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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Ranch

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

🛈

Episódio 2.1

Tempo estimado de leitura: 58 minutos

[parte 01]

  Não era típico de Colt acordar cedo, mas sabia que as coisas no Rancho Bennett funcionavam de outra forma. Então, lá estava ele indo pegar uma caneca quando o som de passos chamou sua atenção e ao olhar, Colt encontrou sua mãe descabelada, vestindo uma camisa velha e enorme de seu pai. Sim, era exatamente o que parecia: Maggie e Beau dormiram juntos.
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  — Mãe? — O tom utilizado por Colt era uma mescla de indignação com susto.
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  — Bom dia, meu amor, acordou cedo. — Ela sorriu indo até a cafeteira e preparando um café.
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  — O que está acontecendo? Ainda estou dormindo e isso é um pesadelo ou você dormiu realmente com o papai?
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  — Ah, Colt. Não seja ingênuo, você já é um homem formado. Seu pai e eu, às vezes… Você sabe.
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  — Não! — ele disse alarmado. — Eu não quero saber ou ouvir nada disso!
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  Maggie riu e cruzou os braços escorando-se na pia.
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  — Você está pronto para hoje? É o dia do teste, não é?
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  — Nossa! Não vou mentir, mãe… — Colt se acalmou esquecendo o assunto anterior e serviu leite em sua caneca após pegá-lo na geladeira, e escorou-se na ilha da cozinha enquanto falava: — Eu mal dormi de tão ansioso. Sei lá, eu sei que o “Denver’s Broncos” não está entre os melhores times da liga atualmente, mas também não é uma equipe amadora. Estou fora do circuito há algum tempo e não posso deixar de sentir um certo medo…
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  — Ah, querido… — Maggie se aproximou do filho e fez cafuné em sua cabeça, já que ele estava mais baixo que ela por estar escorado na bancada. — Você já sabe tudo o que precisa fazer, não se martirize com isso. Só precisa ir lá mostrar o que sabe, Colt. O resto é consequência do universo, se ele quer ou não isso para sua vida.
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  — É que eu não posso ignorar um pouco do que o pai me disse, sabe? — Colt olhou para a mãe com uma certa ironia de quem precisava dar o braço a torcer para o velho Beau sobre algumas coisas. — E, além disso, fiquei preocupado com o que o Galo me contou. Mãe, o rancho está mesmo tão ruim das pernas?
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  Maggie suspirou profundamente e viu que o café estava coado na cafeteira. Caminhou de volta ao aparelho pegando duas canecas e servindo-as, enquanto contava sem encarar o filho:
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  — Colt, não é só o seu pai que está tendo dificuldades. Esse é o pior ano de seca da história! A maioria dos fazendeiros de Garrison estão lutando para sobreviver com suas criações e plantios. A seca que está assolando o estado é longa. Sabia que não cai uma chuva longa e decente aqui desde aquele dia em que você foi embora?
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  — Mãe, isso faz 15 anos! Não pode ser assim tão ruim, senão todo mundo já havia perdido os seus ranchos há muito tempo!
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  — E muitos perderam. É que você ainda não andou direito pela cidade! Seu pai até mandou embora o Pedro.
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  — Espera, então realmente são só ele e o Galo tomando conta de tudo?
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  — Pois é!
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  — Caramba, mãe, o pai vai morrer se perder o rancho!
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  — Não, ele vai morrer se continuar aqui, isso sim. O fato é que, quando chove, são chuvas de algumas horas que demoram dois a três meses para acontecer de novo. Não tem pasto e nem colheita para isso, e Garrison está em crise de racionamento de água há algum tempo.
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  — Hm… — Colt murmurou entendendo e zombou: — É por isso que o Galo não toma mais banho?
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  Sua mãe ignorou a piada pegando as canecas e começou a sair da cozinha, não sem antes dizer:
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  — É por isso que eu ainda sou o apoio do seu pai aqui no Rancho quando precisa. E é bom ter você por aqui também, mas não coloque pesos em suas costas. Beau vai saber lidar com as crises e ele não está sozinho. Galo e eu continuaremos firmes na luta pela preservação do rancho Bennett, ainda que eu ache que isso tudo não irá muito longe.
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  Colt ouviu as coisas que a mãe disse, deixando seu semblante preocupado. Maggie notou e quis tirar a culpa, ou o que quer que fosse, de cima do filho:
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  — Te vejo depois, vá cuidar das vacas. Seu pai saiu faz horas, ele quase não dorme direito, então ajudá-lo vai ser bom. Não esquece de olhar como está o bezerro que, segundo seu irmão, você “teria trazido ao mundo se não fosse tão ruim em enfiar a mão na vagina da Carla”.
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  Maggie zombou repetindo a frase que o filho mais velho contou a ela, no dia anterior.
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• T H E • R A N C H •

  Colt achou que havia acordado mais cedo do que todos, mas Galo já estava cuidando do bezerro quando ele chegou.
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  — Ora, ora! A mamãe chegou! — Galo zombou o irmão. — Seu novilho mama tão bem quanto você, Colt.
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  — Vá se foder, Galo. Bom dia. — Deu um risinho debochado olhando para o filhote. — Achei que estaria dormindo.
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  — Achei que você estaria dormindo — respondeu Galo, continuando seu serviço de puxar a sujeira da baia, e jogou a pá para o irmão. — Termina aí!
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  — Ei, você sabia que a mamãe…
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  — Está em casa e dormiu com o papai? — Galo interrompeu enquanto o irmão continuava o que ele fazia. — Essa notícia é velha. Quer uma dica? Finja que não viu nada.
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  — Tarde demais, trombei com a mamãe na cozinha. E ela vestia a blusa do papai. Parecia que eu estava preso no passado como em “De volta para o futuro”.
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  Os irmãos riram um pouquinho, e então Galo contou uma coisa nova para o irmão. Na verdade, não queria contar, mas algo dentro de si o estimulava a partilhar aquilo. Colt teria o tal teste à tarde, e talvez, saber que o pai estava feliz com sua volta o pudesse motivar. O irmão mais velho engoliu a inveja que sentiu quando ouviu o pai elogiar o caçula, e resolveu partilhar.
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  — Eu ia levar a Demi para casa ontem…
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  — Não me diga que você transou com ela!? — Colt parou imediatamente o que fazia e interrompeu o irmão com aquela pergunta velada de algum sentimento que ele não reconhecia.
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  — E se eu tiver transado, você vai chorar? — Galo estranhou a reação dele e com uma risadinha sacana perguntou.
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  — Não… É só que… Bem, o que você ia dizer?
