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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Runes

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

[03] • Lado B - 01 Track - Please, Beg For Me, Please

Tempo estimado de leitura: 58 minutos

EMPIRE  • JANEIRO

  %THOMMY% %RIGGS% (Vocalista e Segundo Guitarrista da The Runes): Tudo bem, vai em frente, o que você quer saber? Sou todo seu, amor (pausa longa). Eu nasci no começo de Agosto, no dia 11, o que significa que (pausa) sou de leão, seja lá o que isso signifique, e minha mãe (pausa longa) bem, o divórcio da minha mãe (Alba %Riggs%, Ex-Top Model Internacional, falecida) tinha acabado de ser oficializado, ela havia se aposentado das passarelas e se mudou para uma casa Eduardiana no Chelsea, em Londres. Vizinhança rica, torta feita do zero esfriando na janela, aulas com tutores caros, todo o roteiro de uma dona de casa e mãe solo, esse tipo de coisa (pausa longa) olha, amor, eu estou morrendo de vontade de contar toda a minha história para você, mas essa parte é bem entediante, por que simplesmente não pula... (corte)
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  (...) puta merda, eu devo ter enlouquecido (pausa longa) certo, como estava dizendo, era como viver em um perfeito sonho americano de uma mãe solo, e para ser honesto, a presença paterna não me fez muita falta (pausa) olha, amor, eu concordei em fazer isso, eu sei, e tudo mais, e vou fazer, mas pelo menos para de me olhar assim.
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  JUNIOR REPÓRTER (Revista Empire): Assim como?
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  %THOMMY% %RIGGS%: Como se me quisesse. Eu sei que sou gostoso e tenho um charme irresistível, mas pelo menos se mantenha profissional, sabe? Se continuar me despindo assim com o olhar, vou ficar gripado (risos).
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  JUNIOR REPÓRTER: ah, puta que (Corte).
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  %THOMMY% %RIGGS%: {…} Tá bem, tá bem, eu parei! Ei, parei, prometo, tem minha palavra. Qual é [REDACTED INFORMATION] oi, espera, qual é, amor, eu estou falando sério! Olha eu realmente não quero (Corte). Quando quiser (pausa longa) ela era instável, a minha mãe. Era doce e gentil, mas às vezes não conseguia sair da cama, então tínhamos duas empregadas (Rosário da Conceição, falecida, e Daniela Torres, enfermeira aposentada) em casa e um mordomo (Gerald Wallace, aposentado) para compensar pelo trabalho que às vezes ela não se sentia disposta a fazer. Ela tinha esses… esses momentos em que não fazia nada, e simplesmente ficava deitada, ou assistindo algum tipo de filme barato na televisão ou simplesmente lendo algum romance velho que estava no porão. Tinham dedicatórias, mas nenhum nome em si. Ela não me expulsava, se eu quisesse passar tempo com ela. Ela me ajudava a subir na cama, e então lia para mim, ou dava risada quando eu começava a tentar inventar histórias mirabolantes para ter sua atenção. Ela não era cruel, entende? Ela realmente me ouvia, mesmo sendo uma criança pequena fazendo de tudo para ter a atenção dela em mim. Ela gostava muito de arte, então estava sempre disposta a me ensinar a desenhar se eu me comportasse direito. Mas lembro-me de que, por muitas vezes, precisei ajudá-la a tomar banho, ou a comer. E então ela tinha esses momentos em que parecia ser um expresso, radiante, com um sorriso lindo, e determinada a conquistar o mundo e realmente, não havia ninguém que pudesse pará-la (pausa longa) eram meus momentos preferidos.
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  GERALD WALLACE: Sr. %Riggs% era uma criança independente, não precisava de muita atenção e tinha essa teimosia que o impedia de querer ajuda. Se recusava mesmo pequeno a ter ajuda, muitas vezes só precisávamos explicar e mostrar a ele o que fazer e então ele nos dispensaria e faria sozinho. Aprendeu a trocar-se sozinho, limpar-se e até mesmo a comer sozinho, sem o auxílio de Rosário ou o meu (pausa) ele era só um garotinho. Em minha vida optei por não ter filhos, eu nunca consegui aceitar a ideia de não poder proteger um filho, de falhar com um filho, mas aquele menino… aquele menino foi o mais próximo de um filho que já tive, e partia-me o coração vê-lo crescer daquela forma. E avançado para sua idade, com 3 anos havia aprendido a ler o básico, e aos 5 já tinha uma fala perfeitamente compreensível, aprendia rápido as coisas, às vezes, por pura observação, era um perfeito homenzinho. Mas não conseguia fazer muita amizade com crianças de sua idade. Acabava ficando sozinho nos parques, ou, se estivesse brincando com as outras crianças, o que era algo raro, ficando para trás, mais assistindo do que participando da brincadeira.
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  ELENA TORRES (Souls Chefe do restaurante Le Claire, filha de Daniela Torres): Era um encrenqueiro total. Falava o que pensava e não tinha respeito por ninguém (risos) eu amava isso! Olha, a maioria de nós ficaria com medo de responder de maneira arrogante quando um adulto dizia algo que se contradizia, mas %Thommy% era o único que o fazia e conseguia escapar sem consequências imediatas. A gente tinha o que, uns 6 para 7 anos? (risos) e minha mãe o trazia para casa em festas, casamentos, batizados ou até mesmo às vezes na Páscoa e outros eventos comemorativos. A gente era pelo menos em uns 8 primos, fora alguma criança da vizinhança que se reunia em casa às vezes, então ele ficava emburrado em um canto, assistindo a gente brincar até que um dia, a minha irmã mais velha (Vanessa Figueredo, dona de casa) sugeriu a gente jogar alguns jogos de tabuleiro. %Thommy% praticamente virou meu inimigo número um (risos). Menina, você não tem ideia! Ele era um perdedor terrível! (Risos) ai, jesus, eu não consigo respirar (risos seguidos de pausa longa) ai, ai, eram bons tempos, sabe? %Thommy% chorava quando perdia e eu me divertia tirando sarro dele. Então, quando a gente tinha, não sei, uns 12 anos, eu pedi para que ele me beijasse porque eu queria muito saber como era a sensação, e ele me beijou (pausa) soube nesse dia que eu gostava de meninas (risos seguido de pausa) depois que ele se mudou para Los Angeles, eu perdi completamente o contato com ele.
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  Minha esposa (Marien Torres, administradora) o acompanha nas redes sociais, fofocas, e tudo mais, é uma completa fan girl da banda dele, %Thommy% sempre manda ingressos para nós quando está na cidade, e minha esposa costuma ir nos shows com as amigas dela, tiraram uma foto com ele, uma vez, minha esposa ficou nas nuvens (risos) aqui, deixa eu te mostrar (pausa longa), eu não tenho mais contato com ele, ao menos não como quando éramos crianças, sabe? Às vezes recebemos algum dos membros da banda dele aqui no restaurante, o que é sempre animador pela visibilidade, mas não o vejo mais. Às vezes sinto falta, sabe? Ele era meu melhor amigo, um pé no saco, mas ainda assim um amigo, sinto fala de brigar por causa de Batalha Naval e de tirar sarro do bico que ele fazia quando era contrariado ou perdia. Mas crescer é isso, não é? Se tornar adulto, eu acho. Perceber que você está constantemente se despedindo de todos, todos os dias.
