Playing Lovers


Escrita porBetiza
Editada por Lelen


Capítulo 6

Tempo estimado de leitura: 10 minutos

  O cheiro de café fresco e pão assado invadia o refeitório do acampamento, mas %Kacey% estava com o estômago fechado desde que acordou. Ou melhor, desde que a mãe de %Namjoon% invadiu a cabana em plena madrugada e pegou os dois praticamente no ápice do beijo.
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  A sensação do beijo ainda estava ali. Nos lábios, na pele, na memória. E também nos olhos dele — que não paravam de fitá-la como se soubessem de um segredo. E sabiam. Porque o beijo tinha mudado tudo.
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  Mas o pior mesmo foi quando Eun-ha se aproximou logo cedo, com um sorriso largo demais e um prato de panquecas nas mãos.
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  — Dormiram bem, meus queridos?
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  %Kacey% arregalou os olhos por um segundo antes de sorrir falsamente.
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  — Muito. Muito bem. Uma noite… abençoada.
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  %Namjoon% tossiu para não rir.
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  — Que bom! Porque eu estava orando ali de madrugada quando senti que devia visitar vocês. Deus toca o coração da gente assim, de repente. — Eun-ha olhou diretamente para %Kacey%, com os olhos brilhando. — E ouvir você chamando o nome do meu filho daquele jeito... foi muito emocionante. Senti mesmo a conexão espiritual entre vocês.
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  %Kacey% se engasgou com o café.
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  — Ahn... claro. A conexão. — ela pigarreou. — Espiritual. Intensa, né?
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  %Namjoon% olhou para o outro lado, lutando com todas as forças para não explodir de riso. O rosto dele estava levemente corado, e os lábios… ainda vermelhos demais.
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  — E sabe, querida — Eun-ha continuou, puxando uma cadeira para se sentar com eles — eu conversei com meu marido hoje cedo. E nós dois sentimos algo forte no coração. Vocês têm uma aura tão... cúmplice. Tão pura. E mesmo que o namoro seja recente, eu sinto que Deus uniu vocês por um propósito maior.
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  %Kacey% paralisou com o garfo no ar.
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  — Propósito... maior?
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  — Sim! — Eun-ha sorriu, tocando a mão dela por cima da mesa. — Eu vejo em você a futura esposa do meu filho.
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  %Namjoon% engasgou com o suco.
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  — Mãe! A senhora tá indo rápido demais…
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  — Que nada! — ela rebateu com um brilho nos olhos. — Quando é de Deus, tudo flui. E olha, se vocês pensarem em noivado, vamos organizar uma cerimônia simples, só pra família, aqui mesmo no acampamento. A gente tem véu, altar, violão... E a pastora Eunice ama fazer casamentos!
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  %Kacey% soltou uma gargalhada nervosa, colocando a mão no peito.
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  — A senhora é um amor, de verdade. Mas vamos com calma, né? Ainda estamos nos conhecendo. Tipo... muito. Mesmo. Todo dia tem uma coisa nova. Às vezes ótima, às vezes... preocupante. — ela lançou um olhar para %Namjoon%, que fingiu não ver.
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  — Claro, claro, minha filha. — Eun-ha sorriu de novo, como se já tivesse gravado o nome de %Kacey% em todas as toalhas da família. — Só quero que você saiba: se quiser voltar a se hospedar na nossa casa um dia... não vai nem precisar dormir no quarto de hóspede, viu?
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  %Namjoon% deixou o garfo cair no prato.
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  — Mãe, por favor!
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  %Kacey% enterrou o rosto nas mãos.
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  Quando a senhora %Kim% se afastou para buscar mais café, %Kacey% olhou para ele, os olhos semicerrados:
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  — Isso é sua culpa.
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  — Aparentemente, a minha boca tem efeitos colaterais. — ele sussurrou, provocativo.
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  Ela tentou parecer irritada. Tentou mesmo.
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  Mas parte dela ainda sentia o gosto dele.
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  E o problema... era querer mais.
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✨✨✨

