Respect

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Any

Capítulo 4

Tempo estimado de leitura: 15 minutos

- Senhor %Hart%, pediu para me chamar? - ouço sua voz adentrar em minha sala e o encaro, apontando com minha mão espalmada para a cadeira em minha frente e ele silenciosamente se sentou. Me levanto e coloco as mãos na cintura, andando de um lado para o outro, até decidir seguir a porta e dizer a Úrsula antes de fechá-la:
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  - Estou em uma reunião, não quero uma ligação até ela ter terminado. - não esperei uma resposta.
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  Eiken me encarava com suas sobrancelhas erguidas. Seus cabelos brancos cuidadosamente penteados. Me sento na cadeira ao seu lado:
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  - Você sabe sobre todos os funcionários desta empresa. - junto minhas mãos. - O que sabe sobre %Jennifer% %Mendes%?
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  - Senhorita %Mendes%? - ele demonstra surpresa. Concordo. - Senhor %Hart%...
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  - Ela está mexendo com a minha vida, quero saber com o que estou lidando. - invento uma desculpa qualquer.
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  Ele me olha um pouco desconfiado e eu tenho certeza de que ele não engoliu minha história, mas essa não era minha preocupação do momento.
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  - Tudo o que sei é que ela é uma ótima secretária. Se mantém no mesmo cargo desde que entrou na empresa e senhorita Kara não tinha coragem de dispensá-la por ela ser organizada demais, o que a ajudava. Nunca trabalhou em nenhuma outra grande empresa antes, mas mantém um currículo muito bom desde que ingressara aqui. Não sei o que deu em você, senhor %Hart%, para colocá-la como assistente de atendimento, mas parece que alguns clientes viram o causo e estão tentando tirá-la daqui.
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  - Como assim? - me endireito.
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  - Por exemplo, Michael Trotter, da Golden Bank quer que ela seja sua assistente pessoal, oferecendo o dobro do seu salário quando ela estava no cargo de secretária provisória. Já Bill Martins quer que ela cuide da empresa da Alemanha, lhe oferecendo moradia e também o dobro de seu salário anterior. Andrew Genes a quer como diretora de negócios. Gostaria que eu continue?
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  - Ela demonstrou interesse em algum?
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  - Senhor %Hart%, há algum problema...
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  - Apenas responda, por favor. - digo sério e ele respirou fundo, piscando lentamente os olhos e dizendo:
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  - Tem uma entrevista no sábado com Trotter.
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  - Sábado? Ela trabalha sábado.
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  - Não mais. - ele me lembra. - Agora o horário dela é das nove e meia da manhã às seis e meia da tarde, de segunda a sexta.
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  Me levanto um tanto nervoso. Eu havia acabado com a única coisa que a prendia à empresa. Lembro-me do que ela disse sobre pensar demais no tempo livre. O tempo livre não estava me ajudando.
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  - O senhor gostaria...
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  - Não, não. É só. - respondo avoado e não o vi sair da sala. Olho no relógio, 7 da noite. Pego meu celular e passo por Úrsula.
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  - Já vai, senhor?
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  - Peça meu carro. - me limito a dizer e lhe dou as costas, caminhando rapidamente até o elevador da empresa. Funcionários davam meia volta para não encontrarem comigo, principalmente aqueles que viam minha séria expressão. Os que já estavam dentro do elevador rapidamente saem dele, me deixando sozinho. Aperto o subsolo e demoro mais um minuto e meio para chegar ao andar. Assim que saio, minha Cayene está estacionada em frente ao elevador, o manobrista abre a porta para mim e enquanto fecha, eu terminava de colocar o cinto. Acelero para fora do estacionamento e sigo em direção ao centro, não muito longe do prédio.
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  O prédio era residencial e meu. Havia investido nele para que pudesse ser levantado. Comprei as ações da terra e do céu acima deles, para que não pudessem mais construir nada acima sem minha permissão. Sem me identificar, pego o elevador até o décimo andar. O elevador para, como se estivesse sido parado pelo botão de emergência. Me esqueço que eles travavam no andar e os condôminos deveriam digitar suas senhas para que a porta se abrisse. Pego o interfone e peço para o porteiro interfonar para %Jennifer%, que não demora a atender.
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  - Abra a porta. - ordeno e pouco tempo depois, lá está ela do outro lado da porta do elevador, com um short e uma blusa regata, com seus cabelos muito úmidos e uma toalha da cor creme em mãos. Sua expressão surpresa. Dou um passo, a fazendo recuar o mesmo tanto.
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  - Não vá na entrevista de Trotter. - digo sem tomar conta de minhas palavras. Ela muda sua expressão para uma entre confusa e desconfiada.
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  - Como?
