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The Runes

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen

[02] • Lado A - 02 Track: Breaking Things

Tempo estimado de leitura: 48 minutos

EMPIRE  • JANEIRO

  %LENNY% %MADDEN% (Baixista e backing-vocal da The Runes): Cara… nossa, que pergunta. Tô ligado que tem um monte de repórter que pergunta isso aí pra gente, mas na maioria das vezes é o %Thommy% quem responde. O cara manja, tá ligado? A gente só segue a liderança dele e fica de boa (pausa) ah, não faço ideia não, na moral. Só lembro de um dia tá tirando umas notas, meio por preguiça mesmo, tá ligado? Testando na loja do Mick Morse (risos) olha, se tu é de Birmingham com certeza tu precisa ir na loja do Mick. Lá tem de tudo, discos de vinil, instrumentos de qualidade, cabines pra você escutar um som bem estilo anos 80, até tabuleiro de xadrez tem lá, tá ligado? Tinha um estúdio no segundo andar também, eu lembro, mas não sei se ainda funciona. A gente deixou bem zoado numa das últimas vezes que a gente foi lá, e o Mick ficou puto pra caralho. Meio que baniu a gente de voltar lá (risos) não que a gente não entre sem ele saber (risos) aí, na moral, corta essa parte, o Mick vai caçar a gente vivo se souber. Ah, onde eu tava mesmo? (pausa) ah, sim, porra eu esqueci! Na loja do Mick Morse, né? Então, eu tava lá, só pra testar uns baixos novos, tá ligado? Passar um som, eu nem tinha dinheiro pra comprar nada lá, e aí, alguém, sei lá, cara, só bateu no meu ombro. Quando eu virei pra ver quem era, porra (risos) era %Thommy% %Riggs%.
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  Eu fiquei parado encarando ele, porque era a porra do %Thommy% %Riggs% na minha frente, tá ligado? Olha eu não sou exatamente fã do pai do cara, mas tenho que admitir que cresci vendo os filmes dele, e o %Thommy%, porra é a cara do pai, tá ligado? Olha, muita gente pode falar o que quiser desse otário, e eu vou concordar. Ele é sem noção, desagradável, todas essas palavras chiques que vocês usam, tá ligado? Mas o filho da puta é impressionante, tá ligado? Porra (pausa) olha, eu sei que isso vai soar esquisito, até porque vocês não conhecem o mesmo %Riggs% que a gente conhece, mas sei lá, cara… tem algo nele, tá ligado? Como… como, hm… porra qual é a palavra mesmo? Compete, não, é outra, parecida com essa, ô caralho eu não tô conseguindo lembrar agora (risos seguido de pausa longa) compete, compele, isso! Compele! Então, cara, ele tem algo dentro dele que é surreal, tá ligado? Meio que te compele, não sei, te magnetiza e você não consegue evitar. Quando vai ver, você já tá orbitando ao redor dele, é bizarro.
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  A gente se conhecia da escola, mas não era lá muito amigo. Ele era meio caladão, na dele, e eu andava com um pessoal mais descolado, tá ligado? A gente até chamava ele pra ir com a gente nos rolês, mas ele sempre recusava, alguns diziam que ele se achava legal demais para colar com a gente. Eu achava que ele só não curtia rolês undergrounds pela cidade, mas aí lá tava ele, cara, na minha frente, no Mick’s. Eu não tinha ideia que o cara curtia punk e Metalcore, ele sempre pareceu mais um… ah, sabe como é né? Aqueles riquinhos de Hollywood, tá ligado? Qual é, o cara é um Nepobaby (risos) é assim que fala? Eu não sei direito, só vi uma galera chamando algumas pessoas dessa maneira e achei engraçado pra porra. Então, o cara era um Nepobaby, tá ligado?
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  A gente meio que assumiu que ele frequentava, sei lá, Chelsea, coisa de esnobe mesmo (risos), porra, o cara era outra pessoa fora da escola, te falar, na moral! É impossível você não amar e odiar %Thommy% %Riggs%, cara, é quase como ar, tá ligado? Meio instintivo, essa porra toda (risos).
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  %EDDIE% %VONBRANDT% (Guitarrista da The Runes): É um completo idiota (pausa), estou falando sério, %Thommy% %Riggs% é um completo idiota. É a pessoa mais egoísta que eu já conheci em toda a minha vida, e vai assumir isso pra você com orgulho. Às vezes é… (pausa longa) porra, às vezes é insuportável. O cara tem tudo na porra da palma da mão dele. O mundo inteiro, sabe? O que ele quiser! Mas não faz nada de útil para aproveitar isso. Tem ideia de como é assistir tudo isso de canto? Porra… ele é um maluco que deram palco, e a gente não pode fazer nada sobre. A The Runes é muito mais do que %Thommy% %Riggs%, sabe?
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  %JOHNNY% %DOYLE%(Baterista da The Runes): O %Thommy%? Irmão, não sei não, ele é bem caladão, na dele, saca? Não, não, eu não acho que ele seja introvertido, a maioria das pessoas dizem isso e é bem errado, eu só acho que ele não curte muito as pessoas, só isso (risos). Se quer saber, não dá pra culpar muito o cara, irmão (pausa) eu não sei se eu iria curtir muito as pessoas se meu pai fosse Hank Spade (Hansen Spade, ator, produtor e diretor de Hollywood). Essa exposição desde pequeno, ela acaba com a mente, saca?… Olha, eu tenho um também, que eu fiz eu mesmo, saca? (Simon %Doyle%, dois anos, fruto do relacionamento com Crystal Flowers, influencer digital) e eu e a mãe dele temos um acordo bem claro: a gente vai manter ele anônimo. Não interessa se alguns fãs se sintam magoados, podem ficar, meu filho não vai ficar aparecendo por aí. Irmão, é bizarro, saca? Se já é mó bizarro pra gente, que é adulto, imagina pra um pirralho, saca? E você estar exposto desde criança assim, com os olhares de um monte de gente em você, tu não vai ficar legal da cabeça não, saca? O %Thommy% não ficou (risos).
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Olha, ele nem fazia parte da formação inicial dessa banda, se quer saber, foi coisa do acaso ou dinheiro, chame da forma que você preferir. Eu tava no secundário, acho, não lembro direito, mas conheci primeiro o %Johnny%. Ele morava na mesma rua que eu. A mãe dele, a tia Kate (Katherine %Doyle%, dona de casa), uma mulher adorável, tão gentil e compreensiva, ela sempre usava esse, como eu posso dizer? Não era um avental direito, mas parecia muito com um, amarrado na cintura com o formato de um pavão, ela mesma que fazia e eu achava a coisa mais genial que já tinha visto na vida porque parecia que cabia de tudo ali dentro. Um bolso com o vazio dentro, sabe? Eu achava genial. Então, tia Kate costumava pedir para que meu irmão (Leon %VonBrandt%, Professor de História Celta e Nórdica em Oxford) ficasse de olho em %Johnny%, então primeiro a gente só ia e voltava junto da escola. Coisa de criança, às vezes, quando meu pai nos dava algumas moedas, a gente parava pra comprar sorvete e ficava discutindo sobre qual sabor era o melhor, e sempre acabava em briga.
