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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Moon

Escrita porLysse
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo IV

400 anos antes.

  — O que é isso?
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  O homem segurava as flores para ela. %Yue% franziu o cenho para a reencarnação de seu mestre, enquanto o homem de nome Jin lhe mostrava o sorriso mais sincero que havia visto desde que o encontrara. Fazia alguns meses que ambos haviam vindo aos Mares Orientais para nutrir a alma que habitava o corpo do homem idêntico ao Deus da Guerra.
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  — Um presente.
  Ele tocou sua testa, desceu até o seu nariz, beliscou-o e sorriu para ela.
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  — Jin. Pare.
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  — Você está me ajudando a nutrir meu corpo.
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  Para o seu verdadeiro corpo, Seokjin. Aquele meio mortal gostava de irritá-la, enquanto a puxava para si.
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  — Podemos nos casar, sabia?
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  — Do que está falando?
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  — Eu quero retribuir o seu esforço por mim. E eu gosto de você.
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  A declaração chocou %Yue%, que se afastou.
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  Ele não é o mestre, ele não é o mestre.
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  %Yue% apenas respirou fundo e encarou Jin com uma expressão séria.
  — Casamento é coisa séria, Jin. Deve se casar com alguém que...
  — Eu amo você.
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  Direto, sucinto e sem rodeios. Naquele momento, Jin se parecia com Seokjin. %Yue% o encarou séria.
  — Tome seu remédio.
  — Pequena %Yue%, não há espaço no seu coração para mim?
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  Ele a segurou. %Yue% estava prestes a se afastar de novo, porém os lábios dele se chocaram contra os seus, enquanto as mãos firmes seguravam sua cintura.
  Aquele beijo lhe tirou o ar dos pulmões.
  — Jin.
  — Por que eu não posso ser seu?
  — Você não me pertence. Por favor, entenda.
  — Eu direi aos céus, à terra e ao mar, a todos os imortais que vivem nesta terra, que eu pertenço a você.
  %Yue% sentia seu coração ser esmagado, enquanto o perfume de hortelã vinha da pele daquele homem.
  Ela poderia ter um pedaço de felicidade?
  %Yue% despertou.
  As lágrimas desciam por sua face, enquanto as três crianças estavam ao redor de si.
  Jin tinha a pele branca como a sua, enquanto seus quase quatrocentos anos lhe davam um ar esbelto, e Ren dormia profundamente ao lado de Bae.
  Ela se lembrou de que havia um ponto de felicidade. %Yue% apenas cobriu as crianças com o edredom, tocou na face de seus filhos e sobrinho e se espreguiçou. Vestiu o robe branco e percebeu a figura do Deus da Medicina dormindo na sala, enquanto o Deus da Guerra estava encostado na parede.
  Assim como sua reencarnação havia sido há quatrocentos anos.
  — Por que não está dormindo?
  — Pensamentos demais, pequena %Yue%.
  — Quando foi que...?
  — Eu pedi a dois oficiais que fossem às Colinas Verdes trazê-los. Eles estavam com saudades de você, e você está longe de casa. Por que não os levou ao Céu?
  Porque eles são seus filhos e, apesar de não se lembrarem de você...
  Ela não completou o pensamento.
  — As fofocas já são ruins o suficiente. Não quis exposição desnecessária.
  — Eles são parecidos com você. Quero dizer, os olhos...
  Seokjin percebeu os gêmeos andando lado a lado quando chegaram. O menino usava roupas azul-escuras e era pouco parecido com %Yue%. O Deus da Guerra avaliou que ele fosse parecido com o pai, enquanto a menina tinha a mesma graça e o mesmo sorriso da mãe. Sua expressão era adorável.
  Eles eram adoráveis.
  Seokjin bebeu do vinho furtado de Taehyung mais cedo, enquanto pensava na história que o amigo havia contado. Todavia, o meio mortal estava fadado a morrer desde o nascimento, e %Yue% apenas prolongara sua vida naquele lugar.
  — Por que se apaixonou por ele... se você sabia que ele ia morrer?
  A pergunta pegou a mais nova de surpresa, enquanto ela apenas sorriu.
  — Porque ele me deu o coração dele.
  Seokjin encarou a mulher. Os olhos amendoados estavam repletos de um amor que fez o Deus da Guerra sentir ciúmes daquele homem que habitava o coração dela e com quem poderia dizer que disputava o mesmo lugar no coração da mais jovem.
  Ela o amava.
  Ele tentou beber o vinho, porém a bebida foi substituída por chá de hortelã. A mulher guardou o vinho, enquanto Seokjin observava o ato de insolência contra ele.
  — Vinho não é bom para seu corpo, Deus da Guerra.
  — E o que é bom?
  — Uma boa noite de sono.
  Ela segurou suas mangas enquanto o puxava, deitando-o como se fosse uma criança mimada. Seokjin observou %Yue% acender o incenso de sândalo branco e se afastar.
  — Fique até eu dormir.
  Segurou as pontas da roupa dela. %Yue% observou Seokjin atentamente e suspirou.
  — Tudo bem.
  Enquanto o cheiro de cedro estava impregnado nas vestes dela, ele sentiu os dedos sobre sua face.
  — Durma bem, Seokjin.

