Capítulo 10
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%Hyojin%’s POV:
Eu ainda não havia decidido se a roupa escolhida incomodava ou não — talvez por ser ousada demais, talvez por ser delicada demais, e %Hoseok% já estava me esperando dentro do carro.
O tecido rendado branco abraçava meu corpo com uma leveza quase etérea. A blusa ombro a ombro era composta por camadas de tule e renda, com mangas longas transparentes que escorriam até os punhos como se quisessem esconder mais do que revelavam. A saia era curta, esvoaçante, feita do mesmo tecido rendado, com sobreposições suaves que lembravam pétalas em movimento.
Tudo em mim parecia branco demais. Puro demais. Como se eu estivesse prestes a ser apresentada a alguém importante, ou… prestes a cometer um erro terrivelmente bonito.
Suspirei, ajeitando o caimento da blusa sobre os ombros antes de pegar a chave e sair. %Hoseok%, dentro do carro, o braço apoiado na janela e os olhos acompanhando meu caminhar com aquele meio sorriso que eu já começava a conhecer bem.
— Uau! Você está deslumbrante. Eu até estou me sentindo desarrumado… — Ele gargalhou. A risada escandalosa tomando conta dos meus ouvidos assim que fechei a porta de seu carro, me fazendo sorrir e olhar para ele.
Ele vestia um conjunto branco impecável que refletia com sutileza a luz do fim de tarde. O blazer estruturado com ombros definidos caía com elegância sobre os ombros largos, e a camisa social acetinada por baixo trazia um brilho discreto, sofisticado, com os dois primeiros botões abertos, revelando parte do peito e uma corrente prateada que adicionava um toque de ousadia ao visual. A calça, feita no mesmo tecido refinado do blazer, ajustava-se perfeitamente ao corpo dele, marcada por um cinto claro com fivela metálica que contrastava delicadamente com o look monocromático.
Apesar da formalidade do traje, %Hoseok% mantinha o charme despojado de sempre — os cabelos um pouco bagunçados e aquele sorriso largo e leve que, mais uma vez, fez o coração de %Hyojin% perder o ritmo por alguns segundos.
— Eu que deveria dizer isso! Olha só para você, de terno e tudo praticamente… — Minha boca se abriu levemente e ele inclinou o rosto na minha direção.
Os lábios dele se encostaram nos meus, diminuindo a distância. Primeiro com delicadeza, como quem ainda pede permissão. Foi um toque suave, quase tímido, mas carregado de intenção. Um beijo breve que mal tocava, mas que já acendia fagulhas.
Eu suspirei contra a boca dele, sentindo a palma quente de sua mão deslizar para minha nuca, aninhando meus fios entre os dedos enquanto ele aprofundava o beijo com mais certeza. O gesto me fez ceder, meu corpo inclinando-se na direção do dele quase sem perceber.
Os lábios de %Hoseok% se moviam com calma, mas havia algo mais ali — um tipo de desejo sereno, paciente, que explorava cada cantinho da minha boca como se quisesse decorar os contornos. As línguas se encontraram, em um toque lento e envolvente, e foi como se o mundo diminuísse de velocidade, como se nada além daquele beijo importasse.
Minha mão repousou sobre o peito dele, sentindo o tecido frio da camisa contrastar com o calor que ele emanava. O beijo não era apressado, era longo, sentido, cheio de silêncios que diziam muito mais que palavras. Como se cada segundo fosse um lembrete de que nós dois estávamos ali, escolhendo um ao outro, apesar de tudo.
Quando nossos lábios se afastaram por fim, foi com relutância, como se ainda houvesse mais a dizer com aquele beijo. %Hoseok% manteve o rosto próximo, a respiração dele se misturando à minha. Os olhos dele brilhavam, e eu sabia que os meus estavam do mesmo jeito. Ainda sentia o gosto dele na minha boca. Ainda sentia o coração correndo solto dentro do peito.
— Feliz ano novo, %Hyojin%… — ele sussurrou, encostando de novo a testa na minha.