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  %JOHNNY% %DOYLE%: %Eddie% colou em casa um dia, saca? Acho que foi um sábado, pô não lembro, faz tempo demais (risos) mas era sábado, a gente tava com uns 10 anos, acho que 11 talvez, irmão, uma idade por aí, todo bagunçado, cabelo igual um ninho de rato, com a mochila nas costas, os livros tinham caído no meio do caminho porque o idiota tinha esquecido de fechar a mochila (risos) aí ele me disse: “anda logo, punheteiro, a gente tá atrasado”, e eu fiquei “ué? Atrasado pro que, doente?” e então, com a cara mais estúpida que eu já vi (risos) não, sério, cara, cê tinha que ver (risos) %Eddie% disse “pra escola!” (risos) cara, eu nunca chorei de rir tanto na minha vida! E ele tava real acreditando que a gente tava atrasado, irmão. Minha mãe teve que explicar pra ele duas vezes até a gente descobrir que foi o Leon que tinha mexido no celular do %Eddie% pra fazer uma pegadinha. Mermão, te falar uma coisa, aqueles foram bons tempos (pausa) aí, como o mano já tava em casa, saca? Eu chamei ele pra entrar e a gente passou a tarde inteira na cola do meu pai.
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  Sabe (pausa breve), meu pai tinha esse sonho de ser cantor também. Acho que toda criança quer ser alguma coisa importante, saca? Uma coisa que parece impossível, mas que se realiza pra alguns poucos aí. Meu pai era um bom cantor, saca? (George %Doyle%, aposentado, falecido no fim de 2019). Acho que ele teria sido alguém se tivesse tido a sorte que a gente teve, mas então a vida aconteceu pra ele. Minha mãe acabou engravidando e ele entrou pro exército, saca? A gente não era rico como o %Thommy% ou o %Lenny%, mas dava pra viver bem, saca? Mas meu pai passou muito tempo na base militar do que em casa, então crescer foi meio… sei lá, irmão, esquisito? Não é que eu não amasse meu pai, é só que demorou um pouco pra conhecer ele, saca? Mas nesse dia ele tava lá, surpreendentemente.
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: O tio George tinha um espaço de música maneira improvisado no porão. Tinha de tudo lá, sabe? As coisas do exercito dele, medalhas e fotos dos colegas dele, ele contava umas histórias malucas, sem pé nem cabeça, e nunca tinha fim, sabe? (risos) mas a parte mais legal daquele lugar era os instrumentos que ele tinha lá, espuma acústica porque tocar alto fazia a tia Kate ficar com dor de cabeça. Tinha uns discos de vinil antigo, uma vitrola também, era foda, sabe? Lembro que eu e %Johnny% costumávamos inventar esses trabalhos em grupos falsos dizendo que ia estudar lá, e a gente ia sorrateiramente pro canto do tio George depois da meia noite, pra virar a noite lá. É claro que a gente foi pego, mas no fundo, acho que tio George nunca se importou, sabe? Era um bom homem (pausa) Uma vez vi ele tocando a guitarra, e porra, foi naquele momento, sabe? Quando eu ouvi ele explicar como podia tirar diferentes nos, até mesmo imitar uma risada com aquelas linhas, como a música poderia se moldar ao seu próprio desejo, bastava apenas dedicação e coragem, eu soube na hora, eu queria fazer aquilo. Eu tinha nascido pra fazer aquilo. Não importava o que eu precisasse fazer, eu queria me tornar o melhor na guitarra, queria ser como o Vedder ou o Hendrix, sabe? Custasse o que custasse, eu ia me tornar um deles.
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  %JOHNNY% %DOYLE%: %Eddie% praticamente passou a morar com a gente depois disso (risos).
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  LEON %VONBRANDT%: Meu pai (Klaus Hoffman, aposentado, Coach de Relacionamentos) foi embora quando %Eddie% tinha uns 12 anos, eu estava com 16 na época já. Foi difícil (pausa) a gente vê esses caras como nossos heróis e conforme vai crescendo vai percebendo que na verdade não são essas criaturas invencíveis, na verdade são bem mais decepcionantes, e meu pai (pausa) não foi o melhor pai do mundo, foi? Minha mãe (Sara %VonBrandt%, aposentada) que trabalhava na época como garçonete no Tom’s Dinner teve que encontrar um segundo emprego, como ajudante de cozinha no Le Claire’s, então ela quase nunca estava em casa depois que o pai foi embora. Eu também trabalhava em um açougue, como ajudante, por meio período, e por causa disso não conseguia ficar de olho em %Eddie% pra ajudar minha mãe, então tio George foi o pai que a gente não teve durante a adolescência, uma ajuda e tanto, se quer saber. Às vezes parecia que %Eddie% era mais irmão de %Johnny% do que meu (risos)… não dá pra culpar, entende? Minha mãe e eu tínhamos a casa e o aluguel para segurar, responsabilidades demais para dividir tempo com %Eddie%, ele era só um garoto na época (pausa longa) me sinto culpado, se quer saber? Por ter falhado como irmão mais velho, por não ter estado lá quando %Eddie% precisou. Ele teve tio George, mas ainda assim, eu não estava lá, né?  A gente se acertou quando ficamos mais velhos, e meus filhos amam o tio deles, mas a verdade é que não dá pra apagar essa parte (pausa longa). Continua se repetindo na minha cabeça, se quer saber. Eu sei que %Eddie% chegou longe, o cara é uma estrela do rock agora, é o maior orgulho da minha mãe, então… tio George foi o melhor tutor que %Eddie% poderia ter tido (risos) cara de sorte. Mas ainda foi uma falha minha, sabe? Não consegui dar pra %Eddie% o mundo que ele merecia quando era pequeno, e isso  é inteiramente culpa minha.
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Aprendi vendo. Claro, não chegava nem aos pés do tio George, mas comecei de pouquinho a pouquinho. Minha mãe me deu uma guitarra usada, quebrada porque era só o que o nosso dinheiro dava de presente de Natal, e porra (pausa), foi o melhor presente que já ganhei na minha vida. Eu lembro de ter corrido pra casa de %Johnny% para mostrar pro tio George meu presente, e ele me ajudou a consertar. Acho que levou uns seis meses para conseguir deixar ela boa de novo e funcionando. Tio George me ensinou muita coisa.