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  %THOMMY% %RIGGS%: (pausa longa) eu tive diversas figuras paternas, se quer saber, tudo dependia da forma com que você encarava as situações em si. Wallace foi como um pai para mim quando era criança, e também tinha os tios James, que visitavam sempre, levavam-me para acompanhar algumas exposições e estavam ali para mim, quando minha mãe precisava de uma folga de ser mãe. Mesmo Von Benzon era presente na minha vida, ele havia vindo a maioria dos meus aniversários e sempre [REDACTED INFORMATION] (…) ele nunca fez falta. Era como um fantasma. Tinha uma vaga memória de como ele soava pelo telefone, e de vê-lo às vezes na televisão, mas não me importava. Você não pode sentir falta do que nunca teve, certo? Eu sabia que me parecia muito com meu pai, porque às vezes a minha mãe tinha esse olhar… (pausa longa) esse olhar esquisito no rosto dela, como se estivesse prestes a chorar, mas não era como se meu pai estivesse presente nos meus aniversários e conquistas escolares. Bem, ao menos não até eu completar 9 anos, de repete ele estava em tudo, querendo participar e ser um pai presente. Me levava a lugares legais, exclusivos de Hollywood, e era divertido, se quer saber, mas bem, para mim ele era um estranho, e eu não precisava de mais uma figura paterna na minha vida (pausa longa) ao mesmo tempo eu queria saber quem ele era, eu queria que ele… (pausa longa) eu queria que ele gostasse de mim.
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  Eu não sabia que isso estava afetando tanto minha mãe, por consequência. Eu sabia que a história deles era complicada, mas ela não falava muito sobre, eu sabia que ela ainda amava meu pai porque às vezes a pegava lendo ou acompanhando matérias nas revistas sobre ele. Meu pai me chamou para participar de seu casamento com Jacqueline, mas eu não quis ir. E se eu não queria alguma coisa, eu simplesmente não faria. Era aniversário de Elena, e a gente tava planejando essa festa fazia quase dois meses, e eu preferia muito mais participar das festas de Dona Daniela do que viajar para Los Angeles apenas para assistir a merda de um casamento de pessoa que eu sequer gostava (pausa longa). Isso resvalou na imagem do meu pai, se quer saber. A mídia caiu em cima questionando onde eu poderia estar e sobre como Hansen não era assim tão bom como pai, algumas piadas no SNL foram feitas também. Veja, minha mãe sempre respeitou minhas decisões, eu fazia o que eu desejava e ela nunca me impediu de ter um relacionamento com meu pai se eu desejasse (risos) ela mandava mensagens, entrava em contato com a assistente dele. Às vezes Ledger (Angelina Ledger, ex-assistente pessoal de Hansen Spade) aparecia em casa com algum presente e um cartão do meu pai, ou simplesmente para conversar com minha mãe por algumas horas.  Mas esse era o ponto, entende? Eu não queria um relacionamento com um estranho. Mas depois daquele dia, não sei, algo aconteceu, porque tudo mudou.
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  Lembro que meu pai surgiu em casa uma noite, alguns meses depois do casamento, parecendo furioso, e lembro de ter os escutado brigando através da porta. Foi uma briga feia, vasos quebrados, gritos por toda a casa, mas nunca consegui entender o que eles estavam falando, e então meu pai foi embora, sem sequer dizer alguma coisa para mim, e alguns minutos depois eu encontro minha mãe chorando, na cozinha, cercada por cacos de vidro e porcelana. Lembro-me dela soluçar alto enquanto eu recolhia os cacos. Lembro-me de ter cortado minha mão, e só perceber depois que havia a colocado na cama para dormir (pausa longa) minha mãe mudou drasticamente depois daquele dia. Ela ficou subitamente mais animada, rindo e se divertindo com as coisas mais simples, ela havia passado a sair com suas amigas com mais frequência, reconectando com alguns contatos de trabalho. Ela havia me dito que iria voltar a trabalhar, e que, em breve nós nos mudaríamos para Pequim, na China, onde ela estava conversando com uma marca de alta costura importante, e que seria um bom recomeço para nós dois, que eu não precisava me preocupar que ela daria um jeito de trazer pelo menos Wallace com a gente para que eu não precisasse ficar com medo de ficar sozinho.
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  Lembro-me de vê-la se arrumar para ir a encontros, também, [REDACTED INFORMATION] sei lá, ela passou a sempre encontrar um motivo para passar tempo comigo também, não importava o que fosse, ela acharia uma forma de participar. Me ensinar a cozinhar, a pintar, a costurar casacos, a jogar football e beisebol, (risos) ela até me ensinou a dançar valsa e dança de salão, ela nunca gritava quando eu pisava no pé dela, pelo contrário, ela só… (pausa longa) ela só ria. Eu sentia que não havia nada que eu pudesse fazer que poderia decepcioná-la de fato. Lembro-me dela me ajudar com o dever de casa, e me prometendo passeios, enquanto planejávamos como seria meu futuro, para qual faculdade eu iria, que caminho eu seguiria, ela havia até mesmo me dito que pediria para que tio Oscar entrasse em contato com seus pais, a fim de conseguir um estágio para mim no escritório de advocacia deles quando eu estivesse para acabar com a faculdade de direito, seria advogado, teria uma boa vida no subúrbio, e ela iria adorar ajudar minha esposa ou marido, ela não se importava com quem eu me relacionasse desde que fosse uma boa pessoa, com meus filhos (risos seguido de pausa) foi uma mentirosa desgraçada (pausa longa) ela se suicidou duas semanas antes do dia 11 de Agosto. Sua carta dizia que ela não queria estragar meu aniversário, mas que não conseguia mais continuar (pausa longa) eu deveria saber que iria acontecer. Eu deveria ter notado os sinais. Foi culpa minha.
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  GERALD WALLACE: Havíamos sido dispensados durante o fim de semana, a Sra. %Riggs% gostava de ter os fins de semana somente para ela e seu filho. Sem interferências, supomos que deveria ser para simplesmente se conectar com o menino e compensá-lo pelos momentos que sua depressão a debilitava de ter sua atenção total no menino (pausa longa) não havia por que desconfiar de alguma coisa. Exceto que talvez tenha sido descuidado, ou simplesmente preso em meus próprios affairs deixei que isso passasse sem perceber. Havia algo de errado no ar, algo que não percebemos naquele dia (pausa longa). Lembro-me de ter recebido uma ligação posteriormente de Sr. James e seu marido, pedindo-me para retornar imediatamente para a casa porque algo havia acontecido com Sra. %Riggs% (pausa longa) quando cheguei a casa de Sra. %Riggs%, estava tudo um completo caos.
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  OSCAR JAMES: Foi %Thommy% quem a encontrou, é claro (pausa longa) ele tinha 12 anos, pobre garoto. Ninguém deveria passar por algo assim, muito menos um garoto (pausa) foi uma das noites mais longas que já tive em toda a minha vida. Quando chegamos, ele estava sentado na escada, quietinho, agarrado a esse… esse ursinho de pelúcia antigo que Alba havia comprado para ele do momento em que soube que ela estava grávida. Era como se fosse seu melhor amigo, eu acho. Lembro-me de ligar para a polícia e então Wallace em seguida, sem ter ideia do que fazer. O banheiro estava uma bagunça, e então, quando a polícia chegou, tudo virou uma completa bagunça. Acho que alguns vizinhos haviam percebido a movimentação porque não demorou muito para que os paparazzi estivessem em todos os cantos, tentando invadir a casa e fotografar tudo o que podia.
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  MICHAEL ANDERSEN-JAMES: A casa possuía um labirinto vivo no jardim, um dos tratamentos de Alba consistia na criação e cuidado de um jardim, a ideia de proporcionar consistência e constância era o necessário para oferecer estabilidade, um apoio emocional que ela pudesse usar. Havia esse… bem, esse labirinto vivo gigante que ela havia construído junto com Oscar pouco antes de nós finalizarmos a compra da casa ao lado, então havia uma pequena conexão com o nosso jardim. Então enquanto Oscar lidava com a confusão de paparazzi e os policiais, peguei %Thommy% e o ursinho e o levei para nossa casa, a fim de tentar pelo menos dar alguns minutos para o menino.
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  Tentamos recuperar o ursinho de pelúcia, mas (pausa longa) bem, você sabe, manchas são difíceis de serem limpas, especialmente em tecido branco.