E, só então, eu consegui sorrir.
***
Seowon já nos aguardava na porta do bar, e sorriu discretamente assim que nos viu de mãos dadas. Sim, nós passaríamos a virada do ano no
bar/pub da família de Seowon, a aluna de %Hoseok% que me fez ter um ataque de insegurança e ciúmes.
Ela havia me procurado no brechó depois de %Hoseok% ter explicado á ela o que aconteceu. Confesse que no dia, eu acabei me assustando bastante com a presença dela lá, mas depois conforme ela foi me explicando que a relação dela com %Hoseok% era quase como a de um mestre e um prodígio e que o que ela sentia por %Hoseok% era completa admiração, respeito e gratidão, meu coração se acalmou.
Foi daí que surgiu o convite para o réveillon no bar dos pais dela.
E como o meu irmão se meteu nisso tudo? Bom, durante a conversa eu acabei comentando com ela que o nome do meu irmão mais velho se parecia muito com o dela, e ela acabou soltando um, convida ele também para você se sentir ainda mais confortável com a proposta.
E foi assim que surgiu o convite para o evento quase mais aguardado do ano por toda população mundial.
Nós nos cumprimentamos com um abraço rápido e ela deu passagem para que entrássemos no local.
— Podem subir aquelas escadas ali no final do corredor, hoje o bar é só nosso, e vamos ficar no
rooftop!
Seguimos pelo corredor iluminado por pequenas luzes âmbar presas às paredes de tijolos expostos, que davam ao bar uma atmosfera rústica e ao mesmo tempo acolhedora. O som ambiente era suave, uma mistura de jazz moderno com batidas eletrônicas leves, que ecoavam discretamente pelas caixas de som embutidas.
Ainda de mãos dadas com %Hoseok%, eu sentia a palma quente dele pressionada contra a minha, transmitindo uma segurança tranquila que fazia meu coração desacelerar, mesmo diante do friozinho na barriga causado pela ocasião.
O piso de madeira antiga rangia levemente sob nossos passos enquanto caminhávamos até a escada no final do corredor. À medida que subíamos, meu olhar corria por todos os cantos: luminárias pendentes com lâmpadas de filamento decoravam o caminho, e uma parede lateral era inteira preenchida com quadros e fotos emolduradas de bandas, clientes antigos e momentos históricos do bar.
Quando chegamos ao topo, uma brisa fresca de fim de tarde nos envolveu.
O rooftop era simplesmente deslumbrante.
Um toldo translúcido cobria parte do espaço, com pequenos cordões de luzes brancas pendurados, que piscavam suavemente como vaga-lumes. Sofás baixos com almofadas coloridas estavam espalhados por entre mesas rústicas de madeira. Um bar improvisado ocupava o canto esquerdo, onde bebidas já estavam sendo servidas por dois funcionários sorridentes. Mais ao fundo, havia uma pequena pista de dança improvisada, com luzes pendentes giratórias e um projetor de led apontado para a parede, exibindo vídeos com cenas do ano que estava prestes a acabar.
A decoração misturava elementos boêmios com um charme retrô: garrafas recicladas com flores secas, toalhas rendadas, velas aromáticas em potes de vidro e uma playlist de fim de ano tocando suavemente.
%Hoseok% apertou de leve minha mão, fazendo com que eu voltasse meu olhar para ele. Ele sorria, como se estivesse tão encantado quanto eu.
— Você disse que seria algo simples, mas… isso aqui está mágico — murmurei, ainda observando ao redor.
— Acho que é porque você está aqui. — Ele disse, encostando sua testa na minha por um breve segundo antes de me puxar, com carinho, para o meio da noite que estava só começando.
***
Fomos apresentados ao restante das pessoas que não conhecíamos, inclusive aos pais de Seowon.
— Então você é o grande Professor %Jung%! Nossa menina tem muita sorte de ter alguém como você, que acredita e incentiva. Não só ela, mas todos os seus alunos, senhor %Jung%. — O pai de Seowon apertou a mão de %Hoseok% com certa força antes de soltar.
