Capítulo 6 • Uma Ligação Infame
Dona Laura tricotava e Nicole deitou-se a uma das redes de balanço. Observava a direção onde o velho celeiro desbotado se encontrava, um pouco afastado da casa, mas acessível aos olhos e Bernardo surgiu em seu campo de visão. Distante, montado em um cavalo, ele retornava das pradarias onde as vacas que pastavam teriam sido recolhidas por ele de volta ao curral. Bernardo deixou o cavalo em que havia montado solto, e após entrar no estábulo próximo do celeiro, soltou o restante. Os animais devagar começavam a se espalhar pela fazenda.
— É bom para eles, saírem um pouco da estrebaria. Toda tarde ele faz isso. — disse sua tia que a observava por cima dos óculos enquanto tricotava.
— Ele me disse, mas ainda não ajudei nesta tarefa. Ele diz que não é preciso e que eu só vou atrapalhar. — Nicole revirou os olhos.
— É que você pode se machucar, Nicole, os cavalos são animais que primeiro devem ter confiança em você.
De longe Nicole observou ainda, Bernardo entrando para guardar a sua cela na cavalariça, e em seguida saindo com a cabeça baixa vindo em direção a casa. As galinhas ciscavam próximas à varanda, onde titia e ela estavam, e Nicole se balançava na rede observando-as na incansável tarefa de riscar as unhas e meter o bico no chão. Canelinha, como sempre, não dava importância a ninguém, nem para os adultos, e nem para as galináceas.
Seu falso primo se aproximava focado aos próprios pés, de rosto escondido sob o chapéu de vaqueiro. Naquele Sol da tarde, sem dúvidas o chapéu era adorável. Ela parou de encarar a figura monumental do fazendeiro mais insuportável que poderia conhecer, antes que o simples fato de Bernardo não ter o controle sobre os olhos dela, causasse uma nova discussão.
Ela notou o cãozinho caminhando até sua vasilha de água e retornando triste. Levantou-se da rede e constatando que a vasilha estava seca, encheu-a com água fresca, chamando Canelinha que abanando o rabinho, alegre, matou sua sede. Nic sorriu e voltou a deitar-se na rede.
— Canelinha tem preguiça até de beber água. — disse titia para Nicole, e as duas riram ao observar a vagareza do animalzinho.
— Bença mãe. — Bernardo beijou a cabeça da senhora, e encaminhou-se casa adentro.
— Deus te abençoe, meu filho. — Sua mãe respondeu-lhe e continuou a falar do cachorro: — Canelinha tem preguiça de tudo Nicole. É um cãozinho de enfeite.
De fato, se os moradores da casa dependessem da proteção canina dele, mais poderiam contar com os latidos de Bernardo. Nicole sorriu discreta ao se deparar com tal pensamento, e olhou para a porta da sala, numa espiada rápida do que o fazendeiro emburrado estaria fazendo. Ele deixava o chapéu no lugar de sempre atrás da porta, e depois com as botinas sujas nas mãos seguiu aos fundos da casa.
A mulher retornou o seu olhar para o horizonte brilhante, de montanhas verdejantes, e prendeu novamente sua atenção às galinhas despreocupadas a ciscar. Naquele instante todas as suas preocupações surgiram imediatas. Ela estava vivendo um sonho. Uma fazenda bonita, afastada de tudo, pessoas legais, ou quase isso. Enfim, novos ares. Entretanto, não poderia apenas desfazer-se dos problemas antigos como em um passe de mágica. Foi desperta de suas reflexões pelo susto de algo sendo jogado sobre si.
Bernardo havia lhe jogado sobre a barriga um bolo de jornal e uma caneta. Ele havia comprado o jornal na cidade, e depois de lê-lo decidiu entregá-lo à mulher que estava dia após dia se associando à sua família. Disse que a ajudaria a sair dali, e não havia se esquecido disso. Titia observou aos dois, séria, ainda tricotando. Nicole pegou os objetos e encarou Bernardo sem nada entender, mas ele logo foi explicando:
— Te trouxe o jornal da cidade. É para você ver os classificados. Você é delegada, não é? Leia a segunda página, abriu concurso para o posto na capital.