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  OSCAR JAMES: Pelos meses que seguiram, com a comoção da mídia e das pessoas com a morte de Alba, e a especulação sobre o ocorrido, nós entramos em contato com o advogado que havia ficado responsável pelo divórcio de Alba, Sean, uma vez que ele já tinha conhecimento do caso e outras provas arquivadas, assim poderíamos reaver a custódia de %Thommy% para nós. Nossa intenção era retornar para a Suíça, onde os avós maternos de %Thommy% viviam, e refazer nossa vida por lá. Tentar oferecer o máximo de normalidade possível para que %Thommy% pudesse ter tempo de lidar com tudo o que havia acontecido (pausa longa) deus, ele era só um garoto na época. Nós tínhamos tudo planejado, e uma vez que Hank era um pai ausente, não seria trabalhoso conseguir a guarda para nós, exceto que, como você já deve ter percebido, somos um casal homossexual, há uma… (pausa) bem, há uma certa dificuldade, se posso colocar desta forma, em conseguir a aprovação de juízes, especialmente em estados religiosos, para estes casos. Além disso, Alba não havia deixado nenhum pedido expresso de que desejava que a guarda de %Thommy% fosse repassada para nós. A gente não esperava que Hansen Spade, no fim, iria lutar com tudo o que tinha pela guarda do menino. Foi uma causa ganha.
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  HAROLD WALTER (Advogado, Cofundador da Walters & Reyes): Não costumo dar informações sobre meus antigos casos, mesmo que estes tenham prescrevido. Ética, minha cara, é algo extremamente importante para mim, percebe? Mas uma vez que estamos neste assunto, suponho que possa oferecer pequenos pontos que possam facilitar sua… o que você faz mesmo? (corte) Muito bem, meu cliente passou anos lutando pela guarda do menino, a verdade era que a mulher frágil e delicada que pintavam a ex-mulher de meu cliente não passava de uma boa narrativa para vender revistas e alguns tabloides, você sabe como é, estamos em uma indústria, é isso que acontece. Dito isso, temos inúmeras petições de revisões de guarda que foram negadas pelo juiz por vezes. Alegações da falta de presença do pai e descaso eram apresentadas, o que tornava difícil para que meu cliente pudesse conquistar o direito de, ao menos, passar o fim de semana com o filho. Um absurdo, certo? Eu sei, eu sei, a verdade, minha cara, é que este mundo não se importa com a criança, mas apenas com a mãe da criança.
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  Em muitos casos, são manipuladoras. Usam os filhos como armas para chantagear emocionalmente homens honestos e trabalhadores, que estão apenas tentando reconstituir sua vida. É claro, havia toda a comoção causada por, bem, indiscrições de meu cliente, mas isso não o torna uma pessoa ruim. Meu cliente estava perdido, e bem, seu filho foi a única motivação que meu cliente possuía para mudar de vida, então, lutar pela custódia do menino foi… bem, uma necessidade para minha honra mais do que tudo (risos). Nós tínhamos tudo, se quer saber, receitas médicas, declarações psicológicas de inabilidade, a periculosidade de ter uma criança próxima de alguém instável com uma criança, e especialmente, meu cliente havia conseguido comprovar que estava pagando pensão há mais de três anos, e com fotos comprovando a proximidade dos dois, ficou bem claro que não havia necessidade de transferir a guarda para ninguém se não para o pai.
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  Ouça, minha cara, novamente o que você é? (Corte) ah, sim, muito bem, veja, minha cara, é simplesmente para isso que eu faço meu trabalho, percebe? Reunir famílias, lutar pelo que é certo. Quando Hansen recebeu a guarda de %Thommy%, não foi apenas uma vitória para Hank, mas para mim também. Fizemos a diferença, da maneira que mais importava, e é isso que posso te dizer.
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  %THOMMY% %RIGGS%: (risos seguido por pausa longa) o que você acha que aconteceu, amor? Quer dizer, não é assim tão difícil de adivinhar, vai em frente, dê seu melhor chute, se acertar eu posso até… (corte) (…) ok! Ok! Porra, você tem uma mão pesada (risos) eu estava brincando, parei. Eu parei, eu juro, parei mesmo (pausa) sabe que não precisa saber de tudo isso apenas para explicar por que eu beijei um cara na frente de todo mundo no VMA, certo? É só a porra de um beijo (corte) meu pai ganhou minha guarda, por algum motivo, então tio Oscar entrou com uma petição de emancipação. O pedido foi negado, graças ao meu pai, então eu empacotei minhas coisas e voei de Londres para Los Angeles.
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  Olha, amor, eu poderia dizer que foi surreal o novo mundo que meu pai me apresentou. Festas em Hollywood, celebridades, nomes famosos jantando em casa enquanto alguma das minhas madrastas se vestia para impressioná-los. Diretores e roteiristas planejando algum Blockbuster do verão, e porra (risos) algumas merdas bem bizarras, mas eu não passei muito tempo lá. Assim que cheguei, Jacqueline entrou em uma crise, e exigiu que meu pai me enviasse para algum colégio interno no exterior e ele não hesitou. Não vou mentir, eu também não era um adolescente fácil, mas para ser honesto, eu não queria ser um adolescente fácil.
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  Eu estudava em um colégio de elite em Aberdeen, na Escócia, cerca de 13 horas e 25 minutos dependendo do tempo de onde meu pai e sua esposa residiam. Era um internato religioso então a gente precisava acordar cedo para fazer as orações matinais, e não havia muita coisa para fazer, já que celulares, televisões, e até mesmo internet eram restringidos no espaço. O bom e velho conservadorismo, amor (pausa longa). Não foi difícil encontrar as lacunas nas normas e aprender como esconder as coisas das freiras, então, ao longo da minha adolescência eu nunca fui, tecnicamente, pego por ninguém lá. Havia-se suspeitas, algumas drogas aqui, algumas bebidas ali, porra, coisa de adolescente, tá ligado? Ou não, você não parece ser exatamente o tipo de garota que se envolvia em problema, você está mais para uma boa garota que nunca (corte) (…) posso continuar ou você vai (corte) (…) certo, se eu soubesse que o que me esperava lá iria foder com a minha cabeça, teria sido mais agradável com Jacqueline, até a teria chamado de mãe, mesmo que fosse a última coisa que eu quisesse fazer. Mas eu nunca fui muito brilhante também, amor, nisso você está certa sobre mim.
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  JUNIOR REPÓRTER (Revista Empire): O que, parafraseando você, fodeu com sua cabeça tão ruim assim? E seja honesto, %Riggs%, sem piadas para desviar do assunto dessa vez.
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  %THOMMY% %RIGGS%: Woah, consegue ler meu coração como um livro aberto, impressionante, amor. Continua me tratando mal e eu vou me apaixonar por você, porra, acho que já estou apaixonado (risos seguido por uma longa pausa) ah, certo, a sua pergunta, é claro. Não foi algo que aconteceu, mas alguém que conheci. Você sabe, é sempre uma garota que ferra com a cabeça de um homem, amor(pausa longa). Eu conheci Nora James.
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  %THOMMY% • AGORA.
  Los Angeles, California.

  — Que porra foi essa, cara?! Qual é o seu problema?! — rosna %Eddie%, a voz baixa e controlada, enquanto me empurra para fora do elevador. Solto um riso baixo, nasalado e desprovido de quaisquer traços de humor, apenas uma pequena satisfação de ver o sempre perfeito %Eddie% %VonBrandt% irritado, enquanto enfiava minhas duas mãos dentro dos bolsos da minha jaqueta. — Precisava fazer aquilo, porra?
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  — Oh, tô vendo, então a gente vai fazer isso agora publicamente, é? — O sarcasmo escorre de minhas palavras, e vejo, com satisfação, os olhos castanhos claros meio esverdeados de %VonBrandt% se acenderem com o prospecto de iniciar uma briga. Sei o quanto ele quer uma chance de arrebentar a minha cara, porque é recíproco e os deuses sabiam o quanto eu estava esperando por aquela chance igualmente, mas diferente de mim, o controle de %Eddie% %VonBrandt% era impecável, e eu o odiava por isso. — Vai em frente, irmão, me acerta! Tenta a porra da sorte, vai em frente!
