The Sunrise

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

Capítulo 1

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

  Liam e eu nos conhecemos há anos. Ambos tínhamos a mesma necessidade. Dinheiro.
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  Ser órfão significa que você tem de aprender a se virar desde jovem, seja roubando, se prostituindo ou se escravizando. Tenho meu orgulho próprio, então a melhor solução dentre as três apresentadas era a terceira.
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  Conheci senhor Bacharel no mercado, quando um de seus seguranças perguntou se eu gostaria de trabalhar num navio, onde eu ganharia bem. Não hesitei em concordar, mesmo não sabendo o que era um navio. Mais tarde, descobri que passaria metade da minha vida em uma casa em alto mar.
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  Liam era marinheiro e, como eu, entrara lá com o propósito de ganhar dinheiro. Havia chego pouco mais de um ano antes de mim. Fizemos amizade durante o jantar dos marinheiros, quando nós, cozinheiras, tínhamos de servi-los e então limpar todo o refeitório. Ele havia sido o último a chegar e comia sempre lentamente. As cozinheiras costumavam reclamar da demora dos marinheiros que badernavam durante a refeição, mas nunca nenhuma delas ousou falar algo de ruim de Liam. Assistíamos sua mandíbula se movimentar lentamente e, na maioria das vezes, ao terminar de engolir, sorria para nós e elogiava o alimento. Deixava a todas nós encantadas. As compromissadas eram orgulhosas e chamavam-no de cantador barato.
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  Sempre que ele ficava por último, as cozinheiras discutiam entre si por detrás da porta da enorme cabine do freezer quem iria ficar para limpar, uma vez que teria de receber os cumprimentos e agradecimentos dele. Toda vez ele se desculpava pelo horário que as faria ficar no refeitório limpando e sempre se oferecia para ajudar a limpar, às vezes sendo aceitas pelas mulheres, às vezes não. Independente da resposta, ele sempre ficava.
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  - Não quero parecer ingrato. – ele dizia para Ailee, que havia ganho a discussão dentre todas. As outras se mantinham escondidas, curiosas demais para se conterem. No final das contas, elas se esqueciam de lavar e guardar a louça que ele usava.
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  - De maneira alguma! – ouvimos a voz dela bem mais graciosa do que como ela nos dirigia a palavra. – Sinta-se à vontade, senhor Yale.
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  E ele puxava conversa com ela. Assim que terminava, ele a acompanhava até a porta da cozinha, onde ela fechava e então se despedia dele com um beijo em sua bochecha.
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  Certamente a última pessoa a sair da cozinha era eu. Da mesma maneira que a primeira a chegar também era eu. Com o supervisor fora a partir das dez e meia, as cozinheiras se davam o luxo de sair assim que quisessem, deixando para aquela que sobrava, todo o trabalho. Não me importava de trabalhar um pouco mais do que elas. Não gostava de ficar deitada em minha cama, imaginando uma vida que não me pertencia. Era o problema de ser tão sonhadora. Ao fechar meus olhos, eu entrava em um outro mundo, onde os pássaros cantavam para mim, e não para outras pessoas. Onde o sol dourava meu corpo, e não os dos convidados do senhor Bacharel. Onde o mar era apenas uma vista, e não uma casa.
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  - Você não se sente cansada em dormir tão pouco? – ouço uma voz atrás de mim e quase derrubo o prato que enxugava. – Me desculpe! Não sabia que estava concentrada.
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  - Não, não, está tudo bem. – sorrio sem graça e deposito o prato no topo de uma das diversas pilhas que estavam num canto da cozinha.
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  - Não há algum dia que outra pessoa fique no seu lugar? – Liam se senta na bancada onde costumamos deixar os pratos prontos para os garçons levarem para os convidados.
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  - Como? – o encaro confusa. O vejo levantar os ombros e olhar para a minúscula janela onde era metade água e metade céu. A cozinha se encontrava no convés.
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  - Todo dia espero a senhorita sair. Sei que há alguém que limpa os pratos que sujei.
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  - A-ah... – gaguejo sem graça.
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  - Sabe algo interessante?
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  Aguardo sua resposta.
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  - Você prefere ficar num lugar fechado e escuro, do que vivenciar um belo lugar dentro de seus sonhos.
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  - Você acha que não sonho?
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  - Não o suficiente.
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  - Pois saiba que eu sonho, sim.
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  - Pode compartilhá-lo comigo?
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  O encaro um tanto desconfiada, mas eu sabia que não havia o que temer. Não havia encontrado ainda alguém que fosse de mau caráter e trabalhasse naquele navio. Os que demonstravam mal comportamento eram punidos. Punições que nós que ainda estávamos lá dentro não sabíamos quais eram. Provavelmente ruim o suficiente para não voltarem mais lá.
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  - Gosto de sonhar com uma bela casa de veraneio. Uma pequena, com os pés na areia. O sol iluminando toda a casa, o vento balançando as cortinas brancas e transparentes... Os risos de crianças e as brincadeiras de adolescentes. Um lugar onde o tempo nunca estaria ruim.
