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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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The Beast


Escrita porPams
Revisada por Maria Carolina

2 • Realidade

Tempo estimado de leitura: 24 minutos

Outono de 2015
Berlim, Alemanha

  Foram suas únicas palavras, antes de deixar o lugar. Assim que um dos seguranças desamarrou Ortiz e se retirou com os outros, %Alice% soltou um suspiro de alívio e correu para perto do pai.
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  — O senhor está bem? — Perguntou preocupada, sentindo o coração apertado pelo sangue escorrendo no rosto dele.
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  — Minha querida, o que você fez? — Ele a olhou com tristeza, e se sentindo culpado por aquilo. — O que eu te fiz fazer.
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  — Não fique assim, pai, o que importa é que eles foram embora — disse %Alice%, tentando manter a tranquilidade assim que sua irmã mais nova se aproximou dele.
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  — Mas eles vão voltar amanhã e vão levar você — Margareth a olhou com tristeza, lacrimejando. — O que eles vão fazer com você?
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  — Marg, não vamos pensar nisso agora — %Alice% abriu um singelo sorriso para ela e ergueu o dedo mindinho para a irmã. — Vai ficar tudo bem, eu prometo.
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  — Vou acreditar em você — Margareth cruzou seu dedinho com o da irmã, mas no fundo triste e em agonia do que poderia acontecer.
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  — Eu amo vocês, minhas filhas — disse Ortiz.
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  As meninas sorriram com doçura para o pai e o abraçaram. Ortiz sentiu uma leve dor pela surra que tinha levado, mas aguentou firme, apenas para receber o carinho das filhas.
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  — Margareth, ajude o papai a se sentar no sofá. Vou pegar a caixa de primeiros socorros no banheiro — disse %Alice%, se levantando.
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  A caçula assentiu e ajudou o seu pai após o afastamento da irmã. A pequena família morava na parte mais pobre da cidade, situada no bairro Neukölln. Ortiz trabalhava como zelador no prédio de uma grande empresa de advocacia, em que %Aaron% Tenebrae era o dono e CEO. E dos inúmeros serviços jurídicos que o lugar prestava, seu maior cliente era a Continuum.
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  Fora um golpe de sorte o velho pai de família ter ouvido, escondido no vestiário dos funcionários da terceira classe, que um carregamento estava para ser entregue na empresa. Inicialmente ele pensou que seria algo relacionado a documentos ou mobiliário do escritório, até que descobriu que tinha algumas maletas de dinheiro dentro das caixas suspeitas. A declarada “bonificação” para o escritório Tenebrae era devido a um processo bem sucedido em que o melhor advogado da cidade não precisou de muito esforço e nem suborno para jogar um vereador corrupto na prisão. Claro que por questões de interesse pessoal, já que misteriosamente o escritório de advocacia havia sido alvo deste mesmo político em sua campanha.
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  — Aqui — disse %Alice%, trazendo a caixa em sua mão e se sentando ao lado do pai.
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  A cada algodão umedecido que passava no rosto dele, arrancava algumas caretas do pai, o que era motivo de risos espontâneos de Margareth, que mesmo com seus dez anos de muita esperteza, ainda se mantinha esperançosa por uma realidade melhor em sua vida.
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  — Isso dói — reclamou Ortiz.
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  — Não posso deixar infeccionar, pai — explicou %Alice% ao colocar o último curativo. — Pronto, agora tome um banho e descanse um pouco, vou fazer algo para se alimentar.
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  — Minha querida, não precisa se preocupar com seu velho pai — disse ele — Eu não mereço…
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  — Nem adianta vir com esse discurso — interrompeu ela, segura em suas palavras. — Eu sempre vou me manter preocupada com o senhor.