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  — É, foi estranho para mim também quando você e ela começaram a rolar no feno escondidos na adolescência, mas isso nunca me afetou — Galo comentou e deu prosseguimento no assunto principal: — Eu estava dizendo que iria levá-la para casa, mas o papai quem foi e eu resolvi esperar ele na varanda antes de entrar. E aí, quando voltou, ele me disse uma parada que acho que você precisava ouvir.
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  Galo suspirou sem continuar a contar, e Colt então se ergueu, fincando a pá no monte de bosta de vaca e aguardou silencioso.
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  — Ele… — Galo abaixou a cabeça sorrindo e engoliu o orgulho ao revelar de vez: — Te elogiou. Disse que você fez um bom trabalho ontem e era corajoso, porque mesmo sabendo que não tinha mais o jeito para puxar o bezerro, você foi lá e tentou. Que isso era uma qualidade sua que ele admirava e por isso não era para gente pegar no seu pé hoje com a coisa do teste, já que… Tinha que ser muito peitudo em continuar perseguindo um sonho tão fadado ao fracasso como o seu vinha sendo.
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  Colt levou um tempo para entender o que o irmão dizia.
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  — Traduzindo… — Galo complementou ao notar que Colt não entendeu. — Isso foi um elogio, caso esteja se perguntando. E também, como se ele dissesse que ia torcer por você hoje. No fundo, sabe que o papai tá satisfeito com a sua volta, não é?
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  — Uau… — Colt suspirou e finalmente sorriu, apesar de sem graça. — É, ele tem um jeito estranho de mostrar que ficou feliz com minha volta e que torce pela minha carreira. Mas se você está dizendo…
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  Retornando a limpar o estrume, Colt não percebeu quando seu irmão bufou virando-se de costas.
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  A verdade era que Galo não admitia que o caçula continuasse olhando a situação como se o pai e a família não o apoiassem. Então, não quis e nem pôde evitar dizer para Colt como se sentia.
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  Com as mãos na cintura, caminhou para mais perto de Colt de novo, e disse em um tom um pouco mais sério que o seu habitual:
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  — Ele nunca disse coisas assim sobre mim, sabia? — Galo iniciou. — Senti inveja de novo de você.
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  — Você nunca teve motivos para sentir inveja, sabe que eu sempre fui considerado o inútil aos olhos do papai. A vida no rancho é ótima para você. — Colt terminou o que fazia, mas ainda não olhava para o irmão.
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  — Tsc… — Galo estalou a língua de um jeito sarcástico. — Você não entende nada de como o papai pensa. Te considerar um inútil foi a forma dele te dar liberdade. Até a prisão é divertida para quem visita. Você fala naquele telefone, a moça do seu lado põe os peitos no vidro…
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  Ouvindo aquilo, Colt percebeu que Galo estava falando muito sério, de um jeito que nunca havia partilhado com ele antes. Já havia terminado de retirar o estrume e colocar no carrinho.
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  No rancho, eles faziam compostagem com os restos de tudo. Ideia de Galo, já que um dia contou ao pai:
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flashback on

  — Tem uma gente ecológica comprando estrume e restos de comida secos como se fosse o novo ouro. A gente devia parar de jogar no nosso pasto fazendo as vacas comerem a própria bosta, e ganhar dinheiro com isso.
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  — Isso se chama húmus, Galo. E sempre foi ouro para quem lida com a agricultura. Não damos bosta para nosso gado comer, adubamos a terra para o pasto nascer melhor e gastar menos com fertilizantes — Beau respondeu na época em um tom de quem achava o filho um ignorante. — Mas tem razão. Tem muito fazendeiro aqui e fora de Garrison que poderia comprar compostagem mais barata do que fertilizante para suas plantações. O que pra gente tem pouco uso, para outros é necessário… E com a quantidade de matéria orgânica aqui do rancho, talvez a gente tenha um produto bom.
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  — É, e eles estão falando que isso vai reduzir a metanfetamina da atmosfera. Aquecimento global.
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  — Aquecimento global é meu ovo, e não é metanfetamina, é metano. Esses esquisitinhos ecológicos dizem que o peido do gado polui a terra! Veja bem! A porra da indústria dos chineses soltando fumaça em meio planeta não faz nada, né?
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  — Nossa, pai, o senhor falou como um daqueles voluntários do Greenpeace que vem em toda temporada de seca protestar aqui no Texas. Tenho certeza de que foi a mamãe que te contaminou! — Galo zombou.
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  — Cala a porra da boca, Galo.
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flashback off

  Atento ao irmão, Colt se aproximou dele com a mão também em sua própria cintura, e encarava-o com a solidariedade fraterna que achou que Galo precisava:
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  — Se é tão ruim, por que não vai embora?
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  — Tá brincando comigo, né? — retoricamente ironizou Galo. — Depois que você foi, eu não tive muita opção! O pai precisava de ajuda com o rancho.
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  — Se sentiu preso aqui? — Colt perguntou um pouco culpado. E quando notou o modo como o irmão o olhava, ele respondeu: — Ah, tá. Deve achar que sou…
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  — Mimado? — Galo interrompeu-o e continuou: — Egoísta, irresponsável, hum, mala?
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  — Tá legal, eu ia dizer egoísta, mas…
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  — Convencido, teimoso, alcoólatra? — continuou Galo. — Mas você era um ótimo jogador e tinha mesmo que ir. E eu fiquei orgulhoso. Era meu irmãozinho, cara!
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  Colt finalmente sorriu.
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  — Obrigado. Também tenho orgulho de você.
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  — Ah, é? Pelo quê? — Galo perguntou sacana.
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  Colt levou um tempo vago pensando, como se não tivesse nada a dizer e riu, mas claro, havia, sim, o que se orgulhar do irmão por mais imbecil que Galo fosse.
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  — Não achei que fosse perguntar “pelo quê”. — Galo se virou, então Colt riu. — Ei, ei, tô zoando! Eu me orgulho sim, porque depois do pai você é o cara mais competente que conheço pra cuidar desse rancho, e não é fácil tolerar o velho. Então ter ficado aqui ao lado dele foi um ato de muita coragem e sacrifício, eu sei. Você diz que ele não tinha ajuda e não podia sair, mas a verdade é que a gente sempre tem a escolha de sair ou não. O rancho é dele. — Colt gesticulou com a mão tentando corrigir-se. — Na verdade, é nosso porque ele vai morrer um dia, mas você entendeu! Enquanto ele viver e tendo herdado do vovô, é mais dele. Sei que no seu lugar eu não teria aguentado. Como não aguentei.
