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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Starfall

Escrita porSoldada
Revisada por Lelen




CAPÍTULO 06 • A THREAD OF BROKEN SOULS

Tempo estimado de leitura: 51 minutos

EMHYR • CORTE NOTURNA

  Suor, cálido e pegajoso, escorreu pela lateral de seu rosto, deslizando pela pele retalhada, misturando-se com o sangue de seus ferimentos abertos. O sal no líquido tornou a machucar a pele sensível, os ferimentos abertos retumbando em ritmo similar ao de seu coração, irregular, doloroso, vagarosamente pingando de seu queixo, da ponta de seu nariz, tornando a manchar o chão abaixo de si. Contorceu-se ao deslizar por entre os entremeios do assoalho de madeira, criando padrões abstratos; nem espesso como sangue, nem invisível com a água de seu suor. Emhyr tampouco parecia registrar qualquer coisa que não fosse a memória vivida, entalhada em sua mente de poucas horas atrás.
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  Em seu peito, vazio causticante formava-se como um devaneio; ora real, ora distante, surrealista demais para que compreendesse de certo a extensão do problema que havia acabado de presenciar. Seu coração parecia estar inchado, martelando contra a caixa torácica, violentamente, uma presa enjaulada sem escapatória. Os músculos, doloridos, tremiam, espasmódicos, congelados no momento. As mãos agarravam seus cabelos com tamanha firmeza que empalidecia os nós dos dedos, a respiração soava pesada para o próprio ouvido, os olhos permaneciam fixos no vazio. Tremores aumentaram, mas sua mente ainda estava presa nas Montanhas Illyrianas. Abafado, como se de repente, debaixo d’água, Emhyr podia ouvir o eco silencioso de botas contra o assoalho, movendo-se em sua direção. Sua traqueia contraiu-se, como se um nó começasse a se formar ali, crescendo exponencialmente. Já não mais sentiu quando as pesadas lágrimas que inundavam seus olhos caíram de sua face.
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  Não ouviu nada, não percebeu ninguém. Tudo o que conseguia pensar naquele momento, era na figura aterrorizante que projetou-se para fora das árvores; precipitou-se para frente, o tronco alongado, espasmódico, a cabeça estalando com cada movimento, como galhos sendo quebrados no mínimo peso colocado, empunhando chifres como os de um cervo. Cheirava a flores silvestres e petrichor, e quando seus pés descalços encobertos pelo que parecia ser lama e sangue, talvez até mesmo uma mistura de piche, tocavam o chão, não importava sobre superfície que fosse, flores silvestres e relva pareciam nascer, desabrochando por entre os dedos de seus pés, as garras afiadas como as de lobos enterrando-se com mais força sobre o solo abaixo de si, para que, imediatamente morressem no segundo seguinte em que seus pés deixassem de tocar a terra abaixo.
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  As flores se entortaram, a relva murchou até que estivesse completamente apodrecida; apenas uma mancha que marcara sua presença ali. Mas a parte mais aterrorizante era o rosto da criatura: por baixo do crânio que adornava a parte superior de sua face, exposto e esbranquiçado, havia olhos pálidos intensos, a tonalidade cinza era substituída por um brilho intenso, uma luz que parecia ser culminada de dentro de si, escapando por seus poros como energia pura. Uma estrela, queimando dentro de seu corpo, contida, mas não menos mortal. Os cabelos, longos e esvoaçantes, pendiam por suas costas até a altura de sua cintura, com fios de luz enroscando-se por entre as mechas, contas antigas e enferrujadas permaneciam presas em pequenas tranças que se enroscavam por entre as orelhas pontudas e pelos chifres. Uma aljava pesada pendia por seu ombro esquerdo, e a mão direita, cujas garras permaneciam retorcidas, enroscava-se em um arco longo e escuro, como se o material usado para sua criação tivesse sido a própria escuridão.
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  Lembraram vagamente ao mármore que permeava as paredes da Cidade Escavada; o lar dos pesadelos. Ainda que fosse algo impossível, Emhyr havia considerado, por uma fração de segundos, movido pelo desespero enlouquecido da morte iminente projetando-se à sua frente, que talvez algo pior estivesse ocultado debaixo das montanhas. Que talvez aquele monstro que havia surgido por entre as árvores tivesse muito mais relação com os monstros que vagavam Sob a Montanha e por entre as Montanhas Illyrianas, em algum ponto abaixo da terra, do que qualquer criatura natural daquelas terras. Mas quaisquer que fossem seus pensamentos, estes desapareceram por completo quando a criatura gritou. Ruído visceral escapara de sua garganta, não como um brado de guerra, mas como o agonizar de um espectro. Reverberou por seus ossos, como um toque fantasma, enredou-se, afiado tal qual espinhos em sua pele, penetrando-a e deformando-a, fizera os músculos se contraírem como ferro, a dor espalhar-se, amortecida, com a promessa silenciosa que apenas sangue e violência eram capazes de compreender. Presas afiadas projetavam-se para fora de seus lábios retorcidos e ressecados, como um monstro aprisionado em um corpo humanoide pronto para ser libertado; levara a mão em direção ao rosto, puxou a corda do arco para trás, a madeira de freixo empalidecida, cintilando sob a penumbra da luz noturna, voltada em direção aos dois Illyrianos.
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  Não houve tempo para reagir. Quando Emhyr de fato percebeu a ponta afiada de ferro do objeto voltado em sua direção, pouco pudera fazer se não recepcionar o golpe com violência. A flecha atravessou o ar com um zunido alto, um flash de colorações abstratas que não tardou a enterrar-se com violência na falange da asa esquerda de Emhyr. O golpe rasgara a membrana sensível de sua asa, criando um buraco. O rapaz desabou com violência no chão, o grito abafado pelo chamado de Cassian. O pai gritou por seu nome, com um rugido visceral, antes de alçar sua espada. Girou-a no ar com um arco elegante, preciso, deixando-se pousar com força contra o solo irregular, seus sifões acionados. Emhyr, por sua vez, atingiu com violência o chão; rolou por um pequeno desfiladeiro entre as árvores e pedregulhos soltos que compunham o solo estéril das montanhas, antes de chocar-se contra um tronco morto. A princípio apenas desorientação lhe fez companhia.
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  Dor espalhou-se de forma letárgica, pulsando por seu corpo, amortecendo o que ainda estava em funcionamento. Sangue escorreu por entre as membranas e ossos de sua asa ferida, os músculos tremeram, contraindo-se, esticando sob a pele por instinto, tentando encontrar uma forma de normalizar-se, ao menos estabilizar-se, com o equilíbrio prejudicado, mas de nada adiantou. Sentiu como se parte de suas asas estivessem em chamas, enquanto pedregulhos do solo estéril das montanhas fincavam-se em sua pele, cortando superficialmente o rosto, grudando ao uniforme. Piscou algumas vezes, tentando recobrar seu foco, mas seus olhos estavam enevoados. Obrigou-se a colocar-se de pé alçando as duas espadas curvas que tinha presas em suas costas, a tempo de observar seu pai ser bloqueado pela criatura.
