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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Runes

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

[04] • Lado A - 03 Track: She's a Fever

Tempo estimado de leitura: 54 minutos

EMPIRE  • JANEIRO

  NORA JAMES (Atriz, Produtora, Compositora, Cantora): Eu não era exatamente uma pessoa muito popular na escola, eu sei, eu sei, eu interpretei algumas garotas malvadas para filmes, e sei o que dizem sobre minha aparência (risos), mas eu não era assim na escola, eu era só uma garota qualquer, sério! (Risos) Não, eu definitivamente não chamava a atenção, eu queria, mas sempre fui muito tímida, muito envergonhada pra chamar a atenção. Ai, sério, eu via todas essas... essas meninas lindas, sabe? E eu queria tanto ser como elas! Mas me sentia como um patinho feio junto delas, sabe? Pequena demais, magra demais, com olhos grandes demais, nossa... só de lembrar me dá calafrios!
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  %THOMMY% %RIGGS%: Era facilmente a garota mais bonita da escola (pausa) porra, eu sei como isso soa, patético e o que qualquer outro cara diria sobre a garota que eles foram apaixonados porque, uau, todo mundo tem um gosto incrível quando se diz apaixonado, não é? Mas estou falando sério (pausa longa) ela era linda, realmente bonita. Os meninos queriam levá-la para encontros e namorarem ela, as meninas queriam ser ela, não era só aparência, ela era talentosa, cantava, dançava e atuava muito bem, e sabia como ganhar um argumento como ninguém. Simplesmente não tinha como vencer dela, e acredite, eu tentei. Ela era simplesmente... (pausa longa) perfeita. É isso. A verdade é que Nora James é perfeita.
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  REPÓRTER JUNIOR: Quer dizer que o famoso %Thommy% %Riggs% tem, afinal, um coração? Agora isso é um bom plot twist (risos).
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  %THOMMY% %RIGGS%: Sou uma caixinha de surpresa, amor (pausa longa) suponho que tinha. E ela quebrou milhares de pedaços. Típico de mulheres. Então eu nunca me recuperei, abri uma conta no reddit e virei um INCEL vir- (corte) tudo bem, tudo bem, eu...
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  REPÓRTER JUNIOR: Parou? Incrível que mesmo assim continua acontecendo!
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  %THOMMY% %RIGGS%: (risos) qual é, você... (Corte) Qual é o número deste já? 39? No 40 você faz um (Corte) (...) não, eu quero que você escreva isso, pode escrever, escreve aí. Take 40. Esse é o take 40, só para deixar muito claro, que foram quarenta tentativas até agora. Número 40. Anotou, amor? Caralho, 40 é meu número preferido. (Corte) Nora James não quebrou meu coração. Eu gostaria de dizer que sim. Eu gostaria de fingir que sou um daqueles caras que sofrem uma desilusão amorosa e fazem disso sua desculpa pessoal para serem filhos da puta. Cada um acredita na mentira que mais lhe alivia, suponho, mas se quer saber a verdade, não havia como Nora quebrar algo que estava quebrado. Acho que no máximo ela bagunçou as coisas e deixou como estava. Como um quarto, sabe? Você vive ali, então faz uma completa bagunça e deixa como está, e quando chega, mais coisas se acumulam ali, e quando você finalmente percebe, está tudo um completo caos que é impossível sequer identificar mais o que é o que, mas ainda assim, é o seu caos, entende? (Pausa) Nora era assim: vinha e ia, sempre que desejava, já era de casa.
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  Eu estaria mentindo se dissesse para você que não gostava, porque eu gostava sim. Mas era uma merda também. Estava viciado, suponho. Não é como se um viciado percebesse o vício, às vezes, sabe, mas não é com se a coisa te fizesse sentir mal. Talvez antes ou depois, mas tem um motivo para que alguém sempre volte para aquele lugar. E porra, ela era... alívio, suponho... (pausa) depois que minha mãe morreu, parece que não tinha nada, entende? Era só um.... um espaço vazio, tá ligado? Eu tinha todas essas... porra, essas emoções, entende? Não era como uma coisa simples e perceptível como você sente quando está com fome ou quando está com sono, você sabe o que fazer quando isso acontece. Mas o luto não. Era essa mistura, essa massa de coisas e emoções rolando numa ladeira, enquanto tudo o que eu podia fazer era assistir. Eu queria gritar, brigar e chorar, mas não conseguia, porque não fazia sentido, minha mãe já estava morta, ela não podia ver, ouvir ou sequer se defender, e mesmo se pudesse, eu não iria querer escutar (pausa longa) agora não a julgo, sinto-me culpado até, mas na época, eu havia ficado com raiva, a havia julgado por ser egoísta e ter escolhido tão facilmente viver sem mim, quando eu não conseguia viver com ela. Foi solitário e vazio. Havia todas essas emoções e lugar algum para depositá-las. E então, Hansen me enviou para aquele colégio interno, e eu podia fazer o que eu quisesse, ser quem eu quisesse sem ter a preocupação de olhar para um passado que me atormentava.
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  A princípio era só uma forma de escape. Dizer absurdos para irritar os professores, matar aula para fazer qualquer merda pela cidade, ou só fingir que não estava ali. Havia essa sensação de catarse momentânea, mas efêmera demais, escapava mais rápido do que eu conseguia manter. Então um dia %Lenny% me arrastou para essa aula extracurricular de poesia, por algum motivo, ele havia apostado que eu iria gostar da aula, e eu estava entediado então só aceitei. O que de pior poderia acontecer?
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  %LENNY% %MADDEN%: Os cinquenta dólares mais fáceis que eu ganhei na minha vida, tá ligado? (Risos) o otário nem fingiu, só sentou lá, e assistiu a aula em silêncio, então, do nada, no meio da aula virou para mim e entregou cinquentinha (risos seguido de pausa) é irônico, tá ligado? %Thommy% tem esse jeito todo... melancólico e lobo solitário, mas é na verdade a pessoa mais sensível que já conheci. Não de uma maneira ruim, tá ligado? De uma maneira... porra, de uma maneira diferente, tá ligado? Ele entende do jeito esquisito e duvidoso dele, mas entende, tá ligado? Acho que é por isso que %Eddie% e ele funcionam tão bem quando escrevem músicas juntos, nossos maiores sucessos foram escritos por eles (pausa longa) é bizarro às vezes, me faz rir, porque bem... você sabe, os dois são... (risos) os dois, tá ligado? Mas eles são bons juntos, o que é idiota, porque eles se odiavam. O %Eddie% sabe a técnica, mas o %Thommy%? Pô o cara nasceu para ser um artista, tá ligado? (Risos) A professora (Heather Williams, aposentada, poetisa) amava ele.
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  HEATHER WILLIAMS: Tsc, esse garoto lhe digo, Deus, que este menino era fantástico! Ser professora é um desafio, é como se dispor a um papel de palhaço e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade absurda ao formar um futuro ser humano. Muitas pessoas não percebem isso, sabe? Mas nós somos o que define o futuro. Somos o que plantamos, e muitas vezes esses garotos e garotas são nossa esperança, sabe? Eu não tinha muitos alunos, alguns participavam apenas pela nota, outros porque julgavam ser mais fáceis do que as outras atividades extracurriculares. Tsc, mas lhe digo, era frustrante, na maior parte do tempo, apenas um ou outro aluno levaria a sério, o resto da turma se perderia pelo caminho. Mas então, um dia chegou esse garoto adorável e demonstrou genuíno interesse pela poesia. %Thommy% não era apenas perceptivo, ele conseguia perceber a essência, e tinha uma habilidade impressionante de vocabulário, uma excelente memória. Guardo até hoje os poemas que ele escreveu, quer ver? (Corte).
