Capítulo 2
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23 de Dezembro de 2024, Seul, Coreia do Sul:
%Eleonora% estava em casa desde o início da tarde após a volta do trabalho, tentando processar tudo o que acontecera no dia anterior. O Natal estava se aproximando, mas a falta de Mingyu ao seu lado pesava mais do que qualquer presente que pudesse receber. Ela sabia que precisava de respostas, mas não sabia como obter essas respostas sem enfrentar a dor.
Ela estava sentada no sofá, olhando para a janela, os pensamentos em constante conflito. Quando o som da campainha ecoou pelo apartamento, ela hesitou por um momento. Era tarde, mas ela soubera o que isso significava. Ela se levantou, deu alguns passos até a porta e, ao abrir, se deparou com Mingyu.
Ele estava parado ali, como uma figura silenciosa, com os olhos carregados de tristeza e vulnerabilidade. O ar entre eles parecia tenso, mas o momento também parecia inevitável.
Mingyu não falou nada imediatamente. Seus olhos se encontraram com os dela, e, sem palavras, ele deu um passo à frente. %Eleonora%, por instinto, abriu os braços, e ele a envolveu em um abraço apertado, um abraço cheio de todas as emoções não ditas. O toque deles foi um alívio, como se ambos estivessem esperando aquele momento de contato físico para finalmente se permitir sentir algo além da confusão.
%Eleonora% se agarrou a ele com a mesma intensidade, fechando os olhos enquanto as lágrimas, que ela ainda tentava segurar, começaram a surgir novamente. Ela sentiu o coração de Mingyu batendo forte contra o dela, e isso fez com que a dor parecesse um pouco mais suportável. As palavras não eram necessárias agora. O silêncio entre eles falava mais do que qualquer coisa.
– Eu sinto tanto, Mingyu... – Ela sussurrou, a voz embargada enquanto ainda estava em seus braços.
– Eu também sinto, %Eleonora%... – Ele respondeu, a voz rouca, quase como um suspiro.
Eles permaneceram assim por alguns segundos, absorvendo a presença um do outro, até que Mingyu se afastou levemente, olhando-a nos olhos com uma expressão suave, mas ainda marcada pela dor.
– Eu... preciso falar com você. – Ele disse, sua voz mais firme agora, mas ainda carregada de uma fragilidade evidente.
%Eleonora% o olhou, respirando fundo, sentindo que estava prestes a dar um passo importante em direção à resolução que tanto buscava. Ela assentiu.
– Entre. – Ela disse, abrindo a porta um pouco mais para ele.
Mingyu entrou, e %Eleonora% fechou a porta atrás dele. Eles seguiram para o sofá, onde ela se sentou primeiro, fazendo um gesto para que ele se sentasse ao lado dela. Ambos estavam tensos, como se estivessem prestes a enfrentar a maior das conversas, mas ao mesmo tempo havia um conforto silencioso na companhia do outro. Eles haviam vivido tanto juntos, que as palavras pareciam um obstáculo diante da realidade.
– Eu sei que terminamos, mas... eu não quero que a nossa história termine assim. – Mingyu começou, olhando para %Eleonora%, os olhos marejados. – Eu ainda te amo, e sei que... que isso não pode ser resolvido de uma hora para a outra. Mas eu preciso saber o que você sente agora. O que você quer para o futuro…
%Eleonora% engoliu em seco. As palavras dele a fizeram se sentir mais confusa, mais perdida. Ela ainda estava tentando entender seus próprios sentimentos, e, agora, ela tinha que expô-los.
– Eu te amo também, Mingyu, mas... – Ela fez uma pausa, buscando coragem. – Eu não estou pronta para isso. Para nós. Eu pensei que estava, mas os meus medos, as minhas inseguranças... eles são maiores do que eu imaginava.
Mingyu fechou os olhos, como se as palavras dela o tivessem atingido com força. Ele sabia que %Eleonora% tinha seus próprios conflitos, mas ouvir isso dele doía de uma forma que ele não conseguia descrever.
