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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Serendipitous Mistake


Escrita porBetiza
Editada por Lelen

Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

  O sorriso nos lábios de %Hyojin% se desfez assim que ela viu o irmão parar na porta de seu brechó. A cliente que ela havia acompanhado até a porta — um gesto de cordialidade que ela e suas vendedoras tinham sempre que o movimento permitia — olhou para ele de cima a baixo.
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  Era normal. Sawon sempre chamava atenção, desde adolescente, especialmente do sexo oposto. Os ombros dele eram largos, e ele media quase um metro de noventa de altura. O irmão era um homem muito bonito e %Hyojin% sabia disso.
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  Ela engoliu seco ao se virar de frente para ele, o sorriso debochado aumentando nos lábios dele, que cruzou os braços.
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  — Tá fazendo o que aqui Sawon? Aliás, como sabe o endereço do meu brechó? — %Hyojin% perguntou, já na defensiva, o tom firme, atravessado por um incômodo mal disfarçado.
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  Sawon manteve os braços cruzados abaixo do peito e respirou fundo, o peito subindo e descendo com certa pressa.
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  — Você sempre está na defensiva quando se trata de mim, do pai ou da mãe, não é? — disse, com um tom mais acusatório do que conciliador. — Por isso é tão difícil fazer as pazes com você.
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  %Hyojin%, pega de surpresa, piscou os olhos devagar, o cérebro tentando processar a frase dita pelo irmão.
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  “Por isso é tão difícil fazer as pazes com você.”
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  Fazer. As. Pazes. Com. Você.
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  Fazer as pazes com ela.
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  Fazer as pazes com ela?!
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  %Hyojin% murmurou, ainda em choque
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  — O que você disse, Sawon?
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  — Isso mesmo que você ouviu. — Sawon respondeu, com firmeza, mas o tom já não parecia tão seguro quanto antes.
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  %Hyojin% estreitou os olhos, cruzando os braços no mesmo instante — um gesto automático, de proteção. Ela deu um passo para trás, criando uma distância quase simbólica entre eles.
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  — Engraçado… — ela disse, a voz baixa, quase contida. — Você aparece do nada, no meu espaço, sem avisar, depois de anos sem sequer olhar na minha cara, e quer começar essa conversa dizendo que eu sou o problema pra gente fazer as pazes?
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  Sawon apertou os lábios, os olhos se desviando por um segundo para dentro da loja, como se buscasse apoio em qualquer coisa que não fosse o olhar dela.
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  — Eu só tô dizendo que… talvez se você baixasse a guarda por um minuto...
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  — Baixasse a guarda? — ela interrompeu, rindo de forma seca. — Eu cresci com você me diminuindo em tudo, Sawon. Você me fazia sentir invisível até quando eu entrava numa sala. Eu abaixei a guarda por anos. E você? Você só estava ocupado demais sendo perfeito.
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  Ele cerrou os dentes. Ela notou. Mas dessa vez, não se intimidou.
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  — Eu não vim aqui pra brigar. — ele disse, mais baixo. — E também não tô esperando que você me perdoe agora, ou me abrace como se nada tivesse acontecido. Só... eu queria tentar alguma coisa. Uma trégua, talvez.
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  %Hyojin% ficou em silêncio por alguns segundos. A porta do brechó se abriu com o tilintar dos sinos presos no topo, mas era só uma brisa empurrando levemente. Ela não se moveu.
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  — Por que agora? — perguntou, enfim. — O que mudou?
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  Sawon respirou fundo, o olhar menos duro agora. Havia algo ali... cansaço, talvez. Ou arrependimento.
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  — Talvez nada. Talvez eu só esteja percebendo tarde demais o quanto a gente se afastou. E… eu vi você no almoço. Vi você sair com aquele cara. Vi que você parecia... bem. Feliz. E me perguntei se um dia a gente ainda conseguiria conversar sem ódio entre as palavras.
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  %Hyojin% sentiu a respiração prender no peito.
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  Ela não estava pronta para perdão. Mas estava cansada de carregar a raiva também.
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  — Eu não sei, Sawon. — disse com honestidade. — Mas se essa é mesmo uma tentativa real... você vai ter que me provar. Com tempo. Com constância.
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  Ele assentiu devagar, como quem aceitava uma sentença justa.
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  — Tudo bem. Eu posso esperar.
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  Um silêncio breve se instalou entre os dois. Dessa vez, mais leve. Não era reconciliação — mas talvez fosse o primeiro degrau.
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  — Agora eu tô no meio do expediente. — ela disse, voltando à postura firme. — Então, se não for comprar nada vintage hoje, é melhor me deixar trabalhar.
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  Sawon deu um meio sorriso e ergueu as mãos em rendição.
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  — Sem problemas. Vou dar espaço. Mas… posso passar outro dia? Com hora marcada?
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  Ela hesitou por um instante.
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  — Manda uma mensagem antes.
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  E então voltou para dentro do brechó, deixando a porta balançar atrás de si. Não olhou para trás, mas pela primeira vez em anos, também não sentiu o peso da culpa sobre os ombros. E isso… já era um começo.
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***

