The Weasley Twins


Escrita porNaya R.
Revisada por Natashia Kitamura


Capítulo 12

Tempo estimado de leitura: 37 minutos

  28 de julho de 2001 – Casa de praia dos Granger.

  Ponto de vista: %Verônica%

  Abracei cada um de meus amigos que estavam naquela casa para comemorar o aniversário de Harry Potter. Harry, Gina, Hermione, Rony, Neville, Luna e George.
  Um fim de semana afastada dos problemas, dos estudos, dos preparativos de aulas de um novo ano letivo... Estava mesmo precisando respirar um ar fresco.
  Depois da morte de minha avó, pouca coisa relevante realmente aconteceu, voltei à minha vida normalmente, migrando entre Hogwarts, o apartamento de George e a Toca que sempre me recebia de braços abertos. A papelada da herança de vovó foi facilmente resolvida com um bom advogado e o testamento que ela fez ainda em vida. Eu fiquei com a sua casa, que resolvi vender e dividir o dinheiro entre os demais netos, já que por mais que aquele tenha sido o meu lar por muito tempo, eu não sentia que pertencia àquela vizinhança. Portanto estava procurando uma residência fixa em Hogsmeade, uma casinha pequena e aconchegante que ficasse perto de tudo que mais gostei em minha infância e adolescência. George estava me ajudando a escolher o melhor investimento agora que estava estudando negócios e estava virando um adulto responsável.
  Fiquei com o piano, com o toca fitas de meu pai e a sua coleção, o álbum de casamento dos meus pais e com o vaso de petúnias de vovó.
  Ver meus amigos me fazia perceber que eu tinha um lugar no mundo, que eu pertencia à uma tribo, que eu era amada e minha voz era ouvida, então não pensei duas vezes quando recebi o convite de Harry. Sempre tivemos uma conexão por tabela por causa dos Weasley e sempre tive uma afeição maior por ele por termos o mesmo passado trágico que nos fazia ter esse laço inevitável.
  – Como você está, %Vee%? – Neville me perguntou sorrindo quando finalmente cheguei na sala de estar, depois de acomodar minha mochila no quarto que Luna havia escolhido.
  A casa dos Granger era enorme, feita para acomodar várias pessoas, uma verdadeira casa de festas, então foi decidido que eu dormiria com Luna e George dormiria com Neville pelo simples fato de que não queríamos forçar Luna e Neville de dormirem juntos, já que eles tiveram um lance por alguns meses, anos atrás. Eu e George já estávamos acostumados a dividir o mesmo teto.
  – Estou bem, Nev. Minhas mãos estão bem melhores, olha. – Estiquei as palmas das mãos para ele ver. Um ano do primeiro ano teve a brilhante ideia de usar um cálice de ouro para armazenar uma poção simples de flatulências e as coisas não funcionaram bem, já que esta poção só pode ser armazenada em cortiça.
  Nev segurou minhas mãos e as olhou com a calma que apenas Neville Longbottom poderia ter, deu um ótimo sorriso de dentes proeminentes e adicionou:
  – Um ótimo acidente para acontecer no último dia de provas.
  – Nada como passar horas na enfermaria com o aluno mais falador do ano.
  – Fitsgerald é um caso realmente difícil. Os abafadores da estufa não suportam tanto falatório. – disse ele divertido, me arrancando uma risada.
  Conversamos todos juntos, eu e Neville contamos as novidades de Hogwarts, Hermione contou as novidades do Ministério da Magia, Rony e George contaram as novidades da loja, Gina contou as novidades do quadribol, Luna contou as novidades do mochilão que ela estava fazendo atrás de animais exóticos, e Harry nos contou as novidades de auror.
  – Eu vi a notícia desse Comensal no noticiário dos trouxas! – George exclamou boquiaberto.
  – É, o cara é barra pesada, está desaparecendo a todo segundo, já quase peguei o babaca duas vezes, mas ele está sempre se camuflando. No início achávamos que ele usava camuflagem de objetos, se transformando em latas de lixo ou algo assim, mas descartamos a possibilidade por que um Revelio poderoso seria o suficiente para descobrirmos. Depois pensamos em Poção Polissuco, mas os ingredientes são muito... específicos, já teríamos rastreado ele de alguma forma.
  Harry nos contava sobre o último Comensal da Morte não capturado, era uma situação muito delicada pois o homem estava começando a assustar o mundo trouxa também. Ele não tinha nada a perder e sabia que logo seria pego, então estava aproveitando os últimos momentos livre para fazer o que bem entendesse. O que já estava começando a custar caro.
  – Então presumimos que ele seja um animago ilegal, um animal pequeno que se camufle bem. Um pássaro, ou um roedor de pequeno porte. Já estamos com muita informação sobre ele, e muitos relatos de que ele está pela região, até os trouxas estão fazendo ligações quando veem algo suspeito. Então é só questão de tempo mesmo.
  – Isso é horrível, esse cara está fazendo uma bagunça lá no ministério. – Hermione adicionou apreensiva.
  – E porque ele não foge e só se esconde? Vocês desconfiam de que ele esteja tramando algo? – perguntei apreensiva, eu nunca fui do tipo que tem medo de uma boa briga, mas se todos os aurores do ministério não tinham pegado aquele cara ainda... Era por algum motivo. Ou ele era muito durão, ou o cara era do tipo que se esconde bem, como Peter Pettigrew.
  Lembrar de Peter Pettigrew sempre me dava um calafrio na espinha, aquele rato maldito, dei restinhos de pão, queijo e biscoitos para aquela ratazana miserável, para no fim aquele projeto de gente fazer o que fez...
  – Ele está tramando algo, desconfiamos que está vigiando alguém, mas não sou eu, já me certifiquei disso. É horrível, essa sensação de impotência... – Harry suspirou derrotado.
  Ficamos todos em silêncio, cabisbaixos, sabendo que Potter tinha capacidade o suficiente para encontrar aquele cara, e que ele estava fazendo um ótimo trabalho de qualquer maneira, mas era entendível saber que ele estava se sentindo daquele jeito.
  – Falando em impotência... – Gina comentou, depois de um silêncio esquisito e apenas essa frase já nos fez estourar em risadas, apenas Luna ficou em silêncio nos olhando como se fôssemos loucos.
  – Vixe, Harry, o negócio tá feio, hein? – George comentou, dando tapas nas costas do amigo que ria com vontade. Depois de alguns segundos de risadas incessantes, Gina conseguiu se recompor para falar.
  – Eu estou grávida!
  Aquela notícia aqueceu meu corpo como um abraço de George, senti meus olhos arderem e logo depois ficarem anuviados com as lágrimas borrando meu campo de visão. A sensação de ter, finalmente, ganhado uma vida ao invés de ter perdido tantas era inexplicável, era aconchegante. Todos foram abraçar a ruiva ao mesmo tempo, um sorriso genuíno no rosto de cada pessoa que estava ali.
  Aquilo ali era se sentir em casa, que todos os sorrisos, toda aquela felicidade, eram genuínos. Lar é onde você se sente bem, não é um local, não é material, não são quatro paredes... É estar rodeado de bons e verdadeiros amigos.
  Abracei a Weasley mais nova com tanta vontade que a tirei do chão, beijei suas bochechas e depois abracei Harry com a mesma animação.

