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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Silent Heart


Escrita porPams
Revisada por Lelen

5 • Friday Night

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

Londres - Mayfair, outono de 2022

  A luz suave do fim da tarde entrava pelas janelas altas do estúdio, iluminando as caixas espalhadas pelo ambiente. Mesmo com a reforma em sua fase final, ainda tinha muita coisa para colocar no lugar até a noite de reinauguração. Após a partida da irmã, que tinha mais um de seus compromissos noturnos com encontros casuais nos pubs que frequentava, %Margareth% estava analisando a planta baixa atualizada da galeria. Um olhar concentrado e calmo, mas a atmosfera parecia carregada, como se palavras não ditas flutuassem no ar, lutando constantemente contra as lembranças do encontro com %Charles% naquela tarde.
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  O divórcio.
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  Não tinha tido a coragem de abrir a pasta para ler a nova versão daquele documento que simbolizava seu choro pelas madrugadas. E protelar parecia a melhor forma de resguardar seu coração de mais angústias e frustrações.
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  — Acho que aqui… Podemos situar o espaço de convivência. — Observou bem as dimensões dos ambientes. 
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  Insatisfeita com a proposta final da decoradora contratada e por suas pequenas noções de design de interiores, resolveu tomar a frente puxando esta responsabilidade para si. A estrutura do prédio contava com dois pavimentos, no qual o térreo de pé direito duplo era agraciado com o amplo mezanino, toda a sua extensão serviria para o espaço da galeria, deixando o andar acima para a parte administrativa. A sala de curadoria seria a única a se localizar no térreo, juntamente com os espaços expositivos e o jardim a estilo provençal, que resultaria no espaço de convivência — assim como também o ponto estratégico para realizar os eventos mais promissores e lançamentos das exposições.
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  — Mudar o salão secundário expositivo para o mezanino, no qual ficará as peças fixas de acervo pessoal… Acho que os banheiros poderiam continuar onde estão para não mexer na estrutura existente, mas terei que pensar em um hall de espera em frente… — continuou ela, passando os olhos entre as pranchas montando um desenho em 3D na cabeça, enquanto anotava as mudanças na agenda. — Uma escultura aqui e um quadro aqui, ficaria legal.
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  Era empolgante aquela parte do planejamento.
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  E já que faltavam exatas três semanas para a reinauguração, o segredo para o sucesso do evento estava exatamente nos detalhes.
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  — Três semanas é muito pouco… Quase impossível — sussurrou ao perceber que havia muito a ser feito. — Meredith foi imprudente em colocar uma data oficial sem analisar a situação real do processo.
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  Na empolgação de suas ideias, ela começou a cantarolar um pouco, enquanto rascunhava de lapiseira por cima das plantas contidas nas pranchas técnicas. Seu momento de solitude no trabalho durou poucos minutos, até que a presença de sua filha invadiu o espaço.
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  — Mãe? — Sua voz soou quase tímida.
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  %Margareth% parou de imediato, erguendo seu corpo lentamente, procurou-a com o olhar. A mãe estava no mezanino, diante de uma mesa com estrutura em madeira maciça, de Nogueira Nobre envelhecida e envernizada com base de vidro temperado, um dos poucos móveis de relíquia que restou da reforma. 
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  — Estou no mezanino! — Elevou a voz para que a ouvisse.
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  Logo os passos da jovem foram ouvidos ao subir os degraus da grande escadaria, uma bela estrutura que ficava bem ao centro diante da porta de entrada, com o propósito de dar ao lugar mais charme e imponência, além de despertar a curiosidade dos visitantes para acessar o acervo pessoal da galeria. %Maggie% sorriu com leveza, um olhar aconchegante de ternura para a filha.
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  — O que faz na galeria? — perguntou num tom suave, mas carregado de curiosidade.
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  %Evie% retribuiu o sorriso com outro.
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  — Fiquei até mais tarde estudando na biblioteca da universidade — contou ela em sua explicação. — Quando dei por mim já era tarde, então vi sua mensagem e como estava na rua, pensei em passar aqui para voltarmos juntas pra casa.
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  — Será um prazer ir para casa com você, mas terá que me esperar mais um pouco, preciso finalizar meu raciocínio aqui para mostrar par sua tia — pediu a mãe, esperando compreensão. — Amanhã bem cedo tenho uma reunião com alguns fornecedores e sábado vamos às compras da nova mobília da galeria.
