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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

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Solstício

Escrita porNatashia Kitamura
Editada por Natashia Kitamura

PARTE III

Tempo estimado de leitura: 19 minutos

  Era loucura. Eu tinha certeza de que se eu não estava louco, quem estava era ela.
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  Quando a vi na televisão, achei que ela fosse uma artista comum. Todo artista tem uma parte de si ordinária, parecida com as pessoas comuns. Mas não ela. Tudo nela era diferente, despreocupado, mas não de uma maneira irresponsável.
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  – Minha tia falou da praia de Busan, mas acho que no inverno não deve ser uma boa ideia entrar na água.
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  – Bem pensado. - falei, cansado e jogado no banco passageiro do carro que ela havia alugado no nome de seu empresário. Ele estava nos aguardando em Busan, pois providenciava nosso lugar para hospedar, mesmo eu tendo insistido em ficar na casa dos meus pais.
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  – Me conte sobre você.
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  – Por que o interesse?
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  Vi um sorriso surgir em seu rosto.
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  – Achei que você era o caçula de ouro.
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  – Sou um pouco mais ácido do que as pessoas pensam.
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  – Do que as fãs pensam, você quer dizer.
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  – As fãs não precisam saber dos meus defeitos.
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  – E por que não? Se elas te amam, aceitarão o que for.
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  – E por que então você não mostra seus defeitos?
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  – Tipo…?
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  – Essa sua loucura toda. Você… - limpei a garganta e olhei para a paisagem.
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  – Sou louca?
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  – Esquece.
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  Não falei mais nada. Culpei meu cansaço pelo meu comportamento mau educado. Tirei um cochilo longo e só acordei quando estávamos chegando no hotel. Achei que fôssemos chegar e dormir, já que passava das onze da noite e sabe-se lá o que ela iria querer fazer no dia seguinte, mas ela só disse:
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  – Vejo você em vinte minutos na cozinha.
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  Nada respondi, já que não houve tempo. Ela virou de costas e entrou no quarto vizinho ao meu. Resolvi não questionar, depois de pensado melhor. Eu já havia descansado um pouco, então poderia enfrentar o que ela estava planejando. Havia muita coisa para fazer à noite em Busan, por mais que não parecesse.
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  Só que os planos dela, para variar, eram de um nível inimaginavelmente catastrófico.
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  – Você conhece a família de Marcus Shin?
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  – É uma família bem conhecida aqui em Busan.
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  – É, a fama dele chegou lá nos Estados Unidos. - ela disse, tranquila. – Você acredita em maldições?
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  – Maldições?
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  Olhei para ela, que encarava todos os detalhes de nosso redor com uma atenção turística. Era compreensível, já que era a primeira vez que visitava Busan. A cidade, à primeira vista, chama a atenção.
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  – Marcus Shin andou propagando coisas que não devia sobre alguns segredos de estado.
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  – De estado?
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  – Sim. - ela estalou a língua e então me empurrou para um beco, me pegando de surpresa. – Você foi o escolhido.
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  – Escolhido?
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  – Não se cansa de repetir o que digo?
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  – Não consigo entender nada do que você está dizendo.
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  Ela suspirou e olhou para o céu, enviando um olhar de clemência… ou paciência, se for olhar bem.
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  – Você sabe o que é um solstício de inverno?
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  – Ah…
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  – É quando um dos pólos do nosso planeta está mais inclinado na direção do sol. Ocorre todo ano, no inverno e no verão. - ela deu um passo para trás. – Isso significa que, no solstício de verão, o dia fica mais longo, e no inverno, a noite se torna mais longa. A cada quatro anos, especificamente no solstício de inverno, a criança nascida exatamente no momento em que ocorre o pico da inclinação, vem com poderes.
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  – Poderes? Como magia mesmo?
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  – Foi o que eu disse. - ela suspirou. – Existem várias no mundo e com diversos tipos diferentes de poderes. Eu, por exemplo, vejo auras.
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  – Como é que é?
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  – Marcus Shin consegue prever o futuro, mas em um tempo limitado de algumas horas ou no máximo 1 dia. Isso, por si só, já é uma vantagem. Uma vantagem que ele usou para o mau.
