CAPÍTULO DOIS
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O corpo de %Maeve% ficava cada vez mais pesado enquanto %Venus% a carregava pelas ruas de Lagos. Ela não se importava com aquilo, tampouco com o esforço descomunal que estava fazendo, mesmo tendo um excelente condicionamento físico. A única coisa com a qual se preocupava naquele momento era ajudar %Eve% e voltar para o quinjet que as levaria para casa.
O ferimento na perna da mulher não parecia incomodá-la enquanto estava em meio à luta, mas %Faulkner% sabia que era a adrenalina a responsável por mascarar qualquer dor que %Hofstader% pudesse sentir. E isso só se comprovou quando %Eve% veio em sua direção, a abraçou com força e quase desabou sobre ela.
— Droga, %Maeve%. Precisamos fazer alguma coisa para estancar o sangramento. — %Venus% não escondeu a preocupação. Já não conseguia desde o momento em que viu a explosão.
%Hofstader% negou com a cabeça e tentou se desvencilhar.
— Não. Não dá tempo. Temos que chegar logo ao quinjet.
— Não vou te levar a lugar nenhum assim. Você está perdendo muito sangue. — %Faulkner% quis bater nela pela teimosia.
— Eu estou bem. Juro.
— %Maeve%!
— Você não quer que o senhor perfeitinho nos encontre de novo, quer? — %Venus% bufou e revirou os olhos. — Eu estou bem, %Vee%.
Mesmo determinada a não se deixar esmorecer, os olhos de %Hofstader% lutavam cada vez menos contra suas pálpebras, que insistiam em se fechar, e as coisas ao seu redor giravam tanto que ela se sentiu enjoada. Sua perna latejava de um jeito absurdo e sua vontade era de gritar e chorar até se livrar daquela maldita bala.
Rumlow era realmente um desgraçado. E saber que o homem havia se explodido só não trazia uma sensação ótima porque ele tentou levá-la consigo e ainda acabou causando a morte de dezenas de pessoas.
%Maeve% se pegou pensando em como Wanda Maximoff devia estar se sentindo. Crossbones era o verdadeiro culpado por tudo, ela só tentou salvar a vida de um amigo, mas as pessoas não entenderiam aquilo. A mulher provavelmente estava devastada.
Qualquer outro pensamento, no entanto, acabou escurecendo em sua mente, assim como tudo à sua volta. Sem sequer se dar conta do que acontecia, %Eve% caiu na inconsciência e %Venus% precisou segurá-la com mais força, arregalando seus olhos ao percebê-la desmaiada.
— %Eve%? — chamou e deu tapinhas no rosto da mulher, enquanto tentava ignorar o pavor crescendo dentro de si. — %Eve%, acorda, por favor… %Maeve%! — Sacudiu a mulher com mais força, então desceu seu olhar até a perna de %Hofstader% e soltou uma exclamação de agonia.
O ferimento com certeza era mais feio por baixo da calça, mas, como imaginava, aquela peça estava completamente ensopada de sangue.
Ainda mais apavorada, %Faulkner% segurou o pulso da amiga para verificar se ela ainda tinha batimentos e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas ao constatar que sim. No entanto, precisava correr contra o tempo e dar um jeito de estancar logo aquele sangramento.
Sem conseguir acordar %Eve% e vendo que não conseguiria fazer um torniquete, já que segurava o corpo da mulher, sua única alternativa era seguir com urgência para o veículo.
Odiou Steve Rogers ainda mais por aquilo. Se não fosse por ele atrapalhando completamente seus planos, nenhuma daquelas merdas teria acontecido. O maldito Capitão América tinha estragado tudo e, por causa dele, %Maeve% estava machucada.
Dominada pela raiva, %Venus% tomou um impulso para segurar a amiga com mais firmeza e andou o mais rápido que podia até finalmente alcançar o quinjet.
Ao colocar %Eve% sobre um dos bancos, %Faulkner% precisou de alguns segundos para se recompor. Com a amiga desacordada, seu corpo havia ficado ainda mais pesado, e todos os músculos de %Vee% protestaram durante o caminho, queimando feito o inferno.
%Venus% sabia que precisava decolar e seguir em direção ao QG delas o mais rápido possível, porque somente lá havia os recursos necessários para tratar o ferimento de %Hofstader%, além de um médico de confiança. Ir a um hospital estava fora de cogitação. Não podiam arriscar, porque os vermes que restaram da Hydra certamente ainda estavam atrás de %Eve%.
No entanto, %Faulkner% só se preocupava com %Maeve% naquele momento. E, ignorando qualquer outra coisa, primeiro daria um jeito naquela hemorragia.
Então %Venus% conseguiu rasgar a parte da calça que tampava o ferimento de %Hofstader% e grunhiu outra vez ao constatar que estava mesmo horrível.