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  O tempo pareceu desacelerar ao redor de si, estendendo-se como uma malha flexível igualmente grossa, pairando sobre seus ombros como chumbo, empurrando-o para baixo em queda livre. Um estalo ecoou por seu ouvido esquerdo, e então, de repente, parecia estar debaixo d’água; o som parecia chegar atrasado, abafado em seus ouvidos, desconexo, acompanhados apenas pelo martelar frenético de sua pulsação, sua carótida latejava contra a pele de seu pescoço, mais acentuado do que deveria, sentiu os cascalhos presos em sua pele, deslocando-se e desabando ao chão ao seu redor, o calor do sangue escorrendo pela lateral de seu rosto, empapando seus cabelos, grudando-os contra a pele umedecida pelo ar gélido das montanhas; podia sentir o cheiro pungente e metálico do próprio sangue, mesmo o sabor amargo e levemente árido da terra que lhe invadira os lábios. Um tremor percorreu seu corpo, o coração martelando, intenso contra seu peito, pareceu congelar no lugar quando seus olhos se encontraram brevemente com a criatura. Um grito irrompeu por seu peito, o desespero para alcançar o pai tornou-o errático.
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  Foi o pior erro que poderia ter cometido.
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  De repente as lições do pai, dos tios, e de inúmeros outros mestres na arte de combate que havia passado tempo ensinando-lhe as táticas, corrigindo sua postura, ensinando-o a como estudar os golpes e como impedi-los de feri-lo seriamente, assegurando-se da efetividade em combate que Emhyr passara anos treinando e melhorando para ter, foi completamente abandonada. Esquecida, como poeira arrastada ao vento. Nunca estivera sequer ali.
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  Do buraco que jazia ao centro de seu peito, formou-se a tempestade que engoliu quaisquer resquícios de racionalidade. Desabrochou com o desespero latente, a necessidade de alcançar Cassian antes que a criatura pudesse encontrar um ponto fraco para destruí-lo; não percebeu o quão mais lento era, o quão mais despreparado e vulnerável encontrava-se. Não percebeu sequer como o movimento que fizera, avançando para alcançar o pai, o havia tirado do foco instintivo com o combate em mãos. O foco de Cassian desapareceu, permeado pelo medo e a preocupação, desvirtuou-se da criatura que avançava em sua direção para voltar-se na direção do filho adotivo.
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  O grito borbulhou por seu peito projetando-se por sua garganta, mas nunca deixou seus lábios. A criatura acertou um golpe preciso na altura do peito de Cassian, lançando-o para trás com violência. Emhyr gritou, o rosnado enfurecido, quase enlouquecido, errático pelo medo e a ameaça iminente, reverberou por sua garganta, como o bradar de uma guerra, cortante, ao girar sua espada e desenhar um arco pelo ar, tentando acertar de forma precisa o braço do monstro. Mas Emhyr era mais lento. A criatura com chifres de cervo, lançou-se graciosamente para a esquerda, girando como uma brisa suave de inverno, carregada pelo aroma de terra molhada e floresta, desviando do golpe de Emhyr, ao mesmo tempo que retirava outra flecha de sua aljava, preparando-se para enrosca-la em seu arco.
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  A espada de Emhyr atravessou o braço da criatura com um choque metálico que reverberou pelo espaço. Um grito animalesco, monstruoso, escapou por entre os dentes cerrados da criatura e com um espasmo muscular, lançou a cabeça para a esquerda, tentando acertar Emhyr. As galhadas, afiadas, cortaram o rosto, fincaram-se em seu flanco direito, profundo o suficiente para arrancar sangue, mas não o suficiente para matá-lo de fato. Arrastou-se para trás, tentando soltar-se da carne que estava presa, aumentando o ferimento, e fazendo Emhyr ser cegado pela dor lancinante que percorreu seu corpo.
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  Emhyr agarrou com força a ossada, tentando empurrá-la para trás. Agitou as asas, os cascalhos da terra estéril abaixo de si agitaram-se com a deslocação abrupta de vento, tentando alçar-se um pouco para cima, antes de chutar o peito da criatura com toda a força que tinha. Emhyr desabou no chão com um grunhido de dor, enquanto o monstro cambaleou para trás. Os olhos fissurados em Emhyr; uma promessa violenta pairando por eles. O rapaz lançou-se para a esquerda, tentando obrigar-se a ficar de pé, com tempo o suficiente para apenas bloquear uma nova investida da criatura. Emhyr usou seu antebraço esquerdo no momento que a criatura tentou fincar uma de suas flechas no olho do illyriano. A madeira de freixo queimou a pele do jovem, o sangue escorreu por entre os músculos tensionados revestidos por sua armadura, a dor explodiu por sua mente amortecendo tudo. Mas foram os olhos da criatura que o fizera pausar.
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  Lembravam os de Nyx.
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  Escuros como a noite, obscurecendo toda a órbita até que apenas restasse-lhe um buraco vazio encarando-o de volta. Eram os mesmos olhos que Nyx tinha na noite em que ele havia matado Mav, quando o tocara por instinto e o menino desapareceu como poeira; quando os dois perceberam o que Nyx havia se tornado. O mesmo semblante pétreo e violento, silencioso como o de um predador. Emhyr havia engolido em seco, em choque com a percepção que se apresentava agora, questionando-se o que diabos eles haviam encontrado, quando, sem mesmo perceber, deixou sua guarda baixar. Choque foi tamanho que Emhyr não percebeu que o pai estava em cima da criatura até tê-lo visto enterrar a espada no peito do monstro com galhadas. Cassian rugiu alguma coisa que Emhyr não conseguiu entender na hora, mas que, agora, percebera o que era: “corra”; o pai chutou-o com a perna esquerda, tentando lançá-lo para longe do confronto, quando a criatura se voltou novamente para Cassian.
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  Emhyr tropeçou em suas pernas, desabando bruscamente contra o chão, o grito, preso na garganta, morreu abruptamente quando os olhos registraram as garras do monstro fincarem-se no rosto de Cassian. Cassian rugiu outra vez, como um animal selvagem enlouquecido pelo próprio instinto, mas o que aconteceu depois foi apenas um borrão inteligível de movimentos. Cassian decepou a mandíbula da criatura, que desabou no chão em uma poça sangrenta, nojenta, chutou o abdômen do monstro que cambaleou um pouco para trás, arrancando por consequência a espada enterrada no peito, e então, girou preparando-se para cortar o tronco ao meio. A mão da criatura enterrou-se no peito de Cassian.
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  Por um momento Emhyr teve certeza de que aquele seria o fim. O choque transcrito em sua face pareceu apenas empalidecer ainda mais sob a penumbra da lua, os olhos arregalados fixos na cena, ao tentar forçar-se a mover outra vez; Emhyr estava congelado. A princípio, Cassian não pareceu perceber o ferimento, tentando manter o aperto na base da espada, ainda a girando na direção da criatura, mas então, suas mãos fraquejaram. O tilintar da lâmina atingindo o chão havia sido alto, perigosamente perturbador quando atingiu os ouvidos de Emhyr que a tudo apenas assistiu. As garras da criatura envolveram o coração de Cassian, o olhar mortal fixo no semblante contorcido pela dor e pelo choque do General da Corte Noturna. Presas afiadas projetavam-se para fora de seu crânio agora pela metade, como um monstro aprisionado em um corpo humanoide cuja nem mesmo morte parecia aceitar de fato. Então, com um puxão abrupto, arrasou do peito de Cassian seu coração.
