Capítulo 3 • Entre Jogos, Flertes e Decisões
Tempo estimado de leitura: 16 minutos
A cidade pulsava com vida naquela tarde ensolarada. As pessoas passavam apressadas, cada uma imersa em suas próprias preocupações, enquanto o céu azul refletia a promessa de aventuras ainda por vir. %Heidi%, no entanto, caminhava em um ritmo mais lento, absorvendo cada detalhe ao seu redor. Era uma época estranha, lembrou-se das palavras de Noé sobre o dilúvio, mas naquele momento, a única inundação que ela desejava era a de novas experiências.
Com um sorriso divertido e um olhar cheio de curiosidade, decidiu que era hora de explorar algo novo. Seus passos a conduziram até uma loja de brinquedos colorida que se destacava entre as fachadas sérias das lojas ao redor. As janelas estavam decoradas com bonecas de porcelana, trens a vapor brilhantes e jogos de tabuleiro que prometiam horas de diversão. %Heidi% empurrou a porta de vidro com um tilintar suave e entrou.
O cheiro do plástico novo e a sensação de nostalgia a envolveram imediatamente. Crianças corriam em volta, rindo e pedindo aos pais que comprassem isso ou aquilo. Ela se sentiu como uma criança novamente, deixada livre para explorar um mundo de maravilhas. Enquanto caminhava pelos corredores, seus olhos pararam em um brinquedo em particular — uma miniatura de um Nephilim, com asas reluzentes e um olhar sedutor.
A atração foi instantânea, mas não foi apenas o brinquedo que a fez parar. Quando %Heidi% levantou os olhos, encontrou-se frente a frente com um jovem de verdade. Ele era ainda mais impressionante que a figura de plástico — alto, com cabelos escuros e olhos que brilhavam com um misto de travessura e um profundo conhecimento do mundo. Era como se ele estivesse ali para brincar, mas ao mesmo tempo para seduzir.
— Olá — disse ele com um sorriso que fez seu coração acelerar. — Você também veio aqui em busca de aventuras?
%Heidi% engoliu em seco, surpresa pela clareza da sua voz e pela maneira como ele a olhava, como se a conhecesse de outras vidas.
— Na verdade, sim. Estou apenas explorando... e, bem, não pude resistir a entrar nesta loja tão encantadora.
— Encantadora é uma boa palavra — ele respondeu, dando um passo mais perto. — Mas eu poderia te mostrar algo ainda mais encantador do que os brinquedos. O que você acha de um passeio?
A proposta era tentadora, e mesmo sabendo que era errado flertar com um estranho, algo a impulsionava a aceitar. %Heidi% não era do tipo que se deixava levar facilmente, mas havia algo nele que a atraía.
— E se eu disser que estou dentro? — perguntou, com um sorriso malicioso.
— Eu adoraria — ele respondeu, inclinando-se ligeiramente, como se fosse contar um segredo. — Meu nome é Caelum. E o seu?
— %Heidi% — ela respondeu, o nome saindo como um sussurro. No fundo, sabia que esse encontro era algo fora do normal, mas a ideia de uma aventura a fazia ignorar qualquer dúvida.
— Vamos então, %Heidi%. Eu prometo que será divertido — Caelum disse, estendendo a mão. Ela hesitou por um momento, mas a curiosidade e a excitação foram mais fortes. Tomando sua mão, sentiu um frio na barriga, uma mistura de nervosismo e expectativa.
Ao saírem da loja, %Heidi% percebeu que o sol estava começando a se deslocar, criando um jogo de sombras e luzes na calçada.
— Para onde estamos indo? — perguntou, enquanto caminhavam juntos, o coração batendo acelerado.
— Tem um parque próximo daqui que é mágico ao entardecer. Você vai adorar — Caelum respondeu, guiando-a com confiança, como se conhecesse cada canto da cidade.
Enquanto caminhavam, eles conversaram sobre trivialidades — seus hobbies e até mesmo sobre a crença em seres míticos como os Nephilins. A conversa fluiu naturalmente, e %Heidi% se sentiu à vontade, como se já conhecesse Caelum há muito tempo.
