Capítulo 3 • O Novembro de despedida
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“Naquele novembro, eu corri até a sua casa, mas só encontrei sua carta e ela dizia…”
Naquele novembro, Namjoon correu até a casa de Maria, um lugar que costumava ser um refúgio, um lar compartilhado. Contudo, ao chegar, em vez da acolhedora presença dela, encontrou apenas um silêncio frio e uma carta sobre a mesa, como uma última testemunha do que um dia foi.
Com mãos trêmulas, Namjoon abriu a carta, seus olhos devorando cada palavra escrita à mão por Maria. As linhas delicadas revelavam a agonia da alma dela, a luta interna que ele não conseguira enxergar antes.
"Desculpa, eu não consigo me amar
Do jeito que você me ama
E agora eu não posso mais voltar
A minha casa está em chamas.
Eu precisava me deixar
Pra descobrir onde eu estava
Mas não é que eu me sinta mal
Eu só não sinto nada
Eu não sinto nada
Me deixa ir
(Me deixa, me deixa)
Me deixa ir
(Me deixa, me deixa, me deixa ir)"
Cada palavra da carta era o eco de uma música que eles costumavam dançar juntos, mas agora tocava em um tom de despedida. Namjoon sentiu um nó na garganta, tentando compreender a magnitude do que Maria estava expressando.
As palavras ressoaram em seu peito, revelando a batalha silenciosa que ela enfrentava consigo mesma. Maria não se via merecedora do amor que Namjoon oferecia, como se o calor do afeto que ele lhe proporcionava fosse demais para sua própria escuridão interior.
A metáfora da casa em chamas pesou como um fardo sobre Namjoon. A casa que eles construíram juntos agora ardia em chamas simbólicas de mudança irreversível. O lar que uma vez abrigou risadas, carinhos e sonhos compartilhados estava agora sendo consumido pelas chamas da transformação que Maria ansiava.
Namjoon sentiu um vazio imenso, como se o chão tivesse sido arrancado de sob seus pés. A carta era a evidência dolorosa de que o amor deles não poderia salvar Maria das chamas interiores que a consumiam. Ele compreendeu que, por mais que quisesse ser o salvador dela, havia batalhas que ela precisava travar sozinha.
E assim, naquele novembro sombrio, as palavras da carta ressoaram como uma sinfonia de despedida. Namjoon estava diante do fato de que, por mais que tentasse, não poderia apagar as chamas que Maria sentia dentro de si. Restava a ele aceitar a triste realidade de que a casa que construíram agora estava em chamas, e não havia retorno possível.