Respect

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Any

Capítulo 3

Tempo estimado de leitura: 24 minutos

Depois de dois meses do evento, nossa relação continuava a mesma. %Jennifer% era tão profissional quanto qualquer outra empregada da empresa. Eu não a chamara mais para me acompanhar em algum evento, ao contrário do que ela provavelmente esperava, convidei outras empregadas, que se sentiram tão superior a ela. Como o esperado, ela não reclamara, não demonstrara desconforto e mantivera sua postura de sempre. Eu ouvia quando estava com a porta do escritório aberta, mulheres passarem em sua mesa e perguntarem sobre mim, ou dizerem o quão bom havia sido o nosso encontro.
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  - Talvez você não tenha sido uma boa companhia, %Mendes%. - ouço uma voz dizer a %Jennifer%.
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  - Talvez. - ela concorda.
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  - Pois vejamos a situação, ele me convidara pela terceira vez semana passada, e bom, você não terminara transando com ele, não é?
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  - Não.
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  - Então quer dizer que você não foi tudo o que ele esperava.
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  - Pode ser que não.
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  - Não seja tão exagerada, Ursula, todo mundo sabe que %Jennifer% não se sente atraída pelo senhor %Hart%. - aquilo me prendeu. Parei de olhar para a tela do computador e encarei a porta. Ela não se sentia atraída por mim. Isso não era parte de meu cotidiano. - Não sei o que você faz para conseguir essa proeza, %Mendes%, mas acho que você deveria considerar o belo partido que ele é.
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  - Eu só sou a secretária provisória dele.
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  - Exatamente por isso, você tem mais chances de ficar sozinha com ele, devia tentar alguma coisa. Não o acha bom o suficiente?
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  - Fora de mim! - ela responde rapidamente. - Senhor %Hart% é uma das pessoas que mais respeito na vida.
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  - Você deveria ser mais ousada, %Jennifer%. Aproveitar que Kara não está aqui para pegar o cargo dela.
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  - Não quero atrapalhar a vida dela. Acabou de ter um bebê, precisa do dinheiro.
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  Ouço murmúrios impacientes.
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  - Talvez seja por isso que o senhor %Hart% não dormira com você ou a chamara para uma segunda vez. Porque você não excede nenhuma expectativa. Você se mantém neutra a tudo e só dá a opinião quando lhe pedem. É uma santa.
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  Não ouço resposta. E ela nunca veio. Depois de um tempo, ouço a porta de vidro bater, e chamo %Jennifer%, que entra com sua expressão de sempre e o seu famoso bloco de anotações.
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  - Peça para Genéve pegar meu novo carro na concessionária e peça para Brown planejar um voo para Tucson para quatro pessoas.
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  - Sim senhor. - ela responde impassível e balanço minha mão, dispensando-a.
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  Mas minha atenção ainda estava nela. Pensei em diversos modos de abordar o assunto com ela, até que me toquei que eu não precisava dar-lhe alguma satisfação. Ela era minha empregada e tudo o que fazia era para o meu bem e também o dela.
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  Quando dera onze e meia, resolvi deixar o escritório. Eu havia ficado até mais tarde de propósito para ver se ela ia embora antes ao menos uma vez em toda sua carreira dentro da empresa. Doce ilusão.
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  - Boa noite, %Mendes%.
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  - Boa noite, senhor %Hart%. - ela murmura me encarando. Da mesma maneira de sempre, a ignoro, caminhando para fora do escritório.
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  Diferente das outras vezes, minha curiosidade em saber o motivo dela sair sempre depois de mim era maior. Fiquei entrosado em uma conversa com James, o faxineiro.
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  - Ela algumas vezes diz para eu ir embora mais cedo, diz que é mal educado sair do trabalho antes do senhor. - a fraqueza em sua voz mostrava o poder da idade atacando. James já era um senhor, mas limpava por opção. Gostava de conversar com as pessoas e ver o movimento da empresa. Ofereci uma bela aposentadoria, pois sua vida inteira ele estivera dentro deste prédio, do período da manhã até a noite. Eu cresci com ele me observando. Não aceitou minha oferta. Disse que a vida está próxima do fim demais para ele gerar algum lucro e como não tivera filhos e nem uma mulher, não havia alguém a quem deixar algo. - Não cometa o mesmo erro, senhor %Hart%. - ele dizia. - Não termine sozinho como eu.
