Queen's Story


Escrita porLi Santos
Editada por Mariana

História integrante de “Winter Story”



Parte II • Enfermidade

  Muitas luas depois…

  O inverno castiga a região de Kyoto.
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  Óbvio que a estação veio para todo o território conhecido, mas para Kyoto os danos do inverno são mais severos graças a uma intensa escassez. Devido a claros boicotes contra seus negociantes, a rainha %Ayo% não conseguiu fornecedores para abastecer seu povo com comida suficiente para passarem o inverno bem. Pelo contrário, devido a nevasca, que cobre o campo impedindo que as plantações de leguminosas e outros vingue, a quantidade de comida produzida foi menor e, o extra que deveria cobrir essa falta, não foi o suficiente.
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  %Ayo% não sabe mais o que fazer.
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  Seu povo está adoecendo. Todos os dias, desde pouco antes do início da estação, chegam casos de pessoas desesperadas pedindo ajuda para o curandeiro do palácio. Crianças com sinais de desnutrição, febre alta e algumas, infelizmente, vieram a óbito. Os adultos, por serem mais fortes, adoeciam e passavam dias de cama, sem poder trabalhar e sem uma alimentação adequada para se recuperarem. Muitos se recuperavam minimamente, mas voltavam a adoecer por não terem nutrientes suficiente.
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  O reino está um caos.
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  Como se não bastasse, há boatos de possíveis conflitos ao norte do reino. Os antigos pretendentes de %Ayo% já a informaram sobre os boatos, que estão cada vez mais fortes, de que há um grupo rebelde querendo estourar uma guerra entre os reinos que, na teoria, não gostam de %Ayo% como rainha, e o reino de Kyoto. Ueno, Hiroki e Ikoma, antigos pretendentes de %Ayo% e atualmente parceiros de seu reino, já declararam publicamente total apoio e fidelidade à rainha. Ainda assim, %Ayo% não se sente confortável sabendo que estão tramando contra seu povo.
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  Ela acaba de chegar de mais uma viagem frustrada em busca de fornecedores que se compadecem com a situação do reino. %Ayo% não se mostra insegura na frente de ninguém nem mesmo %Take%, seu amado e confidente marido, sabe de sua tormenta atual. A rainha chora todas as noites, buscando respostas para cessar o sofrimento de seus súditos que são sua maior prioridade, a frente até de sua própria vida. A doença que tirou a vida de sua mãe, a falecida rainha Haru Matsui, também a preocupa agora. Haru sentia fortes dores de cabeça que a deixavam dias trancada em seu aposento, sofrendo com as intensas pontadas em sua cabeça. Yusuke também sentia dores assim e preocupava a irmã toda vez que acontecia. Era quase certo que %Ayo% também sofresse de tal enfermidade. Ela só não imaginou que fosse aparecer justamente em um momento tão delicado.
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  %Ayo% sobe as longas escadas quase circulares do castelo que levam ao andar dos aposentos. Caminha pelo corredor, encontrando alguns empregados que se curvam ao vê-la. A expressão apática deles a entristece mais que no dia que abraçou o corpo de seu irmão. É terrível a sensação de impotência na mulher, mas ela tem que se manter firme para não agravar mais a situação de seu povo. A rainha força um sorriso enquanto continua caminhando até seu aposento que hoje divide com %Take%. Ela já sabe que o rei não se encontra no castelo, ele havia saído até os estábulos para ver como andam os cavalos. Até mesmo os pobres animais padeciam com a falta de comida. Zeus, o cavalo da rainha, é o mais velho entre eles e não está doente, porém bastante abatido para seu normal. Já Rubi, a égua de %Take%, padecia há alguns dias de uma fraqueza e sem vontade de comer o mínimo que podiam te dar.
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  Finalmente a rainha alcançou seu aposento, podendo assim deixar sua grossa e pesada capa sobre uma cadeira. O longo vestido cor marfim cobria seu corpo, esquentando-a. %Ayo% sentou-se na cama, sua cabeça doía desde que sua comitiva saiu da cidade onde foi, foi uma viagem longa demais para buscar ajuda, mas ela faria tudo novamente. Mas %Ayo% sabe que não é apenas uma dor normal de quem viajou pela estrada barrenta por dias, é uma dor diferente e muito mais violenta, até a deixa enjoada e tonta. A doença que matou a rainha Haru certamente é hereditária e, os curandeiros já temiam que %Ayo% tivesse tal doença. Secretamente eles trabalham em uma cura, mas, até agora, nenhum avanço.
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  Sentindo-se tonta, a cabeça doendo cada vez mais, %Ayo% tenta se levantar para fechar a janela do aposento que estava aberta por esquecimento de alguém. Porém, antes mesmo de conseguir ficar de pé, a rainha despenca caindo no chão com toda força.
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  Duas horas depois…