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  Emhyr gritou, ou ao menos, tivera a sensação de que havia gritado, mas não sentiu nada, não ouviu nada. Tudo pareceu estar amortecido, envolto por uma penumbra sufocante focalizada apenas no corpo do pai desabando para trás. Não houve sangue, todavia, o buraco que se abriu no peito de Cassian era apenas um amontoado de sombras que corroía a armadura, a pele abaixo do tecido protetor de seu pai, como uma mancha profunda; nas mãos do monstro, o coração de seu pai ainda batia.
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  — Am fear a bhios air dheireadh beiridh a’ bhiast air — a criatura havia rosnado, o sussurro do monstro ecoou pelos ouvidos de Emhyr mesmo após ter se percebido de volta em casa. Mesmo naquele maldito quarto apertado, sufocante.
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  Cassian não havia tido sequer uma chance.
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  Ainda mais nojento era a percepção de que Emhyr havia cometido o maior erro de sua vida ao perder o controle de si. Sentiu a inutilidade de todos aqueles anos, treinando, preparando-se para enfrentar um inimigo invisível, cultivando a frieza que lhe fora ensinada durante um combate havia sido completamente esquecida no momento em que Emhyr viu o pai tornar-se alvo. Isso havia lhe custado tudo. Emhyr ainda não havia falado com Nestha; não tinha coragem de encarar a mulher que o havia aceitado em sua mesa, tratando-o como filho e um dos seus e contar a ela que se Cassian agora estava em algum tipo de estado entre a vida e a morte, com tia Amren analisando o ferimento ao ponto da exaustão, era culpa inteiramente dele. Como poderia encarar a mãe e pedir-lhe perdão? Emhyr sabia que o laço de parceria tendia a criar uma conexão para além da compreensão comum, eram como uma alma dividida em dois corpos; não era apenas para reprodução. Sabia que ela provavelmente deveria ter sentido algo no momento que a criatura arrancou o coração do pai, sabia que aquilo a assombraria pelo resto da vida; certamente assombraria a ele. A única coisa que ele conseguiu fazer foi arrastar-se até seu quarto, e lutar contra as lágrimas, tentando compreender a extensão do problema em que eles se encontravam agora.
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  O que era aquela criatura, e qual sua conexão com Nyx? Nyx havia se tornado como eles? Demoraria mais quanto tempo até que fosse a mesma coisa? E o que quisera dizer para Emhyr? Um arrepio percorreu por sua coluna, enviando uma onda nauseante de adrenalina e terror por baixo da pele ferida do illyriano.
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  — Não precisa falar se não conseguir. — A voz de Rhysand alcançou seus ouvidos mais gentil do que jamais lembrara de ter ouvido. Emhyr não respondeu, mas as lágrimas que se acumularam em seus olhos ameaçavam escorrer por sua face, queimaram, presas, em sua garganta, como se de repente, vinhas que ameaçavam sufocá-lo, amortecidas demais para percepção imediata; desistente demais para importar-se. Os passos do tio ecoaram pelo quarto, vago e distante, mesmo para os ouvidos de Emhyr que não moveu um músculo sequer para encará-lo. A vergonha era mais forte do que o desespero pelo consolo oferecido. — Mas estou aqui, caso queira. Quando quiser falar.
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  Emhyr fez uma careta, engasgando-se com sua própria respiração. Fechou os olhos, escolhendo ocultar qualquer visão que pudesse ter a encarar o tio. Rhysand exalou baixo, parando ao lado de Emhyr, e então sentando-se ali. Por um longo momento, o silêncio se estendeu ao redor deles, permeado apenas pelo pequeno tilintar distante dos galhos batendo contra o vidro da janela de seu quarto. Sentiu a mão cálida de seu tio repousar em seu ombro esquerdo, uma pequena pressão que pareceu apenas aumentar o peso que o puxava para baixo, que o sufocava tão facilmente.
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  — É minha… — Emhyr soluçou após um longo momento em silêncio. Engasgou-se com o peso das palavras, soluçou alto, tremeu sob o frio do vazio que agora o consumia, encolheu-se como quem desejava apenas desaparecer. Pesado manto era a culpa que tão deliberadamente vestiu. As lágrimas escorreram por sua face, esvaindo-se com mais fluidez do que suas palavras. — É minha… culpa… se…
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  Rhysand não respondeu de imediato, parecendo estar escolhendo as palavras certas, mas quando o fez, encarava diretamente o rosto de Emhyr, buscando seu olhar.
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  — Acredita mesmo que possui culpa nisso? — Rhysand questionou com um tom categórico, cauteloso demais para ser reconfortante, cínico demais para lhe revelar o que de fato estava pensando. Então, com um suspiro pesado, Rhysand soltou o ombro de Emhyr, se permitindo recostar-se contra a lateral da cama que outrora pertencera ao rapaz. — Sempre achei estranho como vocês dois se parecem, mas sendo quem somos não posso dizer que é uma surpresa. Às vezes, nós mesmos encontramos nossas famílias, nossas peças complementares — Rhysand resmungou com um tom de voz baixo, grave, parecendo perdido entre seus próprios pensamentos e uma tentativa envergonhada de consolar o rapaz inconsolável. Emhyr engoliu em seco, obrigando-se a controlar o choro, tentando parecer tão imponente quanto via o pai e os tios apresentarem-se, tentando dominar a dor e a culpa que o sufocavam, antes de lançar um olhar de soslaio para o tio, incapaz de dizer alguma coisa. — Você já era filho deles antes mesmo de o encontrarmos, por que escolher justamente agora carregar a culpa de algo que Cassian teria feito com ou sem você lá? Se é para punir a si mesmo, Emhyr, no que isso irá ajudá-lo?
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  Emhyr não respondeu, apenas encarou o tio por um momento.
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  Rhysand sempre havia sido considerado um dos machos mais bonitos de Prythian. Emhyr costumava fazer piada e debochar de Nyx por isso, porque ambos eram parecidos e apelidar Nyx nunca fora algo difícil — especialmente quando Nyx ficava com raiva, o apelido acabava por gerar ainda mais rápido. Mas agora, parecia estranhamente mais velho, mais cansado. Linhas se formavam nos cantos de seus olhos e sobre o cenho, Emhyr se questionou se era de tanto franzi-lo com preocupação pelo filho pródigo que havia ficado assim. Os cantos dos lábios pareciam ter uma propensão para repuxarem para baixo e os olhos violetas pareciam estar sempre cobertos com uma sombra; algo o assombrava, algo que ninguém parecia saber se não tia Feyre. Emhyr perguntou-se o que diabos seria, e se isso ainda era sobre Nyx, ou se havia se tornado algo mais.