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  %JOHNNY% %DOYLE%: Às vezes acho que %Eddie% era o filho que meu pai sempre quis ter tido (risos seguido de pausa) ah, irmão, que isso, nunca, meu pai era gente boa, ausente por causa do trabalho, sim, mas depois que ele recebeu dispensa por causa da perna dele, ele enchia o saco (risos) tô falando sério, saca? O cara não desgrudava, acho que era o jeito dele de compensar pelo tempo que ele passou fora de casa, então, toda vez que o %Eddie% tava em casa eu e minha mãe podíamos respirar (risos). Acho que em algum momento eu me senti meio de fora e comecei a passar tempo com %Eddie% e meu pai, brincando com os tambores. Eu sei que irritava pra caralho eles (risos) então eu me divertia. A gente cresce ali, irmão, e pode parecer pouco, mas eu não mudaria nada.
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  %LENNY% %MADDEN%: A gente estudava em um colégio interno, coisa de rico, em Birmingham. Uniforme e tudo, tá ligado? Eu odiava aquele lugar. Nossa, eu odiava pra caralho, a gente tinha uma reitora, a Sra. Vidal, e puta que pariu, ela era como o demônio, saído dos quintos dos infernos, se você respirasse errado, ela sabia. Minha família não ligava muito para o que eu queria fazer, desde que eu estudasse. Estudo era importante pra minha tia, tá ligado? (Ophelia %Madden%, socialite, Cofundadora da Venom Perfum) eu e meus primos tínhamos uma lista com notas estabelecidas e era reportado pra minha tia, tá ligado? Aí se a gente tivesse com nota baixa, acabava de castigo, mas de resto? A gente podia fazer o que quisesse desde que tivesse responsabilidade. Eu não tive uma fase rebelde, tá ligado? Aí, %Johnny% conseguiu uma bolsa que a escola oferecia e havia passado a estudar comigo. O cara era o que…? Uns, sei lá, dois anos mais novo que eu, e mandava bem pra caralho nas matérias.
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  Lembro que inicialmente a gente havia começado só pra melhorar as notas, mas aí, então, ter uma arrecadação de fundos da escola, e bum, lá tava %Johnny% e %Eddie%, com mais uma garotinha bonitinha, que eu não lembro o nome (Holly Jenkins, administradora, empresária da Spice & Dice).
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Holly Jenkins.
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  %JOHNNY% %DOYLE%: A Holly! Porra que saudades da Holly! Era minha vizinha, gente boa pra caralho (risos) ela tinha essa obsessão por Sailor Moon, fez eu e o %Eddie% se fantasiar de Sailor Mars e Sailor Pluto no Halloween uma vez (risos) a minha mãe tem até hoje as fotos.
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Sem comentários.
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  HOLLY JENKINS: Depois que o %Johnny% foi pra aquela escola de riquinhos babacas, o %Eddie% meio que sobrou na escola, tipo, não era que ele não fosse legal, mas tipo, ele era bem estranho, tipo, mesmo estranho. Eu ficava com a turma do teatro, então não era muito esquisito pra gente, aí um dia a galera toda decidiu jogar RPG e tava faltando uma pessoa. Já que o %Eddie% tava lá, a gente chamou ele pra participar. Depois disso, tipo, ele virou presença constante lá. Tipo, enquanto o %Johnny% tava fora, na escola, eu ficava junto com ele e a gente trocava playlists e até mesmo algumas partituras, era legal, tipo, eu gostava bastante, mas não era meu sonho, sabe? %Eddie% e %Johnny% nasceram pra virar estrelas do rock, sabe? Mas eu não, detesto multidões, ugh, só de pensar me dá calafrios (risos).
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  %LENNY% %MADDEN%: Na época eles se chamavam de Dregs (risos) bem edgy e underground, eu sei, eu sei, meio paia, tá ligado? Mas cara… quando eles começaram a tocar um cover de Talking in your sleep, a galera ficou doida, falo sério, foi uma festa. Não teve uma alma viva ali que não se divertiu com a música naquele dia, depois disso, eu grudei no %Johnny%, e de quebra conheci o %Eddie% e a menina lá. Fui de cara com %Eddie% na hora.
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Eu odiei o %Lenny% de cara (risos).
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  HOLLY JENKINS: Ele parecia um pirata, tipo, sério mesmo, igual Piratas do Caribe, meio tipo Howl de Castelo Animado, bem flamboyant¸ tipo, um Casanova total. Tive uma quedinha, admito.
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Não é que eu não goste de gente privilegiada, tenho até alguns amigos que são (risos) mas é como falar com pessoas fora da realidade, sabe? Eles simplesmente não entendem as coisas ou veem as coisas da mesma forma que você. Idiotice pura. Mas %Lenny% não era assim tão ruim de se ter por perto, se quer saber. Ele era tolerável.
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  %LENNY% %MADDEN%: %Eddie% era engraçado pra caralho, dizia umas coisas que fazia até a minha tia rir alto. Olha, %Eddie% é um pau no cu na maior parte do tempo. Tem seu charme, mas é um pau no cu, é o melhor de nós quatro, tá ligado? %Eddie% tem força de vontade, o cara é uma lenda entre a gente, tá ligado? Ele é o cara que faz essa banda funcionar, tá ligado? O %Thommy% pode ser o rosto da banda, mas é o %Eddie% que também faz isso funcionar.
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  %JOHNNY% %DOYLE%: Quando a Holly saiu da banda, a gente ficou desfalcado, saca? A gente tinha começado a se arriscar um pouco em alguns pubs por volta da cidade, saca? Não era muita coisa, a gente só fazia alguns covers, às vezes testava uma música que %Eddie% havia composto, mas não era algo que a gente pensava que, pô é o começo (pausa) aí o %Thommy% apareceu.
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  %LENNY% %MADDEN%: A gente tava pra subir no palco, e %Eddie% não tava com a garganta legal aquele dia. Eu lembro que tinha chamado o %Riggs% pra vir assistir a apresentação, tá ligado? O cara conhecia os melhores lugares da cidade, então não foi lá uma surpresa ele ir até o pub aquele dia. A gente ia cancelar a apresentação, tá ligado? Se %Eddie% estava com a voz ruim, então não dava pra se apresentar, mas aí, cara… (pausa) porra, aí o %Thommy% subiu no palco com a gente, e pegou o microfone. Juro, cara, o bar inteiro parou!