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  Galo apenas lançou um olhar para o irmão que dizia algo como “obrigado por reconhecer”, e mudou o assunto:
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  — Vou soltar os touros para o pasto. Espalha essa merda para secar — apontou o carrinho e aconselhou — e depois, acho que devia ir para casa, você tem uma viagem a fazer.
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  Colt viu o irmão sair com um peso a menos nas costas, e terminou o serviço seguindo seu conselho adiante.
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• T H E • R A N C H •

  Ele fez o teste. Estava no vestiário do time, com um saco de gelo amarrado no ombro e outro em seu joelho. O treinador da equipe entrou, e logo foi chamando sua atenção e tirando-o do transe reflexivo que se impunha: “será que fui bem?”.
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  — Bom trabalho, Bennett! — disse o treinador.
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  — Ah, obrigado! Se eu me dedicar 110% …
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  — Chega de papo furado — o homem interrompeu ele. — Não é uma coletiva de imprensa, como está o seu ombro?
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  — Está doendo um pouco. Nada que uma dose de morfina e duas de uísque não curem. — Deu um sorrisinho.
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  — Engraçado — o treinador comentou sem rir e Colt notou, tentando ajustar-se.
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  — É, eu falei brincando.
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  — Bennett. — O treinador suspirou o analisando. — Aguenta uma temporada inteira?
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  — Aguento se tiver uma vaga para mim.
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  — Você é Colt Bennett, nessa região ainda é famoso, além disso, ainda vende ingressos, pode ser bom para a popularidade do time. Mas não posso negar… Você tá velho. Acabado mesmo, Bennett.
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  — Uau. — Colt sorriu em ironia. — Falou com meu pai por acaso?
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  — O que quer dizer com isso?
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  — Nada… — Ele sorriu desconversando. — Então eu não passei. É isso?
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  — Desculpe, Bennett, mas eu não posso ignorar que para a equipe sua experiência é até válida, no entanto, te colocar como titular pode ser um risco.
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  — Mas você disse que eu ainda sou o Colt Bennett — rebateu com a fala do treinador sem entender de fato.
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  — E é por isso que posso te oferecer uma temporada apenas, por enquanto, e como jogador reserva. Cada jogador tem que vender no mínimo 10 entradas para os jogos, o salário é de 250 dólares por jogo, e se por acaso chegar a ser passado a titular, recebe mais 50 dólares de bônus. E quando o time ganha, todos os jogadores, titulares e reservas, recebem mais 50 dólares.
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  — Tá me zoando? Ganhei mais quando jogava na faculdade — Colt respondeu com respeito, mas não escondeu a frustração.
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  — Sei que a grana não é muita, mas a qualidade do time é até boa. Motivo pelo qual eu não posso te escalar titular mesmo com sua história. Eu já falei, você tá velho pra isso, mas pode ser bom você estar dentro de alguma forma. De vez em quando, olheiros da NFL vêm assistir aos jogos.
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  — Tudo bem, eu entendo. Não se ganha a loteria sem comprar o bilhete.
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  — Assim é que se fala. Se quiser, é isso que podemos ofertar — o treinador declarou se preparando para sair dali. — Primeiro treino, quarta às 11 e recebe 15 dólares se vier antes de todo mundo e marcar o campo.
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  O técnico saiu e Colt começou a se arrumar para voltar pra casa, ainda pensativo. Uma decisão precisava ser tomada. Ele sabia que fracassou no teste, mas por ser quem era, estava recebendo uma chance.
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  Colt retornou para o rancho, chegando lá à noite. Galo e seu pai estavam mexendo na velha FORD do avô, que era o automóvel oficial de Beau desde sempre.
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  — É a junta do cabeçote. Vou pedir pela internet — Galo falou ao pai.
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  — Não. Vamos até o Henderson. — Beau mencionou a velha loja de peças automotivas que todos iam, um pouco distante de Garrison.
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  — Não, a Amazon entrega em 24 horas — Galo justificou.
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  — Esse é o problema da sua geração. Vocês são um bando de preguiçosos, nunca querem sair de casa! O que farão quando a Coreia do Norte bater à sua porta? Pedir armas e munição pela Amazon?
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  — Não. Vou pegar as armas na caminhonete, ou as perto da geladeira, ou aquelas do banheiro — Galo respondeu sarcástico.
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  Enquanto ouvia seu irmão falar alguma coisa sobre os velhos rifles da família, Colt se aproximava, mancando, com sua mochila em uma das mãos e uma expressão derrotada. Havia retornado meio percurso, de ônibus, após receber carona de um dos rapazes do time que conheceu no teste e também passaria por Garrison.
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  — Colt! — Galo mudou o assunto ao vê-lo. Beau também dava uma encarada no filho da cabeça aos pés, insatisfeito em vê-lo retornar machucado. — E aí, como foi?
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  — Podia ter sido melhor — respondeu.
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  — Como assim, podia ter sido melhor? — Galo perguntou.
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  — Não entrei pro time.
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  O pai, automaticamente, coçou a nuca ainda apoiado na lataria do veículo. Galo ficou sem saber o que falar, mas tentou:
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  — Sinto muito, Colt. Sabe o que podia fazer? Pegar seus Uggys e ser líder de torcida.
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  — Vá se ferrar — Colt falou e observou o pai sacudir a perna de um jeito ansioso, como fazia quando estava irritado. Beau ainda não havia dito nada e nem olhado para ele. — Então… Eu não sei o que fazer de agora em diante, mas se não se importarem, eu queria passar um tempo aqui.
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  Naquele momento, Beau se virou de frente para o filho, escorando o corpo na caminhonete e cruzando braços e pernas, surpreso, e virando a cabeça como se não escutasse bem.
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  — É sério? — o pai o perguntou.
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  — É. Você tinha razão. Futebol já era.
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  — Nossa, não sabia que eu tinha criado um filho que desiste fácil.
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  Até Galo, que havia guardado as ferramentas na carroceria e se aproximou limpando as mãos na blusa, ficou imóvel com o que ouviu. Colt também se girou para encarar o pai, incrédulo. Ele estava mesmo ouvindo aquilo?
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  — Como é? — Colt falou confuso. — Você sempre disse que era pra eu desistir!
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  Beau então riu, e Galo entendeu que o pai estava zombando.
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  — Você não tem senso de humor mesmo! — disse o patriarca bigodudo. — Se quer saber, fico feliz de ter você aqui e não te ver todo quebrado.
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  — Pera aí, você disse uma coisa legal pra ele — Galo interferiu. — E ontem elogiou ele secretamente pra mim. Você está morrendo?