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  — Você não estava lá… você não viu… — Emhyr tentou argumentar, justificar seu próprio desprezo por si mesmo, a própria vergonha de uma forma que o fizesse compreender sua indignidade, mas Rhysand apenas o silenciou com um olhar. Emhyr moveu sua mandíbula, tentando engolir seus argumentos. Uniu as sobrancelhas e voltou a encarar suas mãos com uma ponta de temor que não lhe era característica desde que havia se tornado um rapaz. — O que diabos era aquilo, tio?
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  Rhysand não respondeu. Emhyr percebeu de imediato que Rhysand sabia exatamente o que aquela criatura era, mas não lhe contaria. Ao menos, não ainda.
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  — Meu pai… ele vai…? — Emhyr forçou-se a perguntar, sentindo seu coração ficar do tamanho de uma noz, contraído e dolorido, enquanto, por um momento, prendia a respiração, esperando pela resposta. Os olhos queimaram com um desespero crescente, permeado pela culpa e desalento. — Aurora já sabe…?
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  — Não sabemos, eu sinto muito, Emhyr — Rhysand respondeu com um tom de voz mais baixo, cauteloso, encarando Emhyr por um longo momento antes de suspirar pesado. — Amren acabou de enviar uma mensagem para Azriel, irá pedir para que retornem assim que conseguirem, um assunto urgente. Uma vez que todos estiverem aqui, nós iremos encontrar uma solução para esse problema, isso eu posso prometer a você, mas por ora, Nestha gostaria que você fosse ficar com ela, quer ter certeza de que você está seguro também…
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  — Temos problemas, Rhysand! — A voz de Amren interrompeu abruptamente. Ecoou baixa, mas ainda assim comandou atenção, como sempre.
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  Os olhos prateados da feérica pequena desviaram-se por um momento, repousando em Emhyr, e o rapaz sentiu-se envergonhado pelo estado que se encontrava; o rosto manchado pelas lágrimas e a culpa, o corpo encurvado como uma criança em desalento, quando a verões já era um adulto, altivo e capaz. Agradeceu mentalmente por Amren ao menos não o encarar como se ele fosse um coitado, por ela não tentar consolá-lo, não se sentia mais digno de tal dádiva; havia ainda assim compreensão nos olhos da fêmea, mas não era envolto por autoindulgência ou pesar, era o olhar de um comandante ao reconhecer a quebra de seu guerreiro, mas que ainda assim comandava a força necessária para continuar seguindo em frente. Desejou sair como uma tempestade para fora de seu quarto, mas conteve-se; não por seu ego fragmentado, por sua culpa e pesar, mas pela maneira com que Amren havia desviado os olhos, encarando Rhysand diretamente.
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  Emhyr nunca havia entendido com exatidão como funcionavam os poderes de Daemati do tio, sabia que ele, Feyre e mesmo Nyx os possuíam. Uma habilidade perigosa e poderosa que poderia quebrar alguém completamente se eles assim desejassem, é claro, exigia prática, mas a ideia de uma comunicação vinda inteiramente de sua mente, era suficientemente desconfortável para Emhyr sentir-se estranhamente vulnerável. Viu Amren estreitar os olhos, em silêncio, e o rosto de Rhysand contorcer-se; onde outrora havia aquela compreensão e gentileza quase ensaiada para consolar Emhyr, agora havia o princípio de uma fúria cálida e perigosa. Era como observar uma pequena fagulha começando a incendiar a lenha, ainda era pequena, mas não demoraria muito para que se tornasse um fogaréu. A sombra que se projetava nos olhos violetas do tio pareceram aumentar, a mandíbula dele se tencionou com um estalo.
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  — Tragam-no para casa, agora! — praguejou Rhysand de súbito, e Emhyr não teve que se esforçar muito para adivinhar a quem seu tio referia-se. Nyx, é claro. Quem mais poderia ser? O tom de Rhysand assumia aquele tom de frustração, permeado por dor, culpa e preocupação profunda sempre que se referia ao filho, e somente quando era algo sobre o filho. Emhyr sentiu a tensão voltar a espalhar-se por seu corpo, colocando-se de pé em um momento. As sobrancelhas unidas, indo para o tio e então para Amren e então de volta para o tio.
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  — O que aconteceu? O que Nyx fez dessa vez? — perguntou Emhyr com um pequeno pesar em sua consciência. Fizera tudo tão errado assim? Quando Nyx havia pedido para trocar de lugar na incursão, Emhyr havia acreditado que o fizera apenas pelo despeito de ficar longe da família ou de ter que elaborar o que realmente estava se passando em sua mente com Cassian. De todos ali, era Cassian quem sempre conseguia quebrar Nyx, mesmo que precisasse usar força bruta para isso, Emhyr não havia pensado que poderia ter algo por trás. Mas então, lembrou-se da expressão do melhor amigo, a maneira com que seu rosto pareceu perder-se em pensamentos e então, subitamente iluminou-se com aquela ideia. Pela mãe, o que ele havia feito? Se algo tivesse acontecido, se Aurora estivesse em perigo… — Responda! — Apertou Emhyr, quase desesperado, sem ocultar a impaciência que começava a crescer em seu peito.
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  — Houve um incidente na Corte Invernal — foi Amren quem disse, sua voz mais fria e irritadiça do que Emhyr já havia a visto expressar. Aquilo não era bom. Nem um pouco bom. Emhyr uniu as sobrancelhas, questionando-se o quão idiota poderia ter sido por confiar em Nyx, o quão estúpido era por ter aceitado a troca; teria ele condenado não apenas o pai, mas igualmente a jovem que…? — Nyx pode ter acabado de começar uma guerra entre nossas cortes.
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•••

NYXCORTE INVERNAL

  Nyx ofegou. Os dedos apertaram-se com um pouco mais de força ao redor da frente da roupa umedecida e manchada de sangue de %LaFay%; olhos arregalados voltavam-se na direção das criaturas que se projetavam por entre as árvores congeladas, arrastando-se como espectros, aproximando-se mais e mais de onde estava para então fixar no rosto empalidecido da jovem. Em algum momento, ela havia parado de responder, sequer parecia estar respirando; isso piorou tudo. Ele sabia que deveria estar satisfeito, e uma parte de si gritava para que ele simplesmente a deixasse para trás. Gritava para que corresse para longe, seguiria pela margem do lago até conseguir encontrar um espaço para limpar o sangue de suas mãos, de suas roupas, e então, deveria seguir de volta para casa. Poderia criar uma desculpa qualquer, justificar sua ausência, poderia dizer a tio Azriel que ele havia se perdido da garota, que depois que havia caído na água foram separados pela brutalidade da correnteza e pouco poderia saber o que havia acontecido com ela. Poderia encontrar uma forma convincente para manter sua palavra, projetar falsas provas, poderia até mesmo usar de seus poderes como Daemati para distorcer memórias se fosse necessário. Nyx podia escapar daquilo ileso, e talvez o tivesse feito; %Cerci% %LaFay% era nada mais do que um verme, a precursora da maldição que o havia aprisionado naquela forma, que o havia feito perder tudo e condenado a lidar com monstros que os cercavam pelas sombras. Ela merecia a morte! Merecia morrer e ainda não pagaria sequer por metade de tudo que havia lhe feito passar.
