Capítulo 5
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%Kacey% acordou com a respiração dele roçando suavemente sua nuca. O quarto ainda estava escuro, mas já havia luz suficiente para que ela enxergasse o contorno da janela. Demorou alguns segundos para entender onde estava. E mais alguns para perceber como estava.
A mão dele ainda segurava a dela. Por baixo da coberta, entrelaçadas. E o corpo dele — morno, firme e... ali — tocava o seu. As pernas, a curva da barriga, o peito.
E ela... não queria se mover.
Com cuidado, soltou os dedos dos dele. Sentiu um leve movimento — talvez ele estivesse acordando. Fingiu que não notou. Fingiu que não sentiu aquele breve aperto antes que ele soltasse por completo.
Foi ao banheiro. Lavou o rosto. Ficou encarando o espelho por alguns segundos. Aquilo não era real. Mas estava parecendo. E isso, justamente isso, era o perigo.
Quando voltou, %Namjoon% já estava sentado na cama, o cabelo bagunçado e os olhos semicerrados. Ele a encarou por um instante e depois murmurou:
— Como alguém que fingiu o dia inteiro e dormiu do lado de um problema.
Ele sorriu, sonolento, mas havia uma sombra no fundo do olhar. Um desconforto leve. Ele sentia. Ela sabia. Só não falavam sobre isso.
Não falar virou a nova regra.
No café da manhã, sentaram juntos, como deveriam. As mãos não se tocaram. Os olhares, sim. Discretamente, de vez em quando. Uma vez ela pegou ele observando o canto da boca dela enquanto ela mordia uma fatia de pão.
Outra, ela se pegou encarando a clavícula dele, visível sob a camiseta fina.
Ninguém comentou nada. Mas tudo acontecia em silêncio.
— O que acharam da oração de ontem? — perguntou um dos tios.
— Tocante. — respondeu %Namjoon%, sem olhar para %Kacey%.
— É. — ela completou. — Mexeu com algumas coisas.
A resposta poderia significar qualquer coisa. Mas quando ela olhou para %Namjoon%, ele já estava olhando para ela.
Mais tarde, um dos primos mais jovens puxou conversa com %Kacey% perto do lago.
— Você é bem diferente do que eu esperava. O %Namjoon% costumava andar com umas garotas... bem diferentes de você. — o primo disse com um sorriso interessado.
%Kacey% riu, mas antes que pudesse responder, %Namjoon% surgiu ao lado dela, como se tivesse sido invocado por alguma força invisível.
— Tudo certo por aqui? — perguntou, colocando a mão na cintura dela com naturalidade, como se aquele espaço fosse seu.
— Tudo. — %Kacey% respondeu, sentindo o calor da palma dele. — Estávamos só conversando sobre seu passado glorioso.
— Hum. — ele disse, com um meio sorriso. — Tem coisa melhor pra conversar.
O primo se despediu pouco depois, e %Kacey% soltou um suspiro.
— Era ciúme isso? Ou atuação avançada?
%Namjoon% não respondeu. Só a olhou.
E de novo, o silêncio falou mais alto do que qualquer resposta.
Naquela noite, quando se deitaram, dessa vez mais distantes, ele apagou a luz sem dizer boa noite. E no escuro, depois de minutos longos, ela sussurrou:
— Ainda é só ensaio, certo?
— Claro. — ele disse, baixo.
Mas o problema era que nenhum dos dois acreditava nisso.
✨✨✨
O silêncio reinava na cabana. Só o som das folhas batendo contra a janela e o zumbido baixo dos grilos preenchiam o espaço. %Kacey% havia demorado para dormir. Revirou-se por um tempo, brigando com os pensamentos, com o corpo, com tudo que ele fazia com ela sem nem perceber.
Mas em algum momento, o cansaço venceu.
Era confuso. Quente. Carregado. Ela estava encostada em %Namjoon%, como no ensaio. Mas os toques não eram ensaiados. Eram urgentes. As mãos dele em seu rosto, na sua cintura, depois subindo pelas costas por baixo da blusa que ela usava. Beijos — profundos, intensos. O gosto dele era doce, quente, vívido demais para ser apenas um sonho.
Ele a olhava como se fosse dela. Como se não fingisse. Como se quisesse.
E quando ela disse “isso não faz parte do combinado”, ele respondeu:
— Eu sei. Por isso tá sendo tão bom.
Ela acordou com um sobressalto, a respiração descompassada e a pele quente. Estava coberta de suor, como se tivesse corrido. Ou como se tivesse sido tocada de verdade.
E então percebeu: %Namjoon% estava sentado na cama, virado para ela, o olhar preocupado.
Ela piscou algumas vezes, tentando voltar. Ele estava perto. Perto demais. E ela ainda sentia o calor do sonho grudado na pele.
