1 • Vislumbre
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Se você pudesse ver o futuro, tomaria as mesmas decisões que pretende tomar no presente? %Alice% não imaginava que ao se colocar no lugar do pai para pagar uma dívida, ela também teria a oportunidade de viver um amor subjetivamente proibido.
Alguns meses à frente…
— Nunca desejei tanto uma mulher como a desejo agora — disse %Aaron% ao segurá-la pela mão, seu olhar transmitia sinceridade e transparência.
— Senhor Tenebrae — ela se manteve afastada dele, com o olhar temeroso. — Não podemos.
— Já lhe disse para não me chamar assim — ele se aproximou mais dela. — Apenas %Aaron% para você, e sei que também me quer como a quero.
— Senhor… %Aaron%… — Ela o olhou.
Aquele olhar ingênuo que tanto despertava curiosidade e atração.
— Eu sinto isso em você… Seus lábios me chamando, sua pele suplicando pelo meu toque, seu coração acelerado a cada vez que me aproximo — ele se inclinou mais para sussurrar em seu ouvido. — Até mesmo suas artérias estão em desespero por um beijo meu… E eu a desejo com a mesma intensidade.
— Eu não posso… — Sussurrou ela, em recusa por todas as coisas que já o presenciara fazer.
— Eu posso por nós dois — assegurou ele.
%Aaron%, ao tocar sua cintura, iniciou um beijo apaixonado e intenso, transmitindo todos os seus sentimentos mais profundos por %Alice%.
Atualmente...
Outono de 2015
Berlim, Alemanha
— Eu realmente lamento por isso, o considerava muito, senhor Ortiz — %Aaron% manteve o tom suave e, fechando o punho direito, socou a cara do homem. — Entretanto, não posso aceitar mais esta situação.
A cadeira em que este estava amarrado se desequilibrou, porém um funcionário de Tenebrae segurou, colocando-a de volta no lugar.
— Clemência, senhor Tenebrae — pediu o homem ao sentir o gosto de sangue em sua boca, que já escorria pela lateral. — Eu juro que não queria.
— Não queria me roubar? — Ele soltou uma gargalhada. — Como pode um homem não querer me roubar, e mesmo assim o fazer?
— Tive um grande motivo. Estava desesperado e já lhe devo muito para que me emprestasse mais dinheiro — explicou o homem em lágrimas.
Ortiz não estava preocupado com o que aconteceria com ele. Velho e cansado de sua vida miserável, a morte seria um favor mais do que certo. Mas seu medo estava em suas filhas, e no quanto seus atos desesperados poderiam afetá-las. Em sua única ação como um pai de verdade, o fez para salvar a vida de sua filha primogênita, que estava doente.
— Interessante. E qual o motivo forte que lhe fez ser tão ousado? — %Aaron% chegou mais perto, olhando para o rosto machucado do homem em plena serenidade.
— Pai! — Um grito preso soou da porta.
O olhar de %Aaron% seguiu na direção. Vendo uma jovem mulher se agarrando a uma criança, lhe tapando os olhos. O medo era nítido em seu olhar.
— Minha querida, saia daqui — sussurrou Ortiz, forçando a voz com o pouco de força que ainda restava.
Assim que a jovem deu um passo para trás, dois seguranças de %Aaron% apareceram atrás dela, segurando-a e sua irmã.
— Me solte, por favor — pediu a jovem.
— Curioso. Acho que agora estou entendendo — Tenebrae voltou o olhar para o homem.
— Senhor Tenebrae, deixe minhas filhas irem, eu suplico — pediu Ortiz, em lágrimas e agonia. — Faça o que quiser comigo, mas não toque nelas.
— Então… Eu as deixo ir, apenas se me disser para qual das duas roubou o dinheiro — disse %Aaron%, certo de suas desconfianças.
Ortiz permaneceu em silêncio. Tinha medo de que o castigo recaísse sobre suas filhas.
— Bem, não vai dizer… — Tenebrae socou novamente o homem, desta vez derrubando-o no chão.
— Pai — a filha mais velha se moveu no impulso da preocupação para acudir seu pai, se soltando do segurança que a prendia pelo pulso. — Por favor, senhor, não machuque mais meu pai.
O olhar dela se voltou para ele, deixando-o estático.
— Foi por minha causa — respondeu ela no lugar do pai, tomando a responsabilidade para si, a fim de proteger a irmã mais nova.
— %Alice%, minha filha, não diga nada — seu pai tossiu, virando o rosto para o chão, sentindo dores.
— Não o castigue mais, por favor — o olhar dela se encheu de lágrimas. — Ele só queria salvar a vida de uma filha doente, fez o que um pai desesperado faria em sua situação.
Sim. Há um ano, antes de Tenebrae finalmente descobrir quem o havia roubado. Ortiz se via em pleno desespero por sua filha mais velha estar doente. Ele não conseguia se imaginar sozinho, cuidando da pequena Margareth, e desejava que a filha tivesse uma saúde plena e longos anos para viver livremente.
— Se há alguém que o deve, sou eu — ela se levantou, mantendo o olhar firme no homem a sua frente.
— Curioso — disse %Aaron%, ao sentir certa inquietude pela coragem e ousadia da jovem. — E como pretende me pagar?
%Alice% voltou seu olhar para o chão, meio paralisada pela pergunta dele, sem resposta para lhe dar. Um sorriso nebuloso surgiu em sua face, o que criou mais medo ainda no pai da jovem.
— Senhor Tenebrae, por favor, deixe minhas filhas em paz. Sou eu quem o roubou, eu que mereço pagar — disse novamente Ortiz em tom de desespero.
O velho senhor temia pelo que o “dono” de Berlim pudesse fazer com sua filha mais velha. Ortiz já tinha ouvido falar sobre homens de máfia que exploravam mulheres e coisas piores. Seu coração sentiu-se apertado e completamente impotente naquela hora.
— Soltem o homem — ordenou Tenebrae, já convicto de sua decisão. — Ao amanhecer, meus homens virão te buscar.
Ela está me deixando louco,
Por que o meu coração está acelerado?
Monster – EXO