Capítulo 9 • Leah e Raquel
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Uma foi escolhida, outra chamada. Mas as duas foram escolhidas.
E sucedeu que naqueles dias, vendo o senhor que a humanidade precisava de uma terra para si e que Israel ainda não era uma nação, ele pousou seus olhos pelas terras de Padan Haran. E foi-se o tempo que Milcah, a filha de Haran, deu à luz um filho e lhe chamou de Betuel. E Betuel gerou Laban e Rebeca. E Rebeca foi mãe de Esaú e Jacó. E Esaú era o favorito de Isaque enquanto o favorito de Rebeca era Jacó.
E aconteceu naqueles dias, que muitas das pessoas daquela época adoravam deuses de pedra e se inclinavam a eles. E as filhas de Laban também fizeram assim. Leah era sorridente, gentil e até mesmo com uma fé em um Deus desconhecido, enquanto Raquel tinha sua fé e grande sorriso, mas era mais calma. E naqueles dias, Raquel pastoreava ovelhas. E as terras de Laban eram frutíferas.
— Leah, Raquel — chamou Laban. — Raquel, preciso que hoje pastoreie as ovelhas cada vez mais. E Leah, continue a tecer e a fazer na cozinha comidas boas.
— Sim senhor — as duas filhas falaram.
E Deus, aquele que era supremo e majestoso, viu o coração das duas jovens. Leah era a alegria da família enquanto Raquel era mais reservada, mas igualmente alegre. As duas irmãs carregavam consigo algo que não havia entendido outras mulheres. Mesmo sendo da descendência dos caldeus, elas eram boas.
E Raquel desceu ao campo naquela manhã. Ela começou a pastorear as ovelhas dizendo "Bitu Bitu" como costumavam dizer as pastoras para acalmar as ovelhas, enquanto Leah tecia e cuidava dos irmãos mais novos. De longe, Laban observava as filhas com orgulho. Se sua esposa ainda estivesse viva, ela gostaria de ver o que as filhas se tornaram. E a dinâmica familiar era muito boa.
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Enquanto isso, Jacó e Esaú cresciam em Canaã, e conforme eles cresciam, mais brigavam por sua primogenitura. Jacó acreditava que Esaú não merecia a benção do pai e tentará fazer com que Isaque lhe desse a benção. Já Esaú era um excelente caçador. Ele caçava animais e sempre trazia caças. Porquanto, quando Esaú tomou duas esposas hititas e estas cegaram Isaque com seu incenso, Isaque ficou cego. Vendo isso, Rebeca decidiu apressar Deus e fazer com que Jacó recebesse a benção de Isaque.
— Ande, vá se arrumar, prepararei uma caça e você a entregará a Isaque para que ele te abençoe na frente de Esaú.
— Mas mãe, e se Esaú descobrir?
— Ele não vai, e se descobrir, o peso deverá cair sobre mim.
Assim eles fizeram. Jacó foi se arrumar.
Rebeca preparou uma carne saborosa e pediu que Jacó servisse Isaque, fingindo ser Esaú de forma que quando Isaque comesse da carne o abençoasse no lugar de Esaú e isso vinha de Deus. E Isaque abençoou Jacó. E Esaú, irritado, procurava matar Jacó.
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Enquanto isso, na terra de Laban, Zilpa e Bila serviam Leah e Raquel. A casa de Laban era grande e não se parecia em nada com a casa de Betuel. E foi assim que Deus favorecia a casa de Laban devido a forma como as suas filhas trabalhavam.
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Leah se perguntava “será que existia um Deus que devesse buscar?”, enquanto Raquel fazia as mesmas perguntas, mas ao contrário, entendia que havia algum propósito maior em tudo isso. Elas continuaram seus trabalhos por dias.
Em meio a isso, a benção que Isaque deu a Jacó começava a fazer Esaú querer matar Jacó, e eis que Isaque disse:
— Fuja, Jacó, vá para a terra de Padan Haran, a terra de meu pai, e procure uma das filhas de Laban, o irmão de sua mãe, para esposa e volte quando a fúria de seu irmão tiver passado.
Jacó tentou argumentar, mas assentiu. Ele sabia que a fúria de Esaú não passaria tão rápido. Teria que fugir. Começou a se arrumar e partiu sozinho a terra de Padan Haran onde estava seu tio Laban, mas a jornada seria longa. Ele começou a caminhar para a terra de Laban por longos dias.
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Naquele dia em especial, Leah chegou da vila em sua casa com seu vestido verde animada, enquanto Raquel pastoreava ovelhas...