×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.


Silent Heart


Escrita porPams
Revisada por Lelen

4 • Mr Darcy

Tempo estimado de leitura: 22 minutos

Londres - King’s College London, outono de 2022

  O anfiteatro era amplo.
0
Comente!x

  As janelas altas que deixavam a luz cinza de Londres adentrar em feixes suaves quebrados pelos vitrais coloridos. O cheiro de café recém-feito, misturado ao de papel novo e ao leve aroma de chuva que sempre parecia pairar no ar da cidade, dava ao ambiente um tom confortável, quase íntimo. %Evie% acomodou-se na terceira fileira, próxima à janela, ajeitando o caderno de anotações sobre o colo, como ainda faltavam vinte minutos para iniciarem, ela retirou o livro da leitura atual da bolsa. Um breve momento em que continuaria sofrendo a prisão injusta e cruel de Edmond Dantès, em O Conde de Monte Cristo. 
0
Comente!x

  — Para aqueles que ainda não se acomodaram, a hora é agora. — Uma voz feminina e entonada, despertou-a de sua concentração.
0
Comente!x

  Logo o olhar da jovem direcionou para frente com o levantar da cabeça. O título da disciplina brilhava no quadro digital que se transmitia pelo datashow, seria a primeira aula de História da Arte e do Design da semana, em plena quinta-feira pela manhã.
0
Comente!x

  Soltou um suspiro. 
0
Comente!x

  Não de cansaço ou tédio, pois amava a disciplina em questão e sentia lá no fundo o otimismo que cultivava internamente, que aquela aula seria como um refúgio para todas as suas intempéries acadêmicas.
0
Comente!x

  Um lugar seguro.
0
Comente!x

  O som de passos firmes ecoou pelo chão de madeira polida, e a voz da professora — uma senhora elegante, de cabelos curtos e olhos de quem já viu o mundo — voltou a soar com propriedade.
0
Comente!x

  — Bom dia, turma, sou a senhora Brown. Antes de começarmos, quero apresentar a vocês nosso ponto de apoio dessa disciplina, a pessoa que irá auxiliar nas atividades práticas ao longo do ciclo letivo] — informou ela com entusiasmo de quem sabe que os alunos novos irão se perder logo na primeira semana de aula, por sua muita experiência acadêmica. — Nosso monitor, que está nos semestres finais do curso de Design de Produto, é um dos melhores da sua turma e da universidade...
0
Comente!x

  %Evie% direcionou seu olhar para o caderno em cima da mesa, ambicionava já fazer as primeiras anotações com as informações que poderia precisar posteriormente. Desligou-se por um segundo do discurso da professora, devido sua mente involuntariamente voltar ao ocorrido de segunda na livraria. Uma sensação agridoce com uma pitada de nostalgia que lhe fez desejar voltar no tempo para reviver o pequeno instante de sua vida que poderia ser equiparado com os fascinantes romances vitorianos que pulsavam forte o coração. A imagem fixa do olhar do garoto da livraria paralisou-a em uma recordação envolvente que deu passagem a uma leve brisa pelo corpo.
0
Comente!x

  — Classe, este é %Lucas% Bennett! — finalizou a professora.
0
Comente!x

  O mundo parou, assim que o sobrenome Bennett chegou aos seus ouvidos.
0
Comente!x

  Sua cabeça deu um nó instantâneo.
0
Comente!x

  A caneta escorregou dos dedos.
0
Comente!x

  Não.
0
Comente!x

  Não poderia ser, Bennet era um sobrenome comum.
0
Comente!x

  Mas, claro, era.
0
Comente!x

  Ao erguer os olhos, encontrou aquela mesma silhueta descontraída, aquele mesmo andar seguro, aquele mesmo olhar que parecia sempre carregar alguma coisa não dita — algo que estava entre o mistério e a curiosidade genuína. %Lucas% subiu os poucos degraus até o centro do anfiteatro, apoiou-se casualmente na borda da mesa da professora cruzando os braços, e deixou que o olhar varresse a turma para gravar os rostos. 
0
Comente!x

