Midnight Blue


Escrita porPams
Revisada por Lelen

3 • Azul da Meia-noite

Tempo estimado de leitura: 31 minutos

  Foi uma loucura ter aquele palácio só para nós dois. E percebi o olhar curioso dos empregados para mim, quando passava por eles. A parte mais engraçada foi ele me pedir para preparar um cappuccino nutella para ele, e as cozinheiras ficarem admiradas de me verem na cozinha mexendo em seus instrumentos de trabalho. Porém, a melhor parte de todas foi ver o azul da meia-noite com ele naquele lindo jardim.
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  — Quero te dar uma coisa. — %Joseph% retirou uma caixinha do bolso e me olhou singelamente.
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  — Você não acha que está cedo demais para um pedido de casamento, majestade? — brinquei com um olhar estranho.
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  — Não vou te pedir em casamento, não agora. — Ele piscou de leve.
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  — Hum… — fiquei levemente desapontada.
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  — Quando o meu avô me deu essa pedra, ele disse que havia se apaixonado por uma mulher que não era do seu mundo, mas que não havia enfrentado tudo para ficar com ela. — Ele abriu a caixa mostrando um cordão com outra pedra azul. — Mas não o fez e se arrependeu depois, eu não quero me arrepender e sei que você não é deste mundo, mas quero que seja do meu mundo.
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  Ele retirou o cordão da caixa e o colocou em meu pescoço.
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  — Quando recebi este presente, havia cinco pedras… Mas nunca soube para quem dar a quinta, não até agora — continuou ele.
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  — Você nem me conhece, tem certeza? — perguntei.
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  — Eu não gostava da Dara e só estava noivo por pressão dos meus tios, quando a vi na cama com meu primo, não fiquei chateado, foi como se um peso tivesse saído de cima de mim. — Contou ele, com o olhar sereno. — E quando eu te vi naquela cafeteria, senti meu coração bater mais forte, mesmo não te conhecendo, tinha a sensação de ter te visto antes.
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  — Seus amigos me disseram que havia outra de mim no seu mundo — comentei. — Não quero pensar que está apegado a mim por causa de outra que tem minha cara.
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  — Não, jamais. — Ele sorriu com serenidade. — Estou apaixonado por você, não porque pareça com alguém do meu mundo, mas porque me fez esquecer de todos os problemas que tenho aqui apenas com seu sorriso.
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  — Hum… — me peguei tímida. — Mas, se não estava triste pela traição, por que a tristeza naquele dia?
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  — Estava frustrado por alguns assuntos reais como ter que me casar com quem meus tios acham que devo — confessou. — Vamos falar sobre outra coisa? O que importa é que agora sempre que quiser me ver, você pode usar o cordão.
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  — Mas e o lance do portal no Ibirapuera? — perguntei ao olhar para o céu estrelado. — Estamos no Rio, lembra?
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  — Meus amigos dão um jeito nisso. — Ele riu.
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  %Joe% se levantou da grama e esticou a mão para mim. Me levantei também.
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  — Estou curiosa sobre uma coisa — comentei.
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  — O quê? — Ele me olhou.
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  — %Joseph%… Quem escolheu seu nome? — perguntei.
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  — Minha mãe, antes de eu nascer — respondeu ele num tom triste. — Ela faleceu após o parto da minha irmãzinha por complicações.
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  — Hum… E por falar nos seus irmãos, quero conhecê-los. — Pedi.
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  — Terei o enorme prazer de lhe apresentar a eles. — Ele piscou de leve.
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  Nós entramos no palácio e continuamos nossa conversa na biblioteca. Eu estava mega admirada com tanto livro e todos em bom estado. E tinha uma sessão considerável reservada ao tema de fotografia, um encanto para mim. Em alta madrugada, %Joseph% me instalou em um quarto ao lado do dele e esperamos alguns minutos até que uma criada o deixou pronto. Nos despedimos na porta e eu entrei. Quem diria que um dia eu estaria hospedada em um quarto no palácio imperial, algo que só vejo nos filmes de Natal da Netflix estava acontecendo comigo. E a parte mais surreal é que não era em minha realidade, mas numa bem diferente do que aprendi quando criança.