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  Ele a queria morta. A quisera morta por tanto tempo que a memória havia se tornado difusa e distante, um sopro invisível por trás da mente em tormento. Mas ele não era um assassino. Não sem uma razão, não sem uma motivação, não sem ser a última escolha, o último recurso. Ele nunca havia matado de fato alguém; lutara, é claro, e até mesmo caçara criaturas ao lado dos membros da Caçada Selvagem de Arwan, mas ele nunca havia assistido a efemeridade da vida de um desconhecido lentamente desaparecer de seus olhos, nunca havia visto de perto a palidez grotesca da pele começar a aumentar, e nunca havia sido banhado em tanto sangue. Sequer pudera imaginar que alguém do tamanho dela, de sua forma, poderia ter tanto sangue assim.
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  Talvez, percebeu com uma ponta de assombro, ele não a quisesse matar; talvez, ele desejasse que fosse morta, mas que seu sangue não lhe manchasse as mãos. Ou talvez, fosse aquele maldito impulso doloroso que se espalhava agora por seu peito, como uma linha sendo tensionada ao ponto de ruptura. Enroscava-se ao redor de seu coração, o esmagando, como se estivesse sendo arrastado para longe, e de alguma forma, podia senti-lo preso a ela; dourado, desvanecendo. E Nyx odiou o sentimento, a conexão, mas mais do que isso, desesperou-se por perdê-la. Porque em algum momento, a corda se partiu, e tudo o que ele sentiu foi apenas um vazio desesperador consumindo o que restara de sua alma. Seu coração martelou de forma furiosa contra seu peito, os dedos, trêmulos, agarraram a frente da blusa dela, rasgando para expor o tronco, com um único propósito de fechar o ferimento. Seus ouvidos pareciam amortecidos ao som de seu próprio pulsar, e sua respiração, errática, o fizera engasgar-se, ainda tentando compreender a dimensão do que havia feito.
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  Fuja, praguejava para si mesmo, fuja antes que descubram, antes que a encontrem. Destrua o corpo, finja que ela se afogou e que as criaturas daquele lugar a devoraram; não conseguia. Em um gesto desesperado, levou o punho da camisa em direção a boca, ignorando o gosto pungente do sangue dela quando sua língua quase tocou o tecido, a repulsa imediata amortecida pelo senso de urgência. Fincou os dentes no material e o rasgou com um puxar de sua cabeça; não percebeu o erro que havia cometido até que seus dedos se enroscaram no tecido, desesperado para enrolá-lo e usá-lo como um curativo improvisado que obrigaria o sangue estancar pela pressão. Uma fração de segundos foi o que bastou para que o tecido se desfizesse em poeira; quando Nyx estendeu o tecido na direção do ferimento, já havia desaparecido por completo. Nyx grunhiu entre dentes, percebendo tardiamente que não conseguia tocar em nada sem que o desintegrasse. Sua pulsação aumentou drasticamente, o martelar tornou-se visceral, espalhando-se como ondas de choque contínuo por seu corpo, enquanto a urgência lentamente transformava-se em uma contrição em seu peito.
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  A respiração tornou-se mais irregular, a garganta parecia ficar mais e mais seca, a cada vez que sua respiração escapava por entre seus lábios entreabertos, audível, uma lufada de ar áspero que mal poderia controlar velocidade. Os olhos lacrimejavam com a fumaça esbranquiçada que seu hálito se tornava, a pele ardia com o vento gélido que o tocava. A pressão esmagadora em seu peito pareceu aumentar, dolorosa, visceral, projetava-se sobre si como um amontoado de pedras, esmagando-o contra o chão; voltou-se ao redor, buscando por pedras, algo que pudesse dar início a um fogaréu, ainda que fosse apenas para manter a criaturas que se aproximavam de onde estavam, mas os dedos mal tocavam nas pedras, nos galhos, nos filetes de grama congelado, e tudo tornava-se cinzas. Seu estômago contorceu-se ao perceber que não poderia tocar em nada. Voltou a linha de seu olhar na direção do rosto empalidecido da jovem, e por impulso tocou na face dela, esperando que esta dissolvesse-se nas cinzas como Mav havia feito muito tempo atrás.
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  Uma onda elétrica percorreu por seu braço como estática, pareceu queimar estalando sob a pele, arrepiando os pelos de seus braços. Seu fôlego lhe foi tomado, os olhos, arregalados, permaneceram fixos no rosto dela, ao perceber tardiamente, que nada havia acontecido. Algo sombrio cruzou por sua face, uma fúria mal contida causada pela injustiça de toda a situação e ao mesmo tempo, o amargor pungente da percepção do que se apresentava à sua frente; suas entranhas contorcer-se com o peso da cólera crescente. Ele podia tocá-la; sua maldição não tinha sequer efeito nela. As pontas dos dedos encontraram com a pele macia de seu rosto, sentindo o calor que se esvaía rapidamente de seu corpo. Pressionou com força os dedos contra a pele dela, sem conseguir conter o impulso.
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  Por tantos anos sentiu-se preso a um limbo de desespero e frustração, desejando poder ser capaz de tocar alguém, de sentir o contato da pele de outra pessoa, de outra coisa, um objeto que fosse, com as pontas dos dedos; desejava ao menos poder segurar um talher sem que este se desfizesse em cinzas. Há tanto tempo que convivia com aquela maldição, que havia deixado de lembrar-se da sensação das coisas: como era tocar o tecido de linho das túnicas e do couro dos uniformes illyrianos, a sensação fria do metal abaixo de sua pele, a sensação do vento passando por entre seus dedos sem que o tecido das luvas atrapalhasse ou causasse desconforto. Pela Mãe, a sensação de poder tocar a pele de alguém, de sentir a maciez e o relevo de pequenas cicatrizes, qualquer coisa. E o quão irônico era que, no fim, a única pessoa que sua maldição não possuía efeito algum, era justamente aquela que ele desejava profundamente que o tivesse.
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  Suas unhas fincaram-se ao redor do rosto dela, sentindo a pele macia e delicada ceder um pouco com o movimento, e Nyx sentiu vontade de gritar. Pela primeira vez, em muito tempo, seus olhos queimaram com lágrimas duramente contidas. Não choraria, não conseguia, mas não doía menos. Porque de todos tinha que ser ela… um grunhido partiu alto das criaturas, violento, retumbando pelo zunido do vento invernal, capturando a atenção dele outra vez. Amálgama amargo, vil, escapou de seus lábios entreabertos em algo que nem era um rosnado, nem um soluço, permeado pela frustração, acompanhado pela respiração irregular, escapando em lufadas fortes e rápidas demais enquanto o cérebro tentava decodificar tamanha revelação — tamanha traição conferira o universo a ele. Soltou-a como um desavisado que ousara tocar em uma chama por curiosidade apenas para, no tardar de seu gesto impulsivo, perceber a queimadura que se espalhava em sua pele. Algo dentro de seu peito, podre e viscoso, fugitivo perverso, pareceu apertar-se, doloroso. Os olhos, marejados, queimaram com frustração e fúria as feições pálidas da jovem que ele havia acabado de tomar a vida.
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  As palavras que queria permitir-lhe rasgar a garganta não saíram, mas continuavam a repetir-se em sua mente como um mantra permeado por desalento: não era justo, não era justo que ela fosse sua exceção. Por que ela? Por que a garota que havia lhe roubado tudo? Por que não qualquer um? Por que ele estava condenado àquilo?
