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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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O Par Perfeito

Escrita porNatashia Kitamura
Revisada por Natashia Kitamura

História inteiramente escrita por Natashia Kitamura.


Capítulo 8

Tempo estimado de leitura: 25 minutos

  Esperou pacientemente que %Levy% a chamasse até seu escritório no dia seguinte, e a questionasse sobre as revisões que havia feito nos documentos por ordem dele. No entanto, até meio-dia, %Levy% permaneceu em uma reunião atrás da outra e, toda vez que passava pela mesa de %Daniella%, pedia para ela realizar um novo trabalho. Aparentemente, haviam muitas empresas lhe dando trabalho, e ele queria garantir que os números estivessem corretos.
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  Durante todo aquele dia e os três seguintes, %Daniella% passou em meio a contratos, receitas federais e cálculos. Basicamente, era o mesmo trabalho que fazia como funcionária da prefeitura, mas %Levy% exigia sempre uma descrição detalhada, o que tomava mais de seu tempo e exigia uma revisão antes da entrega. Não era porque ela receava ser pega pelo homem, mas porque não queria levantar suspeitas de que estava fazendo algo pelo pai.
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  Com toda a correria, sábado chegou em um piscar de olhos.
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  %Daniella% olhou para o celular em sua penteadeira, enquanto ela fazia o ritual dos cuidados da pele. Ashton não havia entrado em contato. Ele sequer havia confirmado um horário com ela.
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  Talvez não venha. Pensou, passando a água termal e finalizando a hidratação.
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  Deveria ela, então, ligar para ele? Ou seria melhor que os dois não se falassem? No entanto, o que sua família diria? O que aconteceria se ela chegasse sozinha em um evento em que toda sua família estaria em casal? Conseguiria aguentar toda a pressão sozinha? Com a companhia de Ashton, eles apenas se esforçavam em parecer perfeitos.
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  Suspirou, exausta. Odiava pensar tanto.
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  Passou todo o dia entre leitura de livros, conferindo todos os vasos de flores que havia decorado no começo da semana, e preparando receitas que salvou em seu Instagram.
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  Às cinco, se dirigiu para o salão de beleza reservado por ela. Se não fosse assim, teria de encontrar com a mãe e a irmã no salão que costumam ir. %Daniella% se esforçou em achar um local que a agradasse e fizessem um bom serviço de cabelo e maquiagem, para que pudesse se livrar das duas.
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  No entanto, quando estava prestes a terminar a maquiagem, seu celular tocou informando que havia chego uma nova mensagem.
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  Passarei para te pegar às oito. Ashton.
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  Ashton. Sem um “beijos” ou “te amo”. Apenas Ashton. O estômago de %Daniella% embrulhou ao pensar no que tudo aquilo significava. Ela não era de ficar inventando mil e uma coisas para justificar algo de errado, mas, naquela ocasião, não conseguiu evitar. A falta de uma despedida significava algo, não é? Um namorado amoroso deixar de dizer que a ama ou de deixar um cumprimento só poderia significar que as coisas estavam piores do que ela imaginava, não é?
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  – Está pronta, %Dani%. - a maquiadora disse.
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  – Obrigada. - ela sorriu para a moça, que enviou-lhe uma piscadela e se afastou com o carrinho de maquiagem.
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  %Daniella% tomou seu tempo para acertar a conta e pedir um táxi para levá-la para casa. Tinha uma hora para se trocar e estar pronta para Ashton. Sua mãe já lhe mandava mensagens para informá-la o horário que ela deveria estar no local. %Daniella%, como sempre, não respondeu. Deixou que a mulher mandasse dezenas de mensagens e fosse deixada no vácuo. Já havia confirmado, pela manhã, que estaria no evento e que não agiria com rebeldia - como se ela sequer fizesse isso.