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  Na manhã seguinte, ao acordar, senti algo estranho dentro de mim. Uma criada bateu na porta do quarto para me ajudar a me trocar, porém eu já estava mais do que vestida. Foi quando ouvi alguns gritos vindo do andar de baixo. Me afastei da criada e segui pelo corredor até a escada, começando a descer vagarosamente. Foi quando vi um homem estranho parado em frente a %Joseph%.
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  — Não me importa mais o que pensa e vossa opinião sobre meus passos e minhas escolhas — disse %Joseph% num tom forte e seguro. — Eu sou o imperador, eu faço as tradições, eu aprovo as leis.
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  O homem pareceu engolir aquelas palavras a seco.
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  — Vou fazê-lo se arrepender amargamente de sua arrogância — ameaçou o homem. — Durante dez longos anos eu cuidei de vossa majestade e de seus irmãos, uma monarquia em certos momentos pode ser questionada.
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  — É uma ameaça, lord de Orleans e Bragança? — %Joseph% se manteve firme diante dele, com o olhar frio e sério. — Sabe que o imperador pode revogar títulos de nobreza, seria trágico que perdesse vossos privilégios de duque do Rio de Janeiro.
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  — Aproveite enquanto pode, vossa majestade, um país monarca sempre pode se tornar uma república, basta o povo estar a favor. — O homem se virou para sair e de relance me viu, parou por um momento para me encarar, então se retirou dali.
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  Senti meu coração paralisado de medo do que ele poderia fazer contra %Joseph%. E sim, estava temendo pelo novo imperador e nem por mim. O imperador se aproximou de mim e estendeu sua mão. Terminei de descer os últimos degraus e segurei em sua mão.
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  — Está tudo bem? — perguntei temerosa.
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  — Sim, com você aqui, está. — Ele sorriu levemente e me deu um beijo suave. — Vamos tomar café?
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  — Vamos. — Assenti forçando um sorriso gracioso.
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  Eu sabia que não tinha nada bem. Mas ele não iria me preocupar com seus assuntos como fez no caso da coroação. Entretanto, eu sabia quem poderia me ajudar a descobrir o que de fato acontecia. Meus ministros favoritos não me negariam uma informação que poderia ajudar o trono brasileiro. Passamos a manhã juntos e logo após o almoço, %Joseph% precisou se ausentar para iniciar suas atividades como novo imperador do Brasil. E neste dia, ele iria nomear oficialmente seus ministros de governo.
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  Como o Brasil Imperial contava com a monarquia constitucional renovada, o imperador deveria seguir a constituição, porém possuindo plenos poderes para revogação de qualquer lei que limite diretamente seu poder o deixando vulnerável ao parlamento e ao chefe de governo. Além de governar em conjunto com o primeiro-ministro e ter a palavra final em qualquer tipo de decisão. Por isso, %Joseph% precisava pensar em alguém de suma confiança para ser o primeiro-ministro, uma pessoa que tivesse a mesma visão política que ele. E sua nomeação foi para sua prima Lorelyn de Orleans e Bragança, uma mulher forte e autêntica que, assim como seus amigos, tinha sua confiança. Eu não quis acompanhar as nomeações de perto, não queria causar mais alvoroço no país, então permaneci na sala de tv do palácio, vendo a transmissão.
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  — Nosso irmão é muito bonito, não é?! — Uma voz infantil soou da porta.
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  Eu dei um pulo do sofá e olhei. Havia duas crianças diante de mim, me deixando mega nervosa e envergonhada.
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  — Vocês devem ser os… — comecei a dizer tentando não demonstrar surtos.
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  — Vossas altezas reais — disse a garotinha — Ana Giulia de Orleans e Bragança e Michael Lucas de Orleans e Bragança.
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  — Prazer, altezas — disse fazendo uma breve reverência aos dois. — Eu sou a…
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  — Namorada do %Joseph% — disse o garoto me interrompendo.
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  Fiquei sem reação diante dos dois.
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  — Você é mais bonita que a Dara. — Giulia riu meio sapeca e se aproximou primeiro. — Estava curiosa para te conhecer, nosso irmão fala muito sobre você.
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  — A garota do cappuccino nutella. — Michael também entrou na sala, ambos vindo até mim. — Estou curioso para experimentar.
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  — Vossa alteza gosta de chocolate? — perguntei ao sorrir para ambos.
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  — Ele não gosta, ele ama — disse Giulia. — Eu prefiro morangos com leite condensado.