  — Acha que ele ficou com ciúmes de mim? — A gargalhada alta e exagerada de %Hoseok% ecoou pelo estabelecimento, fazendo algumas cabeças e olhares se voltarem para eles.
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  Mas %Hyojin% não se importou, afinal de contas aquela risada espalhafatosa havia se tornado um dos seus sons preferidos na Terra.
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  Ela balançou a cabeça e então levou o milkshake de baunilha com ovomaltine aos lábios.
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  — E porque essa constatação? Do nada assim? Ou ele disse com todas as letras?
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  Foi a vez de %Hoseok% levar seu milkshake de morango aos lábios encarando %Hyojin%, o semblante dele agora sério, quase preocupado, ela diria.
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  — Porque quando eu perguntei o porque dessa decisão assim tão do nada, ele veio com um papo, que talvez só agora estivesse percebendo o quanto nós havíamos nos afastado, e que me ver no almoço de Natal “com aquele cara”, que no caso era você, me ver bem, feliz, fez ele sei lá, repensar. Algo do gênero…
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  %Hoseok% pareceu ponderar e racionalizar as palavras dela, ele franziu o cenho e olhou para cima, fazendo um bico nos lábios que fez %Hyojin% sorrir genuinamente.
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  — Olha… não sei se é ciúmes no sentido tradicional da coisa. Tipo, "quero ela só pra mim, porque ela é minha irmãzinha". — ele começou, a voz mais baixa agora, quase como se estivesse pensando em voz alta. — Mas às vezes, quando a gente vê alguém que sempre esteve ali... feliz, bem, sorrindo com outra pessoa, isso ativa um tipo estranho de espelho. Te obriga a olhar pra si mesmo, sabe?
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  Ele girou o copo devagar sobre a mesa.
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  — Pode ser que ele nunca tenha parado pra perceber o quanto te machucou. E aí, te ver feliz, com alguém que claramente se importa com você, escancara isso. Mostra o que ele perdeu, ou nunca construiu com você, e aí vem esse "susto" emocional, tipo um reflexo atrasado.
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  %Hyojin% o observava atentamente, com o milkshake esquecido entre os dedos.
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  — Então... você acha que ele não tá tentando se reaproximar por mim, mas por ele mesmo?
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  %Hoseok% deu de ombros, sem cinismo, só sendo honesto.
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  — Eu não conheço ele pra julgar as intenções. Mas sei de uma coisa: gente que fere os outros e só volta quando vê que a ferida tá cicatrizando... precisa provar que mudou. Não basta aparecer com uma desculpa.
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  Ela baixou os olhos por um segundo, absorvendo cada palavra, antes de voltar a olhar para ele.
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  — Você fala como se já tivesse passado por algo assim.
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  Ele sorriu de canto.
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  — Já. E aprendi que às vezes, o pedido de desculpas vem tarde. E às vezes, o perdão nem é sobre o outro — é sobre a gente querer se curar de vez.
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  O silêncio entre eles foi confortável, e por um momento, %Hyojin% sentiu como se todo aquele peso que ainda carregava tivesse se espalhado um pouco mais fino pelo ar.
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  %Hoseok% levantou o copo e apontou com o canudo pra ela.
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  — Agora, se você quiser que eu faça cara feia e diga que você é minha e ninguém encosta, posso interpretar também. Mas aí você me deve outro milkshake.
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  Ela riu, se recostando na cadeira.
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  — Fechado. Mas só se for de chocolate com marshmallow.
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  — A gente tem um trato. — ele piscou.
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***