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  O vestido de veludo preto era de um modelo sereia com os ombros à mostra. Os cabelos de %Daniella% estavam presos em um rabo baixo; penteado fino e delicado. Colocou um ponto de luz como colar e brincos dourados longos que pudessem contrastar com sua pele. Colocou uma sandália de tira e se olhou no espelho. Estava, como sempre, bem arrumada. A maquiagem era leve e ao mesmo tempo marcante. Os pais odiavam quando as filhas usavam maquiagem pesada e que tirasse a imagem de uma família fina.
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  Às oito em ponto o interfone tocou, informando a %Daniella% que Ashton estava à espera dela.
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  Suspirou quando levou o interfone de volta à base, e também quando entrou no elevador, digitando o código de segurança para que ninguém chegasse ao apartamento. Suspirou antes da porta do elevador abrir e uma última vez antes de abrirem a porta para ela sair.
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  O estômago embrulhou ao ver Ashton encostado no próprio carro vestido no smoking que os dois compraram juntos no ano anterior. Os cabelos louro escuros dele estavam seguros pelo gel e uma das mãos no bolso, enquanto a outra segurava o celular, na qual tinha a total atenção dele.
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  – Oi - ela disse, vendo-o erguer a cabeça e se desencostar do carro.
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  – Oi - Ashton respondeu, abrindo a porta do passageiro para ela entrar.
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  Enquanto ele se despedia do funcionário e contornava o carro para entrar em seu posto de motorista, %Daniella% se pôs a observar todos os sinais.
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  Não houve nenhum “tudo bem?”, muito menos um “você está linda”.
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  O embrulho do estômago subiu até sua garganta e ela segurou o choro. Poderia estar se precipitando. Ele devia estar somente distraído e acabou não comentando nada. Tudo voltaria ao normal assim que ele entrar no carro e fazer algum comentário leviano.
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  Pela primeira vez em toda sua vida, não foi o flash das câmeras fotográficas que cegava seus olhos, mas a dor de estar sendo deixada para trás.
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  – Vocês podem se encaminhar para o hall principal - a secretária da mãe de %Daniella% disse, caminhando um pouco à frente dos dois. %Daniella% imediatamente tirou o sorriso do rosto, sentindo, como nunca, o seu toque ao antebraço de Ashton.
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  Ele parecia normal. Sorria nos momentos que deveria, cumprimentava quem reconhecia e se mostrava atento a tudo ao redor.
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  Contudo, até poucos minutos antes, ele era apenas um homem dirigindo silenciosamente o carro. Não houve nenhum comentário, nenhuma pergunta, nenhuma vontade de discutir com ela sobre qualquer coisa. Durante todo o caminho, os dois vieram em completo silêncio.
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  E aquilo matou algo dentro de %Daniella%. Uma parte importante.
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  – Eu disse sete horas. - Anne, mãe de %Daniella%, disse à filha assim que o casal chegou aonde o resto da família recebia os convidados.
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  – Não pude.
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  E com somente essa resposta, %Daniella% soube, através dos olhos da mãe, que ouviria por dias sobre sua irresponsabilidade e a negligência que ela tinha com sua própria família. O pai, por outro lado, mal havia percebido sua presença. Dificilmente ele demonstrava qualquer emoção que não fosse por seu filho favorito: a própria empresa.
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  Bernard estava com a esposa conversando com dois casais, e Megan tinha o braço entrelaçado ao do marido, que ria de algo que acabara de falar. %Daniella% sabia que a presença dela e de Ashton não acrescentaria muito mais do que qualquer um dos irmãos e seus parceiros, mas Anne sempre achava que não ter a família completa significava uma fraqueza à qual a sociedade buscava explorar. E de acordo com Eric %Flack%, o líder da família, eles não possuíam fraqueza nenhuma.
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  O evento beneficente era conduzido por pessoas contratadas por Anne. Tudo o que a família tinha de fazer, era ciceronear muito bem todos os convidados, para que houvesse boas doações. O evento era nada mais do que uma desculpa para o orçamento de todos aqueles que precisavam de um motivo para justificar gastos fora da lei. Anne e Eric contavam com isso; dessa maneira, os cidadãos comuns veriam aquela atitude dos %Flack% como algo nobre e, quem sabe, nas próximas eleições, Bernard tivesse mais chance de ser eleito.