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  – Qual o poder de ver auras?
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  – Eu vejo as cores delas. Cada cor possui um significado. Minha aura, por ser um solstício, é em um tom bem claro de branco. Dos seus companheiros de grupo variam entre verde, dourado e rosa.
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  – O que isso significa?
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  – Verde são os mais fáceis de se lidar, se lidado racionalmente. O dourado são os mais fortes, geralmente lidando com liderança, e o rosa usam de base o amor, portanto são mais bons de coração.
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  – E eu?
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  – Você é um escolhido. - ouço, não entendo. – Sua aura é prateada. É muito raro ver auras prateadas, só vi uma vez desde quando aprendi sobre isso. As pessoas com essas auras tendem a viver somente em lados extremos: muita sorte ou muito azar. Tudo irá depender das escolhas que elas fazem durante a vida. No entanto, por ser prateada, são fáceis de serem manipuladas.
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  – E você quer fazer exatamente isso? Me manipular?
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  – É mais fácil fazer você entender toda essa história, do que seus amigos. - ela ergueu os ombros.
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  – E qual a sua missão?
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  – Inicialmente, era encontrar o maior número de prateados. Nossa missão é protegê-los. As pessoas com os poderes do mal tendem a usá-los para benefício próprio. Manipulam-os, já que são fáceis, e fazem uso de sua sorte para si próprio, deixando-os à mercê do azar, geralmente levando-os à loucura ou morte.
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  – Morte? - arregalei os olhos, espantado.
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  – A Coréia do Sul não possui a maior taxa de suicídio do mundo por qualquer motivo.
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  Fiquei boquiaberto, pois minha mente parou de funcionar. Aquilo fazia sentido. Mas será que sou mesmo manipulável?
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  – Como posso acreditar em você? E se acreditar, como posso saber que você não está me manipulando…
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  – Você não está vendo? - ela me interrompeu.
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  – Vendo o quê?
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  – Vagalumes.
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  Pisquei, finalmente percebendo. É. Haviam vagalumes voando ao redor dela. Vagalumes… fracos. Olhei para o lado e limpei meus olhos, vendo uma mulher passando com um saco de compras.
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  No meio da madrugada?
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  Vagalumes rosas.
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  Fui até ela, por um impulso, e a abordei:
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  – Deixe que eu a ajudo. Parecem pesadas. - digo, oferecendo carregar o saco de compras.
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  A mulher me olhou com exaustão, e então a expressão mudou para uma surpresa.
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  – BTS!
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  – Sim, sou eu. - sorri, feliz por ter sido reconhecido por uma senhora dessa idade.
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  – Minha filha vem me visitar… - ela aceitou minha ajuda e começou a caminhar ao meu lado. – Está estudando em Seoul. Me avisou de última hora, então resolvi ir ao mercado ali do centro, que é o único que fica aberto até tarde… - ela sorriu. – Vou fazer o prato favorito dela. É uma grande fã sua. Há fotos por todo o quarto.
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  – Sou muito agradecido por ela gostar de nós. E fico muito feliz em saber que tenho uma fã tão dedicada aos estudos, e que não esquece a família.
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  – Sim, ela é uma ótima menina. É no fim dessa ladeira, minha casa.
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  – Não se preocupe! - sorrio, acompanhando-a enquanto ouço ela falar das pequenas conquistas de sua filha, que foi em busca da carreira de veterinária, por amar animais.
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  Ela me ofereceu algo para comer, mas me lembrei de %Nicole% ao lado de fora, por isso, recusei e desejei uma boa noite.
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  – Viu? - ouvi bem ao meu lado assim que fechei o portão da casa da senhora. – Vive à base do amor. - apontou com um movimento de cabeça, para a senhora que agora devia estar guardando as compras. – Os vagalumes se tornarão áureas de verdade, conforme o tempo for passando. Incomodará no começo, mas você irá se acostumar.
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  – Por que estou enxergando de repente?
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  – Porque passei meu dom para você.