  %Take% apressa-se para retornar ao seu aposento e ver sua esposa.
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  Tinham o avisado que %Ayo% já retornara de sua viagem e ele está sedento por vê-la e beijá-la novamente. O rei atravessa o salão de entrada, subindo as escadas e rompendo o corredor indo diretamente para o seu ninho de amor que tem com sua rainha. Antes de abrir a porta, ele sente em seus pés, mesmo estando de botas, a corrente gélida vindo pela fresta. Quando a abre, é acometido por uma onda de ar frio, misturado com uma leve camada de neve. Seus olhos viram a janela aberta, mas o corpo desfalecido de %Ayo% caído no chão ao lado da cama deles o deixa mais atento e desesperado.
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  — %Ayo%!
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  Ele corre para ajudá-la, agachando-se ao seu lado e, ao tocar seu rosto, percebe a vermelhidão e a pele fria. Angustiado, o homem se levanta para fechar a janela e grita por ajuda. Logo alguns guardas chegam ao aposento da rainha e do rei, encontrando %Take% ao lado da esposa e o ajudam a colocá-la sobre a cama. Um dos guardas chama os curandeiros do castelo para acudir a rainha. %Take% passa a mão pelos cabelos, que estão no mesmo corte de quando conheceu %Ayo%, observando as amas, incluindo Aimi, trocarem a roupa da rainha. Após, os curandeiros adentraram ao quarto, iniciando o processo para retomar a temperatura do corpo dela que está bastante abaixo do normal. Passam minutos em silêncio, apenas encarando um ao outro sem dizer uma palavra sobre o que estava acontecendo. Irritado com a omissão, o rei consorte os pressiona a dizerem a verdade.
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  — Meu senhor, não há nada com o que se preocupar — diz um deles, de pé e com as mãos na frente do corpo, o corpo levemente curvado.
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  — Não mintam para mim — rebate %Take%. — Claramente a %Ayo% não está bem, não escondam a verdade do seu rei!
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  — Senhor…
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  — É sobre a doença que acometeu a rainha Haru, meu senhor — revela o segundo curandeiro, fazendo o primeiro encará-lo com urgência. Era um segredo pedido pela rainha.
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  — Como disse? — %Take% dá um passo à frente, intimidando os dois, que recuam um pouco.
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  — Si-Sim, meu senhor — gagueja o homem com o olhar baixo. — A rainha vem sentindo dores de cabeça iguais às da rainha Haru e as do falecido rei Yusuke.
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  — E por que não me contaram antes? — ele dá mais um passo, parando em frente aos dois, que nem se atrevem a encarar diretamente o rei. O olhar de %Take% fulminava irritação.
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  — Foi um pedido para própria rainha, meu senhor, nos perdoe — pronuncia-se o outro. — Estamos em busca de uma cura ou algo que alivie as dores da rainha.
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  %Take% respira fundo, controlando sua irritação, e ordena:
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  — Me deixem a sós com ela.
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  Obedientes, os dois deixam o aposento juntamente com as amas. Dois soldados da guarda pessoal de %Ayo% se põem parados do lado de fora. %Take% volta a levar as mãos aos cabelos, desesperando-se pela notícia. Sua amada %Ayo% com a mesma doença que matou sua mãe, quando ela ainda era pequena, e de seu irmão que vinha piorando bastante antes de ser assassinado. O que isso significava? %Ayo% morreria do mesmo mal? O rei nem quer imaginar viver sem sua rainha.
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  Ele senta-se ao lado dela na cama, pondo a mão sobre seu rosto que está mais quente que antes. É um bom sinal. Aos poucos os olhos de %Ayo% se abrem e ela sente o calor da mão de seu marido a acariciando.
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  — Que alívio vê-la bem, minha rainha — diz o homem, beijando a mão da esposa que sorri para ele.
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  — Meu querido — %Ayo% retribui o beijo, depositando um sobre a mão do marido que acaricia seu rosto. — Estou a muito tempo desacordada?
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  — Não muito — responde voltando a ficar sério. — Por que não me contou das dores de cabeça? — %Ayo% suspira já entendendo o que ocorreu.
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  — Os curandeiros te contaram, não foi?
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  — %Ayo%…
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  %Take% abaixa a cabeça, as lágrimas surgindo em seus olhos, inundando-os e escorrendo por seu rosto. %Ayo% senta-se na cama, recebendo um abraço apertado dele.
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  — Não quis preocupá-lo, meu amor, me perdoe.
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  — Nunca mais esconda algo assim de mim, meu amor, por favor, eu lhe imploro — ele se afasta dela. Os olhos marejados do marido partem o coração da rainha.
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  — Eu lhe prometo, meu amado. Por favor, não chore mais.
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  %Ayo% o beija com suavidade e acolhe o rei em seus braços.
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