Falou e dando as costas saiu para dentro do casarão novamente. Nicole arfou contrariada e ele ouviu. Alargou um sorriso debochado em seu rosto antes de se dirigir para o cômodo de cima. Toda vez que ela pensava nos seus problemas, Bernardo surgia para lhe massacrar ainda mais. Era como se ele reconhecesse quando a mulher estava sofrendo e surgisse para piorar a situação.
— Ah! Mas, eu vou arrancar as orelhas deste moleque! — Dona Laura fez menção de se levantar, mas Nicole a impediu.
— Não tia! — falou mais alto, se sentando na rede fazendo-a se acalmar: — Ele está certo.
— É muito atrevimento, querida!
Ela levantaria quando Nicole interveio novamente:
— Ele me fez um favor! Eu pedi para ele… — Então sua tia a encarou, surpresa, e Nicole explicou: — Eu preciso arrumar um emprego.
— Ora… — Dona Laura esboçou um sorriso satisfeito voltando a tricotar mais contente: — Fico muito feliz que vocês estejam se entendendo.
— Eu vou subir e analisar isso melhor. — Nicole apenas sorriu sem muita graça e se retirou.
Em seu quarto sentou-se à cama e folheou o jornal. Interessou-se pelo concurso para a capital, é claro. Mas não faria diferença. Ela não poderia exercer sua profissão até o fim do julgamento, e mesmo que pudesse, por que pediria exoneração de um cargo que já tinha em São Paulo para concorrer ao mesmo em Minas Gerais? Aquela situação lhe corroia a alma, e nenhuma carta chegava! Nenhuma notícia! Nicole estava a cada dia, mais desesperada. Lucas conseguira não só acabar com o seu coração, mas também, com a sua preciosa carreira.
De tanto evitar seus sentimentos, e de se esconder em pensamentos não trágicos, aquele momento lhe soou o ápice da semana. Nicole começou a chorar fracamente, e folheando os classificados da cidade ela marcava as poucas vagas possíveis. Estava sentindo-se uma idiota de marca maior, por chorar tanto nos últimos tempos. Até que lhe tiraram o que ela mais amava: a sua controlada vidinha moderna, arrancar lágrimas dela nunca havia sido fácil. Apesar de estar se redescobrindo no campo ela encontrou Bernardo, que ainda tornava mais dolorosa as lembranças. Ele fazia-a sentir todo aquele estresse com ainda mais intensidade.
O quase carrasco da fazenda, havia visto-a passar pelo corredor quando estava dentro do próprio quarto preparando-se para tomar banho e surgiu na porta do quarto dela com um sorriso sádico ao rosto. Ao notar a presença dele a mulher enxugou suas lágrimas, e ele retirou rapidamente aquele sorriso travesso da face, ao perceber o choro. Súbito, de sarcástico, Bernardo fora para ranzinza.
— E então? Conseguiu alguma coisa?
— Eu marquei alguns anúncios.
— E quando você vai para a capital fazer este concurso?
Ele perguntou entrando ao quarto sem pedir, de braços cruzados parando à sua frente. Nicole novamente estava furiosa com ele e com a sua capacidade de espezinhar os sentimentos alheios.
— Lamento Bernardo, mas eu não posso fazer este concurso.
Ela se levantou de sua cama, largando os jornais e direcionando-se ao guarda-roupa separando alguma roupa. O relógio de cabeceira já marcava três horas da tarde, e as cinco após pegar Rosa e Carol na escola, ele e Nicole teriam o infeliz ensaio de padrinhos na igreja.
— O quê? — Bernardo resmungou.
O incômodo era visível demais em sua face, ele realmente contava com aquele concurso para ver-se livre da presença de Nicole:
— E porque não?
— Eu não devo explicações a você! É pessoal. Não posso e pronto.
— Eu sabia que você inventaria uma desculpa! Está vendo como você é hipócrita?
— Ah, por favor! Poupe-me!
— Fica choramingando por aí dizendo que vai embora e quando arrumo a oportunidade perfeita você inventa moda!
— Caramba! Eu vou sair daqui, tá? Eu vou aos lugares que marquei no jornal essa tarde!
— Mas, você ainda estará na cidade!
— Ah! A cidade é sua agora?
