Capítulo 3 • Perdida Na Estrada
Ela seguiu todo o caminho como o senhor Aguinaldo a ensinara. Porém, ao chegar às duas outras entradas não sabia qual seguir. Em uma, a placa com seta dizia “Rancho das Flores” e na outra dizia “Rancho do Riacho Doce”. Nicole lamentou-se por não perguntar se tinha nome na fazenda, ou prestar mais atenção ao chegar de viagem. Acabou optando pela primeira seta, e aquele foi o seu martírio.
O Sol se pôs e ela andava perdida no meio da estrada de cerrado denso. O desespero também começava a se apresentar e ela resolveu voltar pelo caminho antes percorrido. A sua sorte foi utilizar de inteligência e marcar uma cerca com um lenço de cabelo vermelho, que ela havia colocado naquela manhã. Nicole trançou o lenço naquela cerca, pois, assim, reconheceria o percurso certo caso decidisse retornar. Finalmente conseguiu chegar às duas placas e então ao ler de novo “Rancho do Riacho Doce”, um estalo em sua mente quase lhe fez se matar de raiva. Riacho Doce. Riacho. Um riacho era o que dividia as terras da fazenda! Como ela não pensou nisso? Só poderia ser aquele caminho! Mas, e se a coincidência não fosse aquela? Tentou repensar na porteira que abriu, a fim de relembrar qualquer possível escrito nela, mas nada útil vinha em sua mente. Nicole olhou para o céu pedindo ajuda a alguém por lá e seguindo os seus instintos, foi pela intuição do riacho mesmo.
Na outra ponta da cidade, assim que Bernardo chegou em casa sem a companhia de Nicole, Laura logo estranhou. Aquilo gerou uma confusão, quando mais tarde, ao Sol poente, a mulher ainda não havia aparecido.
— Você só pode estar louco! — A mãe bronqueou com ele, antes que o filho terminasse de afivelar o cinto em suas calças: — Como pode ter largado a moça na cidade?
— Mãe, ela… Ela e eu discutimos e eu acabei saindo para espairecer e não pensei direito!
— Já são três da tarde e nada dela chegar, Bernardo! Você já pensou se acontece algo com a Nicole?!
— Oras mamãe! Ela é uma policial! Sabe se defender! — Dona Laura encarou ao filho com extrema impaciência e reprovação.
Bernardo fez sinal com as mãos para a mãe se acalmar e pegando sua camisa sobre a cama vestiu-se esclarecendo:
— Eu irei agora procurá-la, passo na escola e pego as meninas, a Nicole virá conosco! Se acalme mamãe, Mato Alto é um ovo!
Saiu apressado em direção à camionete e dirigiu atento à estrada e à cidade. Não avistou Nicole no caminho de ida, nem nos caminhos próximos da escola ou da praça onde a avistara pela última vez. Já estava apavorado quando foi buscar sua filha e irmã. Rosa saía sorridente da escola, de mãos dadas à Carolina e despedindo-se como sempre dos demais funcionários. Bernardo caminhava ansioso de um lado ao outro da calçada, com os braços cruzados e olhando atento ao seu redor.
— Bê? O que houve? — A irmã já perguntou assim que se aproximou entendendo a postura dele.
— Rosa… Eu fiz merda!
— Papai xingou! — Carolina o repreendeu e Bernardo a pegou no colo.
Beijou a filha risonho e a ajudou a subir no carro, em seguida, ele e a irmã se afastaram um pouco da menina para falar.
— Que merda você fez agora?
— Larguei a Nicole sozinha na cidade, depois que brigamos e… Ela ainda não voltou!
— Bernardo! — Rosa repreendeu preocupada batendo em seus ombros como a irmã mais velha que era: — Você comeu o esterco da horta!?
— Ah! Rosa! Não começa! Eu preciso é de ajuda! Eu não sei nem onde essa mulher pode ter se metido! Me ajude a pensar!
— Você deveria ter pensado mais cedo, antes de largá-la aqui! Já pensou se ela decidiu voltar sozinha pela estrada?