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  Vejo os olhos de %Eddie% se incendiarem, e eu quase dou risada. Ele vai avançar em minha direção, parte de mim quer que ele o faça.
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  — Oi! Oi! Já chega, caralho! Já chega!— É, como sempre, %Johnny% quem entra no meio de %Eddie% e eu, empurrando-me para trás, enquanto agarrava com a mão direita o colarinho de %Eddie% para mantê-lo no lugar. É claro que não o faria, se realmente quiséssemos, %Eddie% e eu nos engalfinharíamos até a morte e %Johnny% não poderia fazer nada se não assistir. Mas, porra, não era qualquer pessoa ali, era %Johnny%, então tudo o que eu faço é abrir um sorriso desdenhoso para %Eddie%, em uma tentativa de entrar novamente por baixo de sua pele, de atormentá-lo, mesmo que fosse só psicologicamente, e pela a expressão que %Eddie% me lança, eu sei que ele está funcionando. — Por Deus, %Thomas%, chega, porra! Qualquer merda que você faz reflete na gente, caralho, qual é?! Aquela merda no elevador? Não foi legal, cara! Cê tá puto, beleza, mas pelo menos finge melhor que é uma pessoa decente, porra — diz %Johnny% com um tom de voz baixo, irritado.
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  Não respondo, apenas observo-o tencionando minha mandíbula com força, enquanto %Johnny% se vira para %Eddie%, empurrando-o para trás em um aviso silencioso. %Eddie% cambaleia um pouco para trás, lançando um olhar amargo para %Johnny% mas não diz nada.
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  — E você para com a porra das desculpas! Isso já tá velho, irmão! Se algo te incomoda você conversa, como um adulto, não sai na porrada como a merda de um imbecil. Cê é melhor que isso, cara, então para de agir como um merda! — %Johnny% empurra %Eddie% de novo para trás, apontando o indicador na direção do rosto de %Johnny% em um aviso silencioso, antes de marchar em direção onde %Lenny% estava, conversando e cumprimentando a equipe de fotografia como uma boa distração para acobertar o conflito entre mim e %Eddie%, como sempre.
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  É um golpe baixo em meu ego, mas não demonstro. Em vez disso, meus olhos se voltam para %Eddie% novamente, e nós apenas nos encaramos por um longo tempo. Não sou capaz de dizer onde foi que eu havia passado a ressenti-lo e odiá-lo, suponho que tenha um motivo para que minha aversão apenas cresça conforme passa o tempo, suponho que deveria ter, mas se devo ser honesto? É que se existe ou não um motivo, eu não sei dizer, apenas sei que uma parte de mim está pedindo para arrebentar a cara de %Eddie%, e a outra estaria feliz em se fazer de cega, consequências para o inferno. Vejo-o trincar os dentes com força, um músculo saltando em sua bochecha, enquanto ele estreita os olhos, não posso deixar de sorrir com isso, talvez a única coisa que nos faça chegar a um entendimento é a consciência mútua que estamos em algum tipo de contagem regressiva pessoal.
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  Nós vamos explodir. Cedo ou tarde, isso vai acontecer. Em algum momento, seja amanhã ou daqui alguns meses, nós dois vamos explodir, e quando isso acontecer, tenho certeza que não haverá mais volta. Estávamos adiando aquilo por muito tempo, bem, %Eddie% estava adiando há muito tempo, se controlando para não explodir e colocar as coisas em risco, e em partes, eu sei que eu deveria me sentir culpado por isso. Ao menos me esforçar para fingir que não era o que eu queria que acontecesse, mas bem… eu não sou um poço de virtudes, e tampouco desejo ser um. %Eddie% sustenta meu olhar, como se estivesse genuinamente considerando ou não acatar o que %Johnny% havia dito. Solto um riso seco, desprovido de emoção, enquanto enfio as minhas mãos nos bolsos de minhas calças, propositalmente sem sair do lugar quando %Eddie% passa por mim, esbarrando no ombro dele bruscamente.
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  — Covarde — %Eddie% prende a respiração, me lançando um olhar, sombrio, um recálculo novamente de nossa situação, onde estávamos e a possibilidade de jogar tudo para o alto e apenas finalmente acabar com aquela merda de atuação, mas, como era de se esperar, %VonBrandt% apenas segue seu caminho em direção ao camarim improvisado um pouco mais à esquerda do estúdio.
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  Puta merda se eu não odiava aquela porra. Era como se você estivesse sendo preparado para ficar disposto em uma merda de vitrine. Olhos em você, é claro, muitos seriam admirados ou interessados, mas puta que pariu, não muito melhor do que ser tratado como um pet por um dono egocêntrico. Colocariam uma coleira um pouco mais elegante, pediriam para que você fizesse alguns truques, e então, você receberia um carinho na cabeça e estaria dispensado. A pior parte? Era ter aqueles malditos olhos voltados para si o tempo todo. Veja bem, não me entenda mal, eu amo ter o olhar das pessoas em mim, amo ver a admiração e como apenas minha presença pode desconcentrar qualquer um se eu souber exatamente como falar com esta pessoa em questão. É um bom jogo, se quer saber, até mesmo divertido às vezes, quando estou no humor para isso. Eu não estava no humor, e muito menos com paciência hoje.
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  Meu celular vibra no bolso de minha calça, um lembrete da ligação que eu estava determinado a ignorar completamente, quando minha atenção é bruscamente atraída para uma das portas à esquerda, a uma distancia considerável dos elevadores. Estreito meus olhos, primeiro, surpreso pela quantidade de caixas que a pessoa carrega, considerando se eu deveria fazer alguma coisa — ajudar ou simplesmente torcer para que caísse e quebrasse as coisas — até lembrar-me de quem estava provavelmente carregando as caixas e o motivo de ela ter tido que subir as escadas de o quê? Três andares inteiros? Sozinha e carregando uma quantidade ridícula de caixas pesadas sem ajuda alguma? Tenciono minha mandíbula com um estalo, sentindo a raiva voltar a percorrer por minhas veias como fogo puro. Ela se projeta para dentro do estúdio, meio desequilibrada, meio desalinhada, respirando pesado, mas é surpreendente que, apesar de tudo, ela ainda tem um aperto firme ao redor das caixas e equipamentos.
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  Ignoro a parte de minha mente que instintivamente deseja estender o braço e pelo menos arrancar as caixas da mão dela. Trincando minha mandíbula com força enquanto, instintivamente girava o anel no meu dedo indicador, observando-a. Não quero observá-la, é perda de tempo, mas ao mesmo tempo não consigo controlar o desejo de só assisti-la em sua miséria. Puta que pariu, ela é ridícula. Princesa Jasmine é ridícula e sequer percebe que é, e isso é simplesmente frustrante. Não é mais o saree que usa, mas sim, roupas normais, calças de alfaiataria que não marcam muito suas pernas ou os quadris, e uma blusa branca, de botões, formal, arregaçada até a altura dos cotovelos, e com os dois botões superiores abertos, revelando algum tipo de colar pequeno e discreto, de ouro. Não é a visão da noite anterior, com o saree e maquiagem borrada, ou as joias exóticas indianas, embora, surpreendentemente ainda estivesse usando aquele brinco estranho que se conectava com o piercing na lateral de seu nariz. É uma pessoa terrivelmente comum, apenas outra mulher, nem sequer atraente ou memorável. E, todavia, se meu humor já estava ruim, agora, acabava de piorar, e muito.
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  É o maldito olhar! Aquela merda de sorriso. O dar de ombros. É insuportável!