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  Concordo com o que ele disse e afirmo que uma hora acharia alguém para mim. Ele pareceu acreditar.
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  - De todas as mulheres que vi passar por essa empresa, a única que sei que seria do gosto do senhor é a senhorita %Jennifer%. Sua bondade excede sua eficiência no trabalho. - o questiono por que ele mencionada aquilo. - Toda vez que o senhor sai, ela me liga dizendo que eu podia subir para limpar o escritório do senhor. Quando subo, parte de suas papeladas estão organizadas e ela cuida para que tudo esteja no devido lugar para quando o senhor chegar no dia seguinte. Consigo ver a exaustão estampada em seu rosto, mas a dedicação é sempre a mesma. Um dia perguntei se ela não pensava em crescer profissionalmente.
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  - E o que ela respondera?
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  - Nada. Ela apenas deu um de seus belos sorrisos, que escondem muitas verdades. É uma boa garota, com experiência de vida e um futuro promissor, se me permite dizer, senhor %Hart%.
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  Sorrio e vejo na câmera de segurança %Jennifer% ir até o telefone e em seguida o aparelho ao lado de onde James estava tocar. Ele sorri e aponta para a mesma, atendendo:
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  - Olá, querida.
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  - Boa noite, James. Desculpe a demora, o senhor %Hart% saiu mais tarde hoje.
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  - Não há problema, querida, já estou subindo.
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  - Se quiser ir embora...
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  - Já disse que não há problema. Dois minutos e estarei aí. - e desliga. Me encarou com um sorriso. - Fique à vontade, senhor %Hart%. - e balançou a cabeça em despedida. O vejo caminhar lentamente até o elevador e em menos de um minuto, sumir. Sento-me em sua cadeira e olho para a tela da câmera. O segurança entende que era uma questão de privacidade e se afasta de mim. Aperto alguns botões e aumento a tela onde %Jennifer% estava. Vejo-a caminhar de sua mesa para minha sala, organizando os papéis, como James havia dito. Também trocava algumas flores e esborrifava um aromatizante pelo local. Vejo-a abrir a porta para James e ajudá-lo a limpar a sala, sempre sorrindo. Devido à ajuda, o trabalho fora mais rápido e ele a espera pegar seu casaco e sua bolsa, para então se dirigir para o elevador. Chamo o segurança e peço para trazerem meu carro rapidamente, o que foi prontamente atendido. Aguardei a saída de %Jennifer% com James do prédio e a vi olhar para os dois lados, não percebendo que meu carro estava ali.
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  Alguns minutos se passam e um táxi para em frente ao local, %Jennifer% abre a porta para James, que nega com a cabeça. Entrefecho meus olhos, não acreditando no que ela estava fazendo. Ele negava veemente com a cabeça, e tudo o que ela fazia era empurrá-lo para dentro do carro com um belo sorriso em seus lábios. Depois de muita discussão, James cedera e partira dentro do táxi. A vi então desfazer seu sorriso e apertar a bolsa contra o corpo. Começara a caminhar para o lado oposto de meu carro, e, com os faróis desligados, comecei a segui-la.
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  Ela caminhava olhando para os lados, provavelmente com medo de que algo pudesse lhe acontecer. A rua estava deserta e já passava da meia noite e meia. Todos os transportes públicos da cidade estavam fora de andamento, a impedindo de pegar um para chegar em sua residência. Vejo-a continuar caminhando sem parar. Sempre cautelosa. Sem tomar conta de meus atos, ligo os faróis e acelero para mais perto dela.
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  - O que está fazendo aqui a uma hora dessas? - digo com o vidro do carro aberto. Ela me olha surpresa. - Sabia que pode ser assaltada?
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  - Não há mais transportes públicos. - ela responde.
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  - Entre no carro. - digo e ela me olha receosa. - Você espera chegar em sua casa ainda hoje? Ela fica no outro lado da cidade. Entre no carro.
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  Sem me questionar, ela abre a porta e se senta no banco passageiro, ainda calada. Acelero em direção a Chinatown. O silêncio dentro do carro não era tão perturbador. Olho no relógio, que batia quase uma da manhã. %Jennifer% sempre chegava às sete e meia.
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  - Você não precisa sair depois de mim sempre. - digo.
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  - Faço porque gosto.
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  - Eu sei. Mas voltar a pé para casa toda vez que eu decidir ficar até mais tarde na empresa não é a melhor maneira de me demonstrar que se preocupa com seu cargo.
