Capítulo 4 • O Primeiro Sentimento de %Adata%
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%Adata% estava em casa, os raios do sol filtrando-se através das janelas, criando um padrão listrado no chão de madeira polida. As tarefas domésticas ocupavam seu tempo, mas sua mente estava longe. Pensava em sua irmã, %Heidi%, que tinha se desviado dos caminhos de Deus, mergulhando em uma vida de excessos e promiscuidade. %Adata% sentia um peso no coração, pois sabia que, em breve, um dilúvio de consequências pairava sobre eles, assim como muitos outros, estaria em risco.
Enquanto dobrava um pano de prato, %Adata% ouvia a voz firme de seu pai, Eliaquim, ecoar pela casa. Ele estava terminando de se arrumar para sair.
— %Adata%, vamos à cidade fazer algumas compras. Precisamos estocar o que pudermos antes que as coisas fiquem ainda mais complicadas.
Ela olhou para o relógio na parede. O tempo estava passando rápido, e com o dilúvio se aproximando, a vida na cidade parecia cada vez mais frenética.
— Claro, pai. Vou me arrumar! — %Adata% respondeu, tentando esconder a agitação que sentia.
Pouco depois, pai e filha estavam a caminho da cidade. O caminho era tranquilamente familiar, cada árvore, cada pedra, trazendo à tona memórias de tempos mais simples. %Adata% admirava a paisagem, mas sua mente continuava divagando. O que %Heidi% estaria fazendo agora? Ela rezava pela irmã, desejando que encontrasse seu caminho de volta.
Ao chegarem à cidade, a atmosfera era densa. O mercado estava cheio de vozes, risos e uma mistura de cheiros que variavam do doce ao azedo. %Adata% seguiu seu pai entre as barracas, ajudando a escolher os melhores produtos. Mas foi quando ela se virou para pegar uma maçã que algo a fez parar em seco.
Diante dela estava Devin, um jovem que ela conhecia de vista. Ele usava uma roupa preta que se destacava entre as cores vibrantes do mercado, e um perfume que exalava a essência da cidade — uma mistura de liberdade, festas e promiscuidade. Seu sorriso era radiante, e %Adata% sentiu um frio na barriga, como se o ar tivesse lhe faltado.
— Oi, %Adata%! — Devin disse, aproximando-se com um brilho no olhar que a fez esquecer por um momento suas preocupações. — O que você está fazendo aqui?
Ela respondeu, tentando controlar a timidez que a dominava:
— Estou com meu pai, comprando algumas coisas para casa. E você? Veio comprar algo especial?
Devin riu, um som contagiante.
— Na verdade, estou apenas acompanhando uns amigos. Mas acabei me perdendo em meio a tanta coisa para ver. — Ele olhou ao redor, como se estivesse absorvendo a energia do lugar. — E você? Como está lidando com toda essa história de dilúvio que está por vir?
A pergunta pegou %Adata% de surpresa. Como ele sabia? As palavras de Devin fluíram de forma casual, mas havia um tom de preocupação em sua voz.
— Na verdade, tenho pensado muito sobre isso. Minha irmã… ela… se afastou do caminho certo. Não sei como ajudá-la.
— Às vezes, tudo que podemos fazer é esperar e orar — Devin respondeu, o sorriso desaparecendo, dando lugar a uma expressão séria. — Mas você não pode deixar que isso te consuma. Precisamos viver os nossos dias, mesmo sabendo que o futuro pode ser incerto.
As palavras dele a tocaram profundamente. %Adata% percebeu que, mesmo em meio à incerteza, havia espaço para esperança.
— Você tem razão, Devin. Às vezes me esqueço que a vida continua, mesmo em tempos difíceis.
— Vamos aproveitar o momento, então? — Devin sugeriu, seu olhar agora mais esperançoso. — Posso te mostrar um lugar na cidade onde as pessoas se reúnem para conversar. É um bom jeito de escapar da pressão.
Ela hesitou por um momento, sabendo que deveria voltar para o pai, mas a curiosidade e a conexão instantânea com Devin eram irresistíveis.
— Um lugar onde as pessoas se reúnem? Parece interessante! Mas… e meu pai?
— Vou garantir que você volte a tempo — Devin prometeu, piscando de maneira despretensiosa. — Vamos, apenas por um pouco. Prometo que será divertido!
%Adata% olhou para seu pai, que estava a alguns metros de distância, examinando um cesto de frutas. Ele parecia alheio. Sem pensar duas vezes, ela tomou a decisão.
— Certo, vamos! — O coração batia acelerado, uma mistura de emoção e medo a invadiu.
Devin conduziu-a por um caminho estreito, longe da multidão do mercado. As ruas se tornaram mais tranquilas, e o ar cheirava a algo fresco e distante do perfume de festas.
— Aqui estamos! — disse ele, parando em frente a uma pequena taverna com janelas abertas e risadas ecoando de dentro.
%Adata% hesitou na porta, mas Devin a encorajou.
— Vamos, não tenha medo! Não é nada demais. Apenas algumas pessoas conversando.
Ela cruzou a soleira da porta e entrou, e logo foi envolvida pela atmosfera descontraída. As mesas estavam ocupadas por grupos de amigos, todos compartilhando histórias e risadas. %Adata% sentiu uma leveza no coração, mesmo diante da escuridão que pairava sobre o futuro.
— Vejo que você finalmente se juntou a nós! — uma jovem exclamou, levantando o copo em saudação. Devin se virou para %Adata% e sorriu. — Viu? Aqui é onde a vida acontece.
%Adata% se sentou ao lado de Devin e começou a relaxar, sua mente se afastando das preocupações. As conversas fluíam ao seu redor, e ela se deixou levar pela energia vibrante. Mas, em algum lugar dentro dela, a preocupação com %Heidi% ainda persistia.
Enquanto os minutos se transformavam em horas, %Adata% percebeu que o mundo que a cercava era muito mais complexo do que ela havia imaginado. A vida não era feita apenas de obrigações e deveres, mas também de momentos espontâneos e de conexões inesperadas. Devin a ajudou a ver isso.
Mas, como todas as coisas boas, a diversão teve que chegar ao fim.
— %Adata%, precisamos voltar antes que seu pai se preocupe — disse Devin, com um olhar preocupado.
Ela assentiu, um pouco relutante. As horas passaram tão rápido que mal parecia que havia estado ali por tanto tempo.
— Sim, você tem razão. Eu… eu realmente gostei disso.
Enquanto caminhavam de volta, o sol começava a se pôr, tingindo o céu com cores quentes e brilhantes. Devin a acompanhou em silêncio, mas %Adata% sentia o calor da presença dele.
— Obrigada por me mostrar um lado diferente da cidade — ela disse, sua voz suave.
— Você merece conhecer o melhor, %Adata%. E espero que um dia sua irmã também encontre o caminho de volta — Devin respondeu, seus olhos sérios refletindo a compreensão.
Ao chegarem em casa, %Adata% se despediu de Devin, um novo sorriso iluminando seu rosto.
— Espero te ver novamente em breve.
— Com certeza — ele prometeu, antes de se afastar em direção à cidade, perdendo-se nas sombras que se alongavam.
%Adata% entrou em casa, o coração pulsando com uma nova esperança, uma nova perspectiva. Mesmo diante do dilúvio que se aproximava, ela sabia que havia beleza nas conexões humanas e na vida que pulsava ao redor dela. E ao olhar para seu pai, que ainda estava na cozinha, %Adata% percebeu que o amor e a fé também eram essenciais para navegar os caminhos incertos que estavam por vir.