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  %THOMMY% %RIGGS%: Só continuei na aula por causa de Nora. Era um garoto, não era como se tivesse algo na minha mente muito mais profundo que isso.
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  NORA JAMES: Eu havia me atrasado aquele dia. Meu despertador não havia tocado, então estava correndo o tempo todo. Quando cheguei na sala, quase todos os alunos já tinham dupla, exceto por dois. Eu sabia que tinha que agir rápido, então, eu corri para sentar do lado do primeiro que vi (pausa longa) era o %Thommy%.
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  %THOMMY% %RIGGS%: Ela tinha cheiro de baunilha, ainda tem, se quer saber, nunca mudou o perfume (pausa longa) eu odeio baunilha. Prefiro canela, flores, qualquer coisa menos baunilha. E então ela se sentou do meu lado e de repente esse cheiro estava por todo lado, era sufocante e enlouquecedor, quase pedi para trocar de dupla, até olhar para o lado e ver que era ela.
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  NORA JAMES: É claro que eu sabia quem era %Thommy%! Quer dizer, era o %Thommy%, qualquer pessoa com cultura saberia quem ele era! Havia jornais e revistas falando tanto sobre a mãe dele uma época, mas especialmente falando sobre Hansen, sabe? Eu era uma total fangirl! Nossa, era quase como uma febre, acho que quase todas as garotas da escola tinham uma queda ou queriam uma chance com ele. Era o garoto legal da escola, sabe? Fumava cigarros, usava jaquetas de couro, e tinhas essas... essas tatuagens se acumulando pelo corpo, sempre uma nova, uma diferente (risos), olha, não vou negar, acho que a primeira vista eu realmente tive uma quedinha por ele, quer dizer, que garota não tem, sabe? Ele era esse gritante “eu posso concertá-lo”, sempre foi, e você meio que tinha vontade de ser assim, especial, principalmente para %Thommy%. Ele sempre foi... ele sempre teve essa... (pausa longa) essa coisa sobre ele que fazia você se sentir como a única garota no mundo, como se fosse algum tipo de... oitava ou nona maravilha do mundo e eu acebei... (pausa longa) sou uma atriz, sabe? A gente é meio maluco às vezes, sabe? Ser atriz acaba deixando sua cabeça uma confusão. Sua mente sabe que certas coisas não são reais, mas seu corpo não, é uma loucura (pigarro) onde estávamos mesmo? Ah sim, pois bem, acho que tive uma quedinha meio momentânea por ele, mas foi coisa passageira, de momento, mas certamente nos tornamos muito bons amigos depois disso.
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  %THOMMY% %RIGGS%: (pausa longa) nós fizemos a tarefa em questão juntos, e então ela me agradeceu com um sorriso. E eu achei que era a coisa mais bonita que já havia visto. Não sei dizer exatamente por que, mas acho que foi porque percebi que um dos dentes inferiores dela era meio torto, já não é mais, mas antigamente era, um pouco mais para o canto esquerdo do que deveria, uma imperfeição, mas eu achava fofo, entende? Então eu passei a voluntariamente ir para essa merda de aula, todos os dias, com a desculpa de vê-la e começamos a fazer os projetos juntos. Para ser honesto eu só queria uma desculpa para conseguir vê-la de novo. Ela passou a se tornar minha parceira em qualquer atividade que fizéssemos, se tivéssemos uma aula juntos, ela sentaria ao meu lado. A gente passou a estudar para provas juntos, a passar tempo com os amigos dela, ela costumava me mostrar esses filmes... puta merda, esses filmes antigos e em preto e branco, livros de fantasia que ela era obcecada com. Esse tipo de coisa. E então, um dia ela me chamou para sair, e, então ela pediu por algum motivo para que eu... (pausa longa seguida de pigarro) nós transamos algumas vezes e foi isso (pausa) porra, já chega, %Grayson%, você tem tudo o que precisa para fazer esse trabalho. A gente acabou por aqui, corta essa última parte. Não tem mais nada nessa merda que seja útil para você. A entrevista acabou.
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  %MYRA% %GRAYSON%: (risos) por Deus, você é insuportável, %Riggs%. Só vá direto ao ponto de uma vez, chega de continuar com essa porcaria de teatrinho.
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  %THOMMY% %RIGGS%: Eu sou insuportável? Porra eu to te fazendo um favor, caralho! Olha pra essa merda, te contei exatamente tudo o que você queria saber, não precisa aprofundar em mais nada além disso.
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  %MYRA% %GRAYSON%: Não precisa aprofundar? Estamos a quase cinco horas fazendo isso, três foram apenas de suas piadas e brincadeiras! Olha, se não quer levar a sério, pelo menos poupa meu tempo, ok? Eu tenho coisas muito mais importantes para lidar do que com você. Se me der licença eu-
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  %THOMMY% %RIGGS%: Oh, desculpa! Eu não sabia que eu precisava da aprovação da senhorita perfeição em pessoa!
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  %MYRA% %GRAYSON%: Porra, você sabe que não é isso! Por que você precisa distorcer tudo o que eu digo?!
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  %THOMMY% %RIGGS%: Ah, porra, agora sou eu que estou distorcendo tudo, certo? Você é incapaz de cometer erros, não é?! Tudo o que fiz foi ser honesto com você, amor! Pode continuar mentindo para si mesma, eu não me importo, mas corta o ato você também!
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  %MYRA% %GRAYSON%: Não! Você não foi nada honesto! Esse tempo todo temos dado voltas e voltas, e seguido para o que você quer falar! Você claramente está fugindo! É o que tem feito esse tempo todo, porra, por Deus! Durante toda essa merda! As piadas! Os comentários! Toda essa... essa... puta que pariu, essa encenação para sempre desviar do foco da conversa! Para distrair! Você acha que eu sou idiota?
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  %THOMMY% %RIGGS%: Você quer mesmo que eu responda essa pergunta?
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  %MYRA% %GRAYSON%: (pausa longa) essa é a parte que você retira o que acabou de dizer.
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  %THOMMY% %RIGGS%: (silêncio).
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  %MYRA% %GRAYSON%: Muito bem então (pausa longa) obrigada pela colaboração senhor %Riggs%, a revista retornará em breve com o escopo final para aprovação. Quaisquer alterações serão designadas à senhorita Karmann. Estou me retirando do projeto, tenha um bom dia, senhor %Riggs% (ruído branco).
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  %THOMMY% %RIGGS%: (...) QUEM ESTÁ FUGINDO AGORA? (Risos) PUTA MERDA VOCÊ GOSTA MUITO DE FALAR, NÃO É, AMOR! Agir como se fosse a dona da razão e não cometesse erro algum, você é tão perfeita, não é, porra?! MAS VOCÊ TAMBÉM ESTÁ FUGINDO AGORA, NÃO ESTÁ, %GRAYSON%! VOCÊ ESTÁ, PORRA! PELO MENOS TENHA A DIGNIDADE DE RESPONDER A MINHA PERGUNTA!
