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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Serendipitous Mistake


Escrita porBetiza
Editada por Lelen

Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 31 minutos

  %Hyojin% ajeitou o casaco sobre os ombros e deu uma última olhada no espelho da sala antes de sair. O coração batia um pouco mais rápido do que o normal — uma mistura de nervosismo, expectativa e, quem sabe, uma pontinha de ansiedade. Quando desceu até a entrada do prédio, encontrou o carro de %Hoseok% estacionado em frente, exatamente como ele havia dito que estaria.
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  Ela abriu a porta do passageiro e entrou, sendo imediatamente acolhida pelo calor do interior do carro — e pelo sorriso dele.
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  — Bom dia de novo — ele disse, com aquele olhar tranquilo que sempre fazia as coisas parecerem menos assustadoras.
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  — Bom dia. — %Hyojin% respondeu, sorrindo de volta. Assim que fechou a porta, reparou nos fios escuros de %Hoseok% ainda úmidos, caindo displicentemente sobre a testa. — Você tomou banho agora há pouco?
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  — Há uns dez minutos — ele riu, ligando o aquecedor. — Eu perdi a noção do tempo mexendo nas roupas. Queria parecer apresentável.
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  %Hyojin% abriu a boca para responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, %Hoseok% se inclinou levemente e depositou um beijo suave no canto da boca dela — um gesto simples, mas que a deixou completamente sem reação por um instante. O coração dela vacilou, e o calor subiu direto para o rosto.
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  — Isso foi... inesperado. — ela murmurou, rindo baixinho.
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  — Bom. Começamos com coragem. Quem sabe isso me ajuda lá com os seus pais. — ele piscou.
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  Ela balançou a cabeça, sorrindo, enquanto ele colocava o endereço da casa dos tios dela no GPS. O silêncio entre eles era confortável, mas antes que ele colocasse o carro em movimento, %Hyojin% se virou um pouco no banco, com o semblante mais sério.
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  — %Hoseok%... antes da gente chegar, só queria esclarecer uma coisa.
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  Ele tirou os olhos da tela do GPS e olhou para ela, atento.
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  — Eu falei para os meus pais que levaria alguém especial, sim... mas eu também disse que estamos nos conhecendo. Pedi para não fazerem suposições ou exagerarem nas reações. Eu não quero que você se sinta pressionado, e também não quero que finja ser algo que a gente ainda não é.
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  %Hoseok% assentiu imediatamente, o olhar firme e compreensivo.
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  — O que você decidir, está decidido. — respondeu, com uma honestidade que confortou %Hyojin% na hora. — Eu só quero estar lá por você, do jeito que você quiser.
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  Ela soltou um suspiro aliviado, sentindo o nó no peito se desfazer aos poucos.
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  — Obrigada por isso. De verdade.
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  — Só estou cumprindo meu papel de... pessoa especial — ele respondeu, com um sorriso leve, enquanto dava partida no carro.
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  E com isso, os dois seguiram pelas ruas tranquilas da cidade, prontos — ou quase — para o desafio que era um almoço de Natal em família.
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***

  Enquanto o carro avançava pelas ruas enfeitadas com luzes natalinas, %Hyojin% se pegou observando a paisagem pela janela, mas seus pensamentos estavam longe dali. Sentia o estômago levemente embrulhado, não por medo exatamente, mas pela expectativa do que encontraria. Ainda assim, a presença de %Hoseok% ao seu lado tornava tudo mais suportável.
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  Ele dirigia com calma, atento ao GPS e à música suave que tocava no carro, mas vez ou outra lançava olhares rápidos para ela, como se quisesse garantir que ela estava bem.
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  — Você tá quieta. — ele comentou, sem tirar os olhos da estrada.
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  %Hyojin% sorriu de canto, voltando o olhar para ele.
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  — Só… organizando mentalmente todas as respostas que posso dar para perguntas desconfortáveis. — brincou.
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  — E se a gente inventasse algumas respostas bem absurdas? Tipo… “nos conhecemos em um retiro espiritual no topo de uma montanha”. — ele sugeriu, arrancando uma risada sincera dela.
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  — Ou “ele salvou minha vida quando eu tropecei na rua e quase fui atropelada por uma kombi do yakult”. — ela completou, rindo ainda mais.