  O dia tomou um rumo divertido quando todos decidimos ir para a praia. Ginny desfilou para as meninas com sua barriguinha ligeiramente saliente, batemos palmas e assoviamos vendo seu sorriso genuinamente feliz. Os garotos conversavam enquanto George e Rony acendiam a churrasqueira. Eu dividia uma canga no chão com Hermione e quando a mais nova se sentou ao lado de Luna, puxei um assunto que estava curiosa para saber:
  – Como estão os preparativos para o casamento, Mione?
  – Ah, você me lembrou de algo. – Sacudiu a varinha e envelopes surgiram em suas mãos.
  Ela entregou um para cada uma de nós. Achei que era o convite oficial, mas fui surpreendida com um convite para ser madrinha de casamento.
  – Vocês aceitam ser minhas madrinhas? Gina, eu adoraria que você fosse minha dama de honra, já que Ron obviamente vai chamar Harry. – As bochechas de Hermione tornaram-se rosa em questão de segundos e Gina pulou em seu pescoço derrubando-a no chão.
  – É claro que eu aceito! Por Merlin, você achou que eu não aceitaria?
  – Não sei! Você é meio imprevisível.
  – Imprevisível sim, louca não! – disse ela, enchendo a amiga de beijinhos no rosto.
  – %Vee%? Luna? – Hermione perguntou quando Gina acabou com o ataque de fofura, tirando o cabelo do rosto.
  – É claro que sim, Granger! Que pergunta!
  – Eu posso usar meu tule de carvalhos saltitantes?! – Luna perguntou animada.
  – É claro, Luna, o que você quiser.
  – E um acompanhante? Eu posso?
  – Acompanhante?! – Gina quase cuspiu a água que acabara de beber.
  – É, eu conheci um moço em uma de minhas viagens e estamos nos dando muito bem, sabe. Talvez até o casamento eu crie coragem para convidá-lo para fazer algo.
  – Isso é incrível, Luna. Qual o nome dele?
  – Rolf Scamander.
  – Scamander? – Hermione repetiu curiosa. – Por acaso ele é parente do autor de Animais Fantásticos e Onde Habitam?
  – Na verdade sim, ele é neto.
  – Uau, Luna! Que demais. Eu sou muito fã do trabalho do Sr. Scamander.
  – Ele adora tudo que é fora do usual, e acho que talvez possa estar nessa lista. – sorriu sonhadora como sempre.
  – Luna, se ele for minimamente inteligente, vai perceber que você é a pessoa mais fora do usual e mais perfeitamente amável que ele vai conhecer, e ele seria um louco de não gostar de você. – falei dando uma piscadinha para ela que sorriu, levantando os óculos de sol verde com em formato de estrela e piscando de volta para mim.
  Os meninos soltaram uma risada alta lá da churrasqueira e me peguei observando George que tapava o rosto contra o sol, seus cabelos flamejantes ficavam quase dourados contra a luz, rindo de algo que Rony contava à Harry e Neville.
  – Falando em ser louco por não gostar de você... – Ginny disse, chamando minha atenção de volta e virando o rosto para mim. Hermione e Luna deram risadinhas, como se compartilhassem um segredo entre elas. – %Vee%... Está rolando algo entre você e George?
  – O que?! É claro que não! – um calor subiu por meu pescoço. Por sorte minha dicção estava firme.
  – É que vocês estão estranhos desde o meu aniversário ano passado, parece que tem algo a mais ali. – A ruiva explicou-se, provavelmente preocupada com a cara que eu estava fazendo.
  – Não, acho que pode ser a convivência... Mas estamos bem, não tem nada de mais ali.
  – Você tem certeza? – Hermione perguntou com cuidado, com medo de usar a palavra errada e eu saísse correndo.
  – É claro... Quero dizer, somos melhores amigos, né? Eu tenho uma conexão esquisita com ele, mas não é nada além disso. – respondi rápido com medo de entregar algo que não devia.
  – Então nunca rolou nada? Nem um beijinho? É que, desculpa comentar, todo mundo achou... Diferente o fato de vocês se apresentarem como namorados no funeral da sua avó, sabíamos que era por conta de toda aquela situação da sua família, mas... Mamãe ficou toda esperançosa, e ficamos curiosos, só isso.
  – É que já tínhamos usado essa tática antes e ela funcionou bem... – Por que eu estava tão nervosa, afinal? Aquelas ali eram as minhas amigas, eu podia e devia confiar nelas a todo custo.
  – %Vee%, não precisa ficar nervosa, só estamos perguntando porque nos preocupamos contigo. – E, conforme sempre desconfiei, Luna me dá mais uma prova de que ela é sensível aos sentimentos e pensamentos dos outros, como uma verdadeira leitora de mentes.
  Respirei fundo.
  – Eu acho que talvez tenha alguma coisa para confessar. – Desviei o olhar, mexendo meus dedos.