— Então, você acredita que os Nephilins realmente existem? — perguntou %Heidi%, rindo da seriedade de sua própria pergunta.
— Por que não? O mundo é cheio de mistérios — Caelum respondeu com um brilho nos olhos. — Às vezes, o que parece ser apenas um conto pode ter um fundo de verdade. Como você, por exemplo. Espero que você não seja só uma história.
Ela olhou para ele, seus olhos capturando a essência de tudo o que estavam discutindo.
— E você? O que é? Um Nephilim reencontrado em um mundo normal?
— Quem sabe? Às vezes, a realidade é mais intrigante do que a ficção. Mas posso garantir que há mais em mim do que parece. E você? — ele perguntou, desafiando-a a revelar um pouco mais de si mesma.
— Eu sou apenas uma garota comum em busca de algo fora do comum — respondeu %Heidi%, sentindo-se um pouco mais corajosa. — Mas, por ora, estou apenas aproveitando essa aventura.
Chegaram ao parque e a visão era deslumbrante. O sol estava se pondo, pintando o céu de laranja e rosa, enquanto as árvores dançavam suavemente com a brisa da tarde. Caelum a levou até um banco sob uma árvore frondosa, onde poderiam observar a beleza ao redor.
— Este lugar é mágico, não é? — ele perguntou, seu tom de voz suave e envolvente.
— Sim, é incrível — ela respondeu, um sorriso se formando em seus lábios. — É como se estivéssemos em um conto de fadas.
— E você é a princesa — Caelum disse, a voz quase um sussurro. Ele se aproximou mais, e por um momento, ela sentiu que o mundo ao redor deles desaparecia. Era apenas os dois e a mágica do momento.
Subitamente, a atmosfera estava carregada de eletricidade. Caelum inclinou-se para ela, seus lábios quase se tocando.
— Posso? Posso te beijar, %Heidi%?
Ela hesitou, uma parte dela gritando que era errado. Mas a emoção do momento e a conexão que sentia com ele foram mais fortes.
Os lábios deles se encontraram em um toque suave que rapidamente se transformou em algo mais intenso. %Heidi% fechou os olhos, se perdendo na sensação. Era errado, mas naquele instante, tudo que importava era a magia que sentia. O mundo ao redor desapareceu, e ela se permitiu viver aquele momento.
Quando se afastaram, ambos estavam ofegantes.
— Uau — disse Caelum, a expressão no rosto dele alternando entre surpresa e deleite.
— Uau mesmo — %Heidi% concordou, ainda tentando processar o que acabara de acontecer. — Isso foi… inesperado.
— Às vezes, as melhores coisas vêm do inesperado — ele disse, olhando profundamente em seus olhos. — E a pergunta é: você está pronta para mais aventuras?
%Heidi% não sabia exatamente o que o futuro reservava. Mas, olhando para o jovem Nephilim à sua frente, ela soube que estava pronta para deixá-lo guiá-la em qualquer direção que quisesse. Afinal, a vida era uma grande aventura — e ela estava apenas começando.
**********
— A %Heidi% ainda não apareceu — observou %Adata%.
— Verdade! Talvez ela só esteja se divertindo — disse %Tali%.
— Em meio a tantos anjos caídos, festas depravadas e nephilins? — perguntou %Dana%. — Acho difícil, vocês se lembram o que Noé falou, não lembram? Vai vir um dilúvio.
— Talvez você devesse relaxar mais, %Dana% — disse %Tali%.
— Você tem razão, %Tali% — disse %Dana% com um olhar mais sereno. — Onde quer que %Heidi% esteja, deve estar bem.
***********
— Eu estava pensando, Shem, não seria bom explorar a cidade? — disse Cam aos irmãos. — As cidades parecem ser tão vibrantes.
— Você sabe o que acontece nessas festas, Cam — alertou Shem.
— Talvez o Cam tenha razão, talvez devêssemos aproveitar — disse Jafé com um sorriso maroto nos lábios. — Não sabemos que tipo de moças podemos encontrar.
