Capítulo 4
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Ainda 24 de Dezembro de 2024, Seul, Coreia do Sul:
A música alta e as conversas animadas preenchiam a sala, enquanto DK, visivelmente afetado pelo álcool, dominava a atenção de todos. Ele fazia imitações hilárias de Seungkwan e Vernon, arrancando gargalhadas altas dos amigos. Até mesmo Woozi, sempre reservado, não conseguiu segurar o riso ao ver DK exagerar em seus passos de dança desajeitados.
– DK, você é uma lenda! – gritou Hoshi, batendo palmas enquanto DK fazia uma performance exagerada de um dueto imaginário.
– Eu sei, eu sei! – DK respondeu, rindo alto e quase derrubando o copo de ponche que segurava. – Não precisam me aplaudir tanto, por favor!
A sala parecia iluminada pela energia de DK, mas, eventualmente, ele começou a se afastar da multidão. Encostado em um canto, com uma taça quase vazia nas mãos, seus olhos se fixaram em
%Eleonora%. Ela estava sentada perto de Mizuki e Shinae, rindo de algo que Minghao havia dito. A maneira como ela jogava a cabeça para trás, o brilho nos olhos dela, fazia DK esquecer por um momento a multidão ao seu redor.
Seungcheol percebeu o olhar fixo do amigo e se aproximou, encostando o ombro no dele.
– Você sabe que está muito óbvio, né? – Seungcheol murmurou, mantendo o tom baixo para que ninguém mais ouvisse.
DK piscou, tirando os olhos de %Eleonora% e tentando agir casualmente, mas o álcool em seu sistema tornava isso difícil. Ele soltou uma risada forçada.
– Óbvio? Do que você tá falando?
Seungcheol arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços.
– DK, você não para de olhar para ela desde que chegaram. Se continuar assim, todo mundo vai perceber.
A barreira de falsa indiferença de DK começou a desmoronar, e ele suspirou, passando uma mão pelo rosto.
– Eu sei,
hyung. Eu sei. É só que... – Ele hesitou, os olhos voltando involuntariamente para %Eleonora%. – Eu não consigo evitar. Eu gosto dela, Seungcheol. Gosto tanto que chega a doer.
Seungcheol manteve a calma, esperando que DK continuasse.
– E o pior de tudo – DK prosseguiu, a voz embargada –, é que ela só me vê como um amigo. Um amigo incrível, claro. Ela disse isso hoje, antes de entrarmos aqui. Mas nada além disso.
Seungcheol colocou uma mão firme no ombro de DK.
– Você sabe que esses sentimentos só vão te machucar mais, né? Especialmente agora, com tudo o que tá acontecendo entre ela e Mingyu.
DK riu, mas o som estava cheio de amargura.
– Eu sei. E eu odeio isso. Odeio que ele teve a chance de amar ela, enquanto eu... enquanto eu fico aqui, fingindo que tá tudo bem.
Seungcheol suspirou, percebendo a profundidade do sofrimento de DK.
– Talvez seja hora de você pensar em você mesmo, DK. Não tô dizendo pra esquecer o que sente, mas talvez seja bom criar um pouco de distância. Pro seu bem.
DK balançou a cabeça, os olhos cheios de confusão.
– Eu não sei, hyung. Ela é uma das pessoas que eu mais gosto nesse mundo. Não estar perto dela... seria pior do que qualquer outra coisa.
Seungcheol permaneceu ao lado de DK, sem tentar dar respostas fáceis. Apenas ouvindo, sabendo que o amigo precisava desabafar mais do que qualquer conselho naquele momento. A verdade era dolorosa, mas compartilhá-la, mesmo que apenas com um amigo, parecia aliviar um pouco o peso no coração de DK.
🎄🎄🎄🎄
O clima de animação na festa seguia, mas DK continuava bebendo cada vez mais. As risadas deram lugar a um olhar vazio, enquanto ele encarava a taça, preenchendo-a sempre que alguém distraído deixava uma garrafa por perto.
Em algum momento, Mingyu percebeu a condição do amigo e decidiu intervir. Ele se aproximou de DK, tomando o copo vazio das mãos dele com firmeza.
– Ei, Seokmin, chega, não acha? – Mingyu disse, com uma mistura de preocupação e autoridade na voz. – A ressaca amanhã vai te bater de jeito. Você precisa de água. Vem.