  Dois dias depois…

  — Obrigada por ter topado %Hyojin%… achei que você fosse, sei lá, mudar de ideia. Obrigada por não ter comentado nada com o pai e a mãe ainda. Acho importante nós termos essa conversa só nós dois primeiro, para eles não criarem nenhuma expectativa sobre nós dois.
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  O lugar escolhido por Sawon era luxuoso — claro, não poderia ser diferente vindo dele. O restaurante ficava no último andar de um prédio moderno no distrito financeiro de Seul, com paredes de vidro que ofereciam uma vista panorâmica da cidade. A decoração era minimalista, mas impecável: tons sóbrios de preto e cobre, mesas amplas com toalhas de linho branco perfeitamente passadas, velas finas acesas ao centro e talheres reluzentes que refletiam a iluminação baixa e estratégica.
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  Músicas instrumentais tocavam suavemente ao fundo, criando um clima quase cerimonial. O tipo de lugar onde os garçons se movimentavam com passos silenciosos, como se flutuassem. E onde qualquer respiração fora de ritmo parecia alta demais.
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  O cardápio, entregue com capas de couro e letras em relevo dourado, trazia pratos descritos com vocabulário requintado: “ravioli artesanal de ricota trufada com espuma de limão siciliano”, “polvo grelhado com purê de batata-doce roxa e vinagrete de laranja sanguínea”, “wagyu ao molho de vinho tinto com fondant de batata”.
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  As sobremesas tinham nomes que mais pareciam obras de arte do que doces: “textura de chocolate belga em cinco camadas”, “esfera de caramelo com núcleo de frutas vermelhas e ouro comestível”.
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  %Hyojin% passou os olhos pelo cardápio com calma, mas não podia evitar o pensamento incômodo de que aquele encontro — e aquele lugar — tinham mais a ver com a imagem que Sawon queria manter do que com uma tentativa genuína de reconexão. Mesmo assim, estava ali. Por ele. Por ela. Por algo que pudesse ser construído do zero, longe das fachadas que sempre cercaram a família.
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  Ela fechou o cardápio lentamente, pousando-o sobre a mesa. E então ergueu os olhos para o irmão, pronta para ouvir. Ou para falar — se ele deixasse.
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  — Acho que não precisamos de mais cerimônia, Sawon. Vamos direto ao ponto.
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  Sawon se remexeu na cadeira, inquieto.
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  — Vamos pelos menos fazer nossos pedidos? Você se interessou por alguma coisa?
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  — Pode pedir para mim a mesma coisa que for pedir para você. Não estou com muita fome…
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  Sawon a observou por um instante, os olhos avaliando cada nuance da expressão dela. Talvez esperasse mais suavidade, mais abertura. Mas diante da firmeza de %Hyojin%, apenas assentiu com um breve movimento de cabeça, tentando esconder o desconforto que crescia em suas feições.
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  — Certo... — murmurou, voltando os olhos para o garçom que aguardava discretamente ao lado.
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  — Vamos querer dois pratos de wagyu ao molho de vinho tinto com fondant de batata. E, por favor, duas águas com gás. Por enquanto, só isso.
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  O garçom anotou com um aceno quase imperceptível e se afastou em silêncio.
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  Sawon recostou-se na cadeira e soltou o ar com uma certa força pelo nariz, apoiando os cotovelos sobre a mesa.
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  — Ok… sem cerimônias, então. Vamos direto ao ponto.
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  Mas %Hyojin% já o observava com o queixo erguido, esperando que ele dissesse algo que finalmente valesse a pena.
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  — Sinto sua falta %Hyojin%. — ele disse, finalmente, a voz mais baixa, como se a frase lhe custasse mais do que estava disposto a admitir.
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  Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos, os olhos fixos nele, como se quisesse decifrar se aquelas palavras vinham de um lugar real ou apenas faziam parte de mais uma encenação bem construída.
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  — Você sente minha falta... agora? — ela perguntou, sem ironia, mas com uma frieza contida que pesava mais do que qualquer sarcasmo.
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  Sawon desviou o olhar por um instante, encarando o copo de água que acabara de ser colocado à mesa.