— Não, mas quanto distante melhor! — afirmou enfático saindo do quarto.
Nicole massageava suas têmporas com as mãos quando ele voltou, reclamando:
— E arrume-se por que…
— Eu sei!
Nicole gritou com ele indo até à porta do seu próprio quarto batendo-a. Fez uma pirraça ridícula no quarto. Como poderia aquele ser humano ser capaz, de volver a adolescente rebelde que há muito, Nicole não via em si? Ela sacudiu seus cabelos, e com a expressão revoltada separou as roupas que usaria aquela tarde.
Do outro lado da parede, no corredor, Bernardo também pirraçava igual passando as mãos por seu rosto e bagunçando os próprios cabelos. Parou de frente à porta fechada e suspirou encarando-a.
— Por que você torna tudo tão difícil, mulher teimosa? — Ele murmurou para si e saiu em direção ao seu quarto.
O peito queimava, não numa forma positiva, mas sim num vazio absurdo! Abriu a gaveta da cabeceira, e percebeu que os papéis picados da fotografia de Bruna não estavam ali. Fuxicou até encontrar uma caixinha pequena com os restos daquela memória. Imaginou que sua mãe fizera aquilo, e sem dar mais atenção desnecessária ao ocorrido, Bernardo se preparou para sair.
Depois de se arrumar de forma apresentável às possíveis entrevistas, Nicole desceu rumo à varanda.
— Você está adorável!
— Obrigada tia. Nada de mais.
— Vai somente ao ensaio?
— Não, vou tentar um emprego.
— Boa sorte querida.
— Obrigada.
— Bernardo já está te esperando na camionete. Boa sorte com ele também.
— Ah tia! Muito obrigada! Sei que ele é o seu filho, mas… — Sem saber como se expressar sem ofendê-la, Nicole apenas sorriu e foi em direção ao carro.
Entrou à camionete com os olhares de titia sobre eles. Bernardo deu a partida, e não trocaram palavras. Não foi ao menos necessário, o celular de Nicole tocou, e depois de tanto tempo ela nem imaginava quem estaria a telefonando.
— Alô?
— Nicole meu amor… Como você está?
Ao ouvir aquela voz seu rosto empalideceu e sua voz lhe faltou. Todo o seu corpo gelou. Recuperando-se pela revolta que lhe foi tomada, Nicole endureceu seu semblante e respondeu furiosa, enquanto Bernardo, calado, ficou observando àquela situação, curioso.
— Lucas! Por que está me ligando? O que você quer?
— Ora Nicole, nós podemos superar tudo aquilo, não é?
— Não, não podemos! Eu vou te colocar na cadeia! Pode ter certeza disto seu bandido! — Àquela altura ela gritava e Bernardo já estava incomodado.
— Pare com isso! Você sabe que não tem mais jeito para você… Inclusive, eu até poderia depor a seu favor! Eu realmente te amo Nicole, não quero ver a minha garota sofrer!
A cada palavra que ela escutava mais raiva sentia. Em sua mente já via a cena: Lucas com cara de cínico rindo dela. Cretino!
— Por que me ligou? Fale logo!
— Convido você a vir ao meu iate para um passeio amanhã. Tenho novidades sobre o seu processo… Pode ser de grande ajuda a você! Está em suas mãos.
— Iate? Você tem subido rápido, não? Eu não confraternizarei nada com você! Mantenha-se fora do meu caminho! Eu vou provar que você é o bandido dessa história e…
— Poupe esforços. — Lucas a interrompeu — Sua carreira está acabada. Você está em minhas mãos, e te espero amanhã às dezesseis horas. Se não vier, enfim… Será um desperdício de talento… Você sempre foi tão justa delegada!
Ele encerrou o telefonema sem dar tempo de Nicole dizer mais nada, e ela estava aos cacos! Quando pensou que toda a trama não poderia piorar, Lucas lhe preparava mais. Nicole precisava ter notícias do seu processo com urgência. Desesperada e afoita, esquecendo-se de tudo ao redor, ela discou o número de Ângelo, seu amigo advogado que lhe ajudava com o julgamento.
— Ângelo? Assim que chegar a sua casa me ligue, por favor! É urgente! O Lucas me ligou com ameaças… Bem, aguardo o seu contato.