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  Dedos esqueléticos, encurvados e gélidos como a neve abaixo de seus joelhos agarraram-lhe os ombros, puxando-o com força para trás, rasgando a fina membrana de suas asas já defeituosas. Nyx voltou a si como quem quebrava a superfície d’água após muito tempo submerso. O ar que lhe invadiu os pulmões fora doloroso, lhe rasgou, comandando a entrada, mas foi o suficiente para ao menos tirá-lo daquele torpor sufocante. A neve agitou-se ao seu redor, flocos que pairavam pelo ar, carregados pelo vento, pareceram espiralar desnorteados, instinto cegou-o por uma fração de segundos, e seus dedos fincaram-se na carne apodrecida, sentindo-a desfazer-se sob seu toque, enquanto um gorgolejo meio gritado, meio rosnado, escapava da boca da criatura. Seus olhos azuis fixaram-se no monstro, finalmente tendo uma clara visão do que o sangue de %LaFay% havia atraído.
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  Monstros curvados, parcialmente congelados, parcialmente feitos de ossos. Alguns tinham as cabeças decepadas pendiam para o lado ou para a frente, desabaram no chão, esquecidas, rolando pela neve com ruídos molhados, nauseantes. Outros possuíam cascos, asas quebradas, garras ameaçadoras tal qual predadores, presas que se contorciam para fora de seus crânios, sobressalentes, e mesmo flores e espinhos nascendo por baixo da pele como uma potente infecção, enroscando-se a carne frígida, morta, em um emaranhado de nós impossíveis congelados. Pareciam respirar como as criaturas, como se fosse uma única coisa. Um único ser. Olhos leitosos, vagos e vidrados, moviam-se cegamente pela beira do lago, reconhecendo-o como a ameaça que era, algo ruim, mas hesitando ao repousar em %LaFay%. Nyx arregalou os olhos, prendendo a respiração, os dentes, forçados a trincar, pareciam mesmo assim tremer com o profundo alarde que tornava refém, rangendo. Poeira da criatura que havia se desfeito pareceu grudar em sua pele molhada como uma fina camada sobreposta aos flocos que derretiam-se com a temperatura de sua pele, os cabelos, igualmente agitados pelo vento, desfaziam-se em mechas, algumas grudando pela lateral de seu rosto, fazendo os cortes e arranhões latejarem com maior intensidade, congelando o sangue que decorava as pontas de seus dedos.
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  As criaturas não haviam atacado %LaFay% como ele havia esperado que o fizessem. Não haviam se deleitado com o banquete proporcionado, sequer arranhado; elas, como um único sopro, colocaram-se de joelhos ao vê-la. Como suas servas. Foi somente então que Nyx começou a compreender algo que há muito viera lutando para tentar ignorar. Seus olhos moveram-se entre as criaturas que avançavam em sua direção, garras afiadas tentando lhe cortar a garganta, rasgar a carne, puni-lo da forma que bem compreendiam para a jovem imóvel que largara no chão. Reconheciam-na como um deles, porventura, a viam como uma extensão de si; senão muito, talvez apenas um espectro do que outrora fora. Ela não era como Nyx. Não era uma Grã-Feérica como Mav supôs acalentado pela quietude das sombras da biblioteca da Casa do Vento; ela era uma outra coisa. Nyx sempre soubera que havia algo de errado, que ela deveria ser algum tipo de monstro ocultado por um rosto pequeno, franzino e assustado; a viu desaparecer e retornar como uma fagulha de luz. Ela era luz. Não uma grã-feérica, nem mesmo ninfa poderia ser considerada, ela sempre havia sido aquela coisa, a confirmação nauseante dos monstros que rastejavam do Outro Lado.
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  Ela realmente era uma deles. Uma Tylwyth Teg.
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  E aquela terra sabia.
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  — Bem? Suponho que finalmente finalizou seu espetáculo? — A voz calma, coesa, enviou uma onda gélida de medo pela espinha de Nyx. Ele congelou no lugar, encarando com os olhos arregalados as criaturas mortas vivas, observando-as pararem, inclinando seus rostos distorcidos e brutalizados para vislumbrar algo que se encontrava atrás dele. Um arrepio gélido percorreu por sua pele, eriçando os pelos de seu corpo, enviando uma onda de pura eletricidade por sua corrente sanguínea, seu coração pareceu contorcer-se dentro da caixa torácica, martelando-a com violência.
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  Embora indiferente, havia uma conotação ameaçadora por baixo da seda das palavras que Arwan havia usado. Nyx engoliu em seco, um estalo percorrendo seus ouvidos abafados, o ar gélido pareceu o corroer um pouco mais, roubando-lhe a voz. Prendeu a respiração ao passo que o tremor aumentou por seu corpo. Fechou suas mãos em punhos firmes, que tampouco fizeram algo para ocultar seu nervosismo. Os passos espectrais da criatura não possuíam eco sobre o solo coberto pela neve, mas o cheiro pungente de petrichor, flores silvestres e algo primal, inteiramente e unicamente daquelas criaturas, agora era carregado com algo mais metálico, profuso: sangue.
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  Nyx obrigou-se a voltar o pescoço rígido para acompanhar com o olhar o rei dos Tylwyth Tegs. Não havia quaisquer traços de pacifismo nos olhos de Arwan, mas seu rosto permaneceu pétreo, impossível de ser decifrado; ocultado por trás de uma máscara acobreada no formato de um crânio pela metade, sem mandíbula e arcada dentária inferior, com dois chifres de carneiro perigosamente afiados, Arwan não usava as roupas que Nyx havia se acostumado a ver; vestia-se para a Caçada.
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  — É ao menos digno de apreço a vergonha que estampa seu rosto pela traição que cometeu, filho de Archeron, mas ofende-me em demasia por acreditar que você poderia enganar-me. Não achou mesmo que você conseguiria tal feito, achou?
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  Nyx estreitou os olhos, encarando a criatura com uma ponta de confusão e tensão. Tentou forçar as palavras para fora de seus lábios, mas não o poderia fazer mesmo se tentasse. Sua garganta parecia inchada, impossibilitando sequer a absorção de oxigênio, a boca estava seca, e o sangue de %LaFay% pareceu ser tudo o que sua mente percebia. Trincou os dentes com força, tentando obrigar-se a dar um passo para trás, mas cometeu o erro de acreditar que conseguira escapar de Arwan. O líder da Caçada Selvagem não era uma criatura da qual se poderia escapar, e se estava ali para acertar as contas, se estava ali para comandar respostas pela maldita monstruosidade que Nyx havia matado, então o faria, e não haveria lugar algum, fosse em Prythian ou para além do continente, que Nyx poderia ir, que Arwan, o rei dos Tylwyth Tegs, não o encontraria. Deu mais um passo para trás, e desta vez, quando as solas cobertas pela neve de seus sapatos chocaram-se no chão, repousou sobre o mármore escuro, liso da sala do trono de Arwan; havia atravessado, sem mesmo perceber que o fizera para o Outro Lado.
