O Brasão da Família Raven

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

1 • Abóboras & Preparativos

Tempo estimado de leitura: 12 minutos

  — Abóboras enormes! Abóboras bastante aboborentas e algumas até fedidas! E como são grossas essas cascas, Sebastian!
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  %Endora%, ou como gostava de ser chamada por seus amigos mais próximos: “%Dora%”, estava reclamando com seu gato preto de olhos verdes brilhantes, Sebastian. %Endora% fazia bastante aquilo já que desde que se mudaram para o bairro londrino seus melhores amigos ficaram para trás.
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  A família Raven anualmente, sem passar um ano sequer, comemorava a tradição do Halloween com uma festa para os vizinhos. Geralmente era uma festa grandiosa em que todos os amigos da família participavam desde os preparativos, contudo, naquele ano, %Dora% poderia apostar que a festa seria modesta. Não havia mais do que ela, seu pai, sua mãe e sua irmãzinha %Aurora% de nove anos para preparar tudo. Os amigos da família haviam ficado em Hampshire, no interior da Inglaterra, e %Dora% estava absolutamente chateada por saber que passaria a festa inteira tendo que conhecer pessoas novas e fazendo sala para a vizinhança.
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  — Ora, pare de reclamar, %Endora%! Sabe que nós ainda temos muita coisa para fazer e seu pai logo chegará com seu tio-avô Claus! Não podemos deixar de dar atenção a ele!
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  No mesmo instante a garota se alegrou. O tio-avô, também chamada pelas meninas Raven de “Tivô”, era uma das pessoas favoritas de %Endora% em sua família. Na verdade, toda a sua família era bastante divertida e peculiar.
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  — Mamãe, a senhora me diz isso só agora? Às favas para essas abóboras! Preciso preparar a bomba de bosta para o Tivô!
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  — Nada de bombas de bosta, %Endora%! Termine de esculpir essas abóboras! E por Merlin! Onde sua irmã se meteu?
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  A mãe ralhou e %Aurora%, a caçula, surgiu no quintal da frente da família acompanhada de um garotinho.
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  “Por Merlin” não era algo que ele usualmente escutava por ali. Aquilo deixou Harry um tanto mais curioso com os novos vizinhos.
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  — Estou aqui, Helen! — %Aurora%, que chateada por sua mãe proibi-la de fazer bombas de bosta naquele ano, decidira chamar a genitora apenas por seu nome, apresentou-se com alguns poucos folhetos de convite em mãos e um garotinho ao seu lado.
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  — %Aurora% Raven! — bronqueou a mãe em um tom comedido diante do garoto. — Não me chame de Helen! É mamãe para você!
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  — Deixe ela, mãe, logo ela para de drama.
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  — Drama? Drama, %Dora% é o que a mamãe está fazendo com a gente! Como diremos ao Tivô que este ano não teremos bomba de bosta na festa fantasmagórica?
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  As duas garotas soltaram um suspiro pesaroso e insatisfeito. Helen Raven revirou os olhos para as suas filhas e soltando as luzes que carregava nos braços para pendurar na varanda da frente, caminhou até a mais nova sob os olhares ainda curiosos de um menino tímido com óculos fininhos e roupas velhas.
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  — Onde você estava, %Aurora%? Já falei que não quero você e sua irmã andando sozinhas pelo bairro por enquanto!
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  — Papai me pediu para espalhar os convites entre os vizinhos, Helen. E eu não estava sozinha. O Harry me ajudou. — Ela apontou ao garoto e explicou apontando a casa dele em frente a sua: — Ele mora naquela casa da frente. Estava sozinho no balanço da praça quando o conheci… Oras, Harry, fale alguma coisa ou a mamãe vai achar que eu te catei na rua como fiz com o Corvo.
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  — Ah, hm… Quem é corvo? — perguntou Harry confuso com tantas informações em tão pouco tempo.