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  — Sábado? — indagou a jovem, surpresa.
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  — Sim, o tempo não espera por ninguém e só temos três semanas para o grande dia — respondeu, enfatizando a urgência. — Acho que se eu não tivesse aceitado a proposta de sua tia e vindo para Londres, ela não iria conseguir concluir esse projeto.
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  — Tia Meredith é um tanto empolgada e nada organizada — comentou.
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  — Sim, de fato ela é mesmo… Algo o qual me irrita às vezes — confessou a mulher, soltando uma risada por lembrar-se das muitas vezes que passou nervoso com a irmã.
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  — Hum. — Rindo junto.
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  — E a senhorita está mais do que convocada a participar — advertiu ela, não dando margens para recusa.
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  — Posso me encontrar com vocês lá? — retrucou.
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  — Onde pretende ir antes? — O olhar curioso se manteve na filha, imaginando que pudesse ter algum compromisso marcado com as novas amizades que conquistou na primeira semana de aula.
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  — Papai me convidou para um brunch, estilo pai e filha — respondeu com naturalidade.
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  %Evie% deu mais alguns passos até a mãe a fim de bisbilhotar um pouco as pranchas arquitetônicas. Ficou impressionada com tantos rabiscos e anotações que a mesma fizera. Sabia que %Maggie% tinha um fascínio pela área, mas não imaginava que seria a ponto de se aprofundar tanto.
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  — Uau! — disse a filha.
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  — Acredite, estava pior no início da semana. — %Maggie% soltou uma gargalhada boba, mudando de assunto. — Alguma ocasião especial para seu pai te convidar para um brunch?
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  — Quer saber se seremos apenas nós dois? — retrucou a mais nova, já imaginando a intenção da mãe naquela pergunta.
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  — Não é da minha conta. — Desviou o olhar, disfarçando o ciúme em forma de curiosidade. 
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  — Segundo o papai, vamos ter um momento ao ar livre no London Golf Club, com direito a um brunch — explicou %Evie%, não respondendo com clareza. — Se terá mais alguém envolvido, não conseguiria te dizer.
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  — Nem quero que me conte amanhã — pediu.
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  Contudo, internamente a filha sabia que ela queria sim.
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  Ambas retornaram para o apartamento, com altas expectativas para o dia seguinte. Na manhã seguinte, enquanto a filha iria desfrutar de mais aulas interessantes e inspiradoras, da qual lhe transmitia a certeza de seu acerto pelo curso de design gráfico. %Maggie% teria mais um longo dia com a irmã, regado a trabalho, preocupações e cálculos para assegurar que o orçamento não fosse ultrapassado pelas loucuras da irmã.
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  — Não se esqueça do encontrinho da Cindy — disse Meredith, assim que estacionou o carro, em frente ao prédio da irmã.
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  Ela sabia que %Maggie% acharia qualquer desculpa para não comparecer ao evento, com a desculpa dos preparativos da galeria. Contudo, no fundo, a caçula não queria cruzar com seu ex-marido, seu coração nem mesmo havia se recuperado do dia anterior. E para ela, era surreal pensar que estava vendo seu marido com mais frequência agora que estavam em processo de divórcio do que antes quando seu casamento ainda se mantinha na rotina.
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  E seu coração seguia em aperto e agonia.
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  — Preciso mesmo ir? — Uma pergunta inocente com gosto de: já sei a resposta.
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  — Nem vou me dar ao trabalho de te responder. — Meri a acompanhou com o olhar enquanto saía do carro. — Passo aqui para te pegar às oito e meia.
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  — Precisa ser tão tarde assim? — indagou.
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  — É sexta à noite, baby! — Uma gargalhada maldosa vinda da primogênita.
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  — Nós temos um compromisso amanhã, baby — retrucou ela, em um tom singelo de repreensão, lembrando-a que a vida não era apenas diversão.
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  Principalmente tratando-se de suas responsabilidades profissionais.
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  — Até mais tarde. — Meredith deu de ombros, apenas ansiando pela diversão de logo mais, então deu partida no motor.
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  Um suspiro cansado.
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  Ela teria algumas horas para preparar seu coração para um possível encontro. Certamente %Charles% não deixaria de prestigiar o aniversário da esposa de seu amigo de infância. Cindy havia se juntado ao grupo de amigos logo após mudar para o London Elite Constance High School, e logo na primeira semana seu jeito extrovertido lhe proporcionou fazer amizades com as irmãs Carter.