Precisava agir, e rápido. Correu até um compartimento, onde guardavam um kit de primeiros socorros por conta de situações como aquela, e voltou com várias gazes. Sem hesitar, %Faulkner% as usou para fazer pressão sobre o ferimento e tentava se manter calma quando via o tecido se encharcar de sangue, colocando outra gaze em cima. Seu coração batia acelerado, suas mãos tremiam tanto que ela acabou derrubando uma ou outra, mas seguiu determinada, enquanto questionava mentalmente como %Eve% tinha conseguido lutar ferida daquele jeito. Achava que era a adrenalina, mas será que apenas a adrenalina daria conta de tanta dor e perda de sangue?
— %Eve%, acorda, por favor… — sussurrou, preocupada com o tempo que a mulher estava desmaiada. Tornou a conferir o pulso de %Hofstader% e suspirou ao constatar que ainda respirava.
Parecia que uma eternidade passava e %Venus% continuava insistindo, parcialmente atenta a qualquer sinal de que foram seguidas.
Quando finalmente conseguiu estancar o sangue, escutou a amiga gemer baixinho e nem se deu conta das lágrimas que escorriam por suas bochechas ao constatar que %Maeve% estava acordando. Não achava que aquilo aconteceria tão cedo, mas no fundo deveria saber que sim, afinal, aquela ali era a mulher mais teimosa que conhecia.
— %Venus%? — A voz de %Hofstader% estava tão fraca que o chamado ecoou em um sussurro.
— Estou aqui, %Eve% — ela se pronunciou prontamente, segurou uma das mãos de %Maeve% e a sentiu pressionar seus dedos nos dela de leve.
— O que… o que aconteceu? — %Faulkner% notou que a mulher começou a ficar agitada, certamente uma consequência da perda de sangue, e a impediu de tentar se levantar, usando a mão livre para colocá-la sobre sua outra perna.
— Você está ferida, mas não se preocupe. Estamos no quinjet, logo vamos para casa e daremos um jeito nisso. Só peço que tenha calma e não se esforce. Você perdeu muito sangue. — Sua voz saiu da forma mais gentil e paciente possível, enquanto %Venus% torcia para que %Maeve% levasse tudo aquilo sem questionar.
— Mas… — Obviamente, ela iria protestar. Não seria %Maeve% %Hofstader% se não o fizesse. Assim como não seria ela se não estendesse a mão em direção ao painel de comando e olhasse para o local com uma determinação que %Venus% conhecia muito bem.
— %Maeve%! — protestou, tentando fazê-la parar, e viu os olhos da amiga ganharem o conhecido brilho azulado. — Por favor, %Eve%. Eu consegui pelo menos estancar o sangramento. Você não quer que volte a jorrar sangue da sua perna, não é?
%Eve% suspirou alto e negou com a cabeça, então abaixou a mão enquanto seus olhos voltavam ao tom natural.
— Foi o que pensei — %Faulkner% resmungou, pegou comprimidos para dor e entregou à mulher. Sabia que não seria o suficiente, até porque %Hofstader% precisava remover a maldita bala de sua perna, mas ia ao menos amenizar um pouco as coisas até chegarem ao seu destino. — Agora fique quietinha aí.
— Tá bom, mãe — %Eve% murmurou e relaxou como podia, embora estivesse sentada. Fechou os olhos e tentou não pensar na dor.
Ao se certificar de que tudo estava sob controle, %Faulkner% seguiu para o painel de comando, sentou-se na cadeira do piloto e finalmente decolou para longe daquele lugar.
No dia em que %Venus% invadiu a base da Hydra onde %Maeve% estava, não tinha ideia do quanto aquela mulher se tornaria importante para ela. Não apenas importante, na verdade, essencial. A mera ideia de viver em um mundo onde %Hofstader% não fazia parte era tão dolorosa que a sufocava, e %Faulkner% não queria nem pensar naquilo.
Resgatou alguém que não tinha para onde ir e tinha uma noção muito limitada do que era o mundo, e viver todas as descobertas com ela gerou um vínculo forte demais entre as duas. %Venus% costumava acreditar que eram irmãs de alma e sua ligação era tamanha que um dia foi exatamente o que %Eve% lhe disse.
Quando viu aquela explosão acontecer, todo o ar fugiu de seus pulmões e %Faulkner% parou tudo o que fazia, momentaneamente congelada em seu lugar. Havia acontecido exatamente onde viu %Maeve% pela última vez e, de repente, suas mãos tremeram com o que poderia encontrar ao se aproximar.
Não tinha certeza se foi ela quem soltou aquele “não” desesperado, provavelmente sim, mas, assim que recuperou o domínio de suas pernas, correu desatinada, chegando apenas para ver que a bomba não havia atingido a amiga.
Após colocar a nave no piloto automático, %Venus% voltou para o banco onde %Eve% estava e se sentou ao seu lado. Não conseguiria seguir a viagem toda daquele jeito. Parecia que as coisas dariam muito errado se ela se afastasse, afinal, foi o que aconteceu com seu pai. Ela não estava ao seu lado quando ele se foi, e %Faulkner% jamais poderia consertar aquilo.
%Venus% só percebeu que estava chorando quando um soluço ecoou de seus lábios, então se permitiu cobrir o rosto com as mãos, apoiou os cotovelos nos joelhos e desabou de uma vez, certa de que %Maeve% havia pegado no sono.