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  – Sua família pode ser abominável, %Daniella% - Stephanie disse ao lado dela em um canto do enorme salão que acomodava as milhares de pessoas presentes –, mas é inegável que eles sabem dar uma boa festa.
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  %Daniella% se limitou a trocar a taça de champanhe vazia, por uma nova cheia. A solução que havia achado para sua noite seria tentar, ao máximo, manter-se embriagada, mas não de uma maneira escandalosa. Precisava estar sóbria para manter as conversas e cumprir com seu papel de integrante da família %Flack%.
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  Próximo à meia-noite, as pessoas começaram a se retirar. À uma, %Daniella% viu Ashton conversando com %Levy% em um canto e decidiu se aproximar. Dentre todas as pessoas com quem o namorado podia estar, esta era a única companhia que a fazia ter coragem de se intrometer e começar a pior parte do dia: conversar.
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  – Boa noite, senador.
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  – %Flack%. - %Levy% a olhou com um pequeno sorriso.
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  – Se importa se eu roubar Ashton?
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  – Um pouco? - o homem brincou, mas %Daniella% não respondeu. – Fique à vontade, %Flack%.
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  Ela abriu um pequeno sorriso e passou o braço pelo de Ashton, que foi obrigado a acompanhá-la até um corredor mais vazio. Ela o puxou até uma pequena sala vazia. Ninguém chegaria até ali aquela hora; a maioria havia ido embora, e a minoria que ficou não demoraria muito para deixarem o local, além disso, estavam embriagados demais para não fazer barulho e chamar a atenção dos dois.
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  – Está tudo bem? - ele perguntou, olhando para ela com certa preocupação.
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  – Não, não está.
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  – O que fizeram? - Ashton desviou o olhar para um ponto atrás de %Daniella%, onde a festa ainda acontecia.
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  – O que você fez, você quer dizer?
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  O homem imediatamente voltou sua atenção para a namorada. O corpo enrijeceu e os olhos tornaram-se mais escuros.
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  – Você quer conversar aqui?
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  – Você pretendia conversar hoje? Pois, aparentemente, não houve nenhum interesse durante a semana.
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  – %Daniella%…
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  – O que, Ashton? - ela disse o nome do homem em um tom mais forte, mostrando que estava incomodada com o fato dele a chamá-la por seu nome inteiro, ao invés do apelido que carinhosamente sempre usava. – O que está acontecendo?
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  – Acho que é você quem precisa…
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  – Não, Ashton. Acho que há mais do que uma birra minha acontecendo entre nós. - ela disse, séria. – Quando você pretendia me contar sobre o noivado de seu irmão? - ela aguardou uma resposta, mas não teve uma. – Quando pretendia dizer que passaríamos o feriado de final de ano separados?
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  – Eu disse que foi uma decisão repentina…
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  – Ashton! - ela disse mais alto, mas se segurou ao se lembrar de onde estavam. – Por favor, eu só peço que você não aja como se eu fosse idiota! Você comentou na semana passada. Final de semana passado! De lá para cá, houve 5 dias separando. Por que não me contou? Você não quer realmente que eu vá, não é? Eu entenderia se você me dissesse que preferia ir sozinho. Eu entenderia se houvesse uma comunicação. Mas não, você…
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  Pacientemente, Ashton permaneceu calado ouvindo a explosão de %Daniella%. Não parecia apressado em se explicar, tampouco arrependido de ter causado todo o mal estar entre os dois. Quando a mulher se calou por não possuir mais motivos à qual reclamar, ele abriu a boca:
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  – Eu gostaria que nós estivéssemos em um lugar mais apropriado para ter essa conversa. Não imaginava que você passaria os cinco dias remoendo tudo dentro de você, %Dani%. - sua voz continuava tranquila, como se estivesse conversando com um paciente. – Minha intenção nunca foi magoá-la, mas de um tempo para cá não ando com cabeça para pensar em outra coisa que não seja o trabalho.