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  - Sim senhor.
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  A impassividade dela estava começando a me irritar. Resolvo não dizer mais nada. Não demoramos a chegar em Chinatown. Paro em frente ao seu prédio e a vejo me olhar depois de ter tirado o cinto de segurança.
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  - Obrigada, senhor %Hart%.
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  - Não há de quê. - respondo e ela abre a porta. - Hey. - a chamo e a vejo olhar para mim. - Tire uma folga hoje.
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  - Mas--
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  - Faça o que eu digo. Tire uma folga.
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  Ela continuou parada na porta me encarando e concordou com a cabeça.
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  - Sim senhor.
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  - Até sábado. - respondo, dando a certeza de que ela iria voltar a trabalhar no sábado. Porém, talvez eu não tivesse tanta vontade de trabalhar no final de semana, o que a faria ficar mais dois dias dedicados para ela.
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  Sábado chegara e eu resolvi voltar à questão da publicidade da empresa. Tudo era movido através da publicidade, e acho que está mais do que na hora de renovarmos o comercial da empresa. Enquanto conversava com %Jason%, digito o número automático, ligando para %Jennifer%. Era a primeira vez que ela não me atendia logo no primeiro toque. Nem no segundo. Estranhei. Tornei a ligar mais uma vez.
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  - Aconteceu alguma coisa, %Eth%? Parece ansioso?
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  - Nada, só um fato que nunca havia acontecido. Escuta, %Jason%, podemos conversar sobre isso depois? Acabo de lembrar que preciso passar em um lugar agora.
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  - Tudo bem. - ele se levanta. - Tem certeza que está bem? Você não para de digitar números no celular.
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  - Está tudo ótimo. - respondo pegando a chave de meu carro. Nos separamos para entrarmos em nossos carros e continuo tentando ligar para %Jennifer%. Já era a sexta chamada perdida. Havia algo muito esquisito acontecendo. Ligo para a empresa e lá dizem que ela não havia aparecido. Ligo para um contato que pedi que ela entrasse em contato para mim até ontem e ele dissera que ela ligara ontem e que iria retornar hoje às oito, porém não retornara. Acelero mais meu carro até Chinatown e não demoro a chegar em frente a seu apartamento, onde estavam também paradas algumas viaturas da polícia.
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  - Bom dia. - digo me aproximando, mas logo sou impedido por uma das autoridades.
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  - Bom dia, senhor %Hart%, sinto dizer, mas o senhor não pode entrar aqui.
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  - Tenho uma conhecida que mora aí. - tento enxergar algo, mas tudo o que vejo são famílias do lado de fora apavoradas e outras mulheres chorando. - Posso saber o que aconteceu?
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  - Um bando de marginais invadiu a noite passada. Pegaram um dos adolescentes quando estava voltando para casa e entraram no prédio, passando de apartamento em apartamento para roubar bens materiais.
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  - Houve alguma vítima?
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  - Uma criança, dois homens e três mulheres. Um homem e uma mulher mortos.
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  Tento manter minha postura, mas um choque passa por mim. Olho acima, onde vejo a janela do apartamento de %Jennifer% aberta, com a cortina esvoaçando para fora.
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  - Gostaria de saber se minha conhecida está bem.
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  - Poderia dizer seu nome, senhor %Hart%?
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  - %Jennifer%. %Jennifer% %Mendes%.
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  - Só um minuto. - ele se retira e coloco as mãos no bolso, apertando-as dentro. O vejo conversar com outro homem e então apontar para mim. Este se aproxima.
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  - Senhor %Hart%?
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  - Sim.
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  - Sou Tenente Ellegan, o senhor é algo próximo de %Jennifer%?
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  - É minha secretária, mas a família dela já não está mais viva, por quê? Aconteceu algo?
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  - %Jennifer% sofreu estupro e fora alvo de pancadas. A mandamos para o hospital da zona norte, seu estado não é tão grave quanto de outras pessoas, mas não deixa de ser delicado.
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  Passo a mão no rosto deixando clara minha preocupação.
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  - E os bens dela... - começo a dizer e sou interrompido.
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  - Roubados. Parece que algumas coisas foram escondidas abaixo do assoalho, gostaria que me acompanhasse, pois está no nome do senhor.
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  Contra minha vontade, acompanhei o tenente até uma delegacia móvel. Ele retirou alguns sacos plásticos transparentes, onde pude identificar todos os documentos e relatórios da empresa intactos.
