School 2021


Escrita porPams
Revisada por Lelen


12 • Merry Christmas

Tempo estimado de leitura: 27 minutos

  Eu respirei fundo, tentando voltar a minha sanidade enquanto encarava ambos ao mesmo tempo. %Demeter% com seu sorriso de canto discreto e malicioso, enquanto %Cedric% mantinha seu olhar intenso em meio a serenidade de seu rosto. Ambos pareciam ter se juntado para me deixar ainda mais louca. Em instantes, Beth adentrou a sala com o jarro de flores na mão para finalizar a decoração, deu para notar em seu olhar para mim o choque mental ao se deparar com dois desconhecidos com a atenção fixa em mim.
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  — %Annia%... — sussurrou ela ao se colocar ao meu lado como se quisesse perguntar quem eram, porém com discrição.
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  — Beth, esses são %Demeter% e %Cedric% — apresentei a ela, apontando para cada um deles —, os veteranos de Princeton que eu te falei.
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  — Oi... — Beth teve que forçar a voz, que saiu quase em sussurro, então voltou o olhar novamente para mim, entendendo meu olhar de surto.
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  — Espero que tenha falado bem da gente para ela — comentou %Demeter%, piscando de leve para mim.
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  Eu o ignorei tentando manter minha sanidade e me voltei para ela.
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  — Quer ajuda com o vaso? — perguntei, fazendo-a parar de encará-los.
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  — Ah, sim. — Ela sorriu meio sem graça voltando a atenção para mim. — Sua mãe pediu para você deixar a sala mais apresentável para as suas visitas já que é a decoradora da família.
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  — É sério que ela disse isso? — Fiquei chocada com aquilo.
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  — Você sabe que sua mãe ainda está chateada com a sua escolha por Princeton — esclareceu minha amiga, o nível de sarcasmo nas palavras da minha mãe.
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  Eu respirei fundo tentando não me irritar. Senti algumas risadas vindas das minhas visitas.
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  — Se quiser, podemos ajudar — %Demeter% ofereceu, num tom de brincadeira.
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  — Como se você entendesse do assunto — %Cedric% o criticou como de costume.
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  — É claro que eu entendo, tenho um bom gosto para decoração — retrucou o leão.
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  — Baseado em que? Irmãos à obra? — %Cedric% manteve o olhar debochado para ele.
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  — Os dois nem chegaram aqui direito e já vão começar com essas declarações de amor? — Eu coloquei a mão na cintura, olhando-os seriamente. — Vou expulsar os dois no meio da neve e sem peso na consciência.
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  — Calma, só estamos querendo te ajudar — disse %Cedric% com o olhar de anjo inocente.
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  — Sei. — Eu peguei o vaso das mãos de Beth e coloquei na dele. — Já que estão dispostos, então arrumem a sala os dois, e sem quebrar nada.
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  Eu me afastei e puxei Beth para a cozinha comigo. Minha amiga apenas segurava o riso, admirada com a situação que até o momento só tinha conhecimento e agora presenciava.
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  — Deu para perceber que eles são bem intensos — comentou ela num tom mais baixo, finalmente em risos.
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  — Você ainda não viu nada — assegurei, me lembrando daquele ano letivo cheio de loucuras.
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  — O que a mocinha está fazendo aqui? — Minha mãe me olhou desconfiada, assim que percebeu minha presença na cozinha.
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  — Foi a senhora que me ameaçou a sair do quarto — retruquei, com o olhar confuso para ela. — Agora me pergunta o que faço na cozinha?
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  — Sim, e me refiro às suas duas visitas que precisam ser recepcionadas — argumentou ela, mantendo a atenção em mim, curiosa.
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  — Eles estão bem ocupados organizando a nossa sala e os presentes debaixo da árvore — disse a ela, com tranquilidade e serena.
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  — %Annia% Katherine Fletcher, foi essa a educação que eu te dei? — Ela colocou a mão na cintura, desacreditada da minha atitude.
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  — Acredite, senhora Fletcher, se ela não tivesse feito isso, teria uma terceira guerra mundial na sua sala. — Beth de uma forma engraçada, me defendeu.