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  Assim que eu terminei, o encarei e para minha surpresa, o vi com um sorriso estampado no rosto.
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  - É realmente um belo sonho.
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  Sorrio.
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  - É sim.
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  - E você espera um dia realizá-lo?
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  Diminuo meu sorriso e desvio-lhe o olhar. Pude sentir que ele também diminuíra o sorriso dele.
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  - Disse algo errado?
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  - Não, não, é só que... Kath me disse que uma vez que entramos aqui, não podemos sair até que o senhor Bacharel decida que nós temos que sair.
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  Levanto o olhar para ver uma séria expressão no rosto de Liam.
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  - Você acredita nisso?
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  - Bom, miss Marchall está aqui há cinqüenta e sete anos.
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  - E você já perguntou à miss Marchall se ela já quis sair daqui?
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  Balanço minha cabeça em negação.
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  - Você tem um sonho. Um lindo sonho. – ele se aproxima. – Que não vale a pena ser desperdiçado.
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  Meus olhos estavam um pouco mais arregalados que o normal e minha boca entreaberta. Seus olhos mel demonstravam ternura e carinho. Sinto minhas bochechas aquecerem. Dou um sorriso sem graça e concordo, desviando o olhar antes que minhas pernas pudessem falhar, resultando em um tombo.
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  Eu havia então decidido que tentaria realizar meu sonho. Eu falaria com senhor Bacharel para sair do navio. Eu já tinha um bom dinheiro guardado, uma vez que todo final de ano, ele nos dava um envelope branco com dinheiro dentro. Senhor William havia dito que era bastante dinheiro e que era possível com ele, comprar uma enorme casa numa alta colina. Casas na colina devem ser mais caras que casas na praia. No dia seguinte, no meio da tarde, quando as assistentes de cozinha tinham uma hora livre para descansarem, corri escondida até o convés à procura de Liam. Não demorei a encontrar. Senhoritas sorriam maliciosamente para ele, puxando conversa e ele, pacientemente, respondia-as com a mesma educação que tinha para com as cozinheiras. Ao me ver escondida, deu uma desculpa que não pude ouvir qual era e veio em minha direção.
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  - Está perdida?
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  - Não. Vim lhe falar.
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  Fora inevitável sua surpresa. Poucos segundos depois de suas sobrancelhas terem erguido e sua boca aberta, ele a fechara num sorriso que emanava calma.
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  - Pois sim.
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  - Gostaria de saber se há alguma maneira de falar com o senhor Bacharel.
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  Seu rosto se tornara sério e então ele olhara para os dois lados, pegando em meu antebraço e me arrastando para um lugar ainda mais isolado.
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  - Você não pode falar com ele.
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  - Mas...
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  - %Melissa%. – arregalei meus olhos surpresa com o conhecimento dele sobre mim. – Você não deve procurar o senhor Bacharel.
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  - Mas... O senhor disse sobre meu sonho—
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  - Eu sei o que eu disse, mas nunca lhe disse que deveria falar com o senhor Bacharel.
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  - Não vejo uma outra solução para—
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  - Apenas me prometa que não irá procurar por ele, sim? Me prometa e lhe prometo que pensarei numa maneira de lhe ajudar a realizar seu sonho.
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  Me mantive calada até soltar as palavras:
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  - Por que está me ajudando e me incentivando?
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  Demorou um tempo até ele responder:
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  - Porque foi a única que conheci que diz sonhar.
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  Abri a boca surpresa e o vi voltar a seu semblante amigo:
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  - Eu sei quem é, %Melissa% %Craig%. Sei que está aqui há três anos. Sei que passa todo o seu tempo na cozinha. Sei que é a primeira a chegar e a última a sair.
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  - Mas—
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  - Quando nos apaixonamos com os olhos, o coração corresponde com o pensamento, tomando o corpo todo. – sinto-o acariciar minha bochecha com as costas de seu dedo indicador. Estremeço com seu toque. – Não é de propósito que chego atrasado no jantar. Esperei durante três anos que você, ao menos uma vez, fosse aquela que ficaria até mais tarde e então eu poderia conversar e saber mais sobre você. Demorei três anos para juntar minha coragem e enfim ir lhe dirigir a palavra.
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  Naquele dia eu descobri que tinha um novo sonho. Um sonho de realizar meu sonho junto com Liam.
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