III • Savior Complex¹.
Tempo estimado de leitura: 31 minutos
Carma.- Substantivo masculino.
- ¹Lei que afirma a sujeição humana à casualidade moral, de tal forma que toda ação (boa ou má) gera uma reação que retorna com a mesma intensidade a quem a realizou, nesta ou em encarnação futura.
%Elizabeth% não tinha certeza sobre os motivos dele em Forks, entre os quais, nenhum dos motivos que conhecia para vampiros ficarem em uma cidade parecia estar certo em sua cabeça.
Se fosse para caçar despercebido, era uma péssima ideia estar naquela cidade minúscula e com pessoas de pensamentos mais minúsculos ainda, ela suspirou.
Dourados, entretanto, os pensamentos dele não eram tão limpos e nublados demais.
Apenas pensou no dourado.
Ela sentiu empatia por sua falta de controle. No passado, ela era tão descontrolada quanto ele em batalha quando cortava as gargantas de seus inimigos. Ela seguiu em passos largos pelo refeitório e se sentou na primeira mesa vazia que achou longe de todos; um sinal claro de que não queria papo com ninguém.
O som amenizava as vozes enquanto seus fones estavam sobre suas orelhas, os pensamentos e sentimentos abafados para não invadir mentes alheias como mais cedo, no qual, foi descuidada demais.
Socializar não estava em seus planos, ao qual seria melhor fingir demência; ela bebeu o suco de morango que comprou e mordeu o bolinho de queijo. Vampiros? Vasculhou sua mente com as informações que arrancou dos vampiros. Pela tonalidade dos olhos, só poderia ser o clã de...
Hmm, ele achou outros.
Havia ouvido falar de Carlisle em Volterra, quando Félix bebeu seu sangue quando era uma garotinha, dos pensamentos que flutuavam para sua mente quando se lembrou do rosto de Carlisle, mas as lembranças eram nubladas naquela época.
Pelo menos, uma versão bizarra dele em sua mente.
— O que você está pensando?
Cassius se sentou, sem se importar com os olhares, enquanto repassava as atividades entusiasmadamente em sua mente — um ponto interessante era: Alice Cullen de todos os vampiros que havia visto em suas várias vidas, a menina tinha cabelos espetados, uma expressão tão bonita que era um crime para a humanidade.
Entretanto, ela percebeu algo que não devia. Franziu o cenho, e arqueou as sobrancelhas.
Você tem certeza? Cassius ignorou a pergunta de imediato.
Maravilha, irmão. Você é realmente alguém que eu devo admirar, pensou em tom irônico, enquanto Cassius fingiu não compreender o teor da voz dela.
Ela sabia o que ele estava pensando.
Alice Brandon estava viva. Talvez, foi aquele momento que percebeu que seus irmãos eram mais sortudos do que ela no amor.
— Hmmm.... Em nada, particularmente. Apenas, pensando em matar aula.
Cassius levantou a sobrancelha, enquanto suspirou. %Elizabeth% ajeitou os fios de cabelo na orelha.
Indicou a mesa vazia ocupada pela irmã mais nova, ao qual %Elizabeth% apenas deu de ombros.
— Foi a primeira mesa que eu vi vazia, e tive conversa fiada demais hoje — comentou com Cassius, enquanto Isabella encarou a irmã mais jovem, os três Swan sentiram a barreira ao redor deles, algo que afastava entidades do mal, enquanto em duas mesas de distância, o grupo de cinco pessoas parecia atentos a eles. — E, eles me irritam.
%Elizabeth% odiava pessoas irritantes.
— Ah,
aquilo — murmurou, %Elizabeth% apenas encarou o loiro, enquanto soltou a garrafa de leite de morango, e percebeu seu rosto se tornar mais tenso, novamente tocou sobre a sua palma enquanto girou o dedo para acalmar, mas a distância se tornava um pouco mais complicada, enquanto a calmaria deveria chegar nele devagar. — Existe mais do que previ.
Cassius percebeu de imediato, o rosto dele se tornou divertido enquanto mordia o próprio hambúrguer.
