5 • Paradise Kiss
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%Evelyn% ainda não sabia como reagir às trocas de carinho que havia tido na sauna com %Oliver%. A demonstração dos sentimentos de seu ex-noivo foram ainda mais intensas do que ela poderia imaginar. Um café da manhã estimulante e depois um encontro com os outros dois casais do primeiro dia na área privativa da piscina, o terceiro ponto da trilha.
— Eu ainda não acredito que vocês se casaram com dois meses — comentou Judy, ao dar o primeiro gole em seu coquetel.
As esposas estavam sentadas nas espreguiçadeiras em uma ponta da piscina, conversando um pouco. A atividade do dia era socialização com os outros casais e compartilhar experiências da prova anterior.
— Eu nunca tive tanta certeza quanto eu tenho agora, na atividade de ontem tantas coisas foram esclarecidas — comentou Louise. — Tenho certeza que sairemos mais apaixonados daqui.
— Vocês me deixam admirada — confessou %Evelyn%.
— E quanto a você, jornalista — Judy a olhou —, o que rolou com o bonitão?
— O que eu nunca imaginei que rolaria, não depois de tudo que aconteceu. — Ela respirou fundo, deixando a resposta no anonimato.
— Uhhhhhllllll. — As outras riram.
— Mas e você, senhora Judy? — %Evelyn% a olhou curiosa. — O que rolou? Vocês dois parecem inteiros demais pra quem trocou farpas na noite da fogueira.
— Real — concordou Louise.
— Ah… Até que não foi tão tedioso quanto eu pensei. — Ela olhou para a direção em que o marido estava.
— Hummmmmm… — Louise riu. — O que aconteceu?
— Ah, uma sauna quente… Uma carência de 13 anos… — Ela mordeu o lábio inferior. — Ele bem que me surpreendeu.
Ambas soltaram algumas gargalhadas, chamando a atenção dos homens do outro lado, que também trocavam alguns comentários sobre a noite anterior. A atividade continuou com as meninas indo ao spa da ilha e depois uma pequena volta pelo shopping recém inaugurado na parte sul. Já os garotos, se divertiram nas instalações de jogos bem próximo do ponto quatro.
— Parece que se divertiu muito hoje — comentou %Oliver%, assim que %Evelyn% chegou pouco depois dele.
— E vocês parecem ter terminado a noite muito cedo — comentou ela, ao jogar a bolsa no sofá rindo de leve.
— Ha… Ha… Eu acabei de chegar também — contou ele, mantendo o olhar fixo nela.
%Evelyn% se sentiu um pouco constrangida. Afinal, pela manhã ela não tinha tido a coragem de falar sobre a noite anterior, menos ainda se deixou pensar muito sobre os beijos que compartilhou com o homem em sua frente.
— O que foi? — perguntou ela.
— Nada… — Ele respirou fundo e caminhou até o banheiro.
— Aconteceu alguma coisa? — insistiu ela.
— Você, você aconteceu. — Ele entrou no banheiro sem mais palavras.
Ela ficou surpresa com aquilo.
Na noite do quinto dia, os jornalistas foram surpreendidos com o quarto ponto da trilha. Em um jardim de inverno, instalado na parte oeste da ilha, eles foram conduzidos para a próxima atividade: um jantar a dois.
— Tenho que confessar que a cada dia me impressiono com tudo que vejo nesse lugar — disse %Evelyn%, olhando à sua volta. — Esse jardim é lindo.
— Me lembra o Natal que passamos na casa de campo da Baker — comentou ele, observando os passos dela.
— Será que esse é o propósito do Paradise Kiss? — Ela o olhou intrigada. — Fazer os casais voltarem ao passado?
— E como saberiam dos detalhes de cada casal? — Ele cruzou os braços pensativo. — Como saberiam que esse jardim nos levaria a alguma lembrança?
— Não sei. — Ela riu baixo. — Mas, em um conto de fadas, diria que esse lugar é mágico.