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  — Espero que a presença dos cavalheiros aqui não cause confusão em nosso Natal — alertou minha mãe, com aquele olhar de quem já entendeu a história sem precisar ouvi-la — e que a senhorita não se machuque no processo de escolha.
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  — Escolha? — Mantive um olhar assustado para ela, envergonhada por sua repreensão.
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  — Acha mesmo que eu não iria perceber o interesse dos dois em você? — reforçou ela. — Nenhum homem escolhe passar o Natal com pessoas desconhecidas por causa de uma garota sem estar interessado, só me intriga que desta vez tenha sido em dobro.
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  Eu senti que no comentário final ela se referia ao Natal que Collins apareceu bem na hora da ceia e passou a noite com nossa família. E sim. Coisas como essa já tinham acontecido comigo no ensino médio e eu me assustava ainda mais por acontecer em dose dupla desta vez.
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  — Beth, poderia, por favor, conferir se eu ainda tenho uma sala — pediu minha mãe em seu habitual tom de ordem com carinho. — Quero ter uma conversa em particular com minha filha.
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  Minha cunhada nem ousou negar ao pedido e já assentiu com um sorriso delicado se retirando. Internamente, meu coração já estava disparado, pois sempre que minha mãe dizia querer ter uma conversa séria comigo seria minha possível extinção. Seu olhar, por mais sério que estivesse, tinha traços de compreensão que me tranquilizava parcialmente, porém, ainda assim me sentia como uma criança que quebrou o vaso de flores e não conseguiu esconder a prova do crime.
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  — Em minha defesa, eu juro que não fiz nada, não provoquei ninguém — disse já em minha defesa, antes que ela pudesse começar seu sermão. — Eu apenas me mantive focada nos estudos.
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  — Não precisa ficar tão na defensiva. — Ela sorriu de canto, mostrando o quanto ela me conhecia, então aproveitou para espiar o forno e regar a carne que assava com seu molho especial.
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  Eu me mantive em silêncio apenas observando-a, em seus movimentos precisos no preparo do jantar.
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  — É gratificante para uma mãe ter uma filha tão dedicada aos estudos, nos traz um orgulho... — ela deixou suas palavras soarem com certo sarcasmo que só ela possuía, mantendo a atenção no purê batatas que iniciaria o preparo. — A tala em seu tornozelo também foi fruto dos seus estudos?
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  Ela parou e me olhou com atenção, mantendo a suavidade no rosto, o que me gelava por dentro, pois minha mãe sempre sabia quando eu mentia para ela. Engoli seco, respirando fundo para encontrar a melhor explicação para lhe dar.
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  — Eu... — fui reunindo coragem e me fazendo de vítima. — Tive um pequeno acidente, a senhora sabe que fiquei com sequelas no meu tornozelo.
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  — E isso foi antes ou depois de entrar para uma fraternidade? — Ela continuou me avaliando com o olhar.
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  — Foi no processo... — respondi meio confusa, não estava mentindo. — Como sabe sobre isso?
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  — Minha filha não me contou nenhuma novidade... Por um acidente, ouvi Beth contando ao seu irmão — respondeu ela, num tom chateado.
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  — Desculpa, é que as coisas foram acontecendo tão rápido e... — Fiz uma cara de choro para ela. — Sinto que perdi minha sanidade mental nesse começo.
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  — Oh, querida — ela abriu um sorriso acolhedor e se aproximou para me dar um abraço apertado. — As mulheres da nossa família são ímãs para acontecimentos de surto... Como está seu tornozelo?
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  — Agora está bem melhor que antes... — eu me afastei um pouco e olhei para ela, amava quando mostrava seu lado mãe amável. — Pelo menos parei de tomar remédio para dor.
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  — Também, com dois enfermeiros particulares... — comentou ela, num tom malicioso, arqueando a sobrancelha direita.
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  — Mãe?! — A repreendi com respeito.
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  Uma gargalhada saiu dela, bem espontânea que me fez rir junto.
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  — Sabe, esse tipo de situação não se restringe apenas a você, querida — contou ela, voltando a se aproximar da bancada para voltar ao preparo do jantar. — Quando eu tinha a sua idade, também fui disputada por dois garotos maravilhosos... Dos quais não conseguia escolher.
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  — Sério? — Eu estava chocada com esta revelação. — Por essa eu não esperava.