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  - Acredito que isso pertença à sua empresa, senhor %Hart%.
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  - Sim, pertencem. - pego os pacotes de sua mão.
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  - Senhorita %Mendes% os escondeu antes dos bandidos chegarem em sua residência. Quando a encontramos, pediu que eu entregasse em suas mãos.
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  - Obrigado. - pego as sacolas e, antes de sair, sou chamado a atenção, me fazendo voltar a encará-lo.
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  - Não é todo dia que vemos uma secretária tão fiel assim.
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  Assinto e me afasto, voltando até meu carro e ligando para meu mordomo pedindo a transferência de %Jennifer% para o melhor hospital de Manhattan. Enquanto falava ao telefone, me dirigia diretamente até o hospital onde eu a pedi para transferi-la e ao chegar, iniciei o processo da papelada que alguém responsável por ela precisaria preencher. Demorara cerca de quarenta minutos para ela entrar no hospital em uma maca. Tive de esperar mais cinco horas para ser liberado a visitá-la.
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  Adentrei ao quarto e a pude ver assistindo a TV. Desviou seus olhos para mim e então os abaixou, mexendo nos fios que estavam de um lado em um saco de soro e o outro lado fincado em seu antebraço. Podia enxergar vergões ao redor de seu corpo e um lado de seu lábio cortado.
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  - Como está se sentindo? - pergunto.
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  - Melhor, obrigada, senhor %Hart%.
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  - Não precisa agradecer. - me sento na poltrona ao lado de sua cama. - Obrigado por salvar os documentos da empresa.
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  - Era o mínimo que eu deveria fazer.
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  - Eles roubaram o quadro de--
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  - Eu sei.
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  Fiquei calado. Eu conseguia sentir uma diferença no tom em sua voz. Dentre todas as coisas de valores que ela poderia ter em sua casa, desde o quadro herdado de sua avó, até algo valioso que sua família deveria ter deixado e fora roubado, %Jennifer% escolhera salvar minhas papeladas.
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  - O médico disse que terá de tirar férias.
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  - Consigo trabalhar--
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  - Não, %Jennifer%. - a corto sério. Ela me encara. - Você irá ter suas férias. Pedi para me trazerem seu histórico e vi que nunca tirara sequer um dia de folga, senão no dia que coincidentemente caía no mesmo dia de doação de sangue para os hospitais públicos.
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  - Senhor %Hart%, eu...
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  - Você irá fazer o que seu chefe mandar. - a corto. - E ele manda você tirar férias.
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  - Sim senhor. - ela diz contra sua própria vontade. Volta e encarar os fios.
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  - E você irá mudar para um lugar mais seguro, acho que é bem justo, senhorita %Mendes%, que passe a preservar mais a sua vida, escolhendo um lugar melhor para se viver. - não a ouço dizer nada. - Vou mandar providenciarem isso para a senhorita.
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  - Não é necessário, senhor %Hart%, sei dar conta disso.
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  - Estou vendo. - aponto para seu estado, a fazendo se calar. Me sento na poltrona. - Se você quer fugir da solidão, tem de parar de expulsar as pessoas de sua vida.
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  - E se o senhor quer manter sua conta bancária crescendo, deveria parar de perder seu tempo com empregadas.
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  Aquilo me pegou de surpresa. Me mantive calado enquanto a encarava boquiaberto. Talvez as pessoas realmente me conhecessem. Ou talvez eu seja transparente com minhas ambições. Mas o que eu realmente penso é que com certeza ela sabia de tudo sobre mim. Uma secretária deveria saber os caprichos de seus chefes, afinal. Não ouvi ela se desculpando, o que sempre acontecia quando ela interpretava que suas palavras tivessem machucado. Continuamos calados. Depois de um tempo a ouvi agradecer por trazê-la ao hospital e assenti, me levantando e saindo do quarto. Deixei que ela ficasse com seus próprios pensamentos, pois eu não saberia lidar com eles, já que nem os meus eu conseguia entender no momento.
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  Um mês depois eu já estava com outra secretária bem treinada. Não tão boa quanto %Jennifer%, duvidava que alguém tivesse a dedicação que aquela mulher tinha, mas melhor que Kara. Talvez o fato dela sempre fazer tudo esperando um retorno fizesse jus às suas ações, mas eu não nasci ontem.
