Paper Crown


Escrita porGeo
Revisada por Natashia Kitamura

CAPÍTULO II

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

  Tempo. O tempo é o processo mais cruel de tudo. Ele passa, e com ele, vai levando tudo que já foi bom: as lembranças, as angustias, as sensações inexplicáveis da vida; tudo que é bom, o tempo passa levando. Já faz 9 meses, longos nove meses sem ele, sem meu paizinho, e cada dia que se passa, eu me lembro menos de sua face, de sua voz, de seu toque, e isso me deixa tão frustrada, tão absorta, nem sei mais o que eu faço da minha vida.
  - Eu sinto muito a falta dele também. – Não demorei para reconhecer aquela voz rouca, ela era bem conhecida, afinal, era a única que tentava a todo custo manter algum contado.
  - Seria anormal não te encontrar aqui. – falei, ainda observando o túmulo do meu pai. Sim, estou no cemitério, e o %Harry%, meu vizinh,o também. Era comum eu encontrar ele por ali. Ele sempre aparecia, acho que ele tem a mesma mania que eu de contar os meses e fazer uma visita quando cada um deles se passa.
  - Seria anormal eu não estar aqui. – ele falou depois de um tempo. – Seu pai foi um grande amigo, e um grande pai também, seria egoísmo da minha parte não recordar dele.
  - Ele gostava muito de você.
  - Eu sei, mas ele gostava ainda mais de você e não deve estar gostando nadinha da forma em que você está vivendo.
  - Eu apenas não consigo viver.
  - Você só fala bobagens.
  - Não é bobagem, você apenas não entende porque não é com você.
  - Não é agora, mas já foi, e eu aprendi a lidar com isso.
  - É diferente.
  - Não é diferente, é mesmo que perder, não perdi meu pai, nem minha mãe, eu nem ao menos cheguei a conhecê-los, e pode ter certeza, não foi fácil crescer todos esses anos sem uma família e aprender a se virar sozinho.
  - A sua situação é diferente justamente porque você não chegou a ter nenhum contando com seus pais.
  - Isso não me torna menos órfão.
  - Você nem sabe se ele estão vivos.
  - Para mim eles não estão, como para eles eu não estou também.
  - De qualquer forma, é diferente.
  - Não vou discutir, mas pensa, seu pai não estar feliz em ver você destruindo sua vida, ele iria querer que você seguisse em frente.
  Talvez meu pai estivesse mesmo triste por eu estar acabando com o retorno da minha vida, mas no momento eu não ligo; eu não sou tão forte quanto o %Harry%, e nem devo conseguir ser um dia. A história dele é diferente da minha: ele foi abandonado pelos pais quando ainda era um bebê, não conviveu com nenhum dos dois e nem ao menos sabe quem são eles. No meu caso, por mais que eu não tenha conhecido a minha mãe, eu sempre tive o meu pai por perto, ele sempre foi meu porto seguro e sem ele aqui comigo, eu me sinto perdida, completamente sem rumo.

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CAPÍTULO II
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