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  %EDDIE% %VONBRANDT%: Não dá pra negar, sabe? O cara é o melhor no que faz. Quando ele subiu no palco aquela primeira vez, foi como se a gente tivesse assistido alguma coisa acontecer, uma realidade nova, sei lá. A voz do %Thommy% é de outro mundo, não dá pra explicar, quando ele começou a cantar aquele dia eu soube que a gente chegaria longe. Ele tem essa coisa, sabe? Não sei como explicar, ele hipnotiza as pessoas, consegue harmonizar e transacionar por entre as notas como se fosse uma natureza dele, %Thommy% nasceu pra isso, sabe? Só tem um problema nisso tudo.
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  %THOMMY% %RIGGS% (Vocalista e Segundo Guitarrista da The Runes): Eu nunca quis ser famoso.
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  %MYRA% • AGORA.
  Los Angeles, California.

  — Sam, cadê minha calça? — Luc grita pela quinta vez, e eu não consigo deixar de sorrir por trás da caneca com café preto forte.
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  Todos os dias, sem falta, Luc se levanta questionando onde estavam as calças dele para Sam, e, todos os dias, sem falta, Sam dizia que não tinha ideia de onde estavam, enquanto as usava descaradamente. Volto meu olhar para o tablet em minhas mãos, pensativa, analisando os anúncios de apartamento enquanto caminho entre a cozinha e a sala de estar deles, buscando ao mesmo tempo pelo meu carregador, que deveria estar em algum lugar daquela casa, ou então eu deveria ter esquecido no trabalho, e isso sim seria pior. Repouso a caneca sobre a mesa de centro da sala, em cima de um pequeno porta copos antes que Luc pudesse surtar comigo por manchar sua mesinha de centro de mogno, enquanto retiro as almofadas de formas e cores diferentes, incluindo uma com o rosto de Nicholas Cage que havia dado de presente para Sam, antes de suspirar exasperada. Meu carregador não estava em lugar nenhum, e meu celular estava descarregado desde a noite anterior.
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  — Algum de vocês viu meu carregador? — grito da sala, antes de alçar minha caneca e voltar para a cozinha. Do banheiro escuto um sonoro não de Sam antes de ela voltar a cantar desafinadamente She’s a fever da banda The Runes. Apoio o tablet entre meu peito e meu queixo, retirando as duas torradas de dentro da torradeira, e desligando o fogo osbacons que Luc comia todos os dias, antes de equilibrá-los com minhas mãos e repousá-los sobre os guardanapos de tecido, pintados a mão, de Sam. — Café da manhã tá pronto! — aviso, e então, me sento em um dos bancos altos ao lado da bancada da cozinha deles, voltando a ler as informações que Pietro, o corretor de imóveis de Sam e Luc, havia me enviado aquela manhã. Aperto os lábios, analisando as propostas dos apartamentos em potencial, e até mesmo uma casinha, pequena, mas confortável perto de Santa Mônica.
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  — Você esqueceu no seu cubículo ontem, a Marlene pegou, mas disse que vai te retornar hoje na reunião das 10. Usa o da Sam enquanto cê tá aqui — avisa Luc, entrando na cozinha e fechando a camisa ridícula com estampa de Ets e naves espaciais que somente ele usava.
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  Ah, mas que merda! Eu sabia que tinha esquecido alguma coisa quando estava saindo do trabalho ontem, mas bem, como eu não poderia esquecer, receber um ultimato do meu pai para comparecer ao jantar de anúncio de noivado de Maya e Rowan não era exatamente o tipo de notícia que você recebia de última hora e ficava feliz por isso.
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  Me levanto parcialmente do banco para alçar o carregador de Sam, desenrolando-o com cuidado, e tentando não revirar os olhos antes de conectar em meu celular para tentar carrega-lo ao menos parcialmente para aguentar até que Marlene Karmann chegasse no trabalho, já que era, tecnicamente, minha supervisora na revista. Com meu celular no carregador, volto novamente minha atenção para o tablet com um suspiro pesado, pesando os prós e os contras da última proposta que Pietro havia me enviado, tentando ignorar a parte de minha mente que sente que aquilo era completamente injusto, mas bem, era o primeiro passo para seguir em frente, encontrar um outro apartamento para viver, um, de preferência o mais longe possível de Maya e Rowan.
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  — Alguma sorte? — Luc passa os braços pelos meus ombros, em um abraço meio desajeitado e típico de Luc, beijando minha têmpora, enquanto se inclinava para a tela do tablet comigo. Suspiro pesado, dando de ombros singelamente, diminuindo o problema, como sempre.
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  — Não muita. Alguns anúncios em Santa Mônica, o que é pelo menos umas duas horas da editora, e então uma daquelas mansões velhas de filme de terror em Pasadena, que são caras demais para que eu possa pagar sozinha — resmungo com um tom baixo, mas tentando soar mais animada e determinada do que eu de fato me sentia. Dou um tapinha carinhoso no antebraço de Luc, e então entrego o tablet para que ele possa analisar as propostas de Pietro.
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  — Olha, se quiser, Sam e eu podemos te ajudar a pelo menos dar uma entrada legal nessa mansão velha. O preço tá muito mais barato do que aqui se quer saber — Luc, como sempre, oferece, e eu não consigo conter um sorriso com o apoio de meu amigo, especialmente quando sentia que não havia ninguém mais disposto a me apoiar como os dois o faziam, mas, novamente, eu já estava morando com eles naqueles últimos meses, sentia que estava abusando de sua bondade, e não podia o fazer mais ainda. Quer dizer, parte de recomeçar, para mim, era a necessidade de provar a mim mesma que eu conseguia sobreviver sozinha, sem precisar do apoio de ninguém. Aperto meus lábios, pronta para negar, quando Samantha entra na cozinha com uma expressão fingidamente exasperada.
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  Vejo Sam me lançar um olhar, antes de revirar os olhos, negando com a cabeça, enquanto secava distraidamente os cabelos recentemente tingidos de azul claro como céu, desalinhados. Ela chuta minha perna direita para que eu tire o pé de cima do banco ao lado do que estou sentada, e eu dou-lhe a língua, enquanto Sam se sentava ali, pronta para acabar com os bacons antes que Luc. Como toda manhã acontecia.
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  — Eu não sei por que você tá fazendo todo esse drama, %Gray%-%Gray%, eu já disse que você está perdendo tempo aqui — resmunga Sam enquanto alça mais um bacon, mordendo-o com um suspiro de satisfação, e Luc solta um chiado, me soltando e tomando a frigideira para si, lançando um olhar exasperado para Sam, que joga um beijo no ar para ele, rindo baixo.
