Obviously Yours

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Parte 2

Tempo estimado de leitura: 26 minutos

  O backstage virou campo de guerra. Jornalistas tentando entrar. Empresários discutindo. Dougie a alcançou no corredor.
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  — Descobri — disse com a voz trêmula. — Foi um erro. Levei o papel sem perceber. Eles acharam que era meu.
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  — E você nunca estranhou?
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  — Estranhei. Tarde demais.
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  Ela o encarou. Pela primeira vez, a ferocidade apareceu sem filtro.
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  — Você cantou minha confissão como se fosse sua! Você é maluco?
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  Ele engoliu em seco.
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  — Eu vou admitir. Publicamente.
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  — Agora? — ela perguntou.
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  — Agora.
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  Horas depois, antes do show da banda dele, Dougie entrou no palco sozinho. A multidão estava elétrica com o escândalo.
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  — Antes de começarmos — ele disse —, preciso corrigir algo. A música que vocês conhecem não nasceu comigo. Ela foi escrita por %Sienna% %Blake%.
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  O público reagiu com choque e aplausos misturados.
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  — Eu errei. E sinto muito.
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  Ele respirou fundo.
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  — E eu espero que ela me perdoe um dia.
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  Nos bastidores, %Sienna% assistia ao telão. Aquilo não constava no plano dela. Ela queria expor, não humanizar, mas ele parecia genuinamente devastado. “Obviously” começou a ser pedida pelas fãs da McFly, a banda olhou com incerteza para Manoel, o empresário, que fez sinal para que eles mantivessem o roteiro. Iam sim tocar a música, não importa se The Maine havia levantado aquela acusação. Durante o refrão da versão da música, porém, algo inesperado aconteceu: Dougie parou a música no meio.
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  — Espera, espera! Para! — ele falou aos companheiros que o encaravam incrédulos e nervosos. — Tem alguém que deveria cantar isso com a gente!
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  As luzes se moveram, %Sienna% hesitou. A plateia começou a gritar o nome dela, e a vocalista olhou para os colegas de banda, confusa. Ela poderia ir embora, poderia manter a postura calculada, mas, contra sua própria lógica, saiu do bastidor, caminhou até o palco e pegou o microfone. Dougie e %Sienna% ficaram frente a frente sob milhares de celulares erguidos.
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  — Só porque a versão original é melhor — ela falou no microfone.
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  Não houve um integrante da The Maine que não estivesse satisfeito com a coragem dela e com a ovação da multidão do show. Do outro lado, não havia um integrante sequer que não estivesse constrangido. O empresário da McFly falava com Tim, o empresário da The Maine, em um canto completamente frustrado.
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  John sorria feliz. Nunca tivera nada contra os caras, mas saber que a caçula da banda havia sido feita de otária estava deixando-o completamente puto. E, de certa forma, Garrett, Jared e Kennedy também estavam satisfeitos de ver a justiça sendo feita no palco, pela própria %Sienna%.
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  %Sienna% e Dougie cantaram juntos, como dois artistas que quase se destruíram por descuido e orgulho, embora as coisas não ficassem resolvidas apenas com um dueto. A interpretação foi intensa. Quase dolorosa para %Sienna%. Ainda se sentia roubada. Quando a música terminou, Dougie segurou a mão dela por um segundo a mais do que o necessário.
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  — Prometo que vou me explicar publicamente com todos sobre o erro que envolveu esta canção. O rascunho da música se misturou aos nossos por minha causa. Fui eu que não percebi que estava com a letra de %Sienna% no bolso quando saí da casa dela.
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  Naquele momento, a cantora que o observava desconfiada soltou a mão de Dougie abruptamente e arregalou os olhos, surpresa. As fãs gritavam sem ao menos pensar se ficariam sem voz, não de raiva, mas de empolgação. E Dougie só entendeu o quanto foi descuidado quando olhou para todos no palco, absortos em espanto, os dois empresários na coxia encarando o centro do palco com desespero, e o público começando a gritar: “Beija, beija, beija!”.