  A Weasley que agora era Potter ficou mais animada do que deveria.
  – Eu dei um selinho no George no dia do seu aniversário.
  Todas elas prenderam o ar, como se aquela confissão fosse mais do que elas estavam esperando. O sorriso de Ginny não escondia o quanto ela estava torcendo por aquela confissão.
  – E-eu fiquei tão animada com a notícia da loja, do possível grande passo que ele daria que... simplesmente rolou.
  – E o que ele fez? – Hermione tinha uma ruguinha de preocupação entre as sobrancelhas.
  – Ele ficou parado no mesmo lugar, travado. Eu nem tive como me arrepender porque não foi algo pensado, só... aconteceu. E aquilo me deixou muito mal. Pedi mil desculpas, tentei me explicar, mas não tinha o que explicar, entendem?
  As três balançaram a cabeça em concordância.
  – Eu fui para o banheiro tentar esfriar a cabeça, mas Angelina foi atrás de mim perguntar se estava tudo bem e eu me senti a pior pessoa do mundo e... Nossa, foi horrível. No fim, nós conversamos e ficou tudo bem, mas naquele momento, quando eu olhei para Angelina pela primeira vez, foi um sentimento horrível, amargo.
  – Amiga, Angelina e George foi um lance de anos atrás. – Ginny tentou explicar. – Ela está com o Oliver agora, e pelo que sei eles estão se dando muito bem.
  Era verdade, Angie e Oli eram um casal que eu nunca imaginei dando certo, mas simplesmente deu. Era engraçado porque eles combinavam muito, ambos certinhos cabeça-dura que adoravam mandar nos outros.
  – Eles poderiam estar juntos até hoje se não tivesse acontecido o que aconteceu. Por Merlin, e o Fred? – Minha voz estava alterada, inconformada com o fato de elas estarem levando aquilo na maior esportiva do mundo. Como se o fato de eu ter beijado o irmão gêmeo do meu ex-namorado morto não fosse algo completamente inaceitável e irresponsável.
  – %Vee%, eu nunca vou te pedir pra esquecer o Fred, nunca. Mas... Ele não está mais aqui, entende? Você está livre para amar outras pessoas, para amar de novo.
  – Mas não precisava ser o irmão gêmeo dele. – resmunguei teimosa.
  – %Verônica%? – A voz de Luna saiu ligeiramente esganiçada. – Você... está apaixonada pelo George?
  Só agora percebi o que tinha acabado de falar. Aquela novidade caiu em mim feito um balde de água fria, me senti presa, dura, incapaz de conseguir pensar em uma resposta completa.
  – Não – O tom de dúvida em minha voz denunciou a mentira deslavada. – Ai, meu Deus.
  Pus as mãos no rosto sentindo o suor brotar em minhas têmporas, meu coração parecia querer sair pelo peito, rachando minhas costelas. Senti uma falta de ar tremenda e Hermione começou a me abanar.
  – Não, não, não, não... Isso não está acontecendo.
  – %Vee%, está tudo bem. – Luna tentou apaziguar a situação. – O amor está em todos os lugares, e sempre nos pega de um jeito não convencional. É como uma nuvem carregada de crintófagos, vem e vai e a gente só percebe que aconteceu depois.
  Não entendi metade das coisas que ela disse. Eu estava hiperventilando.
  – %Vee%. – Ginny segurou meus ombros, olhando profundamente meus olhos com seus olhos castanho-claros. – Todo mundo já sabe, está bem óbvio, é só olhar pra vocês por mais que cinco minutos.
  – Não, você está doida.
  – %Vee%. – Foi a vez de Hermione. – Por que você acha que Neville nunca tentou algo com você durante esses anos em que vocês estão trabalhando juntos?
  Fiquei em silêncio, a cabeça repetindo em voz alta: Falsa. Traidora. Falsa. Traidora. Falsa. Traidora.
  – Porque ele sabe que, no fundo, você nunca vai amar alguém como você ama o George, como você... Amou o Fred. – A voz de Hermione era calma e pacificadora, ela era racional, sabia que o jeito mais fácil era me fazer pensar com lógica.
  – Vocês estão enganadas. Quero dizer, eu amo o George. Amo do fundo do meu coração, mas não é algo romântico... Não pode ser. Ele é meu amigo.
  Gina não era conhecida por sua paciência, suspirou alto e se ela estivesse com algo nas mãos, provavelmente bateria em minha cabeça.
  – Amiga, só aceita. Está tudo bem. Você não está fazendo nada de errado.
  Virei o rosto para o horizonte, o mar estava calmo, senti uma ardência nos olhos e tentei de todos os modos me esquivar das lágrimas que tentavam me incomodar.
  – Estamos do seu lado, %Verônica%. Só queremos o seu bem. – Hermione quebrou meu silêncio.
  – Eu só... Eu preciso pensar um pouco. Vocês me dão licença?