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  Com relação à %Mendes%, eu comprei seu apartamento e contratei um designer que conseguiu deixar o ambiente bem próximo àquele que ela vivia em Chinatown. Não a recepcionei e nem tampouco entrei em contato com ela depois do dia no hospital.
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  A primeira vez que a vi fora na cozinha da empresa, onde ela preparava o café. Paro com as mãos em meus bolsos assim que vejo suas costas. Ela se vira, fechando a caixa dos filtros da cafeteira e eu podia ver um curativo na lateral de seu pescoço.
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  - Bom dia, senhor %Hart%. - responde e esperou eu respondê-la, mas nada mais faço senão balançar a cabeça em concordância. Ao perceber que não iria lhe dirigir a palavra, torna a me dar as costas, voltando sua atenção ao café.
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  - Desde quando está de volta? - sigo até a geladeira e pego uma garrafa de água.
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  - Segunda. Úrsula me ligou dizendo que eu deveria voltar.
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  - Úrsula? - tento me lembrar se havia pedido para ela trazer %Jennifer% de volta.
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  - Sim, disse que se eu ficasse mais tempo de férias, seria demitida.
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  - Ela disse isso? - levanto uma sobrancelha, encostando na parede oposta a onde ela estava.
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  - Sim senhor. Com licença, tenho que voltar a trabalhar. - ela se dirige para a porta, mas estendo meu braço direito, impedindo-a de passar.
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  - Eu não terminei. - falo friamente e ela me encara bem em meus olhos, interpretei como se fosse uma intimação. Ela então deu um passo para trás e bebericou sua xícara. - Por que não voltou ao seu antigo cargo?
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  - Úrsula disse que ela estava no cargo agora. Que o senhor a nomeou quando saí.
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  A encarava sério. Tecnicamente, aquilo era uma verdade. Úrsula era a secretária provisória. O que ela pareceu não entender, é que ela era a secretária provisória da secretária provisória. Mas %Jennifer% parecia muito bem onde estava.
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  - E em que cargo ela lhe colocou?
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  - Assistência de atendimento.
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  Aquilo só podia ser brincadeira. Era exatamente o que se passava pela minha cabeça sem parar. A pessoa que provavelmente era a mais eficiente de toda a empresa agora trabalha num dos setores mais inferiores, onde sequer os estagiários veteranos trabalhavam. Seu salário provavelmente diminuiu em 78 por cento. Baixei meu braço, e sem dizer mais nada, ela saiu da sala. A segui, mas fui em direção ao meu escritório. Chamei por Úrsula e esta entrara em minha sala sem um bloco de notas, ação que eu percebera desde a primeira vez que a chamei. Era uma bela mulher, com seus cabelos lisos e escuros e seus olhos azuis, havia um belo quadril e sempre trajava saias de cintura alta para que ficasse bem acentuada, diferente de %Jennifer% e suas calças sociais de risca de giz.
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  - Eu gostaria de saber com que frequência você transfere empregados meus para setores inferiores das que eles já estavam, senhorita Morgan. - eu me dirigia até minha cadeira e me sentava, a vendo me encarar confusa.
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  - Desculpe, senhor %Hart%, não estou a par da situação.
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  - Pois vamos te deixar a par. - apoio meus braços nos braços da cadeira e encosto na mesma. - Quem mandou a senhorita trazer %Mendes% de volta e dá-la o trabalho de assistência de atendimento?
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  - O senhor. - ela responde rapidamente. Mexo minha cabeça, apertando meus lábios e entrefechando meus olhos.
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  - Acredito que não.
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  - Bom senhor, fora exatamente o que o senhor disse... Em uma das últimas vezes que nós... - e limpa a garganta.
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  Paro para me lembrar e a imagem não demora a aparecer em minha mente. Eu estava bêbado, infelizmente não o bastante para poder culpar o álcool de minhas ações. Havia a levado para uma festa que %Rick% estava dando em sua mansão em Barbados. Obviamente eu e Úrsula dormimos juntos, e então a imagem de mim a mandando trazer %Jennifer% de volta e diminuir o cargo dela por estar ausente demais da empresa.
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  Levanto uma sobrancelha.
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  - Saia. - cruzo meus dedos em frente aos meus lábios e a fecho rebolar para fora da sala. Fecho meus olhos e solto o ar, massageando então minhas têmporas. Pego o telefone e aperto um botão, fazendo com que Úrsula atendesse. - Chame Eiken.
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  Um conselheiro me cairia muito bem agora.
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