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  — Não comandei para que seguisse apenas as ordens de meu Arauto, filho de Archeron? — Arwan questionou, calmamente, mas o tom de voz comedido e sereno era nada senão ameaçador.
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  Nyx obrigou-se a dar mais um passo para trás, de repente, percebendo-se perigosamente vulnerável. Os ângulos afiados do rosto do rei dos Tylwyth Tegs, encobertos pelas sombras que o grande salão encurvado de seu trono esculpido em uma árvore viva, o acentuava ainda mais, agora como navalhas. A beleza repugnante parecia distorcer-se ao crepitar de uma fúria permeada pela satisfação que a criatura parecia exibir conforme a lateral esquerda de seu rosto desfazia-se. Desmanchava-se abaixo da máscara em formato de crânio anômalo, revelando o osso de seu crânio putrefato e com buracos de onde vermes deslizavam pelos tendões mortos. Um de seus olhos permaneceu com aquele tom prateado perturbador, como a luz de uma estrela, queimando em intensidade, já o outro, pareceu dissolver-se em apenas um buraco, vazio. Não havia nervos expostos ali, não havia nada senão um profundo abismo pintado como piche pela órbita inteira; tal qual apto a engolir Nyx se ele não fosse cuidadoso. O olhar do caçador. Um estalo quase similar ao de madeira ecoou quando a criatura ergueu, desafiadoramente, o queixo, silenciosamente desafiando Nyx a dizer alguma coisa.
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  — Por que achou que ao trapacear conseguiria ocultar seus passos de mim, filho de Archeron? — Arwan quase pareceu sorrir com o tom traiçoeiro que pulsou por sua voz, a cabeça inclinou-se para o lado, novamente, com aquele estalo similar a madeira ecoando outra vez. — Se eu enxergo tudo?
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  Nyx trincou os dentes com força, lançando um olhar ao seu redor, buscando por uma maneira de escapar daquele maldito buraco de terra, escapar das mãos de Arwan, mas não encontrou nada. Os olhos azuis queimaram o rosto da criatura, dando mais um passo para trás, tentando espelhar os movimentos da criatura, mas enquanto Arwan era como um fauno, familiarizado por seu próprio território, Nyx sentiu-se novamente como apenas um garoto, de oito anos, aterrorizado, envolto pela completa escuridão do Poço, sem ideia de como escapar daquele maldito destino que parecia apenas puxá-lo mais e mais em direção a sua morte iminente.
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  — Se enxerga a tudo — Nyx obrigou-se a cuspir as palavras, mesmo que sua voz tivesse soado estranhamente mais vulnerável, permeada por um tremor crescente, carregado pelo peso de suas ações precipitadas e pelo ressentimento com seu próprio destino —, por que não me impediu?
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  — Por que o faria? Se era exatamente o que desejava que você fizesse? — Arwan resmungou indiferente, frio como a neve que outrora envolvia sua pele.
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  Nyx piscou, pego desprevenido com as palavras da criatura, e em sua confusão, o sorriso que se espalhou no semblante pétreo de Arwan era nada senão cruel. Afiado, as presas um pouco maiores do que o normal se projetando pelos lábios ressecados completamente exposta pela lateral de seu rosto dissolvido.
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  — Não me julgue pela previsibilidade de seus atos, estes são teus pecados, não meus — Arwan pontuou, dando um passo para a direita, e então mais um. Esticou o braço esquerdo para frente, deixando a lâmina escura como a noite deslizar pelos músculos apodrecidos e atrofiados da lateral de seu corpo que estava morta e desfazendo-se até que apenas os tendões apodrecidos e ossos estivessem expostos. Nyx ofegou baixo, arregalando os olhos com a lenta compreensão da confirmação de Arwan. — Mas devo agradecer-lhe por isso, deu-me exatamente o que esperava que faria. Cumpriu seu papel perfeitamente, filho de Archeron.
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  Então ele percebeu, os papeis dispostos sobre a mesa, a indicação direta para a Corte Invernal, o aviso para que não seguisse para lá. Sua garganta dolorida parecia perigosamente árida, como um deserto, o ar escapou de seus lábios, áspero e forçado, ao cambalear um pouco para trás. Ao mesmo tempo que vejo a razão pela qual o encontrei. Irá trazer minha criança de volta, em breve, mas para isso, preciso que fique longe da Corte Invernal. Arwan sempre soube que Nyx não aceitaria ouvir um não, sempre soube que, refém de sua própria curiosidade, encontraria uma brecha no comando para ir exatamente onde havia lhe sido comandado não ir.
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  O tremor em seu corpo pareceu aumentar, o gelo que corroía suas veias pareceu mais pungente, mais grosso, transportando-se como lascas grossas, sufocantes. A percepção de seu próprio temperamento e de seus erros atingindo-o com a iminente certeza de que, o que quer que ele havia acabado de fazer, cego por seu próprio desejo de retribuição e por fazer %LaFay% pagar por tê-lo aprisionado… Nyx exalou, levando sua mão esquerda em direção ao próprio colarinho, tentando arrancá-lo de seu pescoço, ao encarar Arwan com horror, as peças naquele maldito tabuleiro começando a fazer mais e mais sentido.
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  — O prisioneiro… — Nyx exalou, os olhos azuis cintilando com uma intensidade quase febril ao voltar-se para o rei dos Tylwyth Tegs, seus pensamentos pareciam estar acelerados demais para acompanhar com cuidado, mas ele podia sentir o exato momento que tudo havia se encaixado. Um riso desacreditado, permeado pela ferida terrível e infeccionada de seu próprio ressentimento pairou, aberto e ainda sangrando por seu peito, ao dar mais um passo para trás. Trincou os dentes com força, como se isso pudesse o impedir de rosnar ou gritar, não pela fúria que outrora o alimentara, mas pelo desespero; pela percepção nauseante de que, dentro daquele jogo, Nyx havia sido nada senão apenas um peão. Uma peça facilmente descartável naquele maldito jogo.
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  Seus olhos moveram-se agitados, tentando compreender, com uma perspectiva para além da que reduzira com seu ódio e ressentimento, o que tudo aquilo significava. E então, abaixo de tudo, havia o cheiro pungente metálico do sangue de %LaFay% que parecia agora persegui-lo como um espectro; cruel, visceral, real demais para que ele conseguisse escapar intacto de sua própria culpa. Nyx pensou nela; nos olhos estelares, na maneira com que as sardas que pontilhavam sua face delicada sempre lhe lembraram as constelações, na forma com que ele vira aquela luz desaparecer apenas para voltar quando as pixies tentaram atacá-la. Por muito tempo, Nyx acreditou que ela deveria ter assumido a posição que ele fora obrigado a ocupar, por tanto tempo, Nyx a havia culpado por algo que, agora, começava a perceber, havia sido fabricado inteiramente por Arwan.
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  — Era você não era? — O sorriso frio de Arwan se expandiu um pouco mais, inclinando sua cabeça para frente, em uma quase mesura, e Nyx sentiu algo em seu estômago se contorcer. O gosto amargo da bile pungente espalhou-se por sua língua seca, ao cambalear mais uma vez para trás, uma raiz da árvore que formava o trono do Tylwyth Teg quase o fazendo tropeçar. Nyx negou com a cabeça, desacreditado, tentando apegar-se à única certeza que lhe restava, precisava acreditar que não era o que lhe era confirmado, porque, se o fosse, então ele teria acabado de fazer uma grande merda.
