Modo Insano de Amar

Escrita porRay Dias
Revisada por Lelen

Capítulo 2 • Um café, conversas intuitivas, e mais alguns passos

Tempo estimado de leitura: 19 minutos

"Vamos nadar no mar da sabedoria e serenidade. Melhorar."
(Goldfraap)

  Narração: %Mel%

  Ele sempre lia meus pensamentos. Desconfiava que fosse alguma conexão paranormal entre nós, pois eu também conseguia ler os olhos dele. Não com a mesma frequência que ele a mim, mas ainda assim era algo muito particular nosso. Eu adorava quando ele dizia que me amava. Sentia-me honrada e especial por ter o carinho de %Joe% desta forma. E só ele fazia a palavra "pequena" parecer um elogio ao invés de um desaforo, como quando ouvia por outras bocas menos gentis.
0
Comente!x

  %Joe% e eu nos conhecemos na lanchonete onde eu trabalhava. Foi engraçado. Ele passou uma vez pela loja e eu estava limpando uma mesa, então eu o vi. Ele também olhou para mim, mas continuou andando apressado. Daí ele voltou e me olhou de novo, então eu sorri. Ele entrou, escolheu algo para comer e conversamos. Não necessariamente nesta ordem, e nem tão simples e singelo assim. E aqui estávamos nós. Três anos de amizade. Renato Russo dizia, "já morei em tanta casa que nem me lembro mais, eu moro com meus pais". Ao contrário dele, eu não morava com meus pais. Há vinte cinco anos. Nunca morei. %Joe% não era o meu melhor amigo, mas amigo o suficiente para se tornar especial e essencial para mim. Não tinha melhores amigos. Com o tempo, ele se tornou um pouco do que eu poderia chamar de família.
0
Comente!x

  — Sabe o que é o mais insano nisso tudo?
0
Comente!x

  — Sobre o quê? — %Joe% perguntava desentendido enquanto entrávamos no "Café Com Cheiro", a lanchonete que sempre íamos.
0
Comente!x

  — É muito insano eu ter vivido dois anos em um relacionamento vazio. Como se fosse uma obrigação, pelas aparências. Logo eu, que não suporto esse tipo de atitude! — eu falava sem levar fé em mim mesma.
0
Comente!x

  — Acho que entendo tudo agora... — %Joe% disse com um sorriso enigmático no rosto.
0
Comente!x

  Rosto lindo. Rosto que eu adorava admirar e ficar analisando cada linha, cada marquinha na pele.
0
Comente!x

  — Por favor, dois cafés expressos. Vamos até aquela mesinha ali.
0
Comente!x

  Ele fez o pedido e me guiou por entre as mesas. Os toques de %Joe% na minha pele soavam como unhas em quadro negro. Era chocante, mas contraditoriamente, era delicioso. Enquanto nos ajeitávamos na nossa mesa, eu ainda estava pensativa sobre toda aquela situação de ter terminado um relacionamento de alguns anos. Observei as ruas ao redor da cafeteria. Algumas poucas pessoas iam e vinham, e recordei o telefonema da minha ex-sogra tentando entender por qual razão eu havia rompido com David, mesmo sendo ela uma das várias pessoas que nos acompanharam de perto. Ou seja, precisava mesmo explicar? Um motivo? Nossa total falta de afinidade trivial para coisas corriqueiras, o nosso relacionamento sem sentido não era motivo suficiente para o fim? David e eu éramos cômodos.
0
Comente!x

  — Por que o mundo se importa tanto com as aparências, com os clichês? As pessoas falam de individualidade, mas só se conformam e aceitam a comodidade — soltei do nada, fazendo %Joe%, que já me observava no silêncio, se debruçar sobre a mesa em total atenção para me ouvir mais.
0
Comente!x