  Ele possuía uma boa memória fotográfica. 
0
Comente!x

  Por um segundo, seus olhos passaram por ela sem se fixar, voltando com frequência  a ponto de deixá-lo intrigado consigo mesmo. Lembrava tanto do rosto quanto do sorriso da garota desastrada da livraria, garota esta que despertou certa curiosidade inesperada de sua parte. Um meio sorriso apareceu no canto da boca dele. 
0
Comente!x

  Discreto. 
0
Comente!x

  Quase imperceptível, mas estava lá.
0
Comente!x

  — Bom dia, calouros — disse, com aquela voz grave e ponderada que ela lembrava bem demais. — Podem me chamar de Bennett, é assim que todos me chamam, estarei auxiliando nas atividades, workshops, e, provavelmente, também respondendo às dúvidas que não vão ter coragem de perguntar em voz alta. Apesar de a senhora Brown ser a professora mais gentil do campus.
0
Comente!x

  Uma risada suave percorreu a sala. 
0
Comente!x

  Com a professora sentindo-se mais uma vez lisonjeada pelos elogios de seu pupilo, que sempre se tornava o destaque de sua aula mesmo sem o desejar. Era um fato que a popularidade de Bennett em toda a universidade arrancava tantos suspiros quanto inveja. O mais curioso é que o mesmo não havia se esforçado para tal acontecimento, apenas por sua postura prestativa, o sorriso singelo que encantava as garotas e a forma descontraída como conduzia um assunto em conversas, já demonstrava por si só. Além da aura misteriosa que o rodeava sobre o fato de pertencer a uma família da elite e ainda assim, trabalhar em uma livraria pequena, ser voluntário na biblioteca e fazer trabalhos acadêmicos por dinheiro. 
0
Comente!x

  Uma rotina em que apenas bolsistas se matavam para sobreviver.
0
Comente!x

  %Evie% mantinha o queixo erguido, tentando parecer absolutamente inabalável, alheia a sua presença como se não o conhecesse, ou se lembrasse do ocorrido que trouxe inúmeras inquietações por dentro ao longo da semana. Ainda que seu coração pulsasse tão alto que parecia capaz de ecoar no anfiteatro inteiro. %Lucas% percorreu o olhar pela quarta vez em todo o ambiente como se fingisse não ter acabado seu reconhecimento inicial.
0
Comente!x

  — Estou à disposição — finalizou com um sorriso de canto. — Espero que possamos trabalhar bem juntos.
0
Comente!x

  Os olhos dele encontraram os dela no final da frase. 
0
Comente!x

  A pausa era sutil, soando uma profundidade que impulsionou uma sensação gostosa de aconchego, lhe arrepiando os pelos da nuca. Algo nunca sucedido com o rapaz, deixando-o ainda mais intrigado com a jovem que detinha seu olhar, e confuso com o evento em questão. A professora retomou a palavra, começando a aula, falando sobre o impacto dos movimentos artísticos no desenvolvimento do design moderno.
0
Comente!x

  Contudo, ainda que fosse sua matéria favorita, %Evie% mal conseguia se concentrar.
0
Comente!x

  O nome dele, expandiu-se em sua mente como tinta derramada sobre a água, se misturando e formando sua própria tonalidade uniforme e única.
0
Comente!x

  %Lucas% Bennett.
0
Comente!x

  Por que Bennett? — pensou consigo.
0
Comente!x

  Por que um sobrenome que referenciava um de seus romances favoritos de Jane Austen? Por que logo Orgulho e Preconceito? Por que fazê-la lembrar-se de Mr. Darcy em toda sua aura de mistério e charme, que carregava um toque aveludado de veemência e uma arrogância involuntária, envolta em silêncios que diziam mais do que palavras poderiam. Logo o som em sussurro chegou ao seu ouvido: “Cuidado”, numa mesma entonação que vivenciou na livraria, fazendo-a se perder ainda mais em seus devaneios, esquecendo-se de onde estava. 
0
Comente!x