A chamada havia sido direcionada à caixa de mensagens. Nicole recostou a cabeça para trás e fechando os olhos, ela imaginava coisas positivas a seu favor. De repente, sentiu um incômodo grande e quando virou seu rosto, Bernardo a encarava como se exigisse explicações. O carro estava parado no meio da estrada de cascalhos.
— O que foi agora? — Se ajeitou na poltrona, tão irritada quanto antes.
— Pode começar a explicar tudo!
— Então a titia não te contou nada?
— Não entrou em detalhes.
— Então pronto! Não te interessa!
— É lógico que interessa! Ainda mais, depois de presenciar este diálogo! Você está metida com o quê?
— Ai Bernardo, por favor! Eu estou cansada de você, cansada da sua irritação, cansada de ter que olhar para a sua cara! Então pise neste acelerador para que eu resolva a minha vida e me afaste de você o quanto antes!
— Ainda temos o ensaio! — murmurou raivoso a encarar a estrada.
— Pois é! Vai ficar me enchendo ou vamos logo à cidade?
— Você me explicará tudo mais tarde! — concluiu enérgico dando a marcha.
Os dois continuaram o percurso, calados. Nicole pensava o que Lucas estaria, por fim tramando. E Bernardo repassava todos os momentos de conversa entre ele e sua mãe, a fim de buscar compreender o que ele poderia ter deixado escapar de informações sobre Nicole:
— Então, ela virá morar conosco? — Ele perguntou para a senhora que estava sentada em sua cama, observando-o trabalhar na escrivaninha.
— Eu espero que ela aceite, Nicole passa por problemas no trabalho. Precisou ser afastada, por questões jurídicas e está realmente sozinha.
— A senhora sabe que tipos de problemas são?
— Bem, eu não entendo muito dessas coisas, mas sei que tem a ver com corrupção.
— Corrupção? — perguntou preocupado à mãe virando-se em direção a ela.
Bernardo encarou o olhar tranquilo de Dona Laura e mussitou. Sabia que a mãe não lhe diria exatamente do que se tratava.
— Se ela está afastada e tem a ver com corrupção, isso já demonstra que ela não é uma boa pessoa mãe. Não sei se concordo com a senhora, em trazer uma estranha problemática para dentro de casa.
— Meu filho, não julgue desta maneira! Ela está sendo injustiçada! E é filha do meu falecido irmão, eu tenho a obrigação em ajudá-la!
— A senhora ao menos sabe no quê está se metendo? — perguntou novamente preocupado.
— Eu creio estar em posse das minhas faculdades mentais, Bernardo! Não me venha com este olhar de quem pensa que estou caducando!
— Tudo bem mamãe, a casa é da senhora, faça como quiser… E como ela se chama mesmo?
— Nicole.
— Não, o sobrenome.
— Nicole Netto Andrade. Mas, por que quer saber?
— Irei investigar com o Gabriel.
Bernardo anotou o nome da prima distante em um papel, e voltou ao seu trabalho sob os protestos de sua mãe:
— Bernardo Macedo! Não seja arrogante! Que absurdo investigar a sua prima! Eu não quero saber de você se metendo a detetive com o Gabriel!
— Mamãe, ela não é minha prima só por ser filha do tio Rodolfo, e eu só estou sendo cauteloso. E por favor, eu preciso terminar este mapeamento de solo, se a senhora…
— Tá, tá! — Ela o interrompeu: — Volte ao trabalho, eu vou telefonar à sua prima.
Repassando aquelas memórias, ele não conseguiu imaginar do que se tratava o assunto ao qual Nicole estava metida. Nem mesmo quando esteve com Gabriel, obteve respostas claras.
— Então você quer que eu puxe a ficha da sua tal prima distante?
Gabriel perguntou risonho para Bernardo que lhe encarava sério sentado à sua frente. O amigo nunca havia lhe pedido algo como aquilo, nem mesmo quando Gabriel sugeriu que Bernardo procurasse Bruna para resolverem às questões referentes à Carolina.
— Exatamente. Anda logo Gabriel, eu não tenho o dia todo. — Bernardo resmungou gesticulando ao computador do delegado à sua frente.