— %Vee%, você está chorando? — Ao contrário do que pensava, a voz de %Hofstader% ecoou preocupada e ela tentou se sentar, novamente agitada. Não deixaria que nada a machucasse.
— Tá tudo bem, %Eve%. Continue quietinha, tá? Temos mais uma hora e meia de voo. — Sorriu fraco ao tentar tranquilizá-la.
— É óbvio que não está. Primeiro que tem uma droga de um pedaço de metal na minha perna, e segundo que eu não lembro de ter te visto chorar assim antes, meu bem. — Seu olhar ficou mais carinhoso e %Venus% suspirou. Não costumava mesmo chorar na frente dela e de ninguém. Para %Venus% %Faulkner%, chorar era demonstrar vulnerabilidade, e ela não podia se dar ao luxo àquilo, mesmo com a mulher ao seu lado. Tinha a impressão de que aquilo afetaria a forma como %Hofstader% a via, mas de um modo ruim.
No entanto, naquele momento, foi pega em flagrante e não conseguia se acalmar ao ponto de disfarçar. Não depois de tudo o que havia acontecido.
— É só que… — Sua voz falhou e mais lágrimas vieram com força, fazendo um pequeno nó se formar em sua garganta. %Maeve% esperou pacientemente até a amiga recuperar a fala. — Eu senti tanto medo quando vi aquela explosão, %Eve%. Não vi nada, não me importei nem quando Romanoff arrancou a arma biológica das minhas mãos, porque nada daquilo ia ter sentido sem você.
%Hofstader% sentiu aquelas palavras a atingirem com intensidade, e uma emoção tomou conta de si, aqueceu seu peito e fez seus olhos também ficarem marejados.
— %Vee%… — soltou comovida.
— Eu perdi tudo, %Maeve%. Perdi minha mãe que me deixou, perdi meu pai quando ele morreu e perdi o trabalho da minha vida, onde eu achava que fazia o bem, mas na verdade era uma marionete da Hydra. Por um bom tempo, eu tinha certeza de que estava completamente sozinha no mundo, até invadir aquela base e te encontrar. — Respirou fundo e mais lágrimas desceram por suas bochechas. — Nunca ia imaginar que você se tornaria tudo isso para mim quando te conheci e em apenas o que… três anos?
— Três anos. — %Eve% sorriu.
— E nesses três anos eu ganhei uma irmã, alguém que me entende como ninguém entendeu antes. Fiquei apavorada. Jamais me perdoaria se tivesse te perdido, e ainda mais porque não estava lutando ao seu lado.
— Ainda bem que não estava. O que seria de mim se algo tivesse acontecido com você? — %Hofstader% procurou a mão de %Venus% e entrelaçou seus dedos nos dela. — Nós somos irmãs de alma, %Vee%. Tenho certeza de que se existirem outras vidas, ou outros universos, estaremos juntas em todos eles.
%Faulkner% soluçou alto e sentiu seu corpo até sacudir, então negou com a cabeça e tentou se recompor.
— Droga, para de me fazer chorar mais! — resmungou, em um tom manhoso.
%Maeve% riu, ao mesmo tempo em que sentia seu rosto também molhado pelas lágrimas.
— Não tenho culpa, garota. Você que estava aí toda sentimental — brincou e soltou a mão de %Venus% para limpar as próprias bochechas, a tempo de vê-la estreitar os olhos em sua direção.
— Eu estava sofrendo em silêncio, %Hofstader%. Foi você que se meteu — acusou e sentiu que toda a agonia dava lugar a um calor em seu coração. Havia sido assim desde quando a conheceu.
— Da próxima vez, eu coloco uma música pra te embalar em vez de me meter então. O que acha?
— Acho que você tá muito abusada. Só vou deixar passar porque tá aí machucada.
— Ah, e ia fazer o que se eu não estivesse? — %Eve% ergueu uma sobrancelha em desafio.
— Te encher de tapas. — %Venus% se deu conta logo em seguida do que a amiga responderia, mas não conseguiu consertar a tempo.
— Pode encher. Eu adoro! — Sorriu maliciosa, e %Vee% negou com a cabeça.
— Você não tem jeito mesmo.
— Nunca disse que tinha. — Piscou um olho. — Mas, falando nisso, você ouviu o que ele disse?
— Ele quem? — %Venus% não entendeu nada.
— Rumlow. Mas obviamente você não ouviu, porque não estava lá. — E como %Maeve% simplesmente parou de falar, ela se manifestou.
— O que Rumlow disse, mulher?
— Que ele se lembrou de mim. — %Eve% a olhou significativamente, e dessa vez não foi necessária uma explicação sobre a quem se referia.
O fato do homem ter lembrado de %Maeve% realmente era algo a ser discutido. No entanto, outro detalhe chamou sua atenção.
— Levar tapas te faz pensar em Bucky Barnes? — %Faulkner% ergueu uma sobrancelha e acabou sorrindo maliciosa.