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  Minha mãe riu baixinho agora, parecia recordar sua época de juventude, então um suspiro saudoso surgiu dela, me deixando ainda mais curiosa.
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  — Sim, tenho que confessar que inicialmente esta loucura foi proposital, fiz uma aposta com uma rival que era tão popular quanto eu... Kimberly Newest — contou ela, demonstrando satisfação em ter aparentemente vencido a tal aposta.
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  — A primeira dama? — Boquiaberta eu estava.
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  — A própria — confirmou ela, com um sorriso de canto bobo no rosto. — Éramos rivais no colegial, ela com seu grupinho de líderes de torcida e eu com meu grupinho de garotas nerds disfarçadas de hipsters. 
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  — Devo presumir que seu grupinho era composto pela tia Eva e a tia Rachel? — indaguei, me referindo a suas melhores amigas das quais, sim, eu considerava como minhas tias de coração.
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  — Elas mesmo, nossa popularidade sempre foi muito invejada pelas líderes de torcida, ainda mais por nossos lucrativos serviços prestados à comunidade acadêmica — contou ela com uma risada discreta final, parecia se lembrar de sua época de travessura.
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  — Ah, sim, a máfia que a senhora mantinha com seu tráfico de provas e suborno de trabalhos escolares — sussurrei de leve, voltando ao choque de minha descoberta do último ano do colegial.
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  — Não era uma máfia, nossa organização tinha princípios, mocinha. — Ela me olhou com repreensão. — As informações que passávamos adiante eram precisas e tinha um preço a ser pago, eu não passava cola para qualquer um.
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  — Apenas para quem pagava mais — resmunguei de leve.
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  — Pelo menos eu lucrava com isso, e você? — Ela manteve o olhar em mim. — Seja como for, é melhor que os outros te devam e não o contrário.
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  Isso tá me lembrando certos reis de Princeton.
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  — Ok, agora continue a história da aposta — eu puxei uma banqueta e mantive o olhar atento a ela — estou curiosa.
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  — Bem, com essa disputa para ver quem era a mais popular, fizemos uma aposta. — Ela voltou sua atenção para o purê de batatas, as palavras soavam com tanta serenidade dela. — A líder que conquistasse o menino mais popular da escola venceria... Era fácil, porém havia dois indivíduos em xeque, o capitão do time de basquete e o presidente do grêmio estudantil também editor chefe do jornal da escola.
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  — E o que aconteceu? — perguntei, debruçando meus cotovelos na bancada à minha frente.
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  — Aconteceu que enquanto a líder de torcida tentava conquistar o capitão do time, eu apenas os ignorei como se não me importasse com a fama deles — explicou ela, com o olhar saudoso da época. — Enquanto todas as garotas suspiravam quando eles passavam, eu seguia agindo como se não existissem, até que fomos designados pelo diretor a organizar o baile dos veteranos e finalmente tive a oportunidade de deixá-los interessados em mim sem me esforçar tanto, apenas tratando eles com indiferença.
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  — O típico eu só vim pela comida — confessei percebendo o ponto da questão.
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  — Curiosidade, o ser humano nunca resiste a sua curiosidade, e foi isso que eu despertei em ambos e os fiz ficar interessados. — Minha mãe desligou a trempe da panela de purê e a tampou em seguida.
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  — E a senhora conseguiu escolher entre o capitão e o presidente? — indaguei, ainda impressionada.
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  — O que você acha? — A voz do meu pai soou da porta dos fundos da cozinha.
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  De imediato voltei meu olhar para ele, que com um sorriso bobo no rosto, caminhou até minha mãe e a abraçou por trás, lhe dando um beijo em seu pescoço.
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  — No final, o presidente do grêmio estudantil levou a melhor e o capitão se casou com a líder de torcida, como prêmio de consolação — brincou meu pai, recebendo uma cutucada discreta da minha mãe.
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  — O prefeito Nolan? — Agora eu estava chocada.
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  — Por que está contando a nossa história para ela? — perguntou ele, com o olhar desconfiado para nós duas.
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  — Porque sua filha trouxe dois cavalheiros para o Natal, estão na nossa sala. — O que minha mãe tinha de direta e sincera, ela não tinha em guardar segredo.