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  A memória da noite anterior é vívida, e eu detesto que o incômodo apenas cresça enquanto vejo aquele maldito sorriso que ela havia me oferecido noite passada, outra vez, surgir em seu rosto gentil quando o fotógrafo responsável por aquela sessão Fabian Meyer a chama pelo sobrenome com um tom autoritário para que ela fosse pegar alguma coisa que eu sequer me dou ao trabalho de tentar entender. Espero que ela diga que não pode, ou que o mande se foder, honestamente, eu entenderia qualquer um dizer isso para Fabian, especialmente se seus braços estivessem exaustos, trêmulos, e suas mãos estivessem visivelmente manchas roxas de onde veias pequenas deveriam ter estourado pelo esforço que ela havia feito. Mas por que diabos eu deveria me surpreender de vê-la forçar aquele maldito sorriso doce, e assentir para Meyer, como se ele tivesse pedido apenas auxílio com alguma coisa, e não praticamente a comandado ir arrastar alguma coisa de um dos cenários para o outro lado do espaço. Estreito meus olhos, ignorando a voz de %Lenny% me chamando para se preparar, e então cruzo os meus braços sobre meu peito, assistindo-a descaradamente.
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  E se eu precisava de um motivo para o fazer, eu simplesmente não me importo o suficiente para encontrá-lo de fato.
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  — Eu quero saber que porra você tá fazendo parado aqui ainda, %Riggs%? — Reviro os olhos ao som da voz de Isla Murphy, mas como sempre, ignoro a pergunta dela. Isla poderia muito bem ir para a casa do caralho e eu não me importaria muito de saber como ela havia ido. Tê-la nos coordenando era como ter um adestrador, exceto que ela tinha 1,76, e usava saltos agulha ao em vez de tênis de corrida, e seus cabelos tinham uma quantidade estranha de gel ao em vez de um boné de time de futebol americano. — %Thomas%.
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  Ergo uma sobrancelha, lançando um olhar para Isla de soslaio antes de dar de ombros, retirando a jaqueta, jogando na direção dela. É claro que o ensaio fotográfico seria especialmente só de jeans, as fotografias precisavam ser apelativas para que os fãs tivessem motivos para comprar a revista — ninguém compraria por causa da minha personalidade.
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  — Fabian tem uma nova assistente? — Isla me encara com uma sobrancelha erguida, e eu não consigo conter um sorriso torto que surge pelos meus lábios. O aviso é claro ali: “sem gracinhas”, mas não faço questão de explicar meu interesse mais a fundo para Murphy do que ela provavelmente já deveria ter concluído. Deixe que ela pense o que quiser, embora meu interesse não fosse exatamente foder com a Princesa Jasmine.
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  Giro em meus calcanhares para encarar Isla parando de andar propositalmente para a fazer colidir comigo. Tento não sorriso com a expressão de irritação que ela exibe, especialmente quando me inclino um pouco mais na direção dela.
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  — Descobre o nome e a função dela para mim. — Não um pedido. Não uma pergunta. Uma ordem. Isla Murphy era a assistente pessoal da banda, e eu com certeza sempre encontraria uma forma de me aproveitar das vantagens de tê-la como assistente. Qual é? Escrúpulos, em Hollywood? Superestimado.  
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  Isla não se afasta. Ela abre um sorriso, indignado, finalmente tirando os olhos do celular e então encarando-me com uma expressão que parecia divergir entre querer afastar-se e, ao mesmo tempo, me ter por mais perto. Bom. Era sempre conveniente lembrar-me do poder que eu poderia ter sobre alguém se realmente desejasse.
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  — Pra que você quer saber, hein? Já não foi o bastante as outras três assistentes que você fodeu e descartou? Quer ferrar com a quarta também? Isso é um novo hobby agora? — Tenho vontade de rir, mas esforço-me para manter-me sério. Isla sempre tão exagerada, porra.
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  — Falando assim até parece que você tá com ciúmes.
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  — Não! — Aí está, rápido demais. Defensivo demais. Ela está mentindo, e desta vez não consigo conter um riso baixo que borbulha por meu peito. Meus olhos investigam o rosto dela por um breve momento, tentando calcular uma maneira de convencê-la a fazer aquela merda de trabalho para mim sem ter que explicar muito a fundo minhas reais intenções com a outra mulher. Isla inspira por entre os dentes, os olhos se suavizando levemente enquanto repousam em minha boca. Vejo-a morder o lábio inferior, hesitando, e é a confirmação que eu preciso para saber que ela irá fazer o que havia pedido, era parte do trabalho dela.
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  — O nome e a função, Murphy. Agora.
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  Afasto-me dela, sem conseguir conter um sorriso sarcástico, irritado comigo mesmo, ignorando a parte de minha consciência que tenta retornar para a superfície. Giro novamente em meus calcanhares, voltando a caminhar em direção a onde um verdadeiro irritado maquiador me espera.
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•••

  %Myra% %Grayson%.
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  A caligrafia elegante de Isla no guardanapo revela o nome, a função dela e o número dela. Faço uma careta rasgando a parte do número e descartando-a com desinteresse. Repórter Júnior. Interessante, qualquer um que a visse ali não teria exatamente certeza de que era a função dela de fato. Não que eu tenha reparado em alguma coisa. Típico. Trinco meus dentes tentando conter a minha própria raiva enquanto amasso o pedaço de papel e guardo dentro do bolso da calça jeans que o ensaio fotográfico havia me obrigado usar, cintura baixa, lavagem escura, e água para tentar simular suor porque o que mais poderia ser mais atraente do que um cara tatuado, com jeans e suado, não é mesmo? Ossos do ofício, suponho. Ou coisa do tipo.
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  Retiro meu celular do bolso de minha calça. Girando-o distraidamente por entre meus dedos enquanto deixo-me cair sobre a cadeira bem cara, confortável e espaçosa de Delaney. Facilmente reclinável, e com estofados mais macios do que meu travesseiro, que conveniente — questiono-me o que precisaria fazer ou prometer para a mais velha, a fim de conseguir essa cadeira para mim, teria utilidade? Nenhuma, mas era boa então, por que não? — de um tecido branco impecável, enquanto inúmeras pastas e fotografias se espalhavam sobre sua mesa. Datas de entrega, fornecedores, nomes de responsáveis de outras filiais, e acima de tudo, envelopes com eventos da revista para o próximo mês em seu típico baile de gala de Halloween, agendas e prova de cores com anotações em uma caligrafia até mesmo elegante, e é claro, a bomboniere de cristal com trufas de limão a qual Verônica Delaney era sempre tão obsessiva. Típico de minha tia.
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  Abro a bomboniere, pegando duas trufas de limão e jogando em minha boca com desinteresse, fazendo uma careta enquanto o gosto amargo e pungente se espalha em minha língua; porque os melhores doces eram os amargos, que baboseira do caralho.
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  Uma das telas do computador de Verônica ainda estava ligada, revelando uma planilha complexa com dados, números e informações, ao lado de uma aba com e-mails recentemente recebidos, enquanto a tela ao lado revelava apenas a capa da edição da revista que provavelmente seria lançada naquele final de mês. Puta merda, se não era minha sorte… suspiro pesado, apoiando a cabeça no encosto da cadeira de Verônica, enquanto estico os pés sobre a mesa dela, sem me importar muito com a potencial bagunça que provavelmente faria com os testes de cores e impressão. Meus olhos encontram com os de Nora na fotografia, e não posso deixar de pensar que Verônica Delaney, me conhecendo bem como o fazia, havia deixado de propósito a imagem exposta na tela para que eu visse. Não teria sido a primeira vez, tampouco a última, que ela o faria, mas estava começando a se tornar uma piada recorrente da qual eu não achava graça.
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  Talvez a piada no fim fosse eu mesmo.
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  Trinco minha mandíbula com força, massageando minha têmpora, enquanto observo o rosto de Nora. Parte de mim está ansiosa para encontrar todos os defeitos que puder nela: mentirosa, manipuladora, interesseira, mas percebo que assumir tais adjetivos para categorizá-la de alguma forma, revela apenas a amargura dentro de mim, e o fato que não dá para superar Nora James. E a pior parte? É que Nora continua tão bonita quanto ontem à noite estava, naquela porcaria de restaurante italiano, com aquele maldito vestido rosa claro, com aquele maldito batom vermelho que destacava-se em sua pele, com aqueles malditos olhos castanhos suaves, assim como estava semana passada, sentada naquela porcaria de poltrona, com o cabelo preso e roupas largas da sala de estar da mansão de meu pai, como estava no mês passado, com um maldito vestido vermelho justo, e maquiagem típica de uma perfeita esposa troféu, enquanto estava de braços dados com Hansen Spade, seu marido.