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  — Os dois são maravilhosos ao meu gosto — murmurei me deixando neutra. — Mas posso preparar cappuccino para vocês se quiserem.
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  — Eu quero. — Michael deu um pouco de animação levantando a mão.
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  — Eu posso experimentar. — Giulia fez uma cara de desconfiada.
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  Eu ri deles e os guiei até a cozinha. Em poucas horas ali já tinha decorado muitos caminhos. E fiquei surpresa ao saber que era a primeira vez que as crianças entravam na cozinha. Assim que comecei o preparo, os convidei para participar e não somente o cappuccino, mas também inventei de fazer cookies para eles. Foi diversão pura naquela cozinha que terminou com uma grande bagunça, mas vários sorrisos nos rostos deles e muitas histórias que tinham sobre o irmão mais velho imperador. Enquanto as crianças lanchavam, uma mulher desconhecida adentrou o palácio e pediu minha presença.
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  Achei estranho, pois quem poderia querer falar comigo? Logo eu, uma desconhecida? E como saberia que eu estaria ali?
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  — Boa tarde — disse ao entrar na sala de estar.
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  — Então é você a mulher de que todos falam. — A mulher desconhecida, que estava de frente para a janela, se virou para mim e me olhou de cima a baixo. — As mídias falam que você é provavelmente a futura imperatriz consorte.
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  Vasculhei em minha mente o real significado da palavra consorte, que quer dizer cônjuge de um monarca. Segurei minhas expressões faciais, mantendo a suavidade.
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  — E você? Quem é? — perguntei. — Já que está tão informada sobre mim, devo saber sobre você.
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  — Meu nome é Dara, acho que vossa majestade já mencionou sobre mim — disse ela num tom soberbo.
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  A ex traidora.
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  — Sim, ele já mencionou. — Cruzei meus braços não entendendo sua presença ali. — Em que posso ajudar?
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  — Soube que o antigo imperador regente esteve aqui, acho que já deve entender o que vai acontecer. — Iniciou ela se sentindo segura em suas palavras. — A única forma de vossa majestade ter um reinado tranquilo e de paz é se casando comigo, e a única que pode convencê-lo disso é você… Garanto não me importar que seja a concubina do imperador, desde que eu seja a soberana ao seu lado.
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  Concubina? Comecei a tossir de leve, porém me recompus. Que espécie de pessoa era ela?
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  — Você acha mesmo que vou fazer isso? — Eu ri dela. — %Joseph% é o imperador, é ele quem dá as ordens e o tio dele não pode mais obrigá-lo a conviver com você.
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  — Me admira sua ousadia, mas escute bem, se ele não se casar comigo, acredite, não haverá mais monarquia nesse país e nem um imperador. — Ela lançou um sorriso superior e se retirou da sala.
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  Senti meu coração na mão. Eu tentei não me abalar com sua ameaça e menos ainda deixar os irmãos da realeza preocupados. O imperador retornou logo após o jantar, para minha surpresa, seus amigos estavam junto acompanhados da primeira-ministra. %Joseph% me apresentou sua prima, a oitava na linha de sucessão. Achei Lorelyn superdivertida e muito gentil, felizmente não era filha do tio malvado e sim do tio caçula de %Joseph%.
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  Fiquei mais em silêncio e forçando sorrisos entre eles, até que %Joseph% me perguntou se havia acontecido algo em sua ausência. Me peguei em uma indecisão se contava ou não da visita de Dara. Não queria lhe trazer mais preocupações, porém acabei contando a todos, que ficaram perplexos e com olhares preocupados.
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  — E o que faremos agora? — perguntou Junior, tentando não me encarar.
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  — Eu não acredito que nosso tio está tão desesperado pelo poder para chegar a isso. — Lorelyn permanecia embasbacada. — Golpe de estado transformando nosso país em uma República de corruptos? Já é difícil separar o joio do trigo tendo um imperador, imagine se fosse o contrário.
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  — Seriam um país falido e fracassado, transbordando caixa 2 — sussurrei ao me lembrar da minha realidade.
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  Os amigos me olharam, pareciam ter me ouvido.
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  — Eu não vou me curvar às pressões do meu tio. — %Joseph% se manteve firme em seus pensamentos. — Ainda que tenha uma guerra civil, não me casarei com ela e com nenhuma outra que pertence a este mundo.