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  — Não, não é isso! — Dougie dizia no microfone, tentando se explicar para o público.
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  %Sienna% apertou o microfone em sua mão parada ao lado do corpo e sibilou apenas para Dougie ouvir: “Seu idiota!”, e deu as costas, saindo do palco enfurecida. Ele, no entanto, começou a chamar por ela e tentou ir atrás, até que Tom o impediu se aproximando.
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  — Dougie, não é hora!
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  Tom tomou o microfone e Manoel entrou no palco puxando Dougie para o backstage.
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  — Precisamos mesmo explicar e nos desculpar com %Sienna%, The Maine, todos os fãs das duas bandas. Acabamos de saber que houve um erro, e que, involuntariamente, McFly lançou um plágio. Estamos envergonhados, surpresos, derrotados e culpados. Admiramos a The Maine, sempre dissemos isso e no momento… Dougie está bastante abalado, já que foi ele quem confundiu as composições. Iremos esclarecer tudo em breve em uma coletiva de imprensa, e pedimos agora a compreensão do público do festival, faremos uma pausa de cinco minutos e iremos retornar ao show. Ok? Vocês conseguem nos esperar um pouco, galera?
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  Silêncio das fãs, vaia do público que estava ali por outras bandas que não eles. 
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  Nos bastidores, o caos era técnico, comercial e emocional ao mesmo tempo. Manoel surtava com Dougie diante de %Sienna% e Tim. Havia contratos a revisar. Créditos a ajustar. Confiança a reconstruir. Produtores falando ao telefone, assessores trocando mensagens frenéticas. Equipes analisando a reação do público em tempo real. E os jornalistas já rondavam como abutres bem treinados para tornar tudo muito pior.
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  O nome de %Sienna% já estava nos trending topics. Dougie sentia-se acusado da pior barbárie artística que existia. Mas o pior de tudo não era nem a reação externa. Era como ele se sentia por dentro, e era também a expressão de %Sienna%. Ele conhecia aquele olhar dela, o olhar de igual para igual que dizia: “somos ambos artistas e seu pecado é cruel”. Ela não havia citado nomes, mas ele se entregou na primeira chance à cova dos leões, e ainda havia jogado ela ao mencionar que “levei a letra da casa dela”. 
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  Minutos depois, no camarim, a equipe dele já estava em modo contenção de danos.
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  — Precisamos soltar uma nota — disse o empresário.
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  — Sobre o quê? — Dougie respondeu, a voz mais baixa do que o normal.
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  — Sobre o processo criativo. Sobre colaboração. Sobre coincidências.
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  Coincidências. Ele quase riu. Não havia coincidência naquele papel dobrado que ainda estava no bolso da calça dele em casa. Ele o havia guardado novamente. Como uma prova. Como um peso, ele havia pressentido que havia algo errado com aquele papel.
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  — Não — ele disse.
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  O empresário o encarou.
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  — Não?
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  — Eu não vou chamar isso de coincidência.
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  O silêncio que se seguiu foi pesado.
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  — Então você vai mesmo admitir? — o assessor de imprensa da banda perguntou.
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  — Eu já admiti no palco. — Dougie passou a mão pelo rosto. — Eu vou falar com ela.
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  — Isso não é pessoal, Poynter. É jurídico.
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  Ele levantou os olhos encarando Manoel, seu empresário, e respondeu certeiro:
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  — Para você.
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  — Ok, você se resolve com ela depois, então. Agora, retorne para o palco. Vocês devem cumprir com o show desse festival, sob vaias ou aplausos.
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  Dougie assentiu, Harry estava ao seu lado e tocou em seu ombro, o encorajando a voltar.
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  — Bora, dude. Já tocamos a música problema, o resto é fácil.
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  Enquanto isso, no camarim de %Sienna%, o clima era outro. Havia um silêncio organizado e até orgulhoso. Ela estava sentada diante do espelho, removendo lentamente o delineador, como se estivesse encerrando um ritual.
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  — Você quer processar? — perguntou sua assessora de imprensa.
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  — Ainda não.
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  — Isso está saindo do controle — a mulher repetiu. 