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  Beau não deixou de rir da observação do filho enquanto puxava sua própria orelha e olhava para o chão. Uma mania, uma espécie de cacoete do fazendeiro. Colt achou que fosse um bom momento para puxar o envelope de dinheiro.
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  — Mais uma coisa. Toma. — Entregou o dinheiro ao pai.
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  — Onde arranjou isso? — Beau perguntou quando puxou o maço de dinheiro de dentro.
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  — Vendi meu anel do campeonato. É o mínimo que posso fazer para ajudar vocês.
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  O anel era uma relíquia de Colt, de quando foi campeão pela liga profissional no Super Bowl. Beau colocou o dinheiro de volta ao envelope e seu humor já estava ruim de novo. Contrariado, devolveu para o filho:
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  — Não, obrigado.
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  Apesar de chateado pelo filho vender o anel, estava orgulhoso em segredo, mas não aceitaria aquilo. Galo, no entanto, estava de pé entre os dois e observando os gestos do irmão e do pai. Quando viu Beau retornar o envelope e Colt pegá-lo como se tivesse sido desprezado, precisou dar sua opinião — que, inclusive, era bastante válida dada a situação do rancho.
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  — Er… Pai, sabe… Precisamos de dinheiro.
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  — É, e eu quero que fique com ele, pai. Por tudo que fez por mim também — Colt afirmou estendendo o envelope de novo.
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  — Vem cá, eu tenho cara de quem precisa de esmola?! — Beau gritou.
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  A verdade era que Beau Bennett não sabia lidar com humildade nas situações em que precisava admitir a necessidade por ajuda. Para o orgulho do típico texano, um homem não deveria sucumbir à pose de “coitado”. E seu ego se feria em ver o filho renunciar a algo importante para ele, como a única prova de sucesso que aquele anel representava, para ajudar um velho fazendeiro incapaz de gerir seu rancho. Era assim que, radicalmente, Beau via a situação. O que não deveria surpreender os meninos, já que o pai nunca soube lidar com os próprios sentimentos de forma clara e madura.
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  — Qual é, pai, só quero ajudar — Colt disse.
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  — O país está lotado de gente querendo esmola — respondeu duramente. — Só recebo pelo meu trabalho. A única coisa que farão por mim é…
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  — Cavar sete palmos de terra e me jogar lá dentro! — os meninos repetiram uníssonos ao pai aquele velho ditado arrogante que ouviam sempre, desde crianças.
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  Tanto Galo quanto Colt estavam exaustos daquilo, e suspiraram e reviraram os olhos com a reação do pai.
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  — Mas não vai ser aqui que vão te enterrar, porque está prestes a perder o rancho — Colt disse baixo, indignado, mas com respeito. Embora o pai tenha visto como uma afronta.
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  — Não é obrigação sua salvar o rancho — Beau respondeu em tom controlado e indiferente.
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  — Ah! — Colt estava perdendo a paciência. — Engole o seu orgulho e aceite o maldito dinheiro!
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  — Pode desistir. — Beau manteve o tom.
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  — MEU DEUS! MAS VOCÊ NÃO PASSA DE UM VELHO TEIMOSO PRA CACETE, PORRA!! — Colt gritou sacudindo as mãos com o envelope como uma criança indignada e brava por ser magoada.
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  Beau respirou fundo, crispando a boca bigoduda. Galo se aproximou mais, prestes a intervir pela tensão do momento, e o pai disse ameaçador, autoritário e patriarcal enquanto caminhava alguns passos pra cima de Colt, lentamente:
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  — Escuta, filho, não sou velho demais para te encher de porrada — Beau falou e Galo já estava praticamente colado entre os dois.
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  Colt, igualmente como o pai, se aproximou em expressão de enfrentamento.
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  — É melhor não começar com isso, pai. — Era uma das poucas vezes que o pai via Colt agir como um “homem de verdade”.
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  — Não fui eu quem começou, foi você — Beau disse tocando um indicador duro no peito do filho.
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  Colt deu um tapa na mão do pai, afastando-o.
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  — Não me toque! — gritou nervoso.
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  — Ei, ei! — Galo falou, já levando uma mão no peito de cada um para os separar. — Peraí, peraí, calma!
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  — Eu comecei? Eu comecei? — Colt se aproximou desafiante e, de certo modo, desesperado por jogar mais verdades sobre seu pai. — Foi você que me fez sair daqui! Depois fez a mãe sair daqui! Deixei a porra da porteira aberta e até as vacas começaram a sair!
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  — Você está se achando demais para quem voltou rastejando feito um cachorro!
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  Pai e filho começaram a se engalfinhar um contra o outro, sem notar as gotas que começaram a respingar devagar no meio da discussão. Galo não conseguiu os conter, mas antes que ambos rolassem no chão, ele gritou, animado e percebendo um milagre:
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  — Ei, ei! — Galo gritou erguendo as mãos para sentir a chuva que se tornava mais grossa.
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  — O quê? — os dois brigões gritaram para ele completamente fora de si.
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  — Tá chovendo! — Galo disse sorridente, o tom de alívio e gratidão evidente em sua voz.
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  Foi aí que Beau e Colt esqueceram a briga, olharam para o céu surpresos, e começaram os três a rir desacreditados. Como se nada tivesse sido dito para se ferirem mutualmente antes.
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  Colt jogou o envelope de dinheiro no ar, espalhando notas sob a chuva, e os três homens se abraçaram. Beau sorria como não fazia há muitas décadas. Ele abriu os braços se molhando com a chuva e não deixou de gritar:
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  — Vá se foder, aquecimento global!
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  Então Galo, rindo, notou que o dinheiro estava molhando e começou a catar as notas assim como Colt. Em seguida, Colt e Beau se encararam com uma expressão silenciosa de quem pedia desculpa, o pai abriu os braços e o filho o abraçou apertadamente sob a chuva.
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  Um pouco depois, molhados, Galo e Colt entravam na cozinha. Colt, ainda mancando, foi até o uísque, Galo tirando copos do armário. Beau ainda estava lá fora, agora na varanda, sentado em sua cadeira, grato e admirado com a chuva que parecia não passar tão cedo.
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  — Por que não disse propai que queria ficar? — Galo perguntou aproveitando estarem a sós.
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  — O que quer dizer? — Colt desconversou.
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  — Sei que você entrou no time.
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  — Não entrei não! — Continuou fingindo o caçula, enquanto trazia a garrafa para a ilha onde o irmão colocou os copos.
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  — Você foi cortado no time do Alasca porque deu um soco no mascote.