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  %MYRA% %GRAYSON%: OH! VOCÊ QUER FALAR SOBRE DIGNIDADE? É sério mesmo?! CÊ QUER IR POR ESSA LINHA! ENTÃO VAMOS, PORRA! QUE PORRA VOCÊ SABE SOBRE DIGNIDADE, HUH?! Um filho da puta nojento, egocêntrico, mimado que usa a desculpa de que merdas aconteceram na própria vida para justificar o comportamento patético e infantil! NOVIDADE PRA VOCÊ! TODO MUNDO TÁ FODIDO, VOCÊ NÃO É ESPECIAL, %RIGGS%!
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  %THOMMY% %RIGGS%: Oh-ho-ho olha só para você! Finalmente reagindo! Puta merda, eu achei que você não tinha capacidade! É cansativo, não é? Manter esse ato de bondade e inocência só para que você não tenha que arcar com nenhuma consequência dos seus erros! TODOS SÃO ERRADOS, O PROBLEMA, MENOS VOCÊ! CONVENIENTE PARA CARALHO ESSA PORRA, NÃO É, AMOR?!
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  %MYRA% %GRAYSON%: VOCÊ NÃO SABE NADA SOBRE MIM!
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  %THOMMY% %RIGGS%: PORQUE VOCÊ SABE MUITO SOBRE MIM, NÃO É?!
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  %MYRA% %GRAYSON%: (pausa longa) você tá certo, eu não sei porra nenhuma sobre você! Eu sou paga para fazer entrevistas, para pesquisar e investigar a fundo informações, desenterrar verdades que ninguém se importa em olhar! Eu sou uma jornalista! Eu não sou paga para ter que lidar com você e a sua merda.
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  %THOMMY% %RIGGS%: Oh, não, você é paga para ser a porra de um capacho para qualquer idiota daquela merda de revista! Pior, você deve ter fetiche em humilhação para gostar de ser tratada como é!
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  %MYRA% %GRAYSON%: Quer saber? Você gosta de fingir que é diferente, que não é parecido com o seu pai, que está em algum tipo de causa pessoal solitária. Mas você é igual ao seu pai! Você é o espelho dele! (pausa) e que perda grande de tempo você é, %Thomas% %Riggs% (Corte).
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%MYRA% • AGORA.
  Los Angeles, California.

  Verônica Delaney entra na sala com toda sua imponência, como sempre.
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  Posso ver pelo canto do meu olho como quase todos se endireitam com a presença esmagadora de Delaney naquela sala. Ela é como uma força da natureza. É elegante e ao mesmo tempo, perigosa; é determinada e ao mesmo tempo, ameaçadora. Uma predadora, andando por entre suas presas com a elegância de um fauno. É inspiradora, é claro, mas não posso dizer exatamente se eu gostaria de ser como ela. Ter sua postura, segurança e presença? Com certeza. Sua personalidade? Não. Sem chance. Eu não conseguiria. Saltos altos Louboutin estão ocultados pela calça de pantalona azul escura, enquanto a blusa branca de alfaiataria tem um corte assimétrico, simples e elegante. Limpo, até mesmo. Com pequenos detalhes de costura, provavelmente feitos a mão, discretos, quase imperceptíveis. Os cabelos estão elegantemente curtos em um corte chanel assimétrico que lhe dava um ar futurista e, ao mesmo tempo, clássica, completamente descoloridos ao ponto de ficar entre uma fina linha tênue entre uma cor loira pálida, e, ao mesmo tempo, prateados. Os olhos são %azuisescuros%, profundos, mas sérios e estranhamente opacos, quase... gélidos. Uma tonalidade consistente e intimidadora, mas que se destacava em sua pele com igual intensidade. Os lábios sempre tingidos de vermelho escuro, marcantes, sua assinatura pessoal.
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  Observo em completo silêncio, desejando desaparecer em minha cadeira na sala de reuniões, enquanto Delaney repousa o tablet sobre a mesa e lança um olhar excruciante para cada pessoa ali dentro. Sei que está fazendo isso apenas pelo impacto dramático, uma ameaça, talvez, para manter todos nós na linha, mas ainda assim, não achava algo ético. A intimidação não é algo estrangeiro, tendo sido criada por meu pai e Indira. Para ser honesta, eu sentia um gosto amargo em minha boca ao observá-la, mas pouco, igualmente, eu poderia fazer sobre isso. As pessoas só são capazes de oferecer o que possuem. Não nos cabe determinar como eles deviam se sentir ou o que deveriam fazer, apenas como nós reagimos a isso. Aperto meus lábios distraidamente girando a caneta por entre meus dedos enquanto volto a linha de meu olhar para as folhas com as pautas que Marlene havia discutido com o restante do time. Eu prendo a respiração, tentando ignorar a parte de minha mente que sente vontade de apenas... chorar — não sei por que, não consigo entender de onde vem, apenas tento engolir o choro. E falando em Marlene...
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  Ela está com um sorriso largo e incandescente.
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  — Muito bem, a gente só tem apenas mais uma hora e meia antes de minha viagem para Nova York, então é melhor que esta conversa seja rápida — começa Delaney, e eu observo todos assentirem, enquanto Fabian indica com o queixo na minha direção, em um aviso silencioso. Contenho a vontade de revirar os olhos, ou simplesmente jogar tudo para o alto e me jogar da janela.
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  — O ensaio fotográfico foi um sucesso. Fabian recolheu material o suficiente para cobrir não apenas a próxima edição, como para adaptar as exigências da equipe de design. Ainda assim Isla Murphy sugeriu duas externas — apresso-me em informar a Delaney, me levantando com um movimento rápido, talvez rápido demais, enquanto caminho em direção a ela, com o tablet em minhas mãos, com as fotografias, tanto do ensaio de Fabian, quanto com as precificações e cotações dos dois locais que Isla Murphy, a assessora da banda The Runes, havia me informado mais cedo. “Não me interessa o que você precise fazer, consiga isso para mim”, ela havia dito. Entrego o tablet para Delaney, imediatamente me encaminhando em direção à jarra de café e os copos, sem sequer perceber o que estou fazendo, até estender o copo cheio, sem açúcar, puro e amargo, como Delaney tomava todos os dias, esperando que ela o pegasse. — Eu já verifiquei com os ambientes, são consideravelmente maiores que o orçamento sugerido, mas consegui um acordo com um dos locais, eles aceitam liberar o local por três dias por metade preço, se eles forem colocados como um dos colaboradores. Eles precisam do marketing, a gente precisa do espaço. Eu mandei a proposta e a tabela com os preços para a equipe de contabilidade analisar. Eles querem resposta até amanhã às 2 da tarde.
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  Delaney, pela primeira vez desde que eu havia entrado naquela editora, parece me ver. Ela pisca consigo mesma, estreitando os olhos e me analisando por um longo momento, e eu sustento o olhar dela com o máximo de firmeza que consigo. Aceno com minha cabeça, o mais respeitosamente na direção dela, instintivamente, antes de me voltar para meus outros colegas, servindo-os com o café.
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  — Perfeito. Vamos deixá-los no rodapé e nas legendas nas redes sociais, nada muito focal, mas os créditos devidos — diz Delaney por fim, com um aceno, antes de se voltar para Fabian. Eu até teria sorrido com o comentário, se Marlene não tivesse se levantado abruptamente e esbarrado no meu ombro com força o suficiente para que eu acabasse derrubando o copo de café quente dela em mim.
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  Prendo minha respiração, sentindo o líquido queimar minha barriga, mas contenho a dor. Inspiro fundo, tomando cuidado para não fazer barulho, enquanto pedia desculpas com o olhar na direção de Aaron, antes de caminhar para o canto da sala novamente, a fim de recolher alguns guardanapos e limpar a jarra de café, antes de terminar de servir meus colegas de trabalho e voltar para meu lugar, tentando discretamente afastar o tecido queimando minha pele. Que merda!