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  Taehyung observou as três crianças. Bae e os gêmeos, Jin e Ren, brincavam ao redor da floresta sob uma barreira mágica, enquanto as folhas caíam sobre suas cabeças.
  O então Deus da Medicina observava os filhos da Kumiho %Yue%. Havia boatos sobre a paternidade de ambos; até mesmo Hoseok havia sido cogitado como pai dos pequenos. Porém, Taehyung os achava parecidos com...
  A figura em que pensou não poderia ser o pai. Enquanto repassava a história que corria pelos Quatro Mares e os Oito Desertos, suspirou lentamente pelo nariz.
  A aparência do herdeiro da Alta Deusa lembrava Seokjin mais jovem, porém talvez o vinho que tomara na noite passada tivesse afetado seu julgamento.
  E também, os milhares de anos poderiam estar pesando em suas costas.
  O Deus da Guerra saiu da casa, enquanto os gritos e as risadas infantis soavam altos, e o cheiro do café da manhã despertava seu estômago. Taehyung percebeu o homem encarar a mulher que arrumava as flores em uma mesa ao ar livre.
  — O que pretende fazer?
  — Começar a conquistar ambos e depois a mãe.
  — Você realmente se apaixonou.
  Comentou, enquanto dois soldados apareceram. %Yue% os encarou quando a mensagem foi entregue em suas mãos, e sua expressão mudou.
  — Mãe, mãe, podemos pegar cana-de-açúcar?
  A criança pulou em suas pernas. %Yue% a segurou no colo, enquanto ela sorria.
  — Eu preciso ir às Colinas Verdes, então...
  A menina murchou ao ouvir o tom da mãe. %Yue% suspirou. Seu segundo irmão exigia sua volta, porém havia prometido passar seu tempo livre com o sobrinho e os filhos.
  — Eu vou dar um jeito, meu amor. Não fique triste, Ren.
  — Nós podemos levá-los, pequena %Yue%.
  A menina encarou o homem mais velho, enquanto seus olhos avaliavam aquela pessoa. Ren sentiu o cheiro de hortelã e lótus das roupas dele.
  Pai?
  %Yue% encarou o Deus da Guerra seriamente.
  — Vá. Nós cuidamos deles. Cuide dos seus negócios.
  %Yue% encarou as três crianças. Não queria deixar seus filhos e sobrinho com Seokjin, porém também não queria deixá-los tristes.
  — Vocês vão levá-los? Eu não quero incomodar...
  — Não será incômodo algum.
  %Yue% observou os dois imortais, enquanto apenas colocou a filha no chão.
  — Mãe, nos deixe com os dois tios imortais.
  Jin puxou suas vestes. %Yue% franziu o cenho enquanto encarava os gêmeos e o sobrinho, que também a olhava com aquele mesmo olhar de sua mãe.
  — Certo. Vocês devem obedecer a eles. E não se afastem deles. Entendido?
  — Nós amamos você.
  %Yue% abraçou os filhos, enquanto repetia em cada um o mesmo gesto: da testa até o nariz, beliscando-o. A filha fez o mesmo com ela, juntamente com o irmão.
  — Eu volto em dois dias. Se algo acontecer...
  — Comigo ao lado deles, nada irá acontecer, pequena %Yue%.
  Seokjin sorriu, enquanto %Yue% suspirou e lentamente deixou seus pensamentos se acalmarem.
  Eram apenas dois dias. %Yue% acreditava que tudo ficaria bem, porém sentia que não devia deixá-los.
  Mas seus filhos precisavam se divertir.
  E assim o faria.