– O que você tem medo, %Eleonora%? – Ele perguntou, mais suave, mas com uma dor evidente.
Ela olhou para ele, os olhos brilhando pela luta interna que estava enfrentando. Ela respirou fundo antes de responder.
– Eu tenho medo de que a gente não consiga ser feliz assim. Eu tenho medo do que os outros pensam... da sua família, dos meus próprios sentimentos, do meu futuro. Eu... sinto que, às vezes, não sou boa o suficiente para você, Mingyu.
As palavras dela eram como um grito silencioso de uma batalha interna que ela não sabia como vencer. Mingyu a olhou com uma dor profunda, mas também com compreensão.
– Eu nunca quis que você fosse algo que não é, %Eleonora%. E a minha família... eu sei que eles têm expectativas, mas eu... eu te amo pelo que você é, e eu só quero que você esteja feliz. Mesmo que isso signifique... que nós sigamos caminhos diferentes. – Ele falou, a voz falhando no final.
%Eleonora% olhou para ele, os olhos cheios de emoções misturadas. Ela queria acreditar nas palavras dele, mas a dúvida ainda pairava. Ela não sabia se estava pronta para abrir mão do que sentia, mas também não sabia se estava preparada para enfrentar os desafios que ele trazia.
Mingyu estendeu a mão, tocando suavemente o rosto dela, e %Eleonora% fechou os olhos por um momento, sentindo o toque caloroso. Ela sabia que a decisão que ela tomaria nos próximos dias definiria muito sobre o que viria para os dois. E o peso dessa decisão a fazia sentir um frio na espinha, mas ela sabia que, de alguma forma, era o primeiro passo para encontrar a paz que tanto buscava.
%Eleonora% hesitou, os lábios tremendo enquanto lutava para expressar o turbilhão em seu coração.
– Eu só quero que a gente se entenda. Quero que, no final, a gente possa olhar para trás e saber que tentamos. Mesmo que seja difícil.
Mingyu a olhou profundamente, os olhos brilhando com sentimentos que ele parecia não conseguir mais conter. Sem dizer uma palavra, ele se inclinou para frente, segurando o rosto dela com delicadeza. %Eleonora% sentiu o coração acelerar enquanto os lábios dele se encontraram com os dela em um beijo lento e cheio de emoções. Não era apenas um beijo;
era um adeus silencioso,
uma despedida disfarçada de tentativa. %Eleonora% correspondeu, derramando naquele beijo, tudo o que não conseguira dizer. Era intenso, doloroso e, ao mesmo tempo, cheio de amor. Quando finalmente se afastaram, os rostos ainda estavam próximos, e suas testas se encostaram suavemente. Ambos respiravam com dificuldade, os olhos fechados, como se temessem que abrir os olhos quebrasse aquele momento.
– %Eleonora%... – Mingyu murmurou, a voz falhando levemente. – Eu te amo. Amo mais do que posso colocar em palavras. Mas talvez... talvez isso não seja o suficiente.
Ela apertou os olhos, sentindo as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto.
– Eu também te amo, Mingyu. Mas acho que nós dois merecemos mais do que viver tentando lutar contra o mundo, contra as expectativas…
– Contra os meus pais. – Ele completou, a voz amarga, mas não menos honesta. – Eles sempre quiseram outra coisa para mim, alguém que... que pudesse se encaixar perfeitamente no molde deles.
%Eleonora% abriu os olhos, encarando-o de perto.
– E eu nunca serei essa pessoa, Mingyu. Eu tentei, mas... nunca fui aceita. Eu não quero que você tenha que escolher entre mim e eles.
– E eu não quero que você carregue esse peso, %Eleonora%. – Ele respirou fundo, os olhos marejados. – Você é incrível do jeito que é. Mas talvez o amor que sentimos não seja o bastante para superar tudo isso.
Eles ficaram em silêncio por um momento, deixando o peso das palavras pairar entre eles. Mesmo assim, nenhum dos dois se afastou.
– Então, isso é o fim, não é? – %Eleonora% perguntou, a voz quase inaudível.