Rosa percebeu que Carol, bem atenta, os observava de dentro do carro e aconselhou:
— Carolina está aqui, deixe-nos em casa e volte, eu vou telefonar a quem puder… Vamos reconstituir os passos que vocês fizeram.
— Não seria melhor avisar ao Gabriel? — perguntou preocupado.
— Não, não! Se acalme! Ainda está cedo para acionar a polícia.
Bernardo assentiu e retornou ao carro. Antes que os irmãos entrassem ele fez questão de reclamar à irmã:
— Eu avisei que esta mulher seria um grande problema!
— O problema aqui não é a Nicole! É você e este seu medo de se apaixonar! — Rosa esbravejou sem dar tempo para ele respondê-la.
Mesmo retornando para a cidade, com Rosa telefonando aos amigos, eles não conseguiram encontrar Nicole. Na verdade, ela havia se esquecido de Guino. Não imaginou que o velhinho poderia saber do paradeiro da mulher, e tampouco sua mãe que estava extremamente nervosa, lembrou-se do senhorzinho que sempre falante passava as tardes na calçada de casa. Bernardo já estava eufórico, quando o Sol havia se posto e ele não encontrava o menor vestígio de Nicole. Carolina, ao entender que Nic havia se perdido, ouvindo as conversas dos adultos começou um chororô assustado! Bernardo pegou a filha ao colo tentando acalmá-la, sua mãe estava sentada à sua poltrona da sala preocupada, ansiosa e colérica pela atitude do filho. E Rosa retornava da cozinha com o telefone em mãos e uma xícara de chá para acalmar sua mãe.
— Pronto! Já avisei ao Marcelo, ele ficará atento!
— Se nem eu vasculhando a estrada inteira a encontrei, como ele irá encontrar? — Bernardo alarmou-se.
— Eu deveria te dar uma sova Bernardo! Um homem de trinta e três anos de idade, com atitudes de um moleque de doze anos! Por Deus Bernardo! E agora?
Cora vociferava e o filho mantinha a expressão culposa a encarar o chão, assim como sua filha afundava-se ainda mais em seus ombros, por medo da bronca que nem para ela se destinava. Dona Laura levou a mão ao peito, e puxou uma grande quantidade de ar a fim de acalmar-se.
— Bem, pode ser que vocês tenham se desencontrado na estrada, Bernardo… O Marcelo está sobre aviso, e se ele chegar aqui sem notícias, eu telefonarei ao Gabriel.
Rosa dissera por fim, na tentativa de ser a mais sensata no momento em que todos os adultos da casa estavam perdidos.
~ ♥ ~
Nicole estava vestida com a mesma roupa que colocou após o banho da manhã. Naquele fim de tarde, já desejava outro banho e ao se lembrar de que seria de água fria lamentou novamente por escurecer. Felicitou-se ao encarar seus pés em ter calçado botas antes de sair. A realidade de mato, escuridão e chinelos à mercê de qualquer peçonha, lhe espantavam ainda mais! Enquanto vagueava sempre à frente, Nicole rezava também. Não tinha lanterna, não conhecia o caminho e a escuridão já dava “olá”. Martirizava-se em como foi burra e orgulhosa em não aceitar a ajuda do afilhado do senhor Aguinaldo.
De repente uma luz surgiu atrás dela, e ao olhar para trás percebeu um jipe que diminuía a velocidade à medida que se aproximava.
— Boa noite. Vai para onde? — O homem que dirigia a perguntou.
— Boa noite. Estou procurando a fazenda da dona Laura Coralina. Poderia me indicar o caminho?
— Entra aí, estou indo para lá! Você é a Nicole?
— Sou sim. E você?
— Marcelo. O noivo da Rosa!
— Ai, graças aos céus!
Nicole entrou no jipe menos assustada, mais calma e até feliz.
— Rosa disse que eu gostaria de conhecê-lo, mas não imaginei que seria tanto! — dizia sorrindo com as mãos sobre o rosto.