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  — Melhor ainda! Isso com certeza mudaria o foco do interrogatório. — %Hoseok% respondeu, divertido.
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  A leveza daquele momento dissipou um pouco da tensão que ainda pesava nos ombros dela. Em poucos minutos, o carro dobrou a esquina da rua onde ficava a casa dos tios de %Hyojin%. A fachada já estava visível — discreta, mas decorada com pequenas luzes pisca-pisca e uma guirlanda na porta. Alguns carros estavam estacionados na frente, o que significava que a família já estava reunida.
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  Ela respirou fundo.
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  — É aqui. — disse, olhando para a casa como se estivesse se preparando para entrar num território de campo minado.
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  %Hoseok% encostou o carro com cuidado e desligou o motor, virando-se levemente para ela.
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  — Ei… — chamou, com a voz baixa. — Vai dar tudo certo. Você não está sozinha, lembra?
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  %Hyojin% olhou para ele, sentindo os olhos arderem brevemente. Assentiu devagar, e então sorriu.
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  — Obrigada por estar aqui. De verdade.
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  — Sempre que precisar. — ele respondeu, com um olhar tão genuíno que fez o coração dela bater diferente.
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  E assim, com os nervos ainda presentes, mas com uma dose nova de coragem, ela abriu a porta e desceu do carro. %Hoseok% fez o mesmo e, sem dizer mais nada, estendeu a mão para ela. %Hyojin% entrelaçou os dedos nos dele, respirou fundo uma última vez… e juntos caminharam em direção à casa.
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***

  Conforme se aproximavam da casa, %Hyojin% sentia cada passo pesar mais que o anterior — mas a mão de %Hoseok% apertada à sua dava o equilíbrio que ela precisava. O som abafado de risadas e conversas escapava pela porta semiaberta, e as luzes de Natal piscavam suavemente, lançando reflexos dourados nas janelas.
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  Ela parou um segundo antes de subir o primeiro degrau da varanda, o coração acelerado.
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  — Ainda dá tempo de fugir. — sussurrou com um sorriso nervoso.
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  %Hoseok% se inclinou levemente em sua direção.
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  — Tarde demais. Já me comprometi com o almoço e a possível kombi do yakult.
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  Ela riu baixinho, respirou fundo e tocou a campainha.
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  A porta se abriu quase de imediato, revelando uma mulher de meia-idade com os cabelos perfeitamente arrumados e um sorriso que durou exatos dois segundos antes de se transformar em um olhar inquisidor.
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  — %Hyojin%! — a mãe exclamou, abraçando a filha com entusiasmo exagerado. Em seguida, os olhos dela foram direto para %Hoseok%. — E você deve ser...?
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  %Hyojin% tentou manter o tom leve.
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  — Mãe, esse é o %Hoseok%. Lembra que eu comentei que viria com uma pessoa especial?
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  — Claro que lembro. — a mãe disse, estendendo a mão para ele, o sorriso voltando, mas ainda com um toque de curiosidade evidente. — Prazer, querido. Seja muito bem-vindo.
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  — O prazer é meu, senhora Cho. Obrigado por me receber. — %Hoseok% respondeu educadamente, apertando sua mão com firmeza.
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  Antes que ela pudesse iniciar o interrogatório, um homem — o pai de %Hyojin% — apareceu no corredor, seguido de dois primos adolescentes curiosos.
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  — Finalmente chegou! Já estávamos nos perguntando onde a senhorita estava. — o pai falou, e então olhou para %Hoseok% com um misto de surpresa e expectativa. — E trouxe companhia…
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  — %Hoseok%, esse é meu pai. Pai, esse é o %Hoseok%. — ela disse, com a voz controlada.
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  — Seja bem-vindo, rapaz. — o pai cumprimentou, e %Hoseok% respondeu com a mesma educação.
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  Logo, foram convidados a entrar. O interior da casa era familiar para %Hyojin%: o mesmo cheiro de comida assando no forno, os enfeites natalinos posicionados exatamente como sempre, e as vozes familiares ecoando pelos cômodos. Mas, desta vez, ela não se sentia sozinha.
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  Enquanto a mãe dela ajudava %Hoseok% com o casaco, se mostrando prestativa e gentil, %Hyojin% o observava com um sentimento estranho crescendo dentro do peito.