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  — Eu sei que não fui um bom irmão. Talvez nem um irmão de verdade. E sei que fui ausente, cruel às vezes… competitivo demais.
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  %Hyojin% manteve a expressão neutra, embora por dentro uma parte dela quisesse gritar “e só agora você percebe isso?”.
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  — E o que mudou? — ela perguntou, cruzando as mãos no colo sob a mesa. — Porque, sinceramente, Sawon, isso não parece arrependimento. Parece peso na consciência.
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  Ele a olhou novamente, como se aquelas palavras o tivessem atingido em cheio — e talvez tivessem mesmo.
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  — Talvez seja. Talvez seja exatamente isso: consciência. De saber que o tempo está passando, que você seguiu a vida, encontrou alguém que te olha de um jeito que eu nunca soube olhar. E eu… fiquei com tudo que você acha que importa, menos o essencial.
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  %Hyojin% piscou, surpresa pela sinceridade — ou pela coragem, talvez.
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  — Não quero ser perdoado hoje. Nem amanhã. Só quero que você saiba que, pela primeira vez, estou tentando entender o que eu fiz de errado. E que se algum dia houver espaço… eu quero tentar fazer certo.
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  O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Foi um silêncio pesado, necessário. Um espaço entre o passado e uma possível reconstrução.
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  %Hyojin% recostou-se lentamente na cadeira, ainda sem sorrir, mas também sem armar novos muros.
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  — Veremos, Sawon. Só o tempo vai dizer.
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  E, talvez, pela primeira vez desde que se sentaram, ambos conseguiram respirar com um pouco mais de verdade entre eles.
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  Sawon abaixou os olhos quando ouviu a resposta dela. “Veremos.” Não era um perdão, não era um abraço. Mas também não era uma porta fechada. E isso, vindo de %Hyojin%, já era muito.
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  — Quando a gente era criança… — ele começou, a voz quase engasgando no próprio orgulho — você costumava deixar seus desenhos colados na porta do meu quarto.
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  Ela assentiu, devagar, surpresa pela lembrança.
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  — Você nunca disse nada — ela respondeu, a voz embargada. — Nunca elogiou, nunca sequer comentou. Eu achava que estavam horríveis, que você só não queria dizer pra não me magoar.
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  — Eu via todos. — ele disse, os olhos fixos na borda do copo. — Sabia até quando você usava a canetinha nova que ganhou. Mas eu achava… que se eu mostrasse qualquer admiração, você ia pensar que estava vencendo.
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  %Hyojin% riu com amargura, sacudindo a cabeça.
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  — Vencendo o quê, Sawon? Eu não tava numa competição com você. Eu só queria que você me visse.
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  A dor contida em sua voz era a mesma que a acompanhava há anos. A vontade desesperada de ser reconhecida, não como uma rival dentro de casa, mas como irmã, como alguém que existia com valor próprio.
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  — Eu sempre senti que precisava provar algo pra todo mundo — ele confessou, a voz falhando pela primeira vez. — E no meio disso, te transformei em parâmetro, em obstáculo. Como se pra eu ser o melhor, você precisasse ser menor.
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  %Hyojin% encarou o irmão com olhos úmidos, o queixo firme, o coração acelerado.
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  — E conseguiu, sabe? Por muito tempo, eu realmente me senti menor. Inadequada. Invisível. E quando você saiu de casa, parte de mim se sentiu… aliviada. Porque finalmente eu podia existir sem a sua sombra.
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  Sawon engoliu seco. Não havia mais justificativas a oferecer. Nem pedidos vazios.
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  — Eu te invejava. — ele disse, num tom quase inaudível. — A forma como você era sensível às coisas, como criava, como era verdadeira mesmo quando todo mundo esperava outra coisa de você. Eu só não soube lidar com isso.
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  Ela respirou fundo, as mãos trêmulas no colo.
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  — Então agora você sabe. O que você vai fazer com isso… não é mais minha responsabilidade.