  Eu dissera aquilo sabendo que a informação era óbvia e já sabendo também qual seria a possível resposta de %Joe%. Não era a primeira vez que entrávamos nesse assunto. Ele sempre encontrava uma brecha para isso, principalmente quando meu namoro estava na roda do nosso assunto. Ele já premeditava que caminho tudo aquilo levaria, e algumas vezes jogou as pistas para mim. Mas decidimos, ambos, pagar para ver. Eu decidi que iria levar até onde desse e ele contentou-se em assistir.
0
Comente!x

  — Verdade. É engraçado isso. Escutamos o tempo todo que "ser diferente é natural", mas ninguém, ou poucos, aceita o diferente, o exótico... Basta sair com o visual um pouco mais incomum, por exemplo, que você se torna alvo de comentários e olhares furtivos. E muitas vezes, o "diferente" nem é tão incomum assim.
0
Comente!x

  — Eu me arrependo de não ter acabado tudo antes. Perdi dois anos em nada, em um compromisso furado. "Devia ter amado mais".
0
Comente!x

  — "Ter visto o sol se pôr" — ele completou uma das várias músicas brasileiras que lhe ensinei. — Que acha de vermos o pôr do sol hoje?
0
Comente!x

  — Ainda nem é meio-dia, %Joe%... Mas aceito a proposta. Você me faz muito bem, sabia?
0
Comente!x

  — Não sabia não. Conte-me mais.
0
Comente!x

  Sorriso vadio! Um dia eu morreria com esses dentes e essa boca alargados para mim assim. Deveria ser um crime permiti-lo sorrir desse jeito.
0
Comente!x

  — Ah, cala a boca, %Joe%! — Rimos e terminamos o rápido café. — Vamos continuar o passeio?
0
Comente!x

  — Sabe o que é mais insano do que tudo o que você me disse?
0
Comente!x

  Ele levantou de sua cadeira entregando nossas xícaras no balcão, e retornou rapidamente ficando de pé ao meu lado enquanto eu ainda o observava sentada.
0
Comente!x

  — O quê? — perguntei ao notar as íris quase bicolores dele.
0
Comente!x

  Não sei por que, mas senti que a brisa fraca da janela da lanchonete passando por meus cabelos sussurrou em meus ouvidos um fraco aviso: “Acalme-se”. Era o que a brisa soava. De certo, ela saberia como as próximas palavras dele iriam bater em mim.
0
Comente!x

  — É mais insano do que tudo isso quando nós queremos e podemos fazer ou ter algo, mas não o fazemos por motivos que nem nós mesmos conhecemos. Tipo agora.
0
Comente!x

  Ele me olhou com fogo nos olhos e eu reagi com fogo no rosto. %Joe% %Jonas% e eu sempre falávamos de sentimentalismos e teorias do amor. Mas aquela afirmação dele não me parecia ser algo distante. Se não tinham a ver conosco em conjunto — e talvez fosse aquilo que eu esperava —, tinha a ver com um de nós.
0
Comente!x

  — Tem a ver com a Mayra?
0
Comente!x

  Cérebro inútil. Sempre falhava nas horas importantes. Eu deveria perguntar: "tipo o quê"?
0
Comente!x

  — Não! O que teria ela nisto tudo? — Agora sim ele estava surpreso.
0
Comente!x

  Eu sou tão idiota!
0
Comente!x

  — Vocês não estão mais juntos, e foi tão inesperado também. O que houve?
0
Comente!x

  — Eu não a amo. Tentamos. Quero dizer, ela tentou, eu nunca quis tentar. Você sabe disso.
0
Comente!x

  A forma como %Joe% me olhava… Na verdade eram diversas. Eu conhecia todos os olhares dele. E naquele momento ele me lançou o olhar número três. Olhar de "não se faça de boba".
0
Comente!x

