Parte 5
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Sentimentos vêm e vão, não com você
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Encontro com minha irmã no estacionamento de um restaurante, é um sábado, e seu primeiro dia livre no Rio.
Ela me abraça tão apertado que acho que minha coluna irá quebrar, mas não protesto, estou feliz em vê-la também.
ㅡ Escolhi esse restaurante especialmente para você ㅡ ela aponta para as portas de vidro do local e só então noto o nome francês do restaurante.
ㅡ Depois podemos ir comer um açaí ou algo do tipo? ㅡ peço empurrando a porta para que ela entre.
ㅡ Sim, você tem muito o que contar, especialmente sobre a Belle, e vamos fazer tudo isso comendo.
ㅡ Sim, senhora ㅡ concordo soltando uma gargalhada.
A hostess nos recepciona com um sorriso simpático no rosto e nos guia até a mesa que minha irmã reservou para nós dois.
ㅡ Ah e a tia Ana disse para você ligar para ela.
ㅡ Farei.
E então a vejo, Belle está há duas mesas de distância, ela conversa animadamente com alguns amigos, ao notar meu olhar ela me vê e assim como eu permanece estática, digerindo a minha presença assim como digiro a dela.
Um dos objetivos era encontrá-la, mas depois de ir até o seu apartamento e não encontrá-la eu havia adiado temporariamente esse plano e me concentrado em Débora, minha irmã mais velha que não vejo pessoalmente há anos.
Estivemos tão envolvidos em nossos trabalhos e eu com meu jeito difícil de superar a morte de nossos pais que eu mal lembrava da cor de seus cabelos.
E agora estou com ela e com a mulher da minha vida na minha frente.
Um rapaz toca seu braço chamando sua atenção e ela então desvia o olhar.
ㅡ É a Isabelle? ㅡ minha irmã pergunta ao meu lado, mas não consigo responder, Belle está vindo até nós.
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Antes
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Meus dias seguem sua rotina, acordo, tomo meu café no Sr. Pietro, resolvo algumas coisas, almoço e vou para o teatro onde fico até tarde ensaiando e volto para casa.
Num desses dias, resolvi abri uma pequena pasta que Débora insistiu que eu trouxesse para Paris há seis anos, quando me mudei.
Várias fotos caem da pasta assim que abro, e por horas eu vivo no meu passado, em São Paulo, com meus pais e minha irmã.
Antes dela sair de casa para ser independentes, antes dos meus falecerem em um acidente de carro.
E foi naquela noite que eu tomei uma decisão, eu enfrentaria meu passado e minhas perdas e também lutaria por Belle, assim como sempre soube que faria, desde quando a atravessamos a ponte no Parc Des Buttes-Chaumont, desde quando nos beijamos no parque Alpin, ou que dividimos um vinho barato num restaurante depois que ela foi a minha apresentação, desde quando a encontrei encharcada pela chuva e dividimos um café.
Eu lutaria por Belle, e para provar que valeria a pena, e que íamos arrumar um jeito de fazer dar certo.
Telefono para Débora sem nem calcular a diferença das horas da França para o Brasil, mas ela me atende depois do terceiro toque e então anuncio: estaria indo para o Brasil em algumas semanas.
FIM
Nota: Olá, pessoal,
Essa é a minha primeira songfic, quero agradecer a quem indicou a música, porque eu não conhecia e achei ela maravilhosa, e peço desculpas caso a história não tenha nada com o que idealizou na sua mente.
E quem quiser trocar algumas ideias sobre essa songfic ou escritas em geral, me sigam nas redes sociais, e vamos ser migos!