— Quê? Não! Nada disso, tá maluca? Barnes tem idade para ser meu avô. — Ela arregalou os olhos e logo em seguida já protestava demais, deixando evidente o nervosismo. %Venus% só não conseguiu decifrar bem o motivo, mas, mesmo assim, continuou pegando no pé da amiga.
— Pode até ter, mas que você se sentaria nele, sentaria, uh?
— Cala a boca, sua ridícula! Esqueceu de quem ele é? Daqui a pouco, eu vou sentar você na porrada. — %Maeve% estava indignada.
— Pode até fazer isso, meu amor. Mas você não negou, né? — Riu alto, e %Maeve% abriu a boca, chocada.
— Eu te odeio, %Venus% %Faulkner%.
— Você me ama, %Maeve% %Hofstader%.
— Não amo, não. — Fez até uma cara de emburrada, mas logo esta se desfez em um meio sorriso ao ouvir %Faulkner% gargalhar ainda mais.
Ela sempre a ganhava com aquela risada.
— Mas, voltando ao assunto, isso é bom ou ruim? Bucky Barnes lembrar de você? — As feições de %Venus% ficaram mais sérias.
— Não faço a menor ideia. E o desgraçado do Rumlow disse que fritaram o cérebro dele quando se lembrou de mim e reconheceu Steve Rogers.
%Faulkner% respirou fundo e conteve a vontade de revirar os olhos à menção do capitão, algo que não passou despercebido por %Hofstader%, porém ela preferiu não falar nada a respeito naquele momento.
— Bom, depois dessa, se Rogers não estava atrás do antigo melhor amigo antes, não há dúvidas de que agora é o que vai fazer.
— Com certeza — %Maeve% confirmou, com um aceno de cabeça, então adquiriu uma expressão um tanto receosa com o que diria a seguir. — Talvez seja uma boa ideia monitorarmos o queridinho da América, já que temos um alvo em comum.
— Não, %Eve%. De jeito nenhum. Me recuso a seguir Steve Rogers. — %Hofstader% teria rido, porque %Venus% não negou apenas uma, mas três vezes. No entanto, manteve a seriedade e tentou entender as coisas.
— %Vee%, aconteceu algo entre vocês dois? — A pergunta também ecoou em um tom cuidadoso. Por mais ligadas que fossem, %Maeve% sabia que %Venus% tinha seus segredos, assim como ela.
— Eu nem o conheço, %Maeve%. Só o vi duas vezes na vida, mas não gosto dele. Eu o acho impulsivo e inconsequente. A prova disso foi o que acabou de acontecer em Lagos.
%Hofstader% continuou observando a amiga com atenção, tentando ler nas entrelinhas de onde vinha a raiva pelo Capitão América. Porém sua perna deu uma fisgada forte e ela engoliu em seco e pressionou os lábios para conter um gemido de dor.
— Já passou o efeito do analgésico, não é? — %Faulkner% não precisou de muito para entender o que acontecia.
— Na verdade, nem chegou a fazer. — %Eve% fez uma careta.
— Droga, eu sabia que esse era fraco. Infelizmente, é o único que temos. — %Venus% torceu a boca, odiando saber que a amiga ainda estava sentindo dor.
— Tudo bem. Não se preocupe com isso, %Vee%.
— Você não entende, não é? Eu sempre me preocupo contigo.
%Maeve% sorriu.
— E eu com você.
Alguns segundos de silêncio tomaram conta do ambiente, até que %Hofstader% voltou a falar.
— Bom, então voltamos ao nosso plano original. Hackear o Pentágono.
— E enquanto isso eu vejo o que consigo descobrir pela CIA. Lembre-se de não deixar rastros.
— Eu nunca deixo, meu bem.
💥
Steve Rogers ainda tentava digerir os últimos acontecimentos. Em poucos dias, não apenas perderam Rumlow com informações valiosas para ele, como causaram uma explosão que ceifou várias vidas, Wakandanos entre elas, e as consequências daquilo vieram com tudo. Os noticiários culpavam os Vingadores e principalmente Wanda, alegando que todos eles eram perigosos e não se importavam com o que deixavam para trás.
Isso levou as coisas a algo muito pior na opinião de Steve: o Tratado de Sokovia. Um maldito acordo, onde basicamente virariam propriedade do governo e só poderiam agir quando as autoridades quisessem.
Rogers detestou aquela ideia. Suas experiências anteriores não foram nada boas, já que governos podem, sim, se corromper e ele não conseguia se imaginar parado em situações em que seria perfeitamente capaz de ajudar.
Talvez a pior parte de tudo aquilo fosse o apoio que Tony dava ao tratado. Não apenas ele, mas Rhodey, Visão e até mesmo Nat. Ele simplesmente não conseguia acreditar que realmente pensavam em assinar o documento e provavelmente o fariam.
Se Steve não concordasse com o tratado, o que aquilo o tornaria? Um fora da lei?
Honestamente, não se importava. Não iria contra os próprios princípios.
Cansado de debater com os quatro, que pareciam irredutíveis, Rogers se afastou, decidido a sair da sala conjugada à cozinha do complexo dos Vingadores.