— Eu estou realmente curioso nos motivos pelo quais, você quer que eu faça isso. Você nunca me pediu algo assim, ainda mais sobre alguém da sua família.
— Ela não é da minha família! É só a filha do meu tio Rodolfo, e mamãe cismou de meter esta mulher dentro de casa. Eu preciso saber quem ela é, não?
— Dona Cora teve que apelar, não é? — O delegado zombava rindo fartamente da expressão de Bernardo.
— Olha só, se não vai ajudar é só me dizer!
Bernardo mencionou se levantar, pegando o seu chapéu sobre a mesa, mas Gabriel fez sinal com as mãos para que ele se sentasse novamente, concordando em ajudá-lo enquanto se recuperava do riso.
— Seria mais fácil você simplesmente começar a namorar Bernardo. Está obrigando a sua mãe a buscar pretendentes em outro estado para você!
— Não é nada disso, é só que… Mamãe se sente culpada por tio Rodolfo ter falecido e eles não se falarem a anos. Então, acredito que está utilizando a boa ação com a Nicole para ter um pouco de paz… Sei lá.
— Vocês são realmente primos?
Gabriel digitava ao computador observando Bernardo, e buscou alguma reação diferente da habitual ao rosto do amigo.
— Para mim ela não é nada minha. É filha adotada do meu tio, e se fossemos realmente próximos, eu diria que sim, é minha prima, mas… Eu nunca falei com ela. Só a vi uma vez, de longe, no velório do tio Rodolfo.
— E ela é bonita?
— Oras, o que isso importa!? — Bernardo perguntou rabugento.
— Estou solteiro. Você é meu amigo de infância, deveria ao menos ajudar-me já que está me fazendo investigar a mulher.
Bernardo riu debochado e apontou um dedo para Gabriel, lhe zombando também:
— Vendo como você e Isabella não se casaram ainda, talvez eu tenha mesmo que lhe ajudar!
— Esquece isso… — Gabriel mudou sua postura ao ouvir o nome de sua antiga paixão de adolescência.
O delegado abriu o arquivo que lhe concedia acesso ao processo de Nicole, e leu os autos brevemente. Entendeu que se tratava de algo em sigilo de Estado, e, portanto, não obteve muitas respostas, mas procuraria informações a respeito do caso. No entanto, Bernardo o observava, atento e ansioso como era, apressou-lhe:
— E então?
— O que você procura exatamente?
— Eu não sei! Qualquer coisa que justifique minha preocupação? Ela está metida com o quê? Eu sei que está afastada do cargo, porque tem alguma investigação acontecendo. Mas, mamãe não me deu detalhes.
— É. Há um processo que corre em justiça, mas é sigilo de Estado. Eu não posso ter acesso às informações, sem que eu peça permissão à corregedoria de São Paulo.
— Mas consegue fazer isso? Pedir a autorização.
— Eu precisaria de uma boa justificativa para me meter no assunto, algo melhor do que: “meu melhor amigo quer descobrir se a priminha desconhecida é uma psicopata”.
— Vá se ferrar, Gabriel! — Bernardo resmungou enquanto o amigo sorria-lhe — O fato dela estar de mudança para cá, não é uma boa justificativa?
— Em casos assim se é necessário, vigília sobre os envolvidos, o próprio Estado envia um relatório. A menos que ela seja uma fugitiva, então assim que constatarem que ela se mudou sem avisar à justiça, eles soltam um mandato. E mesmo que eu dê o primeiro passo, preciso justificar quais interesses, nós teríamos em obter estas informações. Dê-me um tempo, eu verei o que posso fazer… Vou entrar em contato com alguns amigos.
Bernardo assentiu, mas estava ainda mais intrigado com a situação. O que Nicole teria feito ao ponto de não ser tão fácil assim, mapear o seu processo?
A lembrança da conversa com Gabriel lhe passou à mente, e certamente seria uma boa procurá-lo de novo. Eles chegaram à cidade, absortos cada um em suas reflexões e ainda eram quatro e meia da tarde, horário de saída da escola. Bernardo deixou Nicole em frente a um escritório de contabilidade e foi de encontro à sua irmã e filha.
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