Parte 4
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Eu olho para você agora e eu quero isso para sempre
Eu talvez não mereça, mas não a nada melhor
Não sei como fiz tudo isto sem você
Meu coração está prestes a saltar do meu peito
☔
ㅡ Boa tarde! ㅡ uma voz masculina sai da caixa do interfone depois que tomo coragem para tocar, olhando para dentro do prédio, avisto um senhor com o telefone na mão, os olhos presos em mim pelo vidro escuro da porta.
ㅡ Isabelle Morais ㅡ digo sentindo o nervosismo comer meu estômago, eu não tenho certeza de nada aqui, mas preciso tentar.
ㅡ Acho que ela não está em casa no momento, só um minuto ㅡ ele desliga o interfone e retorna alguns minutos depois.
Ela não está.
Agradecendo, dou as costas ao portão e saio da vista do senhor.
Pegando meu celular recém adquirido, disco um dos únicos números salvos no aparelho.
ㅡ Ela não está aqui ㅡ sinto a derrota em meus lábios.
ㅡ Venha para cá então, vou te mandar meu endereço ㅡ Débora diz antes de desligar.
Aguardo sua mensagem com o endereço e entro no primeiro táxi livre que vejo.
☔
Antes
☔
Vazio.
Era isso o que eu sentia.
Pela janela da sala consigo ver o sol, ele aquece minha pele, mesmo que eu não me importe mais com os dias ensolarados.
Belle foi embora há dois dias, há dois que ela saiu da minha casa sem olhar para trás.
Como ela conseguiu eu não sei, só sei que nada é o mesmo agora.
Será que era esse o meu destino?
Me apegar as coisas e as pessoas e não ter nem tempo para me despedir?
Meu telefone toca estridentemente, ressoando por todo apartamento.
Me sinto um imbecil por estar assim, jogado na poltrona da sala enquanto minha mente me consome vivo cheia de especulações que não deveriam existir, porque todas elas envolvem a mulher que foi embora.
O barulho cessa, por alguns segundos o silêncio se faz presente novamente.
O vazio.
E então começa a tocar novamente.
Suspirando me levanto e vou até ele o tirando do gancho.
ㅡ Bounjour.
ㅡ Bonjour, minha cunhada está aí?
ㅡ Ela foi embora, Débora ㅡ pressiono minha têmpora me arrependendo de ter contato a ela sobre Belle.
ㅡ Sim, você disse que ela voltava para o Brasil, ela já veio?
ㅡ Sim.
ㅡ Por isso essa voz de sofrimento? ㅡ ela pergunta e sei que ela está debochando de mim ㅡ Eu vou para o Rio em alguns dias a trabalho, pensei em encontrá-la e te convidar a vir também, o que acha? ㅡ ela continua depois de não ter resposta.
ㅡ Débora.
ㅡ Aah já entendi. Não deu certo né? ㅡ ela soa decepcionada – Desculpa, David, eu fiquei animada demais achando que finalmente te teria você de volta aqui no Brasil por causa de uma garota, mas ainda assim, de volta.
ㅡ Não deu muito certo, desculpa, maninha.
ㅡ O que aconteceu?
E eu conto tudinho do que aconteceu na nossa última noite juntos, antes de Belle se decidir que não daria certo e ir embora.
ㅡ Você deveria vir pra cá, a gente pode tentar encontrá-la.
ㅡ Não ㅡ nego rápido de mais, não sei se pela possibilidade de ver minha irmã novamente ou pela proposta de procurar Belle ㅡ, eu não sei se é isso o que ela quer ㅡ nem o que quero, completo mentalmente.