  Assim como eu, ele também levou o barco com a Mayra, não por vontade dele, mas sim dela. Várias vezes nós conversávamos sobre nossos relacionamentos. Sempre desabafamos um com o outro sem pudor. Até a minha primeira noite com meu agora ex-namorado, eu contei a ele. Embora ele teimasse em não me falar das noites loucas dele e Mayra, eu sempre conseguia arrancar algum comentário. Na maioria, de reprovação. E sempre, sempre mesmo, ao fim desses comentários, ele dizia: "Está longe de ser do jeito perfeito. Com quem eu quero". Deixava solta a informação, que rodeava o ar entre nós, e pairava em minha mente numa conspiração — da qual eu não sabia se era real — de que nós dois deveríamos estar juntos.
0
Comente!x

  — Por que não disse logo para ela que não estava satisfeito? Eu ainda não entendo essa sua reação!
0
Comente!x

  — Eu disse inúmeras vezes. Lembra que ela insistiu e me fez prometer que a deixaria tentar?
0
Comente!x

  — Eu hein... você é doido.
0
Comente!x

  — Falou a normalíssima da cidade.
0
Comente!x

  Ele riu me estendendo a mão para que eu levantasse, e assim que me coloquei de pé à sua frente, eu pude perceber como ele me encarava com descrença pelo que ouvia.
0
Comente!x

  — É sério! Poderia ficar com quem ama de verdade ou descobrir alguém para amar, ao invés de tentar algo em vão.
0
Comente!x

  — Engraçado! Acho que eu já escutei esta história.
0
Comente!x

  — Eu também conheço bem o final dessa comédia improvisada e fracassada.
0
Comente!x

  Obviamente a nossa cara de pau chegava a ser vergonhosa! E era estranho nós dois voltando a um assunto tão conhecido por nós. Juramos ambos, cada um para a própria consciência, que nós tentaríamos passar firmes por esses aprendizados. Julgamos ser a melhor forma de chegar onde queríamos um dia: com certeza e solidez.
0
Comente!x

 Revelações de uma praça.

"Algo no jeito com que ela se move me atrai como nenhum outro amor. Algo no jeito com que ela me persuade."
(Beatles)

  — A praça fica linda no outono, não? — %Joe% dizia admirando as folhas secas e penduradas caindo das árvores.
0
Comente!x

  — É linda. Reparou naquele senhor sentado ali no cantinho?
0
Comente!x

  — O que tem ele?
0
Comente!x

  — Em todos os primeiros e últimos dias das estações, ele senta bem ali, pega um livro, o abre e começa a ler. Como um ritual.
0
Comente!x

  Eu reparava naquele senhor havia algum tempo e nunca tinha tido a chance de compartilhar essa observação com o %Joe%. Era um homem, ao contrário do que se poderia julgar, rodeado de pessoas que o amam. Patriarca de uma grande família, unida e alegre, porém o próprio se escondia atrás das capas de brochura. Eu nunca conversei com ele, mas gostaria de perguntar-lhe o que as rugas de seu rosto lhe trouxeram de amargo para ele não notar as coisas lindas que tinha à sua volta. Como o olhar fulgurante de seu netinho tentando chamar a atenção dele e as tentativas frustrantes da mãe do menino em mostrar ao pai que atrás daquele livro — ainda que fosse um livro, objeto mágico capaz de mudar todo um mundo desconhecido ou conhecido — existia uma história que ele ajudou a fundamentar.
0
Comente!x

  — Ele não parece estar a fim de ler para alguém que mantém um ritual.
0
Comente!x

  — Você entendeu. Ele nunca lê com vontade. É como alguém que cumpre uma tarefa obrigatória e de rotina — respondi a %Joe%, ainda escorada na mureta do jardim da praça.
0
Comente!x

  — Acho que o livro é uma desculpa para se sentar ali e curtir a transição das estações sem ser incomodado, sem dar explicações a ninguém.
0
Comente!x

  — Você falando assim faz parecer melhor a imagem que tenho dele.
0
Comente!x

  Nós rimos distraídos mastigando um doce que eu sempre desconhecia o nome. Favorito do %Joe% e que ele sempre comprava na nossa lanchonete já batida.
0
Comente!x