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  A vontade era de responder um “eu percebi”, mas %Daniella% sabia que estaria sendo arrogante demais. Ashton havia lhe explicado que passariam mais tempo separados, quando decidiu abrir a própria clínica. O que ela não esperava, era que ele fosse se afastar por completo dela, deixando em suas mãos a responsabilidade de levar o relacionamento.
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  – Eu não deveria ter arrastado tudo até aqui. Deveria ter resolvido isso lá atrás. - ele disse, olhando para os lados e então de volta para %Daniella%. – Você merece o melhor…
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  – Não faça isso. - ela murmurou, tentando, em vão, controlar a raiva que tomava conta de seu estômago. – Não me elogie, se vai se contradizer logo em seguida. Eu não sou tão fraca quanto você pensa.
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  – Eu não… - Ashton começou a falar, mas, aparentemente, ele mal tinha força para entrar em uma discussão com ela, o que a deixou, além de nervosa, magoada. Estavam prestes a acabar com um relacionamento que, para %Daniella%, seria para sempre. E tudo o que ela sentia dele, era a vontade de acabar com tudo e voltar para o conforto de sua casa. – %Daniella%, eu não posso mais me dedicar a esse relacionamento como você quer. Sei que você nunca me colocou em uma situação de escolha, mas eu sinto a necessidade de escolher.
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  – E você escolhe o seu trabalho.
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  A ausência de uma resposta negativa doeu muito mais do que ela imaginava. Em seus momentos mais loucos, %Daniella% chegou a imaginar ele a trocando por uma outra médica ou enfermeira, quando ele passava dias dentro do hospital durante o internato. Imaginou tendo uma secretária que o roubaria de si. Imaginou diversas coisas. E dentre todas elas, nunca houve uma opção em que o trabalho exigiria dele por completo, fazendo-o escolher deixar sua namorada de anos.
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  – O que fez você decidir? - ela perguntou baixo, esforçando-se em olhar para Ashton. Queria analisar cada traço do rosto dele, ver se havia alguma mentira; se ele criou essa desculpa para justificar um outro romance. Mas Ashton jamais faria isso. Por mais que ela quisesse vê-lo sendo um homem infiel, com centenas de defeitos, Ashton apenas era verdadeiro e sincero.
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  E ainda assim ela estava sofrendo como nunca havia sofrido até então.
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  – Acho que… acho que a ligação do meu irmão. - ele coçou a nuca. – Quando ele falou sobre a namorada e como ela queria se casar… Você nunca disse, mas também nunca mostrou desinteresse em casamentos. Eu… - Ashton ergueu os olhos para %Daniella%. – Eu não quero me casar, %Daniella%.
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  Foi como se o ar parasse e não houvesse mais nada em que sustentar a falta dele. O corpo se tornou pesado e o cenário à volta dos dois tornou-se um grande borrado. Ashton nunca havia pensado em se casar com ela; as poucas vezes que falaram sobre o assunto, foi como se ele tivesse ouvido alguma besteira e esquecido no segundo seguinte.
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  De repente, %Daniella% se sentiu tola. Passou anos pensando em como seria a vida casada com o homem; como ele a libertaria de ter o sobrenome %Flack% e, talvez, enfrentasse seus pais para deixá-la em paz. Imaginou-se indo para Chicago todo ano para visitar a família Clarke e, quem sabe, num futuro, mudaria-se de Manhattan e teria uma qualidade de vida muito maior do que a que tinha naquela ilha.
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  Como posso ser tão burra? Ela pensou.
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  “Ela não faz nada sem a ajuda dos pais.”
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  “Está mais próxima dos 30 e nunca mudou.”
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  “Ela mal sorri, deve ser uma pessoa bem infeliz.”
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  “... arrogante, é o que ela é. Só conseguiu um bom emprego porque o sobrenome ajudou.”
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  “Lhe falta personalidade… Que bom que ela é filha dos %Flack%, pois se não fosse, não teria absolutamente nada do que tem hoje.”