Eu vi as bochechas de %Hoseok% ficarem vermelhas com o elogio e ele sorriu. Um misto de vergonha com gratidão em seus olhos. E eu sorri discretamente, orgulhosa dele.
Os pais de Seowon também me cumprimentaram de forma educada e calorosa com apertos de mãos e eu agradeci o convite e elogiei o lugar com sinceridade:
— O espaço é lindo, aconchegante e cheio de personalidade. Dá pra sentir que tem muito amor envolvido aqui. Obrigada por nos receberem — comentei, tentando transparecer toda a minha gratidão e, ao mesmo tempo, tentando parecer menos nervosa do que realmente estava.
A mãe de Seowon sorriu com gentileza, tocando brevemente meu braço.
— Querida, sinta-se em casa. Vocês são muito bem-vindos. A Seowon falou muito de você… — ela olhou de soslaio para a filha, que desviou o olhar, visivelmente envergonhada. — E olha, esperamos ver vocês aqui muitas outras vezes. Gente de bom coração é sempre bem-vinda.
%Hoseok% me olhou com aquele brilho tranquilo no olhar, como se dissesse:
viu só? tudo bem estar aqui. E, naquele momento, uma parte de mim realmente acreditou nisso.
Fomos conduzidos até uma das mesas mais próximas da sacada de vidro, de onde se podia ver a cidade se acendendo lá embaixo, com pequenas luzes piscando aqui e ali como vaga-lumes urbanos. Os convidados já estavam se servindo de bebidas e petiscos dispostos em uma mesa central ricamente decorada com luzes, flores e peças de cerâmica artesanal.
Eu me sentei ao lado de %Hoseok%, que, discretamente, passou o braço pelas costas da minha cadeira, sem pressa, como se aquele gesto fosse o mais natural do mundo.
E talvez, naquele momento, fosse mesmo.
***
— Meu irmão já está a caminho, pode reservar esse lugar ao seu lado para ele? — Passei minha bolsa para %Hoseok%, que a pegou com cuidado, colocando-a na cadeira ao seu lado.
— Ele ainda está na fossa por causa do término? — %Hoseok% me olhou, tirando uma mecha de cabelo dos meus olhos.
Eu pisquei devagar sentindo a familiaridade do toque dele.
— Um pouco, mas está bem melhor do que alguns dias atrás. Achei até bom ele vir mesmo, estava querendo desistir com medo de nos atrapalhar.
— Sabe que eu acho que ele a Seowon combinam para além dos nomes?
Eu gargalhei alto com a observação dele e então encostei a testa na dele.
— Combinam que nem a gente? — Esfreguei devagar a ponta do nariz no dele.
Foi a vez dele gargalhar e levar uma das mãos até minha nuca.
— Não. Que nem a gente ninguém! — ele sussurrou contra os meus lábios, a voz baixa e envolvente como uma brisa morna.
As mãos dele na minha nuca exerciam uma pressão suave, protetora, e eu senti meu corpo se inclinar ainda mais para perto, como se estivesse sendo puxado pela força invisível que existia entre nós dois. Meus dedos encontraram os dele por cima da mesa, entrelaçando com facilidade — como se já soubessem o caminho.
Ele sorriu contra a minha pele, o polegar roçando a base do meu pescoço, provocando um arrepio sutil. E então seus lábios tocaram os meus com uma doçura que parecia quase inocente, mas carregada de intenção.
Era um beijo que não precisava provar mais nada.
Macio, calmo, um encaixe que acontecia sem esforço — como se nossos corpos tivessem passado a vida inteira ensaiando para aquele momento. O tempo desacelerou. Os sons do rooftop sumiram um a um, até que tudo que restava era a respiração entrecortada entre nós dois, o calor do toque e o gosto leve de vinho misturado com as palavras não ditas.
Quando ele se afastou, ainda com os olhos fechados, sua testa voltou a encostar na minha e sua voz saiu baixa, quase como um sussurro:
— Que nem a gente… não tem ninguém mesmo.