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  Ao adentrar seu apartamento, %Maggie% seguiu diretamente para o banheiro, talvez um banho relaxante além de limpar seu corpo cansado pela tarde exaustiva de reuniões e trabalho, limparia também os inúmeros pensamentos que se formaram com o propósito de deixá-la ainda mais desnorteada. Após sair do banho, retornou ao quarto enrolada na toalha, pensativa em qual look seria para a ocasião.
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  — Passei na biblioteca antes de voltar para casa, chego em alguns minutos — sussurrou ela, ao ler a mensagem da filha.
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  Ao passar pela porta do pequeno closet, passou os olhos pelas roupas penduradas pelos cabides, devidamente separadas por cores. Seu coração ardia de ansiedade para algo que ela racionalmente não queria, vê-lo pela quinta vez em menos de uma semana. Minutos de indecisão, até que optou por um vestido plissado verde musgo de tamanho midi e manga curta, sua frente contemplada com um decote V que a valorizava com uma certa elegância. Suas noções de moda arrancavam inveja até mesmo da irmã, que havia aprendido com a mesma os muitos truques para ser sexy sem ser vulgar, utilizando das vestimentas corretas para cada ocasião. 
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  E para uma noite refrescante de verão, sua escolha era perfeita.
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  O som abafado de risadas, taças tilintando e música ambiente preenchia cada canto do Mystic Moon, um dos pubs mais icônicos e modernos de Notting Hill. Muito procurado pelos adultos cansados dos dias corridos, e badalado entre os universitários em busca de aventuras passageiras. Entre as paredes de tijolinho tomadas por esculturas de aço corten, pendentes de estilo industrial, luzes âmbar e madeiras envelhecidas misturadas à arquitetura que predominava o cimento queimado. As irmãs Carter, após chegarem pontualmente às nove da noite, no ápice do happy hour, estavam sentadas em uma mesa generosamente ocupada, cercadas pelos velhos amigos da época da universidade, brindando à vida.
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  Mais especificamente, ao aniversário de Cindy, uma amiga em comum.
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  %Maggie%, em sua elegância, segurava uma taça de vinho branco, deixando transparecer um sorriso genuíno, o qual não sabia de onde havia retirado. Meredith, ao seu lado, com seu exuberante decote combinado ao vestido vermelho godê, exibia aquela segurança impecável de quem sabia exatamente quem era e o efeito que causava ao entrar em qualquer lugar. As conversas corriam leves, misturadas a gargalhadas descontraídas, até que algo no ambiente pareceu deslocar-se. 
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  Um silêncio sutil, quase imperceptível, tomou conta dos segundos seguintes. Meredith percebeu antes da irmã e tentou disfarçar sem sucesso, seus olhos percorreram, discretos, até a entrada do pub sendo seguidos pelos dela. 
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  E lá estava ele.
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  %Charles% Blackwood.
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  Vestindo seu habitual terno risca de giz preto de alfaiataria, impecável, gravata afrouxada no pescoço, a mão pousando com naturalidade nas costas da mulher que o acompanhava — jovem, loira, de um tipo clássico e previsível, trajando um vestido preto que gritava “sobriedade elegante com pretensões discretas”. O sangue de %Maggie% pareceu esfriar por um segundo, assim como seu coração pareceu esquecer que tinha que continuar batendo. Seus dedos apertando de leve a haste da taça, o sorriso anterior que tanto se esforçava para manter diante da conversa fluida dos amigos, morreu na garganta. 
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  Substituído por um silêncio que só ela parecia ouvir.
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  — Quanta ousadia — Meredith murmurou, levando o copo aos lábios com uma elegância cruel. — Não acredito que ele foi corajoso o bastante para vir acompanhado.
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  — Não me importo com isso — em sussurro, ela deu de ombros, voltando o olhar para a taça em sua mão.
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  Mas não se conteve em mordiscar o lábio inferior.
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  Inconscientemente, seus olhos retornaram para a direção proibida, permanecendo cravados naquela cena que, de alguma forma, parecia pertencer a outra vida — uma que ela achava que já tinha deixado para trás, mas que agora estava à porta, batendo com força. O olhar de %Charles%, inevitavelmente, encontrou o dela. Por um breve, desconfortável e elétrico segundo, o mundo pareceu inexistente ao redor de ambos. 