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  Eu suspiro, rindo comigo mesma, mas ao mesmo tempo, tentando não evidenciar a pequena pontada que sinto em meu peito ao perceber que, apesar de já terem se passado três meses, eu ainda sentia falta de Rowan e da intimidade que a gente tinha. Se ele ao menos não estivesse compartilhando a mesma coisa com Maya… Sam acerta um soco leve em meu ombro, me despertando de meus próprios pensamentos antes de agarrar meus ombros e me chacoalhar, como se estivesse tentando colocar algum senso em minha mente. Eu dou risada.
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  — Vai. Para. Londres. Caralho!
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  Luc solta um estalo com a língua, exasperado.
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  — Para de expulsar nossa filha dessa casa, Samantha! — Luc desaprova, e eu dou o dedo do meio para o homem, em resposta ao comentário. Enterro meu rosto em minhas mãos, negando com a cabeça, enquanto Samantha solta um risinho divertida. Ótimo, agora eu era a filha do casal. Deixe para Luc fazer piadas a plena 6 da manhã. — Não se preocupe, querida, você vai achar algo em breve.
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  Samantha se levanta do banco que estava sentada, e então vai em direção à geladeira, abrindo-a por um momento antes de alçar o suco de laranja. Ela anota alguma coisa na lista que deixávamos na geladeira para avisar o que havia acabado, e eu faço uma anotação mental de pegar a lista e passar depois do trabalho no supermercado para comprar o que estava faltando.
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  — Eu não tô expulsando ela. %Gray%-%Gray% sabe que a gente sempre vai ter um quarto para ela onde quer que a gente esteja, mas qual é! %Myra%, por deus, você tem literalmente um convite de Broderick em pessoa pedindo para se juntar à equipe de pesquisa dele! O cara acompanha seu trabalho, estava encantado com a reportagem investigativa que fez para o Daily CA — diz Sam com um tom de voz afetuosamente exasperado, enquanto me dá um tapa na cabeça e eu repouso a caneca de café, agora quase vazia, sobre o balcão, antes que possa derramar café acidentalmente para o horror de Luc. Eu suspiro pesado, apertando os lábios. Bem, ter um nome importante da advocacia interessado no meu trabalho, não era exatamente algo promissor.
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  Levanto-me para pegar de um dos armários a pasta de amendoim que Sam havia comprado para mim como “compensação” por ter tomado o restante das minhas cervejas semana passada, e então passo na torrada com o suspiro dramático de Sam. Luc franze o cenho, voltando seu olhar para a namorada, parecendo surpreso.
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  — Além disso, é Londres! A quilômetros do palhaço de Rowan e aquela desculpa de ser humano que você chama de parente. Se estiver se sentindo triste, você pode só pegar uma balsa e ir para qualquer lugar na Europa, não era seu sonho viajar o mundo?
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  A descrença de Luc em minhas habilidades é quase semelhante a de meu pai, e isso me faz rir baixo dele, porque, talvez, ele realmente estivesse assumindo o papel paterno em minha vida que estava vago há um bom tempo.
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  — Espera, Broderick? O Broderick? O do debate com o Pierce semana passada? Nem fodendo! Quando isso aconteceu, por que nenhuma das duas me contou isso? Que filhas da puta! — Luc se aproxima de Sam em dois passos, como sempre fazia quando Sam chegava para contar alguma fofoca do trabalho ou dos vizinhos, praticamente alçando Sam para cima, a fim de se sentar no banco que Sam estava, e então colocando Sam sentada em seu colo.
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  Observo ela digitar no tablet, provavelmente abrindo meu e-mail, e então mostrando a mensagem em questão. Luc solta uma exclamação muda, arregando os olhos, antes de abrir um sorriso largo que deixa suas covinhas expostas, ao encarar Sam com olhos brilhando e voltar-se para mim animado. Uma animação que eu não compartilhava de fato.
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  — Tá de brincadeira, %Gray%? Você tem que aceitar!
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  — Não é? Agora tenta convencer ela disso. — Lanço um olhar na direção de Sam, dando uma mordida na torrada, antes de dar de ombros singelamente.
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  — Não é… — começo a dizer, mas me interrompo, tentando engolir o restante da torrada em minha boca, antes de pigarrear para clarear minha garganta, enquanto aponto para o tablet, dando de ombros. — Não é bem assim. Professor Broderick me convidou para fazer parte do time de pesquisadores dele, mas tem condições, ele me deu um ano para desenvolver meu portifólio com matérias investigativas relevantes, criar um nome para mim, entende? Mas eu estou na Empire o quê? Há cinco meses já? Não vai dar tempo, e eu duvido muito que Professor Broderick irá se interessar em ler as últimas fofocas da semana de Hollywood que estão no meu portifólio. — Sam aperta os lábios, me lançando um olhar enquanto passava os braços ao redor dos ombros de Luc. Eu dou de ombros, limpando minhas mãos no guardanapo de Star Wars de Sam, antes de caminhar em direção a onde meu celular está carregando, e minha bolsa. — Além disso, eu não tenho nem dinheiro para pagar uma casa aqui, imagina na Inglaterra. — Limpo minha boca rapidamente, guardando o meu celular no bolso da frente da minha calça de alfaiataria antes de alçar minha bolsa e pegar de volta o tablet da mão de Luc. — Tenho que ir mais cedo, Delaney quer que eu ajude com a reunião das próximas pautas e Marlene precisa de ajuda com o equipamento de fotografia, eu vejo vocês na hora do almoço? — Beijo a testa de Sam, e então dou um tapa de leve na cabeça de Luc que bufa exasperado, caminhando rapidamente para fora do apartamento antes que qualquer um dos dois dissesse mais alguma coisa sobre o convite de Professor Broderick.  
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  Não era somente a falta de tempo e dinheiro que me impediam de aceitar a proposta de Professor Broderick. A proposta, na verdade, era excelente, e o trabalho como pesquisadora pagava bem, era algo que eu gostava de fazer embora não fosse exatamente meu sonho de fato, mas a ideia de deixar a Califórnia, de mudar para outro continente, não era apenas assustadora, era desconfortável. Parte de mim, no fundo, sabia que se eu saísse da Califórnia, eu perderia de vez meu pai para sua família. O que quer que restava de nosso relacionamento, se é que ainda havia algo a essa altura, iria desaparecer completamente com a distância, além disso, o que seria de Isha naquele lugar? Talvez eu devesse ser um pouco mais egoísta, talvez já não tivesse mais nada para lutar ali, mas a ideia de Isha assumir o meu papel como o alvo do desprezo de Indira, não era exatamente confortável, especialmente porque ninguém mais poderia assumir o posto de garota de ouro que Indira havia dado a Maya.
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  Mas enquanto desço rapidamente as escadas, eu releio o e-mail que a equipe de Professor Broderick havia me enviado com os requerimentos necessários e os prazos estipulados para que eu pudesse competir pela vaga em sua equipe. Tomo uma lufada de ar gélido do inverno, apertando os lábios.