***
— Você pode me acompanhar lá embaixo? — Toquei o ombro de Seowon delicadamente e com a ponta dos dedos e ela se virou para me encarar. — Meu irmão chegou. Se lembra que disse para eu convidá-lo?
Seowon assentiu com a cabeça e então colocou a taça de champanhe sobre a mesa ao lado, limpando as mesmas em um pano que também estava por lá.
— Claro, me lembro perfeitamente. Vamos lá buscá-lo! — Seowon sorriu e então saiu na frente.
Enquanto descíamos a escada ela disse, baixo, mas o suficiente para que eu ouvisse:
— %Hoseok% oppa disse que ele é muito bonito… — Ela riu pelo nariz. — Disse até que combinamos, acredita? Acho que ele quer se livrar do seu irmão.
Nós duas gargalhamos juntas ao terminar de descer as escadas e eu a vi tirar um molho de chaves do bolso da calça pantalona dourada que ela usava.
— Olha, pode ser que ele esteja mesmo… — Eu sussurrei para que só ela ouvisse e sorrimos uma para outra.
Assim que Seowon destrancou a porta e a empurrou para frente, a brisa suave da noite invadiu o corredor, junto com a presença firme de Sawon, parado à soleira.
Ele vestia uma camisa preta de linho com os dois primeiros botões abertos, a manga dobrada com perfeição até os cotovelos, e uma calça de alfaiataria clara. O cabelo estava penteado para trás, o rosto sério — como sempre —, mas com uma curiosidade evidente nos olhos quando os lançou em direção a Seowon.
E então, por um breve segundo, eu os vi prender a respiração.
Seowon parou no mesmo instante. A mão ainda segurava a maçaneta da porta, mas seus olhos estavam presos aos do meu irmão — olhos escuros, intensos, analisando-a com uma precisão quase desconfortável, como se a estivesse decifrando por dentro. E ela o encarava de volta, sem conseguir disfarçar o leve espanto na expressão.
Foi um olhar que durou tempo demais para ser apenas educado, mas curto demais para que alguém o chamasse de romântico. Foi só… potente. Cheio de uma tensão inexplicável.
Sawon arqueou uma sobrancelha, um canto da boca se curvando num meio sorriso intrigado.
— Você deve ser a Seowon.
Seowon piscou, como se estivesse voltando à realidade, e soltou um leve riso pelo nariz antes de dar um passo para o lado, permitindo a entrada dele.
— E você é o cunhado que o %Hoseok% oppa quer
“se livrar”? — Ela rebateu, em tom brincalhão, mas com os olhos ainda fixos nos dele.
Sawon ergueu a outra sobrancelha, visivelmente surpreso com a resposta afiada, e sorriu de verdade pela primeira vez naquela noite.
— Depende. Você quer me adotar ou me despachar de volta?
A porta se fechou atrás deles com um clique suave.
E eu, observando tudo a poucos passos de distância, tive a certeza: esse Réveillon ainda prometia algumas boas surpresas.
Pigarrei e então Sawon finalmente olhou em minha direção. Assim que ele entrou, passando por Seowon, veio em minha direção. O sorriso no canto dos lábios, tímido demais para alguém como ele, me fez sorrir abertamente.
— Você veio mesmo! Meu Deus, vai chover Seowon! Ele veio. — Pisquei na direção dela. — Demorou hein, já é quase meia-noite.
Ele depositou um beijo rápido em minha bochecha, me surpreendendo com o gesto.
— Eu não fui convidado? Então eu vim. — Ele deu de ombros, fingindo uma falsa falta de interesse, como se fosse mera casualidade ele estar ali.
— Você vai adorar o bar, sabe? Tenho certeza. — Segurei seus braços com força e empolgação.
Me vi sorrindo genuinamente para meu irmão, pela primeira vez em anos. Os olhos dele brilharam quando me viram sorrindo — um brilho que eu não via desde… nem sei mais quando. E, por um instante, vi o menino que dividia brinquedos comigo no chão da sala, que me protegia dos trovões nas noites de tempestade, e que depois, com o tempo, pareceu ter desaparecido.