  Será que as próximas aulas seriam assim também? 
0
Comente!x

  %Evie% não estava pronta para tal sentimento, não estava pronta para apaixonar-se por um desconhecido que apenas lhe amparou em um de seus momentos desastrosos. Reconheceu, sem querer, aquele tipo exato de fascínio que tanto lia em muitos personagens, de característica semelhante ao protagonista da autora que tanto admirava. E jamais se imaginou viver um magnetismo que nasce no desconforto, no olhar que se desvia tarde demais, no toque que dura milésimos de segundo e, mesmo assim, deixa marcas na memória. Por que ele tinha que ser aparentemente, o tipo de homem que seus livros lhe deslumbravam, e também secretamente a receava?
0
Comente!x

  Pois viver a intensidade de um sentimento era perigoso.
0
Comente!x

  Ao final da aula, %Evie% sentiu a iminente aproximação de %Lucas%. Será que ele intencionava puxar assunto e revelar ser o garoto da livraria? — pensou consigo ainda atordoada com a tempestade de pensamentos e reflexões, que a imobilizou durante a aula. Em um movimento rápido e preciso, juntou suas coisas dentro da bolsa e saiu do auditório apressadamente enquanto colocava os fones no ouvido, fingindo estar escolhendo uma música no aplicativo.
0
Comente!x

  Alguns minutos em passos aleatórios pelo corredor, sem direção e em total processo de busca pela razão, a paralisia mental de %Evie% foi quebrada por um som ao longe. Som este que aos poucos foi se transformando na voz de sua nova amiga, a quem uma energia agradável para se estar perto.
0
Comente!x

  — %Evie%! %Evie%! — A voz era inconfundivelmente de Sophie.
0
Comente!x

  Uma tagarela e também caloura do curso de design de moda, que tinha muitas matérias em como com a jovem, em sua grade curricular. De estilo hipster e alguns dreads no cabelo, suas inspirações sempre vinham dos movimentos urbanos do Streetwear. Um dos motivos para querer se especializar na área de editorial e produção de moda, com o intuito de proclamar ao mundo todas as vozes anônimas que as ruas oferecem para aquele universo tão elitista que era a moda.
0
Comente!x

  — Sophie?! — Retirando os fones do ouvido, olhou-a confusa. — O que faz no prédio de humanas? Não tinha aula de desenho de moda agora?
0
Comente!x

  — Tinha sim, mas como sou tão boa, resolvi sair mais cedo. — Sua falsa modéstia era admirável.
0
Comente!x

  — Hum… — um murmúrio inocente, desviando o olhar para frente, vendo %Lucas% com um grupo de amigos.
0
Comente!x

  Virando-se de costas, ela desejou ficar invisível de imediato.
0
Comente!x

  — Não vai acreditar no que aconteceu — disse com os olhos orgulhosos de quem conquistou o Nobel da Paz.
0
Comente!x

  — Surpreenda-me — pediu, sem a mínima vontade de saber, mas dando o primeiro passo para seguir o caminho contrário do que deveria ir.
0
Comente!x

  Em apenas quatro dias, ambas ficaram tão próximas em curto espaço de tempo, que pareciam se conhecer desde a infância. E muito da interação de ambas, se dava pela necessidade fatídica que Sophie tinha de falar, em muitas das vezes, sobre todos os assuntos ao mesmo tempo. Algo que dificultava %Evie% acompanhar seu raciocínio com frequência.
0
Comente!x

  — Tenho dois convites dourados para a festa proibida do Secret Circle. — anunciou como se a conquista fosse quase um convite para um baile com a realeza britânica.
0
Comente!x

