Capítulo 1
Tempo estimado de leitura: 9 minutos
— O que eu preciso fazer para você topar? Já faz três dias que você disse
“vou pensar, %Kim% %Namjoon%.” Eu prometo que faço o que você quiser, %Kacey%!
— Para quando é mesmo a viagem? — %Kacey% se fez de desentendida e desinteressada, achando que assim ganharia tempo.
Ela e %Namjoon% faziam parte do mesmo grupo de amigos na faculdade, o que fazia com que os dois fossem
“quase próximos”, “quase íntimos”, mas na verdade eram dois conhecidos que tinham uma infinidade de amigos em comuns então acabavam ficando na mesma rodinha nos intervalos e nas festas.
E provavelmente todas as garotas do grupinho — que já haviam rodado nas mãos dele, não toparam o favor. Então havia sobrado ela, e ele estava tentando desesperadamente.
%Namjoon% precisava de uma namorada falsa por sete dias. Em uma viagem com a família quase toda para um acampamento espiritual. Ele precisava provar para a família conservadora e recém convertida ao cristianismo que ele havia mudado, ou seria deserdado do testamento dos pais.
Ou seja, era um caso de vida ou morte, de extrema urgência — e quase de extrema unção.
— Amanhã, %Kacey%! Eu preciso da sua resposta agora.
— E o que te faz pensar que eu vou aceitar? Eu não tenho nada a ganhar com isso, e nem tão próximos assim nós somos. %Namjoon%, são sete dias fingindo uma coisa muito séria! E se seus pais descobrem?
%Namjoon% bufou alto, passando as mãos pelo rosto e cabelos, bagunçando-os e então começou a andar de um lado para o outro.
— Eles não vão descobrir %Kacey%, não tem jeito. É só nós fingirmos, toques, beijos, uma história bem elaborada, e pronto! Você já deixou escapar que não tem nenhum compromisso durante o recesso, então o que te impede de ajudar um amigo? Sem sentimentos, sem envolvimento real. Você tem o coração bom, sei que vai aceitar. Foi por isso que pensei em você.
%Kacey% não resistiu. Soltou uma risada alta, jogando rapidamente a cabeça para trás.
— Me escolheu porque não sobrou mais ninguém para você propor esse absurdo! Isso sim, %Namjoon%.
— Que seja %Kacey%. Você é a minha única esperança, por favor! — Ele juntou as mãos, implorando.
%Kacey% olhou para o gesto, depois passeou os olhos pelo rosto dele, travado em desespero e ansiedade e ela nunca havia o visto daquele jeito. Umedeceu os lábios com a língua, tentando afastar o súbito nervosismo que começava a tomar conta de seus músculos.
O que ela tinha a ganhar? Nada. O que tinha a perder? Nada, também. Eram só sete dias, em um lugar calmo, cheio de paz, com comida gostosa, gente cristã rezando e enchendo o saco talvez, mas ela realmente não faria nada de produtivo ou de demais naquele recesso de outono.
Ah não ser, ver filmes com as amigas e ir para diferentes festas todos os dias. Beijaria algumas bocas, faria um sexo meia boca em um dos quartos das casas das festas, e pronto.
%Namjoon% quebrou a distância entre os dois, e num ato desesperado, numa cartada final, ele segurou o rosto dela entre as mãos, colando as testas.
— Por favor, %Kacey%! Só você pode me salvar! Eu preciso da sua ajuda. É você, ou eu estou perdido pelo resto da minha vida. Sete dias sem envolvimento, nem sentimento nenhum, além da minha total lealdade e gratidão. — Ele umedeceu os lábios — Eu prometo que fico 1 ano sem falar com você depois disso.
A respiração de %Kacey% travou no instante em que ele segurou seu rosto entre as mãos. O toque era quente, firme e inesperadamente… gentil. A aproximação fez com que o ar entre eles ficasse denso, carregado de algo que ela não conseguia nomear, mas sentia com força no centro do peito.