  — Olha ali aqueles três jovens. Estas meninas moram próximas à minha casa, e este menino sempre as acompanha na saída do colégio. A questão é que ele nunca está sorrindo ou conversando empolgadamente com elas. Ao contrário, elas sempre conversam e riem muito alegres. Ele as acompanha até a quadra da casa delas, e volta todo o caminho à sua casa, cada vez mais cabisbaixo — contei ao notar os adolescentes em trio, já tão observados por mim.
0
Comente!x

  — É, as pessoas precisam se libertar.
0
Comente!x

  E novamente os bons ventos que chegavam aos poucos iam sussurrando-me que algo grande estava por vir. Ergui o meu olhar para %Joe%, e ele me fitava docemente. De um jeito incomum ao diário. Não me recompus. Continuei ali imóvel e perplexa no olhar dele e no seu sorriso que matava cada pedacinho de mim. Outra boa brisa amiga bateu, balançando nossos cabelos. Ele passou os braços pelos meus ombros, beijou minha testa e continuamos a caminhada.
0
Comente!x

  — Está um clima tão gostoso de outono. Parece que enfim o sol vai esquentar — %Joe% disse sorrindo para o sol e olhando para o alto se deixando ser guiado por meus passos.
0
Comente!x

  — E o que faremos?
0
Comente!x

  — O que você quer fazer, minha pequena?
0
Comente!x

  Sem dúvidas ele sabia o que me causava com estas palavras, e sem dúvidas ele sabia que eu não deixava a tortura às pechinchas.
0
Comente!x

  — Com você, qualquer coisa. — Vingada.
0
Comente!x

  Posso até dizer que cheguei a sentir o estremecer do estômago dele através de suas ações, quando fazia essas coisas.
0
Comente!x

  — Que moral a minha. — Ele riu para disfarçar a timidez. — Vamos à floricultura.
0
Comente!x

  — %Joe%, eu quero te pedir uma coisa e não aceito um "não" como reposta.
0
Comente!x

  — Vindo de você é uma ordem. — Me olhou revestido de travessura.
0
Comente!x

  — Vamos tornar o dia o mais insano à nossa maneira possível? Quero dizer, para nós será um dia comum. Mas vamos nos permitir?
0
Comente!x

  — Ao seu lado, eu topo tudo. Você sabe! — Sorriu e beijou meu rosto.
0
Comente!x

  Chegamos à floricultura, e eu me senti tão pequena e feia perto de tantas flores lindas. Até que %Joe% — em sua fiel, sincera, comum e surpreendente abordagem para me encantar — novamente me encantou.
0
Comente!x

  — Para você. — E ergueu um buquê esplêndido.
0
Comente!x

  — O quê?
0
Comente!x

  — É como você. Linda, elegante, pura, rara.
0
Comente!x

  Ele devia treinar essas coisas, só podia. Restava saber se as treinava exclusivamente para mim.
0
Comente!x

  — Nossa, %Joe%, eu amei. Nunca ganhei uma orquídea, ela é tão linda e delicada...
0
Comente!x

  — E assim como você, ela também é cara! — Ele interrompeu colocando o dedo nos meus lábios e depois de lançar sua piadinha, gargalhou. — Desculpa, mas a piada caiu como uma luva vai!
0
Comente!x

  — Seu idiota.
0
Comente!x

  Insano, provocante, sexy, educado, simpático, sincero, sedutor, sensual, maravilhoso, romântico. Ele me partiu ao meio com todas as palavras e com aquela atitude. Foi lindo, uma das mais lindas emoções que %Joe% me fez passar. Alguns diriam que receber flores é algo tão trivial, mas para quem nunca recebeu mais que uma flor de canudos plástico, aquilo foi especial. E era a primeira vez em todos aqueles anos de amizade que ele me dava flores. %Joe% sempre dizia que "dar flores a uma mulher é romântico demais, e entre nós, se eu fizer isso um dia, não irei dar passos atrás". Eu nunca entendi, mas começava a compreender.
0
Comente!x