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  Olhares que diziam tudo o que a boca não teria coragem de pronunciar. 
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  Saudade. Mágoa. Orgulho. 
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  E algo ainda mais profundo, enraizado em tudo aquilo que nunca foi dito. Ele piscou, quase imperceptível, desviando o olhar com a elegância contida de quem sabe que está sendo observado. Meredith, afiada em acompanhar toda a cena com discrição para que nenhum dos amigos percebessem, arqueou uma sobrancelha, soltando um sorriso que beirava a ironia.
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  — E pensar que ele ainda sabe escolher bem... ou, ao menos, escolher algo... substituível — disparou, olhando diretamente para a nova companhia de %Charles%.
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  %Maggie% respirou fundo, endireitando-se na cadeira, cruzando as pernas como se, naquele gesto, pudesse alinhar também o próprio coração. Não era o homem que dizia não ter ninguém, agora na sua frente com uma mulher aparentemente de alta classe.
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  — Confesso que agora me vejo confusa — respondeu, com um meio sorriso que não alcançava os olhos, muito forçado. — Estou surpresa.
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  Cindy, a aniversariante, ao olhar a amiga, logo percebeu a presença que faltava se aproximando da mesa, então, para aliviar as possíveis tensões, puxou um brinde improvisado. Contudo, mesmo que todos, exceto os envolvidos, mantivessem a naturalidade da comemoração alheios dos bastidores, havia ali agora uma camada invisível de passado, orgulho ferido e sentimentos que, por mais que tentassem disfarçar, jamais seriam totalmente esquecidos.
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  — Tem certeza que não deseja participar? — indagou %Charles%, ao parar com a mulher na área do bar.
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  — Não quero atrapalhar a comemoração dos seus amigos, ainda mais com meus problemas. — Ela forçou um sorriso de: está tudo bem. — Além do mais, sua esposa está sentada com eles.
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  — Sim, ela está. — %Charles% engoliu seco a realidade, pois em breve o vínculo que tinham iria se desfazer por completo.
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  — Certamente já estou causando um enorme desconforto a ela, por minha presença aqui, vejo isso no seu olhar para nós, então... — continuou a mulher, sabendo de toda a situação que ele enfrentava. — Não quero piorar as coisas.
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  — Sempre muito gentil. — %Charles% sorriu de canto, numa sutil gratidão a ela, por todas as vezes em que demonstrou amizade sincera. — Vou cumprimentá-los então, e ficarei aqui com você.
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  — Não faça isso — pediu, se sentindo um estorvo para ele naquela noite.
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  — Não adianta recusar. — Uma piscada de leve, e ele se afastou dela, seguindo em direção à mesa dos amigos.
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  A cada passo de aproximação, um pulsar mais forte no coração da… 
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  Esposa, ou ex-esposa?
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  — Boa noite a todos. — Mesmo expandindo para geral, seu olhar foi diretamente para quem importava.
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  — Finalmente o bonito apareceu — comentou Taylor, em risos.
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  A princesinha publicitária sempre teve um encanto por ele, o que nunca a deixou demonstrar plena felicidade pelo casamento dos amigos, afinal, ela era a namorada de %Charles% antes de o mesmo conhecer a mãe de sua filha. 
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  — Só faltava você, amigo — disse Gregory, ao se levantar para cumprimentá-lo à sua moda. — Não vai nos apresentar a sua amiga?
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  O olhar de %Charles% nem se moveu com aquilo, permanecia fixo em %Margareth%, que internamente se sentia ainda mais vulnerável pela situação. Um ardor em sua garganta que a deixava com a sensação de um grito preso e sufocante.
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  — É uma amiga do trabalho que precisa de um momento de solitude — explicou ele, tentando deixar claro a parte do “amiga.”— Vim apenas cumprimentá-los e dar um abraço na Cindy.
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  %Charles% retirou uma pequena caixa do bolso do terno e entregou a ela. Cindy, em seu jeito extrovertido, pegou a caixinha e ao abrir, encantou-se com o par de brincos agraciados com uma pequena pedra de esmeralda. Um abraço genuíno e alguns comentários dos amigos.
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  — Vejo vocês em uma próxima oportunidade. — Sua voz manteve o habitual tom sério e frio, porém, com traços de serenidade.
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  — Achei que sua amiga precisasse de um momento de solitude. — A voz de %Maggie% soou com tanta naturalidade que a mesma só se deu conta do que tinha dito segundos depois de terminar.