**********
“Na serenidade, vem a calma e na calma encontros inesperados”
%Dana% estava sentada à mesa da cozinha, observando sua mãe, com a concentração de uma artista diante de sua obra-prima. O aroma de especiarias e ervas frescas flutuava pelo ar, misturando-se com o som suave do fogo crepitando sob a panela. Enquanto isso, suas irmãs, %Tali% e %Adata%, se dividiam entre as tarefas domésticas, criando um clima de harmonia e trabalho em equipe. O dia estava ensolarado, e os raios de luz filtravam-se pelas janelas, iluminando a cozinha com um brilho dourado.
— Você poderia me passar o sal, %Dana%? — pediu %Tali%, sem desviar a atenção do pano que usava para limpar a superfície da mesa.
— Claro! — respondeu %Dana%, entregando o pequeno saleiro à irmã. Mas, mesmo enquanto ajudava, seus pensamentos estavam longe. A mente dela, inquieta e sonhadora, se desviou para os jardins da casa. Desde que viu a sombra da irmã mais velha, %Heidi%, desaparecer entre as flores, uma sensação de inquietude tomou conta dela. %Heidi% nunca demorava tanto.
— O que foi? Você está em outro mundo, %Dana%! — %Adata% comentou, notando a distração da irmã.
— Ah, só estou pensando… — começou %Dana%, hesitando, mas a curiosidade a venceu. — Onde será que a %Heidi% foi?
— Deve estar apenas colhendo algumas ervas ou flores, não se preocupe — %Tali% respondeu, mas a preocupação de %Dana% só cresceu. Algo não parecia certo.
Com uma certa hesitação, decidiu que precisava dar uma olhada. Levantou-se da mesa e, antes que suas irmãs pudessem questioná-la, saiu apressada para o jardim. O sol brilhava intensamente, preenchendo o espaço com um calor suave que despertava as flores e os pássaros. %Dana% respirou fundo, sentindo o perfume dos jasmins e das rosas, mas o coração ainda batia descompassado.
O jardim estava tranquilo, mas a ausência de %Heidi% tornava tudo inquietante. Caminhando entre as flores, %Dana% chamava por sua irmã, sem obter resposta. Foi quando, de repente, viu uma figura familiar à distância. Era Jafé, um jovem de cabelos escuros e sorriso cativante que estava sentado em um tronco perto do pequeno lago que adornava o jardim.
— %Dana%! — ele exclamou, ao notar a presença dela. — Que bom te ver por aqui!
— Oi, Jafé! — respondeu ela, tentando disfarçar o nervosismo que sentia. Ele sempre teve um jeito especial de deixar seu coração acelerado.
— Está tudo bem? Você parece preocupada — ele perguntou, suavemente.
%Dana% hesitou. Relatar a inquietação por causa de %Heidi% parecia exagero. Então, decidiu mudar de assunto.
— Estou apenas procurando a %Heidi%. Estava aqui, mas não a vejo — disse %Dana%, encolhendo os ombros.
Jafé sorriu, o que fez o coração dela dar um pequeno salto. Ele tinha um jeito leve e brincalhão que a atraía, e naquele momento, ela se permitiu relaxar um pouco.
— Ela deve estar por aí, entre as flores ou talvez tenha ido até a cidade. Você sabe como ela é, sempre buscando algo novo — Jafé comentou, piscando.
%Dana% deu uma risada, sentindo-se mais à vontade. Era bom estar ali, conversando com ele, longe das obrigações e responsabilidades.
— Você está sempre aqui, não é? — ela perguntou, curiosa.
— Ah, sim. Este lugar é mágico! Sempre que posso, venho aqui para pensar ou simplesmente para desfrutar da natureza. E o que posso dizer? O jardim sempre me parece mais bonito quando você está por perto.
%Dana% corou com o elogio. Ele tinha um jeito especial de fazer suas palavras soarem como uma canção. A conversa fluiu naturalmente, com trocas de risadas e olhares que pareciam dançar ao redor deles.
