desesperadamente e morta no chão) pela atualização <3

Naya R.

EU ESCREVI TUDO ASSIM TAMBÉM KKKKKKKKKK
“não é possível que ela vai cair nisso”
“aí meu deus, aí meu DEUS, AI MEU DEUSSSSSSSS”

Mas convenhamos, COMO resistir, né? A querida é feita de carne e osso assim como nós hauahauahauah

obrigada pelo comentário, meu amor! Fiquei muito feliz 🥹😍😍

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