DK tentou alcançar o copo novamente, mas Mingyu afastou-o, o que fez DK dar um passo para trás, irritado.
– Me solta, Mingyu. Eu sou adulto, sei o que estou fazendo. – DK falou com um tom mais elevado do que pretendia, balançando a cabeça em negação.
– Eu sou seu amigo, DK. Estou pensando no seu bem. – Mingyu respondeu, o tom calmo, mas firme.
Foi a gota d'água para DK. Ele riu sem humor, a frustração e o álcool nublando qualquer filtro que ele pudesse ter.
–
Amigo? – DK disse, apontando para Mingyu, a voz tremendo com a mistura de sentimentos. – Se você fosse meu amigo de verdade, teria percebido antes de namorar %Eleonora% que eu sou apaixonado por ela!
O silêncio caiu como uma bomba no ambiente ao redor deles. Algumas pessoas próximas começaram a notar a tensão, mas ninguém ousou intervir.
Mingyu piscou, surpreso, a expressão vacilando entre a culpa e a incredulidade.
– O quê? – Ele perguntou baixinho, quase não acreditando no que acabara de ouvir.
– Você ouviu. – DK continuou, o tom carregado de emoção. – Eu sempre fui apaixonado por ela. Desde o começo. Mas eu fiquei quieto, porque sabia que você também gostava dela. E sabe o que é pior? Eu te apoiei, Mingyu. Mesmo sabendo que ia destruir o que eu sentia, eu fui o bom amigo que você tanto gosta de dizer que é.
Mingyu ficou imóvel, processando as palavras do amigo.
– DK, eu... Eu não sabia.
– Claro que não sabia! – DK interrompeu, soltando uma risada amarga. – Porque você nunca olhou ao redor. Você estava tão ocupado com ela que nem percebeu que tinha alguém aqui, do seu lado, tentando lidar com tudo isso sozinho.
Mingyu suspirou, tentando se aproximar novamente, mas DK deu um passo para trás.
– Chega, Mingyu. – DK disse, a voz cansada. – Eu não quero ouvir suas desculpas agora. Só me deixa em paz.
DK virou as costas, caminhando para longe, enquanto Mingyu ficou parado, o copo vazio ainda em suas mãos, com o peso das palavras do amigo ecoando em sua mente.
Assim que DK se afastou, cambaleando em direção ao fundo da sala, alguns dos amigos que haviam testemunhado a cena se aproximaram de Mingyu, que ainda estava parado, segurando o copo vazio com um olhar perdido.
Jeonghan foi o primeiro a chegar, colocando uma mão tranquilizadora no ombro de Mingyu.
– Ei, cara... Respira, tá? Ele tá bêbado, disse coisas que talvez nem quisesse dizer desse jeito.
– Mas ele quis dizer. – Mingyu murmurou, finalmente levantando os olhos para Jeonghan. – Ele falou com tanta raiva, tanta dor... E eu nunca percebi.
Seungcheol apareceu ao lado deles, cruzando os braços e analisando a situação com seriedade.
– Olha, Mingyu, o Seokmin é nosso amigo. A gente sabe o quanto ele é leal, mas talvez ele tenha guardado isso por tanto tempo que simplesmente não aguentou mais.
– E, convenhamos – completou Wonwoo, aproximando-se com uma calma característica –, você não podia adivinhar algo que ele nunca falou. Isso não é culpa sua.
Minghao, que também estava por perto, concordou com um aceno.
– Mas agora você sabe. E o que importa é como você vai lidar com isso daqui pra frente.
Mingyu balançou a cabeça, tentando absorver tudo.
– Eu só... Nunca quis machucá-lo, entende? Se eu soubesse... Se eu soubesse disso, talvez as coisas tivessem sido diferentes.
Jeonghan apertou o ombro de Mingyu.
– Talvez, mas o passado já foi. O importante agora é não deixar que isso destrua a amizade de vocês. Ele vai precisar de um tempo, e você também. Mas isso não significa que tudo acabou.
– Concordo. – Seungcheol disse, dando um leve tapa no braço de Mingyu para despertá-lo de seus pensamentos. – Por enquanto, a gente cuida dele. Você precisa se recompor também. A última coisa que precisamos é que todo mundo perceba o que aconteceu.