Marcelo sorriu pela reação engraçada dela, embora o medo também estivesse perceptível na face da mulher. Por mais que ela soubesse lidar com aquela situação, ficar perdida no matagal nunca era algo tranquilo. E Marcelo também se aliviou por encontrá-la.
— Pode ficar mais calma agora. Ela me ligou avisando que você sumiu pedindo para eu ficar de olho na estrada. Estão todos desesperados atrás de você! Bernardo está desde cedo te procurando na cidade, voltou para cá e te procurou na floresta, depois voltou para buscar as meninas na escola e já estão em casa.
— Idiota. Ele que me largou lá!
— Estou sabendo dos conflitos. Não dê importância Nicole. Bernardo está com o orgulho ferido, somente.
— E eu não? Depois dessa então…
Nicole descobrira que Marcelo era arquiteto, nascido na capital, mas morava há alguns anos na cidade vizinha onde havia conhecido Rosa na faculdade. E estava se preparando para mudar-se à Mato Alto, assim que se casasse com a professora. Ela reparou também que o rapaz, era bastante simpático e tinha uma aura divertida em torno de si. Não era um modelo internacional do tipo exuberante, mas tinha um sorriso encantador e os olhos doces. Aquele olhar alerta, mas acolhedor, de um castanho brilhoso que lembrava ao olhar de seu melhor amigo Ângelo. E mesmo dentro da roupa social que vestia, Nicole pôde notar que não era um atleta, mas tinha braços fortes. Rosa parecia ter sido abençoada não só pela personalidade do noivo, mas também, por se tratar de um homem belo dentro de uma aparência real. Um conjunto perfeito seria aquele casal e a família que formasse.
Quando os dois chegaram à fazenda, já tinham se conhecido um pouco melhor. Eles olharam para o casarão e puderam perceber sombras das pessoas pela janela andando de um lado ao outro, nervosas. Canelinha latiu ao ver o carro entrando na fazenda. Nicole e Marcelo desceram e foram até a varanda. Bernardo assim que viu o cunhado dando sinais, foi rápido e desesperado para fora do casarão, e assim que viu a mulher, ele ficou estático a encarando assustado. Olhava-a dos pés à cabeça buscando vestígios de algum ferimento, não iria perdoar-se se, por culpa dele ela se machucasse. Marcelo deu-lhe boa noite e entrou trocando um rápido olhar de curiosidade entre os dois: Nicole e Bernardo, que ficaram ambos ali parados. Ela raivosa e ele desesperado.
— Nicole…
Ao mencionar o nome dela, a raiva de Nicole aumentou e ela apenas se desviou dele entrando ao casarão, deixando o homem sozinho na varanda. Laura estava sentada em uma poltrona visivelmente nervosa, Carol correu, e assim que viu Nicole a abraçou, chorosa. Rosa também se aproximou dela abraçando-a e perguntando se estava tudo bem. Mas, titia estava calada, observando analítica à sua sobrinha da cabeça até os pés. E preocupada com a reação da senhora, Nicole caminhou até sua tia e abaixou-se a confortando:
— Titia, está tudo bem! Não se preocupe, eu estou bem.
— A encontrei andando na estrada, já a caminho de casa. — disse Marcelo, o herói da noite.
— O que aconteceu Nicole? — A tia perguntou séria.
Todos os presentes entreolharam entre Nicole, Bernardo e dona Laura Coralina. A sobrinha não queria estender o assunto e as preocupações que se mostraram desnecessárias, uma vez que ela havia chegado bem em casa.
— Nada de mais. Entrei em uma vendinha e fiquei por lá conversando com dona Carlota, depois fui à igreja e por último seu Aguinaldo me explicou como chegar aqui. A propósito, ele pediu para cobrar-lhe uma visita tia. Não tive como avisá-los que eu estava bem e me perdi na volta, quando peguei outro caminho. Mas, retomei a estrada até a bifurcação das placas e segui pelo caminho certo. Foi aí que o Marcelo me encontrou.
— Bernardo! — gritou dona Laura.