X

  A risada soava alta.
  Enquanto Seokjin tentava alcançar a manga da mulher que corria dele, sua risada preenchia o ambiente e o desespero tomava conta de seu corpo por não conseguir se aproximar dela.
  Ele precisava tocá-la.
  — Não vai me pegar, mestre.
  Enquanto corria, ela se afastava cada vez mais.
  Em outro momento, a garota lhe sorria enquanto estava nos braços de outro homem.
  — Jin.
  Seokjin sentiu mãos sobre o seu rosto.
  As risadas infantis soavam, enquanto o teto da velha cabana de Kumiho %Yue% o trazia de volta à realidade.
  O que estava acontecendo consigo?
  Seokjin sentiu as lágrimas descerem por sua face, enquanto as três crianças encaravam o Deus da Guerra com curiosidade. Ao mesmo tempo, a menina cochichou ao primo:
  — Será que ele teve um pesadelo?
  — Ele é o Deus da Guerra. Por que teria um pesadelo? Todos o temem. Ele é o Senhor da Guerra.
  A voz de Bae soou baixa, porém foi o suficiente para Seokjin perceber a figura do filho de Namjoon. Então, o Deus da Guerra fez um movimento com a mão, arrancando gritos genuínos de desespero e risadas, enquanto as crianças encaravam o chão ao flutuar.
  Ele arqueou as sobrancelhas quando a menina começou a chorar desesperadamente.
  — Ei, ei, ei... É apenas uma brincadeira. Não chore, tudo bem?
  Lágrimas cristalinas escorriam por sua face enquanto ela fungava, desesperada. Seokjin não tinha jeito com crianças, e a menina continuava chorando.
  — Não, não chore. Não chore. Eu sinto muito.
  A menina encarou o homem desesperado, enquanto sentia o pequeno lenço tocar sua face. A gentileza do Deus da Guerra era desajeitada, e ela foi parando de chorar.
  — Eu sinto muito. Você está bem?
  — Sim.
  — Vamos tomar café e depois iremos pegar a cana-de-açúcar.
  As risadas infantis soaram, enquanto Seokjin as encarava satisfeito por alguns segundos, ao passo que a imagem do sonho mostrava a mulher de costas, mexendo em alguma coisa na panela.
  — Vamos, tio!
  A imagem se dispersou enquanto ele balançava a cabeça.
  Talvez a noite mal dormida tivesse criado alguma ilusão em sua mente.
  Era nisso que esperava acreditar.