  Entrei no mar gelado com a minha cabeça dando voltas.
  Mergulhei uma, duas, três vezes em busca de algo que me fizesse perceber que aquela conversa estava completamente errada e fora de contexto.
  Observei minhas amigas de longe, conversando em uma rodinha provavelmente sobre o quão idiota eu era por achar que estava enganando alguém. Levei meus olhos ao grupinho de homens.
  Rony bebia uma cerveja na boca da garrafa, Harry pegava uma lata da caixa que estava ao seu lado, Neville ria abertamente e George virava algo na churrasqueira. Não era comum existirem churrascos na nossa região, pratos elaborados era mais a nossa vibe, mas George insistiu em fazer aquilo, queria praticar o uso da churrasqueira caso tivesse que viajar para os Estados Unidos em breve.
  Nem Merlim sabe quanto tempo fiquei no mar, perdida em pensamentos, observando as nuvens no céu enquanto minha mente vagava para todos os momentos que passei com George depois que Fred se foi, para tentar entender em que momento aquela chave poderia ter virado.
  Eu não podia estar apaixonada por ele, certo?
  George era incrível de tantas maneiras que eu ficava até meio perdida, porém... Pensar que aquilo era mais do que apenas amizade me deixava confusa sobre meus sentimentos.
  Em que momento aquilo podia ter acontecido?
  Será que foi no dia que ele trouxe sorvete de limão e me levou ao cinema?
  No dia em que ficamos sentados na poltrona da balada?
  No dia em que o beijei?
  Ou no dia em que ele foi no hospital e não desgrudou de mim até que soubesse que eu estava bem, depois do velório de minha avó?
  Caramba, já passamos por poucas e boas, não tinha como contabilizar se aquilo realmente era um sentimento amoroso ou não, como eu podia ter deixado meu coração misturar as coisas desse jeito?
  George era meu amigo. Amigo.
  Ele não me via de outra maneira e era idiotice pensar em qualquer outra coisa, as meninas estavam erradas. Todas elas estavam com o amor na cabeça, uma estava grávida e cheia de hormônios, a outra estava planejando um casamento e a outra havia acabado de conhecer um carinha ótimo e estava se apaixonando... Era óbvio que todas estavam sedentas por amor, sedentas por qualquer coisa meramente romântica. Mas estavam erradas. Não haviam outra explicação.
  – %Vee%, tá tudo bem? – Ouvi a voz de George ao longe, e me virei, vendo-o tapar os olhos do sol para me enxergar.
  Fiz uma joinha com a mão e recebi seu sorriso em troca, meu coração palpitou.
  – Vem comer!
  Mergulhei mais uma vez, e notei que Neville servia as meninas com uma tábua cheia de quitutes, cheguei até elas e roubei um pedacinho de algo não identificado antes de me sentar ao lado de Mione novamente.
  – Conseguiu esfriar a cabeça? – A ruiva perguntou quando Neville se afastou.
  Seu sorriso era ladino.
  – Sim, decidi que vocês estão entorpecidas pelo amor que vocês estão sentindo e querem descontar em mim.
  – Como assim? – Luna perguntou confusa.
  – Uma está grávida, a outra está planejando um casamento perfeito e a outra acabou de encontrar a cara-metade. Só estão espelhando suas vidas e conquistas em mim e George.
  Ergui os ombros tentando parecer despretensiosa e vesti uma saída de praia de crochê amarelo, as três se entreolharam desconfiadas. Era nítido que elas queriam falar mais sobre aquilo, tentar me convencer de algo que não existia mas perceberam que era uma causa perdida e que eu não ia ceder tão rápido.
  – Tudo bem, você vai cair na real sozinha em algum momento. – Gina disse roubando mais um petisco da tábua.
  Me levantei chacoalhando os cabelos molhados em cima dela que riu jogando areia em mim.
  Segui para o grupo masculino querendo tirar aquelas besteiras da cabeça. Não sei se estar perto de George era a melhor opção no momento, porém não era uma opção estar perto delas.
  Harry voltava de dentro da casa com um aparelho portátil de rádio, sintonizou uma estação e uma música preencheu o ambiente.