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  — Aquele pinguim teve o que mereceu — Colt falou, servindo a bebida.
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  — Você é muito explosivo, se não tivesse entrado protime, jamais ia estar calmo agora — Galo concluiu, colocando Colt contra a parede.
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  —Tá bom. Eu entrei, não do jeito que eu queria, mas é… Não conta propai — Colt admitiu.
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  E Galo, sabendo que a situação faria de Colt alguém para receber mais um elogio, ergueu as mãos sarcástico e sorriu ao dizer:
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  — Se não te faz parecer um idiota, não é da conta dele.
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  Maggie não havia ido embora, ela estava sentada no banco ao lado de Beau, porém, sorria de orelha a orelha como quem estava diante de um verdadeiro milagre. Os meninos se aproximaram entregando as bebidas, sentaram em outros bancos da varanda e de repente, a família contemplava-se unida novamente.
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  — Não é fantástico? — ela disse aos filhos, apontando a chuva.
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  — Já é um começo — Beau falou feliz. — Todos na região estão bebendo satisfeitos, inclusive eu! — E ergueu seu copo.
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  — Olha, só queria dizer uma coisa — Colt iniciou. — Só começou a chover nessa cidade depois da minha chegada, então, acho que sou o pé de coelho dessa família.
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  Tal como um presságio ou contradição, ao fim da última palavra de Colt, um estouro de trovão se ouviu e um raio caiu sobre o telhado do rancho Bennett. Imediatamente Beau olhou para trás, notando um pouco distante, porém não muito:
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  — Merda! O celeiro tá pegando fogo!
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  E assim, os quatro Bennett se levantaram alarmados se pondo a correr embaixo da chuva até o ponto onde a má sorte caiu.
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• T H E • R A N C H •

  Demetria chegou em casa deixando o boné em cima da mesa da cozinha. Seu pai tomava mais uma dose daquela bebida estranha que ele inventou e fatiava um grande pedaço de lombo assado. De longe, ela notou o humor de Sam Peterson muito melhor.
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  — Ei, papai, não te vejo sorrir assim há tempos. Nem com a minha volta — ironizou.
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  — Querida, sabe que você é o amor da minha vida. Porém, essa chuva consegue te superar. — Ele riu. — É um milagre!
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  — É verdade. — Demi pegou uma garrafa de cerveja na geladeira, abrindo a chapinha com as mãos enrolando-a na camisa. — Esse aguaceiro de ontem nos dá esperança. Foi uma noite inteira de chuva intensa, não é?
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  — É sim! E como se não pudesse melhorar, o celeiro dos Bennett pegou fogo ontem à noite com um raio que caiu! — Sam gargalhava. — Consegui ver daqui!
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  Demi sorriu revirando os olhos e desaprovando o gesto do pai.
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  — Não deveria rir, papai. Poderia ser aqui.
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  — Mas não foi, e se fosse, o maldito Bennett estaria rindo também!
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  A mulher deu as costas ao pai caminhando para a varanda, levando a travessa de carne que ele havia cortado para ambos. Sam seguiu a filha e se sentou ao lado dela.
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  — E como foi hoje? O que Dale lhe disse?
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  — Ele é um bom amigo — Demi revelou apontando ao pai. — Te estima muito, e por isso me deu a chance de atender com ele. Disse que eu posso levar o valor integral dos tratamentos, e que vai ser até bom para ele, a minha ajuda, já que está pensando em se aposentar. Nunca achei que ouviria o Dale falar em parar de trabalhar.
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  — É. O velho não parece bem… — Sam comentou ciente de uma situação que desconfiava, mas não poderia contar a ninguém, nem mesmo para a sua filha. — E a vaca dos Bennett? Você foi vê-la de novo?
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  — Ainda não. Na verdade, nem precisam. Eles sabem cuidar, talvez nem precisasse de mim por lá aquela noite. Senti que Beau só estava inseguro de deixar o Galo e o Colt fazerem tudo sozinhos.
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  — Também estranhei aquele filho da puta não dar conta de virar a porra de um novilho com as próprias mãos! Ele está deficiente por acaso?
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  Demi estalou a língua em negação para o pai de novo.
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  — Ele está preparando os meninos para tomarem conta das coisas, eu acho. Parece que o Colt vai ficar…
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  Sam suspirou indiferente e olhou para a filha analítico, um pouco preocupado.
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  — E você não vai me dar desgosto de novo, não é?
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  Demi levava um pedaço de carne à boca e parou quando ouviu a pergunta. Encarou o pai, com a cabeça ladina e um olhar teimoso.
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  — Do que está falando, papai?
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  — Sei o que você fazia com aquele moleque, Demetria. — Sam estalou os lábios decepcionado. — Por que acha que gastei tantas balas tentando acertar a bunda daquele inútil? Um Bennett a menos, um filho da puta a menos para tocar na minha filha.
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  Ela então riu.
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  — O senhor sabe que éramos apenas amigos, Colt, Galo e eu.
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  — Você o Galo sim. Mas, Colt… Se eu pudesse matá-lo… — Sam falou e então parou, observando o nada e estalando o dedo disse: — Espera! Eu ainda posso matá-lo!
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  — E vai matar o Colt por andar com a sua filha? — Demi perguntou rindo sem querer confessar.
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  — Não. Por andar não, mas por dormir com ela quando era só uma garota, sim. Acha mesmo que acreditei que foi seu ex-noivo que tirou sua virgindade, Demetria?
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  A cerveja fez um bolo na garganta dela, e o engasgo veio como uma acusação inegável.
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  — Pai!
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  — Não me venha com essa de “pai”. Will foi um filho da puta em te trair daquele jeito, por isso eu quis matá-lo também, mas a minha ira com ele não é menor do que, o que senti com o filho dos Bennett! Você só tinha 16 anos!
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  — Pai, escuta, eu não sei o que…
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  — Não precisa negar — Sam comentou interrompendo a filha. — Agora você é mulher, eu não vou reviver essa história. Mas sabe o porquê eu não falei e nem fiz nada na época? Porque eu me senti culpado! Sua mãe havia morrido e como eu falaria dessas coisas com você? Além disso, se você entregou para ele o seu corpo, é porque sentia falta de sentimentos que nem eu ou sua mãe, ainda viva, poderíamos te dar. Você sempre foi ajuizada, então não acho que agiu por fraqueza. Fez o que fez porque quis. Mas eu não posso dizer que o garoto foi correto. Ele deveria ao menos ter te pedido em namoro, por isso, me arrependo de cada bala que não acertou o colhão dele.