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  — %Sienna%, como assim não vai processar? — Jared comentou, estupefato. — O cara roubou sua letra depois de transar contigo e ainda disse isso no palco do festival!
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  Ela sorriu levemente.
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  — Está exatamente onde eu queria.
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  Tim, seu empresário, suspirou.
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  — Você tem certeza?
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  %Sienna% apoiou os cotovelos na bancada.
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  — Ele sabe.
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  — Sabe o quê?
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  — Que não foi criação espontânea, que eles cometeram o pior crime de todos. A culpa que deve estar corroendo o Dougie agora, aliás, todos eles, é o que quero que sintam por um bom tempo. Antes, eu achava que foi proposital, mas agora, sei que não foi.
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  — Do que está falando? — John perguntou em dúvida.
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  — Ele me disse que não sabia que a letra era minha, arrancou uma folha com um recado que precisou anotar no meu caderno e levou sem perceber. Manoel achou a letra caída no estúdio e achou que era deles — ela explicou para todos.
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  — Isso pode ser mentira. Você acredita nele? — disse a assessora.
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  — E por acaso isso é pior do que se eles tivessem feito propositalmente? — Garrett indagou, sem compreender a linha de pensamento dela.
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  — Lógico! — %Sienna% revelou. — Como você assume uma letra como sua, Garrett, se não sabe de onde ela surgiu? O mínimo que Manoel e cada um deles deveria ter feito era uma checagem!
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  — E se eles tiverem feito? Escrevo letras o tempo todo, e sequer me lembro de todas. — John defendeu a McFly pela primeira vez.
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  %Sienna%, no entanto, bufou com raiva. Sentia-se com um misto de confusão no peito e começou a retirar a maquiagem com mais afinco enquanto Tim e Louise, a assessora da banda, planejavam o que precisaria ser feito juridicamente e também na proteção da imagem pessoal de %Sienna%.
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  Muitas horas depois, no hotel, o telefone dela vibrou, com uma mensagem de Dougie em seu Instagram.
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  — Ah… Agora você responde? — murmurou, raivosa.
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“Eu preciso que você me escute, inclusive essa sua solicitação de mensagem se perdeu entre tantas, me desculpe.”

  Ela deixou a tela acesa por longos segundos. Digitou. Apagou. Digitou novamente. Apagou. Ela não bloqueou Dougie, mas também não respondeu mais. 
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  Na manhã seguinte, as manchetes eram cirúrgicas: “Plágio velado?”, “Rivalidade artística ou roubo criativo?”, “Romance em conflito?”, “Quando a inspiração ultrapassa o limite?”, “Dougie Poynter roubou a canção da casa de %Sienna% %Blake%?”. 
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  Análises técnicas começaram a surgir. Comparações entre demos antigas dela que alguns fãs começaram a procurar obsessivamente e a versão lançada por ele. Teorias se multiplicavam. E então algo inesperado aconteceu. Um antigo técnico de som da banda de Dougie postou discretamente:
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“Algumas músicas têm histórias que ninguém conhece.”

  A internet fez o resto. Dougie não dormiu por dias. Ele simplesmente não conseguia acessá-la, nem por telefone e tampouco pessoalmente. Estava preso em casa, protegido por sua equipe da avalanche de haters. E também tinha o apoio da fanbase que decidiu acreditar que tudo não passou de um mal-entendido. 
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  O papel ainda estava sobre a mesa, e ele sabia o que precisava fazer, mas readmitir publicamente significava destruir meses de trabalho, contratos milionários, credibilidade. E, ainda assim, manter silêncio significava algo pior. Ele estava prestes a se tornar aquilo que sempre criticou: um homem que se apropria da dor de uma mulher e chama de arte. 
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  A constatação doeu mais do que perder dinheiro. Mais do que perder fãs. Doía porque ele lembrava do jeito que ela o olhou naquela noite, não como rival, mas como igual. E ele havia falhado com ela. Logo ela, que Dougie não conseguia tirar da cabeça desde que dormiram juntos.