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  Eu ainda tinha algo a perder aqui?
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•••

  — Finalmente, %Grayson%! Meu Deus, cara, como pode você ser tão lerda assim? Se fosse para ser uma imprestável nem teria te ligado, que saco!
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  Abro minha boca para responder Marlene Karmann, mas não consigo pensar em nada que possa justificar sua explosão comigo, então eu apenas fecho minha boca, assentindo em concordância enquanto lanço um olhar breve na direção do relógio preso em meu pulso esquerdo.
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  Não estou atrasada, na verdade, estou no horário combinado com Marlene. Questiono-me, portanto, que diabos eu possa ter feito para ter merecido aquele comentário, mas me impeço em aprofundar muito naquilo. Marlene era assim mesmo: explodia com todos ao seu redor, dizia coisas cruéis e queria apenas sentir-se correta, sem se importar com mais nada, porque estar certa era tudo para ela. Dizia constantemente que ninguém a compreendia, e que ela era desvalorizada por todos ao seu redor, mas sendo bem honesta, a verdade era que se as coisas não fossem do jeito dela, se ela não tivesse o foco de tudo sobre si mesma, e ela não tivesse alguém para descontar suas frustrações e apontar como algum tipo de vilão, então ela iria implodir. Não era que Marlene fosse uma pessoa ruim, ela não era. Às vezes era bem doce, e muitas vezes conseguia iluminar uma sala inteira apenas com uma piada ou um comentário, mas somente se você oferecesse algo para ela. Uma heroína incompreendida de sua própria mente, mas bem, não éramos todos assim?
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  Suspiro pesado. História da minha vida, aparentemente: não ter valor algum senão oferecer ou servir para algo. Balanço minha cabeça, tentando usar o movimento para afastar meus próprios pensamentos, concentrando-me na tarefa em mãos e em prestar atenção no que Marlene estava dizendo, embora minha atenção esteja parcialmente dividida. Há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, Marlene está falando rapidamente alguma coisa à minha direita, gesticulando e provavelmente contando sobre sua noite incrível com Aaron e todo o drama que envolvia a vida de Marlene onde os homens com quem ela saía eram seu foco total. E ao mesmo tempo, o eco distante das conversas de Scott, Trevor e o fotógrafo a alguns passos de distância de onde estamos é alta o suficiente para que eu possa captar poucas palavras por acidente, o ruído dos carros estacionando, a luz do sol nascente começando a se intensificar, a sensação sufocante e desorientadora. Tento disfarçar o desconforto apenas assentindo e oferecendo a Marlene um sorriso em concordância ao que quer que ela estivesse dizendo, enquanto levava minha mão esquerda discretamente em direção ao meu ouvido esquerdo, abaixando minha linha de olhar para o chão, e então, pressionando minha orelha, tentando silenciar, por breves segundos, tudo ao meu redor, sem conseguir focar em nada, e focando em tudo.
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  Fecho meus olhos, respirando fundo, uma, duas, três vezes, antes de ouvir Marlene dizer meu sobrenome com impaciência. Tenho vontade de gritar a ela para que cale a boca, mas apenas tenciono minha mandíbula, piscando, e voltando meu olhar para ela com uma expressão séria tensa. Marlene me encara, os cabelos cacheados e volumosos presos em um lenço de seda vermelho escuro, enquanto o castanho escuro de seus olhos pareciam mais claros com o toque do sol, ela revira os olhos, visivelmente incomodada.
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  — Desculpe, eu… — começo a dizer, mas Marlene me ignora completamente, como sempre, passando por mim, os saltos dela estalando contra o asfalto do estacionamento, enquanto abria o porta malas de sua Porsche vermelha, revelando as caixas e equipamentos de fotografia que ela havia trazido para o estúdio da revista. Aperto meus lábios, observando a quantidade de coisas e calculando mentalmente o peso que será carregar tudo aquilo para o estúdio, supondo que Marlene deveria pelo menos considerar tirar os saltos se fosse ajudar a carregar o equipamento também, porque acabaria com bolhas.
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  — Ai, tá bom, tá bom, %Grayson%, que seja, Delaney não irá chegar até as 3 da tarde, para o fechamento e reunião das próximas pautas, então Fabian, Gustav, e eu estamos no comando de hoje. — Marlene afasta uma mecha de seus cabelos para longe de seu rosto, e então cruza os braços sobre os seios, examinando as unhas impecáveis. Faço uma anotação mental de chamar Sam para ir fazer as unhas novamente em um estúdio de unhas em Downtown. Aperto meus lábios, arregaçando as mangas de minha blusa e começando a empilhar as caixas, tentando encontrar um equilíbrio no peso que não acabasse com minhas costas. — Certo, Fabian está encarregado da sessão de fotos com a The Runes, e Gustav vai ficar com o pessoal do design e fechamento dessa edição, e eu vou monitorar as novas pautas com o restante da equipe, e já que você está aqui, você fica com o Fabian hoje, ok, docinho?
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  Pisco, pega desprevenida. Encaro Marlene com seu nariz empinado e os olhos fixos no celular, mascando o maldito chiclete com preguiça que costumava me dar nos nervos — não é exatamente o ato, mas o som da mastigação que incomoda, e eu não faço ideia do motivo, mas costuma me irritar profundamente —, enquanto ela digitava no celular dela rapidamente com um risinho. Marlene poderia ser linda, segura de si, e tudo o que havia de bom para uma mulher, certo? Mas puta merda, às vezes eu realmente considerava perder meu réu primário com ela. Tínhamos apenas alguns meses de disparidade para a época em que ela havia entrado na revista, e a época que eu havia entrado. É claro que Marlene não havia conquistado sua posição como Subeditora da revista Empire por sua habilidades e competência, o fato de a mãe adotiva dela ser amiga próxima de Delaney havia garantido isso, é claro, mas era simplesmente frustrante tê-la me comandando pela revista como se eu fosse nada mais do que sua assistente. Ainda assim, parte de mim sabe que ela não está o fazendo por mal, só está… bem, sendo Marlene, afinal.
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  — Espera, Mal, espera um segundo aí. — Ergo minhas mãos para o alto, e volto-me na direção da outra mulher com impaciência. Passo as mãos pelos meus cabelos, tentando tirá-los de meu rosto enquanto o vento gélido nos envolvia. A Califórnia não era conhecida pelo o inverno com neve como alguns outros estados do país possuíam, mas sim pelo tempo mais chuvoso e com vento. Aperto os lábios, praguejando baixo, enquanto tento me certificar que meus cabelos não atinjam meu rosto, ainda encarando Marlene com impaciência. — Olha, agradeço pela sugestão, mas Karmann, eu não sou sua assistente. Sou uma Repórter Junior, sim, mas ainda faço parte da equipe de redação, não da de fotografia ou gráfico, além disso, cinco das sete pautas a serem discutidas foram sugeridas por mim. Você não pode simplesmente me jogar de lado sem sequer ter explicação do que…
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  Marlene solta um chiado, exasperado, e então volta a me encarar, guardando o celular no bolso de sua calça de cintura alta, e então apoiando as duas mãos nos quadris dela.