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  Seu olhar veio para mim com intensidade. Era uma indireta bem direta.
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  — E o que fará? — perguntou Lorelyn.
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  — Revogarei algumas leis que restringem a monarquia principalmente sobre o casamento. — Iniciou ele mantendo o olhar em mim. — Enquanto reviso as leis, preciso que consigam o máximo de aliados na corte e no parlamento, então… Irei apresentar oficialmente ao meu povo alguém especial para mim.
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  Meu corpo estremeceu um pouco e meu coração acelerou.
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  — Mas a tradição do casamento é a mais importante para a corte. — Observou Tobia ao se ajeitar na poltrona em que sentava. — Acha mesmo que algumas famílias vão aceitar?
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  — As necessárias, sim — disse ele.
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  — Pois eu tenho uma outra ideia ainda melhor e mais fácil — disse Junior ao olhar para mim e sorrir como se tivesse ganhado na loteria. — Vamos usar ela para vencer seu tio.
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  — Eu?! — disse surpresa.
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  — Ela? — Lorelyn me olhou confusa. — Como?
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  — Assim! — Ele ligou a tela do celular e mexendo por alguns segundos, nos mostrou uma imagem. — Assim vamos ganhar essa guerra.
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  A imagem era de uma mulher exatamente igual a mim. Será que era minha versão naquele universo? Meu corpo estremeceu mais uma vez.
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  — Por que está nos mostrando uma foto dela? — perguntou Lorelyn sem entender nada.
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  — Não é ela e já conversamos sobre isso — respondeu %Joseph%. — Esqueça essa ideia.
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  — Que ideia? — perguntei.
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  — Eu ia… — Junior começou a falar.
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  — Não ia nada, já disse que não. — %Joseph% o interrompeu engrossando mais a voz, o que me deixou surpresa. — Terminamos por hoje, amanhã espero todos bem cedo no Palácio da Alvorada para a primeira reunião com o parlamento, podem se retirar.
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  Os amigos de %Joseph% engoliram a seco sua ordem, principalmente Junior. Assim que se retiraram eu o olhei séria e brava por sua forma de agir, cruzando os braços. Assim que seu olhar se voltou para mim, ele percebeu meu estado.
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  — Me desculpe, mas não quero que se preocupe com assuntos do meu mundo — disse ele num tom mais baixo.
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  — E como pode me pedir para estar no seu mundo se não posso nem participar totalmente dele? — O confrontei. — Acha mesmo que sou somente um rostinho bonito?
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  — Você é realmente linda, mas sei que há muito mais por trás da sua beleza, só não quero que se machuque se envolvendo com tudo isso — disse ele dando um suspiro fraco e cansado. — Sei que este lugar não tem somente as partes boas, mas quero evitar que as más te alcancem.
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  — Elas me alcançaram hoje pela tarde — retruquei. — Então, vai me dizer ou não quem era a mulher igual a mim?
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  — Tudo bem. — Ele assentiu estendendo sua mão para mim. — Podemos conversar sobre isso amanhã?
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  — Quero falar agora ou volto para casa. — Lhe dei duas opções, mostrando o colar em meu pescoço.
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  — Se voltar daqui, vai parar no Rio no seu mundo — retrucou ele.
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  — Não me importo. — Continuei firme.
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  — Você realmente é única. — Ele sorriu de canto.
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  %Joseph% começou a me contar sobre a minha versão naquele mundo. Dizendo que aquela era uma possível imagem de como a garota seria nos dias atuais. Ela havia desaparecido há mais de dez anos, após o naufrágio do navio de seus pais em umas férias no Caribe. E pertencia a mais importante família brasileira após a realeza de Orleans e Bragança.
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  A família Castelatto descendia de imigrantes italianos que se refugiaram no Brasil imperial, logo após a abolição da escravatura pela princesa Isabel. Além de possuírem uma grande fortuna e empresas no segmento alimentício, detinham uma quantidade significativa de cadeiras aliadas no parlamento. Assim como títulos de nobreza de duques e duquesas, por alianças e acordos matrimoniais no passado com membros da realeza.