  — E isso é bom?! — A inocência soou na voz de %Evie%.
0
Comente!x

  — Amiga, isso é maravilhoso, é a nossa chance de entrar para a elite do King’s College — explicou Sophia, enfatizando a importância da oportunidade. — O Secret Circle é a sociedade mais influente e popular daqui, considerada uma perfeita Elite Society, a realeza.
0
Comente!x

  — E por que deseja tanto entrar para essa sociedade? — indagou.
0
Comente!x

  — Bons contatos no mundo de hoje abrem portas para pessoas de classe social mais humilde, como eu — esclareceu ela, abertamente, não tendo vergonha de suas origens.
0
Comente!x

  — Entendi. — %Evie% voltou ao lema de sua família.
0
Comente!x

  Mesmo sua avó materna sendo um membro da alta sociedade londrina, influente no ramo das artes, com inúmeros contatos importantes em sua agenda, as filhas tiveram que trabalhar duro e se desdobrar para mostrar serem capazes de vencer na vida sem utilizar do status da mãe. 
0
Comente!x

  E o mesmo seria com a neta.
0
Comente!x

  — Tem certeza que quer que eu vá? — indagou %Evie%; — Certamente a Loren iria querer.
0
Comente!x

  Mencionou a colega de quarto da amiga.
0
Comente!x

  — A pessoa que me deu… Deixou explícito que o convite só será válido para mim, se você for também — contou sem rodeios.
0
Comente!x

  O que deixava uma ponta de desconfiança por parte da jovem.
0
Comente!x

  — Por que eu? — indagou.
0
Comente!x

  — Não sei, mas… — Sophie abaixou o olhar, enquanto continuavam a caminhar, sentia-se culpada por aparentemente usar a nova amiga como degrau para o topo. — Me desculpe por te usar para ir à festa.
0
Comente!x

  — Não tem problema, pelo menos foi sincera ao dizer o propósito de tudo. — Um sorriso gentil, e muita empatia acumulada. — Agora até eu estou curiosa para saber quem é essa pessoa que quer minha presença.
0
Comente!x

  Será Bennett? — deslumbrou um pouco, sentindo um frio na barriga.
0
Comente!x

  — Depois, vou querer saber a fofoca toda — pediu a amiga.
0
Comente!x

  — E quando será essa festa? — perguntou curiosa, e já relembrando todos os compromissos familiares que tinha nos próximos dias.
0
Comente!x

  — Na última sexta do ano letivo, para fechar com chave de ouro — respondeu. — Você vai poder ir, não é?
0
Comente!x

  — Vou sim… — sibilou, reflexiva. — Acho que não terei nada de importante para fazer no final do terceiro trimestre.
0
Comente!x

--

  No relógio marcava quatro da tarde.
0
Comente!x

  O olhar de %Charles% voltou para o relógio de luxo em seu pulso, contava-se a quinta vez que o pontual cavalheiro conferia as horas. Por dentro, o nervosismo lhe consumia a sanidade, mais uma reunião privada e informal com a quase ex-esposa para discutir os termos do divórcio. Sua inquietação a respeito do assunto vinha da forma em que as circunstâncias seguiam em perfeita calma e ordem. Algo inesperado e metaforicamente ensurdecedor para ele, que imaginava certa resistência de %Maggie% às suas diretrizes. 
0
Comente!x

  E sentia-se frustrado por isso.
0
Comente!x

  — Não estou atrasada. — A voz da mulher atrás dele assustou-o.
0
Comente!x

  Sua reação discreta foi complementada por um suspiro fraco.
0
Comente!x

  — %Maggie%. — Levantando-se com rapidez, puxou a cadeira da frente para que ela sentasse.
0
Comente!x

  Sempre cavalheiro, não importava a situação.
0
Comente!x

  — Obrigada — disse ao se acomodar na cadeira.
0
Comente!x

  — Como está indo a semana? — perguntou ele, interessado em saber as atividades que vinha desenvolvendo.
0
Comente!x