— O que houve? Entrou em briga? Mas todos parecem decentes.
%Elizabeth% arqueou as sobrancelhas —
decentes? Metade do corpo masculino estava agitado; talvez ela considerasse uma escola anormal, mas viver em Phoenix era muito mais agitado.
— Pelo menos eles parecem ser divertidos. Jéssica e Mike, eu digo, parecem decentes, mas... Não sei — murmurou é percebeu o grupo acenando para eles de forma entusiasmada. — O que vocês disseram?
— Que você está numa fase de rebeldia.
— Eu nunca fui rebelde nem nesta ou em outra vida, apenas cansada demais, eu sou um animal noturno — murmurou ao encarar a chuva. Ela mordeu a maçã e percebeu o rosto de Isabella. — Não se preocupe.
Podemos lidar com isso.
— As pessoas estão agitadas demais.
O murmuro soou baixo, Cassius observou a irmã que tinha os olhos franzidos para a chuva do lado de fora.
— Seus pensamentos são tão incoerentes, Bella — comentou Cassius e mordiscou a fruta junto com o lanche de pouco nutrientes. — Você deseja faltar à próxima aula?
— É o primeiro dia, Cassius?
— Não custa perguntar porque %Elizabeth% está de mau humor. — Riu o mais velho enquanto bebia o suco — Consegue se manter calma? Eu ouvi algumas coisas interessantes.
— É feio ouvir os outros, Cass,
mas às vezes, eu gostaria de dizer umas palavras para essas pessoas com suas mentes pequenas. — O som da mandíbula se fechando foi ouvido. %Elizabeth% apenas bebeu um gole de seu leite quando sentiu o estranho rondando o escudo, sua presença intimidante quando ouviu um som irritante, fantasias irritantes e suspirou, e ao qual escolheu cuidadosamente. — Eu não dormi muito bem. E eu tive a última aula com Mike Newton, ele me deixou estressada.
Os irmãos entenderam na hora sobre os vampiros em duas mesas de distância,
“tem especiais entre eles?”. Cassius sorriu quando teve biologia mais cedo com Alice Cullen, e percebeu assim como Isabella quando a encontrou do lado de fora do prédio, que ela era não-humana, enquanto %Elizabeth% apenas acenou com a cabeça em confirmação para pergunta.
— Oh, para irritar você é necessário muito, %Liz%.
“Sobre os Cullen, vocês ouviram também?”, perguntou Isabella em sua mente, enquanto %Elizabeth% fez um sinal com a cabeça.
— Eu ouvi algumas coisas sobre seu mau humor durante a aula de história, e ao qual nem se deu o trabalho de socializar, irmã — comentou Cassius, enquanto %Elizabeth% riu. — O quê?
— Eu também ouvi algumas coisas sobre mim. Mas eu não estava a fim. Afinal, todos querem saber sobre o nosso passado.
Edward Cullen sentiu que a frase
“É feio ouvir os outros” era para ele de alguma maneira, enquanto observava a garota de cabelos escuros como os da sua irmã. Ela estava em uma mesa próxima, meio metro no máximo. A garota sussurrou:
— Você está exaltada demais.
A voz tímida soou em um timbre leve e a outra apenas soltou uma risada baixa. Ele conseguia sentir a impressão da mente de dois dele, mas…
dela.
— Ah, eu tive educação física mais cedo, por que educação física nos primeiros horários? — reclamou ela, enquanto a risada do irmão mais velho soou — Cassius, eu juro que eu vou te...
— Não vale ameaçar, irmã. Vamos, Bella?
— Vocês são uns traidores — murmurou a mais jovem deles. — Por que você não avançou em Espanhol também?
— Não existe necessidade em avançar em algo que eu já sei. Você podia ter avançado em matemática também — murmurou Cassius e passou lentamente pelos Cullen, Alice o encarou séria enquanto o mesmo soltou uma risada estridente — Não faça essa cara, minha querida. Podemos conversar em Mandarim se deseja. %Elizabeth%,
seja boazinha.
