The Sunrise

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

  Demorou mais um mês e algumas semanas para nós enfim chegarmos na Argentina. %Joel% conheceu alguns caras que eram fugitivos de outros lugares e criaram esta identidade falsa que o país não questionava sobre.
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  - Você pode escolher seu próprio nome, se quiser. – ele sorri. Retribuo.
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  - Eu gosto do meu.
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  - Foi o que eu pensei. – ele suspirou e então retirou dois envelopes de baixo do casaco. Vi ali todos os documentos necessários para um cidadão normal. Meu nome continuava o mesmo, apenas o sobrenome mudara, coisa que para mim, não importava tanto quanto aquele nome que todos me chamavam. %Joel% também optou por continuar com seu nome e tivemos o mesmo sobrenome.
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  Nos dirigimos para uma cidade bem pequena, muito no interior da Argentina, onde os tais fugitivos disseram terem ouvido falar, mas estavam preocupados demais fugindo para isso. Mas eu e %Joel% já não estávamos mais preocupados em fugir. Aqui as leis eram outras e aqui as coisas eram diferentes. Fora que eles não sabiam que nós estávamos aqui.
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  Arranjamos emprego cada um em um lugar. %Joel%, no banco, como assistente de caixa, um cargo bem inferior, mas como ele tinha boa lábia, conseguia sempre manter um bom relacionamento com os clientes, o que era muito bom para o banco, que estava com uma péssima fama de seus funcionários não tratarem bem. Um mês depois ele foi transferido para o setor de recursos humanos, onde dava treinamento aos funcionários novos em como tratar os clientes do banco. Ganhava bem mais do que como assistente de caixa e ainda trabalhava até os sábados para que pudesse ganhar algum bônus futuramente e o banco visse que não poderia ficar sem a eficiência dele.
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  Já eu, para variar, não tinha um trabalho muito bom. Era faxineira e funcionária em um supermercado, onde ficava até tarde para empilhar todos os produtos em suas devidas prateleiras. %Joel% sempre vinha me buscar, pois no primeiro dia eu havia me perdido na volta para casa. O cansaço era tão grande que eu mal sabia para onde caminhava. Enquanto eu trabalhava das seis da manhã até às onze da noite, %Joel% ia para o banco das nove às seis da tarde. E recebia mais.
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  Quatro meses depois, nós finalmente decidimos parar de usar o carro como moradia e o vendemos – para o ferro velho, claro – já que a cidade era pequena o suficiente para nós podermos utilizar os transportes públicos ou andar a pé.
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  %Joel% havia dito que já havia achado uma pequenina casa para nós dois. O que para mim era ótimo, mesmo que não houvesse móveis. Mas havia.
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  Era uma casa maravilhosa, de um andar, dois quartos, mas de frente para o mar. O mar. A última vez que eu o vira, fora há mais de um ano e meio, quando fugia do navio. Como ele era diferente ali na Argentina. Parecia mais tranquilo, mais limpo, mais prazeroso.
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  Naquele dia eu não consegui dormir. Estava animada demais em arrumar toda a casa, em ter uma casa que eu pudesse chamar de minha. Eu e %Joel% aproveitávamos que era sábado e tanto ele quanto eu não trabalhávamos no dia seguinte. Meu chefe disse que eu podia escolher um dia da semana para que eu pudesse ter folga e dei a desculpa de ter de ser domingo, o único dia que meu marido tinha de folga também. O homem não demorou a concordar. Sendo assim, quando voltei do supermercado eram meia-noite e pouco, e fiquei acordada até o dia seguinte passando pano nos móveis e tirando o pó da casa. Sem perceber, o sol estava nascendo. Corri até o lado de fora da casa e pisei na areia fofa, os olhos arregalados, surpresos em ver pela primeira vez, o nascer do sol, da maneira que eu sempre sonhara, com a sensação de estar livre.