  And it was all yellow
  (E era tudo amarelo)
  And your skin
  (E sua pele)
  Oh, yeah, your skin and bones
  (Oh, sim, sua pele e ossos)
  Turn into something beautiful
  (Transformaram-se em algo bonito)
  Do you know
  (Você sabe que)
  For you, I'd bleed myself dry?
  (Por você, eu sangraria até secar?)

  Roubei uma cerveja normal da caixa dos meninos e Neville estendeu a mão para abrir a garrafa para mim com um sorriso no rosto.
  – Enjoou de papo de garota?
  – Casamentos... Bebês... Namorados... Tô meio desantenada. – brinquei fazendo uma careta dramática e Harry e Ron riram.
  – É só questão de tempo, %Vee%. – Rony disse, como se soubesse exatamente do que nós estávamos falando antes.
  – É, %Vee%, a garota mais popular da Grifinória dos últimos tempos logo vai ter tudo isso também, se você quiser, é claro. – Harry disse de maneira gentil.
  – Você fala como de sua esposa não fosse uma das garotas mais populares da Grifinória.
  – A minha ascensão só aconteceu depois que você saiu, %Vee%. – Gina interrompeu nossa conversa, roubando uma garrafa de água da caixa refrigerada por magia.
  – Minha popularidade estava sempre atrelada a algo, nunca fui genuinamente popular sozinha, ou era porque namorei Cedric, ou porque era amiga dos gêmeos, ou porque minha melhor amiga era a capitã do time de quadribol...
  – Está brincando, certo? – Neville perguntou e Rony concordou com a cabeça.
  – %Vee%, você era incrível sozinha. – Harry completou. – Você sempre me trazia balas de Hosgsmeade quando sabia que eu não podia ir, e ainda convenceu os gêmeos sobre me dar o Mapa do Maroto.
  – Você era a melhor aluna de poção, isso na época do Snape, não do Slughorn. – Rony complementou.
  – Você era a melhor atacante do time, e ainda era uma batedora incrível. – Neville adicionou.
  – E ajudou Harry em uma das tarefas do torneio tribruxo. – A voz de George me fez sorrir.
  – E detonou Malfoy naquele jogo de quadribol. – Ginny berrou já no meio do caminho de volta para o grupo das garotas.
  – Eu nunca tinha visto por esse ponto de vista. – falei sem graça. Aquelas falas, ditas de maneira tão simples e objetiva me colocavam em um estado de espírito que eu nunca havia me sentido antes: eu era a protagonista da minha história, sempre me senti como uma coadjuvante, uma participante especial na história do Grande Harry Potter e ver as coisas desse ângulo me mostravam que eu era sim uma pessoa que comandava minha própria vida. Dei um sorriso emocionado. – Obrigada gente, acho que eu estava mesmo precisando disso.

  It's true
  (É verdade)
  Look how they shine for you
  (Olhe como elas brilham para você)
  Look how they shine for you
  (Olhe como elas brilham para você)

  Os meninos engataram em uma conversa sobre os anos da escola, lembrando-se de aventuras divertidas e de momentos especiais e tudo que eu conseguia fazer era observar George e como seus olhos vez ou outra escapavam em minha direção, me fazendo palpitar a cada olhada, fazendo minhas bochechas esquentarem e... será que ele sentia o mesmo?

  Look at the stars
  (Olhe para as estrelas)
  Look how they shine for you
  (Olhe como elas brilham para você)
  And all the things that you do
  (E para todas as coisas que você faz)