%Elizabeth% encarou Edward Cullen, por meio segundo, antes de seu olhar circular todos ao redor deles e percebeu que não ouvia nenhum dos três com clareza. As suas mentes estavam em branco
e isso jamais ocorreu. Quando a irmã mais jovem soltou uma risada como se estivesse se divertindo com seus pensamentos parcialmente ocultos.
— Com toda a certeza, afinal, todo esse colégio tem seus ouvidos e olhos atentos para nós.
— Apenas com sede, essa escola não tem café.
— De vidas passadas que me atingiram.
Edward Cullen apenas se afastou em passos controlados, e mesmo até lentos para a maioria dos vampiros. Não havia necessidade de ouvir mais, os três Swan eram estranhos; falavam sobre as pessoas, sobre suas impressões e etc. O mais jovem dos Cullen se afastou de imediato para sua sala.
Não era de seu interesse o que aquelas crianças estavam fazendo. Ele sentiu algo lhe rondando, ao mesmo tempo em que encarou a sua cadeira. A aula de Biologia não apresentaria nada de novo.
A mente limitada do Sr. Banner não traria nenhuma coisa que ele não soubesse. A primeira pessoa que viu foi %Elizabeth% Swan, o som de seus passos leves demais para uma pessoa do tamanho dela. Ela segurava o casaco e alguns livros em suas mãos, assim como Isabella Swan, seus rostos eram parecidos. O cheiro de Isabella voou pelo recinto.
Aquele cheiro rasgava sua garganta, enquanto o segundo cheiro, era de %Elizabeth%, convidativo, mas não tão atraente quanto o de Isabella.
— Uma de vocês pode se sentar com o Sr. Cullen. E a outra, tem uma mesa vaga.
— Eu sento com ele — %Elizabeth% soou simpática, enquanto pareceu atenta aos movimentos pela sala — Fique sozinha na mesa.
— Você tem certeza? — murmurou Isabella em tom baixo — Você...
— Você quer socializar com ele nesse momento? — perguntou, enquanto ambas debatiam em sussurros. — Se sente na minha frente. Vamos, deixe disso!
Era o completo oposto uma da outra, enquanto o som da cadeira, a expressão entediada, enquanto %Elizabeth% parecia perceber meu desconforto, seus olhos verdes fixos em algum ponto da janela, ao mesmo tempo em que um suspiro profundo.
O cheiro de Isabella... Talvez, ela pudesse trocar o horário com Cassius. Ele pensou em todas as possibilidades, ao mesmo tempo em que sentiu aquele desconforto ao redor da mesa. Edward tinha pensamentos altos, barulhentos e planos demais, e a cada milésimo de segundo havia novas formas de matar Bella.
%Elizabeth% trincou os dentes, talvez fosse uma péssima ideia. A sensação de ouvir um vampiro querendo rasgar a garganta, e de matar todos ali.
Odiava usar seus poderes, isso era cansativo demais mesmo após quase mais de dois séculos de prática, apenas buscou a mente de Cassius no mar de alunos com facilidade.
“Você tem educação física com a Bella?”, sua voz soou em um sussurro longo, enquanto Cassius moveu as mãos sob a mesa de Educação Cívica com Sr. Jefferson, ao mesmo tempo em que percebeu a tensão na voz dela,
“O que houve? Está tudo bem, %Liz%?”.
“Venha busca-lá, ou eu irei arrancar a cabeça do Edward Cullen. Troque de horário com ela, ou qualquer coisa do tipo, mas pra hoje”.
%Elizabeth% apenas encarou o livro à sua frente, enquanto repassava todos os pensamentos e artimanhas de Edward Cullen, ao mesmo tempo em que ouviu o som da mente do irmão com preocupação. Ela bateu sobre a mesa em irritação para tentar acalmar sua mente.
“Acha que consigo matar ele antes dele matar a gente?”.
“Se você quiser chamar atenção da escola, sim, mas... sem ações precipitadas”, %Elizabeth% apenas soltou um suspiro, chamando atenção da irmã, mas não baixou sua guarda. No segundo seguinte escutou o som do sinal da escola e Edward Cullen desapareceu. Ela encarou o corredor cheio de pessoas, antes de encarar Isabella.