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  O mundo pareceu estremecer quando ele deu mais um passo para trás, tentando escapar das garras de Arwan, seus pés afundaram não no mármore escuro de sua sala do trono, mas na neve fofa e macia da Corte Invernal. O cheiro putrefato das criaturas que os cercava, o aroma do sangue de %LaFay% agora completamente imóvel. As lágrimas que queimavam ao fundo dos olhos de Nyx, outrora oriundas de sua fúria e ressentimento, agora eram permeadas pelo desalento e desesperança. Pensou na garotinha que %LaFay% havia sido, nos olhos arregalados e assustados, nas cicatrizes que se espalhavam pelo corpo, e sentiu o ressentimento borbulhar em seu peito, mas era mais que isso, era a terrível percepção do que ele não havia considerado até o momento.
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  Por que achou que ao trapacear conseguiria ocultar seus passos de mim, filho de Archeron? Se eu enxergo tudo? Disse Arwan, e Nyx percebeu o quão estúpido havia sido. Seus olhos azuis, febris, encontraram-se não com o olho prateado, esquisito de Arwan, mas com o vazio, tingido completamente de preto que costumava refletir seu próprio rosto por vezes durante a Caçada. Nyx lembrou do rosto retorcido da criatura que havia encontrado no Poço com %LaFay%, no vazio daqueles malditos olhos leitosos, em como arrastava-se, observou as criaturas congeladas, mortas-vivas que se moveram até onde ele havia deixado o corpo de %LaFay%, como pairavam ao redor dela, com veemência quase ensaiada. Moviam-se como se fizessem parte de um único comando, um cérebro compartilhado; uma colmeia. Eram apenas extensões de Arwan. Ele sempre esteve lá, em todo lugar, sempre havia sido ele.
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  Arwan era a morte. E %LaFay% sua criança roubada.
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  — Era ela, não é? — A voz de Nyx escapou entrecortada, permeada pela frustração do engano, o desalento do erro. Oscilou entre os dois mundos, ora na Corte Invernal, ora de volta a sala do trono de Arwan, e sequer poderia fazer algo para impedir. Tudo pareceu começar a girar mais rápido do que sua mente poderia acompanhar; única coisa fixa em seu mundo, agora, era Arwan e a lâmina afiada da espada que empunhava. Um riso sufocado, engasgado, quase escapou pela garganta do herdeiro da Corte Noturna. — %LaFay% é sua criança perdida, não é? Você disse que eu a traria de volta, por que não agiu antes? Por que queria que eu a matasse?
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  Arwan estreitou os olhos, observando o semblante de Nyx, inexpressivo.
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  — Você já deve ter percebido a resposta para essa pergunta — Arwan respondeu vagarosamente, frio e distante. — Sou a morte, filho de Archeron. E não digo isso metaforicamente, ou retoricamente, ou poeticamente, ou teoricamente, ou qualquer outra forma sofisticada de dizer. Sou o que sou, comando o que pertence por direito a mim. Nada mais, nada menos. — Nyx trincou os dentes com força, tentando evitar que estes se chocassem um contra o outro quando o tremor em seu corpo aumentou. — Não posso tocar os vivos, mais do que posso mudar meu desígnio. Se quero minha filha ao meu alcance, preciso que sua alma pertença a mim, e você, Nyx Archeron, a entregou-me com perfeição.
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  Então este era o propósito de Arwan? Durante aquele tempo todo? Era apenas para isso que estava guiando Nyx? Uma lufada de ar escapou por entre os dentes cerrados de Nyx, um exalar que quase soou como um sibilo.
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  — Não pode manter a alma de alguém por muito tempo, cedo ou mais tarde terá que atravessá-la, então estará longe de seu alcance — Nyx rosnou entre dentes, tentando enxergar a última peça naquele tabuleiro ainda oculta para si, mas não tardou a aparecer quando Nyx lembrou-se exatamente o que ele era, e a maldição que carregava.
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  A Caçada Selvagem buscava pelas almas errantes e pela morte, guiava-os para o outro lado. A única constância ali, os únicos que atravessavam entre os mundos eram eles. Com uma sensação sufocante, Nyx exalou mais uma vez, um riso descrente ao entender, tardiamente, qual havia sido seu papel naquele maldito teatro todo: não apenas o responsável por matar a criança que pertencia a Arwan, Nyx era o peso sobre o lugar, o ocupante do espaço vazio que pertenceria a %LaFay%.
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  — Qual é seu movimento agora?
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  Então era isso? Estava fadado a este destino desde o início? Quando caíra no Poço junto com %LaFay%, era ele quem deveria ter saído ou ele era só um meio para o resultado do que Arwan queria? Sempre acabaria daquela mesma forma? Nyx afastando-se no momento que %LaFay% retirava a maldita chave do pescoço do caçador? Deu mais um passo para trás, homem e Morte circulando como dois gatos à espera do primeiro golpe. Observando ao outro como um reflexo de si mesmos.
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  — Agora, troco a sua vida pela dela — Arwan disse com um tom de voz prático, preciso, empunhando a espada, e então voltando-a na direção de Nyx. O herdeiro da Corte Noturna trincou os dentes, parcialmente paralisado pelo próprio medo, parcialmente desesperado para encontrar uma maneira de escapar daquele pesadelo, uma forma de escapar do alcance de Arwan, mesmo que fosse apenas uma vã esperança fadada ao fracasso. — Não se preocupe, filho de Archeron, irei oferecer-lhe uma morte rápida como forma de agradecimento.
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  Nota da Autora: ainda sobre a frase que o Lyall diz, ela é uma premonição ruim, ou seja, tem conotação ameaçadora ao ser dita. Agora, vou segurar sua mão quando digo isso: se prepara, daqui para frente, é só para trás. Prometo que no fim ofereço abraços quentinhos. I pra Bleme, MULHER QUE CE TÁ FAZENDO AQUI?! KSKSSKSKSK meu deus, vou me enfiar num buraco de vergonha KSKSKSSKS não era pra você tá lendo o que escrevo! O esquema é o contrário!




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PQP, O CASSIAN. GENTE, SALVEM ESSE HOMEM ALGUÉM FAZ UM MILAGRE, MAS SALVEM ELEEEEEE
E eu SABIA que o Nyx tava fazendo EXATAMENTE o que o Arwan queria que ele fizesse. Tava fácil demais ele chegar na Invernal e aprontar todas sem o bichão saber. E AGORA VAI TODO MUNDO MORRER (a dramática kkkk)
O Nyx e a Cerci são parceiros? Por isso ele se sente ligado a ela? Pqp, o mundo de ACOTAR não deixa ninguém só ser feliz, né? Tem que ter 324384128412 tragédias e drama pra ter uma gota de felicidade DUVIDOSA ainda ISNFAOIASNDASOPND
EU PRECISO DA CONTINUAÇÃÃÃÃÃÃOOOOOOO

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