— Foi só… um sonho. — murmurou, a voz rouca. — Um pouco real demais, talvez.
%Namjoon% não respondeu. Os olhos dele desceram até o pescoço dela, onde gotas de suor brilhavam sob a luz fraca da lua.
— Você tava se debatendo. E chamando meu nome.
A frase caiu no quarto como um raio silencioso.
%Kacey% prendeu a respiração.
Ele disse aquilo sem tom de brincadeira. Sem sorriso. Só fato.
Ela sentou na cama, virando o rosto, sem saber o que dizer. Mas ele já estava ao lado dela, a mão roçando devagar suas costas, como se tentasse acalmar uma fera assustada.
— Não foi nada. — ela insistiu, mas sua voz tremeu. — Vai passar.
%Namjoon% tocou seu ombro, a pele arrepiando imediatamente.
— Quer que eu fique um pouco mais perto?
Ela deveria dizer “não”. Gritar “cláusula 3”. Jogar um travesseiro nele.
Mas o sonho ainda estava nela. O calor, o toque, o olhar.
Ele deitou ao lado, virado para ela. E dessa vez não havia espaço entre os dois. O braço dele envolveu sua cintura devagar, e a testa dele encostou na dela.
E quando ele passou os dedos pela lateral de seu rosto, %Kacey% fechou os olhos. Não por ensaio. Mas por desejo.
— Isso ainda faz parte do nosso teatro, certo? — ela sussurrou.
— Não. — ele respondeu. — Mas eu não vou parar… se você não quiser.
Ela hesitou. Só por um segundo.
E então, com um suspiro, encostou os lábios devagar na bochecha dele. Só um toque. Só um gesto. Mas que dizia tudo.
Eles haviam saído do script. E já não estavam nem um pouco preocupados com isso.
Ainda estavam deitados. Um na frente do outro. Perto demais. Silenciosos demais para não estarem dizendo nada.
A respiração de %Kacey% já tinha voltado ao normal, mas o coração ainda batia alto. O toque dos dedos dele na lateral de seu rosto continuava. Lento. Intencional. Como se cada centímetro importasse.
Ela abriu os olhos e encontrou os dele. Escuros, firmes, mas... vulneráveis. Havia algo ali que não era mais só carência, nem charme, nem desespero por aprovação familiar.
Era ele. Nu em expressão. De verdade.
E pela primeira vez desde que aquilo tudo começou, %Kacey% teve medo de se perder dentro daquele olhar.
— Você sempre olha assim pras garotas que beija? — ela perguntou, a voz baixa, rouca do sono… e de outra coisa.
— Eu não olho assim pra ninguém. — ele respondeu, sem pensar.
Foi devagar. Como se ainda houvesse espaço para recuo, para desistência, para fingir que estavam apenas sendo levados pelo papel. Mas quando os lábios se tocaram — um leve roçar, uma linha tênue entre provocação e entrega — nenhum dos dois recuou.
O beijo veio como um suspiro contido por noites.
Os lábios se encaixaram com uma facilidade absurda, como se estivessem esperando por isso o tempo todo. %Namjoon% aprofundou devagar, segurando o rosto dela com uma das mãos, os dedos firmes, a boca quente e controlada — por enquanto. %Kacey% sentiu o corpo todo vibrar em resposta, como se o sonho tivesse voltado, só que dessa vez em carne viva.
Ela segurou o braço dele, buscando apoio, porque o mundo girava de um jeito diferente quando %Namjoon% a beijava. Não havia mais acampamento. Nem cláusulas. Nem contrato. Só calor.
E foi quando ela soltou, entre beijos curtos e ofegantes:
Que a porta bateu uma, duas vezes — e abriu.
— Filh— AI MEU DEUS! Desculpa! — a voz da senhora %Kim% surgiu em meio a um estrondo de passos para trás e a porta sendo fechada com pressa. — Eu ouvi ela te chamando alto e achei que... que... Ai Senhor!
%Namjoon% ainda tinha a mão no rosto dela. %Kacey% estava sem ar, com os lábios levemente entreabertos e o corpo todo em alerta.
— Merda. — ele sussurrou, se afastando com cuidado. — Ela ouviu você me chamando durante o sonho...
— E agora acha que a nora tava tendo um surto místico no meio da noite.
%Kacey% cobriu o rosto com as mãos, rindo nervosa. O gosto do beijo ainda estava nos lábios. E a urgência que ele carregava... ainda fervia na pele.
— Isso foi uma péssima ideia. — ela murmurou.
— Foi a melhor ideia que eu já tive. — %Namjoon% respondeu.
E ela odiou o quanto queria beijá-lo de novo.
Mesmo com a mãe dele ali, do lado de fora, murmurando algo como “vou orar por esses jovens” e se afastando no escuro da madrugada.