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  Sawon assentiu lentamente. Havia lágrimas contidas nos olhos dele também — mas não havia orgulho o suficiente para escondê-las.
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  — Eu só queria que soubesse… que eu vou tentar. De verdade. Pela primeira vez. Mesmo que leve uma vida inteira.
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  O garçom apareceu com os pratos, interrompendo o momento. Os dois recuaram no gesto automático, limpando os olhos disfarçadamente, ajeitando a postura. O silêncio agora era diferente. Não mais carregado de culpa, mas cheio daquilo que talvez um dia pudesse ser perdão.
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  E mesmo que ainda doesse, %Hyojin% sentia algo dentro dela se deslocando. Uma rachadura pequena no muro que ela construiu durante tantos anos.
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  Talvez ainda não fosse reconciliação.
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  Mas era verdade. E isso, entre irmãos, às vezes era o primeiro passo mais importante.
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  O restante do jantar foi feito em completo silêncio, apenas o som dos talheres batendo contra a louça fina dos pratos. Os dois trocavam alguns olhares vez ou outra — curtos, mas carregados de significado.
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  Havia culpa nos olhos de Sawon, às vezes diluída em tentativa de empatia, como se ele estivesse tentando medir a distância exata entre o que foi dito e o que ainda precisava ser consertado.
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  Nos olhos de %Hyojin%, por outro lado, havia resistência. Mas também havia curiosidade.
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  Curiosidade de saber se aquele homem à sua frente — tão seguro de si durante toda a vida — estava finalmente disposto a se despir das máscaras.
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  Às vezes, os olhares se encontravam por um segundo a mais do que o necessário, e ambos desviavam, sem saber o que fazer com aquela honestidade silenciosa.
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  Não era intimidade. Não ainda.
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  Era o desconforto de dois mundos que, pela primeira vez em anos, tentavam se alinhar. E que, mesmo no silêncio, ainda diziam muito.
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  %Hyojin% elogiou a comida do restaurante e Sawon disse que o lugar era um de seus preferidos, e a irmã viu brotar nos lábios dele um sorriso sincero e um brilho nos olhos que mostrava o quanto ele realmente apreciava o lugar.
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  E por alguns segundos ela se sentiu especial para ele, afinal de contas ele havia escolhido um lugar significativo para o jantar entre os dois…
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  Eles optaram por não pedirem nenhuma sobremesa, mas %Hyojin% pediu mais uma água com gás, para ir bebendo até chegar em casa.
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  Quando eles se levantaram, prontos para irem embora, Sawon pigarreou, como se precisasse tomar coragem:
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  — Posso deixar você em casa se quiser, e se estiver à vontade com isso, claro.
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  Antes que ela pudesse responder, %Hoseok% apareceu, andou entre as mesas com cuidado, como um agente do FBI infiltrado. Parou ao lado de %Hyojin% e entrelaçou os dedos nos dela, depositou um beijo demorado em sua bochecha e então encarou Sawon.
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  Sawon permaneceu parado, com uma das mãos ainda segurando o encosto da própria cadeira, enquanto o corpo parecia congelado pela aparição repentina de %Hoseok%. Os olhos dele acompanharam cada movimento — o jeito como ele caminhou com naturalidade entre as mesas, como se aquele ambiente não o intimidasse em nada, o toque seguro ao entrelaçar os dedos aos de %Hyojin%, o beijo calmo, confiante, pousado em sua bochecha.
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  Nada na postura de %Hoseok% era invasivo ou provocativo — mas havia ali uma firmeza silenciosa. Um recado claro, transmitido sem palavras: “Ela não está sozinha.”
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  O maxilar de Sawon se contraiu sutilmente. Seus olhos deslizaram de %Hoseok% para a mão entrelaçada na de %Hyojin%, e depois voltaram para o rosto do homem à sua frente. Ele não disse nada, mas algo em seu olhar mudou — como se, pela primeira vez, estivesse realmente vendo quem era o homem que sua irmã havia levado para a ceia de Natal. E mais do que isso: quem era o homem que agora fazia parte da vida dela.
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  %Hyojin%, ao seu lado, pôde sentir a rigidez no ar, como uma tensão prestes a se firmar ou se dissolver. Mas não recuou. Pelo contrário — apertou levemente a mão de %Hoseok% entre seus dedos. E esperou.