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  “Sorte dela que é rica, pois se não fosse, imagino como conseguiria disfarçar a feiura…”
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  Comentário atrás de comentário, a mente de %Daniella% foi se enchendo de comentários ditos por pessoas que não a conheciam, mas que aparentavam saber muito sobre ela. Em todos esses momentos, %Daniella% encontrou apoio e suporte em Ashton, que dizia-lhe que ela não era nada daquilo.
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  Agora, com a ida dele, tudo voltava à tona.
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  – Você está bem? - ele perguntou, tocando em seu braço.
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  Mas ela se afastou dele.
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  – Não estou bem. Mas vou ficar. - ela olhou para o lado. – Eu sempre fico.
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  Ashton não disse nada. Ele sabia o trajeto que levava para %Daniella% chegar no “ficar bem”. Ela apenas vivia. Tentou dizer algo, mas percebeu que nada mais entraria pelos ouvidos da, agora, ex-namorada.
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  – Vamos, eu vou te levar para casa.
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  – Não, obrigada. - ela encheu o pulmão de ar e reuniu todo o orgulho que lhe restava.
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  – %Daniella%…
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  – Ashton. - ela disse, olhando para ele. – Pare de querer bancar o bom samaritano e perceba que não quero ficar na sua presença. Eu não preciso que você me leve para casa.
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  – Sei que você está chateada…
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  – Chateada? - ela olhou para ele, incrédula. – Estou furiosa! Vim conversar com você, pois não houve nenhuma iniciativa sua. Esperava resolver essa questão para que pudéssemos seguir em frente, e tudo o que recebo é praticamente um término com a desculpa “não é você, sou eu”. Desculpe se não quero falar sobre isso agora, Ashton.
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  O homem suspirou, mas não deu nenhum passo para longe dela. Observou a mulher calmamente, enquanto ela tentava lidar com os próprios pensamentos, sentimentos e emoções que se embaralhavam dentro de si. Lembranças, humilhação, dor, solidão… o que ela faria agora? Qual é o próximo passo a se dar após um término? O que as pessoas diriam?
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  – Me desculpe. - ele diz baixo. – Desculpe ter demorado…
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  %Daniella% respirou fundo ao fechar os olhos. Por que ele ainda tentava?
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  – Vá… - ela começou a dizer, mas respirou fundo. Tinha que manter a classe. As aulas de etiqueta não foram pagas em vão. Elas foram pagas para que %Daniella% pudesse lidar com situações como aquela com muita classe. – Eu ficarei bem. Vá embora, por favor.
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  Ashton permaneceu por alguns minutos parado, esperando qualquer outra reação de %Daniella%, mas nada veio. A mulher parecia estar se acalmando; o peito já não subia tanto e o vermelho do pescoço diminuía. No entanto, ele sabia, melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, que %Daniella% estava se destruindo por dentro. E diferente das demais vezes, hoje ele não podia fazer nada para mudar aquilo. Tudo o que falasse a levaria ainda para mais dentro de seu buraco negro.
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  – Se você… - ele pensou em pedir para ela ligar para ele caso pedisse ajuda, mas seria humilhação demais para %Daniella%, ele sabia. Mesmo que houvesse carinho em suas palavras, elas seriam recebidas como facas no coração. – Tchau, %Dani%.
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  A saída de Ashton tornou tudo ainda mais difícil. Diferente das outras vezes que se separaram, dessa vez ela não tinha a certeza de que voltariam a se encontrar. Que ele iria recebê-la com um abraço ou um buquê de flores.
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  O frio se instalou no local.
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  As pernas de %Daniella% mostraram fraqueza. Precisavam descansar, mas ela não podia. O corpo parecia querer estremecer, mas ela ainda estava no evento da família. Precisava parecer forte como sempre. Apenas seria criticada por aparecer destruída.
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  – Aonde você foi?