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  Não era apenas gratidão.
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  Era a sensação de que, mesmo em meio a um ambiente que sempre a fazia se encolher, ela podia respirar — porque, ali do lado, estava alguém que fazia tudo parecer mais leve.
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  E naquele instante, ela soube que aquele almoço teria um significado completamente novo.
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***

  %Hyojin% seguiu com %Hoseok% até a sala de jantar, onde a maior parte da família já estava reunida em torno da longa mesa decorada com uma toalha vermelha bordada, pratos alinhados com guardanapos dourados e uma travessa fumegante no centro, exalando o cheiro irresistível de comida caseira.
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  As conversas cessaram por alguns segundos assim que eles entraram, como se o simples fato de ela aparecer com alguém fosse uma interrupção importante — ou um acontecimento digno de nota.
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  — Olha só quem resolveu dar as caras! — brincou um dos tios, já com a taça de vinho na mão. — E ainda trouxe convidado!
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  Todos os olhares se voltaram para %Hoseok%, e ele, mesmo sob o súbito foco, manteve um sorriso calmo e educado. %Hyojin% sentiu o aperto nos dedos dele aumentar discretamente, mas não de insegurança — e sim como se dissesse "tô contigo nessa."
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  — Gente, esse é o %Hoseok% — ela começou, tentando soar despreocupada, mas com o coração acelerado. — Ele é professor de artes, e estamos nos conhecendo. Eu comentei que viria com alguém especial, então… aqui está ele.
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  — Professor de artes? — uma das tias comentou, inclinando-se para frente. — Que interessante! E onde vocês se conheceram?
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  %Hyojin% abriu a boca para responder, mas %Hoseok% se adiantou com um sorriso descontraído.
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  — Em uma situação improvável e um tanto curiosa. Mas acho que foi isso que tornou o encontro ainda mais especial.
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  A resposta foi vaga o suficiente para matar a curiosidade sem alimentar especulações. Alguns riram, outros assentiram com expressões satisfeitas. A tensão no ar suavizou, e logo o tio da ponta da mesa bateu palmas.
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  — Vamos nos sentar, ou a comida vai esfriar!
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  %Hoseok% soltou a mão de %Hyojin% com delicadeza, puxando a cadeira para ela antes de se sentar ao seu lado. Conforme os pratos começaram a ser servidos e as conversas retomaram com naturalidade, %Hyojin% sentiu o peso da expectativa familiar diminuir.
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  %Hoseok% se envolvia com leveza, respondendo perguntas com bom humor, fazendo os mais jovens rirem e os mais velhos sorrirem com simpatia. Ele não tentava se exibir, nem parecer o par perfeito — apenas estava ali, presente, sendo ele mesmo.
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  E, por algum motivo, isso era exatamente o que ela precisava.
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  Enquanto partia um pedaço de rabanada no prato, %Hyojin% olhou discretamente para o lado, observando %Hoseok% interagir com seus tios como se já os conhecesse há tempos. E então, pela primeira vez em muitos natais, ela se sentiu em paz naquela mesa. Como se, finalmente, estivesse sentada ali do jeito certo.
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  A refeição seguia animada, como era de se esperar em um típico almoço de Natal em família. Entre garfadas generosas de arroz com castanhas e pedaços de tender cobertos de molho agridoce, os tios disputavam quem havia comprado o presente mais caro para os filhos, enquanto uma das primas mais novas falava com entusiasmo sobre a viagem que faria no réveillon com o namorado “herdeiro de uma rede de cafés artesanais”.
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  — Eu disse pra ele que só viajo se for de executiva, né? Afinal, meu tempo também vale dinheiro — ela disse, empinando o queixo, e todos riram com certo exagero.
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  %Hyojin% forçou um sorriso enquanto mordia lentamente a pontinha de um pão, tentando se manter alheia à competição velada de quem exibia mais conquistas ou extravagâncias por cima da mesa. Ao seu lado, %Hoseok% notava os sorrisos dela ficarem mais curtos e menos naturais, como se ela estivesse se encolhendo aos poucos na cadeira.
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  — E a sua loja, filha? — perguntou uma das tias. — Já pensou em expandir? Talvez abrir uma filial em Gangnam? Conheço gente que trabalha com espaço comercial por lá, posso te apresentar…
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  %Hyojin% respirou fundo, ajeitando a postura.