Parou na beira de escada, do lado de fora, e soltou um longo suspiro ao tentar se acalmar, porque tudo aquilo era tão injusto que suas mãos tremiam.
Isso porque nem foi citado o fato de James Buchanan Barnes, seu melhor amigo, tê-lo reconhecido. Apenas a menção do nome dele foi capaz de fazer Steve se sentir com dezesseis anos outra vez.
Se houvesse esperança, ele faria de tudo para trazer Bucky de volta. Não descansaria enquanto não conseguisse.
“Ele te reconheceu. Na verdade, reconheceu você e lembrou da gostosinha aqui”.
De repente, aquelas palavras voltaram aos seus pensamentos, e Rogers lembrou da expressão no rosto da mulher quando ouviu aquilo. Era de choque e alguma outra emoção que ele não conseguiu decifrar.
Desejou uma chance de poder confrontá-la, buscar todas as respostas que precisava. Então decidiu que, além de procurar por Bucky, iria atrás das duas mulheres, mesmo se fosse sozinho.
O capitão tentava não focar muito os seus pensamentos na outra. Ela tinha um fogo nos olhos, e Rogers não sabia o que significava. Era como se o odiasse.
— Steve? — A voz de Sam o tirou de seus pensamentos, e ele o encarou e suspirou alto.
— Bem aqui — murmurou, mesmo não sendo necessário.
— Aquilo lá tá realmente uma loucura. — Wilson se aproximou e parou ao lado do capitão.
— Eles não se acalmaram ainda? — Steve ergueu uma sobrancelha.
— Provavelmente isso vai acontecer agora, porque eu saí de lá. — Sam deu de ombros.
— Saiba que vou respeitar a sua decisão, independente de qual for. — Rogers imaginou que era o certo dizer aquilo, então se virou de frente para o amigo, a fim de olhá-lo.
— Eu não vou assinar o tratado, Steve. Não tenho a menor intenção de ser a cadelinha do governo.
As expressões de Wilson eram sempre hilárias, mas, naquele momento, o capitão não conseguiu nem ao menos sorrir.
— Obrigado por ficar ao meu lado nessa, Sam.
— Bom, você está certo. Por que eu não ficaria? — Acabou sorrindo de leve, e Rogers o retribuiu.
Os dois então permaneceram em silêncio, dando atenção aos próprios pensamentos, até Wilson se dar conta de uma coisa.
— Por que não falou sobre aquelas duas na reunião?
Steve já esperava que o amigo tocaria naquele assunto em algum momento, por isso não se surpreendeu.
— Para ser sincero, eu não sei. Mas imagino que foi bom, não é? Se estão agindo dessa forma conosco, imagina só o que fariam com elas. — Ainda não havia conseguido entender o que viu e até chegou a pensar que estava imaginando coisas.
— Como assim? O que elas têm de especial? — Sam franziu o cenho em confusão.
— Aparentemente, uma delas consegue mudar a forma para a que quiser e…
— Espera aí, ela é tipo uma camaleoa? — Wilson se espantou, sem conseguir conter o impulso, interrompendo Rogers.
— Algo do tipo, sim. Eu a vi se transformar de um agente da Hydra para o que imagino ser sua forma original. — Steve não culpava o amigo, ele mesmo ainda estava embasbacado com aquilo tudo.
— Nat disse que quase pediu o telefone dela. — Sam soltou uma risadinha. — Mas e a outra? A que te prendeu entre as pernas?
Rogers estreitou os olhos ao captar um tom de malícia, então negou com a cabeça quando o Falcão riu novamente.
— Não tenho certeza do que vi, mas pude jurar que ela tentou eletrocutar Rumlow com as próprias mãos.
Mais uma vez, Wilson não conseguiu conter a surpresa.
— Agora eu tô entendendo o seu ponto, Cap. Se o governo sonhar que tem mais duas “pessoas aprimoradas” — fez aspas com as mãos —, provavelmente vão caçá-las.
— Provavelmente. — Rogers engoliu a seco. Não conhecia as mulheres, mas tinha, sim, a sensação de que não eram suas inimigas e talvez tivessem um objetivo em comum.
— Vamos fazer algo quanto a isso? — O fato de Sam já se incluir naqueles planos fazia Steve se sentir extremamente grato por tê-lo ao seu lado.
— Vamos adicionar mais duas pessoas à nossa lista de quem precisamos encontrar. Depois que esse tratado for assinado, elas não estarão seguras.
— Nem nós estaremos, Cap. Nem nós estaremos. — Wilson sorriu fraco, e, antes que Rogers pudesse dizer qualquer outra coisa, seu celular vibrou e indicou uma nova mensagem.
Steve definitivamente não estava preparado para o que leu.
“Ela se foi enquanto dormia, Steve”.
Era como diziam, não havia nada tão ruim e que não pudesse piorar. E como se não bastassem todos os acontecimentos, Rogers havia acabado de descobrir que Peggy Carter havia partido.
De repente, tudo pareceu girar ao seu redor, um nó trancou sua garganta e ele sabia que não ia conseguir controlar as lágrimas que surgiam.