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  Demetria mordeu o lábio, escondendo o risinho pela última frase do pai.
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  — O senhor sempre soube?
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  — É. Desconfiei quando vocês deixaram rastros demais de que andavam se vendo escondido no meio do mato das duas fazendas. E o Galo sempre me olhava com uma cara de espertalhão que sabia de mais coisas do que eu. Lógico, eu te conheço, e sei que você jamais daria para o Galo, é odiar demais a si mesma.
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  De novo, Demi riu, mas dessa vez sem esconder, e o pai também riu com ela.
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  — Laci já tinha morrido. Eu não sabia como te proteger, mas quis me garantir. Fui até a Maggie e pedi que ela te ajudasse.
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  Como um lampejo em sua memória, Demetria se recordou da conversa absolutamente constrangedora que a senhora Bennett teve consigo quando ela era adolescente e estava visitando os meninos no rancho.
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  — Oh, foi isso! Achei que a senhora Bennett havia descoberto sozinha e me daria uma bronca. De repente lá estava ela falando de sexo e proteção comigo. Foi constrangedor, mas… — Demetria suspirou ao dizer. — Foi importante. Eu achava que teria a mamãe para falar dessas coisas, tirar as dúvidas, mas não tinha. Obrigada por saber e, mesmo não me contando, fazer algo por mim, papai.
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  O velho fazendeiro sentiu uma certa emoção e raspou a garganta para se livrar dela.
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  — Não tem que agradecer por eu fazer o que um pai deveria. Você gostava dele, não é? — Demi assentiu risonha. — E ainda gosta?
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  — Não! — disse certeira. — Isso já faz muito tempo e eu era uma garotinha, pai.
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  — Que bom, porque treinei mais a minha mira. Consigo acertar o alvo agora, mesmo estando velho.
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  Demetria riu abraçando o pai ao seu lado.
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  — E pai… Não se sinta culpado por tudo o que a ausência da mamãe não me proporcionou. Ninguém teve culpa pela doença dela, ok?
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  O pai, mais uma vez emocionou-se, e tocou o joelho da filha com dois tapas de orgulho, assentindo.
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  — Bem! — Pigarreou de novo. — A noite acabou de começar, você trabalhou o dia todo, mas acho que deveria ir para a cidade! As pessoas já sabem que a mulher mais bonita de Garrison voltou, mas nem todo mundo te viu. E certamente você tem outros amigos além dos malditos Bennett, não é?
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  A filha gargalhou, comeu mais um pedaço de carne e disse:
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  — Tem razão. O bar da Maggie deve encher logo!
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  — Eu poderia reclamar, mas ela não é mais uma Bennett.
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  — Achei que dentre todos os Bennett, a Maggie era a menos ruim para o seu julgamento — Demi falou em pé, olhando o pai com humor e terminado de virar sua cerveja.
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  — É porque ela sempre foi uma boa pessoa. É uma vítima do Beau, a coitada. Era uma garotinha quando o filho da mãe fez com ela o que o filho dele fez com você, mas admito, o Beau foi mais homem e pediu a Maggie em casamento.
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  — Para de julgar o Colt, pai. A nossa época foi outra.
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  — Então devo julgar o seu mau gosto? — Ele fez piada para filha.
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  Demetria apenas beijou a testa do pai e saiu. Se arrumou e pegou a própria caminhonete para ir ao bar da cidade.
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  Uma das curiosidades sobre Garrison, ou melhor, sobre o Texas, era que as picapes eram os automóveis populares oficiais da região.
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  A sineta da porta tocou, revelando a presença de Demetria no bar que ainda não estava cheio como de costume.
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  — Oi, amor! — Maggie a cumprimentou do balcão, enquanto ela se aproximava.
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  — Oi, minha querida Maggie! — Hank, um bêbado que nunca saía do balcão do bar até ser expulso e já figura caricata da cidade, falou para Maggie.
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  — Eu estava falando com a Demi, Hank — Maggie corrigiu revirando os olhos para o bebum.
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  Demetria sorriu para ela, e acenou com a cabeça para Hank.
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  — Oi, Maggie, como estão as coisas?
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  — Estão bem, o mesmo de sempre. — A mulher limpava o balcão. — Uma cerveja?
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  — Sim, o mesmo de sempre — repetiu Demi.
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  — Bom ver você saindo um pouco. Desde que voltou tem ficado no rancho ou na clínica, não é? Aliás, como está o seu pai? — Entregou a garrafa aberta para ela.
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  — Ele está muito feliz com a chuvarada, e também… Com o incêndio no celeiro, e mandou um abraço para a “vítima de Beau Bennett”.
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  As duas mulheres riram brevemente.
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  — Depois do divórcio, eu sou obrigada a concordar com o Sam. E como está sendo trabalhar com o Dale?
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  — Melhor do que eu esperava. O Dale tem um coração enorme e a Darlene é uma pessoa muito acolhedora.
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  — Eles são mesmo ótimos! Está feliz de ter voltado, Demi?
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  Maggie tinha muito carinho pela garota. Lembrava-se dela criança brincando com os filhos, quando sua mãe ainda era viva e os pais eram amigos e bons vizinhos cordiais dos Bennett. Depois da briga por uma cerca entre os dois ranchos, Laci e Maggie ainda eram amigas, mas quase não frequentavam o rancho uma da outra, já que Sam e Beau sempre estavam brigando.
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  As crianças ainda conviviam, mas se aproximaram mais depois que a esposa de Sam faleceu, deixando Demetria órfã de mãe aos treze anos. Maggie, no entanto, acolhia a menina com muito gosto. Demi era bem-educada e graciosa, e na adolescência, quando Maggie descobriu que ela se envolveu com Colt, a matriarca fez questão de que Demi compreendesse nela uma figura segura de confiança. Nunca aprovou a indiferença de Colt com Demetria, e chamou atenção do filho várias vezes, mas Colt continuava achando que serem somente amigos era o melhor e o mais certo. Eles só tinham entre 16 e 18 anos.
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  — Estou sim. Minha saída sempre foi temporária, não é? Mesmo em Phoenix, eu sabia que um dia voltaria para Garrison. Não conseguiria deixar meu pai mais tempo sozinho, a ideia era vir pra cá depois do casamento.
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  — Ah sim. — Maggie suspirou. — Sinto muito, aliás! O Galo me contou.
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  — Velha fofoqueira — Demetria zombou.
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  A sineta da porta tocou mais uma vez e ambas olharam, vislumbrando a figura de Abby entrando no bar. A loira viu a morena sentada ao balcão e, fingindo não estar surpresa, abriu a boca e em seguida um sorriso. Timidamente se aproximava, e Maggie sussurrou para Demetria:
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  — Você ainda não gosta dela?
