Capítulo 2 • O Chamado das chamas
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“Não sabia o que queria, mas sabia que não estava aqui nessa cidade que te afoga... Mas, como o fogo, precisava ir…”
Namjoon se via perdido em suas próprias memórias, remexendo os recantos do passado que agora pareciam distantes. Lembrou-se de como Maria, em meio à confusão de sua própria jornada, expressava constantemente o sentimento de estar afogada na cidade que, para ela, era mais uma gaiola do que um lar.
Maria não se encaixava nos padrões e nas expectativas que a cidade impunha. Seus sonhos eram vastos, e as paredes estreitas da rotina urbana pareciam sufocá-la. Namjoon recordou as noites em que ela se sentava à janela, olhando para o horizonte distante, como se buscasse respostas nas luzes que brilhavam além das fronteiras da cidade.
As escolhas recentes de Maria, talvez impulsivas, foram suas tentativas desesperadas de encontrar um sentido para sua existência. Ela queria mais do que a vida que a cidade oferecia, e essa busca incessante por algo além gerava uma angústia palpável. Namjoon percebeu como a cidade, que para muitos era um refúgio, para Maria era uma prisão de concreto e vidro.
O relacionamento deles, que começou como uma ilha de conforto, tornou-se um farol que guiava Maria por águas turbulentas. Namjoon recordou as lágrimas que ela derramou, compartilhando a sensação de não pertencimento, a inquietude que a consumia. Ele queria ser o porto seguro para ela, mas a correnteza da vida a levava para longe, em direção ao desconhecido.
As conversas noturnas ecoavam em sua mente, onde Maria falava sobre a necessidade de se perder para se encontrar. Como o fogo que queima para se renovar, ela explicava que a única maneira de escapar das sombras era deixando tudo para trás. Namjoon agora entendia que, para Maria, a cidade era a escuridão, e ela ansiava pela luz de um novo amanhecer.
O desejo de Maria de se libertar, de queimar as amarras que a prendiam, transformou-se em um chamado irresistível. As chamas da mudança eram sua única rota de fuga, e Namjoon, apesar de amá-la profundamente, compreendia que ele próprio não poderia extinguir o fogo que ardia dentro dela.
Assim, enquanto Namjoon se afogava em lembranças, ele agora entendia que Maria não sabia exatamente o que queria, mas sabia que não estava ali, na cidade sufocante. Como o fogo, ela precisava ir, e isso, por mais doloroso que fosse, era inevitável.