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  %Alice% sorriu de leve para o pai e seguiu para a cozinha. Não levou muito tempo no preparo de uma sopa improvisada com os legumes que encontrou na geladeira. Não era novidade a escassez que viviam. Por não poder fazer tanto esforço físico, pois ainda estava no término do seu tratamento, os medicamentos caros davam pouco espaço para comprar os mantimentos. E agora, com o pai desempregado, tudo piorava.
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  Sendo honesta, a jovem primogênita não estava preocupada consigo mesma e com o que lhe aconteceria no dia seguinte. Contudo, sua atenção estava em como sua família iria seguir sem ela. Mesmo não podendo, ela trabalhava normalmente, ajudando na manutenção da biblioteca comunitária do bairro, para ajudar o pai com as despesas.
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  As horas se passaram. Em alta madrugada, a inquieta Margareth se remexia na cama em que dividia com a irmã, o que acabou chamando a atenção da jovem que também perdera o sono.
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  — Não precisa fingir que está dormindo — disse %Alice% num tom baixo. — Pois sei que não está.
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  — Como sabe? — Margareth abriu os olhos, ergueu o corpo e se voltou para a irmã.
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  — Você fica imóvel quando realmente está em sono profundo — explicou ela, rindo baixo. — O que aconteceu?
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  — Não consigo dormir — respondeu.
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  — Isso eu já percebi, Marg — %Alice% manteve o olhar sereno para a irmã.
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  — Estou com medo — sussurrou ela.
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  — Do quê?
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  — De nunca mais vê-la — confessou a pequena.
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  — Margareth, eu não te prometi que tudo vai ficar bem? — Disse ela.
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  — Mas aquele homem malvado bateu no nosso pai, imagina o que ele pode fazer com você — retrucou.
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  — Bem, eu fiz um acordo com ele, de pagar o que devemos — %Alice% começou a procurar pelas palavras certas na construção daquele argumento. — Ele não vai me matar, eu te asseguro, e nem me cortar em pedacinho. O máximo que pode acontecer é ele vender meus órgãos para salvar a dívida.
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  %Alice% ficou esperando a irmã processar a informação e, vendo o olho assustado da pequena, começou a rir dela.
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  — Não tem graça — Margareth a empurrou forte, fazendo-a cair da cama, o que a fez soltar uma gargalhada ainda mais alta. — Eu estou mesmo com medo — disse Marg.
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  — Não tenha, eu já disse que vai ficar tudo bem — %Alice% se levantou e deitou novamente. — Vamos ficar todos bem.
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  — Papai sempre diz que você é confiante como a mamãe. Queria ser assim também — resmungou a pequena.
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  — Tenha fé, essa sempre será a nossa confiança — %Alice% piscou de leve para a irmã e sorriu.
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  Ao amanhecer, como prometido, lá estava a Mercedes preta em frente ao desgastado prédio onde moravam. %Alice% se despediu de seu pai e da irmã com um abraço caloroso e um sorriso sutil. Não a permitiram levar nenhuma bagagem, apenas seus documentos e o velho celular que comprara de segunda mão em uma bolsa.
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  Seu destino? Charlottenburg. Um dos bairros mais ricos de Berlim e o mais tradicional também. Ver as lindas construções do século XIX pela janela do carro a fizeram, por um momento, esquecer o motivo pelo qual estava ali dentro. Uma parte da cidade que ela jamais imaginou conhecer e ao menos chegar perto. Assim que chegou diante de casa do Tenebrae, desceu do carro acompanhada pelos três seguranças que a escoltaram.
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  — Senhorita Ortiz, seja bem vinda — disse a governanta da casa.
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  Seus cabelos grisalhos foram uma surpresa para %Alice%.
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  A jovem aprendiz de bibliotecária não poupou discrição em olhar para todos os cantos da casa pelos espaços em que passavam com a mulher. Seu coração estava um pouco acelerado, o que a fez ter certo medo do que pudesse acontecer a seguir. Em poucos minutos, a governanta a deixou esperando na sala de estar. Os olhares dela percorreram o lugar muito bem decorado e luxuoso. A arquitetura tradicional da casa parecia ter recebido uma restauração, pois se mantinha muito bem conservada.