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  — Olha só, herdou poderes da sua mãe — brincou ele, rindo baixo.
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  — Pai, eu juro que não fiz nada e nem teve uma aposta envolvida — me defendi, sentindo constrangimento por seu olhar bobo.
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  — Não se sinta pressionada a escolher, filha, você é responsável por seus sentimentos e não o das outras pessoas, mas é responsável por aqueles que cativa, mesmo sem querer. — Ele piscou de leve para mim e dando um selinho na minha mãe se afastou para ir para sala. — Acho que as visitas inesperadas precisam conhecer o homem da casa.
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  — Não vai assustá-los — minha mãe soltou uma repreensão meio sarcástica.
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  — Claro que não, eles só precisam saber que minha princesinha tem alguém que zela por ela. — Soou com orgulho e satisfação.
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  — Pai do ano, que fala?! — disse minha mãe, em seu habitual tom de deboche.
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  Ele soltou uma risada, continuando a se afastar. 
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  — Mãe... — eu a chamei, depois de alguns minutos de reflexão.
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  — Sim — ela manteve o olhar mais sereno para mim, parecia saber minhas próximas palavras.
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  — Como a senhora soube que era o papai? — indaguei. — Não que eu esteja preocupada em escolher alguém, eu nem queria isso, mas...
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  — A situação te deixa ansiosa — completou ela.
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  — Muito — assenti, mordiscando o lábio inferior. — Tudo isso me assusta.
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  — Faça como eu, deixa o rio seguir seu curso e apenas tire proveito da situação se divertindo, não pense que você tem dois homens interessados em você, pense que são seus dois melhores amigos e deixe que o futuro se encarregue do resto, quanto mais você pensar em escolhas e se cobrar para fazê-las, menos você vai ter a chance de conhecê-los melhor e se divertir com a amizade deles.
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  — A senhora falando parece tão fácil — resmunguei, fazendo bico.
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  — Mas é fácil, e quando o momento chegar, você vai saber por quem seu coração bate mais forte.
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  — Quando descobriu que era o papai? — indaguei a ela, curiosa.
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  — No momento mais simples da nossa vida... — ela soltou um suspiro. — Quando vi sua carta de aceitação para Stanford e comecei a imaginar como seria sua vida lá e a minha na Universidade de Wisconsin... Senti um aperto no coração, algo que não aconteceu quando Nolan disse que iria para Oxford se graduar em ciências políticas.
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  — É emocionante a senhora contando. — Senti meus olhos marejados com a história.
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  — O amor é simples, minha filha, e bate à sua porta quando você menos espera — continuou ela, com sutileza nas palavras. — Você só precisa saber identificar quando é amor, paixão e apenas atração física. É difícil no início, mas logo será perceptível que os dois últimos desaparecem com a mesma rapidez que surgem, mas o amor é o único que perdura para sempre… E querendo ou não, não tem como amar duas pessoas na mesma proporção, quando conseguir definir seus sentimentos, vai perceber que um sempre vai se destacar mais em seus pensamentos que o outro.
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  Eu assenti com o olhar para suas palavras de reflexão e conselho materno. Minha mãe tinha seus momentos de autoritarismo e sarcasmo que me deixava indignada, mas no final de cada conversa ela sempre me orientava e aconselhava da melhor forma possível e com toda clareza baseado em sua vivência ao longo dos anos. Não demorou muito nosso momento fofo de mãe e filha, até que ela apontou para a pia cheia de vasilha suja.
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  — E já que você está aqui, pode começar — ordenou ela, com um sorriso maquiavélico no rosto.
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  Não me contive em rir também e em silêncio segui para minha tarefa.
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  Se tem algo na vida, é que ela é imprevisível, ainda mais quando se tem um pai como o meu, que ao invés de colocar medo nas visitas, se juntou a elas em um improvisado campeonato de cartas tendo até meu irmão envolvido, afinal, ele não perderia a oportunidade de mostrar sua maleta de poker profissional presenteado por sua esposa no Natal passado. Quem vê cara de sério e bravo, não faz a menor ideia do quanto meu progenitor era carismático, brincalhão e gentil.
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  — Eu encerro, por hoje — disse %Cedric%, ao abaixar as cartas da sua mão e colocar sobre a mesa. — Nunca fui bom em jogos de cartas mesmo.