Ela estava furiosa. Nicole não sabia que era possível vê-la daquele jeito, pois, a idosa sempre esboçava tranquilidade. O filho adulto que ouvia as palavras da falsa prima, apesar de atento, estava escorado à porta de entrada, na varanda e de costas para a sala, e se virou lentamente ao ouvir o grito de sua mãe. Aproximou-se e olhando culpado para dona Laura, se dirigiu à Nicole, desculpando-se:
— Desculpa pelo modo como agi Nicole. Não deveria tê-la deixado, sozinha.
— Eu não sou mais criança Bernardo. Sei me cuidar. Não se preocupe comigo porque eu não espero isso de você!
Todos os olhavam como se tentassem entender o que haviam perdido para a situação estar naquele pé. Ele abaixou a cabeça, visivelmente contrariado e orgulhoso. Nicole, naquele momento, queria poder dar uma surra nele! Quanta raiva ela sentia! Bernardo em pouco tempo conseguia irritá-la como poucas pessoas em sua vida. Faltavam-lhe palavras para definir a sensação que Nicole tinha de revidar às suas grosserias. Nunca havia se incomodado tanto com alguém sendo indiferente a ela. A maneira como ele lhe parecia um enigma sem respostas, frustravam-na e Nicole detestava aquilo.
Tia Laura então se levantou e a abraçou pedindo desculpas e dizendo o quanto se preocupara, e em seguida, foi preparar um chá para acalmar os ânimos gerais. Marcelo e Rosa foram com ela, deixando apenas Bernardo, Nicole e Carolina na sala. O ioiô que ela comprou caiu do seu bolso e Carol ficou animada ao ver. Disse-lhe que tinha vários e como que, instantaneamente, o medo que se percebia no rostinho dela quando viu a mulher mais velha chegando, desaparecera. Nicole permitiu que Carolina brincasse com o ioiô e logo, a menina correu para mostrar a avó. Quando encarou sua frente de novo, o homem teimoso ainda estava parado a observando. Ela lhe lançou um julgo nítido em sua própria face, e subiu as escadas para tomar banho, deixando-o onde estava, mas ele a seguiu.
Bernardo sentia-se culpado de verdade, sabia que havia extrapolado ao largá-la na cidade, mas as cenas que vieram à sua mente no momento da discussão eram dolorosas demais. Ele conseguia ver o seu primeiro amor, bem ali no centro daquela praça, numa das usuais discussões adolescentes que sempre acabavam com ele calando a boca dela com um beijo travesso. Quando se pegou diante da imponente Nicole apontando-lhe dedos e com um olhar tão mandão no rosto, sentiu o coração acelerando. Ela lhe lembrava do passado, e naquele fulgor todo, o fazendeiro só tinha uma opção: sair de perto antes que fizesse qualquer outra coisa que não deveria.
O fazendeiro entrou naquela camionete, abandonando Nicole parada no meio da praça, raivosa pelas coisas que ouvira dele, contudo, não dirigiu direto para a estância. Na estrada bem longe da sua porteira, Bernardo parou o carro e desceu. Chutou o pneu da camionete, quase machucando o próprio pé e praguejou pela vinda daquela que todos insistiam afirmar que era “uma parte de sua família”. Assim que percebeu a besteira feita e o modo como Nicole subia as escadas o tratando com tanto desprezo, o que era até entendível, ele a seguiu e entrou no quarto dela. Quando Nicole percebeu, ele já estava lá dentro atrás de si, tentando justificar-se.
— O que você está fazendo aqui? Saia Bernardo!
— Nada justifica o que fiz. Você poderia ter… Algo poderia ter acontecido com você! Fui infantil em te deixar lá!
— Que bom que você reconhece isso. Agora saia!
— Espera! Você me deixou nervoso! Eu não podia ficar nem mais um minuto perto de você!
— Eu não quero suas justificativas, Bernardo, só quero distância!
— Escuta! Eu vou te ajudar a encontrar um emprego. Você precisa mesmo se afastar daqui quanto antes! Viu o estado da minha filha? Minha mãe fica colocando ilusões na cabeça dela e eu não quero você muito perto dela! — disse ele em tom ansioso.