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  — Senhorita Ortiz — a voz firme e grossa de %Aaron% Tenebrae quase fez o coração dela parar por um instante, fazendo-a olhá-lo de imediato.
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  — Bem vinda a minha casa — disse ele, mantendo um olhar intenso e curioso nela. — Está certa de que…
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  — Não voltarei atrás da minha palavra — ela o interrompeu, demonstrando firmeza. — Pagarei a dívida, apenas não sei como.
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  Ele sorriu de canto pela ousadia da moça, que o deixava ainda mais inquieto internamente.
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  — Quanto a isso, eu já me decidi — ele sorriu de canto ao desviar seu olhar dela para alguém que adentrava a sala correndo.
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  Logo a figura de uma pequena garotinha surgiu no campo de visão de %Alice%. A menina, que aparentava ter seus cinco anos, com um vestido rosa e laço branco amarrando o cabelo em um rabo de cavalo, passou por ela e pulou nos braços dele. Um sorriso singelo saiu de seu rosto, seguido de um beijo no rosto dele.
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  — Bom dia, papai — disse ela.
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  — Bom dia, minha princesa — ele sorriu para a criança e voltou seu olhar para %Alice%, que se mantinha estática à cena. — Quero que conheça sua nova babá.
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  %Alice% sentiu um frio passar por seu corpo, seguido de alívio. Babá. A palavra se repetiu em sua mente mais algumas vezes até que finalmente conseguiu absorver o que acontecia ali.
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  — Diga oi para a senhorita Ortiz — pediu ele, mantendo seu tom de voz baixo, mas com a firmeza de sempre.
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  — Oi, senhorita Ortiz — disse a pequena criança.
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  — Oi — %Alice% forçou a voz, que não queria sair e soou como um sussurro.
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  — Carmen, leve a Nina para tomar café no jardim — disse ele, colocando a filha no chão novamente. — Seja obediente e coma tudo.
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  Ele sorriu para a criança, que assentiu com a cabeça. Assim que a governanta se retirou levando a pequena com ela, o olhar fixo de %Aaron% se voltou novamente para %Alice%, deixando-a um pouco constrangida.
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  — Sendo um homem em minha posição, preciso ter cautela com as pessoas que se aproximam da minha filha — iniciou ele. — Por isso, a deixarei na sua responsabilidade, se provar que é capaz… Talvez, posso considerar como uma forma de pagamento.
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  — Por quanto tempo cuidarei da sua filha? — Perguntou ela.
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  — O tempo que eu quiser — respondeu ele, com serenidade.
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  %Alice% abaixou o olhar. Poderia ser pior do que ela imaginava e, no fim, passou longe da sua brincadeira com a irmã.
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  Os dias foram passando e rapidamente %Alice% conquistou a confiança da pequena Nina. Quanto mais ela pegava carinho pela criança, mais indiretamente despertava o interesse no pai da mesma.
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  — Hm… Onde será que essa mocinha está? — Disse %Alice% ao adentrar a sala e passar o olho pelo lugar.
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  Logo ela ouviu um barulho de risos e avistou os pés de Nina sendo parcialmente escondidos pela cortina da janela principal.
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  — Será que ela está debaixo do sofá? — %Alice% fingiu estar procurando em outros lugares da sala, ouvindo mais risadas dela.
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  Assim que %Alice% parou em frente à cortina, abriu-a de repente e olhou a pequena criança com um brilho acolhedor no olhar.
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  — Te achei — a jovem sorriu para ela e se abaixou, ficando em sua altura. — Já brincamos demais de esconde-esconde, tem certeza de que não está cansada?
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  — Não — a criança estava mesmo motivada a brincar mais.