— Olha só a leitora de Nicholas Sparks — brincou ele, se afastando um pouco dela e seguindo até a mesa preparada para ambos.
— E quem disse que meus romances possuem alguma magia? — Ela riu de leve o seguindo.
Ele parou em frente a uma das cadeiras e a moveu para que %Evelyn% se sentasse. Moveu o olhar e agradeceu com um sorriso ao sentar, então o observou fazer o mesmo na cadeira de frente para ela. Quanto mais se forçava a não olhá-lo, mais sua atenção se movia para ele de forma magnética.
— Você leu nossa atividade de hoje? — perguntou ele, ao abrir a garrafa de vinho e servi-los.
— Sim, e cada vez que penso sobre essa
Trilha do Coração me pego mais confusa — respondeu ela. — Futuro, um jantar para falar sobre o nosso futuro juntos.
— Podemos falar sobre como vamos trabalhar sem colocar fogo no jornal — sugeriu %Oliver%.
Ele riu baixo, fazendo-a rir junto.
— Ou sobre como vamos explicar o motivo de perder no acordo — completou ela, deixando seu olhar desanimado.
— O que aconteceu com a colunista feroz que conheço? — perguntou ele, arqueando a sobrancelha direita. — Ainda é o quinto dia e já desistiu?
— Eu não desisti, só estou pouco motivada. — Ela soltou um suspiro.
— Posso te ajudar em algo? — Ele se inclinou um pouco para pegar em sua mão que estava apoiada na mesa.
— %Oliver%… — Ela tentou afastar, mas seu supervisor astuto conseguiu entrelaçar seus dedos primeiro. — Por que está agindo assim?
— Você ainda pergunta? — retrucou ele. — Estamos aqui há cinco dias e ainda não falamos sobre aquele dia.
— Eu não quero perder o foco — disse ela, soltando sua mão da dele.
— Você sabe que faz parte da resposta que procuramos — insistiu ele.
— Não, não faz. — Ela tentou não alterar sua voz. — Não somos um casal, %Oliver%. Não mais.
— Porque você não quer — disse ele, abertamente sua convicção.
— O quê? Não fui eu quem te deixou no altar, no dia do nosso casamento. — Ela se levantou bruscamente para sair.
— Então é isso, já vai fugir de novo. — Ele se levantou juntamente, demonstrando irritação. — É sempre assim, você joga suas palavras e sai correndo para não ouvir o que eu tenho a dizer.
Ela apenas se calou, ele tinha razão, mas %Evelyn% não tinha forças para enfrentar aquela parte do passado. Ou talvez tivesse, porém não queria usar, não naquele jantar. A noite passou com ambos em silêncio. %Evelyn% mantinha sua atenção ao tablet resolvendo alguns assuntos repentinos de sua equipe de colunistas, enquanto %Oliver% mantinha sua atenção às últimas notícias que saíram no jornal sobre seu primo Andrei.
No final da tarde do sexto dia, no último ponto da Trilha, ali estavam os três casais diante da sua guia, mais do que entusiasmada para a atividade final.
— Como é bom ver vocês e saber que continuaram até aqui — disse Charlie, olhando-os atentamente. — Em nossa última atividade, temos o desafio dos casais.
— E o que seria isso? — perguntou Judy, curiosa.
— Bem, para um relacionamento ser bem sucedido, só o amor ou a atração não são o suficiente, é preciso ter confiança e acima de tudo é preciso ter união — continuou a guia. — Por isso, vocês irão se aventurar em uma caça ao tesouro. Ao norte de nossa ilha há a floresta encantada, na entrada receberão um mapa com todas as pistas que precisam para achar o tesouro, como sei que todo ser humano gosta de uma competição, o casal que achar o tesouro será o vencedor.
— E qual seria o prêmio? — perguntou Roy, interessado.
— Isso terão que descobrir ao encontrar o tesouro — respondeu a senhora. — Desejo sorte a vocês e terão até amanhã pela manhã para encontrar.