— Faz tempo que eu não te vejo assim — ele murmurou, quase como se estivesse falando só para si, mas eu ouvi.
Minha garganta apertou, e ao invés de responder com palavras, apenas apertei seus braços de novo, com mais força.
— É um bom dia pra recomeços, não é? — disse, sentindo o ar um pouco mais leve ao nosso redor.
Sawon sorriu, um daqueles sorrisos sinceros e calmos, que pouco usava.
— E você sabe que, se você estiver por perto… até um recomeço parece mais fácil.
Nos olhamos por mais alguns segundos, e então, como se não quiséssemos deixar o momento melar de sentimentalismo demais, eu brinquei:
— Ai, chega! Isso tá ficando piegas. Vai logo me ajudar a beber esse champanhe antes que eu mude de ideia sobre te querer aqui.
Ele riu, jogando um braço em meus ombros com carinho.
— Se o champanhe for bom, eu fico até depois do “Feliz Ano Novo”. Se for ruim… também fico. Só pra te irritar.
E assim, subimos juntos de volta para o rooftop — eu com meu irmão ao lado, e a sensação gostosa de que, finalmente, a gente estava se encontrando de novo.
***
%Hoseok%’s POV:
Vi quando os três subiram de volta.
%Hyojin% vinha no meio, com aquele passo decidido que ela usava quando queria disfarçar algum nervosismo — o que só tornava tudo mais adorável. Seowon vinha logo atrás, falando alguma coisa para os dois, animada como sempre. E do outro lado… estava ele. Sawon. Meu cunhado. Bom, quase isso, né?
Pela primeira vez, o vi não como o cara difícil, distante, ou o homem do almoço de Natal que fez %Hyojin% perder a fome — mas como um irmão. Um irmão tentando estar ali por ela.
Quando se aproximaram, vi os olhos dele me encontrarem. Um segundo, dois. O suficiente para medir, pesar, avaliar. E eu fiz o mesmo. Mas ao contrário da primeira vez, quando o cumprimentei com educação e receio… agora era diferente. Agora eu estava pronto para ser visto de verdade.
%Hyojin% se virou na minha direção, parando bem ao meu lado, e eu toquei sua cintura com naturalidade. Ela relaxou um pouco. Sinal de que estava tudo bem.
Sawon estendeu a mão de novo. E dessa vez, fui eu quem deu um passo à frente.
Apertei sua mão com firmeza e um pequeno sorriso.
— Feliz Ano Novo, Sawon. Bom te ver por aqui.
Ele arqueou uma sobrancelha, como quem não esperava que eu dissesse isso tão diretamente. Mas no fim, também sorriu. Um daqueles sorrisos que começam só de um lado do rosto, mas que entregam mais do que a gente espera.
— O mesmo, %Hoseok%. Vamos ver se esse ano novo traz mesmo boas surpresas.
%Hyojin% riu ao nosso lado, e senti o ombro dela roçar no meu, como quem dizia:
obrigada por isso. Eu não disse nada, só mantive o toque firme nas costas dela e voltei a olhar para ele.
— Pode apostar que vai trazer — respondi. — Já começou bem, né?
E talvez… tivesse começado mesmo.
***
Sawon, como era de se esperar, já estava se enturmando com a turma quando a música de fato começou a ficar mais animada, e não demorou para que ele estivesse rindo com dois dos meus alunos da faculdade, como se fossem conhecidos de anos.O que fez com que eu %Hyojin% trocássemos um olhar cheio de significados.
O sorriso dela era sincero, mas havia um quê de surpresa, como se ainda estivesse se acostumando com essa nova versão de Sawon. E, como sempre, eu estava ocupado demais admirando ela.
— Ele tá mesmo se enturmando — comentei, inclinando o rosto na direção dela.
%Hyojin% me olhou, e aquele olhar dizia tudo.