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  — Por favor, como se você estivesse fazendo grande coisa também! — Marlene praticamente cospe, e eu prendo a respiração instintivamente surpresa pela resposta dela. Outch, essa tinha doído mais do que eu gostaria de admitir que havia o feito. Sinto meu queixo tremer e minha garganta se apertar, mas mantenho minha expressão o mais calma possível. Posso ver Marlene gaguejar um pouco, tentando encontrar as palavras corretas para continuar com seu rompante, mas não sei exatamente se faz alguma diferença quando a verdade do que ela pensava havia sido exposta tão facilmente. Ela engole em seco, oferecendo-me um sorriso, enquanto dava de ombros. — Ai, para, amiga, olha, vamos ser honestas, você não é lá a melhor para esse trabalho. Vou dar os créditos das suas ideias, e repassar o  que foi conversado na reunião. Mas quer saber? Você como ajudante é bem mais necessário do que nessa matéria — Marlene soa exasperada, impaciente e eu tenho vontade de gritar com ela. De responde-la à altura, mas mesmo se desejasse, não é como se eu conseguisse mesmo gritar, ou que fosse resolver alguma coisa. — Além disso, Aaron vai fazer parte da matéria, e você sabe que eu preciso disso! Vai, %Gray%, quebra essa para mim, por favor!
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  É claro que essa seria a motivação de Marlene. Aaron, da contabilidade, responsável pelo time de administração da empresa, até um bom partido, se você gosta de loiro, branco e típico homem de Wall Street — se bem que, sendo honesta, a persona de alternativa e liberal de Marlene era apenas isso, uma persona que bem lhe convinha quando queria, mas bem, quem sou eu para julgar alguém? —, apesar de uma personalidade questionável, que insistia em participar das reuniões para vetar “gastos” desnecessários, como se o dinheiro não estivesse cotado já. Aperto meus lábios com força, voltando meu olhar para as caixas, coçando ansiosamente a lateral de meu pescoço. Por fim, apenas concordo com a cabeça, respirando fundo e então, forçando um sorriso na direção de Marlene, sem encontrar palavras para retrucar. Eu sabia que deveria dizer algo, mas, honestamente? Do que iria adiantar falar com alguém que não queria escutar?
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  Marlene abre um sorriso e tenho dificuldades para descobrir se é falso ou não, quero acreditar que não é, mas sua breve explosão dizia outra coisa completamente diferente. Ela passa por mim, ignorando as caixas, e eu sei que terei que carregar as caixas sozinha, então as retiro do carro, tentando equilibrar o máximo que consigo delas em meus braços, mesmo que meus músculos reclamem posteriormente, era melhor do que esperar pela ajuda de alguém, e eu duvidava que alguém iria vir ao meu resgate. Certo, eu posso fazer isso! Eu consigo! Eu consigo!
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  Além disso, bem, Marlene tinha um ponto em suas palavras, eu estava acostumada a auxiliar essas coisas de qualquer forma, então não custava nada, afinal. Toda experiência ainda assim era uma experiência, certo? Suspiro pesado fechando os olhos por um segundo, e ignorando o desejo de simplesmente sumir, desaparecer por completo sem deixar rastros, nem informações de onde estaria, enquanto tentava me concentrar na tarefa em minhas mãos. Arrependo-me de não ter pegado meus fones de ouvido, muitas vezes, quando ficava encarregada de auxiliar com algo prático, fosse na impressão das revistas na gráfica, ou com a parte técnica das fotografias, colocar os fones, mesmo que fosse apenas para deixar sem som, ajudava em muito para me concentrar e trazer conforto.
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  Fecho o porta malas do carro de Marlene antes de esforçar-me para carregar os equipamentos para dentro do estúdio, praguejando mentalmente enquanto desvio o mais rápido que consigo dos outros funcionários correndo pelo caminho, calculando mentalmente e tentando projetar para onde eles iriam caminhar, a fim de encontrar uma forma de desviar do caminho, ou não esbarrar em ninguém, como se eu dependesse disso para sobreviver.
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  Passo pela entrada do prédio, com um cumprimento que sequer é respondido por alguém da segurança, antes de seguir em direção aos elevadores. Meus braços já estão doloridos e eu vou precisar apoiar logo todo o equipamento se não quisesse derrubá-los por acidente. Praguejo entre dentes, buscando com o olhar algum espaço para me apoiar por alguns segundos, apenas para receber um esbarrão brusco em meu ombro direito. Quase derrubei a caixa de lentes que está com meus dedos enroscados com toda a minha força na alça, e só a ideia de ter que pagá-las quase me faz vomitar — são caras demais para que eu possa pagar sozinha, vou ficar anos pagando se algo acontecer —, enquanto tento ajeitar as caixas e equipamentos em meus braços trêmulos com o esforço, antes de voltar meu olhar, irritado, na direção de quem havia acertado meu ombro.
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  Estou pronta para iniciar uma discussão, ou pelo menos xingar, quando meus olhos encontram o responsável, e tudo desaparece. Minha mente fica em branco. Puta que pariu
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  Eu congelo no lugar.
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  Conheço esse homem! Quer dizer, é claro que sei quem ele é, é literalmente %Thommy% %Riggs% em pessoa! O %Thommy% %Riggs%! The Runes era uma banda que eu sabia pouco, mas que era estourada ao redor do mundo inteiro, e eu, inclusive, ouvia as músicas frequentemente! Bem, em partes para conseguir ter o que conversar com Isha, que era uma fã ferrenha deles, mas mesmo assim, não era igualmente tão inocente assim para dizer que não os conhecia ou que nunca havia os ouvido antes — sendo honesta, havia algumas que eram muito boas… caso você quisesse um clima para sentar em alguém. Não era como se eu, todavia, esperasse que iria conhece-los pessoalmente ou esbarrar com eles no meio do saguão do prédio. Mas era mais que isso.