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  Sentiu um frio na barriga de imediato, seu rosto queimou de vergonha pelos olhares lançados em sua direção. O coração disparado sem saber como reagir ao ciúme que tinha externado com tanta facilidade, apesar das muitas vezes que lhe faltam palavras para expressar a dor sentida desde a noite que resultou no pedido de divórcio.
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  — Deseja conhecê-la? — Instigante, %Charles% estendeu a mão para ela.
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  Todos os presentes arregalaram os olhos, impressionados com o que presenciaram.
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  O senhor e a senhora Blackwood, eram tidos como o casal perfeito. A química entre eles era visível e em algumas oportunidades, palpável. De uma amizade regada a competições internas por parte dele, nasceu um amor singelo e puro, que os levou ao casamento precoce por suas noites e finais de semana de travessuras sem proteção.
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  — Será um prazer — disse %Maggie%, ao se levantar da cadeira.
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  Causando espanto em sua irmã.
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  Ela já havia tomado alguns goles do seu drink, algo que lhe deu coragem para encarar seus temores momentâneos. Sendo conduzida pelo ex-marido, ambos seguiram até o bar, no qual a mulher em seu momento de autorreflexão, tomava o primeiro gole do drink que pediu.
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  — Josephine, quero que conheça a minha… Esta é a %Margareth%. — Não fora proposital que %Charles% tivesse engolido aquelas palavras, mas por não saber em qual nível a situação se encontrava. — %Maggie%, esta é Josephine Partners, minha sócia do escritório.
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  — É um prazer conhecer a famosa %Maggie%. — Um sorriso gentil surgiu de seus lábios. — Charlie passa o dia no escritório falando de você.
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  — Ah… — Pega de surpresa, encontrou-se sem reação ao voltar o olhar para ele, que mantinha o rosto sereno de quem não devia nada no cartório.
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  Seu rosto, que já queimava de vergonha por ter ido até o bar, pareceu derreter diante das palavras da mulher. A ansiedade misturada à frustração, deixou-lhe com falta de ar por segundos, fazendo seu corpo afastar-se involuntariamente para longe deles, seguindo a passos rápidos e precisos em direção à saída. 
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  O que ela estava fazendo? A quem desejava enganar? A si mesma?
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  Suas emoções internas pareciam debater com seu lado racional. O que estava fazendo saindo do pub com tanta pressa assim? Deixando os amigos e a irmã em meio a uma comemoração. Era como se assinasse uma sentença que a declarava culpada por ainda amar o até então marido, e sentir ciúmes ao vê-lo ao lado de uma mulher, agora não mais misteriosa. Do pouco que sabia sobre a família Partners, apesar de nunca os ter visto pessoalmente, o relacionamento do casal parecia bem sólido e estável.
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  Chegando à rua.
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  — %Maggie%! — A voz de %Charles% chegou, seguida de sua mão direita que a parou no meio do caminho, virando-a para ele. — Quem achou que ela era?
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  Direto e preciso como sempre.
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  Não gostava de rodeios em suas palavras.
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  — Me deixe, %Charles%. — Mantendo seu olhar abaixado, evitava olhá-lo para não sucumbir aos sentimentos que reprimia, tanto quanto as lágrimas no canto dos olhos.
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  — Não vai me olhar nos olhos? — insistiu ele. — Pergunte o motivo dela estar aqui? — Continuou instigando-a, nas perguntas que se mantinham instaladas em sua garganta. E ele a conhecia bem demais para deduzir cada uma delas.
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  — %Charles%… — Elevando seu olhar em meio ao sussurro, seu coração doeu ainda mais pelo arrepio em seu corpo com a profundidade que emanava do olhar dele. — Por favor.
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  — Minha sócia não teve um bom dia, recebeu um péssimo diagnóstico da médica de sua mãe e… — iniciou ele, a relatar os reais fatos.
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  — Não precisa dizer nada — o interrompeu, sentindo a primeira lágrima escorrer pelo seu rosto.
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  A mão de %Charles% tocou-a com suavidade, limpando a lágrima.
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  O silêncio entre eles desta vez não se mostrou um desconforto. Entretanto, o sentiam como uma matéria viva. Uma ponte invisível sustentada por tudo o que foram, pelo que tentaram não ser e pelo que, apesar de tudo, ainda eram. %Charles% não disse mais nada e nem precisava, seu olhar intenso a queimava por dentro. %Maggie% soube, no instante em que o homem se inclinou sobre ela, que qualquer tentativa de fugir seria inútil, e quando seus lábios se encontraram, não foi um gesto suave. 