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  Era bem fodido pensar que a garota com quem eu dormia no ensino médio se tornou minha madrasta há pouco mais de dois anos. Parte de mim queria apenas odiá-la, seria mais fácil o fazer, mas a outra parte não conseguia, simplesmente porque eu a conhecia e isso complicava tudo.
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  Volto meu olhar para a porcaria do meu celular, ouvindo-o e sentindo-o vibrar em minha mão enquanto a tela se acende novamente com mais uma ligação de Hansen. Considero o que diabos ele poderia querer dessa vez, trinta ligações nas últimas vinte e quatro horas? Que pai presente. Espero a ligação cair na caixa postal, e então, disco a caixa postal, observando a quantidade de mensagem de voz acumuladas de Hansen. Em algum momento, no passado, eu teria ficado com raiva, isso teria me tirado do sério, mas agora? Agora apenas me sinto amortecido. O que era odiar alguém que você sequer enxergava como pessoa? Clico na última mensagem de voz que ele havia deixado da ligação de minutos atrás, movendo minha mandíbula, enquanto voltava minha atenção novamente para a tela de Verônica com a capa de Nora James. Alço o mouse e fecho a aba, clicando propositalmente para que nenhuma das alterações fossem salvas, antes de observar outras planilhas surgirem. Programações do mês e distribuições de tarefas, precificação e orçamentos para o baila em questão de Delaney, e mesmo a programação das sessões de fotografia com minha banda e os caras.
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  — %Thommy%, por favor… — A voz de Hansen soa entrecortada, arrastada e irregular, e ele está respirando pesado. Está bêbado e parece estar chorando. Tenho vontade de rir. — Filho, por favor… por favor só… olha eu sei que as coisas não estão… que eu não sou bom nisso, eu sei, você tá com raiva de mim, e eu sei disso, mas por favor, filho… por favor, vamos conversar sim? Só dez minutos, é tudo o que eu peço, por favor, filho… %Thommy%, eu não consigo… — Desligo a mensagem de voz, jogando o celular sobre a mesa de Verônica.
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  Não à toa tinha um Oscar.
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  Volto meu olhar para o computador de Verônica, contemplando minhas opções. Eu poderia mandar mensagem para Nora e tentar especular que diabos poderia ter acontecido com Hansen para que ele estivesse determinado a atormentar-me outra vez, mas a última coisa que eu faria depois de ontem à noite era falar com Nora outra vez. Eu poderia retornar alguma das ligações que Hansen havia feito, mas parte de mim se divertia em ouvir o desespero na voz de uma pessoa que eu não sentia nada mais do que o mais puro desprezo. Ou eu poderia simplesmente usar meu tempo livre e longe de %Lenny%, %Johnny% e especialmente %VonBrandt% para sanar pelo menos um pouco da minha curiosidade sobre %Myra% %Grayson%.
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  Não que eu tivesse algum interesse na mulher, mas veja bem, eu estava curioso. A mulher era um desastre completo! Ridícula ao extremo: em quase 4 horas naquela maldita sessão de fotos eu havia visto e ouvido chamarem-na por pelo menos 60 vezes consecutivas, e não era porque ela era importante ou essencial para algum trabalho ali que ninguém mais poderia fazer! Não, muito longe disso, ela simplesmente parecia a porra de um cachorrinho, correndo sempre que alguém chamava por seu nome, sempre disposta e prestativa, e então, ela estava em disparada para consertar alguma fiação, reconfigurar algum computador, e até mesmo passar uma hora segurando um rebatedor de iluminação eu havia a visto ser incumbida de cuidar. E puta merda, ela havia o feito tudo aquilo com aquele maldito sorriso!
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  Era de enlouquecer vê-la sorrir daquela maneira, como se fosse apenas uma máscara, o típico sorriso que parecia gritar: “não faça perguntas, apenas ignore o que está acontecendo”. O tipo de sorriso que uma pessoa covarde ofereceria para você a fim de evitar algum tipo de confronto. E, honestamente, eu não teria problema algum com uma pessoa sendo covarde, nem todo mundo queria brigar e tudo bem, mas era a personalidade dela que me incomoda. Doce. Gentil. Compreensiva… insuportavelmente compreensiva, sequer havia me acertado com um soco na noite anterior, e eu certamente merecia, especialmente por ela ter saído de seu caminho para me ajudar. Mas eu também não havia pedido por essa ajuda. E ainda assim, ela havia o feito. Porra, ela nem havia gritado ou me chutado quando roubei o saree dela. Tenho quase certeza que eu poderia fazer qualquer coisa que eu quisesse com ela que o máximo de resposta que eu acabaria receber seria um desculpa.
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  Igual a Alba.
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  Trinco meus dentes com um estalo, estreitando meus  olhos enquanto tentava puxar pelo nome qualquer arquivo que eu consigo encontrar sobre %Myra% %Grayson% no computador de Delaney. Tenho certeza que Verônica teria pelo menos um registro de informações sobre a mulher em questão porque era a porra de uma paranoica que não confiava nem mesmo na própria sombra, e isso era já o que me bastava, mas o que eu acabo encontrando não é lá muito animador. Matérias recentes assinadas por ela, tópicos estapafúrdios e desinteressantes — quem diabos queria ler sobre uma infestação de percevejos em uma filial da Target? Ou pior, quem realmente lia sobre as dez melhores formas de encontrar Bazares em Downtown? —, puta merda, que porra essa mulher escrevia para Verônica? Ela era supostamente uma repórter júnior não era? Aonde estavam as reportagens reais? A investigação ou seja lá a merda que algum repórter costumava a fazer — para mim era como um bando de urubus tentando pegar alguma palavra que eu teria dito propositalmente para usá-las contra mim e vender algumas manchetes ou acessos. E então, um pouco mais abaixo, finalmente, algo captura minha atenção.
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  Uma carta de recomendação. Clico para abrir sem saber o que eu deveria exatamente esperar encontrar ali, mas definitivamente não era a assinatura de Sean Broderick. Aperto meus lábios, me inclinando mais para frente, como se isso fosse provar a veracidade da assinatura ou não, lendo rapidamente o conteúdo da carta. Como era possível que %Myra% %Grayson%, aquela mulher, pudesse ter recebido tantos elogios pela ética e seu trabalho de Sean Broderick? Pondero as possibilidades, e um sorriso torto quase surge por meus lábios enquanto imagino o que ela poderia ter feito para conseguir a carta de recomendação. Sem julgamentos, as pessoas faziam o que poderiam para melhorar de vida, mas acho genuinamente interessante a ideia de que %Myra% %Grayson%, aquela criatura estúpida e insipida, poderia ter feito algo ruim para conseguir uma carta como aquela. Mas então percebo as referências surpreendentemente boas — não que eu soubesse alguma coisa sobre esse tipo de merda, mas bem, suponho que uma bolsista em uma Ivy League não poderia ser pouca coisa — e meu divertimento praticamente morre ali. Uma superdotada, muito provavelmente perfeccionista.
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  A porra de uma boa garota, que surpreendente.
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  E voltamos à estaca zero em relação a %Myra% %Grayson%. E pensar que por um minuto eu realmente havia acreditado que ela teria personalidade. Estou prestes a abrir o cronograma de %Grayson%, apenas pela curiosidade de saber o que diabos ela realmente era paga para fazer ali, quando uma nova mensagem aparece no topo da caixa de entrada de Delaney. O e-mail não possui assunto, mas reconheço o endereço. Hugo. Unindo as sobrancelhas, retiro os pés de cima da mesa de Verônica, imediatamente abro a mensagem, tentando descobrir o que diabos nosso empresário e produtor poderia ter para falar com Verônica.