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  Fiquei a encarando, enquanto a via me encarar, esperando que a resposta surgisse em minha cabeça. E veio como um trem-bala:
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  – O… beijo?
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  – O beijo. Meu DNA estava ali. É a maneira mais fácil. Foi minha primeira vez, você sabe, tentando esse método. Na escola, eles ensinam que é preciso uma fusão do sangue, já que é o que contém nosso DNA. Mas assistindo um programa de mistério, vi que dá para se fazer testes através da saliva.
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  Parte de mim se sentiu ofendido. Além de ter sido feito de uso experimental, o beijo pareceu não ter tido o mesmo efeito nela, como deu em mim.
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  – Qual é o seu plano?
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  – Bom, a missão é simples. - ela sacou de dentro de seu casaco, uma arma. Arregalei meus olhos. – Você se acostuma.
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  – Acho que não.
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  – Não existe muitos com a nossa habilidade, e para essas pessoas que usam as outras para benefício próprio… somos bastante úteis. Saber quem é fácil de manipular ou, através do conhecimento das cores, compreender o método para conseguir o que quer, é preciso merecimento.
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  – Eu não acho que tenha feito algo para merecer poderes. - olho ao redor, vendo os vagalumes ficarem maiores ao redor das pessoas que passavam por nós. Agradeci por não estar em um lugar cheio. Como os shows. – Espere! Você também é uma celebridade. Como é que lida com todos os fãs? É sempre seguida, não é?
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  – Sou artista por conveniência. É mais fácil quando as pessoas vêm até mim. Como você. Se eu não fosse uma celebridade, não teria a oportunidade de te conhecer pessoalmente. Além disso, nossos poderes só funcionam quando vemos a pessoa ao vivo.
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  – Quer dizer que me vendo pela tevê, você não fazia ideia da aura que eu tinha?
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  – Isso. Todos os poderes vêm com limitações, ainda não sabemos quais são as suas.
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  – Mas e aí? O que eu tenho que fazer?
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  – Os agentes provavelmente encontrarão você para que entre na escola e aprenda sobre tudo isso. É um mundo muito maior do que imagina. Mas agora, você só deve me acompanhar. Sabe como é… pesquisa de campo, que se diz? Aprendendo na prática? Algo assim.
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  Os passos que antes eram dados com tranquilidade, de repente pararam.
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  – Ah! Eu preciso avisá-lo de uma coisa. É bem séria?
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  Olhou ao redor e me puxou para um canto mais escuro da rua.
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  – Quando começar a receber missões, verá que algumas serão mais difíceis, como essa de agora. Você recebe todo o suporte e treinamento, mas é diferente na prática. Matar pessoas… há dois gumes. - ela encostou na parede e cruzou os braços. – Falando profissionalmente, você recebe méritos, que verá ser bom para sua vida, mas falando no dom… cada vez que você mata alguém, seu poder se torna mais forte. Isso é bom, afinal, as limitações acabam diminuindo, até se extinguir. Por outro lado, você vira vítima de sua própria luxúria. É um caminho sem volta. Marcus Shin está obsesso por poder.
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  – Mas você disse que ele só enxerga no máximo um dia. Como acabar com uma pessoa que vê o futuro? Pegando-a de surpresa?
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  – Bingo. - ela sorriu. – Marcus Shin prevê seu futuro toda manhã e toda tarde, tornando quase impossível de chegar até ele. Ele não se importa com o futuro, então não comete os assassinatos. Ele faz com que seus subordinados façam o trabalho sujo e faz o uso dos poderes deles a seu favor. Se houver um dia em que, repentinamente, ele não consiga realizar essa rotina, é a nossa chance.
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  – E qual a probabilidade disso acontecer?
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  – Aconteceu hoje. Veja só: ele é político. Estamos em véspera de época eleitoral. Não há o risco dele ser ameaçado, então ele não se importa muito com a rotina, quando, de vez em quando, ela sai de seu controle. Hoje foi a primeira vez em um ano e meio. Um agente secreto nos avisou e outro foi conferir. Não se pode depender de uma só pessoa; além disso, há poderes em que se detecta uma mentira e temos vários videntes conosco também. Shin não viu o que irá acontecer da uma, até as três da manhã.