%Evelyn% bufou de leve ao olhar para o lado.
— Era só o que me faltava. — sussurrou ela.
— Não somos obrigados a fazer se não quiser — disse %Oliver%, tentando ser o mais compreensível que poderia ser com ela.
— Eu sou profissional. — Ela deu impulso no corpo e passou por ele, seguindo em direção ao jipe que os levariam até a floresta.
As primeiras 2 horas de caminhada foram em silêncio e pequenos atritos quanto a direção em que seguiam as pistas.
— Eu desisto — disse %Oliver%, deixando sua raiva extravasar.
— O quê? — %Evelyn% parou, estava a alguns passos na frente dele, então o olhou sem entender.
— Eu desisto de te entender. — Ele tentou se controlar, mas estava com raiva da forma em que a mulher agia.
— Ah, você desiste? Acho que já fez isso antes — retrucou ela, alterando sua voz.
— Por que não para de fugir e não diz tudo que está pensando, vamos encarar de uma vez nosso passado — disse ele, controlando o tom.
— O que mais você quer que eu fale, você me abandonou no altar! — gritou ela, sentindo seus olhos lacrimejarem. — No dia mais importante da nossa vida e ainda volta com cara de arrependido achando que me conhece.
— Eu te abandonei porque disse que me odiava, que não iria aparecer naquela igreja na manhã seguinte — retrucou ele, finalmente expondo seu lado dos fatos. — Eu não iria me dar ao ridículo de ser abandonado por você.
%Oliver% manteve o tom amargo na voz, trazendo à tona a briga que tiveram na noite anterior ao casamento deles.
— E no entanto me abandonou... Se eu disse que te odiava, foi pelo que fez — retrucou ela, sentindo a primeira lágrima cair. — Porque eu sabia que não me amava.
— Você… — Ele riu de nervoso. — Você nem sequer me ouviu, já chegou jogando suas conclusões na minha cara, colocando palavras em minha boca.
— E o que eu deveria ter ouvido? Você fez uma aposta com seu amigo e me fez de trouxa… Nunca me amou de verdade. — Ela respirou fundo.
— Quem disse que eu não te amo? Você resolveu imaginar que uma aposta boba do ensino médio faria te fazer se apaixonar por mim e te deixar no altar? — Ele bufou indignado. — Seja racional, eu perdi a aposta quando me apaixonei por você.
O olhar de %Oliver% nunca expressou tanta sinceridade quanto naquele momento.
— Você não imagina o quanto me doeu o coração quando você disse que me odiava — confessou ele. — Eu realmente pensei que…
— Era verdade. — %Evelyn% sentiu mais algumas lágrimas rolarem em seu rosto, até que deu um passo para trás se afastando dele.
— %Evelyn%? — %Oliver% a chamou sem sucesso. — Aonde você vai?
— Me deixa sozinha! — gritou ela, se afastando mais.
Ele respirou fundo e seguiu atrás dela.
— Estamos no meio de uma floresta — gritou ele de volta. — %Evelyn%!
— Me deixe! — gritou ela novamente.
A lua clareando o céu de inverno, finalmente o Dia dos Namorado iniciava. %Oliver% continuava adentrando a mata gritando pela mulher que apenas desejava ficar sozinha com seus pensamentos. Confusa no que sentia e parcialmente arrependida por ter dito palavras de um sentimento que nunca teve por ele.
— %Evelyn%? — gritou ele, mais uma vez.
— Ah! — Ao fundo, a voz da jornalista soou abafada.
— %Evelyn%? — %Oliver% começou a correr em direção ao grito, até que parou de repente com a cena.
A jornalista estava caída ao chão, desmaiada ao fundo de um barranco. Certamente havia pisado em falso e escorregado morro abaixo.
— %Evelyn% — disse ele, ao chegar perto e tentar acordá-la. — %Evelyn%…
%Oliver% tentou não se desesperar, porém assim que ergue a cabeça dela, sentiu algo viscoso em sua mão. Seu corpo gelou ao ver o sangue em seus dedos, deixando-o ainda mais aflito e preocupado.