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  — Obrigada, tia, mas por enquanto estou feliz com o tamanho e o lugar onde estou. Gosto de fazer as coisas no meu ritmo.
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  %Hoseok% apenas observava, atento. Ele já entendia que, embora todos ali parecessem simpáticos, havia um tipo de tensão invisível naquela mesa — uma expectativa constante para que %Hyojin% se moldasse a um ideal de sucesso ou prestígio que não era exatamente o dela.
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  Foi então que a campainha tocou.
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  Imediatamente, a mãe de %Hyojin% levantou-se, limpando as mãos no guardanapo com agilidade.
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  — Deve ser o Sawon! Ele disse que viria depois do almoço com a namorada nova!
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  No mesmo instante, como se seu corpo tivesse recebido um choque invisível, %Hyojin% enrijeceu na cadeira. Seu sorriso sumiu, e seus ombros pareceram pesar de repente. %Hoseok% sentiu a mudança imediata e voltou o olhar para ela, sem disfarçar a preocupação.
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  Ela não disse nada, mas apertou o garfo com mais força que o necessário.
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  Foi nesse instante que %Hoseok% se lembrou de quando eles se encontraram pela primeira vez fora da boate, no restaurante escolhido por ele, sobre o irmão. Sobre como era difícil crescer ao lado dele, que sempre foi o “filho exemplo”, competitivo, sarcástico e sempre pronto para diminuí-la com um comentário sutil. E de como há anos eles não conversavam
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  Agora, vendo-a travar daquele jeito, %Hoseok% entendeu o quanto a presença de Sawon era desconfortável para ela.
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  Ele esticou o braço por baixo da mesa, tocando de leve o joelho dela, oferecendo apoio sem palavras. E ela, mesmo sem olhar diretamente para ele, soltou o ar devagar… e se agarrou àquele toque como se fosse o único ponto de firmeza em meio ao caos que se aproximava.
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  O barulho da porta sendo aberta ecoou pela casa, seguido por uma sequência animada de cumprimentos e vozes novas se misturando à bagunça da sala de jantar. A mãe de %Hyojin% falava alto, em tom acolhedor, como se estivesse recebendo um rei.
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  — Entrem, entrem! A comida ainda está quente!
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  As cadeiras rangeram e algumas cabeças se viraram em direção à entrada. %Hoseok% manteve os olhos em %Hyojin%, que continuava encarando o prato à sua frente, imóvel. O sorriso que tentava sustentar havia se desfeito por completo, dando lugar a um olhar distante — o tipo de olhar de quem se prepara para uma batalha silenciosa.
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  Sawon entrou no cômodo com a mesma presença de sempre: passos firmes, o cabelo impecável, um casaco de grife sobre os ombros e um sorriso seguro no rosto. Ao seu lado, vinha uma jovem elegante, com feições delicadas e uma expressão contida, quase ensaiada.
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  — Olha ele aí! — exclamou um dos tios. — O grande Sawon!
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  — Desculpem o atraso. Trânsito absurdo — disse ele, tirando o casaco e cumprimentando um por um com tapinhas nos ombros e um charme automático. Quando seus olhos passaram por %Hyojin%, ele simplesmente a ignorou — como se ela fosse mais uma decoração na mesa de Natal.
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  %Hyojin% permaneceu estática, nem mesmo fingiu um sorriso. Era sempre assim. Há anos. Nenhum “olá”, nenhum “como vai”. Nenhuma tentativa de ponte.
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  %Hoseok%, observando a cena, sentiu o desconforto crescer dentro do peito. Ainda com a mão repousando sob a mesa, ele discretamente entrelaçou seus dedos aos dela. Dessa vez, %Hyojin% apertou de volta, como se dissesse: obrigada por estar aqui.
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  A mãe deles, por outro lado, não perdia tempo tentando mascarar as rachaduras.
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  — Sawon, querido, venha se sentar aqui ao lado da sua prima! %Hyojin%, você se importa de puxar uma cadeira?
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  A frase caiu como um tiro abafado no ambiente. %Hyojin% engoliu seco, mas não se mexeu. Não olhou para a mãe, nem para o irmão. Apenas disse, sem tirar os olhos do prato:
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  — Tem lugar sobrando do outro lado da mesa.