  Ficamos na praia até o pôr do sol, quase todos eles ficaram com marcas vermelhas nos narizes e eu fiquei com uma marquinha de biquíni incrível.
  Estávamos rindo sobre qualquer besteira na cozinha, aquela sensação gostosa pós-praia que eu raramente sentia, porém que fazia eu me sentir em casa de maneira inexplicável.
  Hermione fritava almôndegas, eu preparava um molho de tomate, Luna organizava algumas saladas, Gina tostava os pães de sanduíche com manteiga. Era a vez das meninas ficarem responsáveis pela comida.
  O cheio no ambiente era de deixar qualquer um louco e tudo funcionava feito uma sinfonia, os meninos apenas observavam e faziam questionamentos desnecessários que fazia com que nós ríssemos de qualquer coisa.
  Eu realmente queria pegar aquele momento e guarda-lo em algum espaço importante em minha mente, queria poder visita-lo sempre que estivesse meio triste, já que era uma das poucas vezes em que eu me sentia verdadeiramente feliz desde o velório de minha avó.
  Depois do jantar, todos se reuniram na sala, mas eu não consegui me misturar, minha cabeça ainda girava com aquela informação esquisita. Foi a mesma sensação que tive quando Angelina e Alice me contaram sobre uma determinada conversa entre Fred e George na época da escola. Algo soava definitivamente errado.
  Escapei para a varanda, a brisa marítima batendo em meu rosto salgada e úmida, estava acabando com o meu cabelo e mesmo assim, me amontoei em uma cadeira de madeira observando as ondas do mar quebrarem, o som me acalmava um pouco.
  Porém, como se lesse meus pensamentos, George brotou ao meu lado feito uma aparição, estendendo uma mão, oferecendo um copo de alguma bebida âmbar.
  O Whisky de fogo desceu por minha garganta esquentando todo meu corpo.
  Ele se sentou na cadeira ao lado sem falar nada, tão contemplativo quanto eu. Devolvi o copo, mas ele ergueu a mão mostrando seu próprio copo.
  O silêncio confortável entre eu e ele era algo de dar inveja em alguns relacionamentos, ficamos sem dar um pio por quase dez minutos. Até George quebrar o silêncio.
  – Você está bem?
  – Só um pouco confusa. – Não haviam motivos para eu mentir para ele. Talvez apenas guardar para mim algumas verdades difíceis de engolir.
  Ele levou um minuto para responder, nenhum de nós tirava o olhar do mar, era uma vista hipnotizante.
  – Algo que eu possa ajudar? – perguntou ele calmo, simples, suave como George sempre foi.
  Sim, por favor, por favor saia da minha cabeça.
  – Acho que não.
  – Entendi.
  Mais silêncio, dessa vez não tão confortável. Eu sentia como se George quisesse me perguntar algo, como se ele estivesse de alguma maneira querendo ler meus pensamentos, tentando me desvendar e me ajudar mesmo sem eu precisar.
  – Quer conversar?
  Ali estava ele se mostrando como um homem adulto e evoluído, eram esses detalhes que me deixavam de mãos atadas: Como não amar George Weasley?
  – Não precisa, tá tudo bem, prometo. – Virei meu rosto para ele e percebi que ele estava me olhando. – E você, está bem? Estou com a impressão de que quer falar algo.
  – Na verdade eu quero. – Ele sorriu e se ajeitou na cadeira. – Lembra de uma carta que você me mandou não tem muito tempo?
  – Você vai ter que ser mais específico do que isso.
  – Aquela quando te enviei a calda de arroto, e você comentou que eu podia dar um pouco de atenção em alguns itens mais femininos?
  – Lembro sim! – Eu não achava que ele tinha levado aquela carta a sério, já fazia tanto tempo...
  Pelo menos um ano já tinha se passado. Comentei algo sobre uma sombra que mudasse a cor dos olhos, nem lembro direito as sugestões que dei.
  – Então, eu estou trabalhando em um protótipo.
  – Mentira! Sério?
  – É um gloss para ajudar as meninas a serem mais confiantes na hora do beijo, coloquei um pinguinho muito singelo de poção da sorte, e um pouco de cannabis para ajudar a relaxar. Tudo muito rigoroso e controlado, eu prometo. Mas achei que você ia gostar de saber. Não vai ser vendido junto com o kit festas, vou fazer um lançamento de produtos femininos. – Era nítido que ele estava orgulhoso em me contar aquilo, e eu estava mais orgulhosa ainda por ele ter anotado a ideia e feito disso algo realmente surpreendente. Aquilo me encheu de alegria, não consegui conter um sorriso, meu peito palpitou quando me lembrei da última vez em que ele me deu uma notícia da loja e acabei me resguardando um pouco, contendo a empolgação que me consumia.
  – Georgie, isso é incrível! Caramba, que demais! – Eu não queria abraça-lo, não quando estava tão abalada e mesmo assim ele se levantou.
  Só o ato dele se levantar já gritava para todos os lados que ele queria me abraçar, eu não precisava conhecer ele tão bem para saber disso, então dei meu braço a torcer e me levantei também para fazer aquilo acontecer logo. Foco, %Verônica%.
  Foi apenas quando seus braços longos se enrolaram carinhosamente em mim que percebi que eu estava gelada por conta da brisa que batia ali na varanda. George estava quentinho e confortável, como sempre. Meus neurônios pareceram travar quando a fragrância do seu pescoço misturado com cheiro de loção de aloe vera me arrebatou, meu coração estava acelerado e tudo que passava em minha cabeça era que seus lábios estavam tão perto que se eu ficasse na ponta dos pés e levantasse o rosto, talvez George encurtasse a distância de nossas bocas inclinando sua cabeça ligeiramente para baixo. Foco, %Verônica%.
  Travei meus braços com medo de fazer algo errado e tenho quase certeza de que ele notou, já que separou de mim com rapidez.
  Tão rápido e esquisito quanto o início do abraço, foi o seu fim.
  Nos sentamos novamente em nossas cadeiras, ambos incomodados com algo inexistente, porém os sorrisos nos rostos ainda denunciavam a felicidade compartilhada a pouco.