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  — O pássaro maluco dela — respondeu %Endora%, levantando-se e se apresentando com muita curiosidade pelo garoto. Sua mão estava suja de abóbora e ela estendeu-a em cumprimentos para Harry sem ao menos limpá-la: — Muito prazer, Harry, eu sou a irmã mais velha da %Aurora%, %Dora%.
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  — %Endora%! — corrigiu %Aurora%. — Mas ela odeia esse nome.
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  — Hm… Muito prazer, %Dora% — respondeu o garoto cortês pegando na mão dela, mesmo suja, em um ato educado e discreto.
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  — Puxa, me desculpe! Estou com as mãos sujas! — %Endora% enfim percebeu ao ver Harry limpar a mão nas próprias calças. — Ah, venha! É bom ter alguém da minha idade por aqui! Às vezes %Aurora% é irritante demais! Venha, Harry, me ajude com essas abóboras. Já está com a mão suja mesmo!
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  %Endora% puxou o garoto pela mão e %Aurora% suspirou revirando os olhos da cabeça doida de sua irmã mais velha. A mãe observava as meninas com o garoto, um pouco mais tranquila por ver que elas fariam um amigo na vizinhança. %Aurora% sentou-se ao lado da irmã e de Harry no chão gramado da frente da casa, e começou a contar quantos folhetinhos sobraram em sua mão.
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  — Harry, não precisa ajudar %Endora% se não quiser. Ela deveria ter perguntado primeiro, não é filha?
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  A garota sorriu sem graça e então concordou:
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  — É claro, pode deixar esse fardo para mim Harry… — Havia um tom dramático na voz da menina que fizera Harry sorrir com dentes à mostra, como ele não fazia há algum tempo. — Mas você ainda não se apresentou direito!
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  — Você e a Helen não deixaram o menino falar! — disse %Aurora% óbvia e declarou à mãe: — Mamãe, sobraram quinze folhetos!
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  — Muito bem, “mamãe” para você, sua garotinha travessa! — Helen apontou um dedo na direção da filha pegando os folhetos de suas mãos e perguntando ao garotinho antes de retomar sua tarefa de pendurar luzes na varanda: — Você e sua família virão à nossa festa, Harry?
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  — Ah, bem… Hm… Acho que não. Tia Petúnia e tio Walter não gostam muito de nada que se refira ao mundo bruxo.
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  — Por que não? — perguntaram %Aurora% e %Endora% ao mesmo tempo.
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  — O Halloween é a melhor festa do ano depois do Natal, é claro! — declarou %Aurora%.
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  — Bem, eles apenas… Não gostam de bruxos.
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  — Mas bruxos não existem. Que bobeira! — novamente falou %Aurora% em tom superior.
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  Helen sentiu que a maneira como o garoto falou era um tanto realista demais para um garotinho comum.
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  — Como é mesmo seu nome, querido?
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  — Potter. Harry Potter. — Ao responder, Helen tomou um susto soltando a cortina de pequenas lamparinas fazendo um estrondo ao cair da cadeira.
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  — Mamãe! — exclamou %Endora%, em seguida ela e Harry correram para ajudar a mulher.
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  — Ah, está tudo bem. Tudo bem! — Helen se levantou e, ofegante, encarou o rapazinho. — Vamos parar e lanchar! Andem, crianças, para dentro.
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  Harry tentou negar, mas Helen o arrastava para dentro de casa sob os olhares estranhos e curiosos de %Aurora% e %Endora%.
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  — Largue essas abóboras, %Endora%. Está livre.
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  — Vitória! — gritou a menina agarrando seu gato, Sebastian, que miou em mau-humor. Ele detestava ser pegado no colo.
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  As duas meninas seguiram para dentro da casa, e enquanto Helen preparava uma bandeja com sanduíches de morte para os três, Harry preocupava-se pela demora em voltar para casa.