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  %Hoseok% viu a tensão crescer nos ombros dela e decidiu intervir com leveza.
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  — Posso ajudar a pegar uma cadeira, se quiserem. — disse com um tom tão educado quanto firme.
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  A mãe hesitou, parecendo por um instante incomodada com o envolvimento de %Hoseok%, mas logo disfarçou com um sorriso falso.
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  — Ah, claro, claro… Sentem-se onde se sentirem à vontade!
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  Sawon apenas sorriu e seguiu até o lugar que lhe foi indicado, puxando a cadeira com um gesto elegante. Em nenhum momento olhou para a irmã.
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  %Hyojin% manteve a postura, mas sua mandíbula estava tensa. %Hoseok% sabia que, por dentro, ela devia estar se segurando com tudo que tinha. Ele aproximou um pouco mais a cadeira da dela, sem chamar atenção, e falou baixo, apenas para que ela ouvisse:
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  — Estou aqui, tá? Pra tudo.
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  Ela não respondeu com palavras. Apenas virou um pouco o rosto em direção a ele e assentiu com sutileza. Era o bastante.
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  O almoço de Natal estava só começando, mas pela primeira vez, %Hyojin% não se sentia completamente sozinha naquela mesa.
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  Sawon logo se tornou o centro da atenção, como era de costume. Mal havia se sentado, e já começava a contar, com aquele tom de falsa modéstia que beirava o exibicionismo, suas últimas conquistas.
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  — A equipe do projeto em Londres me chamou para liderar a expansão no primeiro trimestre do ano que vem — disse, casualmente, enquanto servia-se de arroz — mas ainda estou avaliando se vale a pena deixar meu cargo atual. A promoção veio com um bônus generoso, sabe como é…
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  — Isso sim é sucesso, hein! — comentou um dos tios, batendo na mesa com a palma aberta.
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  — Que orgulho, filho. — disse a mãe, sorrindo para ele com brilho nos olhos. — Desde pequeno, sempre foi determinado.
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  — E essa moça linda? — perguntou uma das tias, olhando para a namorada dele com curiosidade. — Muito prazer, querida. Deve ser uma mulher de sorte.
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  A namorada respondeu com um sorriso educado, acenando discretamente, enquanto Sawon tomava a frente mais uma vez:
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  — Ah, sim. Nos conhecemos num evento privado de networking, em Gangnam. Foi uma conexão imediata. Muito além da aparência — ele olhou ao redor, como se estivesse dando uma aula —, é a inteligência dela que me cativa. Formada em relações internacionais, fluente em três idiomas... uma mente brilhante.
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  Mais elogios e aplausos velados seguiram-se. Alguns brindes foram erguidos, os sorrisos se multiplicaram. Era como se ele ocupasse um pedestal invisível, como se tudo ao redor orbitasse em torno de sua perfeição meticulosamente construída.
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  %Hyojin%, ao lado de %Hoseok%, permanecia calada. A comida no prato já estava fria, esquecida. Ela tentava manter a compostura, mas a sensação era a mesma de todos os anos anteriores: o nó na garganta, o incômodo de ser comparada sem nem ser mencionada, a invisibilidade que vinha acompanhada de um silêncio cheio de julgamento.
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  De repente, largou os talheres devagar, afastando o prato como quem desiste da batalha.
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  — Eu perdi a fome. — murmurou, a voz baixa, mas firme o suficiente para %Hoseok% escutar.
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  Ele a olhou de imediato, preocupado.
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  — Quer sair um pouco? — sussurrou.
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  Ela respirou fundo, desviando o olhar para não encontrar o do irmão ou da mãe.
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  — Você se importaria se a gente fosse embora? — perguntou, com um sorriso contido e melancólico nos lábios. — Eu sei que é cedo, mas… eu só… não consigo mais fingir que está tudo bem.
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  %Hoseok% assentiu na hora, sem hesitar.
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  — Claro que não me importo. Vamos agora, se você quiser.
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  Ela assentiu, aliviada, como se aquele gesto fosse um bote salva-vidas em meio à maré sufocante de sorrisos falsos e glórias alheias.