— Já volto, Sam — murmurou, desceu as escadas e encontrou um local mais isolado onde poderia desabar. Lá, encostou suas costas na parede e soluçou como se outra vez fosse aquele jovem de dezesseis anos, que mal conseguia se defender.
💥
Dias depois, Steve ainda não tinha se acostumado com a sensação de vazio no peito que se instalou desde a partida de Peggy Carter. Ela era uma das únicas esperanças que ele tinha de tudo aquilo não passar de um sonho longo demais, e que, quando acordasse, estaria de volta ao tempo em que realmente se encaixava e prestes a levar aquela mulher incrível para dançar. Sabia muito bem que uma vez que a tivesse em seus braços, Rogers não a soltaria nunca mais, não permitiria que ela escorregasse por seus dedos novamente.
No entanto, sabia que estava se enganando. Assim como sabia que se agarrar àquela falsa esperança era apenas uma forma de evitar o sentimento de que, mesmo quando estava cercado de pessoas, Steve estava completamente sozinho. E ele evitava porque doía e não havia nada que pudesse fazer para mudar aquilo.
O capitão havia deixado o complexo dos Vingadores para ir ao enterro de Peggy em Londres, mas não voltou para lá, porque não assinaria o tratado e tinha consciência das consequências daquilo. Sam não hesitou em acompanhá-lo, o que fez Steve se sentir um pouco menos só e feliz por ter alguém leal daquele jeito ao seu lado.
Nat, por outro lado, foi até a igreja, e mesmo que suas intenções tenham sido não deixá-lo sozinho, ela tentou mais uma vez convencê-lo a assinar o acordo. Rogers não podia negar ainda estar um tanto surpreso com o posicionamento de Romanoff. Como ela mesma chegou a pontuar, não costumava concordar com a visão de Tony sobre as coisas. No entanto, ele até entendia. Natasha passou anos trabalhando para o lado errado e seu maior objetivo era limpar esse passado.
Outra coisa que surpreendeu o capitão foi a presença de sua vizinha, Sharon, que ele descobriu segundos depois ser nada menos que a sobrinha de Peggy, e seu discurso esclareceu algumas coisas para Steve.
Sharon se prontificou a ajudá-lo a descobrir quem eram as duas mulheres misteriosas, mesmo sendo difícil, já que não tinha nenhum nome. Enquanto Rogers a acompanhava de volta ao hotel onde estava hospedada, sentiu que poderia confiar nela àquele ponto. E trabalhando para a CIA, ela teria acesso a várias bases de dados.
— Steve, você precisa ver isso. — A voz de Sam ecoou urgente, quando o capitão estava prestes a se despedir de Sharon.
Sem hesitar, Rogers acompanhou o amigo até uma televisão, onde era exibida uma notícia que, honestamente, ele não estava preparado para receber.
Havia acontecido outra explosão, desta vez na sede da ONU, em Viena.
Alarmado, Steve trocou um olhar rápido com Sam, e pela forma como o homem o olhava, tudo tendia a piorar.
Rogers não conseguia imaginar como.
A situação em Viena estava crítica. O local que sediaria um suposto tratado de paz havia virado um verdadeiro pandemônio, cercado por helicópteros, viaturas e ambulâncias que chegavam às pressas.
O número de vítimas ainda era incerto, e já era devastador o bastante para Steve Rogers receber aquela notícia. Porém, não importava o quanto ele não quisesse, se as coisas podiam piorar, elas iam.
“Soldado Invernal é o suspeito da explosão que matou o rei de Wakanda”.
Steve ouviu o âncora do jornal falar sobre aquilo, leu a frase exibida e assistiu às filmagens, onde alguém muito parecido com Bucky Barnes saía de uma van momentos antes dela explodir. No entanto, não conseguia acreditar naquilo. Seus olhos e ouvidos com certeza estavam o traindo.
As imagens de seu melhor amigo em seus dias de glória ainda eram muito nítidas nos pensamentos de Rogers. Dias em que estavam, sim, prestes a enfrentar uma guerra, mas, ainda assim, James Buchanan Barnes jamais deixava de carregar um sorriso no rosto.
Não era possível que o homem nas filmagens fosse Bucky. Aquele ali não era o seu melhor amigo, seu irmão. Tudo dentro de Steve protestava, gritava que não era verdade e, no fim das contas, o capitão não aceitaria tudo aquilo daquele jeito.
Precisava fazer alguma coisa, desenterrar a verdade, fosse ela qual fosse.
Não assinar o tratado certamente tornava Rogers um inimigo do governo, mas ele não hesitaria em arriscar tudo para descobrir onde estava Barnes.
— Eu preciso trabalhar. — Sharon atraiu o olhar dele e assentiu antes de vê-la se afastar.
Não foi necessário dizer nada a Sam, ele já sabia o que aconteceria. Sabia dos riscos que correria ao ir atrás de um assassino, mas confiava no capitão o suficiente para não deixá-lo.
Além do mais, o que ele tinha a perder mesmo?
