Capítulo 7
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O estouro da pipoca aumentava, preenchendo a cozinha com o aroma quente de milho estalando no óleo. %Hyojin% balançava levemente a panela de vez em quando, como se fizesse aquilo no automático — o que, de fato, fazia. Mas naquela noite, o movimento parecia mais leve, mais doce.
Na sala, %Hoseok% já havia se espalhado no sofá, com as pernas esticadas e o controle remoto na mão, explorando as opções de filme no catálogo.
— Tô entre um musical duvidoso com atores que parecem estar sempre suando... ou uma comédia romântica de Natal com título ridículo. — ele anunciou, divertido.
— A de Natal, obviamente. — %Hyojin% respondeu, desligando o fogo. — Estamos em clima de celebração, mesmo que tardio.
Ela despejou a pipoca pronta em uma tigela generosa, adicionando manteiga derretida, um toque de sal e — o toque secreto — um punhado de açúcar mascavo por cima. Misturou tudo com cuidado, enquanto %Hoseok% murmurava um impressionado
“uau” ao ver a cena pela fresta da cozinha.
— Eu devia estar anotando essa receita. — ele disse, quando ela entrou na sala com a tigela entre as mãos.
— Essa é exclusiva para convidados especiais. — respondeu, entregando a tigela para ele e se jogando no sofá ao seu lado, cruzando as pernas.
A comédia romântica começou com todos os clichês possíveis: cidade coberta de neve, uma protagonista atrapalhada, e um mocinho que parecia bom demais pra ser verdade. Mas nada daquilo realmente importava — o filme era só um pano de fundo para a sensação boa que se instalava entre eles.
Entre uma colherada de pipoca e outra, %Hoseok% passava o braço ao redor dos ombros de %Hyojin%, e ela se aninhava contra o peito dele com naturalidade. Os dois riam juntos de diálogos ridículos e trocavam comentários em voz baixa, como se fossem cúmplices de um segredo antigo.
%Hyojin% sentia o calor do corpo dele ao lado do seu e a batida constante do coração de %Hoseok%, e por um instante, fechou os olhos — só para guardar aquela sensação com mais clareza.
Nenhum som de discussão, nenhuma comparação ou tensão no ar. Ali, só existiam os dois.
— Ei — ele murmurou depois de um tempo, com o rosto próximo ao dela. — Isso aqui…
é o meu tipo de Natal. Ela sorriu, virando o rosto até seus olhos encontrarem os dele.
E então, sem pressa e sem necessidade de palavras, seus lábios se encontraram mais uma vez — dessa vez, com a calma de quem finalmente se sente em casa.
O beijo começou suave, exploratório — como se ambos ainda estivessem tentando decifrar o gosto um do outro, o tempo certo, a intensidade exata. Mas à medida que os segundos passaram, as hesitações se dissolveram, e o toque se aprofundou, ganhando calor, desejo e entrega.
%Hyojin% sentiu os dedos de %Hoseok% se firmarem em sua cintura, puxando-a para mais perto, enquanto o corpo dela se virava, buscando mais dele. A tigela de pipoca ficou esquecida sobre a mesinha, e o filme continuava passando, mas as vozes da tela pareciam distantes, irrelevantes.
Ela subiu uma das mãos até o pescoço dele, os dedos deslizando pela nuca úmida, sentindo a pele quente sob seus toques. %Hoseok%, por sua vez, deslizou os lábios para o maxilar dela, depois para a linha do pescoço, deixando beijos lentos e espaçados que fizeram a respiração dela falhar.
— %Hoseok%… — ela sussurrou, a voz embargada pela tensão doce do momento.
Ele voltou a encará-la, os olhos fixos nos dela como se pedissem permissão — não com palavras, mas com presença.
— Não quero. — ela respondeu antes mesmo que ele terminasse, sua mão encontrando o peito dele, sentindo o coração dele bater acelerado sob a camiseta.
O beijo recomeçou com mais urgência agora, e a maneira como ela se acomodou no colo dele foi natural, como se estivessem dançando uma coreografia ensaiada inconscientemente. %Hoseok% acariciava as costas dela por baixo da blusa de moletom, os dedos deslizando com carinho, mas também com desejo contido.
