Capítulo 2 • A Juventude de %Guiael%
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“E lavrou a terra e habitou o Filho do Senhor de Engenho nas Minas por sete anos”
— Ó justos, alegrai-vos no Senhor!
— Ó justos, alegrai-vos no Senhor! — Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.
“As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.
“Uma luz já se levanta para os justos, e a alegria, para os retos corações. Homens justos, alegrai-vos no Senhor, celebrai e bendizei seu santo nome!”
A missa começou. Os nobres filhos de senhores de engenho ouviam a missa, enquanto conversavam uns com os outros, os mais velhos conversavam entre eles, provavelmente sobre alguma coisa relacionada a engenhos, namoros ou noivados. O mundo ainda estava em renovação, mas estava começando a ganhar a cor de um início de avanço à modernidade. A grande cidade de São Paulo começava a ganhar nova cor...
O Engenho onde %Guiael% vivia começava a crescer. Às vezes ele mesmo ajudava os escravos a regar as plantas do cafezal. As primeiras sementes já começavam a brotar... E conforme brotavam, os servos colhiam os frutos. Uma geração ia, para outra geração vir. Gerações passarão, mas céus e terra não passarão. Dona Isabel e Senhor Antônio já eram velhos e avançados em dias, mas cuidavam do engenho com dedicação e força. O mesmo se equivalia ao pequeno %Guiael%, que mesmo tão pequeno também ajudava a cuidar do engenho. E sucedeu que naqueles dias, em um dos dias que ele cuidava de um engenho, um vizinho de engenho disse algo que o ofendeu, mas ele prosseguiu sua juventude. Mesmo sendo um jovem filho de senhores de engenho, ele tinha uma fé muito grande, mas também uma insegurança. Possuía medo de trovões. Não exatamente os trovões, mas os raios. Afinal, raios, sempre tão brancos. %Guiael% cresceu em meio ao engenho.
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— Senhor, o campo está bem colhido hoje — disse um escravo para %Guiael%.
— Obrigado — agradeceu %Guiael%. — Parece que o engenho de meu pai tem crescido.
SETE ANOS DEPOIS...
Sete Anos se passaram... em 1880, o pequeno %Guiael% agora tinha 15 anos. Era um jovem quieto e reservado, embora um tanto descontrolado, mas que estava em constante fase de mudança. O Engenho do pai, o Senhor Antônio agora com sua ajuda, estava se tornando mais colhido e regado, pois ele ajudava a regar sempre. As plantas tinham uma profundidade que poucos entendiam. Perto de fazer 16 anos, %Guiael% começou a estudar na escola da cidade, a única escola que era acessível na época.
— Sejam bem-vindos a academia de Bom Sucesso nas fronteiras de São Paulo, aqui vocês aprenderão como administrar seus engenhos ou seguir carreiras diferentes! Aqui tudo é possível — começou o tutor ou tutora do liceu.
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E a vida no liceu era cheia de conhecimento e coisas novas...
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No engenho, %Guiael% via os pais às vezes discutindo. O Sr. Antônio já estava velho e avançado em dias. Tinha 64 anos quando teve %Guiael% e sua mãe Isabel tinha 39 anos. Filho único, %Guiael%, tinha que aprender a administrar a fazenda, os gados e todo o engenho. Agora, com 76 anos, o Sr. Antônio já estava velho e podia se dizer que estava velho, pois mesmo que as pessoas vivessem mais de 120 anos naqueles dias, o pai já o tivera em boa idade.
— %Guiael%! — chamou seu pai. — Acho que a velhice me está alcançando. Nunca se esqueça de manter esse engenho cada vez mais forte. E plante, semeie nele. E caso o mundo mude, já que já é ouvida falar de uma suposta lei áurea, peço que nunca se esqueça de manter nosso nome fresco. E eu abençoo os filhos, netos e bisnetos que você tiver — ele disse pondo as mãos na cabeça do filho, abençoando-o.
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O Senhor Deus dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho.
Gênesis 24:7
Era mais um dia comum. %Guiael% estava tirando água do poço. Agora ainda era jovem, mas não tinha mais 16 anos e sim vinte e um. Embora tivesse vinte e um anos, era considerado bem jovem. Por algum motivo sua família costumava ter uma juventude prolongada, ou seja, viver até os 120 anos. Seu pai ainda vivia naqueles dias, agora beirando quase 70 anos e sua mãe 44 anos. Mas o mundo estava em pregressa mudança. As cidades estavam mais modernas embora continuassem antigas.
Os anos de 1890 começava... Pastos verdejantes, florestas silvestres, terras a se preencher, fazendas se construindo. O mundo agora se preparava para inaugurar os primeiros cinemas nas cidades. Primeiros cinemas primeiros filmes. Naqueles dias, %Guiael% estava tirando água do poço quando ouviu jovens vindo até seu encontro parecendo com sede.
— Como posso ajuda-los, senhores? — perguntou %Guiael%.
— Viemos de longe e estamos com sede e fome — disse um dos jovens.
— Venham, meu engenho pode ajuda-los — disse %Guiael% após tirar agua do poço.
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Eles chegaram no engenho. A líder do grupo pareceu se interessar pelo engenho. Ela olhou para %Guiael%, e reparou em sua própria pele morena, cabelos negros e compridos enquanto %Guiael% tinha cabelos negros, era alto, um pouco forte, um pouco magro, não se sabe dizer, e parecia juvenil.
— Eu sou %Raimunda% — disse ela. — Obrigada, estávamos realmente com sede e fome!
— Eu sou %Guiael% — o jovem se apresentou.