  Depois do devocional da manhã, todos estavam com o tempo livre para fazerem o que quisessem. Nada de %Namjoon%.
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  %Kacey% procurou por ele com os olhos até onde sua vista alcançava e não o encontrou. Resolveu procurar por ele nos arredores do acampamento, afinal de contas ela não queria ficar sozinha naquele covil correndo o risco de ter sua paciência testada e acabar colocando tudo a perder. Especial com Soyun.
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  As vozes não vinham de muito longe e então ela parou quando enxergou ele ajudando o pai com a lenha. Os músculos estavam de fora, a regata estava amarrada na cintura por cima da calça de moletom que ele usava, e %Kacey% quis, quis muito desviar os olhos do corpo dele de novo, mas não conseguiu.
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  Os músculos dele se contraíam a cada movimento, os braços expostos e ligeiramente suados sob o sol da manhã. Ele ria de algo que o pai dizia enquanto segurava um pedaço de tronco largo demais para ser carregado por um ser humano comum. A regata amarrada na cintura deixava o tronco à mostra — definido, sem exagero, mas forte o suficiente para fazer %Kacey% esquecer temporariamente como se respirava.
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  Ela ficou parada ali por alguns segundos, escondida atrás de uma árvore, tentando decidir se aquilo era uma cilada, um castigo divino, ou apenas testes severos para o autocontrole humano.
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  — Tá admirando a criação divina? — a voz doce e venenosa de Soyun surgiu ao lado, e %Kacey% teve vontade de morder o próprio braço.
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  — Só observando um homem suando com lenha, nada demais. — respondeu sem tirar os olhos dele. — Relaxa, não pretendo montar um altar nem sacrificar uma ovelha.
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  — É que parece que você tá mais apaixonada do que diz. — Soyun comentou, com um sorrisinho enviesado. — Ou talvez esteja mesmo fingindo e esse olhar aí seja parte do teatro. Nunca se sabe, né?
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  %Kacey% a olhou de lado, com um sorriso gentil e uma leve inclinação de cabeça.
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  — Você fala demais pra quem perdeu a vaga.
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  Soyun ia responder, mas o barulho de lenha caindo atraiu a atenção das duas. %Namjoon%, agora sozinho, havia deixado cair algumas toras e xingava baixinho. O pai já havia se afastado para conversar com outros parentes.
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  %Kacey% não hesitou. Desceu a pequena trilha de grama e caminhou até ele, que enxugava o suor da testa com o antebraço. Quando a viu, abriu um sorriso genuíno — o tipo de sorriso que fazia os joelhos dela falharem por dentro, ainda que se recusasse a demonstrar.
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  — Fiquei com medo de você ter fugido. — ela disse, se aproximando, ainda olhando o peito dele, mas tentando se manter focada no rosto.
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  — Fugir? Com uma sogra tão amorosa? Nunca.
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  Ela riu, mas havia algo nos olhos dele. Um brilho. Um desafio. Como se ainda se lembrasse da noite anterior com cada detalhe.
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  — Precisa de ajuda com isso aí?
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  — Quer fingir que é minha noiva e também me ajudar a carregar lenha? — ele provocou. — Você tá se superando.
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  — Só estou me certificando de que a senhora %Kim% não nos separe com base em pecado da preguiça.
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  Ele largou a lenha de novo e limpou as mãos na calça, aproximando-se. Estavam sozinhos agora. Ninguém por perto.
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  — Você tá diferente hoje. — ele disse, os olhos buscando os dela. — Mais inquieta.
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  — E você tá diferente também. Mais… convencido.
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  — É que você me beijou ontem. Isso muda qualquer homem.
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  %Kacey% deu um passo pra trás, só por segurança emocional. Mas ele a acompanhou, devagar.
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  — O que a gente fez... não devia ter feito. — ela disse, ainda que a voz não saísse tão firme quanto gostaria.
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  — Eu discordo. Acho que foi o primeiro momento verdadeiro desde que chegamos aqui.
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  — Foi impulso. Isolado. Acabou. — mentiu.
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  %Namjoon% sorriu, se aproximando o suficiente para ela sentir o calor do corpo dele, mesmo com a manhã ainda fria.
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  — Então por que você não consegue parar de olhar pra mim como se quisesse de novo?
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  %Kacey% sentiu o estômago revirar. O corpo se acender. Mas antes que pudesse dar qualquer resposta — um passo pra frente, uma provocação, ou mesmo uma fuga — a voz da senhora %Kim% ecoou do alto da trilha:
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  — %KACEY%, QUERIDA! O PASTOR VAI FAZER UMA ORAÇÃO ESPECIAL PELOS CASAIS JOVENS, VOCÊS PRECISAM VIR!
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  %Kacey% fechou os olhos por um segundo e bufou.
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  — Salva pelo sino... — ela murmurou, antes de virar de costas.
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  %Namjoon% ainda a segurou pelo pulso, devagar.
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  — Isso ainda não acabou.
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  Ela não respondeu. Mas ele sabia. E ela sabia também.
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  E isso era o pior de tudo.
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Capítulo 6
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