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  E qual era o plano? Eu me passar pela duquesa desaparecida, que sem nenhuma dúvida seria a melhor opção matrimonial para a coroa. Os amigos de %Joseph% realmente tinham a ambição de nos casar, mesmo que fosse um casamento falso somente para acalmar as tensões políticas. %Joseph% não queria que essa cultura de acordos matrimoniais e casamentos arranjados continuasse nas tradições monarcas brasileiras. Século XXI, ele desejava a liberdade dos próximos sucessores de escolher pelo amor e não pelo poder político em seu reinado.
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  — Entendeu agora minha reação? — perguntou ele, após me contar tudo. — Não quero que fique comigo por causa das guerras políticas do meu mundo, quero que fique comigo porque me ama, independentemente de ser ou não deste universo.
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  — Você é um fofo e confesso que não me vejo me casando por contrato ou algo assim… — eu segurei em sua mão. — E entendo suas palavras.
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  — Obrigado. — Ele sorriu de leve e, me puxando para perto, me abraçou. — Estou realmente feliz por estar aqui.
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  — Mas eu preciso voltar — disse ao me afastar um pouco dele. — Preciso voltar ao meu mundo, ainda tenho uma vida lá.
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  — Tem razão. — Ele assentiu, erguendo sua mão e tocando no cordão em meu pescoço. — Mandarei que alguém te acompanhe até São Paulo amanhã, uma pessoa de confiança a levará até o parque.
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  — Ok.
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  Sorri de leve e, tomando impulso, o beijei de forma suave e doce, sentindo ele aproximar novamente seu corpo do meu. Passamos mais algum tempo na sala de tv, juntamente com seus irmãos vendo filmes aleatórios. Algumas coisas naquele universo eram sim diferentes, principalmente no Brasil, porém, algumas não mudaram em nada, principalmente relacionado a Hollywood.
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  Eu estava de volta ao meu Brasil república. %Joseph% me fez prometer que não iria ao seu mundo até o Natal. Ele não me queria em meio ao fogo cruzado que poderia rolar com sua guerra contra o tio traidor. As semanas se passaram, o verão chegou e até mesmo as lojas já se enfeitavam para o Natal. Minha mente não conseguia se focar muito, tanto que até minha amiga Lola percebeu. Se ela soubesse quem realmente era o garoto do cappuccino nutella, surtaria como eu.
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  — Ele não voltou mais — comentou ela, assim que saímos da cafeteria.
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  — É, não voltou — confirmei, dando um suspiro cansado.
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  Ela me convidou para ir ao rolê de sempre com os carros de corrida clandestinos, mas desta vez não aceitei. Confesso que sempre ia na esperança dele estar lá para me ver. Segui para casa e assim que cheguei diante do meu prédio, me deparei com Junior, surpreendentemente, acompanhado de Lorelyn. Que parecia mais em choque do que eu quando cheguei ao mundo deles.
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  — Que loucura, então é real mesmo. — Ela se aproximou de mim e tocou em meu ombro com o dedo indicador.
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  — Sim, eu também fiquei dessa forma que está agora. — Assenti para ela. — Mas o que fazem aqui?
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  — Meu primo está prestes a enfrentar a corte e o parlamento para julgarem suas mudanças nas leis, apesar de não poderem intervir na revogação do imperador pelas leis que regem a monarquia constitucional renovada — respondeu ela.
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  — E eu devo entender isso?! — Olhei para Junior.
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  — Seu tio está planejando um plágio de golpe militar, como o Marechal fez com Dom Pedro II aqui, e vai acontecer durante a reunião de amanhã — explicou Junior.
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  — E o que querem que eu faça? — perguntei.
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  — O óbvio, por isso estamos aqui, queremos que seja nossa duquesa — respondeu Lorelyn.
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  Eu respirei fundo sem saber o que dizer.
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  Entretanto, assenti com a cabeça no impulso e no choque. Seguimos para o parque e passamos pelo portal. Permaneci na cobertura dos meninos repassando todo o plano de Junior e Lorelyn, enquanto Tobia e Alex estavam em Brasília para dar cobertura e não deixar que %Joseph% desconfiasse de nada. No dia seguinte, seguimos de helicóptero até o Palácio do Planalto, onde já se reuniam todos. Lorelyn foi na frente, sendo a primeira-ministra, ela deveria chegar juntamente com o imperador. Junior entrou depois e me deixou em sua sala esperando pelo sinal, acompanhada por um militar de sua confiança.