  Ele sempre demonstrou que via em mim não uma bela mulher, mas uma mulher bela. E eu sempre o admirei por isso. Toda a sua delicadeza... Tantas vezes chamado pelos "homens" que nos cercavam de lerdo, gay ou burro por ter tido muitas chances de fazer o que quisesse comigo e não o ter feito. Homens, que de homens nada tinham senão a denominação da espécie. Pessoas que não sabiam o que era respeito. Diferente de todos e único, %Joe% sempre me fez acreditar que eu era muito mais do que olhos humanos poderiam enxergar. Mais até do que ele mesmo enxergava. Um amigo como poucos, um homem como nenhum outro.
0
Comente!x

Narração: %Joe%

  Insana, provocante, meiga, sedutora, romântica, linda, responsável, admirável, elegante, ingênua e todos os adjetivos de perfeição possíveis. Ela saiu correndo da floricultura como uma menina de dezesseis anos, sorrindo e gritando: "Anda, %Joe%, temos um dia longo!". Às vezes tão inconsequente e sem juízo, mas ainda assim, sempre responsavelmente responsável. Sabendo que eu não poderia voltar e levar o presente até a casa dela, eu pedi para entregarem o arranjo na portaria do prédio. E depois nós fomos à praia observar as ondas, ou "festival dançante das águas" como %Mel% descreveria. Ela tinha seu velho mp3 na mão e escutava "I don't want to miss a thing" do Aerosmith. Uma de suas bandas favoritas. Dividimos os fones, como fazíamos com frequência.
0
Comente!x

  — Um pouco depressivo, não?
0
Comente!x

  Achei mesmo, afinal o término do namoro não tinha deixado ela triste como a própria me contou, e estávamos vivendo um dia mais feliz do que todos os outros que tivemos.
0
Comente!x

  — Não! %Joe%!  Olha a letra! É libertador, é apaixonante, é dopante! — %Mel% e estas suas definições confusas.
0
Comente!x

  — Entendi, é emocionante. — Revirei os olhos. — Exagerada.
0
Comente!x

  Debochei da intensidade dela e rimos. Ela me abraçou confortando seu rosto em meu peito. Provocando palpitações em meu corpo, pouco perceptíveis.
0
Comente!x

  — Obrigada, por estar aqui comigo, me deixando ser tudo o que eu sou. Sem questionar, sem repreender. Sem dizer que sou insensível por não dar a mínima para o David e tudo o que houve entre nós.
0
Comente!x

  — Eu quem agradeço por me prontificar a estar com você aqui. É para mim importante estar presente na sua vida.
0
Comente!x

  — Eu te quero nos meus melhores momentos.
0
Comente!x

  — Eu sempre estarei neles, pode acreditar.
0
Comente!x

  E agora?
0
Comente!x

  Eu, ela, juntos na areia.
0
Comente!x

  A canção da vez era "Something" dos Beatles.
0
Comente!x

  Talvez por ela a canção fosse outra pelo clima da situação, mas para mim não. Ela amava os Beatles, ponto de desencontro com o ex. Aquele dia, eu queria fazer algo mais especial com ela. Queria um dia perfeito, à altura de nossa amizade. À altura do que eu sentia ou a milímetros do que ela merecia, pois eu nunca conseguiria dar tudo o que ela merecia. Mas sabia que não desistiria de tentar.
0
Comente!x

  — Escuta, %Joe%... Tem um parque na cidade!
0
Comente!x

  Ela se levantou dos meus braços fazendo eu suspirar desanimado por isso. Seus olhos brilhavam e eu nunca recusaria um pedido dela. Ainda que fosse dos mais bizarros.
0
Comente!x

  — Vamos lá, então? — ela perguntou como uma garotinha animada para brincar.
0
Comente!x

  — Só se for agora. — Assenti, fazendo %Mel% alargar seu sorriso tão perfeito.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (2)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x