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  – Toillete. - ela respondeu a mãe e lhe enviou um olhar sério. A mais velha não disse nada, mas %Daniella% soube que se pudesse, ouviria que não é educado gastar um longo tempo dentro do banheiro. – Onde estão Bernard e Megan?
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  – Foram embora. Disse que podiam ir. Você faria o resto, já que decidiu, por si só, chegar atrasada. - ela abriu um sorriso para um casal que se despedia. – Eu e seu pai partiremos em cinco minutos. Resolva o que precisar ser resolvido.
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  Sem dizer mais nada, Anne caminhou até Eric, que entendeu o recado de que era hora de irem. O casal foi até %Daniella%, e, com um falso sorriso no rosto, o homem disse à filha:
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  – Ouvi dizer que você está trabalhando sob a supervisão de %Jones%.
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  – Sim.
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  – Por que não soube?
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  %Daniella% apertou os lábios.
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  – Desculpe.
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  – Eu espero mais de você, %Daniella%. - ele disse, frio, apesar da expressão calorosa. – Ele pediu algo?
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  – Eu já resolvi.
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  – Tudo?
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  – Tudo.
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  O homem ergueu o queixo e olhou nos olhos da filha. Então, deu dois tapinhas carinhosos no rosto da moça, que entendeu o recado:
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  Não esqueça a quem você realmente deve ser leal.
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  %Daniella% olhou ao redor e abriu um sorriso de quem estava feliz por ter recebido a atenção do pai.
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  Com educação e etiqueta, se despediu de todos os convidados e garantiu que tudo fosse resolvido com a maior agilidade possível.
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  Eram quase 4 da manhã quando ela saiu pela porta principal, após a organizadora do evento garantir que estava tudo certo e que nada mais estava sob o alcance de %Daniella%.
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  Sozinha, ela desceu as escadas e olhou para o céu escuro. Aquele havia sido o pior dia de sua vida. E houveram vários. Desde o dia em que foi obrigada a tomar uma injeção, o dia em que teve seu sonho de ser uma cerimonialista encerrado e quando foi humilhada pelas ex-colegas de escola. Dentre todos aqueles horríveis momentos, este dia havia sido o pior.
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  Ao perceber que estava sozinha, sem ninguém ao redor que a conhecesse, o corpo imediatamente deu a permissão de estremecer com a vontade de chorar.
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  Quando %Daniella% fez menção de se sentar ao pé da enorme escada e sentir a maior tristeza e humilhação de toda sua vida, um casaco surgiu em seus ombros, aquecendo-a da noite fria.
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  Ao olhar para o lado, %Levy% permanecia em pé com as mãos nos bolsos. Olhava para um ponto que não fosse %Daniella%, mas sua atenção inteira estava na mulher.
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  – O que…
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  – Estou faminto, e você? - ele perguntou, impedindo-a de pensar qualquer coisa.
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  %Daniella% levou as mãos à frente da barriga e lembrou-se de que não havia comido nada desde a hora do almoço.
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  – Que tal um lanche bem gorduroso? - ele sorriu. %Daniella% permaneceu parada, sem reação, não entendendo nada. – Ótimo. Vamos.
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  E sem dizer mais nada, a mão de %Levy% foi até a lombar de %Daniella%, encaminhando-a até o carro que estava estacionado à frente da escadaria do salão. Ele a ajudou a entrar no lado passageiro e então encaminhou-se para o lado do motorista.
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  – O que você está fazendo? - ela perguntou assim que ele colocou o cinto de segurança.
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  %Levy% olhou para %Daniella% e abriu um sorriso maroto, antes de tirar a marcha do P e passar para o D.
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  – Eu estou prestes a te mostrar algo que você nunca teve, %Flack%.
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  %Daniella% pôs-se a pensar. Haviam poucas coisas que ela não tinha, e nada era interessante o suficiente para fazê-lo estar empolgado às quatro da manhã.
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  – E o que é?
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  O homem riu e, após abaixar o teto do carro, pouco antes de acelerar para longe do lugar que se tornou parte do pior pesadelo de %Daniella%, disse:
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  – Liberdade.
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