— Não vejo necessidade disso! Isso só vai magoá-la ainda mais. Eu não pretendo ignorar a sua filha, Bernardo, eu pretendo ignorar você.
— Somos dois! — respondeu convencido — Eu só não quero Carolina magoada por culpa sua. Eu vou vigiar você e qualquer coisa que possa dizer a ela.
— Não vou magoá-la. Não sou um monstro como você pensa.
— Assim que eu tiver qualquer novidade eu te aviso. Você já trouxe muitas perturbações para esta família.
— Não! Eu não vou deixar você me transformar no problema!
Nicole disse se aproximando dele, impetuosa. E encarando-o bem nos olhos, continuou:
— Você é que perturba a sua família! Caso não percebeu, você é o único que me odeia e que tem me desprezado, desde antes mesmo de eu chegar!
Bernardo a afastou, ligeiro. Ela estava perto demais de si com aquela postura petulante, que ele odiou mostrar-se na mulher. Sem responder mais nada, e com um último olhar irritado, ele saiu batendo a porta e deixou-a bufando em fúria. Nicole jogou o seu suéter longe, suspirou tentando se acalmar, e puxou roupas limpas do armário. Acabou surpreendendo-se ao se deparar com um banho quente, enquanto esperava gelo. Ao voltar para seu quarto, já vestida, deparou-se outra vez com Bernardo sentado na cama dela com uma toalha nos ombros nus, descalço e com o habitual jeans surrado. Foi a primeira vez, que Nicole reparou no quanto o seu “rival” era um homem lindo. Insuportavelmente lindo e de um jeito muito incômodo.
Era alto, forte como alguém que a vida toda executou trabalhos braçais, mas não era um Channing Tatum. Tinha o corpo atlético que parecia convidativo a um aconchego, e mesmo com seus músculos definidos, aparentava-se confortável. Sua barba quando não estava “por fazer”, estava feita de forma impecável, e ela ainda não o vira com o rosto limpo de pelos. Os olhos dele eram azuis como os da mãe, os cabelos castanhos curtos, mas a expressão de seu olhar era sempre séria. Evidenciando as sobrancelhas grossas e naturais, sem nenhum traço de estética proposital. Seu rosto revelava seu maxilar quadrado, e másculo, as mãos eram calejadas e grandes e Nicole pensava que, decerto, eram mãos pesadas.
Bernardo era o típico homem bruto e rústico, diamante não lapidado de um meio de mato qualquer. Mas em momentos onde estava sozinho ou concentrado no que fazia, em momentos íntimos com a família e que Nicole ainda não havia presenciado totalmente, ele era um homem doce e sutil. Carinhoso e protetor, e quanto mais íntima a pessoa fosse a ele, mais ele mostrava seu aspecto moleque de uma maneira positiva.
— O que faz aqui?!
— Eu só queria dizer que você não vai conseguir o que você quer. Você se faz de boba dizendo que irá embora, não é? Então que transformemos o seu drama em realidade! Você sairá dessa casa quanto antes. Eu não posso suportar vê-la fazer cena.
— Ah! Faça-me o favor! Eu quem não vou suportar aos seus surtos. Sai já daqui!
Nicole compreendeu que havia algo em torno de sua estadia na fazenda, que Bernardo soubesse e ela talvez não. Achou estranho o ódio repentino do homem, e as suas acusações tão sem sentido. Mas não achou que titia lhe esconderia alguma coisa, acabara de chegar à cidade e certamente, logo ela passaria a compreender a situação. Embora buscasse ser sensata, sua natureza justa não lhe permitia ouvir aqueles desaforos e fingir-se sã. Ao menos, não sã o suficiente para ignorar uma boa briga. Acabava de perceber que brigar com Bernardo, era, então, ainda mais difícil de evitar.