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  Sem causar alarde, %Hoseok% começou a juntar os pertences deles discretamente. %Hyojin% se levantou logo em seguida, os olhares distraídos da mesa ainda voltados para a estrela do almoço — e isso, para ela, foi um alívio. Só queria sair dali. E agora, pelo menos, não estava sozinha.
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  %Hyojin% respirou fundo, ajeitou a alça da bolsa no ombro e deu um passo à frente, tentando manter a voz firme e educada enquanto se dirigia à mesa:
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  — O almoço estava delicioso, como sempre. — ela disse, com um pequeno sorriso que escondia o cansaço emocional. — A comida da tia sempre tem gosto de Natal de verdade.
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  Alguns olhares se voltaram para ela, e então completou:
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  — Mas a gente vai indo, tá? Feliz Natal pra todos.
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  A mãe, que acabava de colocar a travessa com a rabanada no centro da mesa, ergueu os olhos rapidamente, confusa.
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  — Já, minha filha? Mas nem provaram a sobremesa! — disse com o tom um pouco mais alto, o guardanapo ainda nas mãos. — E o rapaz? Mal teve tempo de aproveitar!
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  Todos da mesa olharam em direção a %Hoseok%, esperando por alguma explicação — talvez que ele pedisse desculpas, ou que ficasse um pouco mais. Mas ele, calmo e educado, apoiou-se na beirada da cadeira antes de se levantar, ajeitando a gola do casaco.
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  — Ah, é que temos um compromisso depois daqui. Um almoço... digamos, prolongado. — disse com um sorriso simpático. — Prometi levar %Hyojin% a uma galeria que abriu hoje só para convidados. Faz parte de um circuito fechado com alguns artistas contemporâneos — é algo que ela comentou que tinha muito interesse em ver.
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  O silêncio que se seguiu foi quase audível.
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  A mãe piscou, parecendo sem palavras por um segundo — e não era comum vê-la assim. Uma das tias parou com o garfo no ar. Um primo adolescente soltou um "uau" em voz baixa.
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  %Hyojin%, que até então observava %Hoseok% com um misto de curiosidade e surpresa pela desculpa tão elaborada e convincente, sentiu o peito se aquecer. Ele havia conseguido, com um toque de elegância, sair daquela situação sem criar conflito — e ainda por cima despertando, pela primeira vez em muito tempo, um tipo de admiração silenciosa da família dela.
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  — Ah... entendi. — a mãe disse, tentando recuperar a compostura. — Que chique. Bom... então aproveitem.
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  — A gente vai, sim. — %Hyojin% respondeu, mantendo o sorriso educado, mas agora com um olhar cheio de cumplicidade para %Hoseok%.
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  Ele se virou para a mesa, fazendo um gesto breve de despedida.
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  — Foi um prazer conhecer todos vocês. Obrigado pela recepção. E feliz Natal.
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  %Hyojin% o acompanhou até a porta, ouvindo alguns dos familiares comentarem baixinho atrás de si, como se finalmente tivessem percebido algo que sempre esteve ali.
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  Quando saíram e a porta se fechou atrás deles, ela soltou um longo suspiro, como se estivesse deixando aquele peso todo do outro lado da parede.
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  — “Galeria contemporânea só para convidados”? — ela perguntou, ainda um pouco rindo.
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  %Hoseok% deu de ombros, com um sorrisinho nos lábios.
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  — Achei que daria um toque mais sofisticado do que “precisamos fugir daqui o quanto antes”.
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  Ela riu de verdade dessa vez.
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  — Eu devia te levar para todos os jantares de família. Você é o melhor plano de fuga que já tive.
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  — Sempre à disposição. — ele respondeu, oferecendo o braço para ela entrelaçar. E ela aceitou, grata por tê-lo ali.
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  Do lado de fora da casa dos tios, o ar fresco da tarde bateu no rosto de %Hyojin% como um alívio imediato. Ela e %Hoseok% caminharam lado a lado até o carro, mas, dessa vez, a tensão não vinha da família — e sim daquela sensação mansa de liberdade, de ter tomado a decisão certa.
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  Já dentro do carro, enquanto ele dava partida, %Hyojin% olhou pela janela por alguns segundos antes de se virar para ele.
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  — Você... — ela começou, com um meio sorriso. — Tá com algum outro plano pra hoje? Digo, além da galeria fictícia que você inventou brilhantemente?