— O que houve? %Elizabeth%?
— Nada. Vá para educação física. Cassius está aqui. Boa aula.
%Elizabeth% Swan apenas encarou sua última aula, aquele sentimento de estranheza, percebendo com ironia o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo em que reconheceu Emmett Cullen, o grandão do refeitório que encarava a porta.
Edward Cullen também estava nessa aula, mas havia passado.
Ao mesmo tempo em que rondou a mente das pessoas, ele estava isolado. %Elizabeth% se sentiu menos inclinada a matar ele, todos os danos morais que poderia causar, o tempo passou rapidamente.
Porém, %Elizabeth% soltou um suspiro durante toda a aula de espanhol, ao qual ela foi uma das pessoas mais corajosas que já viu. Aquela decisão era a única que faria sentido.
Talvez em sua vida passada, ela tivesse um machado enfiado em sua cabeça.
Emmett Cullen encarou a menininha humana que era o motivo de euforia daquelas crianças humanas: %Elizabeth% Swan tinha os olhos verdes fixos nele com uma expressão normalmente bonita.
Emmett poderia jurar que ela era mais bonita do que a maioria das garotas humanas ali, o pouco de maquiagem e uma expressão suave. Ela segurava com firmeza a bolsa em suas costas e não sorriu, apenas observou Emmett.
Parecendo lê-lo, um sorriso surgiu no canto da boca dela.
— Eu preciso devolver algo, mas você pode fazer isso por mim... Sr. Cullen.
Aquele modo como sentiu que deveria ouvi-la, ao mesmo tempo em que ouviu os sons das crianças sobre a repentina aproximação dela com ele, afinal, Emmett pertencia a Rosalie. Entretanto, havia algo naquele olhar que o lembrava daquele rapaz.
%Elizabeth% sorriu para ele do mesmo modo como Alan sorria quando estavam juntos antes dele se transformar, e, de um modo estúpido, ela quis pensar em Alan.
Mas, diferente do que pensava, Emmett gostava do circo pegando fogo, então talvez mais uma tenha caído nas garras do seu irmão.
— Venha comigo, por favor.
Emmett não soube porque concordou, era uma visão estranha um Cullen socializar mais do que o necessário. %Elizabeth% seguiu seus passos e os outros a observavam, ela sorriu para eles de forma simpática.
Ela se curvou de leve, encarando o irmão mais novo dos Cullen. Edward estava no banco do motorista, sua expressão irritada quando a garota se abaixou na altura de seu rosto. O cheiro dela não era tão delicioso quanto o da irmã, pensou ele vendo a garota humana retirar algo de sua bolsa.
Ladrou Rosalie em tom baixo, enquanto o homem encarava a garota. Ela suspirou pela recepção não muito calorosa dos Cullen e dos Hale, a expressão não perturbada e mostrou o livro para ele.
— Ela queria ver o Edward.
%Elizabeth% deu um sorriso ladino, como se apreciasse aquele sentimento.
— Olá. Você esqueceu isso na sua mesa. E, eu tive que perturbar seu irmão para saber onde você estava. Temos um trabalho na próxima semana, se quiser fazer sozinho, eu farei com a minha irmã, pedirei para trocarmos de parceiros — murmurou de maneira inocente, sua expressão tão calma que agitava os ossos gelados de Emmett. Ela fechou a mochila com a pose calma ao lado de vampiros. —
Ah, e eu sinto muito pelo desconforto. Você pareceu muito mal na aula. Beba água, isso alivia a
sede. Até a próxima aula, Sr. Cullen.
A expressão era calculista e Rosalie pressentiu perigo, ao mesmo tempo em que outro elemento se aproximou na surdina. Isabella estava perto do carro encarando-os com uma expressão curiosa.
Edward sentiu a curiosidade por todo o seu rosto, enquanto a mão de Cassius Swan estava parada sobre as suas costas.
— O que diabos você está fazendo? Você desapareceu. — Sua voz baixa, enquanto a garota sorriu — Ah, desculpem pela intromissão.