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  Assim que recebi sua mensagem no celular que tinha me dado, segui para o grande salão da corte brasileira onde se reuniam, diante do imperador e da primeira-ministra, todas as famílias da corte e nobreza importantes, juntamente com os parlamentares. Em âmbito nacional, segundo Junior, o povo estava sendo incitado a causar revoltas pedindo pela república, porém, na mesma proporção, havia apoiadores da monarquia que lutavam pela integridade da imagem do novo imperador.
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  Após todas as acusações do tio de %Joseph% e oposições de famílias importantes às mudanças, alguns militares e parlamentares se deslocaram para declarar exílio ao imperador e tentar proclamar a república. Porém, antes que fizessem isso, as portas do salão se abriram para mim. Engoli seco ao me deparar com todos os olhares vindo em minha direção, eu, a passos lentos, fui sentindo os olhares ficando cada vez mais curiosos juntamente com os cochichos de geral. Com as pernas trêmulas continuei até chegar diante do trono em que %Joseph% se mantinha sentado, com o olhar estático para mim, e sua prima ao lado direito fazendo cara de paisagem e Junior ao lado esquerdo, disfarçando a culpa. Alex e Tobia, cada um em uma ponta também.
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  — Apresento-me ao parlamento, à corte, aos ministros e à vossa majestade — disse dando uma breve reverência, estava vestida formalmente com uma roupa emprestada por Lorelyn — Lady %Amelia% Elizabeth Catherine Veronese Castelatto, duquesa de Santa Catarina.
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  Meu coração acelerou. Era surreal que a tal desaparecida tivesse o mesmo nome que eu, além do rosto. Mas sim, ela tinha exatamente o mesmo nome que eu, %Amelia%.
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  — Como pode? — O tio de %Joseph% se levantou de sua cadeira. — A duquesa está desaparecida há anos, você é uma impostora.
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  — Nós provamos que não. — Junior se levantou de sua cadeira e encarou o ex-regente. — Tenho aqui todos os documentos que provam a veracidade de suas palavras, além do teste sanguíneo, esta é a herdeira legítima que está aqui diante de todos para demonstrar seu apoio à coroa — continuou ele, confiante no que dizia. — Para todas as famílias que estão contra nosso imperador, devo lembrá-las de vossa aliança com a casa Castelatto e de como esta família ajudou nosso país a se reerguer na crise de 1929, gerando empregos e esperança à nossa nação. Ir contra o imperador é romper com a aliança e, portanto, se colocar em dívida com a herdeira.
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  — Deixemos que ela fale — disse uma mulher de preto, com cabelos grisalhos, havia uma placa em sua frente escrita lady Silveira, certamente seu sobrenome, condessa de Pernambuco.
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  — Não importa como e onde, o que importa é que fui encontrada e estou aqui para demonstrar meu apoio à coroa, sei que tradições são importantes para manter nossa cultura, mas também através destas mesmas tradições, desculpas para se fazer coisas desonestas podem ser usadas — comecei o discurso que decorei de Lorelyn. — A capacidade de um imperador de governar com sabedoria e responsabilidade não deve ser medida apenas pela ideia de se estar casado ao não, pois entraria em conflito com a realidade do parlamento em que a maioria ou é solteira ou está em uma união informal.
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  Peguei no ponto fraco de muitas pessoas presentes.
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  — E tenho certeza que esta condição não foi impecílio para que assumissem o cargo, estamos em um tempo moderno em que tradições que são utilizadas por interesse próprio devem ser mudadas para tradições que serão utilizadas pelo interesse comum do próprio povo, pois deve-se governar para ele — continuei firme. — Por isso, eu declaro meu apoio ao imperador %Joseph% Leopoldo de Orleans e Bragança.
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  O caos instaurado pelo tio de %Joseph% foi, aos poucos, sendo dissipado assim que Lorelyn, a primeira-ministra, se pronunciou também a favor da coroa. Revelando todos os desvios e falcatruas na má gestão do seu tio em dez anos de regência. O que pegou a todos de surpresa, causando mais alvoroço ainda. Sendo guiada por Junior, segui para a cadeira reservada ao chefe da família Castelatto, no caso, eu. Diante de todas as coisas, a única que me prendia a atenção era o olhar fixo de %Joseph% em mim desde que apareci naquele lugar, e durante toda a sessão.