Duas horas depois, Sharon Carter estava com sua equipe e prometeu a Steve conseguir qualquer informação útil sobre o paradeiro de Bucky.
Rogers achou melhor que ele e Sam se separassem, assim não levantariam suspeitas. Ambos usavam bonés e óculos e tentavam analisar tudo o que estava ao seu alcance, em busca de pistas, tentando também entender por que haviam jogado uma bomba na ONU.
Havia poeira para todos os lados, o barulho das sirenes era ensurdecedor, mas nada era pior do que os gritos de dor que vinham dos feridos.
Mais uma vez, Steve simplesmente se recusou a acreditar que Bucky tinha feito aquilo. Não podia ser.
Tendo o cuidado de não ficar parado por muito tempo em um lugar só, Rogers caminhou para um pouco mais longe dos escombros, então se escorou próximo a uma árvore, de onde seus olhos avistaram Natasha Romanoff sentada em um banco. Sua expressão não era boa, havia fuligem em seu rosto e ela estava claramente preocupada com alguma coisa.
Steve não podia negar que era um alívio saber que Nat estava viva, então acabou por puxar o celular de seu bolso e procurar pelo contato da mulher para iniciar uma chamada. Seus olhos permaneceram fixos em Romanoff enquanto ele esperava que ela atendesse.
— Sim? — A voz de Natasha ecoou depois do terceiro toque.
— Você está bem? — Foi a primeira coisa que Rogers achou sensato perguntar, considerando que Nat havia vivenciado o atentado de horas atrás.
— Estou bem, obrigada. Tive muita sorte. — Sorriu calma e olhou à sua volta, parecendo se dar conta de algo. — Steve, eu sei o quanto Barnes significa para você. Sei mesmo. E é por isso que eu preciso te pedir para não se envolver. Você só vai piorar as coisas, sabe? Para todos nós.
Steve acabou franzindo o cenho e pensou bem no que dizer.
— Por favor — Romanoff insistiu, um pouco mais firme.
— Vai me prender? — Rogers ergueu uma sobrancelha.
— Não, Steve. Mas, se você interferir, alguém vai. É assim que as coisas funcionam agora.
— Se Bucky chegou a esse ponto, Nat, sou eu quem deve prendê-lo. Ninguém mais — o capitão afirmou sem hesitar, porque, por mais que doesse dizer aquilo a ela, não havia chance alguma de ele não ir atrás de Bucky.
— Por quê? — Natasha se levantou e passou a olhar em volta, como se o procurasse.
— Porque eu tenho menos chances de morrer tentando. — Então deu uma risadinha fraca, apesar de aquilo não ter graça alguma.
Do outro lado da linha, Romanoff bufou e estava pronta para retrucar aquela resposta, no entanto se calou. Steve viu o exato momento em que a mulher franziu o cenho e pareceu se dar conta de algo.
— Nat, se você sabe de alguma coisa que pode me ajudar, preciso que me diga — praticamente implorou e sentiu o nervosismo dando as caras mais uma vez, então respirou fundo para manter a calma o máximo possível.
— Steve, você sabe muito bem que as coisas seriam muito mais fáceis se você simplesmente fosse para casa. — Sua voz era firme e um tanto dura, numa última tentativa de dissuadi-lo do que pretendia fazer.
— E você sabe que essa não é uma opção para mim. Eu preciso saber se meu amigo ainda está lá. — A resposta de Rogers veio no mesmo tom, e Romanoff suspirou alto. Mesmo imaginando o que ele diria, não deixava de ser frustrante.
Ela ponderou se deveria mesmo compartilhar uma certa informação. Conseguia escutar a respiração cada vez mais ofegante de Steve, denunciando como estava nervoso, e lutava para mascarar aquilo. Nat se identificava, havia feito aquilo sua vida toda.
E foi por isso que revirou os olhos e acabou cedendo.
— Lá vamos nós… Você lembra das duas mulheres que encontramos em Lagos?
— Acho que nem se eu quisesse, conseguiria esquecer. — Rogers soltou uma risada baixa e frustrada, afinal, as duas haviam fugido por causa dele.
— Não nego que concordo. — Ao notar o tom um tanto sugestivo de Natasha, Steve mais uma vez focou seu olhar nela e captou o exato momento em que lambeu os lábios.
Então pigarreou e arregalou os olhos ao sentir seu rosto esquentar.
— Não! Espera aí, não foi isso que eu quis dizer! — protestou, balançando a cabeça em negação, como se aquilo reforçasse sua resposta.
Romanoff riu baixo. Aquele não era um momento para risos, mas a forma como o capitão ficava tímido a qualquer menção como aquela era realmente hilária.
— Então… O que tem elas? — Tentou voltar ao tom sério e a mulher fez o mesmo.
— Elas estão aqui em Viena.
Por um momento, Steve franziu o cenho e tentou imaginar o que elas estariam fazendo ali. Então se lembrou das palavras de Rumlow a uma delas e da reação que a mulher teve.
— Onde?
— Aqui. Uma delas apresentou um distintivo, e as duas seguiram para os escombros.
— Está dizendo que elas trabalham para o governo? — Rogers ergueu uma sobrancelha.