Olá.
— Devolvendo o livro — disse de maneira calma e soltou uma risada. — Não seja ciumento, irmão. Até amanhã, Sr. Cullen. E, obrigada novamente, Sr. Cullen.
Ela encarou Emmett por meio segundo e abriu um sorriso de alívio. Cassius encarou Edward, enquanto seguia a irmã.
— Você estava fazendo o que, hein?
Desconversou de maneira natural, enquanto o rapaz apenas bufou batendo sobre a caminhonete velha.
— Sua reação. Você odeia se meter em assuntos que não são seus desde sempre, e nem mesmo os meus assuntos. Porque se importou com o dever de casa de alguém, %Elizabeth%... O que foi? Acha que ele foi rude com vocês? Aliás, como vocês fez ele te ajuda?
Emmett Cullen.
—
Ah, pedindo educadamente. Ele é solicito.
Emmett ouviu a conversa, enquanto a garota revirou os olhos, dando de ombros, ao mesmo tempo em que eram os centros das atenções, enquanto Cullen quis rir, como alguém tão pequeno poderia causar qualquer problema para ele.
—
Eu? Viu o tamanho dele? E capaz dele me quebrar no meio com uma mão, por favor, eu fui educada, e Edward é meu parceiro no trabalho, mas já que ele parece pouco disposto, eu farei com a Bella — murmurou de maneira esdrúxula, enquanto riu — Eu realmente só devolvi o livro, nada de mais. Além disso, ele não vai causar problemas, por enquanto.
— %Elizabeth%, o que você está fazendo?
— Me certificando de algo. Agora, vamos embora.
Enquanto %Elizabeth% apenas sorriu, enquanto suspirou lentamente, ao mesmo tempo em que percebeu o olhar sério de Edward, que a encarava pela janela, a garota respirou fundo, enquanto apenas sussurrou.
“Tome cuidado. Boa viagem, senhor Cullen”.
Ao mesmo tempo em que ela soltou uma risada alta, Edward Cullen não conseguiu ouvir os pensamentos dela, %Elizabeth% soltou um suspiro longo e deitou a cabeça sobre o acolchoado do carro velho que seu irmão dirigia.
Foi a única vez que retrocedeu na ideia de matar uma pessoa, ao mesmo tempo em que a mensagem chegou em seu celular.
Se lembrou do que houve dois anos antes.
Dois anos antes.
Noruega.
Campeonato Internacional de Capture The Flag¹.
Quando o som da
flag sendo capturada soou, os gritos em inglês soavam enquanto a frustração do atual capitão do time da Noruega era sentida em todos os níveis extremos conhecidos — ninguém acreditou que uma adolescente de 15 anos poderia derrotar homens e mulheres mais experientes que ela no CTF, e com apenas 6 meses de treinamento —, %Elizabeth% sentiu as palmas em suas costas, enquanto o choque que o time pequeno que derrotou os campeões do ano passado dos Estados Unidos tinha alguém tão forte.
%Elizabeth% tinha planos melhores, enquanto o celular velho em sua mão com o número que decorou — assim como a chave da casa que viveu em seus bolsos quando era Soren, ao mesmo tempo em que pensou que estava igual a antes.
Era uma lembrança distante.
— Você foi muito bem,
Swan.
— Você é um amuleto da sorte. Muito bem!
%Elizabeth% suspirou, enquanto as vozes em norueguês soavam quando se retirou para longe das conversas fiadas, escondeu o rosto pela máscara que usava —, Olso não tinha mudado muita coisa desde que morreu como Soren.
Apenas andou até o local mais próximo. A cafetaria estava quase vazia, e ao qual, não havia muitos clientes, o símbolo espalhado pelas suas paredes, enquanto as pessoas pensariam em palavras bonitas escritas em línguas antigas.
Mas eram palavras de dor e sofrimento escritas por Bulgasais que passavam ali pelas incontáveis vidas.
— Você não mudou nada,
Helena.