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  — Shiii. Eu nunca disse que não gostava — Demi respondeu sussurrando de volta e virando-se de frente para o balcão de novo.
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  — Ah, sei.
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  Abby se aproximou mais, sentando no balcão e o assunto das duas já havia encerrado.
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  — Oi, Maggie — Abby falou, mordendo o lábio.
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  — Olá, Abby, querida. Como vão as coisas?
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  — Bem. — Abby sorriu e olhou para a mais jovem cumprimentando-a: — Demetria Peterson.
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  — Olá, Abby — Demi respondeu olhando para ela e sorrindo.
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  — Quando voltou? Quero dizer… Seja bem-vinda de volta.
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  Abby não tinha nada contra Demi, a não ser um ciúme adolescente quando namorava Colt, já que Demetria era melhor amiga dos irmãos Bennett, e Abby sempre achou que ela e Colt tiveram algo. Mesmo com Colt, Galo e a própria Demi negando. Já Demetria, na adolescência, não gostava de Abby e nunca escondeu aquilo, apesar de não verbalizar.
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  — Há alguns dias — respondeu simples.
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  Abby percebeu que a mulher não falaria mais do que aquilo, e Maggie também. Por isso interrompeu, oferecendo:
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  — Cerveja, Abby?
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  — Não, Maggie. Uma água, por favor.
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  — Água? — A mais velha estranhou. — Vou ver se acho isso lá atrás.
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  As duas ficaram sós no balcão, e Abby decidiu insistir:
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  — Faz tempo que não vejo o seu pai, ele está bem?
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  — Está sim, ele não sai muito do rancho a não ser para os lugares necessários.
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  — É… — Abby queria perguntar se Demetria tinha alguma mágoa, afinal, era estranho ver a garota de novo, agora já uma mulher absolutamente linda e que, pelo visto, continuava segura de si. — Você é veterinária, não é?
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  — Sou sim, estou atendendo na clínica do Dale. E você, faz o que da vida? — Demi decidiu ser mais simpática e virou o corpo na bancada, sentando-se de frente para Abby.
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  — Sou professora na escola da cidade.
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  — É a sua cara. — Demi sorriu.
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  Maggie voltou e estendeu cerveja light para Abby dizendo que era o mais próximo de água que tinha ali, exceto se a mulher quisesse água da torneira. Abby aceitou a cerveja.
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  — Maggie, você foi ver o celeiro? — Demi perguntou.
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  — Oh, eu estava lá — falou um pouco constrangida, mas Demi arqueou a sobrancelha e riu. Somente as duas entendiam a piada interna. — Não se preocupe, não foi um grande estrago.
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  — E a Carla? Está bem depois do desastre que foi o Colt violando a pobrezinha? — Demi perguntou zombando.
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  Maggie riu.
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  — Graças a você, ela está bem. Ele não foi tão mal assim, foi?
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  — Acho que o senhor Bennett gritando com ele foi o que dificultou as coisas, ele ficou ansioso.
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  — Tem certeza que foi o Beau que deixou o Colt ansioso? — Maggie perguntou arqueando a sobrancelha do mesmo jeito.
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  — Desculpa, mas… — Abby as interrompeu com a expressão surpresa — O Colt está na cidade?
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  — Ah, sim, ele voltou — Maggie contou.
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  Demetria se manteve silenciosa observando a reação de Abby, e para não revirar os olhos, bebeu um gole da cerveja. Como se fosse invocado, Colt surgiu pela porta do bar. A sineta tocou, Abby e Maggie olharam juntas, e a mãe cumprimentou:
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  — Oi, amor!
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  Hank ia falar algo, mas Maggie logo o cortou. Colt veio caminhando surpreso para o balcão ao deparar-se com Abby ali.
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  — Uau! Colt Bennett. — A ex-namorada dele saiu do balcão, ficando em pé na frente dele. — Você está ótimo.
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  — Oi, Abby… — Colt olhava para ela de cima a baixo, meio abobalhado, e sorriu, respondendo: — Você também está ótima!
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  Um breve silêncio constrangedor foi interrompido por Demi pedindo:
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  — Me vê mais uma, por favor, Maggie.
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  A mãe dele virou-se para o freezer pra pegar a bebida, e Colt então aproximou-se do balcão no lado esquerdo de Demetria, contrário à onde estava Abby. Ele bateu o braço no ombro de Demi, que estava sentada mais baixa e sorriu pra ela dizendo:
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  — Ei, Demi, tudo bem?
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  — Fala aí, Colt. — Ela sorriu de volta, dando mais atenção para a cerveja que Maggie lhe entregava do que para o filho dela.
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  — Oi, mãe. — Colt suspirou. — Me dê uma dose de alguma coisa que você tomaria se ainda morasse com o papai.
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  Maggie pegou uma garrafa fechada de uísque e pôs no balcão. Demetria sorriu, Maggie olhou para a garota, ponderou mais um pouco e pegou uma segunda garrafa. Deu a entender ao filho que tomaria um porre se fosse ele. Demi e Colt riram ainda mais. Abby voltou a se sentar no balcão ao lado de Demi, um pouco sem jeito ainda com a presença de Colt.
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  — Dia ruim com seu pai? — a mãe perguntou.
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  — Eu mal vi ele o dia todo. Ficou arrumando o celeiro com o Galo enquanto passei o dia puxando estrume com uma pá. Minhas costas estão me matando. Sugeri mudanças para o papai e ele veio com aquele papo de que minhas ideias são idiotas.
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  — Você não conhece seu pai, não é? — Demi murmurou.
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  — E você sim?
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  — Bom, com certeza, mais do que você — a amiga respondeu.
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  Maggie contou para o filho que precisaria ter paciência, pois, com Beau, qualquer relação vinha primeiro com muito trabalho no rancho. Ele prezava e admirava as pessoas que trabalhavam duro como ele, e seria daquela forma que ele conquistaria cada vez mais o respeito do pai. Colt acenou e notou Abby ainda ao lado de Demi, então, curioso e admirado de ver a ex ali, o jogador sorriu para ela dizendo:
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  — Abby, e o que você tem feito?
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  — Sou professora de História na Garrison.
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  — Uau, nossa, isso… Tem tudo a ver com você. Ei, vamos nos sentar ali. — Apontou uma mesa.
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  Maggie observou a interação entre os dois, e trocou olhares com Demetria, que não esboçava nenhuma reação, ainda bebendo tranquila no balcão. Enquanto conversavam entre si, Maggie e Demi, às vezes prestavam atenção na conversa dos dois.