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  - Sua entrevista com Michael Trotter no sábado. - explico. - Não vá.
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  Ela ficara mais um tempo sem nada dizer, até abrir a boca novamente:
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  - Não sei como sabe...
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  - Eu sei de tudo, %Mendes%. Não vá nessa entrevista.
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  - E por que eu deveria faltar? - ela cruza os braços e eu fora pego de surpresa. Fecho os olhos e bufo, tentando arranjar alguma maneira de demonstrar minha situação. Lhe dou as costas, volto a encará-la, dou um leve soco no batente do elevador e massageio minha testa com minha mão fechada em um punho. - Senhor %Hart%...
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  - Eu não quis te tirar de seu cargo! Na verdade, eu sequer queria que saísse de férias! - digo em um impulso, fazendo-a se assustar. Aperto meus lábios e completo a afeição com uma careta, mas mantenho minha atitude de contar. - Não há ninguém mais eficiente que você dentro da empresa e eu estava alterado quando mandei Úrsula tirá-la de seu cargo. Eu queria que ela saísse do cargo. Não você.
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  - Senhor %Hart%, não precisa se justificar...
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  - Se eu não me justificar, você irá aquela entrevista. - a encaro finalmente em seus olhos e ela parecia ter visto algo lá, pois recuou alguns poucos passos, fazendo com que eu desviasse os olhos dela. - Nenhum cargo é bom o suficiente para você e o único que acho que você estaria satisfeita, é aquele que você recusou. Mas não quero saber que a perdi para uma empresa rival. Me sentiria o ser mais tolo do mundo. Eu sei do seu potencial, %Jennifer% %Mendes%. E conviver com você aqueles dois meses me fez pensar menos em meus lucros e mais em minhas ações. - caminhava de um lado para o outro, como se estivesse em minha sala, nervoso com alguma queda na bolsa de valores. - Eu queria era mais provar para você que eu não era o cara que você idealizou. O cara que só pensa em dinheiro e bens materiais, independente de qualquer outro sentimento existente. Eu tenho sentimentos.
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  Ela se manteve calada todo o tempo, me olhando surpresa e sem falas. Abria a boca para dizer algo, mas rapidamente a fechava. Aguardo por algum sinal de que ela iria lhe dirigir à palavra. Mas nada disse.
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  - Não faça aquela entrevista. - digo pela última vez. Ela balança a cabeça de modo que parecia que estava tentando espantar algo.
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  - Senhor %Hart%, com todo respeito, eu nunca quis que o senhor pensasse que tenho uma má percepção do senhor. O admiro muito mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Mas nada justifica o fato de o senhor ter me rebaixado ao meu cargo, acho injusto vir até minha casa pedir para que eu não procure uma maneira melhor de lidar com minha vida.
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  - Não foi por querer. - falo passando a mão no rosto.
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  - Mesmo assim...
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  - Eu estava pensando demais em você! - a corto, aborrecido. - É a única coisa que ando fazendo. Correndo atrás de alguma aceitação sua! Você se fecha e tudo o que eu quero é descobri-la. É como um maldito imã! Está fora de meu controle! Se você quer que eu haja corretamente com você, então pare de me fazer querer provar algo para você!
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  Ela me encarava surpresa e ao perceber, eu estava a prensando na parede, meu rosto vermelho e minha respiração acelerada. Ela me olhava assustada e apertando suas toalhas entre suas mãos. Encosto minha testa na sua.
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  - Eu não quero me apaixonar... - sussurro.
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  - Não estou...
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  - Não fale nada. - murmuro. - Você só irá me atiçar ainda mais.
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  - Senhor %Hart%...
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  - Eu não sou seu senhor. - falo em desdém. - Não mais. - A sinto se remexer em desconforto em minha frente e então, um tempo depois, seus dedos se entrelaçarem aos meus.
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  - Pare de se achar o dono do mundo. - apesar de a frase em si ser ofensiva, o tom de voz que ela usou demonstrou que ela não estava querendo me atacar, mas sim a formulara em forma de um pedido. - Por favor.
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  Senti o cheiro cítrico de seus cabelos ainda úmidos. Agora que estava mais calmo, podia sentir sua pele exalar um cheiro doce em contraste com o dos cabelos. Eu encarava nossos pés, os dela tão pequenos comparados aos meus. Baixei meu rosto e depositei um beijo em sua bochecha, ao seguir para o outro lado, vi que ela fechara seus olhos e senti que ela agora apertava a barra de meu terno. Beijei o outro lado. Aproximei meus beijos do canto de sua boca e pude sentir o odor e breve gosto da pasta de dente de menta. Seus lábios capturaram os meus e fora como se eu nunca tivesse feito isso em minha vida.
