Capítulo 3
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— Foi divertido brincar com vocês! — disse Francisco animado. — Eu vou ficar aqui por um tempo, podemos nos ver aqui amanhã de novo? — perguntou.
— Vamos ver com nosso pai — disse %Rita%.
— Mas seria bom se nos víssemos de novo, você parece legal — disse %Ane%.
— Obrigado. — Francisco sorriu verdadeiramente.
Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronico fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.
Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.
Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E "se eu quiser falar com..." Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.
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FRANÇA, 1506
— Por que te preocupa tanto, senhora de %Saboia%? — perguntou uma das aias a %Luísa% de %Saboia%. — Dentro de um mês teu filho voltará. E quando voltar se casará com %Claudia% da França. Não entendo vossa preocupação.
— Os caminhos são misteriosos, aia — disse %Luísa% de %Saboia%. — E se meu filho arriscar tudo por alguma moça? E se ele se apaixonar por uma jovem que pareça com ele? Nada pode acontecer. O casamento dele com %Claudia% deve estar garantido. Ele tem de ser o próximo rei da França.
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— No jantar de hoje, vocês estavam quietas, aconteceu algo? — perguntou Maria Cruz às filhas que se olharam, mas não falaram nada.
Assim que a mãe saiu, %Rita% disse:
— Será que devíamos falar com o pai sobre nosso novo amigo? — perguntou.
— Acho que não — respondeu %Ane% em um lado de maturidade infantil pouco visto.
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PORTUGAL, 1506
No dia seguinte, %Rita% acordou cedo. Perto de sua humilde residência, ela foi a capela e começou a orar:
— Divina providência, cuida da minha família
À tarde, no jardim florido, as irmãs encontraram Francisco novamente.
— Olá, damas — ele sorri. — Achei que não viessem.
— Onde você mora? — perguntou %Ane% em um tom de curiosidade.
— Por aqui — Francisco disse. — Mas estou só de passagem.
As crianças começaram a brincar.
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Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E "se eu quiser falar com..." Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.
Aquelas "rosas" já "não falam" de Cartola
E do Cazuza "te pegando na escola".
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus "20 e poucos anos".
Se o Renato teve seu "tempo perdido",
O Rei Roberto "outra vez" o mais querido.
A "agonia" do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.
Ter tido a "sorte" de escutar o Taiguara
E "Madalena" de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a "morena tropicana" do Alceu,
Marisa Monte me dizendo "beija eu"
Beija eu, Beija eu, Deixa que eu seja eu
O Zé Rodrix em sua "casa no campo"
Levou Geraldo pra cantar no "dia branco".
No "chão de giz" do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e %Rita% Lee.
Pedir ao Beto um novo "sol de primavera",
Ver o Toquinho retocando a "aquarela",
Ouvir o Milton "lá no clube da esquina"
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.
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Quatro Anos Depois....
PORTUGAL, 1510
— Vais sair de novo? — perguntou %Ane% de cabelos negros e olhos escuros e um lado observador que poucos entendiam, agora com quase dez anos a irmã %Rita%.
— A Adria me convidou para ir a uma das festas na corte do palácio — disse %Rita% animada. — O que é, já tenho 14 anos — disse %Rita% com um sorriso ao ver o olhar da irmã. — Não vou fazer nada, só ouvir as músicas com a Adria no palácio.
— Se divirta! — pediu %Ane%.
— Prometo — %Rita% de 14 anos sorriu.
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De fato a festa de músicas na corte do rei de Portugal eram bonitas. %Rita% estava se divertindo bastante ali. Adria, sua melhor amiga, a estava acompanhando. Juntas, elas dançavam em meio aos rapazes e moças da festa, se divertindo e aproveitando a adolescência, ainda sem entender o que as cercaria mais para frente.
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FRANÇA, 1510, ANO 16 DA VIDA DE FRANCISCO DE ANGOULEME
— FRANCISCO! — gritou dona %Luísa% de %Saboia% ao entrar nos aposentos do filho e vê-lo deitado com uma jovem coberto por túnicas. — Você nem 17 anos tem ainda, e já está se aventurando com uma garota qualquer.
— Mãe — ele sorri —, eu apenas estou me divertindo. Perder a virgindade com essa jovem e tirar a dela não me pareceu tão errado. — Ele sorriu maliciosamente. — E ela não é uma garota qualquer.
— SAIA! — gritou %Luísa% para a jovem. — Você não vê que Nossa Senhora tem planos maiores para você? Você deve se casar com %Claudia% da França. Ela é a princesa da França.
— Mas eu não amo ela, mãe, não a acho tão bonita — disse Francisco.
— Não é questão de beleza, mas sim de poder, meu filho — disse %Luísa%. — %Claudia% já tem 11 anos, você devia tentar fazer amizade com ela.
— Eu tento, e ela é uma criança agradável, mas eu não a amo.
— Se para você só importa o amor, vai aprender a se casar com ela. Ela será rainha e você seu consorte. Entenda isso.
— Eu sei, mãe. — Francisco suspirou frustrado. — Vou tentar me aproximar mais dela.
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PORTUGAL, FIM DE 1510
— Olha que garota esquisita, ela é feia — disse um jovem de camisa preta para %Ane%, que já tinha seus doze anos. — Garota esquisita, vem aqui, estou falando com você.
%Ane% apenas continuou andando ignorando o garoto que lhe deu um tapinha leve nas costas para chamar sua atenção.
— Ninguém nunca vai gostar de uma garota feia como ela.
Eu sei que tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Eu sei que tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar
O que me impede de sorrir
É tudo que eu já perdi
Eu fechei os olhos e pedi
Para quando abrir a dor não estar aqui, mas
Sei que não é fácil assim
Mas vou aprender no fim
Minhas mãos se unem para que
Tirem do meu peito o que há de ruim
E vou dizendo tudo vai ficar bem
E as minhas lágrimas vão secar
Tudo vai ficar bem
E essas feridas vão se curar
Assim que chegou em casa, %Ane% entrou no seu quarto e podia sentir as lágrimas querendo vir, mas as segurou. Aquele garoto que a chamara de feia, provavelmente um príncipe de Portugal, a deixara extremamente chateada com a situação.
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FRANÇA, 1510
— O que uma criança faz por aqui tão concentrada? — perguntou Francisco de Angouleme a %Claudia% de França, que tinha quase doze anos. — Não deveria estar brincando?
— Eu apenas estava estudando — ela disse com um olhar sereno e suave. — Meu pai quer que eu aprenda tudo sobre o reino francês.
— Talvez eu possa ajuda-la, senhorita — disse Francisco com um sorriso amigável nos lábios.
— Pode me chamar de %Claudia%.
— Francisco — respondeu ele apertando e beijando a mão dela de forma cavalheira.
Enquanto isso, Ana da Bretanha estava se olhando no espelho. Mal podia acreditar esperava mais um filho de Luis XII.
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ALGUMAS SEMANAS DEPOIS...
PORTUGAL
— Você parece quieta! — disse %Rita% a irmã %Ane%. — Isso não é comum.
— Está tudo bem — garantiu %Ane%.
Mas nem tudo estava bem...