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  %Sienna%, por outro lado, não parecia abalada, mas estava. Não só pela música, como pelo fato de que ele não havia vindo imediatamente. Parte dela queria que ele tivesse batido à porta na primeira semana depois da transa, apesar de compreender a dificuldade de agendas cheias. E sentia-se idiota demais porque estava mais preocupada com o fato de não ter significado tanto para ele quanto foi para ela, a transa, do que com o plágio. Ela queria, sim, escutá-lo dizendo: “Eu errei”, mas não só sobre a música.
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  Muitos dias depois, os dois estavam escalados para o mesmo programa de televisão ao vivo. Não havia como evitar… Backstage compartilhado, camarins lado a lado. A produção tentava manter distância estratégica, mas o corredor era estreito demais para ignorar. Dougie saiu do camarim no exato momento em que ela fechava o dela. Os dois pararam a poucos passos e se encararam sem plateia, sem microfones.
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  — Encontrei o papel no bols… — ele disse.
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  Ela não piscou e o interrompeu:
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  — Eu sei. Você já contou essa história.
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  Ele franziu a testa.
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  — Você acredita?
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  — O Tim e a Louise confirmaram. Eles não acreditaram em você ou no Manoel, mas… Tem a faxineira que achou o papel e também os funcionários do apart-hotel disseram que você saiu apressado aquele dia… É possível estar falando a verdade. E também… Você não teria vindo se não soubesse, vai ser trucidado pela imprensa ao vivo.
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  Dougie respirou fundo.
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  — Não foi intencional. Estou sendo sincero, %Sienna%! Achei tudo muito estranho desde o começo, minha intuição me alertava, mas também não conseguia me lembrar de nada… — Dougie suspirou, mexendo desesperado no cabelo quando contou. — Na verdade, eu só me lembrava daquela noite incrível que você foi minha, e… a manhã seguinte, muito rápida, sendo procurado pela banda. Eu sequer me lembro direito de como fomos parar no seu apartamento, mas lembro de tudo o que vivemos naquela cama.
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  — Se te marcou tanto assim, por que não me procurou depois? — ela perguntou o que realmente a incomodava.
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  Ela se aproximou um passo.
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  — Eu tinha a intenção de te procurar depois que voltássemos do show, mas minha atenção foi tomada pela produção do álbum.
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  — Intenção não anula a consequência de você não me procurar. Sei que a DM fica cheia de mensagens aleatórias, que nossos assessores cuidam mais da rede social do que nós mesmos, no entanto… Você poderia ter me procurado. Se tivesse feito isso, teria visto que errou com a minha letra.
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  — Está certa… — Ele assentiu lentamente. — Mas posso te fazer uma pergunta?
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  — Faça… — Ela suspirou sem o encarar.
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  — O que te doeu mais? Eu não procurar por você a tempo de descobrir cedo sobre a letra, ou eu não a procurar para dizer que eu queria te encontrar de novo?
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  A frase pairou no ar. Era isso que ela queria, mas ouvir não trouxe alívio. Trouxe medo.
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  — Isso importa? — ela perguntou.
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  — Sim. Porque eu não consigo te esquecer. Mas houve uma sucessão de fatos que nos colocou em uma situação constrangedora, e quero reparar tudo, não só o plágio.
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  — Acho que os fatos nos colocam primeiro em pé de batalha pela nossa imagem jurídica. Depois… Sobre nós… Eu… Não sei.
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  Tim apareceu ao lado dela, os interrompendo, de um jeito nervoso.
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  — %Sienna%, temos um problema. 
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  — Qual?
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  — Quão disposta você está para lidar com a exposição de que vocês se envolveram romanticamente?
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  — Não nos envolvemos romant-
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  Ela foi cortada por Dougie, que indagou confuso ao empresário dela:
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  — Por quê? O que isso significa?
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  — Significa que sua equipe vai tentar pintar %Sienna% como manipuladora, e eu vou contra-atacar pela imagem dela, dizendo que foi você quem a seduziu.
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  — Eu não vou deixar — Dougie declarou.