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  Essa empolgação toda fazia %Alice% se lembrar da irmã. Um grande sentimento de saudade tomou conta dela naquele momento, fazendo-a ficar um pouco emotiva.
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  — O que foi? — Perguntou Nina, percebendo o olhar de %Alice% ficar triste.
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  — Nada, minha querida, está tudo bem — a jovem babá sorriu para ela e se levantou. — Quem conta agora?
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  — Eu! — Disse ela.
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  Nina não sabia contar muito bem, apenas havia conseguido memorizar os números até o dez, o que era mais que suficiente para %Alice% se esconder pela casa. A jovem começou a andar pelos corredores, pensando em um lugar estratégico. Após passar uma tarde inteira brincando com a criança, já estava sem ideia de onde se esconder. Então, ela passou pela porta do que teoricamente seria o jardim de inverno da lateral leste da casa. Não era um lugar proibido da casa, mas %Alice% preferia o jardim dos fundos.
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  Entretanto, ao ouvir um barulho, deu alguns passos, abriu a porta e entrou. %Alice% ficou um estática no primeiro momento ao se deparar com %Aaron%, trajando roupas mais informal e um avental de jardinagem por cima, em sua mão uma tesoura de poda. Inesperado e surpreendente, já que o quadro de funcionários contava com um profissional em jardinagem.
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  — Senhorita Ortiz — disse ele, ao perceber sua presença.
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  — Senhor Tenebrae — ela respirou fundo, ainda sem reação.
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  — O que faz aqui? — Perguntou ele, colocando a tesoura de poda em cima da bancada de trabalho.
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  — Me escondendo da Nina — respondeu ela, mantendo o olhar no pequeno vaso de planta em cima da bancada. Se lembrava de tê-la visto na entrada da casa.
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  — Ela é incansável — comentou ele, rindo de leve.
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  — O que estava fazendo? — Perguntou ela, se aproximando um pouco.
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  — Não é sugestivo? — Ele apontou para o avental. — Você acabou de descobrir meu hobby.
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  — Jardinagem? — Aquilo a surpreendeu ainda mais, afinal, não era tão comum pessoas do estilo frio e calculista de %Aaron% gostarem de algo tão singelo e delicado quanto plantas e jardins. E mais uma vez ela se viu confusa ao tentar entender a complexidade que rodeava tudo relacionado a ele.
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  — Quer que eu te mostre?! — Perguntou ele, estendendo a mão para ela.
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  — Bem… — %Alice% não sabia o que responder, mas acabou se aproximando mais.
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  Tenebrae voltou sua atenção para um vaso de rosas brancas e, pegando a tesoura novamente, começou a podar alguns galhos. %Alice% se manteve em silêncio, observando-o fazer aquela atividade de forma tão suave e atenciosa. Por um breve momento, ela percebeu um brilho no olhar dele que a deixou fascinada. Um sorriso sutil apareceu no rosto dela, algo que ele percebeu com facilidade.
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  — E esta… — Ele cortou uma rosa que estava aberta e virou para ela. — É para você.
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  — Pra mim? — Ela se assustou de leve com o impulso que ele tomou e, pisando em falso ao tentar se afastar, se desequilibrou.
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  %Aaron% a segurou pela cintura ao perceber que %Alice% corria o risco de cair. De forma involuntária ou não, ele manteve seu corpo próximo ao dela. Ambos se olhando fixo, com toda intensidade partindo dele. Ortiz sentiu seu coração acelerar um pouco. Coberto por todo aquele lado escuro e gélido de Tenebrae, aos poucos ela estava descobrindo um outro lado que jamais imaginava existir.
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  — Senhor… — Ela sussurrou ao sentir que ele se impulsionou para se aproximar mais e tocou de leve em seu tórax, para mantê-lo o mais distante possível.
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  — Sim? — Ele manteve a serenidade e intensidade no olhar, sentindo todo o seu corpo querer tomar o controle do momento e beijá-la.