  Agora com a distância, a crescente curiosidade para saber como eram os dias de %Margareth% reverberava dentro dele numa proporção desconhecida e perigosa. Sentados ali, em uma cafeteria de prestígio na região de Hyde Park chamada Coffee House, um dos muitos locais de Londres que tinham em comum, no qual este em especial, havia sido o palco para o pedido de namoro em sua adolescência.
0
Comente!x

  — Produtiva e agitada — respondeu prontamente, enquanto deslizava a mão direita no rosto, ajeitando o cabelo atrás da orelha. — Não achei que aconteceria, pensei que seria monótona, mas focar no trabalho tem suas vantagens em alguns casos… Acho que estou começando a te entender agora.
0
Comente!x

  Soou leve, porém, ele sentiu como uma alfinetada.
0
Comente!x

  Ou melhor, como milhões de alfinetes perfurando seu orgulho grotesco.
0
Comente!x

  — Que bom que a mudança tem surtido um efeito positivo. — Manteve a seriedade no olhar e firmeza na voz, como sempre, sem dar o braço a torcer. — Falei com nossa filha ao telefone ontem.
0
Comente!x

  — Ela comentou comigo — informou. — Faz toda a diferença para %Evie% que continue presente em sua vida.
0
Comente!x

  Ainda que seja doloroso para mim vê-lo com frequência. — pensou %Maggie%, em seu íntimo.
0
Comente!x

  — Jamais me distanciaria de nossa filha… — A clareza em sua declaração trouxe segurança para ela. — Apenas me preocupo se…
0
Comente!x

  Ponderou no falar, interrompendo sua sequência de palavras.
0
Comente!x

  — Se? — insistiu a mulher.
0
Comente!x

  — Se lhe causará algum tipo de desconforto — completou a fala, forçando sua saída.
0
Comente!x

  — Somos adultos, %Charles%, e você jamais vai deixar de ser o pai da minha filha — esclareceu %Margareth%, demonstrando a maturidade adquirida ao longo do casamento.
0
Comente!x

  — Apenas deixarei de ser o amor da sua vida. — Sua pretensão era soar como um simples resmungo de baixo volume para que ela não ouvisse, entretanto, a entonação o traiu, fazendo ressoar como um desabafo sufocado.
0
Comente!x

  — Vamos mesmo voltar a este assunto? — indagou, sentindo o coração apertar ao reconhecer o olhar do homem à sua frente, aquele olhar que lhe pedia colo quando as coisas saíam do seu controle. — Devo colocar em evidência, novamente, quem foi o precursor de toda essa mudança? Quem pediu o divórcio?
0
Comente!x

  %Charles% manteve um silêncio estarrecedor para si, pois não havia argumentos para rebater, ele que era o senhor dos argumentos afiados e fundamentados, apenas engoliu a seco a verdade, sentindo a garganta arder no processo. 
0
Comente!x

  Mas por que ela aceitou com tanta facilidade? — indagou mentalmente.
0
Comente!x

  Ambicionava externar aquela pergunta, mas não sentia que deveria, pelo fato de evitar mais brigas desnecessárias entre eles. Uma promessa de bandeira branca havia sido feita, pelo bem da filha que compartilhavam.
0
Comente!x

  — Aqui está o pedido, senhor Blackwood — disse o garçom, ao quebrar o ambiente de gelo imposto aos dois, ao servi-los.
0
Comente!x

  Um espresso sem açúcar para ele, juntamente com um copo de água com gás, algo que costumava pedir todas as vezes naquela cafeteria, tanto que até o funcionário sabia de cor suas preferências. Para ela, um cappuccino caramelo, seu favorito, combinado a uma fatia de torta de limão com gosto de passado.
0
Comente!x

  — Quando fez o pedido? — indagou a mulher, surpresa.
0
Comente!x

  — Minutos antes de chegar — respondeu %Charles%, seco e áspero dessa vez.
0
Comente!x

  Ainda digeria as palavras de %Margareth%, afiadas como a lâmina de uma adaga.
0
Comente!x