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  Fechei meus olhos ao sentir a brisa gelada da manhã passar por mim e tentar levar meus cabelos com ela. Então percebi que meus olhos estavam lacrimejados. Eu sonhara com isso desde sempre, Liam deveria estar ali comigo para vivenciar isso. Mas ele não estava. Ao invés disso, %Joel% estava ali. %Joel% quem me buscava no trabalho todo santo dia. %Joel% quem comprou a casa à beira mar só porque eu sempre sonhei em ter uma casa com o pé na areia. %Joel% quem se responsabilizou em me manter viva e segura com ele. %Joel% que se preocupou em juntar o seu dinheiro para gastar também comigo.
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  Mas fora Liam que me deu a vida.
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  Eu estava me sentindo confusa. Tantas coisas que %Joel% fizera para mim e por mim. Tantas vezes ele se esforçara.
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  Virei meus pés e tornei a entrar dentro de casa onde fui para o quarto de %Joel% e o vi dormindo serenamente em seu colchão no chão. Suas pernas jogadas para os lados e os braços acima da cabeça, que estava virada para o lado. A boca levemente aberta. Sorrio. Ele parecia tão sensível ali.
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  Fiquei um bom tempo o observando e então arrumei o lençol por cima de suas pernas, já que não estava uma noite fria, tampouco quente, mas boa para se cobrir as pernas somente. Segui para o banho e ao sair, deitei em meu colchão em meu quarto. A luz solar já tomavam conta do ambiente, mas o cansaço de repente apareceu para me acordar, e aposto que ficou surpreso em me ver já acordada, ainda mais por estar prestes a fechar os olhos para dormir.
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  Acordei no dia seguinte com dois braços enlaçando minha cintura. Por um momento, achei que estava em um sonho com Liam, mas ao me virar com um sorriso, logo o desfaço ao ver %Joel% adormecido. Abruptamente me afasto, de modo que acabei o acordando. Ele coçou os olhos e se espreguiçou. Perguntei o que fazia em meu quarto e ele disse:
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  - Vi você ontem no meu quarto e imaginei que precisasse disso.
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  Não tive uma resposta. Pensando bem, eu não havia exatamente pensado nisso, mas eu sentia que sim, eu precisava daquilo. Vi seus olhos me encararem calmos, como se ele soubesse tanto quanto eu que isso tudo era verdade e aguardava que eu me tocasse. Cruzei os braços em insegurança e cocei meu nariz, como sempre fazia quando estava desconcertada. Olhei para o lado e voltei a encará-lo. Vi que agora ele tinha um sorriso sereno em seus lábios. Se levantou e então caminhou até a porta do meu quarto que dava para a praia, ele havia deixado aquele quarto especialmente para mim.
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  - Quer dar uma volta? – pergunta e eu assinto, caminhando ainda com os ombros encolhidos. Senti seu braço ao redor de meus ombros e dávamos passos lentos.
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  Diversos pensamentos passavam por minha cabeça. Todos muito confusos, embaralhados. A única palavra que se mostrava insistente em aparecer era ‘recomeçar’. Olho para %Joel%, que encarava o caminho que nós ainda iríamos fazer. Sua expressão era tranquila e, de certo modo, feliz. Volto a encarar o mar que eu tanto aprendera a adorar. O verão era uma boa época na Argentina, principalmente no final da tarde. Sem perceber, eu estava com minha mão ao redor da cintura de %Joel%, caminhando ainda mais perto dele.
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  Ter mudado de país, ter uma outra perspectiva de vida e uma esperança sobre o futuro mudou completamente minha vida. Sentia que agora sim eu estava livre de fazer o que quisesse, sem o medo de ser repreendida.
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  Abro meu sorriso e olho para a areia em que pisava ao lado de %Joel%. Suspiro e olho para o céu, onde eu sabia que Liam estaria me observando. Me lembro das últimas palavras que disse antes de me deixar:
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  “... Apenas viva, tudo bem? E tudo vai dar certo.”
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  Viver. Isso não fazia parte do meu dicionário. E agora tudo o que me acontece gira em torno desta palavra. Minha vida havia acabado de começar. Recomeçar. E eu tinha de fazer com que ela valesse a pena. Valesse a pena por Liam.
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