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  — Sanduíches de morte, Harry. Nunca vai provar outro tão deliciosamente asqueroso como esses! — falou %Endora% servindo-o um. O menino olhava para o sanduíche com um pouco de receio — Oras, coma! É só pasta de alho com chocolate! E tem alguns de pasta de amendoim com morango se você for, como a %Aurora%, um fracote com paladares.
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  — Quem inventou isso? — perguntou Harry.
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  — Nosso pai. Há três anos, enquanto pensávamos em um sabor novo para o cardápio da festa! — contou %Endora%.
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  — Harry, parece preocupado. Deveria estar em outro lugar? — perguntou Helen, embora quisesse perguntar-lhe por que é que ele não estava em Hogwarts.
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  — Bem, tia Petúnia nunca ligou muito para onde eu me meto, mas… É que, na verdade, eu deveria estar na escola.
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  — Matando aulas, Harry? Que travessura! — comentou %Aurora% com a boca cheia devorando um sanduíche de falsa morte.
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  Aquele nome foi invenção das meninas para o sabor de pasta de amendoim com morango, já que na opinião delas aquilo nem era tão ruim assim.
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  — Eu estudo em uma Escola distante e deveria estar lá, mas meus tios me deixaram de castigo este ano e eu perdi o Expresso. Então, há um mês estou buscando uma… — Harry parou imediatamente ao ver os olhos esbugalhados das duas meninas encarando-o ávidas pela história, e Helen com uma expressão um pouco menos surpresa.
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  — Sua tia nunca gostou de Hogwarts, não é? — perguntou Helen de supetão. Quando notou que seu pensamento alto havia ecoado como uma frase em claro tom, Helen quis congelar o tempo.
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  — A senhora sabe sobre Hogwarts? — perguntou Harry admirado e ainda mais curioso.
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  — Hogwarts? Não é aquela história dos livros, mamãe? — perguntou %Endora% confusa.
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  — Ah, sim... bem…
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  — Chegamos! — A voz do pai das meninas ecoou pela casa fazendo as atenções todas se voltarem a eles.
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  — Onde estão as minhas bruxinhas lindas!? — O tio-avô Claus entrou pela cozinha com sua característica roupa do interior de Hampshire, a longa barba ruiva e as grossas sobrancelhas também ruivas que davam a seu rosto uma aparência bravia.
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  — Tivô! — gritaram as duas correndo na direção dele.
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  Harry sorriu contagiado pela atmosfera da família, e finalmente deixou-se provar um sanduíche de morte. Enquanto notava que o sabor de alho com chocolate era mesmo asquerosamente apetecível, Helen arrastou o marido, Damian, para um canto da sala.
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  — Dami, rápido, precisamos conversar!
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  — Leli, o que aconteceu, querida, parece nervosa… — O marido segurou a esposa pelos ombros, a encarando de forma preocupada.
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  — Aquele garotinho na cozinha, Damian! É Harry Potter! Potter é nosso vizinho, sabe o que isso significa?! — exclamou a mulher em baixo tom e o marido demonstrou surpresa na face.
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  Não tiveram tempo de falar mais nada porque Harry, notando sorrateiramente o nervosismo do casal, aproximou-se deles na sala e perguntou corajoso:
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  — Quem, afinal, são vocês? São uma família de bruxos, não é?
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  A risada de Claus entoou na cozinha, Helen e Damian sabiam que as filhas estavam bastante distraídas.
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  — Venha até nosso escritório, Harry. Aliás, muito prazer, eu sou Damian Raven, o pai das meninas. — O homem estendeu a mão ao garoto.
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  — Não se preocupe, querido, somos uma família de bruxos, sim, mas… %Aurora% e %Endora% ainda não sabem. Venha, vamos conversar no escritório.
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  Apesar de saber que se encontrar com bruxos desconhecidos poderia ser perigoso, Harry seguiu o casal até o escritório da casa. Eis então que eles contaram para ele a sua história.
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