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  — Eu não sabia o que esperar desse jantar, Sawon, então pedi que o %Hoseok% me acompanhasse de longe.
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  Sawon umedeceu os lábios enquanto assentia para a irmã.
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  — %Hoseok%… — ele repetiu — Muito prazer, %Hoseok%. Sou Sawon, irmão da %Hyojin%, mas isso você certamente já sabe.
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  Sawon estendeu a mão, um pouco incerto se o homem à sua frente aceitaria ou recusaria seu aperto, com um olhar de desdém ou algo do tipo.
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  %Hoseok% encarou a mão do “cunhado” estendida em sua direção e com a mão livre, retribuiu o aperto. Firme, sem apertos, mas firme o suficiente para se fazer presente de novo.
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  — Muito prazer, Sawon. Pode deixar que eu levo a %Hyojin% para casa.
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  — Para a dela, eu espero… — completou Sawon, com um sorriso enviesado, entre o provocativo e o “inocente”.
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  %Hoseok% manteve o olhar fixo no dele por um segundo a mais do que o necessário, e então sorriu — um sorriso calmo, que não se deixava abalar.
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  — Para onde ela quiser ir. — respondeu com tranquilidade, mas com um tom tão sólido que mais parecia uma muralha erguida com gentileza.
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  %Hyojin%, sentindo a tensão nas entrelinhas, apenas soltou um leve suspiro e interveio com firmeza:
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  — Eu vou pra casa, sim. A minha. E por vontade própria.
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  Sawon a olhou, e havia algo no olhar dele que misturava surpresa, aceitação e talvez, uma pontinha de orgulho silencioso — ainda que ele não estivesse pronto para admitir.
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  Ele assentiu, voltando a colocar as mãos nos bolsos do casaco.
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  — Bom... então acho que por hoje é isso. Obrigado por ter vindo, %Hyojin%. E por... ouvir.
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  Ela o observou por um segundo. A versão de Sawon que estava ali não era a que ela conheceu a vida inteira — ainda era um homem carregado de vaidade e hábitos antigos, mas agora com rachaduras visíveis, tentando, ainda que desajeitadamente, mostrar alguma humanidade.
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  — A gente se fala. — ela respondeu.
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  Sawon sorriu de leve, e então se afastou, virando-se em direção à saída do restaurante.
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  %Hyojin% observou o irmão sumir pela porta giratória antes de voltar-se para %Hoseok%, os olhos agora mais suaves.
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  — Obrigada por vir.
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  — Não ia conseguir ficar em casa sabendo que você estava aqui sozinha. — ele respondeu, passando o polegar sobre os nós dos dedos dela. — Como você tá?
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  Ela pensou por um instante, e então soltou um pequeno sorriso cansado.
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  — Meio esgotada… mas estranhamente em paz.
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  — Então vamos embora. Eu te faço um chá e coloco um filme ruim pra gente rir. Ou dormir nos primeiros quinze minutos.
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  Ela riu, finalmente relaxando, e juntos caminharam para fora do restaurante.
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  Dessa vez, a noite parecia menos pesada. Porque, mesmo em meio ao passado, ela tinha encontrado um jeito de continuar — e não estava mais fazendo isso sozinha.
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  Nota da autora: Olá, chuchus! Gostaram dessa aproximação do Sawon? Ou estão odiando? Lembrando que agora faltam apenas dois capítulos pro fim, e eu quero muito saber as expectativas de vocês. Beijão :*

Capítulo 8
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Lelen

O milagre de Natal surgiu um pouco atrasado, mas aconteceeeu!
Mas fala aí, Sawon, tu fez terapia, né? UHADOAIHDASOI
Amei essa iniciativa de reaproximação, eu tenho minha idealização de irmãos e é que eles devem ser unidos. E nosso Hobi é perfeito demais, né? Esse apoio todo, sempre sendo nosso raiozinho de sol maravilhoso <3

Betiza

A consciência que ele nem sabia que tinha pesou KAOAKSOAKSOK coitado
Esse Hoseok é meu xodó e eu to sofrendo para me despedir dele </3

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