Helena Renault — fazia quantas vidas? Umas 100 vidas, enquanto ele não era tão mais velho quanto imaginava que ele seria pelas palavras sábias, enquanto o jovem de pouco mais de 18 anos lhe sorriu. Os cabelos negros estavam amarrados no alto em um coque samurai enquanto serviu o café para ela.
— Então, você está bem? Helena?
%Elizabeth% o encarou — de um homem cheio de ideias no passado, Ouyang Xu ainda tinha aquela energia que a irritava, e por aquele motivo, sumiu por quase três vidas inteiras quando sentiu que estava odiando ele com toda a força.
Aquele amor que se perdeu e se tornou ódio, enquanto encarava aqueles olhos repletos de algo que ela tinha esquecido. Ouyang Xu foi a pessoa que ela mais confiava em sua vida, além de seus irmãos e Tang Xi, dentre todas as pessoas que acreditava.
Ele era uma de suas favoritas.
— Eu esqueci algumas memórias — murmurou, encarou a cidade que viveu sua última vida — Memórias que eu quero lembrar, mas eu não consigo. Eu estou quebrada? Sabe como é começar a chorar "do nada"?
—
Helena. Você é a pessoa mais forte que eu conheço — Ouyang Xu sorriu de maneira dócil, ao mesmo tempo em que suspirou — É a mais teimosa também, além do coração mais gentil que eu conheço mesmo entre os seus inimigos. Sempre sozinha quando precisa chorar, e você não está sozinha, minha Helena. Eu sempre estarei com você.
%Elizabeth% sentiu as lágrimas descendo por seu rosto, ao mesmo tempo em que forçou todos aqueles sentimentos por seu corpo para fora daquela casca que tentou construir.
— O que houve com você? %Elizabeth%, você
se conectou?
A garota sentiu aquela dor rasgar sua alma —, as lembranças que esqueceu, e as quais desejavam lembrar haviam sido bloqueadas, enquanto Ouyang Xu segurou ela, sentiu quando ela chorava sobre seu colo como uma criança.
—
Helena, sua obsessão por ele vai te enlouquecer.
Ele está morto, minha Yue³. %Elizabeth% sentiu as mãos sobre as suas costas com cuidado, ao mesmo tempo em que sentiu aquele choro incontido de sua alma, desde aqueles tempos antigos, ela pensou que poderia superar ele.
Entretanto, quando o sol do Texas tocou seu rosto aos 7 anos de idade, quando encarou aquela pessoa de novo, todos aqueles sentimentos que encarcerou por mais de 2 mil anos dentro de seu coração parecia florescer com o tempo.
Como se a terra gelada dentro de seu peito ganhasse raios solares sobre o chão frio e que as raízes do amor cresceram. E, todas aquelas histórias, os fantasmas que tinham medo desapareceram de repente, enquanto percebeu que poderia ter um final feliz.
Finalmente, ela o achara e o perdeu novamente. Naquele momento, toda aquela fé que sua alma gêmea iria viver com ela por várias vidas desapareceu de repente.
Ela não conseguia mais sentir ele.
— Está doendo. Por favor, Ouyang Xu. Arranque as raízes do meu coração,
por favor. Por favor, eu não quero mais sentir!
Gritou em um desespero mudo por aquela dor penetrar em seus ossos, e serem mais letais que as espadas no passado.
Bulgasais quando nascem têm o dom de sentir suas almas gêmeas, e mesmo a milhares de quilômetros um do outro, %Elizabeth% nunca pensou que ele ia desaparecer como fumaça.
Em todas as vidas, ela tinha certeza que o acharia novamente.
— %Elizabeth%, isso é cruel.
— Eu não quero mais sentir falta dele, eu não quero mais perceber que todas as vidas serão miseráveis sem ele.
Por favor, Ouyang Xu. Por favor. Se você não o arranca, eu irei odiar ele.
Bulgasais sempre foram sentimentais —, os sete sentimentos que existiam, às vezes condenaram nações inteiras às misérias, Ouyang Xu é a única pessoa capaz de executar aquele feitiço.
—
Por favor. Apague esse sentimento do meu coração.Tempo atual.