— Ou estão fingindo que trabalham — Nat observou e ele assentiu, porque também fazia sentido.
— Obrigado, Nat. E se cuida.
— Você também.
Assim que desligou, o capitão enfiou o aparelho no bolso e foi na direção dos escombros, analisou tudo ao seu redor com muita atenção e procurou qualquer sinal daquelas duas ou até mesmo de Bucky.
O cenário era difícil de lidar. O lugar estava todo destruído, pessoas andavam para todos os lados e, vez ou outra, bombeiros e paramédicos surgiam carregando novas vítimas.
Foi inevitável pensar na tragédia em Lagos, nos corpos sendo levados daquela mesma forma e do quanto se sentiu culpado por tudo aquilo. A menção do nome de Bucky o abalou profundamente, e ele não viu mais nada.
Rogers sabia muito bem dos resultados das outras missões dos Vingadores antes mesmo do secretário esfregá-los em sua cara. E mesmo se sentindo péssimo com tudo aquilo, o Tratado de Sokovia ia contra quem ele era. Não concordava e não abriria mão disso.
Ao despertar de seus pensamentos, Steve desviou de um grande bloco de concreto e de repente seus olhos foram de encontro às duas pessoas que procurava.
No mesmo instante, o capitão parou de andar e primeiro as estudou de longe, percebendo que também estavam procurando alguma coisa por ali. Ou seria alguém? O mesmo alguém que ele.
Sem mais se conter, Rogers atravessou rapidamente a distância que os separava e, por um instante, sequer se lembrou que estava disfarçado e sem seu escudo.
Uma das duas notou a aproximação dele e cutucou a outra, que o encarou em desafio. Algo nos olhos dela trouxe uma sensação engraçada ao capitão, porém ele a ignorou e se manteve o mais firme possível.
— O que vocês estão fazendo aqui? — Não fez rodeios.
%Maeve% abriu um sorrisinho enquanto o olhava de cima a baixo, e %Venus% continuou o encarando, estreitando os olhos como se pudesse fuzilá-lo daquela forma.
— Até onde sei, eu não trabalho pra você, capitão. Então não te devo nenhuma satisfação. — Ela foi ríspida, mas Rogers não se deixou abalar por isso.
— Foi uma pergunta simples, não uma ordem.
— Ah, bonitinho, se você perguntasse com jeitinho, eu até pensaria em te responder. Já te falaram que de perto você é uma delícia? — %Hofstader% estalou a língua e sorriu mais uma vez para ele.
Steve sentiu o rosto esquentar mais uma vez naquele dia, ficando bastante surpreso com a audácia dela, mas quando estava prestes a responder, a outra mulher a interrompeu.
— Fala sério, %Maeve%. — Revirou os olhos com impaciência, então se virou para dar as costas a Rogers. — Se nos dá licença, temos mais o que fazer.
— Não liga, não. Acho que ela não gosta muito de você. — A que se chamava %Maeve% deu de ombros. — Ei, espera aí, %Venus%! — gritou, ao ver que a amiga se afastava com pressa.
Steve repassou os nomes das duas mentalmente e apressou o passo para alcançá-las novamente. Ao contrário do que %Venus% pensava, não iam se livrar fácil assim dele.
— Você o conhecia, %Maeve%? — Tomou a liberdade de chamá-la pelo nome e a mulher parou de caminhar para encará-lo.
Dessa vez, nenhum sorrisinho veio, apenas uma expressão vazia. %Eve% engoliu em seco e de repente o olhou como se estivesse prestes a contar algo.
— Se eu conhecia o Soldado Invernal? Quem não conhece?
Aquela resposta esquiva fez Steve soltar o ar com força.
— Olha, não sei como você conheceu o Bucky e nem o que aconteceu, mas Rumlow disse que ele lembrou de você. E vocês duas coincidentemente estarem aqui só deixa claro que estamos atrás da mesma pessoa. — Fez uma pausa e olhou de uma para a outra. — Talvez possamos trabalhar juntos nisso.
— Trabalhar com você? — %Venus% se meteu na conversa e arqueou uma sobrancelha. Assim como %Maeve%, ela também havia parado de caminhar.
— Com certeza nós começamos com o pé esquerdo, mas eu não acho que somos inimigos. — Rogers deu de ombros, complementando seu argumento.
%Faulkner% soltou uma risada sarcástica.
— E o que te faz pensar que confio em você assim? Você pode ser o poderoso Capitão América, mas eu não te conheço. Muito menos a %Maeve%. Então não, não queremos trabalhar com você — a mulher disse tudo aquilo com tanta velocidade que Steve precisou prestar bastante atenção para entender tudo.
Não esperava aquela reação dela, e pela forma como %Maeve% a encarou, ela também não esperava.
Qualquer que fosse a resposta do capitão, no entanto, acabou se perdendo quando Sam surgiu ao seu lado e trouxe uma pasta de arquivo.
— Sharon encontrou uma fonte segura sobre o paradeiro dele, mas precisamos nos apressar. A ordem é de atirar para matar.