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  Um minuto de silêncio pairou entre eles.
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  — Achei você — a voz de Nina soou de forma fofa, movendo a atenção de ambos para ela.
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  %Alice% se afastou de imediato dele, se sentindo envergonhada pela cena em que a criança havia presenciado. Enquanto isso, Nina mantinha um sorriso no rosto e um brilho de esperança no olhar.
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  — Sim, você me achou — disse %Alice%, tentando manter a sanidade intacta.
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  — Vem… — Nina correu até ela e, pegando sua mão, a puxou com entusiasmo para saírem do lugar. — Está começando a nevar.
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  — E eu não posso ir? — Perguntou %Aaron%, se sentindo abandonado pela filha.
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  — Claro, papai — Nina riu e continuou a puxar sua babá favorita.
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  O inverno batia à porta, assim como o olhar admirado da pequena para a neve que caía do lado de fora. Mesmo sendo uma época fria, internamente o coração do Tenebrae misteriosamente se aquecia sempre que olhava para a jovem destemida que assumiu a dívida do pai.
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  Mais dias se passaram.
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  No final da noite de uma sexta-feira, após colocar a menina na cama, contar uma história aleatória de alguma princesa Disney e lhe desejar bons sonhos, %Alice% desceu as escadas e seguiu para a cozinha. Os outros empregados estavam próximos à bancada de refeições, entre cochichos e fofocas.
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  A jovem se fez desinteressada e preferiu não se envolver na conversa. Ela já recebia muitos olhares curiosos de todos sempre que %Aaron% a pedia para sentar-se à mesa e acompanhar ele e a filha em suas refeições – a única empregada que até então obteve este privilégio, despertando também insatisfação e inveja nas criadas que se encarregavam da limpeza da casa.
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  — Vocês viram o corpo daquele homem sendo carregado? — Comentou a criada Annabeth, disfarçando o olhar observador para a babá.
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  — Mais um? — Josh, o jardineiro, se mostrou surpreso. — É o sexto em menos de uma semana.
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  %Alice% se manteve em silêncio ao pegar um copo de leite e sentou-se na porta da cozinha para o jardim dos fundos. Seu olhar se manteve no céu. No fundo, sentia saudade de sua família.
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  — Quando fui ao mercado com a Carmen, ouvi boatos pelas ruas que atacaram a família Webe da construtora — comentou Lauren, a outra criada. — E pediram para o senhor Tenebrae descobrir quem foi.
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  — Ah, ele é mesmo o consigliere da família Webe, né? — Disse Robert, o motorista da família. — Eu ainda fico impressionado; além de ser de uma família poderosa da reservada Continuum, o senhor Tenebrae ainda é conselheiro da máfia alemã.
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  Ele sentiu seu corpo arrepiar, por medo do chefe.
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  — Ah, eu só sei dizer que foi tão difícil limpar os vestígios de sangue da adega desta vez... — Continuou Annabeth, soltando um suspiro.
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  — Eu não me importo com o quão mal ele pareça, mas o senhor Tenebrae é um sonho de homem. Se eu tivesse a oportunidade... — Lauren suspirou.
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  — Sim — Annabeth concordou, mantendo o olhar em %Alice%.
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  Minutos depois, %Alice% se recolheu em seu quarto no alojamento dos empregados. No meio da noite, ela acordou assustada por ter tido um pesadelo. Aproveitou a deixa para ir até o quarto de Nina e se certificar que a criança dormia bem. %Alice% sorriu de leve ao olhar o rosto tranquilo de suave da garota em seu sono.
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  Ao passar pela porta do quarto de %Aaron%, percebeu que desta vez estava um pouco aberta. Será que ele havia perdido o sono também? %Alice% ergueu a mão para tocar quando sentiu uma presença atrás dela. Assim que virou, seus olhos encontraram o rosto ensanguentado do Tenebrae.