A touca que ela usava deslizou para trás e caiu sobre o sofá, revelando os cabelos soltos. Ele sorriu entre um beijo e outro, puxando uma mecha para trás da orelha dela.
— Eu te acho linda — murmurou, e o tom da voz, rouco e baixo, arrepiou a espinha de %Hyojin%.
Ela sorriu de volta, os olhos brilhando em meio à penumbra suave da sala.
— E você me faz sentir... leve.
O momento era deles. Sem pressão, sem pretensão. Apenas dois corpos e duas almas se encontrando de um jeito novo, mais íntimo, mais livre.
%Hyojin% sentiu as mãos de %Hoseok% subirem devagar por suas costas, por dentro do moletom largo que ela vestia, como se ele quisesse memorizar cada centímetro da pele dela. Os dedos dele eram firmes e cuidadosos ao mesmo tempo — traçando caminhos sem pressa, como se cada toque dissesse silenciosamente
"eu te vejo, eu te sinto, e eu quero estar aqui." Ela se inclinou mais para ele, com os joelhos de cada lado do corpo dele, e a respiração dos dois começou a se misturar — quente, curta, impaciente. O beijo continuava, profundo, cheio de vontades ditas apenas entre os lábios. A língua dele roçava na dela em movimentos lentos, seguros, como se eles estivessem redescobrindo o que era desejo com calma, sem pressa de chegar, apenas aproveitando o caminho.
%Hoseok% desceu os lábios pela mandíbula dela, traçando uma linha suave até a base do pescoço, onde deixou um beijo mais demorado, mais úmido. Os dedos de %Hyojin% se entrelaçaram nos cabelos ainda levemente úmidos dele, puxando com delicadeza quando a boca dele encontrou seu ponto mais sensível na curva do ombro.
— Você tem noção do que tá fazendo comigo? — ele sussurrou contra a pele dela, a voz rouca, entrecortada pelo calor do momento.
Ela mordeu o lábio inferior, os olhos semiabertos, o coração pulsando com força dentro do peito.
— Acho que sim… — respondeu, passando as mãos pelo peitoral dele, sentindo os músculos se contraírem sob a camiseta.
O toque dela era mais curioso do que ousado, como quem explora algo precioso e quer entender onde o outro vibra, onde respira mais fundo, onde suspira. Quando os dedos dela deslizaram sob a barra da camiseta dele, %Hoseok% não disse nada — apenas levantou os braços e permitiu que ela a retirasse, revelando o tronco nu à luz suave da sala.
Os olhos de %Hyojin% percorreram o corpo dele com uma mistura de desejo e ternura. Ele não era só bonito — havia algo em %Hoseok% que fazia seu corpo parecer um lugar seguro, como se deitar sobre ele fosse mais do que físico… fosse necessário.
Ela se inclinou outra vez, deixando um beijo demorado sobre o centro do peito dele, sentindo o cheiro da pele, o calor da proximidade. %Hoseok% fechou os olhos por um instante, os dedos pousando na cintura dela, agora por dentro da blusa justinha.
A blusa subiu devagar pelas mãos dele, revelando a pele quente do ventre de %Hyojin%, e eles pararam por um segundo, os olhos se encontrando com intensidade.
Não havia vergonha. Não havia medo. Só aquele tipo de silêncio que antecede o inevitável — e que, naquele caso, era o início de algo real.
%Hoseok% sorriu de leve, os olhos mergulhados nos dela.
— Isso… ainda parece leve pra você?
%Hyojin% assentiu, sem hesitar, a mão pousada sobre o coração dele.
E foi assim, entre beijos lentos, toques sinceros e a cumplicidade de quem já havia atravessado outras tempestades, que eles continuaram se descobrindo ali — no sofá, sob a manta esquecida, no calor de um Natal que, finalmente, era só deles.
***
A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas da sala, tingindo o ambiente com um tom dourado suave. A lareira apagada e a tigela de pipoca esquecida no chão eram os únicos rastros do que havia acontecido ali na noite anterior, além da presença ainda adormecida de %Hoseok%, deitado no sofá com o braço estendido sob o corpo de %Hyojin%, que repousava junto a ele.