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  Ela estudou o rosto dele, pela primeira vez desde o festival, não havia vulnerabilidade. 
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  — Por quê? — ela perguntou.
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  Ele demorou para responder.
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  — Porque eu não quero ser o tipo de homem que você odeia.
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  E ali estava o problema, ela não o odiava e isso era muito mais perigoso.
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• O B V I O U S L Y • Y O U R S •

  Chamaram seus nomes para o palco, ao vivo, com as luzes acesas diante deles como holofotes. Toda a plateia do programa estava em expectativa. E o apresentador sorria demais.
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  — Parece que temos duas estrelas que dominaram as paradas recentemente…
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  O público vibrou. O olhar entre eles era carregado de história não resolvida. O apresentador virou-se para Dougie.
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  — Há rumores circulando sobre a origem do último single da McFly. E tudo se supõe muito ligado a você. Quer comentar?
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  A produção segurou a respiração. Ele olhou para %Sienna%, ela sustentou o olhar dele sem medo, sem súplica de nenhum dos lados. Eles estavam ali dispostos a lidar com a verdade, apenas verdade. Dougie voltou-se para a câmera, abriu a boca e contou:
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  — A história é difícil de acreditar, mas eu não tenho nada além da verdade para dizer aqui. 
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  Dougie contou tudo. Que encontrou %Sienna% no bar, que conversaram, beberam, esticaram para a casa dela. E, antes que ele falasse do seu envolvimento de uma noite, %Sienna% interrompeu:
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  — Queríamos compor juntos — ela disse de um jeito que pegou as duas equipes das bandas “rivais” de surpresa. — Minha mesa estava uma bagunça com tantas anotações e composições. “Obviously” não tinha nenhuma identificação de autoria, quando, por engano, ele levou com um papel em branco que anotou um recado do Tom. Naquela noite, ele tinha que voltar correndo para um show de última hora…
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  — Espera… — o apresentador perguntou para ela. — Ele foi para sua casa após vocês beberem para compor e saiu de lá correndo, por um imprevisto levando a letra?
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  — Eu disse que a história era inacreditável — Dougie continuou. — Eu realmente rabisquei um endereço no papel, puxei e dobrei, colocando-o no meu bolso. Dias depois, esse papel com a letra da %Sienna% estava perdido no nosso estúdio e Manoel colocou na caixa de composições como se fosse nossa. %Sienna% deu falta da letra, me perguntou até se eu não havia visto, mas… eu não vi as mensagens dela. Eu realmente não tive a menor maldade de imaginar que justo aquela letra que escolhemos no arquivo morto da banda era a letra perdida dela. 
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  — E por que você não perguntou a ela? McFly deu inúmeras falas sobre não se lembrar do processo criativo da música! Vocês não checaram?
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  — Achamos que era nossa de verdade, e que não lembramos apenas. Checamos com nossos compositores parceiros, não era de ninguém, e só descobri de verdade que ela perdeu a letra no dia do festival. Como eu não olhei as mensagens do Instagram, não sabia que ela tinha tentado falar comigo.
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  — O erro foi mútuo — %Sienna% declarou. — Dougie e eu nunca tivemos o telefone um do outro, nos encontramos por acaso no bar aquela noite e não nos vimos e nem nos falamos mais. Quando escutei minha música, decidi acusá-lo antes de tentar, de modo mais direto, esclarecer. Me senti realmente traída.
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  — E eu não a julgo, também pensaria o mesmo — Dougie relatou a encarando.
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  — Ei, pessoal, essa história falta uma vírgula — o apresentador acusou. — Me parece que vocês estão mais envolvidos com essa história do que um mero acaso de erro comunicativo!
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  — Bem, de fato… Acho que a falha de comunicação começou quando eu disse para %Sienna% naquela noite que eu queria sair com ela. — Dougie se jogou no fogo. — Como fui interrompido pelo Tom dizendo que íamos voar para outra cidade e tive que sair correndo, não tivemos tempo de compor nada juntos, ou sequer de ela me dar uma resposta ao convite. Na verdade, entendi que ela ia me dar um fora e o fato de eu “sumir” — Dougie fez aspas com a mão — ajudou %Sienna% a evitar o constrangimento. Então, ela talvez não quisesse o contato comigo, mas foi forçada porque lançamos a música errada.