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  %Hoseok% riu, os olhos ainda no retrovisor enquanto saía da vaga.
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  — Não. Meu cronograma termina exatamente aqui: te salvar do constrangimento e inventar uma desculpa convincente.
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  Ela mordeu o lábio inferior, pensativa por um segundo.
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  — Então... você quer subir comigo? Lá em casa.
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  %Hoseok% virou o rosto devagar na direção dela, o sorriso suave permanecendo nos lábios, agora acompanhado de um brilho curioso nos olhos.
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  — Quero.
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  %Hyojin% assentiu, o coração aquecendo com a resposta simples e certa.
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  — Não tem galeria de arte… mas tem café, cobertor, e talvez alguns filmes ruins pra gente rir.
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  — Perfeito. — ele respondeu. — Muito mais interessante do que qualquer circuito de arte fechado.
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  Ela riu, ajeitando-se no banco, agora mais leve.
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  E enquanto o carro seguia pelas ruas da cidade em direção ao apartamento dela, %Hyojin% sabia que, apesar do início tenso daquele dia, ela estava terminando o Natal de um jeito que jamais imaginaria — com alguém que havia entrado em sua vida por engano… mas ficado por escolha.
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***

  O carro estacionou em frente ao prédio de %Hyojin%, e os dois subiram juntos, agora em silêncio confortável, aquele tipo de silêncio que só existe quando a presença do outro já se tornou familiar.
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  No elevador, ela encostou-se levemente à parede acolchoada, e %Hoseok%, ao lado, observava o painel acender os andares com um meio sorriso nos lábios — como se estivesse guardando aquele momento em uma memória boa, daquelas que se revisitam mais tarde, com carinho.
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  Assim que chegaram ao andar dela, %Hyojin% destrancou a porta com naturalidade e entrou primeiro, acendendo as luzes e ele entrou logo atrás, soltando um leve “com licença” como se aquilo fosse uma espécie de ritual.
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  — Pode entrar. Fica à vontade — disse, já tirando o casaco e deixando a bolsa sobre a cadeira próxima.
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  %Hoseok% cruzou a porta devagar, os olhos explorando o ambiente com curiosidade sutil. O apartamento dela era pequeno, mas extremamente acolhedor — com tons quentes, móveis com personalidade, e detalhes que revelavam muito sobre quem ela era: quadros vintage nas paredes, velas aromáticas sobre a estante, uma manta dobrada com cuidado no canto do sofá e pilhas de revistas e livros de moda, arte e design.
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  Ele sorriu ao ver uma prateleira com pequenas pinturas emolduradas — provavelmente feitas por ela.
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  — Seu apartamento tem a sua cara. — comentou, com um brilho nos olhos.
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  — Isso é bom ou ruim? — ela gritou da cozinha, rindo enquanto amarrava o cabelo em um coque frouxo.
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  — É ótimo. Tem alma. É… vivo.
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  — Que bom que você acha. — ela respondeu, abrindo o armário e pegando um pacote de pipoca. — Porque é aqui que vamos encarar o pior filme do streaming.
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  — Mal posso esperar — ele disse, andando lentamente pela sala, analisando os pequenos detalhes enquanto ela ligava o fogão e colocava a panela no fogo.
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  %Hyojin% mexia distraidamente o óleo e o milho, o som familiar do estouro começando a preencher o ambiente.
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  — Se quiser escolher o filme, o controle tá ali no sofá. Só ignora as indicações do algoritmo, ele acha que eu só assisto romance adolescente e reality show culinário.
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  %Hoseok% riu, já se acomodando no sofá, mas ainda com os olhos fixos nela por alguns segundos, admirando a leveza que ela transmitia quando estava em casa.
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  Era diferente vê-la ali, naquele ambiente onde ela era dona de si, e ele se sentiu privilegiado por estar testemunhando aquilo.
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  — Sabe… — ele comentou, ainda sorrindo — eu acho que esse pode ser o melhor pós-Natal da minha vida.
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  %Hyojin% virou o rosto rapidamente, os olhos encontrando os dele por um breve segundo, e o coração dela pulou no peito antes de ela se virar de volta para o fogão, com um sorriso bobo nos lábios.
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  — Ainda nem viu a minha pipoca especial. Espera só.
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Capítulo 6
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