– Especialmente as meninas. – Minghao acrescentou com um tom cauteloso.
Mingyu suspirou profundamente e passou a mão pelo rosto, tentando se recompor.
– Obrigado, sério. Eu... Vou precisar da ajuda de vocês.
– Sempre. – Wonwoo disse, com um sorriso discreto.
Os amigos dividiram um olhar cúmplice antes de se dispersarem para acompanhar DK de longe, enquanto Jeonghan e Seungcheol ficaram com Mingyu, oferecendo apoio silencioso enquanto ele tentava processar o peso do desabafo de DK.
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Seungcheol observou Mingyu se afastar com os amigos, visivelmente abalado. Ele deu um suspiro pesado e, por instinto, olhou para DK, que estava mais distante, apoiado contra uma parede. O garoto parecia perdido, a expressão tensa e os olhos um pouco embaçados pelo álcool. Seungcheol, preocupado, percebeu que era sua vez de ajudar outra vez.
Ele se aproximou devagar, sem pressa, para não assustá-lo. Quando chegou mais perto, DK não o viu de imediato, absorvido pela própria raiva e frustração.
– Ei, Seokmin... – Seungcheol chamou suavemente, a voz baixa para não perturbar o momento. – Acalma aí, cara.
DK virou a cabeça rapidamente, seus olhos brilhando com a mesma raiva e dor de antes. A bebida havia soltado sua língua, mas ainda havia algo mais pesado ali – a dor não resolvida de quem guardou sentimentos por muito tempo.
– O que você quer? – DK perguntou, tentando esconder a vulnerabilidade, mas a raiva ainda tomava conta dele.
Seungcheol deu um passo à frente, não se afastando, mas sem forçar. Ele sabia que DK precisava de um pouco de espaço.
– Quero que você respire. Eu sei que está difícil, mas o que aconteceu entre você e Mingyu não vai se resolver assim, com gritos e acusações.
DK olhou para o amigo, ainda em choque com o que tinha dito, mas algo dentro dele o fazia hesitar.
– Eu só... – DK parou, lutando com as palavras. – Eu só queria que ele tivesse visto antes. Eu amava a %Eleonora%, e ele... Ele simplesmente tomou tudo o que eu queria. Ele não percebeu, não viu que eu estava ali, sempre ali por ela.
Seungcheol, com sua calma habitual, colocou uma mão no ombro de DK, com firmeza, mas sem pressão.
– Eu entendo, Seokmin. Eu entendo mais do que você imagina. Mas o que aconteceu foi que você guardou isso para si por tanto tempo que, quando explodiu, foi do jeito mais difícil possível. E o Mingyu não sabia. Ele não podia saber se você nunca disse nada.
DK olhou para o amigo, tentando processar tudo. A dor ainda estava lá, mas as palavras de Seungcheol começaram a quebrar a rigidez de seu coração. Ele sabia que não era culpa de Mingyu, mas tudo parecia tão torto, tão complicado.
– E agora? – DK perguntou, sua voz baixa. – Como eu conserto isso?
Seungcheol respirou fundo, olhando para ele com compreensão.
– O tempo vai fazer isso, Seokmin. Mas, mais do que o tempo, você vai ter que ser honesto com ele. Diga o que sente, sem reservas, sem medo. E depois, se for o caso, vocês vão seguir em frente. Mas o que não pode acontecer é você continuar guardando isso. Eu te conheço, você não é alguém que guarda sentimentos sem explodir. Fale com ele quando a poeira baixar.
DK assentiu lentamente, sentindo um peso começar a se dissipar, mesmo que a dor ainda fosse grande.
– Valeu, Seungcheol. Eu vou tentar. Não prometo que vai ser fácil, mas vou tentar.
Seungcheol deu um sorriso suave e deu um tapinha nas costas de DK.
– Não precisa prometer nada agora. Só não se esqueça que estamos aqui para te apoiar, seja o que for que acontecer.
DK deu um suspiro pesado, mas pela primeira vez na noite, parecia mais calmo. Ele agradeceu silenciosamente a Seungcheol, que deu um passo atrás, deixando-o para refletir sozinho, mas sabendo que ele não estava realmente sozinho.
Agora, DK sabia que precisava começar a lidar com os sentimentos que tinha guardado por tanto tempo – seja com Mingyu ou consigo mesmo.
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