— Eu vou te levar pra casa, você vai ficar bem — disse ele, ao pegá-la no colo, forçando-se permanecer forte para levá-la em segurança.
O supervisor Tenebrae tinha uma boa memória e havia decorado os locais por onde tinham passado. Assim que chegou a primeira estação de parada, recebeu a ajuda dos funcionários de plantão em socorro da jornalista. Em minutos, um jipe levou ambos para a instalação da pequena enfermaria localizada no centro da ilha, onde %Evelyn% receberia socorro médico.
— O pior já passou, ela ficará bem, só precisa descansar — disse o doutor James.
— Obrigado, doutor — disse ele, segurando suas emoções.
Assim que o médico saiu, o olhar de %Oliver% se voltou para %Evelyn%. Ela estava deitada na cama, ligada a alguns aparelhos e adormecida. Ele se manteve sentado na cadeira ao lado, segurando em sua mão, seguro de que não sairia dali enquanto não visse ela fora de perigo. As horas foram passando, até que ele despertou de um cochilo, vendo-a ainda adormecida.
— Por que deixamos tudo chegar ao limite para resolvermos nossos problemas? — sussurrou ele, se sentindo culpado por aquilo tudo. — Não há um único dia que eu não me arrependa de não ter entrado naquela igreja… Eu te amo, %Evelyn%, por favor, não me deixe…
Ele prendeu um grito de desespero, sentindo sua garganta arder e seu coração doer.
— Acorde, nem que seja para dizer que me odeia — pediu ele, num tom mais baixo, debruçando sua cabeça sobre a barriga dela. — Eu não me importo, só quero que fique comigo.
Tudo ficou silencioso deixando apenas soar o barulho dos aparelhos médicos. Aumentando ainda mais o sentimento de agonia dentro dele.
— Eu te amo. — A voz dela saiu em meio a um sussurro.
Ele levantou a cabeça no susto e a olhou, seus olhos marejados e o rosto molhado por algumas lágrimas.
— Olha só, ele ainda fica bonito quando chora — brincou ela, sorrindo de leve.
— %Evelyn%. — Ele finalmente conseguiu respirar direito. — Eu…
— Me desculpa por te deixar preocupado… — continuou ela, o interrompendo. — E por nos fazer perder a competição.
— Quem liga pra competição, no final, você sempre vai vencer — assegurou ele. — Achei que te perderia.
— Você nunca me perdeu, meu coração sempre foi seu. — Ela forçou um pouco seu corpo para se erguer e inclinando para frente o beijou de leve.
%Oliver% retribuiu de imediato, controlando a intensidade, ainda estava preocupado com a condição física dela.
— Vamos com calma, você ainda está em observação — sussurrou ele, sorrindo de canto. — Me desculpe por não ter contato sobre a aposta, não imaginei que ficaria tão mal com isso.
— Eu era a bolsista pobre no grupo dos populares… — contou ela.
— E eu, o popular cobiçado da Continuum — continuou ele. — Você foi a única parte boa dessa aposta.
— Tenho certeza que sim. — Ele sorriu de volta. — Diga mais uma vez que me ama.
— Eu te amo. — Ele a beijou com suavidade mais uma vez. — Sempre vou te amar.
Ela manteve o olhar suave para ele.
— Acho que sei qual o propósito desse lugar — disse ela, com segurança.
Um sorriso de canto surgiu no rosto de %Evelyn%, pois sabia que seu propósito estava diante dela.
Eu irei esperar por você
Por favor, abra o seu coração
Eu não posso mudar o meu coração
Você é o meu tudo
Eternamente o meu amor.
- My Answer / EXO
“Amor: Um dia me disseram que o sorriso é uma forma de mostrarmos o quanto gostamos de alguém. Hoje me perguntaram se eu gostava de você, e eu apenas sorri.” - by: Pâms.
Fim