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  — Vencemos! — disse Alex ao se aproximar de mim com os outros três e esticar a mão para fazermos um toque de vitória.
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  — Sim — disse suspirando aliviada. — Eu nunca fiquei tão nervosa na vida, juro.
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  — Você fez tudo certinho. — Junior piscou de leve.
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  — Você dizendo aquilo sobre mim, foi tão confiante que até eu acreditei. — Ri de leve. — Estou feliz em ter ajudado e evitado uma guerra física com bombas e mortes.
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  — Se não tivesse entrado, acho que teria mesmo começado uma guerra, minha família de militares jamais aceitaria o golpe — garantiu Junior.
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  Voltei meu olhar para %Joseph% que se mantinha em seu trono, com dois guardas imperiais atrás de segurança. Senti uma estremecida no seu olhar ainda fixo em mim, mesmo ouvindo sua prima que tentava trocar algumas palavras com ele.
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  — Sabe aquele medo de encará-lo? — disse num tom baixo.
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  — Nós sabemos — assegurou Tobia. — Cabeças vão rolar hoje.
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  — Melhor eu ir na frente e defender vocês. — Me coloquei como tributo.
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  Eles riram e concordaram brincando comigo. Com a ajuda de Lorelyn, todo o salão se esvaziou restando apenas nós dois. Foi naquele momento que seu olhar se desviou de mim para o anel imperial em seu dedo.
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  — Me desculpe, eu sei que não deveria ter me intrometido e nem me passado pela duquesa, mas…
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  Fui interrompida pela paralisação do meu raciocínio, assim que ele tomou impulso se levantando e me abraçou. Forte, me trazendo para mais perto dele.
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  — Não deveria estar aqui, mas obrigado por ter vindo — sussurrou ele. — Agora entendo o motivo.
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  — Que motivo? — perguntei.
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  — Nada… Não é nada. — Ele sorriu disfarçando e me manteve aninhada a ele.
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  Contava-se dias para o Natal, então resolvi aceitar sua sugestão e ficar mais um pouco. Assim que a data mais esperada do ano naquele universo chegou, o Palácio de São Cristóvão ficou um pouco movimentado pelos amigos/ministros mais badalados do Brasil Imperial e suas namoradas, contamos também com a presença de Lorelyn e sua filha de três anos, que aproveitou para se divertir no quarto de brinquedos com o príncipe e a princesa real.
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  — %Mia%. — %Joseph% me guiou até o centro da sala de estar, com todos nos olhando. — Naquele dia, eu disse que entendia o motivo, você me perguntou o que era.
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  — Sim. — Assenti.
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  — Agora entendo o motivo do meu pai não ter revogado a tradição quando teve a oportunidade — revelou ele. — Ele sempre dizia que ao lado de um grande homem havia sempre uma grande e sábia mulher que lhe auxiliava, por isso não se deveria governar sozinho…
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  Ele deu um pequeno espaçamento entre nós dois e se ajoelhou diante de mim, deixando todos surpresos, inclusive eu. E retirando uma caixinha dourada do bolso, abriu mostrando um anel de noivado com um diamante.
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  — E eu não quero governar sozinho, mas preciso saber… No próximo Natal, se ainda me amar, aceitaria se casar comigo? — perguntou ele com um olhar esperançoso e aflito ao mesmo tempo.
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  Eu estava mais do que estática e não me imaginava casando tão cedo assim, apesar da minha família inteira dizer que estou encalhada. Mas…
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  — Sim. — A única palavra que minha mente dizia e meu coração também.
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  Mesmo ouvindo as vozes de todos festejando ao nosso redor, minha atenção ficou nos movimentos de %Joseph% colocando o anel em meu dedo e se aproximando mais para me beijar de forma doce e envolvente.
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  Meu coração estava acelerado…
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  Quem diria que em pleno Natal, em um universo paralelo, eu encontraria o meu amor e seria pedida em casamento.
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Eu desisto de entender
É um sinal que estamos vivos
Pra esse amor que vai crescer
Não há lógica nos livros
E quem poderá prever
Um romance imprevisível
Com um turu, turu, turu, turu, turu, turu, tu...
- Quando Você Passa (Turu Turu) / Sandy & Junior

  “Amor: Mesmo sendo distintos, quando o amor acontece, consegue unir dois mundos diferentes.” - by: Pâms

Fim

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