As pessoas pensariam que era algo radical se soubesse que existem formas de cortar todos sentimentos do coração humano, entre eles,
Loveless curse era com toda a certeza a mais cruel e dolorosa de todas as opções.
Afinal, a pessoa que tinha maldição seria
sem amor.
Mas elas poderiam viver milhares de anos sem apagar aquele vestígio de dor que era perder a sua alma gêmea para sempre? %Elizabeth% sabia que estava condenada a viver sem sua alma gêmea para sempre, e mesmo depois de tantas encarnações, e ao qual, a única certeza que teve é jamais poderia ver ele de novo.
Quando ela decidiu pedir aquela maldição era para seu próprio bem, entre todas as suas vidas, Soren foi aquela que ela desejou verdadeiramente morrer para sempre, enquanto estava estrangulada com sentimentos de obsessão por alguém que jamais lembraria dela.
E do rosto que se esqueceu em angústia desde aquele verão quando sentiu ele ser arrancado dela de maneira brutal.
%Elizabeth% suspirou, enquanto as memórias eram cheias de saudade ainda mesmo que ela não sentisse todo aquele sentimento de novo —, mas a dor que sentia antes desapareceu assim como o rosto dele. Swan apenas digitou o número conhecido, enquanto ouviu o som do outro lado da linha.
— Ouyang — murmurou em tom suave, enquanto encarava a estrada até o mercado — O que houve?
—
Eu soube que você se mudou — murmurou ele em francês —
Como você se sente? — Você acha
mesmo que bulgasais tem uma segunda alma? Quero dizer, se Bulgasais são capazes de conhecer algo parecido com uma segunda alma… — murmurou, enquanto ouviu Cassius soltando uma risada com tal teoria — Cassius achou Alice Brandon.
—
O quê? Então ela não desapareceu? — Mas ela não se lembra de nada. Alice é uma vampira, agora. Mas Cassius não tem certeza se é ela mesmo. As aparências se tornam comuns com os anos.
O silêncio se pendurou, enquanto o homem mais velho parecia ter tido um estado de epifania de repente por algum motivo pelos barulhos.
—
E se sua alma gêmea também se tornou um vampiro? Lobisomem? Isso seria… possível, não acha? Até mesmo um Goblin? Você seria capaz de sentir de novo, não é? — É mesmo que fosse — murmurou friamente, ao mesmo tempo em que tocou em seu coração — Eu não saberia de nada, a única forma de saber, seria se ele fosse capaz de quebrar a maldição.
— Eu irei para os EUA. Helena, me espere.
Desligou,
mas quê? Soltou um palavrão, enquanto pensava nisso. Cassius não sentia Alice também, certo? Mas eles eram diferentes de qualquer maneira. Cassius nunca deixou um pedaço de si para trás, e ao qual %Elizabeth% Swan acreditava que era uma perda total de tempo.
Afinal, ela não sentia mais nada.
Por que ela desejaria sentir aquelas emoções levianas de novo?
Casa de Mike Newton.
Bree Tanner desceu do carro com sua mochila com os arcos e flechas dentro de uma bolsa de lado.
— Cuidado, garota. Te vejo amanhã.
Tanner revirou os olhos, enquanto apenas desejou dormi, e no qual o treinador da equipe, Jones parecia animado em encontrar uma especialista como ela — que só tinha ela como participante valioso, entre os quais Bree achava que estava sendo usado pela escola às vezes, mas ignorou tais pensamentos - de tiro alvo, após quase dois dias em Seattle finalmente voltou para comer a comida de sua tia, Karen, e ouvir as fofocas sobre os Swan.
As agitações do seu primo, Mike, estavam por toda a casa, quando retirou os sapatos, ao mesmo tempo em que o rapaz pensava pelos cotovelos nas garotas dos Swan.
Bree apenas percebeu a foto tirada pelos colegas, um dos lados dos outros. Enquanto o símbolo no colar da garota Swan chamou atenção, Bree apenas encarou por meio segundo, e sorriu com esse pensamento
"Nós nos encontramos no início”.
¹Savior Complex by Phoebe Bridgers.
²CTF - Capture The Flag - cibersegurança.