Ela foi a primeira a abrir os olhos.
Ainda meio sonolenta, passou os olhos pelo ambiente, sentindo o corpo aquecido sob o cobertor que haviam puxado no meio da madrugada. O peito de %Hoseok% subia e descia lentamente, e ela ficou ali por alguns minutos, apenas observando. Era estranho —
e bom — ver alguém assim, tão perto, tão sereno.
Com cuidado para não acordá-lo, ela deslizou do sofá e caminhou até a cozinha, ainda de meias, os cabelos um pouco bagunçados. Preparou café em silêncio, sem música, sem pressa. A simplicidade daquele gesto, naquela manhã, parecia grandiosa. Um começo tranquilo, sem máscaras.
— Esse cheiro me acordaria em qualquer planeta — ela ouviu a voz rouca de %Hoseok% vindo da sala.
%Hyojin% riu baixinho, se virando com uma caneca já em mãos.
— Café de verdade. Sem açúcar, como você gosta, senhor saúde.
Ele se aproximou com passos lentos e cabelo desalinhado, mas com um sorriso leve no rosto — um que ela ainda não tinha visto, talvez por ser tão matinal e desprevenido.
— Achei que você fosse fugir.
— Tava considerando. Mas o café me prendeu.
Eles sentaram juntos à pequena mesa da cozinha, onde comeram em silêncio confortável. Depois, enquanto %Hoseok% explorava o apartamento com curiosidade respeitosa, os olhos dele pousaram em uma prateleira discreta, onde havia cadernos de anotações, pinceis secos num copo de cerâmica, e algumas folhas soltas.
Ele puxou um dos cadernos, folheando com cuidado. Lá estavam rabiscos de roupas vintage, anotações de tecidos, ideias para o brechó... e então, em uma das páginas centrais, um pequeno
auto retrato. Era simples, traçado a lápis, mas delicado. Carregava um olhar melancólico e uma assinatura mínima no canto inferior.
— Você desenha a si mesma? — ele perguntou com a voz baixa, como se invadisse algo íntimo.
%Hyojin% congelou por um instante ao ouvir a pergunta, ainda à mesa, e depois se levantou, indo até ele devagar.
— Às vezes. Quando tô tentando entender quem eu sou.
Ela não tentava esconder o caderno, mas seus olhos evitaram os dele por alguns segundos.
— Esse aí foi numa época em que eu me sentia…
invisível.
%Hoseok% olhou para o desenho de novo, depois para ela.
— Mas o traço é forte. Preciso discordar do tema.
Ela finalmente o encarou, surpresa com a sensibilidade da resposta.
— Você enxerga as pessoas de um jeito muito bonito, %Hoseok%.
— Só quando elas são bonitas por dentro também.
Um silêncio suave se instalou entre os dois. Ele fechou o caderno com delicadeza, como se tivesse acabado de ler algo sagrado.
— Você não é invisível, %Hyojin%. E se um dia se sentir assim de novo… pode me chamar. Eu enxergo você.
Ela sorriu com os olhos marejados e, ao invés de responder, apenas se aproximou e o abraçou. Não era um abraço cheio de desejo como na noite anterior — era calmo, firme, como quem diz:
“obrigada por me ver.” E naquela manhã silenciosa e cheia de significados, sem declarações nem promessas, eles sabiam que algo tinha se transformado. E que não havia mais como voltar atrás.
***
Mais tarde naquela manhã, com a louça do café lavada e os dois sentados no tapete da sala, encostados no sofá, o clima estava calmo, mas %Hyojin% sentia uma agitação diferente dentro do peito. %Hoseok% estava desenhando algo em um caderninho dela com um lápis qualquer, rabiscando formas distraidamente, e ela apenas o observava, os pensamentos emaranhados como fios de um novelo impossível de desembaraçar.
Ela queria dizer algo. Precisava dizer. Mas as palavras se formavam e desfaziam antes mesmo de alcançarem a garganta.
— Posso te perguntar uma coisa? — ela finalmente soltou, a voz um pouco mais baixa do que o habitual.