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  Foi uma colisão inevitável. 
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  Um reencontro de saudades nostálgicas, de um orgulho ferido e um desejo reprimido de ambas as partes. Não houve permissão, assim como também não houve recusa. E parecia como uma urgência. Fome. Fúria disfarçada de amor. As mãos dele puxaram-na pela cintura, apertando-a como se precisasse ter certeza de que ela era real. Das muitas vezes que %Charles% recordava seus momentos íntimos com a esposa, ansiando por repeti-los, o gosto sentido no momento era o mesmo de outrora, o gosto da doçura dos lábios dela. 
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  %Maggie% respondeu na mesma proporção, cravando os dedos na nuca dele, sentindo a textura familiar dos fios, o cheiro inconfundível que nenhum tempo ou distância apagou. Mais uma vez o mundo ao seu redor dissolveu, o barulho dos carros, desconhecidos que passavam próximo, tudo virou ruído distante. A única realidade agora era aquele beijo, com o gosto agridoce da mágoa, misturado com o sabor do que jamais deixou de ser amor.
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  Ao final, manteve seus rostos próximos o suficiente para um sentir a respiração ofegante do outro, internamente desejavam continuar com ainda mais intensidade. Tão próximos. Tão desejosos. Despidos de qualquer máscara.
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  — Por favor... — sussurrou ela, mais uma vez, não como pedido.
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  Havia um singelo tom de rendição.
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  O trajeto até o Mandarin Oriental Hyde Park, foi um borrão de mãos entrelaçadas, silêncios densos e respirações presas. A suíte, no último andar, parecia ainda mais opulenta naquela noite. Seus vidros amplos refletiam as luzes de Londres, como se a cidade inteira fosse testemunha muda daquele retorno não planejado — mas absolutamente inevitável.
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  O som da porta se fechando foi a senha. 
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  %Charles% a puxou de volta para si, colando seus corpos, enquanto o paletó de seu terno era retirado com maestria por ela, seguidos pelos saltos de seus pés e a gravata no pescoço dele. Cada peça caindo ao chão, formando uma trilha precisa, como se fossem apenas obstáculos inúteis entre eles e a necessidade urgente de mergulhar naquele amor que jamais havia desaparecido. O quarto inteiro se tornou um cenário de memórias reacendidas — a cama, as paredes, o reflexo deles no espelho. Cada toque era uma confissão muda. Cada beijo, um pedido de desculpas nunca verbalizado. Cada suspiro, uma lembrança vívida de seus sentimentos.
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  Era amor, sim. 
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  Mas não aquele amor sereno dos romances previsíveis. Era amor bruto, imperfeito, cheio de rachaduras e cicatrizes. Um amor que arde, que dói, que cura — e que, naquela noite, encontrou abrigo em dois corpos que, apesar de tudo, ainda reconheciam cada detalhe do outro. O toque sutil de %Charles% que a arrepiava por completo, os gemidos de %Maggie% que o deixava ainda mais ofegante, as carícias trocadas, regadas à malícia, que os aquecia em proporções inimagináveis. 
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  O silêncio que os envolvia, permitia ouvir as respirações sincronizadas. Seus corpos se entrelaçaram no lençol desalinhado, os olhares encontrados enquanto retomavam o fôlego mais uma vez. Como havia chegado ali? %Maggie% não precisou perguntar mais nada. Nem ele precisou responder. Porque, ali, na entrega mais pura e contraditória, eles já haviam dito tudo.
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  Tudo.
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  Sem dizer uma única palavra.
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  Mas será que esta afirmação silenciosa sobreviveria ao dia seguinte?
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Someone call the doctor.
  - Overdose / EXO

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Lelen

LKSDFOMASFPOASDPONASFOPD FINALMENTE, MINHA GENTE, ALELUIAAAAA
Deus, agora só cancelem esse divórcio. Deem um tempinho de cada um no seu canto, voltem pra época de namoro, MAS PAREM COM A IDEIA DE DIVÓRCIO QUE NINGUÉM TÁ ENGOLINDO!
Mas agora eu tô com medo do “dia seguinte”. Espero que esse seja o passo pra reconciliação, e não pra torta de climão u.u

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