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  Suas mãos apertavam meus braços e caminhavam lentamente para meus ombros agora relaxados. Ao mesmo tempo eu enlaçava sua fina cintura em meus braços e a puxava para ainda mais perto de mim. Em seguida, suas mãos bagunçavam meus cabelos e eu acariciava o pedaço descoberto de sua cintura. Nossas línguas dançavam. Não sei quanto tempo ficamos assim, mas fora tempo o suficiente para eu voltar a mim mesmo. Voltei a mim e não recuei. Mantive o beijo acontecendo. Pela primeira vez em anos, ou talvez eu possa arriscar dizer ser a primeira vez em minha vida, eu senti o que dizem se sentir nos filmes. O coração pulsava em diversas partes do corpo agora, mas a sede, bem no lado esquerdo do peito, lá ele estava prestes a saltar para fora. Lentamente fomos desfazendo o beijo, passando a pequenos estalos, a respiração descompassada. Abro meus olhos, vendo-a com a cabeça para baixo, encarávamos nossos pés.
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  Ela demorou um pouco para levantar seu rosto, pude ver suas bochechas coradas e seus lábios inchados. Tinha uma expressão de culpa e receio. Ao abrir a boca, a cortei antes que me enervasse com suas palavras:
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  - Não se desculpe.
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  Ela pareceu um tanto atordoada com minha reação e tornou a separar os lábios, mas mais uma vez eu fui mais rápido:
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  - Eu estou apaixonado por você.
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  Era como o sol em um dia de verão com o vento refrescante do outono, o céu muito azul e limpo do inverno e o cenário florido da primavera. Infelizmente, todo meu poder era limitado a bens materiais na Terra, não a eventos naturais do mundo. Mas se tivesse, talvez seria dessa maneira que descreveria o dia de hoje.
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  - Gostaria de segurá-lo? - ouço, saindo de meu transe. Encaro a enfermeira, que estava em meu lado no berçário do hospital particular da cidade, onde %Jennifer% estava internada para dar a luz ao nosso filho.
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  - Posso? - olho para ela ansioso e recebo um calmo sorriso.
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  - Me siga. - ela se dirige a uma porta no lado direito do enorme vidro que mostrava diversos bebês se mexendo ou dormindo. Me pede para colocar um avental e uma touca. Ao entrar no lado oposto de onde eu estava há alguns minutos, posso sentir o cheiro de recém-nascido banhado e perfumado. Era agradável e produzia um efeito calmante no espírito. Ela pega o pequeno ser que era do tamanho de meu antebraço. Sorrio com todos meus dentes, vendo William se mexer em meus braços.
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  O que antes eu me perguntava como as pessoas eram capazes de identificar a quem o bebê puxara, sendo que todos eram muito parecidos uns com os outros e não parecidos com ninguém da família, agora eu podia dizer que ele era a cara de meu pai. William era Hugo %Hart% escrito. %Jennifer% dissera durante a gestação que o primeiro filho quando homem normalmente puxava à mãe. Ela ficaria bastante desapontada em ver que não era verdade.
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  Havíamos nos casados assim que descobrimos a gravidez de %Jennifer%, há quase nove meses atrás. Ela engravidara dois meses e meio depois de nosso primeiro beijo. Com a gravidez, veio o casamento. Com o casamento, veio a família. E com a família, veio os gastos.
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  Pela primeira vez em minha vida, eu gastara meu dinheiro sem pensar no verde sendo retirado de meu cofre no banco central de Nova Iorque. Comprei uma nova casa, mobiliamos da maneira que %Jennifer% gostava. Criamos juntos o quarto de William e contratei diversas empresas de segurança e empregadas domésticas para fazer com que %Jennifer% não se esforçasse nunca. Ela agora tinha um cartão de crédito sem limites em seu nome, que tinha conexão direta com minha conta principal e passei a trabalhar das dez da manhã, às cinco da tarde e em casa nos finais de semana, coisa que se extinguiria agora que Will chegara ao mundo.
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  Minha mulher estava sendo tratada como uma dama. Ou como a mulher do cara mais poderoso do mundo. Seu problema com a solidão havia sido resolvido, portanto, não havia motivos para ela voltar ao seu trabalho. Seu único trabalho agora era cuidar de mim e nosso filho. O que posso dizer ser um grande trabalho para um bebê que gosta do carinho da mãe e um marido que gosta de sua atenção.
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  O que ela não sabe ainda, e provavelmente não saberá até se dar conta por si própria, é que a única pessoa no mundo a quem respeito e tenho alguma consideração e preocupação, além de forte sentimento, era ela. E enquanto isso se manter em mim, nossa vida seguirá como está agora.
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  Posso dizer que nosso 'felizes para sempre' está muito bem garantido pela única pessoa que um dia me disse que meu maior problema era minha ambição.
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Fim

  Nota: Respect é uma das minhas fanfics que não canso de reler, espero que tenham gostado!
  Não deixem de ler a segunda parte!

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Ana Karla

QUE FIC MARAVILHOSAAAAAA! AMEI DE VERDADE <3

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