  – Eu estou muito orgulhosa de você, Georgie. – Estiquei minha mão e ele a apertou de volta, era tão bom vê-lo sorrindo que meu coração disparava me deixando sem ar. O calor parecia migrar de sua mão e ir diretamente até minhas bochechas.
  – Obrigado. Eu finalmente estou sentindo uma sensação de estar fazendo a coisa certa, sabe? Acho que conseguir alcançar esse patamar de... – suspirou, seus olhos que estavam mirando nossas mãos unidas seguiram por meu braço até pararem em meu rosto, uma nova onda de calor esquentou minhas bochechas. – De conquista, de superação, de estar sob controle da minha vida. Eu realmente achei que nunca conseguiria.
  Eu sorri e seus olhos passearam pelo meu rosto, dos meus olhos para minha boca e de volta aos meus olhos, e aquilo foi o suficiente para me fazer perder as estribeiras de novo, meu corpo reagia a qualquer coisa que ele fazia e aquilo me assustava de maneira inimaginável, era como sentir o chão sumir sob meus pés e o vácuo do mundo quisesse me engolir, meu corpo caindo em uma escuridão infinita e inexplorada, uma sensação de queda livre.
  – Você não faz ideia de como eu estou feliz em saber disso, G. – Apertei sua mão, acariciando as costas dela com meu dedão. – Foi uma jornada e tanto, e você só está no início.
  – Você tem a sensação de que nós estamos muito mais velhos do que realmente estamos? Como se já tivéssemos passado por muito mais coisa do que deveríamos? – perguntou ele, soltando uma risadinha pelo nariz.
  – Não é uma sensação, é uma verdade. Nós temos 23 anos! – Soltei nossas mãos para apertar seu rosto de modo que seus lábios ficaram na forma de boca de “peixinho”. – Mal somos adultos ainda, George.
  Ele sorriu, segurou minha mão e fingiu que ia mordê-la antes de soltar.
  – É, mas minha irmã caçula já está casada e esperando o primeiro filho, e eu ainda não tenho a confiança de adotar um gato para cuidar sozinho.
  – Acho que estamos rodeados de casais ligeiramente precoces. Não podemos levar isso em consideração.
  – Você provavelmente está certa.
  – Eu estou. – Eu sorri. Ele sorriu.
  – Mas você não se sente incomodada com isso? Como se estivesse perdendo algo que todos estão encontrando?
  – Ah, acho que a vida prega algumas peças assim, você não acha? São oportunidades e escolhas, um desvio aqui, um erro ali, e a gente está onde está. Não me sinto incomodada de maneira alguma.
  – Às vezes eu sinto como se estivesse vivendo errado.
  Minhas sobrancelhas se uniram, bebi um gole da bebida esquecida no braço largo da cadeira. George pareceu se lembrar da própria bebida, tomou um gole e trouxe uma perna dobrada para junto do seu peito. Ele estava tranquilo, era claramente uma posição de relaxamento, conversar comigo sobre aquelas coisas não o fazia erguer alguns metros de muro em sua volta.
  – O que? Porque?
  – Não estou em um relacionamento durável, não estou nem se quer vendo, saindo ou conhecendo alguém.
  Porque aquela informação me deixava tão... leve?
  – Mas a sua carreira está decolando, você está estudando algo útil para os seus negócios, por Merlim, George, você tem 23 anos.
  – É meio impossível não me comparar um pouco quando tenho um bando de irmãos indo muito melhor do que eu na vida.
  – Do que é que você está falando? Acho que nunca ouvi tanta bobagem junta desde que Lee tentou me convencer de que a sua varinha tinha pintado meu cabelo de verde por acaso.
  Eu sabia que parte da confiança extrema de George havia sido arrancada dele junto com Fred, mas ouvir aquelas palavras mesmo depois de receber uma notícia tão boa quanto a prosperidade de suas novas ideias e do andamento da loja me destruía de maneira dolorosa.
  – George, você está indo bem. Você é um cara incrível, você tem ideias maravilhosas, é jovem, bonito e amadureceu cedo demais, caramba, você precisa parar de se comparar com os outros. – Minha voz soava indignada, rápida demais, eu queria que ele absorvesse o que eu dizia, mas não sei dizer se deu tempo, levando em consideração a velocidade que falei e como seus olhos faiscaram quando a palavra “bonito” saiu da minha boca.
  George bebeu o resto de whisky de fogo do seu copo, e virou o rosto para mim, os lábios brilhando úmidos.
  Deu um sorriso que me fez virar uma poça de água no chão.
  – Então eu sou jovem, bonito e maduro? Caramba, %Vee%, não sabia que você estava tão caidinha assim por mim.
  Soltei uma risada debochada.
  – Talvez eu tenha exagerado um pouco no maduro, mas jovem e bonito eu nunca escondi de ninguém. – falei, e George analisou minhas feições sorrindo com orgulho, como se pensasse “Aí está a %Vee% que eu conheço”.
  Já cansei de trocar flertes com George, mas acho que nunca me senti tão viva e tão adormecida ao mesmo tempo, como se aquilo não fosse real, como se fosse um sonho, ou uma brincadeira. Era difícil entender o que se passava em sua cabeça, mesmo com todo o tempo que passávamos juntos, mesmo com todo o tempo que eu o conhecia, eram sentimentos estranhos e confusos, sentimentos que eu não sabia como lidar.
  – Você também é jovem, bonita e madura, %Vee%. Somos uma boa dupla.
  Porque eu estava tão nervosa?
  Tão deliberadamente envergonhada?
  Havia uma névoa entre nós, algo que me deixava tonta, perdida e sem palavras.
  – Eu sei. – Joguei um charminho, fazendo seus olhos brilharem em minha direção novamente. Não era porque eu estava nervosa que ia deixar George Weasley ganhar a brincadeira, afinal, era isso que aquilo era, certo? Uma brincadeira, um joguinho de poder.
  – Você me mata. – disse ele levantando-se, pegou seu copo vazio e estendeu a mão para mim.
  O que ele queria dizer com aquilo?
  – Vamos lá para dentro, antes que Neville pense que vai ter que dormir com a Luna.