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  Não era incomum que Hugo fizesse coisas por trás de nossas costas, na verdade, parando para pensar, era mais frequente do que deveria, mas eu estava de boa com isso, uma vez que as conversas e manipulações eram sempre sobre minha reputação. A imagem a ser vendida não era muito diferente de quem eu realmente era, então se Hugo decidia expor alguma merda que eu havia feito apenas para gerar um comentário ou cancelamento e fazer nossos nomes ganharem destaque para que assim conseguíssemos ganhar visibilidade na vitrine de Tops 10, então eu não me importava nem um pouco com o que era feito pelo caminho, desde que o resultado fosse vendas altas e nossos nomes no topo. Mas aquela mensagem não deveria estar ali. A principio considero que tenha sido para o edital que Verônica estava planejando fazer, com alguma merda sobre punk rock ou a nova geração de rockstars que não passava de uma pura desculpa para vender fotografias com a gente sem camisa e firmar o relacionamento parassocial que alguns fãs já possuíam conosco. Alimentar a fantasia rendia dinheiro, e, honestamente, com o dinheiro entrando, a ética não era minha prioridade.
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  Meus olhos percorrem rapidamente as linhas, absorvendo o conteúdo da mensagem o mais rápido que consigo, nem um pouco surpreso com as informações propositalmente vazadas sobre nosso próximo álbum em desenvolvimento, meu breve relacionamento com Agnes Moraes, uma modelo brasileira que muito provavelmente seria usada como alavanca para divulgar nosso próximo single sobre “como ela havia partido meu coração” quando a história verdadeira por trás era que %VonBrandt% havia escrito aquela música inteira por causa de um maldito pedaço de pizza que %Lenny% havia comido antes dele. E até mesmo notas de um pagamento para a não divulgação das fotografias recentes de %Lenny% se pegando com uma atriz A list de Hollywood — essa eu quase dou risada. Mas então, um pouco mais abaixo, enquanto vou clicando nas mensagens mais antigas, meu divertimento se torna em um incômodo, e então raiva ao observar o por que Hugo estava em contato com minha tia.
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  Era de se esperar que o sangue falaria mais alto, de certa forma. Era de se esperar que minha tia pelo menos consideraria meu bem estar e dos meus eticamente antes de recusar uma proposta dela. Mas é claro que um Lancaster, sempre Lancaster. Não era surpresa que Hansen e Verônica tivessem saído da porra do mesmo útero, e suponho que esse lugar tenha sido, na verdade, a merda de um lixo, porque leio atentamente o plano e a estratégia de marketing para o próximo álbum a ser lançado, e é simples: expor as fotografias de um “paparazzi” de %Johnny% e seu parceiro atual Serge publicamente. A estratégia é pratica e efetiva, vai atrair comentários, vai atrair a exposição e o burburinho necessário para fazer com que o álbum esteja no topo das pré-vendas, e que nosso nome esteja na boca das pessoas, mas é pior que isso. Havia um motivo para que %Johnny% não tivesse se exposto daquela forma publicamente, havia uma razão para que Serge fosse considerado apenas um “amigo próximo” de %Johnny%, e um dos “técnicos” de som que viajava frequentemente em nossas turnês. Não apenas pela privacidade e segurança de %Johnny% e Serge, afinal, sabíamos qual era nosso público, e sabíamos qual seria a receptividade de parte daquele público para com %Johnny% e Serge. E mesmo que este fosse apenas um empecilho em nosso caminho, o maior problema estava em Crystal.
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  Não era apenas um acordo legal que mantinha %Johnny% e Serge na porcaria do armário, era a certeza de que Crystal tomaria a guarda do filho de %Johnny% se todo este relacionamento se tornasse público — porque tudo bem ser traída e levar a fama de corna, mas que céus proíbam que você apenas descubra que seu ex-parceiro é bissexual. Os discursos religiosos e o nicho que Crystal estava inserida era o suficiente para que transformasse a vida de %Johnny% um completo inferno, e suponho que, sendo um bom pai, %Johnny% estaria disposto a tudo menos a perder a guarda de Simon.
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  Seja lá por que, eu nunca tive tal experiência então não entendia o fundamento.
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  Que maravilha! E quando eu achava que Hugo não poderia foder com a gente um pouco mais… o clic da porta do escritório de Delaney é tudo o que eu preciso ouvir para sair daquela porcaria de mensagens trocadas e voltar para a tela com Nora. Apoio meu cotovelo sobre a mesa, enquanto tento forçar naturalidade, ocultando a raiva e sentimento de traição pela ética de minha tia. Mas bem, era minha tia afinal, o que diabos eu poderia esperar dela? Limito-me a desenhar um bigode e chifres na imagem de Nora no programa de edição, como se eu estivesse o fazendo o tempo todo.
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  — Surpreendente que os anos se passam, mas você não muda, garoto — resmunga Delaney caminhando em direção à mesa em que estou sentado, e eu apenas dou de ombros, tentando escrever Vadia sobre a testa de Nora quando os saltos de Verônica param de ecoar, em um aviso silencioso de que ela havia chegado a seu destino. — Que maduro, admirável, já posso comprar um bolo com velas de 8 anos! — Volto meu olhar na direção de Verônica, e uma mistura de emoções me atinge. Meu primeiro impulso é agarrá-la por aqueles malditos ombros magros e chacoalha-la até que ela tivesse vertigem, exigindo que ela pelo menos explicasse de onde aquela maldita ideia de expor a vida privada de %Johnny% havia surgido e por quê! Mas me contenho. Se eu conhecia aquele jogo, e acredite, eu o fazia, força e ética nunca levavam a lugar algum. Então eu apenas me permito observá-la em silêncio, deixando-me cair novamente contra o encosto da cadeira dela sem desviar meu olhar. Vadia — O quê? Tornou-se sensível agora, querido? Eu nunca imaginei que isso seria capaz de acontecer. Anda, saia da minha cadeira e diz logo o que você quer.
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  Solto um riso nasalado, desprovido de emoção enquanto volto a esticar meus pés para colocar em cima da mesa dela, ciente de que isso irá a incomodar mais do que ela deixará a mostra.
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  — Você me faz sentir tão amado, tia — provoco com um sorriso torto e recebo um olhar em forma de advertência de Delaney. Desta vez, quando dou risada, é genuína. Pego meu celular de cima da mesa dela, girando-o distraidamente por entre meus dedos e bufando comigo mesmo ao ver a mensagem de %VonBrandt%, como sempre, surgir no topo de minhas notificações antes de mais uma ligação de Hansen acender a tela. — Seu estilista colocou a gente só de calça jeans, eu não faço ideia de quem foi a ideia, mas da próxima você poderia deixar a gente só de cueca, que tal? Competir diretamente com a GQ magazine, para ser honesto eu não tenho problema algum em mostrar o meu…
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  — Qual é o nome dela? — Verônica me corta abruptamente, e eu reviro os olhos, fingindo-me de ofendido.
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  — Não fala assim, vai me fazer sentir como um cafajeste.
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  Verônica lança-me um olhar, e eu abro um sorriso torto, colocando meus pés no chão e levantando-me da cadeira dela, dando espaço para que ela se sentasse. Tento manter meu sorriso enquanto ela me encara, mas sei que, se ela realmente desejasse me olhar, se ela realmente se permitisse observar minha expressão um pouco mais a fundo, então ela facilmente perceberia o cinismo em meus atos. Portanto, eu apenas dou de ombros, dando as costas para ela e decidindo explorar o escritório de Verônica.