Assim que ele saiu, contrariado, em postura metida como se desejasse mostrar que a última palavra era dele, Rosa bateu à porta do quarto de Nicole perguntando se estava tudo bem. Havia subido para chamá-la ao jantar, quando ouviu sua voz alterada. Imediatamente aproximou-se do quarto e não demorou a constatar a figura de seu irmão, emburrado, a sair por aquela porta como quem havia escutado o que não queria. Bernardo nem mesmo trocou olhares com a irmã.
— O que ele veio fazer aqui no seu quarto?
— Me intimidar. Mas, está tudo bem, Rosa, não se preocupe.
— Certo… Eu vim avisar que o jantar está servido.
— Eu já desço, obrigada.
— Qualquer coisa me chame! E Nicole… O Bernardo é impulsivo demais, mas ele é uma boa pessoa. Ele só está… Lidando com a sua presença entre nós, de uma forma muito protetora. Ele não confia ainda em você, mas logo isso vai mudar.
— Eu compreendo. — Nicole respondeu como se compreendesse.
A verdade é que não compreendia. Não lhe cabia em pensamentos razões pelas quais, um homem, no auge de seus trinta e três anos, seria tão imaturo daquela forma. Não confiar em uma estranha sob o mesmo teto, era algo absolutamente normal para Nicole. Ela também não confiava nas pessoas, vivia um instinto de vigilância frequente, e nos últimos tempos, ainda mais. Mas, desconfiar não significava tratar com desprezo. Eles não eram inimigos e mais lhe parecia que era esta a visão que Bernardo tinha dela.
Rosa saiu e a mulher sentou-se à própria cama. De repente, as lágrimas desciam compulsivas, ela não conseguiu segurar os soluços profundos de choro. Depois de tanta luta por sua posição no trabalho, depois de perder os pais, depois de encarar o fim do seu noivado, depois de todas as descobertas… Por que tudo estava dando errado? Por que daquele jeito? Numa lista sucessiva de derradeiros problemas pelos quais a maioria, não estava em suas mãos.
Nicole não conseguia se lembrar de alguma vez travar uma onda de batalhas tão cansativas como as últimas. Até mesmo a luta contra o câncer de sua mãe, e em seguida a perda do pai, não lhe foram extenuantes por tanto tempo quanto estava sendo aquele momento. Nicole não sabia lidar com sua vida pessoal fora de seu controle, com a mesma tolerância que lidava como delegada. Viajar para Mato Alto foi um plano totalmente descabido, e mesmo que entre um dia ou outro, sentisse algum conforto longe dos seus problemas, de repente o pesadelo voltava duas vezes pior!
Cansada de lamentar-se, ela sentou-se em frente à escrivaninha, puxou um espelho de mesa que ali estava e maquiou levemente o rosto para esconder o cansaço e o choro. Foi de encontro àquela parte da família que a esperava feliz, para o jantar. Marcelo foi muito legal e Rosa estava animada para falar das coisas de seu casamento. Carol era um recente raio de sol na sua atual escuridão e titia lhe transmitia o afeto maternal que há dois anos ela havia perdido, então Nicole precisava ser grata. Sentia-se na obrigação livre de conviver com aquelas pessoas, e ela tinha a certeza de que ao menos Carolina, teria algo muito doce a lhe dizer. Sempre.
Eu vou te dar uns cascudos, homem u.ú
Novidade… (a que confia muito no pobi kkkk)
Ah, o Gabrieeeel!
Vish, que tapa. Amei, faz de novo 😌
Vou pensar no caso, se a babaquice não se repetir, a gente considera kkkkkkk
HOMEM DE DEUS, DÁ PRA DAR ESPAÇO QUANDO PRECISA DAR ESPAÇOOOO?????
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK CALMA, NÃO DEIXA ELE TE DOMINAR!
O meu problema com haters/enemies to lovers é que eu tendo a empacar no “haters”. E o ranço fica forte por um bom tempo. E olha que eu nem sou rancorosa, hein?
Bernardo que lute 😌
Tô esperando Gabriel bagunçar as coisas HEHEHEHEHEH
HAHAHHAHAHAHAHAHAH Vou ficar pianinha.
Já venho através deste avisar que O GABRIEL É MEU beijos :*