  Flashback

  Hogwarts – Sala comunal da Grifinória – 13 de maio de 1996.

  Ponto de vista: George

  – Você viu a %Vee%? – Angelina sentou-se ao meu lado suspirando alto. – Já está difícil o suficiente ficar sem vocês no time de quadribol e...
  Ela ia continuar falando algo, mas provavelmente percebeu que eu não respondi nada. Não fazia ideia de onde %Vee% e Fred estavam. Eu não gostava muito quando as pessoas assumiam que eu sabia absolutamente tudo sobre qualquer um dos dois, como se fosse minha obrigação saber onde qualquer um dos dois estavam. Era difícil quando alguém vinha atrás de mim para falar realmente comigo. Dava para contar nos dedos: Lee, Harry, Rony e Savannah.
  Eu não ficava ofendido, e não me negava a falar quando eu realmente sabia onde eles estavam, mas aquela predefinição de que eu iria saber me irritava um pouco.
  – Está tudo bem?
  – Sim. Não sei onde ela está. Desculpe.
  – George, o que houve?
  – Ela provavelmente está com Fred, Angelina, devem estar se pegando em alguma sala vazia.
  Angelina avaliou minha resposta e meu rosto antes de arregalar os olhos.
  – Pelas. Barbas. De. Merlim.
  – O que foi dessa vez? – perguntei irritado. Eu só queria ficar sozinho e planejar nossos protótipos de fogos de artifícios coloridos.
  – George, você... você gosta dela?
  Aquilo gelou minha alma.
  – Ela quem, Angelina? – Tentei me fazer de idiota, mas falhei miseravelmente.
  – A %Verônica%, seu panaca.
  – Claro que não!
  – Tá bom, gostar pode ser muito forte, mas... você sente algo? – Ela sussurrava, suas mãos agarravam a mesa.
  – Não.
  Eu era bom em mentir. Só não era bom o suficiente para enganar %Appleby%. Angelina não era ela.
  – Caramba, George, que situação, hein?
  – Não sei que situação é essa que você está imaginando, Angelina.
  Ela sorriu. Seu sorriso era bonito, seu cabelo preso em trancinhas também.
  – Seu segredo está a salvo comigo, Weasley.
  – Que segredo, Johnson?
  – Você sabe. Olha só, se quiser conversar sobre isso. É só me chamar, está bem?
  Que garota irritante.
  – Eu não tenho o que conversar com você, Angelina, não me entenda mal, mas você criou isso tudo na sua cabeça e está errada.
  – Então por que você não está rindo, debochando ou me chutando daqui com palavras idiotas?
  Eu suspirei, estava me sentindo completamente perdido desde o dia da poção do amor e o cheiro de baunilha que saiu de lá, me abraçando com tanta intensidade que mal consegui dormir à noite. Era obvio que era só uma paixonite idiota pela convivência de muitos anos. Eu sempre respeitei eles e %Vee% era como uma irmã para mim.
  – Porque eu estou cansado e você está me irritando.
  Ela sorriu de novo. Eu estava provando de meu próprio veneno, Angelina era três vezes mais irritante do que eu, já que era a Miss Certinha.
  – É divertido quando é ao contrário, né? – Me alfinetou ainda sorrindo.
  -- Muito.
  – Vamos fazer assim, então. – Ela se levantou. – Quando você quiser conversar sobre isso, quando quiser esquecer ela, ou quiser ajuda para perceber que existem outras garotas no mundo... Você sabe onde me encontrar.
  Levantei os olhos e ela deu de ombros, se afastou de mim e subiu as escadas para o dormitório feminino.
  O que diabos acabou de acontecer aqui?

  Fim do flashback.


  Nota da autora: Aaaaaaaaaaaaaaa! Não dá gente, não aguento esse climinha gostoso, essa tensão se formando, to passando maaaaaaaaaaaal. Só me contem o que vocês acharam aqui nos comentários, porque eu to surtando aqui sozinha!
  Feliz aniversário atrasado, Luana! Espero que goste do seu presente.
  Beijos <3

Capítulo 12
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