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  A pior parte? Não acho que Marlene sequer tenha percebido o que havia feito, porque ela está com sua atenção completamente voltada para Delaney, e parecendo determinada em mantê-la assim.
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  — Ótimo! — Marlene abre um sorriso largo e eu tento não franzir o cenho pela a maneira empolgada com que ela está agindo. Não posso julgar Marlene por sua postura, verdade seja dita, eu até mesmo a entendo, de certa forma. Eu também queria impressionar Delaney. Esse era o problema com aquelas pessoas, por mais que você soubesse que elas lhe faziam mal, uma parte de você, a parte estúpida, inconsequente e talvez até mesmo apenas carente, desejava desesperadamente por aprovação. Preciso prender minha respiração para ocultar um suspiro pesado. O gesto não passa despercebido por Fabian, que ergue uma sobrancelha parecendo estar me julgando, e, ao mesmo tempo, inquerindo meus pensamentos. Volto meu olhar para Marlene. — Agora que esse tópico está fora do caminho, nós e o time financeiro já debatemos todos os prós e contras das próximas matérias, e o senhor Rogers já aprovou o orçamento, e a projeção é de... —— Marlene pausa brevemente voltando sua linha de olhar, hesitantemente, para Aaron que, por sua vez, simplesmente dá de ombros.
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  Aaron é o suporte dela naquela reunião, mas mais do que isso, o braço de confiança de Delaney, então o que quer que ele aprovasse, certamente acabaria por ser considerado cuidadosamente por Verônica em consequência. Por um breve momento, mesmo que não seja exatamente o que eu gostaria de fazer, me questiono, alçando minha caneta da mesa, e girando-a distraidamente por meus dedos, tentando conter a ansiedade e distrair minha mente da sensibilidade agora causada pela queimadura com a mancha de café, qual é a real natureza do relacionamento de Marlene e Aaron? Quer dizer, quem ali estava manipulando quem? Gostaria de dizer que eu sabia como reconhecer os sinais, que eu era inteligente, mas bem, Rowan e Maya são minha prova viva de que, talvez, eu não fosse assim tão esperta quanto achava que realmente era.
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  — Pelo menos o dobro do que foi investido em retorno. Assumindo que tudo ocorra bem e não exista nenhum contratempo até o dia do Baile de Gala da revista — esclarece Aaron como sempre. O tom confiante, me faz pausar novamente, estreitando meus olhos. Às vezes tinha a sensação de que todos usavam máscaras, e a minha, todavia, era completamente transparente. Era como se não importasse sua capacidade ou, às vezes, sequer sua inteligência, se você tivesse lábia e soubesse como seduzir alguém com sua própria ideia, então, era fácil conseguir uma postura de prestígio. É claro, ajudava muito ser um homem branco. — Nós teremos o buzz necessário, e de acordo com a equipe de marketing, os tópicos listados pela senhorita Karmann nos manterá em relevância até o Baile, o que significa que teremos sob controle a narrativa e o restante da atenção social sobre a revista durante esse período de tempo.
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  Delaney assente com o fantasma de um quase sorriso em seus lábios.
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  E então, pelos próximos trinta minutos, eu passo ouvindo ativamente Marlene roubar minhas ideias e apresentá-las para Delaney como se estas fossem somente suas. Em algum ponto eu apenas desisto de ouvir. Sei o que eu deveria fazer: me levantar, discutir com Marlene, e exigir que ela ao menos reconheça meu trabalho. Sei que é isso o que eu desejava fazer, que uma parte de mim estava desesperada para fazer, mas, no fim, do que adiantaria? Marlene iria distorcer as coisas, iria apontar falhas minhas e nós ficaríamos naquele círculo até que eu admitisse que havia sido eu quem havia cometido um erro. Era sempre assim. À certa altura em minha vida, havia se tornado exaustivo discutir com paredes.
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  Considero novamente as palavras de Samantha aquela manhã.
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  O que diabos eu ainda estava fazendo aqui? Talvez...
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  — %Grayson%? — Delaney me chama, e eu me controlo para não saltar em minha própria cadeira e pedir desculpas. Não, pior do que estar distraída era deixar Delaney perceber que eu estava distraída. Eu assenti para o que quer que ela havia dito, considerando perguntar depois para Gustav sobre, apenas aceitando o que me era entregue, mas antes que eu possa responder, é Marlene quem interrompe-me.
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  — Não pode estar falando sério, com todo respeito senhora, mas %Grayson%? Assumir a responsabilidade desse tipo de matéria? Por que não enviar Pietro e, é claro, eu ficaria responsável de revisar tudo... — diz Marlene, e eu mordo minha língua, contendo minha vontade de explodir. Retiro minhas mãos de cima da mesa, tomando cuidado para não atrair a atenção de Fabian ou Aaron, enquanto minha mão se fecha dolorosamente apertado em minha caneta. Estou apertando-a com tanta força que não percebo quando a quebro ao meio. Ao em vez disso, eu forço um sorriso educado para Marlene, esperando que Delaney concorde com a proposta de Marlene, como era padrão.
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  — Não é uma negociação, Karmann. %Grayson% vai ficar responsável pelo editorial da The Runes e ponto final. Foi um pedido pessoal, e preciso de alguém capaz de explorar nuance bem — Delaney corta Marlene com um aceno de sua mão, enquanto seus olhos %azuisescuros%, gélidos, se voltavam para mim outra vez. É estranho, mas tenho a sensação de que já vi aquele tom em algum lugar. Talvez, não o mesmo tom, mas algo próximo àquela cor... — A menos que você não queira, %Grayson%. Serão pelo menos 6 meses a um ano de convivência com eles, e isso incluirá acompanhá-los em turnês, eu quero tudo, todos os momentos registrados. É claro que a editora irá compensá-la muito bem por isso, e iremos considerar também um acréscimo para estadia em países e demais custos. Mas a escolha é completamente sua.
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  Não sei o que mais me impressiona, se é a proposta ou se o tom que Delaney usa. Condescendente, e até mesmo incrédulo, como se ela preferisse que eu simplesmente recusasse a proposta e passasse para alguém melhor. O olhar desdenhoso de Marlene também não me escapa, e talvez seja justamente isso que me faça, pela primeira vez, em muito tempo, simplesmente tentar ao menos calar ambas de uma vez. Elas acreditavam que eu era incapaz? Então eu mostraria a elas quem eu realmente era...
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  — Ai, %Gray%, sério, é absurdo, é muito dinheiro e você sequer tem ideia de como...
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  — Tudo bem — corto Marlene, pela primeira vez, encarando Delaney determinada. Tenciono minha mandíbula, estreitando os olhos, enquanto sustentava o olhar de Delaney. Tenho certeza que vou me arrepender mais tarde, mas nesse momento é impossível não sentir uma ponta de satisfação em perceber que Delaney, mesmo que não satisfeita, terá que aceitar minha posição. — Quando eu começo? — indago, mais determinada do que nunca.
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  Delaney por um momento apenas me observa em silêncio, seu olhar penetrante e impossível de ser lido. Sei que deveria ter medo, mas tudo o que ela me faz recordar é a visão de meu pai, encarando-me através da mesa, toda vez que havia algum jantar em família. Tenho vontade de rir, é quase reconfortante aquele olhar...