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  Eu me mantive encostada na parede os observando de longe para não atrapalhar a concentração dos jogadores.
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  — Bem, acho que venci novamente — disse meu pai colocando sua sequência de cartas sobre a mesa e com sorriso de satisfação.
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  — Como o senhor fez isso? — questionou %Demeter% intrigado e boquiaberto com sua jogada. — Um Royal Straight Flush, três vezes seguidas é impossível, a probabilidade é extremamente baixa.
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  O olhar estático de %Demeter% na sequência de ás, rei, rainha, valete e dez de espadas do meu pai era impagável.
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  — A banca sempre vence — disse meu pai, puxando as fichas apostadas para perto dele.
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  — Eu não sei como ele faz, mas meu pai sempre rouba no poker — reclamou Joseph, sua derrota.
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  — Eu não roubo, intriga da oposição — brincou ele, se levantando. — Eu apenas tenho um forte amuleto da sorte.
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  Então ele voltou seu olhar para mim e piscou de leve, o que fez minhas visitas olharem também para minha direção.
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  — Está aí há muito tempo? — perguntou %Demeter%.
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  — Tempo suficiente para vê-los perder para meu pai, três vezes seguidas — comentei rindo deles. — Mamãe está chamando, o jantar está pronto.
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  As horas passam rápido quando nos divertimos, isso é uma realidade em minha casa. Enquanto meu pai ajudava a colocar nossa ceia na mesa de jantar, fiz minhas visitas lavarem as mãos no banheiro antes de se sentarem nas duas cadeiras recém colocadas para ambos. Propositalmente, eu me sentei no meio dos dois, com Beth em minha frente segurando o riso e o olhar analítico de minha mãe em minha direção. Acho que o único que entendia parcialmente a situação de ambas as visitas era meu pai, que também viveu a mesma situação inusitada.
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  — Eu me lembro de que nossa casa estava cheia pela manhã — comentou papai, rindo baixo, senti a indireta para mim.
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  — A casa sempre esvazia quando chega a hora da ceia, você sabe que eu expulso todos os nossos familiares — explicou minha mãe, voltando o olhar para as visitas. — Eles não sabem lavar os pratos após comer, então eu não os convido mais.
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  — Não se preocupe, mãe, minhas visitas são mais educadas que o resto da nossa família — disse num tom de brincadeira, fazendo eles relaxarem um pouco.
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  — Nós agradecemos muito o acolhimento, chegamos de surpresa e fomos tão bem recebidos — disse %Cedric%, em sua seriedade sutil e suave.
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  — E nos perdoem se parece estranho estarmos aqui e não com a nossa família — completou %Demeter%, mantendo a seriedade também.
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  — Vamos agradecer por nosso momento em família, minha princesinha está em casa finalmente. — Meu pai tomou a dianteira. — Senhor Deus, te agradecemos por este momento e pelo alimento...
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  Confesso que fiquei emocionada com suas palavras. O Natal sempre foi a data comemorativa mais aguardada por nossa família, o dia em que o amor de um pelo outro vencia nossas diferenças de opiniões e as distâncias causadas pela vida. Minutos após a ceia, nos reunimos na sala para a abertura dos presentes, me surpreendeu quando descobri que minhas visitas haviam levado cada um, o seu para mim. Foi descontraído e divertido a interação dos titãs de Princeton com minha família, e mesmo com os constantes olhares de minha mãe para mim, eu consegui dar boas risadas no processo.
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  — Estão confortáveis aí? — perguntei ao dar dois toques no corrimão de madeira, ao pé da escada no nosso porão.
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  Papai havia reformado o lugar nos meses que estive fora, transformando o espaço que era sua antiga oficina em uma sublime e bem decorada biblioteca. Será que ele estava vendo os Irmãos à Obra sem mim? Pensei comigo.
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  — Confesso que quando seu irmão nos trouxe para cá, achei que fosse o nosso fim — brincou %Demeter% ao erguer seu corpo, já despojado em cima do tapete.
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  — Não somos tão mercenários assim, apesar de o tráfico de pessoas ser lucrativo — brinquei voltando meu olhar para %Cedric%, que havia se encostado no braço do sofá. — E você não vai aderir o carpete?