X

  Namjoon encarou Kumiho Qian. A mulher andava de um lado para o outro, enquanto o marido analisava atentamente suas feições ao perceber a ruga de preocupação após o relatório de Dae.
  — Pare com isso, Qian Qian.
  — Você...
  Ela se calou. Era um segredo de sua irmã; não tinha o direito de revelá-lo, nem mesmo para Namjoon.
  — Eu vou para os Mares Orientais.
  — Qual o problema de o irmão mais velho se aproximar da sua irmã?
  — Eles não estão fadados.
  — São apenas problemas menores. Não precisa ficar agitada.
  A mulher o encarou, enquanto Namjoon a puxava de volta para a mesinha. A deusa abaixou os olhos para os próprios dedos.
  — Namjoon, peça ao mestre para não se aproximar dela.
  — Não entendo você. Antigamente, a sua irmã era a maior fã dele. O que mudou?
  A mulher permaneceu em silêncio. Pegou um amendoim da mesa e apenas pensava no que sua irmã estava passando. Ao mesmo tempo, acreditava que seu mestre merecia saber, mas o desespero de %Yue% a assustara a ponto de concordar em apagar a imagem dela da mente do mestre.
  %Yue% tinha os cabelos desgrenhados quando finalmente apareceu, depois de quase cinquenta anos sem dar notícias. Havia feito diversas viagens ao mundo mortal, onde passara pelas mais diversas provações, enquanto chorava. A barriga de pouco mais de nove meses se destacava enquanto entregava uma das últimas partes da alma de Seokjin, respirando com dificuldade.
  O sangue escorria por sua mão, enquanto ela chorava copiosamente, segurando a Vela do Osso Mortal.
  — %Yue%! O que você fez?
  Qian encarou as vestes repletas de sangue, enquanto a mais jovem parecia pálida como papel.
  — Eu não vou conseguir, irmã... Eu não vou conseguir...
  A voz falhou, enquanto a irmã gêmea a segurava. Ao mesmo tempo, um grito escapou de seus lábios, e o céu azul transformou-se em nuvens negras. Relâmpagos tingiam aquela pintura enquanto %Yue% entrava em trabalho de parto.
  — Eu não vou conseguir...
  Enquanto o tempo fechava, em meio aos gritos agonizantes, Kumiho Qian sentia agonia e pesar pelo sofrimento da irmã.
  — Eu vou te ajudar. Vamos!
  O grito escapou de seus lábios. %Yue% a encarou com lágrimas nos olhos quando uma figura apareceu de repente. Naquele momento, Kumiho Qian soube o motivo do sumiço da irmã.
  A versão meio mortal, com a mesma aparência do mestre, surgiu diante delas.
  — Quem...? %Yue%?
  Ele encarou as duas mulheres idênticas, enquanto a irmã suplicava apenas com o olhar para que Kumiho Qian não dissesse nada.
  — Eu sou a irmã dela. Vim depois de receber a carta falando do parto...
  — Ah, obrigado por vir de tão longe. Por favor, ajude-a. Eu não sei o que fazer...
  A mulher sorriu e apenas assentiu com a cabeça, enquanto encarava o céu.
  — Pode pegar água quente e panos limpos?
  O homem saiu apressado. Ao mesmo tempo, Qian ajudou a irmã a se deitar. %Yue% parecia apavorada. Os cabelos caíam sobre sua face, e o medo estampava suas orbes.
  — O tempo virou rapidamente, meu amor. É uma Provação Celestial.
  Ela fez os cálculos nos dedos, e as contas confirmavam o teste que o Céu daria à sua irmã. %Yue% se tornaria uma Alta Deusa naquela noite, porém a pequena imortal não suportaria as dores dos raios que a atingiriam ao mesmo tempo em que estivesse em trabalho de parto.
  — Você acha?
  — Você não tem condição nenhuma de receber essa prova, %Yue%. Eu irei criar uma barreira, mas duvido que ela aguente...
  O pensamento de que a irmã estava prestes a passar por tamanha dificuldade, grávida, fazia Qian acreditar que o Céu queria castigá-la por sua teimosia em relação ao amor por Seokjin.
  — O que é uma Provação Celestial?
  — %Yue% está sendo testada pelo Céu. Ela não lhe contou?
  — Qian Qian!
  — Eu irei receber a prova por ela. Então, ajude-a no parto.
  Ela tinha confiança de que não morreria naquela noite, porém as dores e os ferimentos ainda se refletiriam em %Yue%.
  Entretanto, uma voz decidida soou.
  — Eu irei fazê-lo.
  Naquela noite, as duas crianças nasceram.
  E Jin morreu.
  Kumiho Qian apenas sentiu as mãos dele sobre as suas, enquanto as lembranças traziam de volta a dor e o sofrimento da irmã naquela noite.
  Os dias sombrios de %Yue% tingiram-se de vermelho antes de voltarem ao azul.