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  Pouca coisa havia mudado do que eu lembrava de quando adolescente. Os livros continuavam em prateleiras suspensas de vidro ao lado esquerdo da porta dupla cuidadosamente decorada e estilizada com a logo da revista, a janela panorâmica ainda se estendia pelo restante do lado esquerdo, e um pequeno mezanino se encontrava à direita, onde uma escadaria de metal elegante levava a uma espécie de estúdio profissional pessoal, sabe-se lá deus por que Verônica Delaney precisaria de um estúdio pessoal, e abaixo havia um pequeno espaço que se parecia muito com uma sala de estar, exceto que era completamente branca e esterilizada.
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  Faço uma careta, espreguiçando-me, sentindo meus músculos doloridos, enquanto paro em frente da janela panorâmica. O melhor daquele lugar sempre seria a vista. Enxergar Los Angeles do topo passava a falsa impressão de que você era invencível; um deus em meio a meros mortais, desesperados e ansiosos por uma fração do que você poderia oferecer. Era fácil, viciante. Toda a adoração, toda a atenção, seja boa ou ruim, ser notado. Ser lembrado. Dá para entender por que tantos se tornavam obcecado por isso. Dava para entender por que tantos fariam o que era necessário para permanecer no topo. Sendo honesto, eu também o faria sem hesitar. Sem importar-me a quem eu teria que empurrar para debaixo do ônibus.
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  — %Myra% %Grayson%. — Não preciso olhar para Verônica para saber que os olhos dela evidenciavam sua mistura de frustração e irritação com meu comportamento.
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  — Ela não é seu tipo. — Categórica como sempre. Vadia esperta.
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  Umedeço meu lábio inferior com a ponta da minha língua enquanto exageradamente viro-me para encarar Verônica, exagerando um pouco no ato, mas bem, não era preciso de muito para que as pessoas esperassem o pior de mim. Eu também não havia feito muito esforço para demonstrar o contrário.
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  — Sou eclético. — Abro um sorriso largo para Verônica, sorrindo para ela do jeito que eu sabia que a incomodaria. Expressamente porque provavelmente a lembrava de Hansen. Ignoro a parte da minha mente que me comanda jogar-me da janela panorâmica por causa disso.  — Você sempre me disse para experimentar coisas novas. — Ergo uma sobrancelha, divertido, observando o rosto de Verônica se tornar ainda mais severo. Bom. Continue focando onde eu aponto, e não onde eu vejo.
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  — Corta a baboseira, %Thomas% — diz Verônica por fim, desviando seus olhos de meu rosto, e então voltando sua atenção para a tela do computador, os cabelos curtos, elegantemente estilizados a fazia parecer por algum motivo o que americanos acreditavam que uma francesa deveria ser, e eu questiono-me o quanto daquilo era seu personagem naquele mundo e o quanto não era. Questiono-me se ela ainda se lembrava de quem havia sido, ou se nunca sequer havia tido caráter como praticamente todos da família Lancaster. — Assumo que Isla falou com você sobre o editorial, não? É apenas publicidade, querido, não iremos divulgar nada que você não se sinta confortável, e além disso, é uma parceria, vamos atrair mais leitores para a revista, suas fãs em questão, e você fica mais rico, não parece ser exatamente um sacrifício
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  Não, vadia, você nos vender não é o problema, o problema é você foder com %Johnny% pelas nossas costas! Faço uma careta, e para meu completo desprezo, me vejo forçando um sorriso falso para Verônica, que eu, obviamente, não consigo sustentar por muito tempo. Que se dane.
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  — Soa bem errado isso.
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  Delaney ergue seu olhar para encontrar-se com o meu enquanto uma de suas sobrancelhas curvas se erguem.
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  — Criou consciência agora? Isso nunca foi um problema para você antes.
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  — Entrei pra igreja. Sou um novo homem. — Meu sorriso sai mais afiado do que deveria. Dou de ombros, passando uma mão por meus cabelos, tentando tirá-los de meu rosto, e então caminho novamente na direção da mesa de Verônica, apoiando minhas duas mãos no encosto da cadeira à frente da dela, antes de observá-la atentamente.
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  Não havia como escapar daquele maldito editorial, e fazia tempo que Hugo havia comentado sobre não apenas desenvolver alguma coisa escrita, mas um documentário sobre a banda que pudesse atrair pelo menos curiosos o suficiente para nos assistir. Observo-a clicar algumas vezes, negando com a cabeça com minha arte incrível na capa da revista de Nora, antes de passar a digitar, provavelmente respondendo seus e-mails.
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  Tenho vontade de gritar com ela, tenho vontade de questioná-la e tentar obriga-la a dizer suas motivações, mas conhecendo um Lancaster como eu conhecia, era perda de tempo. A resposta nunca valia o esforço. Estou observando o anel no dedo mindinho dela, com a insígnia da família lembrando-me de como Sean Broderick tinha um semelhante, por algum motivo, quando uma ideia me ocorre. Volto a encarar o rosto de minha tia, endireitando-me. Se não se pode contra seu inimigo, junte-se a ele. Puxo a cadeira a frente dela, e então recosto-me novamente, usando meus quadris para ajeitar-me, tentando ficar mais deitado do que sentado. Não era tão confortável quanto a dela, mas servia.
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  Verônica não é idiota, ela me conhece, para ser honesto, me conhece muito bem para perceber minha mudança de intenção com um olhar exasperado, mas uma parte de mim está inclinado a tentar puxá-la até seus limites para ver até onde ela vai. Afinal, estava no sangue o apreço por jogos.
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  — Não tenho nada contra. Se quer saber até gosto da ideia. Faça como quiser, mas tenho só uma condição. — Cruzo meus braços sobre meu peito, dando de ombros como se o assunto não me importasse muito. E eu poderia dizer que não me importava, que na verdade não dava a mínima para isso, era simples, fácil, e típico de mim, mas se fosse ser honesto, o que eu não seria para ninguém, importava sim, era %Johnny% que estava no meio daquilo tudo, o epicentro daquela merda, Então se eu não poderia evitar de acontecer, eu poderia manipular o que aconteceria. Manipular quem contaria a história, e eu sabia a pessoa perfeita para isso. — Eu escolho quem irá fazer esse editorial, ou seja lá o que seja isso que você e Hugo estão planejando. — Abro um sorriso cínico, largo, apoiando os meus cotovelos sobre a mesa, e então meu queixo sobre minhas mãos, observando o rosto de Verônica se tornar mais rígido, impaciente. Ela sabe o que vou dizer antes que as palavras saiam de minha boca, mas ainda assim as digo, apenas pelo prazer de irritá-la. — Eu quero %Myra% %Grayson% como responsável. a %Myra% %Grayson%. É isso ou eu estou fora.
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  NOTA DA AUTORA: %Thommy% iria MUITO compor uma música: “eu peço respeito pros meus %Johnny%” e nem é ironicamente.

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Lelen

Vivendo uma história de amor e ódio com o Thommy nesse momento HAHAHAHA
Entendi de onde veio essa raiva toda dele com a Myra, Freud explica, mas bora fazer uma terapiazinha pra resolver isso aí? 🥹🥹
E essas famílias da história… Não tá tendo uma que se salva, né? A não ser a família de amigos, mas as de sangue… Olha…
E agora eu quero entender como é que uma garota ex-peguete do Thommy virou a madrasta dele e com qual intuito. Prevejo confusões com essa parte da história, apenas.
Quero ver Myra alçando voo em breve e também dando uns tapas na cara de todo mundo (aceito um tapa na cara do Thomas também HEHEHEHE) que um dia duvidou dela, mas principalmente, quero um socão na cara da família dela (menos na Isha porque ela é um amorzinho), mas um socão bem dado que deixe todo mundo com cara de tonto HAOISHANOSINOAS

Soldada

KSKSKAKSKSKS querendo ou não, o Thommy e a Myra se espalham muito, exceto que a forma de reagir deles é diferente, pela maneira com que sobreviveram e se adaptaram ao mundo que estão inseridos. Ksksksksks mulher nem te conto, essa treta aí da Nora com o pai do Thommy é beeem… alguma coisa. Myra dando tapa na cara do Thommy é bem capaz do Thommy gostar ksksksksks

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