Mingyu assentiu lentamente, com lágrimas silenciosas escorrendo por suas bochechas.
– Acho que sim. Mas eu nunca vou me arrepender de ter te amado, %Eleonora%. Nunca.
Ela sorriu, um sorriso trêmulo e triste.
Eles permaneceram assim por mais alguns segundos, ainda com as testas encostadas, compartilhando aquele último momento de intimidade antes de finalmente se afastarem, cada um sentindo o peso do que haviam perdido, mas também o alívio de terem sido honestos consigo mesmos.
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Mingyu parou na porta, com uma das mãos na maçaneta. Ele hesitou por um momento, como se precisasse se preparar para dar aquele último passo para fora do apartamento. %Eleonora%, ainda parada no meio da sala, o observava, o peito apertado com o peso da despedida.
– Sobre amanhã... – ela começou, a voz baixa e trêmula. – Acho que vou ficar em casa.
Ele se virou imediatamente, a expressão suavizando ao ouvir aquelas palavras. Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Mingyu cruzou a distância entre eles em dois passos rápidos. Ele segurou o rosto dela entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas de leve, como se quisesse gravar aquele momento na memória.
– %Eleonora%, não faça isso – ele disse, a voz firme, mas cheia de carinho. – Essa comemoração não é só sobre nós dois. É sobre todos nós, sobre amizade, sobre estarmos juntos mesmo quando as coisas ficam difíceis.
Ela piscou, surpresa com a intensidade nos olhos dele.
– Mas... – começou, apenas para ser interrompida.
– Todo mundo gosta de você, %Eleonora% – Mingyu continuou, a voz agora mais suave. – Você é parte desse grupo, uma parte importante. Não seria a mesma coisa sem você. Eles vão sentir sua falta, e eu... eu também vou.
Ela sentiu o rosto esquentar sob o toque dele, mas não desviou o olhar. Havia tanta sinceridade nas palavras dele que, por um momento, ela quase acreditou que tudo ficaria bem.
– Vai ser difícil... – ela admitiu, com um sorriso fraco.
– Eu sei – ele respondeu, assentindo. – Mas você é forte. E estar com eles vai te fazer bem. Promete que vai?
Ela suspirou, sabendo que não conseguiria dizer não.
Mingyu sorriu, o tipo de sorriso que iluminava os olhos mesmo em meio à tristeza. Ele soltou o rosto dela devagar, como se relutasse em deixá-la.
– Obrigado – ele disse simplesmente.
E com isso, ele se virou novamente, abriu a porta e saiu, deixando %Eleonora% sozinha na sala, sentindo-se um pouco mais leve, mas ainda carregada pelo que vinha pela frente.
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No final daquela noite, ambos encontraram uma paz silenciosa em seus próprios espaços.
%Eleonora%, sozinha no apartamento, ficou sentada no sofá por um tempo, olhando para a porta por onde Mingyu havia saído. As palavras dele ainda ecoavam em sua mente, trazendo uma mistura de conforto e melancolia. Ela sabia que havia tomado a decisão certa, mesmo que ainda doesse. Antes de ir para a cama, escreveu uma mensagem breve no grupo dos amigos, confirmando sua presença na celebração de Natal. Era o primeiro passo para reconstruir o que havia se partido.
Mingyu, por sua vez, caminhou pelas ruas de Seul, permitindo que o ar frio da noite clareasse sua mente. Ele sentia o peso do término, mas também uma sensação de alívio. A conversa com %Eleonora% havia sido mais honesta do que qualquer outra que já tiveram. Quando chegou em casa, sentou-se no sofá e pegou o celular. Hesitou por um momento antes de mandar uma mensagem para DK e os outros amigos, agradecendo pelo apoio e dizendo que estava ansioso para vê-los na confraternização.
Ambos sabiam que o caminho à frente seria difícil, mas também compreendiam que haviam feito o melhor um pelo outro naquela noite. Agora, restava seguir em frente, cercados pelos amigos que sempre estiveram ao lado deles.
🎄🎄🎄🎄