%Hoseok% ergueu os olhos imediatamente, com aquele olhar receptivo que ele sempre oferecia quando ela falava sério.
Ela respirou fundo, apertando as mãos no colo.
— Ontem…
essa conexão, essa
coisa entre nós…
foi real pra você?
Ele franziu levemente a testa, sem entender o motivo da pergunta de imediato.
— %Hyojin%… — começou com calma —
sim. Pra mim foi muito real. Desde o início. E eu não tô dizendo isso pra te agradar ou te prender a nada. Eu senti algo com você que há muito tempo não sentia com ninguém.
Ela assentiu com um leve movimento de cabeça, mas o nó na garganta não se desfez. Seus olhos fugiram dos dele.
— É que eu… às vezes me pergunto se isso tudo não foi só… o calor do momento. Uma mistura de vinho, Natal, carência...
%Hoseok% encostou o caderno no sofá e se virou um pouco mais pra ela, o tom agora mais sério.
— Você se sentiu usada? Ou mal por ontem?
Ela balançou a cabeça rápido.
— Não! Não foi isso. Foi bom. Foi… bonito. Mas talvez
bom demais. E por isso dá medo.
Ela suspirou, passando a mão pelo rosto.
— E também tem outra coisa.
— Tá tudo bem — ele murmurou. — Pode falar.
Ela demorou um pouco, mas finalmente voltou o olhar para ele. Os olhos estavam brilhando, não de emoção... mas de um peso acumulado.
— Eu não sou a garota que você acha que conheceu na balada.
O silêncio foi imediato, e a confissão parecia ecoar entre eles.
%Hoseok% continuou parado, mas não demonstrou choque — apenas esperou.
— Eu… não era a garota do vestido preto que você conheceu naquela noite. — ela explicou, agora num tom mais baixo, mais contido. — A mensagem que você mandou não era pra mim. Foi um engano. Mas eu… eu respondi mesmo assim. Porque tinha alguma coisa na sua mensagem que me fez querer continuar.
Ela fez uma pausa, apertando os próprios joelhos.
— Eu juro que eu ia contar. Só… fui adiando. E aí você foi sendo tão gentil. E ontem aconteceu tudo aquilo, e agora... — ela desviou o olhar, tentando conter as lágrimas. — Eu tô aqui, e você tá aqui, e eu tô com medo de você se arrepender de tudo quando perceber que eu não sou quem você acha que eu sou.
%Hoseok% ficou em silêncio por mais um momento. E então, com a mesma tranquilidade que sempre trazia consigo, se aproximou um pouco mais, tocando de leve a mão dela.
— %Hyojin%... — disse, num tom baixo, mas firme. — Eu acho que você tá se esquecendo de uma coisa muito importante.
— Eu não
conhecia aquela garota do vestido preto. Eu mal lembrava do rosto dela. Estava bêbado, confuso. A mensagem que mandei... podia ter ido pra qualquer pessoa.
Aquelas palavras, simples e honestas, bateram fundo no peito dela.
— E foi você quem respondeu. Foi você quem se conectou comigo desde o primeiro
"oi". Foi com você que eu falei sobre arte, sobre vida, sobre café sem açúcar. Foi você que eu beijei. Que eu quis. Que eu quero.
%Hyojin% não conseguiu conter uma lágrima que escorreu silenciosa.
— Eu me sinto tão…
culpada.
— E eu te sinto tão...
verdadeira. — ele disse, com um carinho imenso no olhar. — E se a mensagem foi um engano… talvez tenha sido o melhor engano da minha vida.
Ela riu, ainda emocionada, e finalmente deixou o corpo tombar contra o dele, que a acolheu como sempre fazia: com calma, com ternura, com espaço para ela ser quem fosse.
E naquele momento, sem mais máscaras e sem mentiras, %Hyojin% se permitiu acreditar que talvez, só talvez, ela pudesse ser amada exatamente do jeito que era.
Nota da autora: Oi queridas! Como estamos a 3 capítulos do fim dessa história com o meu querido utt, eu resolvi que estava na hora dela contar a verdade hihi. O que acharam? Vocês preferiam um barraco e drama ou desse jeitinho ficou bom? Beijão :*