Capítulo 7 • O Herdeiro Varão
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21 de Setembro de 1517
E morreu %Luísa% de Valois a filha de Francisco I da França e %Claudia% da França. Francisco e %Claudia% lamentaram muito a perda da filha. Mas o que podiam fazer? Eles agora tinham perdido sua primogênita e Carlota foi nomeada herdeira do trono. Esta também não viveria muito, mas ninguém precisa saber disso. O casamento não estava amaldiçoado, mas estava de fato atingindo uma proporção estranha. Primeiro, só tinham duas filhas meninas e agora uma delas morreu. Francisco desprezava %Claudia%, mas precisava dela para reinar. E %Claudia%, bem, %Claudia% tinha que aguentar tudo calada. Era na infelicidade que ela encontrou um propósito maior. Veria seus filhos reinando. Mas ela achava que não viveria para ver isso. E esta é a historia de %Claudia% e Francisco.
— O que aconteceu com a princesa %Luísa% foi uma lástima — diz o sacerdote a %Claudia% e Francisco. — Vamos reforçar nossas orações para que a menina tenha encontrado luz nos céus.
%Claudia% e Francisco trocaram um olhar rápido, como se compartilhasse da dor. %Claudia% voltou a seus aposentos, deixando Francisco continuar seu reinado como rei. Francisco continuou resolvendo assuntos do reino. E assim Francisco, agora um homem rei, tinha seus 25 anos enquanto %Claudia% apenas tinha 17 anos. %Claudia% podia perceber as jovens do palácio rindo de suas próprias diversões, como a nova peça que Francisco estava apresentando. Sim, pois Francisco era um patrono das artes. Francisco estava organizando festas em homenagem a filha. Queria convidar a esposa, mas sabia que ela era fraca demais para aceitar o convite, se isolando na própria dor. Não, %Claudia% não era fraca. Mas ele estava certo em dizer que ela estava se isolando na dor. A dor era um presente.
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Mas vamos voltar um pouco antes... Quando ascendeu ao trono em 1515, Francisco viu o Renascimento que havia chegado à França e Francisco tornou-se um patrono entusiasta das artes. No momento de sua adesão, os palácios reais da França eram ornamentados com apenas uma variedade de grandes pinturas, e nenhuma escultura, antiga ou moderna.
Durante o reinado de Francisco, foi iniciada a magnífica coleção de arte dos reis franceses, que ainda pode ser vista no Palácio do Louvre. Francisco apadrinhava muitos grandes artistas de sua época, incluindo Andrea del Sarto e Leonardo da Vinci; o último dos quais foi persuadido a fazer da França sua casa durante seus últimos anos.
Enquanto Da Vinci pintou muito pouco durante seus anos na França, ele trouxe muitas de suas maiores obras, incluindo a Monalisa (conhecida na França como
La Joconde), e estas permaneceram na França após sua morte.
Outros grandes artistas a receber o patrocínio de Francisco incluem o ourives Benvenuto Cellini e os pintores Rosso Fiorentino, Giulio Romano e Primaticcio, todos eles empregados na decoração dos vários palácios de Francisco. Ele também convidou o notável arquiteto Sebastiano Serlio (1475–1554), que desfrutou de uma frutuosa carreira no final da França.
Francisco também encomendou vários agentes na Itália para adquirir notáveis obras de arte e enviá-las para a França. Seu casamento com %Claudia% fora benéfico. Sua vitória na batalha de Marignano (1515) sobre os suíços que defendiam Maximiliano Sforza fez sua fama na Itália, pois tomou o Ducado de Milão. Aproveitou-se disso na
entrevista de Bologna, e teve sucesso no que seus predecessores Carlos VII e Luís XI tinham tentado: impor ao papa Leão X por concordata (Concordata de Bolonha) de organização da igreja francesa, que perduraria até a Revolução Francesa. Mas voltando a vida de casados, Francisco precisava de mais um filho, até agora só tinha um filho com %Claudia%, a pequena Carlota. O que ele não sabia era que %Claudia% já estava esperando um segundo filho.
— Grávida? — perguntou Francisco. — Isso é maravilhoso — disse satisfeito a %Claudia%.
— Que bom que dei uma noticia boa a meu marido — disse %Claudia% deixando Francisco satisfeito.
Francisco fez um sinal para que %Claudia% saísse deixando-o pensativo. Esperava que esse herdeiro fosse um menino, para o bem de seu reino e de %Claudia%.
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— “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento”. Palavra da salvação — disse o sacerdote da corte. %Claudia% observava a missa em silencio, como se pensasse se devia estar ali. Ela se perguntava, por que estava casada com Francisco. O casamento não era feliz, mas do jeito dela, ela o respeitava. Só ela entendia o que era a pressão do casamento politico e ela sabia muito bem. Sorriu para si mesma como se finalmente entendesse algo importante.
— Padre, eu gostaria que me abençoasse — pediu %Claudia% ao padre, no momento de confissão.
O padre, sorrindo, a abençoou.
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E naqueles dias também morreu Maria de Portugal e Aragão, a filha de Isabel de Castela. E ela tinha 34 anos quando morreu. E %Claudia% entrou em resguardo. E foram meses de exclusão e de dores, mas %Claudia% finalmente conseguiu, entre dores, dar à luz um menino. Francisco II como o chamaria em homenagem ao marido. O mesmo a desprezava, mas naquele dia, ele deu a ela algo raro, um sorriso que ela nunca vira, um sorriso genuíno de satisfação por ter um filho homem.
— Mandem avisar aos nobres! Temos um herdeiro da França! — disse Francisco I satisfeito. — Seu nome será Francisco II como minha rainha o nomeou.
E saiu para resolver assuntos do reino.
Era fevereiro de 1518 quando Francisco II nascera.
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Naquele mesmo dia %Claudia%, em sua cama do palácio, entrou em estado de sonolência e teve um pesadelo. No pesadelo, estava em frente a um grupo de garotos, os mesmos riam dela. O engraçado era que ela não conseguia se ver. Mas ela via os garotos apontarem para uma lista debochando. Eles riam dela e ela não pôde hesitar em sentir-se desconfortável. Quando acordou do sonho, teve outro sonho, um homem morto por causa dela. Sentia no sonho lágrimas surgirem em seus olhos. Então acordou. Era um sonho, mas ninguém mais precisava saber disso... No dia seguinte, %Claudia% acordou cedo pensando na interpretação do sonho, que parecia anormal demais para ela...