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  Ontem a noite, o homem bêbado para caralho, o filho da puta que havia roubado meu saree e me deixado com a estranha sensação de que havia sido assaltada por um maluco depois de ter tentado ajuda-lo e, honestamente, a quem eu havia jurado que jamais veria na minha vida, era ninguém mais, ninguém menos que %Thommy% %Riggs%! Desejo com todas as minhas forças por um buraco, para que eu pudesse me esconder, mas já é tarde demais. Aqueles malditos olhos %azuisescuros%, vívidos e intensos, já estão voltados para mim, então escapar não era exatamente uma escolha, enquanto ele aperta o botão do elevador. Sua expressão não revela muito, mas o pouco que vejo é pura raiva. Mas que diabos eu poderia ter feito para ter irritado ele?!
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  Ele parece bem, pelo menos, não mais bêbado e me confundindo com a princesa Jasmine, mas eu duvido muito que ele sequer lembre-se de mim, considerando o quão alterado ele estava na noite anterior. Ótimo! Perfeito! Suponho então que sua irritação seja por estar o encarando por muito tempo, já que, sendo bem honesta, eu também ficaria incomodada se alguém ficasse me encarando fixamente. Balanço minha cabeça, fazendo uma careta, enquanto tento manter estável as caixas, percebendo que %Thommy% %Riggs%, é claro, não estava desacompanhado. Mais três homens o seguem, conversando entre si, e um deles tem uma gargalhada alta, gostosa de ouvir, enquanto uma mulher, porte de modelo, apesar dos saltos altos finos e roupa de alfaiataria, está digitando rápido em um tablet, enquanto conversa em um celular, parecendo impaciente.
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  Os três são figuras distintas, mas as reconheço dos edits de thrist traps que Isha vivia me enviando, fosse no Instagram ou no Tik Tok. O de dreads desalinhados, com as pontas brancas com contas de ouro estilizados estavam puxados todos para o ombro esquerdo, a pele negra destacando duas tatuagens que ele possuía, uma em seus antebraço esquerdo, e a outra sobre o peito largo que parecia algum tipo de aglomerado de flores ou arabescos, exposto com a blusa larga, branca, com os três botões superiores abertos, e os olhos escuros como a noite realçados pelo lápis de olho esfumado ao redor de seus olhos. Aquele deveria ser %Lenny% %Madden%, assumo. E então, ao lado dele, gargalhando alto, está, alguns centímetros mais baixo que o resto, o que assumo que deve ser %Johnny% %Doyle%: branco como neve, cabelos raspados, rente ao couro cabeludo, descoloridos, tatuagens pelos ombros em padrões geométricos, com uma regata larga, expondo os braços fortes e provavelmente do tamanho de minha mão, com brincos e piercings espalhados pelo rosto e orelhas, incluindo dois que pareciam formar covinhas nas bochechas dele. E então, ao lado de %Johnny% %Doyle% estava %Eddie% %VonBrandt%.
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  %Eddie%... oh! Oh!
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  Nem. Fodendo. Puta merda. A pessoa que eu havia falado no telefone de %Riggs%, era %Eddie% %VonBrandt%?! Puta merda! Puta merda! Isha iria me matar quando eu contasse para ela! O tanto que aquela garota havia me enviado de edits e thrist traps de %Eddie% %VonBrandt% não estava escrito — estava documentado, pelo menos 210 nos últimos 2 meses. Pior de tudo, era que %Eddie% %VonBrandt% era ainda mais bonito pessoalmente: pele marrom clara, cabelos castanhos escuros parecendo lisos e macios sob o toque, em um corte curtain que adornava seu rosto com ângulos acentuados e elegantes, sobrancelhas grossas e marcantes, olhos de um castanho claro suave, quase esverdeados, dependendo da iluminação do lugar, além de um bigode e cavanhaque que deveria ficar ridículo em qualquer pessoa, mas, surpreendentemente, ficava atraente nele. Considero as possibilidades mais gentis de tentar abordá-lo e pedir um autógrafo para Isha, enquanto aperto meu passo para conseguir alcançar o elevador — já que a ideia de subir as escadas com todas essas caixas seria um completo inferno, além de não ter certeza se eu aguentaria por muito mais tempo o peso das caixas e equipamentos sozinha.
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  — Opa! Uma princesa para subir! — Escuto a voz animada de %Johnny% %Doyle% ecoar enquanto aproximo-me do elevador, vendo-o abrir o sorriso mais adorável que eu já havia visto em minha vida. É impossível não sorrir de volta para %Johnny% %Doyle%, mesmo se eu me esforçasse muito para continuar a me manter séria, concentrada em não derrubar o equipamento de fotografia. Ao lado dele, %Eddie% %VonBrandt%, indica com o queixo na minha direção em um cumprimento silencioso, enquanto esticava o braço direito, para impedir a porta do elevador de se fechar e me dando tempo para alcançá-los. Apresso meu passo para conseguir alcançar o elevador, tomando cuidado para não esbarrar em mais ninguém acidentalmente, ciente que se eu o fizesse, agora, acabaria derrubando tudo no chão. Mas então, %Thommy% %Riggs% entra em ação.
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  %Riggs% dá um passo à frente, os olhos %azuisescuros% intensos fixos no meu rosto com uma expressão impassiva e visivelmente irritada. Ele tenciona a mandíbula bem marcada e cortante, empurrando o braço de %VonBrandt% para baixo, bruscamente, e então praticamente esmurrando o botão dentro do elevador. A porta se fecha segundos antes de eu alcançá-la, revelando de volta apenas meu reflexo, boquiaberta e frustrada.
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  Que grande filho da puta!
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  NOTA DA AUTORA:  eu to achando que to fazendo um grande mousse.

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Lelen

Eu espero que o serzinho aí tenha uma boa razão para estar agindo feito babaca com a pp (imagino que tenha, porque tá assim desde que ficou “meio” sóbrio no final do primeiro capítulo, né), porque se não tiver, eu jogo ele no asfalto e esfrego a carinha bonita dele nesse chão u.u
Eu jurava que um dos meninos ia dar uma de cavalheiro e ajudar a Myra, mas ok, acho que tava esperando demais HAHHAHAHA
Agora o Lenny virou o Lenny Kravitz na minha cabeça, mas o Eddie continua sendo meu Eddinho, perdão HAHAHAH Johnny e Thommy continuam sem um rosto exato na minha mente, mas um dia talvez venha um cast perfeito para eles ASIAHIOSHO
Eu tô amando muito essa história e espero que os humilhados sejam muito exaltados em breve aqui, porque quero ver muita gente chorando pelo perdão da pp, é isso HAHAHAHAHAH

Soldada

KSKSKSKSKSK aah vai, o Johnny tentou, é que a porta do elevador fechou antes tadinho. COM CERTEZA VEM A EXALTAÇÃO, mas antes tem briga e tem um pouco de sofrimento pra dar sabor kskksks nem todo mundo vai se arrepender de como tratou a PP viu, alguns vão ser orgulhosos demais

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