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  Ela mal podia acreditar que ele saiu da saia justa que estavam daquela forma. O apresentador a encarava esperando a confirmação, e ela confirmou:
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  — É… É isso, eu… Fiquei sem graça ao descobrir o interesse do Dougie, e em seguida descobri o plágio. Ficou tudo parecendo uma cilada.
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  — E não acha mais que ele te usou? — o apresentador perguntou provocante. — Porque, Dougie, me desculpe, mas até eu estou te achando um canalha!
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  Dougie deu um risinho sem graça, olhando para baixo.
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  — Acredito nele — %Sienna% revelou. — Porque existem provas de que tudo não passou de um mal-entendido. As duas equipes estão se resolvendo e Dougie e eu esperamos que, depois disso, nossas bandas possam colaborar entre si de um jeito melhor.
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  — E quanto a sair com Dougie Poynter, %Sienna%? — o apresentador perguntou.
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  — Acho que nosso assunto principal agora é sobre nossas músicas. 
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  — Eu disse… — Dougie brincou amargo. — Ela ia me dar um fora.
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  Os risos vieram e, no fim, a situação foi contornada. Na verdade, quando ambos se jogaram juntos no teatro, abriram o precedente que jamais iriam imaginar: de inimigos ou rivais, as fanbases começaram a shippar o casal. 
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  Dougie e %Sienna% não saíram mais juntos ou falaram do plágio. Mas, as bandas, meses depois, começaram sim a colaborar juntas, e os dois começaram a se apaixonar de verdade e, lentamente, à medida que uma nova página se desenhava no futuro deles: uma turnê dupla de colaboração.
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  Ninguém mais diria que eles roubaram a música um do outro, porque depois daquilo, compuseram muitas canções juntos, tornando-se assim o maior plot-twist do pop rock naquela época.
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  — Já se passaram onze meses — Dougie falou para ela no dia do último show da turnê conjunta, logo após finalizarem a apresentação. — Zeramos o placar entre The Maine e McFly. 
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  — É… Onde quer chegar com isso agora? 
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  — Zeramos entre nós também?
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  — Sim, Dougie, já faz tempo — ela respondeu sem entendê-lo bem.
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  Dougie se aproximou cuidadoso, e então a encarou mordendo os lábios.
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  — Beleza, então… %Sienna% %Blake%, aceitaria recomeçar e sair comigo? 
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  — Eu já saio com você há onze meses, Poynter.
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  — Estou falando de me dar uma chance, %Sienna%. — Dougie tocou a cintura dela de um jeito delicado e revelou, encarando-a nos olhos: — Estou apaixonado por você.
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  — Roubou a minha música e agora quer roubar meu coração?
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  — Na verdade, você roubou o meu primeiro. Mas tudo bem, eu não me importo se você quiser cuidar dele por mim.
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  %Sienna% sorriu, ela também estava apaixonada, mas, depois de tudo, não seria a primeira a confessar. NÃO MESMO. Então ponderou, fez uma cara de desdém e respondeu:
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  — Eu cuido, mas só porque zeramos o placar. E todo jogo, quando é bom, precisa ser reiniciado quando as fases terminam.
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  — Na verdade, você sabe, né? — Dougie beijou os lábios dela de um jeito terno e apaixonado enquanto murmurava: — Desde aquela noite, eu já era obviamente seu.
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  %Sienna% sorriu com o trocadilho, abraçando-o e entregando-se em um beijo apaixonado e sem culpa, finalmente.
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fim.

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Lelen

Vou passar pano pro Dougie que não viu mensagem no Insta só porque eu também não vejo mensagem em DM no Insta ‘-‘
Mas pelo menos deu tudo certo no final, não teve rivalidade e ainda teve parceria por meses!
EU CONTINUO SENDO A GAROTA DO JOHN. BEIJOS.

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