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  — Esta noite. NoHellgate. Ingresso e pulseira estão na minha sala para pegar assim que seu expediente acabar. Perfeito, Gustav, eu quero saber o que você tinha na sua cabeça para... — diz Delaney por fim, antes de imediatamente voltar sua atenção para Gustav.
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  Ignoro completamente o olhar enviesado que Marlene me lança, enquanto volto minha atenção para os papeis à minha frente. Perfeito, eu tinha uma oportunidade, um trabalho a fazer e acima de tudo uma única missão: descobrir que porra era o Hellgate, e, assumindo pelo nome, havia só uma pessoa que poderia me salvar naquele momento. Merda...
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•••

  Isha me atende quase imediatamente, mas não me responde de imediato.
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  Estou prestes a perguntar a minha irmã mais nova o que diabos estava acontecendo, e por que ela parecia estar tão agitada, mas mordo minha língua no segundo que vozes alteradas chamam a minha atenção. Franzo meu cenho, observando a tela ser chacoalhada enquanto parte do rosto de Isha está coberto pelo cabelo dela, desgrenhado e escapando de um coque alto mal feito. Observando bem, percebo tardiamente que ela está na casa de Indira e meu pai, e não nos dormitórios, o que, por si só, é completamente estranho para ela. Isha, eu esperava que Isha estivesse de volta aos dormitórios da universidade àquela altura, ou, no mínimo, a caminho da universidade, mas não... uma ponta de desconforto me atinge de imediato enquanto aperto meus lábios, tentando puxar ao fundo de minha mente qualquer coisa que ela tenha dito sobre ficar mais um tempo em Los Angeles antes de voltar para a Universidade, mas percebo que ela não havia dito nada. Estranho, o que estava acontecendo...?
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  — Sua irmã não está pedindo muito, menina! Ela só está pedindo sua ajuda! É simples! Agora eu realmente não entendo qual é a sua incapacidade em entender um simples pedido! — diz Indira de maneira afiada ao fundo. Aquilo é novo. Desde quando Indira falava assim com Isha? Tenciono minha mandíbula com força, meu estômago se revira e eu tenho a estranha sensação de estar caindo, outra vez. Pela primeira vez em minha vida eu considero gritar, chamar a atenção de Isha, e comandar que ela passasse o celular para Indira. Mas diferente do que eu desejo fazer, obrigo-me a ficar em silêncio, a analisar a situação. Não, eu não era impulsiva, muito menos inconsequente.
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  — Bem, porque talvez a minha vida não gire em torno dela!A filha não é minha, mãe, é sua! Pensou nisso? Ai, dá licença que eu to no telefone vai! — replica Isha de volta e franzo o cenho, tentando conter um sorriso. Essa é minha garota. Ao mesmo tempo que sinto orgulho por minha irmã mais nova, sinto apreensão. Não era uma boa ideia pegar o lado ruim de Indira, e céus, disso eu sabia perfeitamente. Ouço Indira gritar alguma coisa do outro lado, mas não consigo escutar direito.
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  — Isha, não piora as coisas, por favor, e quem poderia estar ligando para você uma hora dessas? — A voz enjoativamente doce de Maya quase me faz vomitar, mas sufoco minhas emoções um pouco mais. Estou a engarrafando, e tenho quase certeza que irão explodir em um algum momento, mas a resposta de Isha que se segue me pega desprevenida demais para pensar em qualquer outra coisa.
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  — A porra do meu namorado, Maya! Por quê? Vai querer trepar com ele também?! Me deixa em paz porra! — Isha praticamente grita, marchando a passos pesados e furiosos.
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  Agradeço mentalmente por sempre ter preferido usar fones de ouvido independentemente da situação. Lanço um olhar breve em direção aos outros pedestres e forço um sorriso meio resignado, meio constrangido quando um mímico me oferece uma flor. Tento recusar educadamente, apenas apontando para o celular, enquanto volto a andar, dessa vez, um pouco mais rápido do que o costume. Meu maior problema não são os saltos altos finos de Samantha, mas o tamanho do vestido dela. Em Sam aquilo costumava servir como blusa, o que não ajudava muito a minha situação.
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  — Sabe, eu posso ligar depois, pirralha, eu não tenho ideia do que está acontecendo aí, mas parece que as coisas estão...
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  — Ai, não começa %Myra%, que eu tô com raiva de você também! — Isha me corta abruptamente e eu pauso, encarando a tela do celular. Analisando o rosto da minha irmã mais nova com cuidado, eu sei que ela não estava com raiva de mim, eu posso ver isso, mas me incomoda que a raiva realmente esteja lá. Ergo uma sobrancelha encarando-a em silêncio, e Isha bufa, negando com a cabeça.
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  Observo minha irmã mais nova apoiar o celular dela no que parece ser a varanda da casa de Indira e meu pai, as estruturas tradicionais indianas uma vaga lembrança de minha mãe, mesmo que Indira tivesse se esforçado bastante para ocultar aquele pedaço de minha vida. Isha se afasta da câmera por um breve momento, puxando a porta de vidro da varanda com um ruído suave antes de deixar-se sentar na cadeira branca de nós e tecidos que, sinceramente, eu nunca havia achado genuinamente confortável. Espero silenciosamente, encarando-a, dando espaço e esperando que ela ou se acalmasse ou então dissesse o que a estava incomodando, mas Isha apenas negou com a cabeça, apoiando os dois braços sobre a mesa de plástico branca resistente, e então o queixo em suas mãos, emburrada. Como ela fazia desde que tinha 5 anos e a gente recusava brincar de “caçadores de tesouro” pela casa.
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  — Não quero falar sobre isso. Por que a gente não foca em: que roupa é essa? Isso é um decote, %Gray%?! Onde você tá indo?
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  Forço um sorriso desconfortável, coçando o cantinho do meu nariz, enquanto desviava o olhar brevemente da tela para o caminho à minha frente, desviando de algumas pessoas, antes de parar perto da margem da calçada verificando o trânsito. Ah, que maravilha...
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  — É por isso que eu estou te ligando. Preciso de ajuda, e eu queria deixar um aviso de socorro com nome e enderenço caso hipoteticamente eu misteriosamente desapareça — faço piada, e tenho quase uma sensação de satisfação quando ouço Isha tentar sufocar um risinho. Ao mesmo tempo, não posso dizer com certeza que o que eu havia dito era 100% uma piada.
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  — Que isso, você é uma criminosa agora, é? Tá envolvida com droga, %Myra%? Qual é o preço? — resmunga Isha com um sorrisinho divertido enquanto reviro meus olhos, verificando os dois lados da rua antes de atravessá-la com uma pequena corridinha. Faço uma careta, puxando a saia do vestido um pouco mais para baixo, antes que esta pudesse subir um pouco mais. Mesmo que tivesse com o conforto de um shorts por baixo da saia do vestido, ainda assim a ideia de o vestido subir demais me incomodava. Uma propriedade desnecessária e infundada que não adiantava de nada. Roupa não definia caráter. — Não… — Isha parece perceber alguma coisa. Pisco, voltando minha atenção para o celular. Inicialmente Isha tem um sorriso incandescente em seu rosto, largo e adorável, mas então o rosto dela se torna mais uma vez emburrado. — %Myra% sua nojenta! Você tá totalmente indo para uma boate e não me chamou, não é?! Ai que ódio!
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  É que os seus cantores favoritos parecem um bando de depravados sem profissionalidade alguma para querer encontrar alguém de um jornal dentro de uma boate! Tenho vontade de responder, mas mordo minha língua, contendo-me.