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  — A cinderela não dorme em lugares que não tenha seda pura — respondeu %Demeter% em risos de provocação.
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  — Há... Há... — soou com ironia de %Cedric%, me fazendo rir junto. — Jogamos no pedra, papel e tesoura, ele perdeu.
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  — Hum... — eu segurei um pouco o riso desta vez e permaneci onde estava os olhando. — Agradeço pelos presentes e por se comportarem, mas sendo sinceros, por que vieram?
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  — Já respondemos, queríamos passar o Natal com você. — %Cedric% tomou a frente para responder.
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  — Vocês sabem que não vou prometer nada a nenhum dos dois — reforcei minha posição.
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  — Não vamos forçá-la a nada se é disso que está com medo, apenas queremos passar nosso recesso de feriado na companhia da única pessoa que nos faz esquecer... — %Demeter% se calou, parecia lembrar o possível real motivo da presença deles ali, então abaixou o olhar para o chão.
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  Eu não iria invadir a privacidade deles, menos ainda forçar um assunto que pudesse ser incômodo aos dois, então apenas me mantive em silêncio mesmo sabendo que havia sim algo mais sério por trás daquela repentina visita.
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  — Nós só queremos passar estes dias de inverno com nossa melhor amiga — completou %Cedric%, parecendo ser um pouco solidário ao silêncio repentino do leão. — Apenas se você quiser, é claro.
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  — Vocês ceiaram com meus pais e vão dormir no porão, acreditem, já fazem parte da família. — assenti num tom acolhedor.
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  O olhar fofo e agradecido de ambos veio em minha direção me deixando ainda mais derretida. Eu posso guardá-los em um potinho e mantê-los ali pra sempre?
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  — Vai dormir agora? — perguntou %Demeter%.
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  — Por que a pergunta? — indaguei.
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  — Não sei a bela adormecida aqui, mas eu estou sem sono... — ele deu um sorriso bobo e piscou de leve.
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  — E você pretende fazer o que, Elsa? Cantar Let it Go e ir brincar na neve? — retrucou %Cedric%, entrando na provocação com bom humor.
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  — Comportem-se, princesas, que meus pais estão no andar de cima e eu... Estava planejando voltar para minhas séries que foram abandonadas à força — disse mantendo o humor no ar.
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  — Não seja por isso — %Demeter% puxou uma almofada, a posicionou ao seu lado e depois deu umas batidinhas no chão me chamando — meu tablet pega Netflix.
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  — Ela não vai se sentar aí com você. — %Cedric% se colocou na minha frente. — Estamos fora de Princeton, mais ela ainda é minha caloura.
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  Eu o olhei admirada, sabia que em parte era seu lado ciumento.
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  — Nossa, que instinto protetor de irmão mais velho — disse brincando, ao me colocar ao seu lado.
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   %Demeter% soltou uma gargalhada maldosa em provocação, certamente pelo "irmão" de minha frase. O olhar insatisfeito de %Cedric% virou para mim, me fazendo rir mais ainda, o que o levou a rir discretamente também.
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  — Que tal sentarmos no sofá e aproveitar da tv que temos aqui então — eu me afastei dele e ao pegar o controle, sentei bem no meio para não causar mais divergências. — A não ser que queiram dormir.
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  O olhar de ambos parecia de cachorro abandonado, de tão fofo que estava. Eu sabia que por mais que minha mente estivesse cansada pela viagem e pela agitação do dia de Natal, nossa noite de maratonas seria longa e interessante.
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Em uma longa e fria estação
Você é o calor que permanece em meu casaco
Estou me preenchendo com essas memórias quentes.
- Christmas Day / EXO

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Lelen

Ai, gente, eu já amo uma família *—-*
E Demeter e Cedric juntos como quase amigos é a coisa mais maravilhosa que já vi. Preciso de mais cenas com eles se dando bem e… COMO ASSIM ESSE TIPO DE COISA É DE FAMÍLIA? posha, me passa um pouco disso, Annia, por favor. Eu tô aceitando HAHAHAHHA
O que os próximos dias nos reservam? E será que as famílias deles não vão se incomodar com a falta da presença deles no Natal? /humm
PODE CHEGAR, PRÓXIMA ATT!

Pâms

❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤❤

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