— E como andam as festas na cidade? — %Dana% perguntou, tentando mudar o foco da conversa. Ela sempre se sentiu intrigada com as histórias que ouvira sobre os eventos nas praças, onde homens e mulheres se reuniam com seres sobrenaturais — anjos caídos e nephilin.
— Ah, você sabe como são essas coisas... — Jafé começou, com um brilho travesso nos olhos. — A cidade está cheia de rumores e festas. As pessoas se reúnem sob a luz da lua, dançando e celebrando como se o mundo fosse acabar. É fascinante e meio… assustador, ao mesmo tempo.
— Assustador? Por quê? — %Dana% perguntou, interessada.
— Porque, às vezes, as pessoas se perdem nessas festas. Elas se tornam tão envolvidas com os anjos e nephilins que esquecem de quem realmente são. Mas, por outro lado, também é um momento de liberdade e alegria — ele explicou, olhando para o céu, como se buscando as estrelas que logo estariam brilhando.
%Dana% ponderou sobre o que Jafé disse. O mundo ao redor dela estava repleto de mistérios, e ela se sentia cada vez mais intrigada por ele. Mas, mesmo com toda aquela conversa mágica, a preocupação com %Heidi% ainda persistia.
— Precisamos procurar pela minha irmã. Não posso ficar aqui me divertindo enquanto ela pode estar precisando de mim — disse, decidida.
— Posso te ajudar! Vamos juntos — Jafé se ofereceu, levantando-se com um brilho de entusiasmo nos olhos.
E assim, os dois começaram a explorar a cidade, suas risadas ecoando entre as árvores e flores, enquanto o sol começava a se pôr no horizonte, tingindo o céu com cores vibrantes. A busca por %Heidi% continuava, mas %Dana% não podia negar que ao lado de Jafé, tudo parecia mais leve e menos preocupante.
— Você já pensou em participar de uma das festas na cidade? — ele perguntou, enquanto caminhavam.
— Não sei… Parece meio arriscado. E se algo der errado? — %Dana% respondeu hesitante.
— Às vezes os riscos são necessários para a verdadeira aventura! E se você não tentar, como saberá o que está perdendo? — ele argumentou, com um sorriso encorajador.
%Dana% sorriu de volta, um brilho de curiosidade crescente em seus olhos. Enquanto continuavam a andar, o mundo ao redor dela começava a parecer menos opressor e mais mágico. Às vezes, a vida era feita de encontros inesperados e decisões ousadas.
— Vamos encontrar a %Heidi%! — declarou %Dana%, com um novo fervor, enquanto olhava para Jafé, ansiosa para descobrir o que o futuro poderia trazer.
E assim, juntos, eles partiram em busca da irmã, embrenhando-se em um labirinto de flores e sonhos, onde o céu era apenas o começo de uma nova jornada.
Conforme anoitecia, %Heidi% voltava para casa assim como %Dana%, mas as coisas mudariam tão rápido quanto começaram... Em meio a isso, os anjos, os nephilins e as festas continuavam...
******
— Onde você esteve noite passada, %Heidi%? — perguntou %Tali% curiosa. — %Dana% também saiu.
— Eu estava procurando a %Heidi% — disse %Dana%.
— Eu só fui passear pela cidade, nada demais — disse %Heidi% com um sorriso.
*******
%Tali% decidiu após tomar o café da manhã sair para ver o movimento da cidade. Ela estava caminhando pelas ruas, tendo saído mais cedo de casa, viu as pessoas se dando a festas e diversões. Viu os nephlins e os anjos caídos incentivando os filhos dos homens a darem composto para as esposas tomarem a fim de que ficassem belas. Cogitou tomar com eles, mas tal pensamento escapou de sua cabeça quando lembrou das palavras de Noé. Decidiu ir para o centro da cidade, ouvindo uma das músicas da cidade. A música através do tamborilar era bonita, mas %Tali% decidiu não ligar para isso, mas encontrou o olhar de Cam, filho de Noé e irmão de Jafé e Shem, sob seu olhar.
— Aproveitando a vista? — perguntou Cam a %Tali%.
— Talvez. — Ela deu um leve sorriso.