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  — Olha, é bem mais complexo que isso, Isha. Eu te compenso da próxima vez, ok? Provavelmente esse fim de semana! Pode ser?
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  — Ah, vai se foder! Eu literalmente passei um mês inteiro te chamando para sair e você me ignorou! Que saco, %Gray%! Além disso, aqui em casa tá um velório, me diz onde você tá indo, vai, eu te encontro em... — Isha pausa brevemente lançando um olhar instintivo na direção de seu pulso direito, apenas para perceber que está sem seu relógio. Tento muito não rir, e falho miseravelmente. Ela me lança um olhar irritadiço, em forma de aviso, e então assumo que ela deve ter verificado o horário pela barra de notificação do celular dela. — Hm, 30 minutos? Nem vou fazer maquiagem, só para ir mais rápido. É sério, %Gray%, me deixa ir com você!
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  Sou subitamente atingida por uma saudade profunda e gritante dela. Com tudo acontecendo ao mesmo tempo, todo o drama em ambas as partes de minha vida, pessoal e profissional, e até mesmo meu incômodo de comparecer em eventos familiares após o caso de Rowan e Maya, era inevitável que eu acabasse me afastando de muita gente, mas Isha... Isha não. Eu me recuso a perder ela também. E é naquele momento que eu percebo o quanto sinto falta dela. De apenas abraça-la e ter sua companhia, nem que seja para passar a noite inteira deitada na mesma cama, doom scrolling em alguma rede social, no completo escuro.
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  — Isha…. Uma próxima vez, eu prometo. Você escolhe o lugar, eu juro, só não hoje, eu tô meio que enrolada no trabalho... — Hesito por um breve momento, franzindo o cenho enquanto parava para tentar reconhecer onde diabos eu estava. Cegamente e seguindo a merda de um mapa mal feito por Delaney, eu, que havia nascido em Los Angeles, tinha quase certeza que havia acabado de me perder completamente na cidade em que eu nasci. Mas tinha que acontecer comigo, não tinha? Ai... onde era a Hudson mesmo, ou eu tinha virado de novo na curva errada? — Olha, você tá com acesso fácil aí? Minha rede tá horrível, me diz se eu tô perto do Hellgate? Vou te enviar a minha localização aí — questiono impaciente, minimizando a tela da ligação por um breve momento enquanto tentava encontrar uma forma de enviar minha localização para Isha, sem conseguir deixar de sentir, ao fundo de minha mente, que eu vou acabar sendo assaltada aqui. Com os saltos altos, eu questiono-me o quão rápido eu conseguiria retirá-los e acertar um potencial bandido.
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  Isha franze o cenho, incialmente confusa com o que eu digo, mas como sempre, ela assente, fazendo uma careta enquanto esfrega os dentes superiores sobre seu lábio inferior, digitando rapidamente no celular. Por um breve momento ficamos em silêncio, enquanto suspiro pesado, observando a rua à minha frente, sem de fato ver com certeza. Então, Isha solta um chiado entre dentes, arregalando os olhos e ficando boquiaberta com alguma coisa que ela pesquisa, antes de seus olhos, brilhando como um par de semáforos, se voltarem para mim novamente. Devo ter a encarado como se ela fosse um alien e estivesse me explicando o conceito de multiversos coexistentes porque posso sentir que ela está, primeiro, animada, e segundo, me julgando profundamente.
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  — Eu te odeio, sabia! — diz Isha, mas ela está rindo consigo mesma, então suas palavras não têm peso algum. — Você vai ter que me compensar muito bem depois de ir só em uma das maiores e mais exclusivas boates de Los Angeles! Fala sério, %Gray%! Eu mataria para ir nesse lugar! Como você conseguiu um convite? É super difícil entrar aí! — questiona Isha quase pulando sentada antes de pausar por um breve momento, franzindo o cenho e então dando de ombros. —— Você tá literalmente só mais dois metros de distância, tecnicamente já chegou, você tá vendo alguma coisa familiar?
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  Aperto meus lábios, lançando um olhar ao meu redor. Há apenas um muro com grafites coloridos e artísticos de uma amazona montada em um jaguar, e uma loja de líquor fechada. O prédio ficava bem na intersecção entre a West Temple Street e a East Edgeware Road. Teoricamente, a aparência externa não passava de uma loja de licor antiga, com grades de ferro nos vidros com padrões de losangos pequenos espalhados pela estrutura. As paredes de tijolos eram pintadas de um tom que lembrava a palha. Aparentemente, quem quer que fosse o dono, havia achado interessante apenas pintar o primeiro andar, já que era visível os tijolos vermelhos desordenados pelo prédio inteiro, assim como cartazes desgastados com frases de ordem. Se não fosse pela pulseira preta com letras vermelhas neon em meu pulso, ou o resultado da pesquisa de Isha bater com o papel que Delaney havia me dado, eu poderia facilmente acreditar que, na verdade, eu havia sido enviada para morrer ali.
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  — Isha, é sério, é literalmente só uma loja de bebida, é impossível que isso esteja certo... — começo a dizer para Isha, genuinamente sentindo que estou prestes a ser roubada quando um assobio chama minha atenção do lado esquerdo do prédio, onde a escada de incêndio se encontrava. Não encaro, simplesmente considero começar a correr por minha vida quando escuto o barulho de algo pesado caindo no chão e então alguém chamar meu sobrenome.
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  Eu morro aqui, não é?
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  — O quê? O que foi isso, %Myra%? O que está acontecendo? — pergunta Isha, um pouco ansiosa, mas eu me esqueço de como se falava quando meus olhos se encontram com os vívidos dele.
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  %Eddie% %VonBrandt%.
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  E ele está sorrindo. Puta merda, ele está sorrindo! Um sorriso largo e caloroso, os cantos dos olhos se enrugam suavemente nos cantos enquanto ele caminha em minha direção. Tenho a sensação esquisita de que estou em um sonho. Mesmo que eu não fosse exatamente uma fã, ainda sabia, tecnicamente, quem ele era, ou ao menos, o quão famoso ele era, e era consideravelmente surreal para mim observar alguém do tamanho dele se aproximar de mim. Não quero soar como uma fangirl e deixá-lo desconfortável por qualquer estupidez que eu possa ser capaz de dizer, mas sendo bem honesta, há uma disparidade de realidades gigantes entre nós dois. É como se eu tivesse encontrado alguma criatura mitológica e estivesse me esforçando muito para fazer sentido de tudo isso. E, ao mesmo tempo, %Eddie% %VonBrandt% parece mais um cara. Um cara bem atraente, é claro, com a regata “Fuck the Police” e um grande dedo médio erguido, preta, a calça jeans cortada e desfiada nos joelhos  e os coturnos velhos e esfolados, com os cadarços coloridos sobrepostos em uma bagunça com as cores: magenta, ultra violeta, e azul escuro. As barras de sua calça estavam dobradas para cima, na altura das panturrilhas, mas o que chama minha atenção, ou pelo menos é o que eu acredito ser mais legal de toda sua roupa, é justamente abandana vermelha amarrada em sua cabeça, como um pirata. Quase me faz rir — é adorável.
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  — Cê demorou, princesa, %Lenny% apostou 50 que você se perderia, então, aqui vai minha oferta: 25 para mim, e 25 para você, e você diz que não, o que acha, huh? É o melhor acordo que vai conseguir essa noite, e tirar dinheiro de %Lenny% é um hobby comum para a gente, você já começa a se familiarizar — diz %Eddie%, surpreendentemente, bem-humorado, e eu tento me recompor, mas é completamente surreal estar perto de um rockstar como ele, e tê-lo conversando comigo de maneira tão casual.
