Paper Crown


Escrita porGeo
Revisada por Natashia Kitamura

CAPÍTULO I

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

  “Olá %Paper%, sou eu, seu vizinho %Harry%. Desculpa estar te incomodando novamente, mas é que eu queria saber se você já tem uma resposta, seria legal ter a sua companhia esta noite, se por acaso você estiver disposta, estarei te esperando às 21hrs no hall do prédio.”
  E mais uma vez ele havia mandado mais um bilhetinho por debaixo da minha porta, bom, para quem não sabe, %Harry% é meu vizinho, ele era amiguinho do meu pai e parece que agora que o senhor Walter resolveu ir embora, %Harry% se sente na obrigação de tentar me tirar do escuro; ah, e só para deixar claro, %Harry% não é uma velho louco, ele é muito novo, acho que uns quatro anos mais velho que eu, ou menos, não sei na verdade.
  Fazia algum tempo que ele insistia em me levar consigo para algum lugar que eu nunca parei para escutar o nome, nunca nem dei muita atenção, posso até ser um pouco mal educada às vezes, mas é que eu não suporto o fato dele achar que deve ser meu amigo, só porque ele era do meu pai. Muitas vezes eu escutei meu pai falar o quanto ele era legal e parecia um filho para ele, e quantas vezes o próprio %Harry% falava o mesmo do meu pai ser um pai para ele, não acho que ele lidou muito bem com a notícia, mas era muito mais complicado para mim.
  A gente nunca sabe quão ruim é perder os pais, até chegar o dia em que eles se vão. Foi muito difícil passar 19 anos sem uma figura materna do meu lado, como está sendo realmente muito difícil passar esses meses sem o meu pai, sabendo que dessa vez não é só uma pequena viagem de trabalho. Antes até fosse.

[•••]

  Já eram bem umas 22hrs quando o som da minha campainha soou pelo cômodo, o que já era meio estranho, pois ninguém nunca vem aqui. Na verdade, não existe nenhum ser humano para vir me visitar ou algo do tipo, a minha preguiça era tão grande que eu queria não sair nem da minha cama, quanto mais atender a porta, mas como nada é legal na minha vida, a droga continuou tocando e tocando.
  - Já que você não apareceu lá embaixo, eu resolvi passar aqui. – Eu até devia imaginar que seria essa criatura.
  - Talvez eu não apareci porque não estava com vontade de sair.
  - %Paper%, não pense que eu estou com pena de você, eu só queria encontrar uma maneira de te ajudar.
  - Desculpa, mas eu não preciso de ajuda, sair com você, seja lá para onde for, não vai me ajudar em nada.
  - Isso você só saberá se um dia aceitasse sair comigo.
  - Eu não tenho vontade de sair com você.
  - Quando é que você vai deixar de construir esse muro de auto defesa? Deixa de ser cabeça dura, eu não estou aqui por pena, eu estou aqui para te ajudar.
  - Eu já disse e torno a dizer, eu não preciso de ajuda, a única coisa que eu preciso é ficar sozinha.
  - Você está sendo egoísta consigo mesma, eu tenho certeza que o Walter não está contente com esse seu comportamento.
  - Eu preciso ir dormir, obrigada por sua preocupação, mas por instante, eu não preciso dela.
  E foi assim que mais uma vez o %Harry% levou portada na cara, parceria que ele nunca se cansava ou que ele nunca fosse entender. Não era nada com ele ou contra ele, era apenas a minha vontade de ficar sozinha, eu não queria sequer me distrair, não queria parar de pensar, ou até chegar a esquecer do rosto do meu pai, por deixar que novos lugares e até novas pessoas surgissem para apagar as lembranças que eu tinha dele, e foi assim, com esse angustiante pensamento, que eu me entreguei ao sono.

[•••]

CAPÍTULO I
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