“Inacreditável”,
“engraçado”,
“meu irmão sendo sociável”… Tinha um pouco de tudo ali. A gente riu junto, e eu aproveitei para entrelaçar nossos dedos, puxando-a com leveza para perto de mim.
— Dança comigo? — perguntei baixo, perto do ouvido dela.
— Pensei que você não dançasse em público… — ela provocou, arqueando uma sobrancelha.
— Eu não danço com qualquer pessoa. — Sorri. — Mas com você? Eu danço até no meio da rua.
Ela não respondeu, mas sorriu daquele jeito que fazia meu coração parecer leve demais pro próprio peito. Levei a mão à cintura dela, puxando-a suavemente para o meio do espaço onde a música tocava em volume mais alto agora. Ninguém realmente dançava — pelo menos não como em uma festa —, mas havia um balanço ali, gente se mexendo, casais colados… e ali no meio, nós dois.
Aproximei minha testa da dela enquanto nossos corpos balançavam no ritmo da música. O cheiro dela, a leveza da presença dela… eu podia viver nessa bolha pra sempre.
— Você tá linda hoje. — Minha voz saiu num sussurro. Me inclinei e beijei os lábios dela com calma, sentindo o gosto suave de morango do gloss, misturado com champanhe e alguma coisa que era só dela.
Ela suspirou contra a minha boca, e eu aproveitei para puxá-la ainda mais pra perto, minha mão subindo devagar pelas costas dela, desenhando cada curva como se eu já soubesse o caminho. O beijo aprofundou, ainda lento, mas com mais intenção — como se a gente estivesse tentando dizer tudo que ainda não tinha sido dito com palavras.
Quando nos separamos, ela encostou a testa na minha, e por um segundo ficamos assim, respirando o mesmo ar.
— Se eu pedir outro beijo, você vai me achar carente? — ela sussurrou, os olhos ainda fechados.
Eu ri, acariciando a nuca dela com a ponta dos dedos.
— Se você
não pedir, eu vou achar que enlouqueceu.
E beijei ela de novo, sem pressa, com a certeza de que, naquele momento, não havia lugar no mundo onde eu preferisse estar.
***
Quando finalmente a contagem regressiva começou eu estava com os braços em volta da cintura da %Hyojin%, e ela, encostada em mim, sorria enquanto todos à nossa volta se animavam.
— Oito! — As vozes se erguiam em uníssono, algumas já rindo, outras segurando taças de espumante.
Eu olhei para ela. Para o contorno do rosto dela iluminado pelas luzes do rooftop, para os olhos cheios de brilho e expectativa. Não consegui contar com o resto das pessoas.
O mundo parecia em câmera lenta. Ela virou o rosto na minha direção.
As taças se ergueram no ar, sorrisos se espalharam pelo ambiente e o som de garrafas sendo estouradas se misturou ao estalo dos fogos ao fundo. E foi ali, no meio de toda aquela festa e caos bonito, que eu a beijei.
Beijei como se só existíssemos nós dois naquele lugar. Como se aquele fosse o nosso ano — o começo do nosso tempo.
Ela sorriu contra os meus lábios, e quando nos afastamos, vi o irmão dela observando com um leve sorriso no rosto, de longe. Pela primeira vez, sem julgamento.
Apenas… genuíno.
As pessoas começaram a se cumprimentar, um a um, brindes sendo trocados, abraços para todos os lados. Esperei alguns minutos. Esperei até sentir que o clima estava mais leve, até ela ter abraçado o irmão, Seowon e mais dois ou três amigos.
Então, peguei minha taça, bati de leve com a unha no vidro para chamar a atenção.
— Ei… pessoal? — minha voz se elevou. — Desculpa atrapalhar rapidinho, prometo que é rápido!
Alguns
“oooh” começaram, os olhares se voltaram para mim. Eu sorri, nervoso.
%Hyojin% me olhou, confusa. Estava ainda com as mãos entrelaçadas às minhas. Eu soltei devagar, só o suficiente para enfiar a mão no bolso da calça.
— Eu sei que é só o começo do ano… mas às vezes, a gente só sabe. — Olhei pra ela. — E eu sei.