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  Quer dizer, além da sessão de fotos, quando ele se aproximou de mim e silenciosamente apenas me ajudou a terminar de guardar os materiais de volta na caixa, não havíamos tido outras interações. Eu sequer havia conseguido pedir o autógrafo que queria presentear Isha para ele, e bem, quando a assessora deles se aproximou de mim também, havia sido simplesmente para fazer cobranças, e exigir meu nome por algum motivo, suponho que fosse para ter sobre quem reclamar quando algo desse errado.
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  — Cê tá bem? Olha, sinceramente, essa merda é coisa do %Riggs%, se quiser ir pra casa, eu esclareço as coisas e te cubro, sinceramente, você não é a única morrendo para sair daqui — ele diz gentilmente, e eu me surpreendo com a maneira que ele oferece aquilo. De primeira, minha intuição grita que há algo de errado nisso, que não é normal, e pego-me questionando o que diabos ele poderia querer de mim, mas então, então eu percebo, %Eddie% nem sabe quem eu sou, e tampouco poderia ter algo que eu pudesse oferecer para alguém que poderia ter tudo que não fosse apenas umas palavras mais gentis em meu texto, o que, sinceramente, não seria assim difícil de oferecer levando em consideração sua gentileza silenciosa. E então, o questionamento ecoa por minha mente: como ele poderia simplesmente ser gentil comigo?
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  Ocorre-me, de maneira distante, que talvez a coisa que eu estivesse mais desfamiliarizada, afinal, era justamente gentileza. Pura e honesta gentileza, sem intenções por trás. Que irônico, não?
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  — Desculpa é só... muita informação, meio surreal ainda — exalo, admitindo enquanto piscava, tentando me lembrar de como se falava, e, acima de tudo, a manter minha voz calma e segura. Pelo amor de deus, %Myra%, fica tranquila! Fica tranquila! Forço um sorriso para %Eddie%, antes de tardiamente ouvir Isha soltando um ruído incompreensível do outro lado da chamada de vídeo e eu praguejo alto. Forço um sorriso em forma de desculpas para %Eddie%, me voltando para a tela do celular, ansiosa. Que maravilha... — Isha, tá tudo bem aqui, eu te ligo amanhã, tá bom? Eu tenho...
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  — NÃO SE ATREVA A...
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  — Oh, ei, não fazia ideia que você estava no telefone — resmunga %Eddie%, antes de se aproximar de mim, e então, passando o braço pelos meus ombros ele se inclina na direção da tela do celular com um sorriso divertido. Isha parece estar ao ponto de um colapso, as duas mãos pressionando a boca, e %Eddie% tem cheiro de sândalo, estranhamente, é gostoso. — E aí? Isha, não é? Tudo bem? Olha, desculpa por isso, mas vou ter que roubar a senhorita %Grayson% de você pelo resto da noite, infelizmente você não vai poder saber sobre, ou fofocar com ela sobre essa noite, mas a The Runes ficaria feliz em te enviar um acesso adiantado para o novo álbum em produção, pode ser? — %Eddie% acena para Isha, em um cumprimento caloroso, e eu vejo minha irmã mais nova por um momento ter um completo curto circuito. Isha está com os olhos brilhando, encarando-o fixamente enquanto sequer parece registrar o que %Eddie% havia dito. Tenho vontade de rir, mas mordo o interior de minhas bochechas me controlando. %Eddie% coça a lateral de sua mandíbula, parecendo levemente desconfortável. — Sim, eu estou ativamente tentando comprar o seu silêncio, e sei que isso é esquisito, mas a gente tem que evita... — %Eddie% começa a dizer, mas é interrompido pelo grito histérico de Isha, gargalhando alto, e batendo palmas, cedendo ao seu lado mais fangirl possível. Não posso culpa-la.
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  Apresso-me a desligar a ligação, rindo baixo, de nervoso. Que grande maneira de arruinar a primeira impressão que alguém poderia ter sobre mim, destruindo qualquer boa impressão que eu tinha chance de apresentar-me a ele como uma profissional. Desejo profundamente um buraco para me esconder, com a certeza que estou corando agora.
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  — Desculpa por isso, ela realmente gosta de vocês, de você em especifico, pôsteres e tudo. — %Eddie% se endireita, lançando-me um sorriso torto, e de repente, percebo oporquê Isha gostava tanto dele. Não! Não, profissionalismo, isso aí, profissional, do verbo, ser profissional.
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  — Relaxa, eu tô acostumado com isso.
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  Aperto meus lábios, tentando não rir dele, se pela arrogância fingida ou pela ideia de ele ter que lidar diariamente com pessoas histéricas simplesmente por o conhecerem. Parece algo de outro mundo para mim, pelo menos, com minha vida pacata e nem um pouco interessante de anônima — bem, se for deixar o drama Rowan e Maya de fora. Se com ele era assim, questiono-me como seria ser %Thommy% %Riggs%, ainda que por um dia, como ele lidava com aquilo...
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  — Adoração cega e surtos histéricos de garotas universitárias? — digo sem conseguir me conter, o sarcasmo escapando antes que eu pudesse mascará-lo em minha voz. Para minha surpresa, todavia, %Eddie% solta uma risada baixa, inclinando a cabeça para o lado. Ele tem covinhas, percebo encantada, o que é esquisito, eu não me lembrava de vê-lo sorrir daquele forma em nenhum poster ou vídeo. %Eddie% %VonBrandt% sempre parecia tão sério...
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  — Nah, %Gray%, posso te chamar de %Gray%? Ouvi o seu amigo, o com as tatuagens de sânscrito nos braços chamar você. — Assenti em concordância, e %Eddie% lança uma piscadela para mim, antes de se espreguiçar com um gemido baixo. — Como eu estava dizendo, %Gray%, adoração cega e surtos histéricos de garotas universitárias não é a melhor parte desse trabalho. A melhor parte, na minha opinião, é aquele olhar orgulhoso, com olhos cheios de lágrimas e batidinha no ombro de homens de 50 anos.
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  Encaro-o descrente e vejo o sorriso dele aumentar. Tenho a sensação de que, talvez, ele fosse exatamente o tipo de pessoa que falava absurdos apenas pelo divertimento de ver o choque no rosto de outras, mas é apenas um chute ainda. Tento com muito custo não sorrir de volta.
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  — Não pode tá falando sério, né?
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  — Cada palavra. Sério mesmo.  — %Eddie% enfia as duas mãos nos bolsos de sua jaqueta de couro. — Era amiga sua? A da vídeo chamada?
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  — Irmã. Mais nova. Isha é o nome dela.
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  %Eddie% assente lentamente enquanto aperta os cantos dos lábios, coçando com a unha do polegar a lateral de seu pescoço, parecendo pensativo.
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  — Não quero ser chato, é bastante coisa para registrar, eu sei, mas isso não pode vazar, princesa. Ela não podia saber disso, e agora sabe então... — %Eddie% começa, fazendo uma careta meio desconfortável. Assenti em concordância, enquanto dava de ombros, tentando passar a impressão de que tinha tudo sob controle. Por favor, acredite, por favor, por favor...