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  Olho em meu relógio, que marcava uma e quarenta.
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  – O trabalho é bem fácil.
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  – Não parece fácil matar uma pessoa.
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  – Como eu disse - ela voltou a andar. –, você se acostuma.
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  – Se eu tenho o mesmo poder que você, quer dizer que deixei de ser manipulável.
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  – Não dá para mudar quem você é. - ela diz, caminhando. – Mas, sim. Sua aura mudou. - virou seu rosto para mim, curiosa. – Não consegue ver?
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  Engulo seco e nego com a cabeça.
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  – Interessante. - ela para e me olha com mais atenção. – Talvez você não consiga ver todas as cores. Bem, é só uma questão de tempo.
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  – Terei que matar alguém para ver tudo?
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  – Alguns dons melhoram com o treinamento. Temos que esperar para ver.
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  A missão, de fato, foi mais fácil do que os filmes ou seriados mostram.
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  %Nicole% me fez ficar esperando em um local próximo da casa de Shin. A vi encontrar com alguns agentes e então apontar em minha direção. Quinze minutos depois, ela estava de volta.
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  – Pronto. Agora vem a pior parte.
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  – Lidar com as notícias?
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  – Não, escrever o relatório. - ela revirou os olhos. – É muito mais fácil quando mandam junto alguém da equipe de escrivões. Eles acompanham o processo e no final, terminam o trabalho.
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  – Qual era a cor da aura de Marcus Shin?
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  Ela sorriu.
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  – Quando você pensa no mau, imagina qual cor?
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  – Preto.
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  – É isso aí.
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  Voltamos para o hotel, mas acabamos não nos hospedando lá.
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  – Vamos voltar para Seoul. - ela anunciou.
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  – Mas…
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  – Era só uma missão, Jungkook.
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  Não a respondi. Para mim, tanto fazia, estaria aqui perto em alguns dias, e poderia visitar meus pais então. No momento, havia muita coisa a ser pensada. Eu achava que já era especial por conseguir chegar aonde estou, fazendo algo que gosto. Mas isso tudo é uma loucura inimaginável. Saber que magia existe… não faz sentido.
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  Passei grande parte da viagem pensando sobre tudo o que aconteceu. Pelo celular, procurei notícias de um crime terminado em morte, mas nada havia saído ainda. Quando percebi, estávamos na frente do meu dormitório.
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  – Até mais, então, Jungkook. Não fale sobre isso com ninguém que não tenha essa marca. - e mostrou uma tatuagem de lua no pulso. – Você terá uma também. Ela irá se formar sozinha, quando melhorar o controle sobre seus poderes.
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  Ela sorriu e aguardou que eu saísse.
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  – Era uma missão me trazer? - perguntei, não fazendo questão de sair do carro.
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  %Nicole% me encarou por um tempo, até desligar o automóvel.
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  – Não.
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  – Então…
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  – Aquele dia, na Billboard… Marcus Shin havia mandado me capturarem. - ela disse. – Se você não tivesse ido ao banheiro… eles haviam livrado toda a área para fazerem um trabalho sem problemas.
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  – Então eu a salvei?
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  Ela se remexeu, desconfortável.
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  – É. Obrigada.
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  – Bem… - sorri, sentindo meu coração se aquecer. – Salvar pessoas também faz algo com nossos poderes?
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  – Só se for situações não planejadas. - ela disse. – No seu caso, sim. É por isso que as coisas com seu trabalho estão indo tão bem.
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  – Acho que então prefiro salvar pessoas.
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  – É o que tentamos fazer. - ela abre um pequeno sorriso. – Mas nem sempre é fácil. Às vezes somos obrigados a fazer algo ruim, como fiz hoje, para salvar alguém.
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  – E quem você salvou?
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  – Milhares de solstícios capturados. - ela suspirou. – Pelo menos, espero. - seus olhos se perderam por um momento, e então voltaram em foco segundos depois. – Tchau, Jungkook. Nos vemos em 2 dias.
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PARTE III
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