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  — Mas me conta, Maggie… — Demi falou assim que Colt foi sentar com Abby na mesa atrás de si. — Dormiu com o Beau de novo, não é?
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  — Ai, Demi, você sabe… Beau e eu sempre brigamos quando estamos juntos, e quando brigamos nós…
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  As duas riram até que deixassem a risada morrer, e ouviram Abby e Colt atrás de si:
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  — Mas o que você veio fazer em Garrison?
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  — Ah, meu pai me ligou pedindo ajuda com o rancho, e eu decidi me dividir entre o futebol e as tarefas familiares, sabe…?
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  — Nossa, e você continua mentiroso — Abby comentou rindo.
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  Maggie negou com a cabeça sussurrando para Demetria:
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  — O Colt continua tentando impressionar a Abby ou é impressão minha?
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  — Acho que ele não a superou. — Demi deu de ombros rindo. — E como está o trailer?
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  — Ótimo! É pequeno, não exige tanto tempo para arrumar, não tem como fazer bagunça nele porque ele é super funcional, enfim, muito melhor do que morar com o Beau, com certeza!
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  — Fico feliz que ele te serviu bem, Maggie.
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  — Não se arrepende de tê-lo vendido para mim?
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  — Não. A ideia de morar em um motor home com meu marido e poder viajar quando quisesse era algo que tive com o Will, agora… Talvez ainda tenha um motor home um dia, mas… Foi melhor vender ele pra você.
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  — Sinto muito mesmo, querida, pelo que aconteceu. E desejo que você encontre um marido à sua altura para viver em um motor home viajando por aí.
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  — Obrigada, Maggie. Você sabe que pode fazer isso agora, não sabe?
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  — Acho que ainda tem algo que me prende em Garrison.
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  Maggie falou e as duas notaram novamente a conversa de Colt e Abby, assim que a sineta tocou e Kenny entrou no bar.
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  — Ok, agora o Colt vai entender que precisa superar — Maggie sussurrou para Demi apontando o rapaz que chegou.
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  — Kenny? — Demi perguntou surpresa para a mais velha e viu ele caminhar até a mesa onde Abby estava. — Ela está com o Kenny? Uau, é a cara dela também!
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  O homem se aproximou cortando seja lá o que fosse que Abby e Colt diziam:
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  — Uau, é Colt Bennett!
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  — Oh, sim, mas por favor, eu te dou um autógrafo, só que agora estou conversando com uma amiga… — Colt falou simpático como se ele fosse um fã.
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  — Ah, não, não, Colt… — Abby interviu. — É meu namorado. Kenny, lembra dele? Estudou com a gente no colégio.
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  Colt murchou totalmente e Demi notou aquilo, assim como Maggie.
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  — Ah, meu Deus, Kenny… — Colt tentava se lembrar.
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  — Ele não faz ideia de quem seja — Demi sussurrou para Maggie e as duas riam enquanto Colt ainda falava com Kenny e Abby, e depois explicou: — Como ele ia se lembrar de um nerd da banda da escola? No máximo ele se lembra das músicas da banda.
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  — Era uma só, não era? — Maggie perguntou rindo também.
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  — Vocês tocavam “Eye of the tiger” pra gente quando saímos do jogo — Colt disse, sua mãe e vizinha riram ao ver que Demi havia acertado.
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  Abby percebeu a ironia na voz de Colt, talvez, diminuindo a presença de Kenny em sua vida adolescente, então começou a tentar vangloriar-se do futuro atual, do seu então namorado:
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  — O Kenny é gerente do hotel Courtyard by Marriott em Telluride.
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  — Bem, na verdade não fica bem em Telluride, mas recebemos muitos esquiadores e outros praticantes de esportes de inverno — Kenny explicou humilde para Colt, que ouvia tudo de braços cruzados e uma expressão de estranheza.
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  — É incrível fazer parte da família Marriott — Abby ainda dizia. — Você nem imagina os descontos que ele tem! Ano passado fomos pra Omaha sem motivo especial!
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  Colt achava tudo aquilo uma grande bosta, e Demi e Maggie sabiam. Elas observavam a cara de tacho de Bennett sem saber como reagir e queriam rir, mas se seguravam.
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  — Nossa… — Colt disse com cara de bobo perdido e sarcasmo. — Como você conseguiu um emprego desse?
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  Enquanto Kenny ia contando sobre sua história e Abby achando tudo muito legal, Demi tomou o último gole de sua bebida e se despediu.
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  — Bem, Maggie, eu vou nessa.
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  — Ah, sério? Não quer saber como vai terminar? — a dona do bar falou risonha levantando-se, havia apoiado o cotovelo no balcão para assistir tudo.
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  — Eu já sei como vai terminar — Demi respondeu deixando a garrafa e se levantando. — Com o Colt frustrado indo para casa e revirando os anuários do colégio até encontrar quem é o Kenny.
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  — Eu apostaria se soubesse que ia ganhar, mas confio que você conhece o Colt quase tanto quanto eu. — Maggie a abraçou e a mais nova foi embora sem se despedir de ninguém.
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  Maggie voltou a se concentrar no atendimento do bar. Colt estava entediado perto do casal, mas ficou ainda mais incomodado ao ver sua ex beijando o atual namorado depois de ele lhe falar algo carinhoso.
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  — Droga, olha só… Esqueci que estou com a caminhonete do meu pai e mal falei com a minha mãe, preciso ir… — Colt comentou.
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  — Ah, sério? — Abby perguntou sem graça. — Tudo bem, nos vemos depois.
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  Kenny ainda falou mais algumas coisas com Colt, mas logo ele estava no balcão chamando por sua mãe.
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  — Mãe, eu vou indo… Ué, cadê a Demi?
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  — Ah, ela já foi embora.
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  — Mas nem se despediu? — Colt reclamou.
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  Maggie riu anasalado como se o filho não tivesse mudado nada e ainda continuava sem entender algumas coisas.
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  — Você sequer deu atenção para ela desde que ela voltou, e tá reclamando porque ela não está aqui pra beber com você?
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  — Bom, ela podia ao menos ser educada.
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  — Demi é educada, você que às vezes me surpreende. — Maggie riu. — Vai com Deus. Deixa meu beijo no seu irmão.
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  — Eca. Não.
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  Colt saiu do bar e entrou na picape do pai, dirigiu o caminho todo pensando quem afinal era “Kenny” e desde quando aquele tipo de cara entediante fazia parte do gosto de Abby?
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