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  — Não se preocupe, Delaney me mandou alguns papeis jurídicos e NDAs, vocês estão seguros... — respondo com uma tranquilidade que eu não sinto de fato. Preciso passar profissionalismo e tranquilidade que eu não sinto de fato. Preciso passar profissionalismo e tranquilidade, assegurá-lo de que não haverá consequência para suas carreiras, mas não posso deixar de pensar no que diabos eu irei precisar fazer para convencer Isha a nunca dizer nada sobre aquela noite, ao menos, não até a matéria estar devidamente aprovada e pronta para publicação.
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  Se minha vida não tivesse acabado de ficar ainda mais complicada. Não era minha falta de fé por minha irmã mais nova que me colocava em alarde, mas sim, as formas que ela usaria para me extorquir, minha preocupação afinal. Noites viradas, apartamentos bagunçados e provavelmente uma viagem para Las Vegas, mas bem, era Isha, então, por que não?
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  — Hm, não deveria ter uma entrada por aqui? Quer dizer, vocês disseram que queriam conversar sobre a matéria em um lugar... — começo a dizer, tentando ansiosamente desviar do assunto em questão.
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  %Eddie% bufa consigo mesmo, sorriso ficando um pouco mais afiado enquanto ele levava a mão esquerda em direção ao rosto, esfregando a lateral do rosto parecendo irritado, ou pelo menos tentando conter sua irritação. As unhas dele fincam-se em sua pele, deixando um rastro avermelhado por ela com a forma que ele coça seu pescoço. Aperto meus lábios, desviando rapidamente meus olhos da marca avermelhada em sua pele, tentando fingir que não a havia percebido.
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  — Agradeça %Riggs% por isso. É por aqui, vem. — %Eddie% indicou com o queixo para que eu o seguisse. Ele não diz mais nada, e tomo como resposta apenas sigo-o em silêncio, temendo incomodá-lo de alguma forma.
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  Mordo meu lábio inferior, fechando instintivamente minhas mãos, balançando-as para frente e para trás, ansiosamente, enquanto observava o espaço, absorvendo o máximo que posso do cenário. Hellgate. Recordo-me de ter ouvido esse nome durante o almoço na editora, mas apenas por cima. Sendo honesta, eu não fazia ideia do que eu deveria esperar ali, não era o nome oficial do lugar, é claro, mas é como popularmente é chamado. Um clube de strip aparentemente privado, no meio de Los Angeles, aparentemente. Não era uma surpresa para mim, se quer saber, na verdade, era meio que de se esperar, de certa forma.
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  Havia lugares e festas bem mais perturbadoras em Los Angeles — que não necessariamente faziam parte de teorias da conspiração para chocar o público. Quando pessoas com dinheiro e poder se uniam, a única limitação que possuíam era a de seus próprios desejos, e, assumindo que a natureza humana tendia a assumir uma perspectiva bem mais perigosa e sombria quando se possuía tamanha liberdade assim, uma parte de mim estava receosa do que eu potencialmente iria encontrar ali. Que eu não precisasse de Isha para me tirar dali...
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  Observo rapidamente o segurança antes de seguir %Eddie% %VonBrandt% para dentro do lugar.
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  A entrada do lugar dava-se com uma escadaria, como se estivesse levando-nos para o porão, embora eu tivesse a pequena inclinação de acreditar que o espaço em questão era bem maior do que parecia ser. Tinta e luzes em vermelho neon — assumindo uma tonalidade quase alaranjada, como se fosse lava ao em vez de uma iluminação cuidadosamente projetada para esse propósito — espalhavam-se pela extensão da escadaria inteira. Placas com a manchas de dedos ou mãos gravadas, e até mesmo fotografias pornográficas se espalhavam pelas paredes, presas em alguns fios expostos próximo ao teto — mais como uma estética, do que um defeito em si. A temática do espaço era bem explícita, e não deixava muito de fora a se especular. Percebo que se limitava somente ao tema “desejo” como “fetiche”. Prendo minha respiração, sem conseguir conter uma pequena exclamação baixa ao perceber quantas celebridades famosas poderiam estar ali, em situações, no mínimo, curiosas.
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  Ao final da escadaria o espaço se dividia em dois. A esquerda, abria-se para um segundo salão consideravelmente grande. À meia luz, era difícil saber distinguir os rostos ou se o local estava mesmo lotado de pessoas. Posso vê-los espalhados pelo espaço, em meio às luzes em neon, oscilando entre vermelho, rosa, roxo e azul. Ao fundo de onde a música partia e projetava-se encontrava-se o palco, com lâmpadas de led vermelhas, conectadas uma nas outras formando uma espécie de cubículo não muito diferente das duas gaiolas que se espalharam pelo percurso — uma na entrada e uma próxima ao que eu supunha ser onde o bar deveria estar.  Embora ainda tivessem o formato que desse a entender a uma gaiola, era mais como um balanço, com duas strippers sentadas, nenhuma delas dançava ao ritmo da música. Havia uma stripper girando em um pole dance em uma passarela vermelha como sangue próxima ao palco, e eu tinha quase certeza que havia vislumbrado ao menos duas outras strippers dançando no colo de pessoas irreconhecíveis, mas visivelmente alteradas. Fumaça de gelo seco espalhava-se pelo chão de concreto, e questiono-me, levemente distraída, se haveria algo a mais naquela fumaça que não fosse somente gelo seco.
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  Considerando que estamos em Los Angeles, eu tinha quase certeza que sim.
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  Ao lado direito, todavia, abria-se para o que parecia ser cabines privadas, com tão pouca luz ali que eu tinha quase certeza de que não seria surpresa se alguém esbarrasse acidentalmente um contra o outro sem ter ideia do que estava acontecendo. Cabines privadas com vidro escuro e cortinas vermelhas — era de veludo? Porque pareciam ser de veludo, e se fosse era impressionante —, e exibicionistas se pegando no meio do corredor. Pelas silhuetas e movimentos que se projetam de uma das cabines, estava acontecendo uma orgia. Onde diabos eu vim parar, huh?
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  — Puta merda, isso é um clube de swing — exalo baixo, ouvindo %Eddie% soltar uma gargalhada alta, girando nos seus calcanhares e se voltando para me encarar, lançando-me uma piscadela travessa.
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  — Bem-vinda a Hellgate, princesa.
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  NOTA DA AUTORA: a Myra é muito a vibe de Maula Mere Maula.

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Lelen

Eu quero saber a história da Nora com o Thommy e essa história com o pai dele, QUE CONFUSÃO!
Amei o bate boca inicial da Myra e do Thommy, os dois tão fugindo. Todo mundo foge de alguma coisa, não tem jeito, meus queridos.
Amei mais ainda a Myra tomando as rédeas no trabalho por um segundo, mesmo sabendo que ia se arrepender depois, mas ao mesmo tempo sabemos que vai valer a pena (NÉ?).
E EU AMO O EDDIE, MEU DEUS DO CÉU, TÁ CERTO TODO MUNDO TIETAR ELE, ELE É MUITO LINDO E PRECIOSO. CUIDADO, THOMMY, VAI PERDER O LUGAR PRA ELE. LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Soldada

Piora, e piora muito, talvez a única coisa que dá pra defender o Thommy nisso (e nem muito tbm) EXATAMENTE, só a forma com que eles fazem isso que é diferente; os dias de glória da Myra tá chegando! KSKSKSK sobre o Eddie ele é maravilhoso, talvez ele realmente roube o lugar do Thommy, ou talvez não hehehe ou ainda, talvez tenha muito mais no relacionamento do Thommy e do Eddie, a explicação vem nos próximos capítulos hehehe

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