Tirei a caixinha pequena do bolso e a abri, revelando uma aliança simples de prata, mas com o nosso nome gravado por dentro. Vi os olhos dela arregalarem.
— %Hyojin%… eu não quero que a gente continue só como “quase alguma coisa”. Eu quero ser seu. E quero que você seja minha — do seu jeito, no seu tempo. Mas quero que a gente tenha um nome, um laço… um compromisso.
O silêncio caiu como um cobertor quente. Algumas pessoas começaram a sorrir. Vi Seowon levando as mãos à boca discretamente. Sawon estava logo atrás dela, com os braços cruzados e um sorriso curioso, como se dissesse “olha só…”
— Então… você aceita namorar comigo?
Abaixei levemente a cabeça, só o suficiente para que ela visse a sinceridade nos meus olhos.
Por alguns segundos, o tempo congelou. O barulho ao fundo continuava — a música, as vozes, os fogos distantes — mas dentro de mim, tudo parou. Tudo girava em torno de uma coisa só:
ela.
%Hyojin% me olhava sem piscar. Os olhos estavam arregalados, brilhando, e eu juro que vi as lágrimas começando a se formar no canto. Ela levou as mãos à boca, devagar, como se tentasse conter a surpresa e o turbilhão de sentimentos que vinha junto com ela.
— %Hoseok%… — ela sussurrou, mas eu ouvi. Claro que ouvi.
Ela riu nervosa, balançando a cabeça como se ainda não acreditasse, e então estendeu a mão. Os olhos presos nos meus.
— É claro que sim. Eu… sim, eu quero namorar com você.
As palavras caíram como um abraço em mim. Eu me levantei devagar e segurei a mão dela com cuidado, deslizando a aliança no dedo com mais precisão do que pensei que conseguiria. O coração parecia bater fora do peito. Assim que o anel encostou na pele dela, a plateia explodiu.
— EU JÁ SABIA!!! — alguém gritou, e eu reconheci a voz de Seowon antes mesmo de vê-la bater palmas e puxar Sawon pelo braço pra se aproximar.
E, no instante seguinte, %Hyojin% se jogou nos meus braços.
Ela me abraçou com força, escondendo o rosto no meu pescoço, e eu senti seu corpo inteiro vibrar contra o meu. Era emoção. Era alívio. Era amor.
— Você me pegou de surpresa… — ela sussurrou no meu ouvido.
— Era essa a ideia. — beijei o topo da cabeça dela. — Feliz ano novo, %Hyojin%.
Ela riu contra meu peito.
Quando nos afastamos, vi Sawon se aproximando. Confesso que fiquei tenso por um segundo, mas o irmão dela me surpreendeu: estendeu a mão, sério, e me olhou nos olhos.
— Parabéns, cara. Se ela escolheu você… é porque vale a pena. Cuida dela. — A voz dele soou firme, mas havia um calor contido por trás.
Apertei a mão dele com força e assenti.
— Pode deixar. É o que eu mais quero fazer.
Seowon chegou logo depois com duas taças de espumante nas mãos e empurrou uma pra mim.
— E agora… um brinde oficial aos mais novos namorados da noite!
As taças se ergueram. Os sorrisos se abriram. E eu, com o coração leve e cheio, beijei a minha namorada outra vez — dessa vez sem palavras, só promessas silenciosas passadas pela boca, pela pele, pelo toque.
— E quem diria que por um engano, você ia ficar. — Sussurrei em seu ouvido, para que só ela pudesse ouvir.
Ela sorriu. Largo. Grande. Brilhante. Pesado. Me desarmando como sempre.
Fim
Nota da autora: Olá, chuchus! Chegamos ao fim dessa jornada. Foi curtinha mas muito especial, pelo menos para mim, afinal de contas o Hoseok é meu ultimate! E esse Hoseok foi muito gostosinho de escrever, juro para vocês. Então cá estou eu me despedindo de mais uma história. Espero que tenham gostado, e obrigada quem leu! 🖤