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  — Ah! — %Alice% deu um passo para trás no susto e colocou a mão na boca para não gritar.
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  Ele manteve-se sério e com o olhar fixo nela. Foi então que a determinada babá percebeu que o sangue em seu rosto não era dele, o que a fez lembrar-se das conversas que ouvira na cozinha. Seu coração acelerou de forma angustiante, lembrando-se também do dia em que o conheceu, e do que fez com seu pai. Toda aquela imagem de homem cruel e perverso voltou a ela, anulando os momentos em que presenciara seus atos de carinho e ternura com a filha, assim como seus lados totalmente inusitados de uma pessoa comum.
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  Quem era aquele homem que para alguns era um monstro e, para a doce Nina, um pai amoroso que ama plantas?
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  — O que faz aqui?! — Perguntou ele, mantendo a tranquilidade na voz, como se nada tivesse acontecido e nem mesmo sua mão direita ainda estivesse segurando uma arma.
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  — Eu… — Ela desviou o olhar para baixo, tentando manter-se em equilíbrio, mas avistando a arma, seu interior ficou um pouco mais apavorado. — Eu apenas…
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  — Minha filha está bem — disse ele, já entendendo o que ela queria falar.
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  Ela assentiu com a face.
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  — Está com medo? — Perguntou ele, propositalmente.
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  — Defina o que é medo — ela levantou seu olhar novamente, o encarando.
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  Sim, ela estava com medo, mas não iria admitir. Seu pensamento voltou para seu pai e sua irmã. Se estava ali por eles, deveria ser forte.
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  — Por que você me intriga tanto? — disse ele, dando um passo para mais perto dela. — Me fazendo ficar ainda mais atraído por você.
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  — O quê? — %Alice% se sentiu um pouco desnorteada por suas palavras tão diretas.
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  Ela tentou se afastar dele, dando um passo para trás, porém sentiu suas costas tocarem a parede. Ele se aproximou mais, mantendo o olhar mais intenso. Estava curioso para saber os pensamentos que sua babá tinha a seu respeito. Se seu rosto estava tão suave, por que seus olhos continuavam mostrando estar com medo?
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  — Ninguém morreu esta noite, se é isso que está se perguntando — disse ele.
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  — Não estava pensando sobre isso — desmentiu ela.
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  — Tem certeza? — Insistiu ele.
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  — Por que sempre quer saber meus pensamentos? — Retrucou ela. — Minha opinião sobre o senhor mudará seu estilo de vida ou seu caráter?
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  %Aaron% ficou pensativo por alguns instantes.
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  — Não acha que tenho um bom carácter? — Perguntou ele.
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  — Acho que é um bom pai, apesar das circunstâncias — disse ela.
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  — Não foi isso que eu perguntei — ele sorriu de canto, de forma presunçosa. — Ainda tem medo de mim.
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  — Novamente a mesma indagação? Se eu disser que tenho medo, o que o senhor fará? — Retrucou ela.
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  — %Alice%… — Pela primeira vez, ele a tratou informalmente.
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  — Acho que precisa de um banho, seu rosto ainda está… — Ela ponderou suas palavras, o interrompendo, e voltou o olhar para o lado. — Sei que não é da minha conta, mas não acho que a forma em que está seja a imagem que Nina tem do senhor.
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  Ele voltou a sorrir enquanto a olhava admirado.
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  — Agradeço por se preocupar com minha filha — ele sorriu de canto e tocou na maçaneta de sua porta. — Você conseguiu…
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  — O quê, Senhor Tenebrae? — Perguntou ela, olhando-o novamente, confusa.
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  — Ter a minha confiança — respondeu ele, dando um passo para trás e abrindo a porta. — Talvez, até mais do que isso.
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O mundo tem medo de mim, sou o homem intocável
Mas, no final, você não pode me rejeitar,
Você vai se esconder e roubar olhares meus.
Monster – EXO

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