  — E como sabia que eu pediria o que pediu? — Sua curiosidade continuou.
0
Comente!x

  — Certas coisas nunca mudam. — Uma resposta enigmática, mas com profundidade de alguém que a conhecia com precisão.
0
Comente!x

  E ela sabia disso.
0
Comente!x

  — Hum. — Não queria, mas a ponta de um discreto sorriso surgiu no canto do rosto.
0
Comente!x

  Percebido por ele.
0
Comente!x

  — Trouxe os documentos para ler e fazer suas considerações — disse após um suspiro profundo, seus dedos tocaram a pasta que estava pousada em cima da mesa, empurrando com suavidade para ela.
0
Comente!x

  — Achei que a última fosse a versão final — comentou ela, não muito surpresa com aquilo.
0
Comente!x

  Parecia que a cada revisão ele encontrava um erro que não existia, apenas em sua mente. E prolongar a assinatura dos papeis havia se transformado em um gatilho regado a angústias, que causava ansiedade desnecessária. A ambos.
0
Comente!x

  — Sabe como sou perfeccionista em tudo o que faço — alegou %Charles%, em sua defesa, achando ter encontrado a desculpa mais lógica para a sua demora. — Além do mais, você é a mãe da minha filha, a tenho como uma grande amiga e não quero…
0
Comente!x

  — Já disse que apenas vou aceitar a metade do que criamos juntos, o que não tiver o meu suor, pertence apenas a você e nossa filha que é sua herdeira legítima — cortou ela com objetividade. — Sabe muito bem dos meus princípios e de como eu fui criada.
0
Comente!x

  — Jamais me esqueceria do lema de sua família — assegurou %Charles%.
0
Comente!x

  Meritocracia acima de qualquer interesse pessoal!
0
Comente!x

  — Então por qual motivo vamos revisar esses documentos novamente? — questionou, deixando exalar sua impaciência.
0
Comente!x

   — Já disse, sou perfeccionista — reforçou.
0
Comente!x

  %Maggie% respirou fundo, tentando juntar o máximo de força que conseguia.
0
Comente!x

  Primeiro, para se autocontrolar e não socar a cara dele de raiva por toda a situação criada, e segundo, para não desfalecer em sua frente pelo coração acelerado que se mantinha, enquanto estavam perto um do outro. As pernas balançando constantemente não era por hiperatividade, e sim, por seu corpo estar trêmulo pelo olhar intenso que reverberava dele.
0
Comente!x

  — Tudo bem — disse, suavizando o olhar. — Eu lerei novamente e farei minhas considerações.
0
Comente!x

  — Faça isso com calma, não precisa ter pressa — aconselhou %Charles%, porém, quase soando como uma ordem.
0
Comente!x

  — Não estou com pressa — retrucou %Margareth%, com serenidade. — Não fui eu quem pediu o divórcio.
0
Comente!x

  Agora sim.
0
Comente!x

  Seu tom irônico fez o trabalho que deveria fazer, trazendo novamente um gosto amargo na boca de %Charles%, que fora disfarçado pelo café em sua xícara.
0
Comente!x

¿Cómo calmar esta profunda obsesión?
  ¿Cómo le explico a mi alma que se terminó?
  Me estoy volviendo loco por ti
  - Este Corazón / RBD

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

1 Comentário
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Lelen

Primeiramente, vamos dizer: OLHA AÍ O MOCINHO SENDO APRESENTADO DEVIDAMENTE!! Lucas é um aluno prodígio, eita. E qual o interesse dele na Evie, hm? Será se foi ele que “convidou” ela pra festa pela Sophie?
E os pais da Evie? Eles tão me dando agonia HAHAHAH
Vontade de entrar na história só pra dar petelecos neles e dizer CONVERSEM E REVELEM LOGO SEUS SENTIMENTOS E ARRUMEM UM JEITO DE REEQUILIBRAR ESSE RELACIONAMENTO!!!!

Todos os comentários (10)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

1
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x