X

  Seu segundo irmão era aquele de quem ela mais gostava. Afinal, Shin sempre a defendera desde jovem e estava sempre ao seu lado. %Yue% encarou o então segundo filho dos Kumiho com respeito, enquanto sentia o olhar analítico sobre si.
  — %Yue%.
  — Segundo irmão.
  — Eu não gosto disso, mas...
  Ele começou, enquanto encarava a mais jovem de sua família.
  — O pai quer fazer uma competição.
  — Competição? Pelo quê?
  — Pela sua mão.
  %Yue% riu, uma risada genuína, enquanto pensava que seu irmão mais velho estava brincando. Porém, a seriedade dele a assustou, ao mesmo tempo em que franziu o cenho.
  — Eu não quero.
  — Foi o que eu disse para ele, mas as fofocas estão incomodando-o...
  %Yue% revirou os olhos. Seu pai pouco ligava para aquilo.
  — Sobre as fraquezas da família Kumiho. Ele quer provar que todos estão errados.
  — Com uma competição?
  — Um genro das Colinas Verdes deve ser equiparável à sua consorte. E você, entre todos os filhos, é inigualável lutando. Então, tenho certeza de que não perderia.
  — Mas por que uma competição?
  — Ele deseja mostrar que somos mais fortes do que aparentamos. Mesmo que não demonstre aos outros, quer mostrar que não somos fracos.
  — Papai só quer assistir a uma boa luta.
  — Isso não se pode negar.
  Os dois riram, enquanto o chá servido estava quente.
  %Yue% pensava naquilo, apesar de não haver ninguém de sua geração capaz de ser igual ou melhor que ela na espada.
  Havia sido ensinada pelo Deus da Guerra.
  Não havia professor melhor.
  — Onde estão meus sobrinhos?
  — Hum... Nos Mares Orientais. Eles estão colhendo cana.
  — Sozinhos?
  — Deixei uma babá com eles. Não se preocupe.
  %Yue% não diria que Seokjin seria uma babá tão dedicada. Apenas bebeu o chá enquanto pensava na competição que haveria por sua mão.
  Não queria lutar com ninguém.
  Afinal, se algum indivíduo tivesse sorte...
  Ela teria de se casar com ele?
  Aquele pensamento não poderia se concretizar. Seu pai estava tentando fechar o cerco ao redor dela.
  — Irmão, sobre o casamento...
  — Você não se sente segura para ganhar?
  — Não é isso! Apenas que... não posso lutar com todos eles. Seria cansativo demais.
  — Uma competição entre eles, você acha melhor?
  Sugeriu, enquanto %Yue% sorria, ao mesmo tempo em que suspirava.
  — Isso vai ocorrer quando?
  — No mesmo dia da Espada Escondida. Você deve realizar as duas cerimônias.
  — Irmão! É cedo demais!
  — Você quer adiar mais esse evento? Deixe de preguiça, %Yue%. Já informei aos outros irmãos, então se prepare...
  — Qian Qian irá retornar?
  — Provavelmente.
  — Então, tudo bem.
  A mulher bebeu seu chá enquanto pensava que logo estaria assumindo o trono das Colinas Verdes como sua monarca.
  Kumiho %Yue% encarou o céu azul enquanto pensava:
  O que as crianças estavam fazendo?

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  As crianças arrancavam as canas.
  Bae as puxava da terra, enquanto Ren segurava a sacola do pequeno príncipe.
  Seokjin ajudava Jin. O menino, de ar sério, cavava o chão.
  — Seu nome se escreve como o meu, mas o meu nome é Seokjin...
  — Jin é o nome do meu pai.
  Murmurou a criança, mantendo os olhos fixos nele.
  Jin era o mais inteligente daquelas crianças.
  O Deus da Guerra observou o garoto atentamente.
  — Oh, é mesmo?
  — Sim. Mamãe gostava dele... apesar de ele...
  — Ser mortal.
  A palavra soava estranha em sua boca ao pensar no pai.
  O garoto encarou o mais velho, que parecia refletir sobre suas palavras.
  — Você é parecido com ele...
  — Oh, mesmo?
  — Pela pintura que a mamãe fez.
  Seokjin apenas ponderou enquanto arrumava a cana no saco. Ao mesmo tempo, Bae e Ren se aproximaram deles.
  — Será que já é o suficiente?
  — Sim. É o suficiente.
  Seokjin encarou as crianças carregando suas próprias sacolas, enquanto aquele pensamento voltava a incomodá-lo.
  Ele era parecido com o pai deles?

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