As testas coladas. Os olhos dele tão próximos que ela podia ver cada fio escuro dos cílios, o brilho sincero do desespero, e... o contorno dos lábios.
Ela nunca havia reparado tanto assim neles. Mas agora estavam ali, a poucos centímetros dos seus. Cheios, bem desenhados, e úmidos — provavelmente pela língua que ele havia passado segundos antes. Ela piscou, tentando afastar o foco daquele detalhe ridículo. Mas era difícil. %Namjoon% estava perto demais. A ponto de ela sentir o perfume amadeirado e limpo que vinha da pele dele. Não era o tipo de perfume que ela associaria a alguém como ele — um conquistador, um convencido. Era mais... humano. Quase suave. Quase bom demais.
— Você tá... exagerando, %Namjoon%. — murmurou, sem conseguir afastar o rosto. Sua voz soou mais baixa, mais rouca do que o normal.
Ele sorriu de leve, um sorriso torto, fraco, do tipo que sabia que estava jogando sujo e mesmo assim não conseguia parar.
— Eu tô desesperado. Desespero faz a gente ser sincero... e meio ridículo também.
As mãos dele ainda estavam no rosto dela, e por mais que seu cérebro gritasse que era hora de recuar, o corpo dela não se movia. Os olhos fixos nos dele, e os pensamentos começando a vacilar.
Não. Claro que não. Eles estavam apenas negociando um acordo. Frio. Racional. Sem sentimentos. Mas por que então o coração dela estava batendo tão rápido?
Ela pigarreou, tentando recuperar o controle da situação, e dessa vez, sim, deu um passo para trás, fazendo com que ele finalmente soltasse seu rosto. Mas o estrago estava feito.
Porque naquele breve instante, algo se acendeu. Um calor inesperado. Um pensamento bobo. Um "e se" perigoso.
E ela odiava quando as regras começavam a ruir antes mesmo do jogo começar.
— Tudo bem. Mas os toques vão ser todos combinados, eu vou estabelecer limites bem rígidos, nada de abusar das mãos ou da lingua. — Ele umedeceu os lábios que ficaram secos de novo. — Nada de dormir de conchinha ou colado comigo. Ok?
A expressão de %Namjoon% suavizou como se ela tivesse acabado de jogar uma boia no mar revolto onde ele se afogava. Os ombros caíram em alívio, e um sorriso cresceu no canto dos lábios dele, apesar das regras quase militares que ela havia acabado de ditar.
— Fechado. Sem mãos abusadas. Sem línguas fora de lugar. E nada de conchinha. — Ele repetiu com ares solenes, levantando uma das mãos como se estivesse jurando diante de um tribunal. — Eu juro solenemente que não farei nada que não esteja no contrato verbal da senhorita %Kacey% %Monroe%.
Ela cruzou os braços, tentando manter o olhar sério, mas o canto da boca quase traiu a tentativa com um sorriso.
— Pode rir, mas eu vou escrever isso. Literalmente. Um contrato. Com cláusulas. E multas por descumprimento.
— Multas? — Ele ergueu uma sobrancelha, divertido. — Você tá mesmo levando isso a sério.
— Sete dias, %Namjoon%. Sete dias fingindo que eu sou a mulher da sua vida. Eu preciso de regras. Preciso de controle.
Ela respirou fundo, pesando todas as decisões erradas que já havia tomado na vida. Provavelmente estava prestes a adicionar mais uma à lista.
—
Topo. — respondeu, por fim. —
Mas se você quebrar alguma regra, eu conto para os seus pais que a gente se conheceu numa boate, você me agarrou no banheiro e me chamou de demônio tentador. %Namjoon% arregalou os olhos.
— Você inventou isso agora?
— Sim. Mas é exatamente o tipo de história que sua mãe provavelmente acreditaria.
— Você é assustadora. — disse, sorrindo.
Ela sorriu de volta, já arrependida. Mas era tarde demais. O acordo estava selado. E no fundo, bem no fundo... alguma parte dela já sabia que sete dias não seriam suficientes para fingir sem sentir.